terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Eliane Cantanhêde: Lula jogou a isca, e FHC, cansado de engolir sapos, comeu
Leia o artigo publicado hoje na Folha, de Eliane Cantanhêde.
Gênios incompreendidos
Lula jogou a isca, e FHC, cansado de engolir sapos, comeu. A vaidade falou mais alto do que o pragmatismo, e o ex-presidente entrou na campanha de 2010 comparando o seu governo ao do sucessor e deflagrando o que Lula mais queria: uma campanha plebiscitária. Só falta saber o que Serra acha disso.
No domingo, FHC usou um artigo para mostrar as vantagens das privatizações da Vale e das teles e os avanços na área social, além do sucesso da estabilidade econômica.
No final, se disse pronto para o confronto de resultados: "A briga é boa, nada a temer".
Ontem, os jornais publicavam versões de que FHC teria dito que Dilma não passa de um boneco manipulado por Lula. O Planalto e o PT adoraram. Preferem o choque Lula-FHC ao Dilma-Serra. Ainda por cima, acham que FHC ajuda a divulgar a candidata deles.
Já que é hora de comparações: enquanto a campanha de Dilma fala a mesma língua, a da oposição é uma salada de posicionamentos, provocações, táticas e estratégias.
Cada um por si.
O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, avisou que, se eleito, Serra vai botar a economia de ponta-cabeça. Agora, FHC cede à estratégia dos adversários. E, no meio tempo, o próprio Serra quer trocar "Polícia Militar" por "Força Pública", só para irritar os milicos.
O "andar de cima" (com licença, Elio Gaspari) se assustou com Guerra, o "andar do meio" foi liberado para a batalha marqueteira de números, e os militares, que têm capacidade de multiplicação de votos no "andar de baixo" pelo país afora, passam a ter tanto medo de Serra quanto já tinham de Dilma.
Tem alguma coisa errada com esses tucanos ou eles são uns gênios de eleição. Tão geniais que só eles mesmos conseguem entender.
Mesmo sem se entenderem.
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Quer comparar? Então toma!
Não adianta esse blablablá nas páginas dos jornais. A comparação que realmente interessa é a que está sendo feita por toda a população. Vamos comparar, por exemplo, os índices de aprovação e desaprovação de Lula e os de Fernando Henrique em períodos correspondentes dos mandatos. Notem que a desaprovação de Fernando Henrique chega a ser maior do que a aprovação. Para o bem dos tucanos, é melhor nem tentar comparar. As diferenças tendem a aumentar - adivinha a favor de quem?
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Quem será o Vice de Aécio?
Fala sério, todo esse diz-que-me-diz da Oposição tentando fazer de Aécio Vice de Serra é pura cortina de fumaça. Estão se preparando para o fracasso de Serra e sua substituição por Aécio. Essa foi a forma de manter o governador mineiro ainda ligado à corrida presidencial. Em julho do ano passado, escrevi aqui (Por que a Oposição tirou o olho do Nordeste e passou a ver Minas com bons olhos): “A Oposição, no meu modo de ver, desistiu de acreditar em sucesso no Nordeste e passou a investir onde poderia alterar resultados significativamente. Assim, a tradicional escolha de Sudeste-Nordeste para a Presidência e Vice ficaria em segundo plano. Seria lógico, por exemplo, dois nomes do Sudeste (Serra-Aécio) ou mesmo Aécio Presidente (garantindo vantagens no segundo maior colégio eleitoral) e Serra na reeleição para São Paulo (tentando ampliar vantagens no maior colégio eleitoral). Ainda assim, é difícil dar certo. Mas é bom que a candidatura Dilma abra o olho”. O texto continua atual. A dúvida passaria a ser o Vice de Aécio. Ciro Gomes? Não é tão simples assim.
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sábado, 6 de fevereiro de 2010
Quadro eleitoral do Rio: qual a tendência?
Como se sabe, as nuvens são como os quadros políticos: você olha, é surrealismo; olha de novo, é construtivismo... As eleições 2010 no Rio de Janeiro (como em boa parte do país) são uma obra em processo. Até outro dia estava tudo definido. Para Governador, seriam candidatos Sérgio Cabral (PMDB), Garotinho (PR) e um ou outro, talvez Gabeira (PV) – que acabou se firmando. Para o Senado, Crivella (PRB), Benedita (e/ou Lindberg, ambos do PT), Cesar Maia, (do DEM, e/ou Gabeira e/ou Aspásia, do PV), Picciani (PMDB), além de Manoel Ferreira (PR), Waguinho (PSC), ou Miro Teixeira (PDT). Quando parecia que o toque final seria a definição de Benedita ou Lindberg na indicação petista para o Senado, percebemos que o quadro estava longe de ser concluído. Para Governador, articula-se agora a saída de Garotinho da exposição, o que praticamente garantiria a vitória de Sérgio Cabral já no primeiro turno (Cesar Maia já chiou no twitter). A questão ficaria por conta da disputa entre o PR e o PMDB no Amazonas, que talvez não seja difícil de equacionar. Dilma só teria a crescer com isso. Mas o problema maior passou a ser o Senado: onde colocar Crivella, que lidera todas as pesquisas e é aliadíssimo de Lula, mas que ficaria isolado, com pouco tempo na TV? A chapa principal de apoio a Dilma para o Senado já estava fechada com PT e PMDB. Picciani não abre mão da candidatura de forma alguma; Benedita e Lindberg, também não. Grupos petistas aproveitam a situação e já pincelam chapa independente, sem aliança formal com o PMDB, com Benedita e Lindberg unidos. Será? Ou tudo não passa de um quadro impressionista? Não há crítico da arte política que tenha resposta.
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Henfil, 5 de fevereiro
Vi a homenagem pelo aniversário de Henfil (que foi ontem) somente hoje no Nassif. Não poderia ter esquecido. O dia é o mesmo do aniversário da minha filha, Maíra, e ele até fez um desenho especial da Graúna, quando ela nasceu. Reproduzo a homenagem que o Nassif fez, com esse vídeo do Blog Passeando Pelo Cotidiano.
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Paz no Oriente Médio
Apesar de ser antigo, vale a pena ver de novo esse ótimo comercial isaraelense promovendo a paz no Oriente Médio.
Ciro usa Dirceu como pretexto
Não existe “rompante” nenhum nas recentes declarações “anti-petistas” de Ciro Gomes, nada foi feito de “cabeça quente”. Tratou-se apenas do “ou dá ou desce” de sua candidatura (ou candidaturas...). Do jeito que estava, seus índices de intenções de voto secariam. Percebeu que pelo lado do “sim a Lula” o nome Dilma ganhava corpo em ritmo acelerado, sem que ele pudesse fazer nada. Ciro precisava diferenciar-se. Partiu para a conquista dos votos da classe média do Sul-Sudeste, aquele eleitor refratário ao PT, que está do lado do “não a Lula”, mas que não se sente confortável com a plumagem tucana. Foi pra cima dos votos de Serra e vai sobrar também para Marina (principalmente depois desse programa “xéu com fréu” do PV). Vai ganhar pontos nas pesquisas, sem mexer com Dilma. Ganha cacife para manter-se na disputa, seja a presidencial, seja a disputa em São Paulo. Zé Dirceu entrou na história como trampolim. Acho difícil que tenha combinado tudo.
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Com a palavra, os chefões das pesquisas
Esses dias, pelo menos três representantes de grandes institutos de pesquisa escreveram artigos ou deram entrevistas sobre o quadro eleitoral presidencial. Temos entrevista de Mauro Paulino (Datafolha) para o Terra Magazine, que também traz entrevista de Antonio Lavareda (MCI). Marcos Coimbra (Vox Populi) escreveu para o Correio Brasiliense. E Carlos Montenegro (Ibope) deu entrevista para o Balaio do Kotscho.
Achei muito consistente a entrevista de Mauro Paulino, onde destaca a imensa transferência de votos de Lula para Dilma: “Ele (Lula) tem um governo com uma taxa de aprovação inédita e o peso que isso terá nesse pleito já está sendo demonstrado. Comprovadamente ele já está transferindo muitos votos para Dilma”.
Lavareda, sabidamente tucano, prefere atribuir a recente subida de Dilma aos votos transferidos por Ciro. Isso poderia valorizar a presença de Ciro na garantia de segundo turno (como pensa Cesar Maia). Mas Marcos Coimbra observa: “É fácil se confundir na interpretação desses resultados, deles deduzindo que ‘Dilma precisa de Ciro’. Trata-se, no entanto, de um equívoco, que decorre de não se considerar o nível de conhecimento muito desigual que ainda há entre os candidatos”. Para Marcos Coimbra, “nessas pesquisas, mesmo no cenário sem Ciro, a possibilidade (de não haver segundo turno) parece remota”.
Montenegro dá a impressão de ser o menos preparado, nem parece representar um instituto de nome, como o Ibope. Poucos meses atrás, ele era categórico na afirmação da vitória de Serra (Fabio Gomes, do Informa, por causa de afirmações esdrúxulas, chegou a associá-lo à prática de “pesquisomancia”). Agora, já declara “se Dilma ganhar, não me surpreenderia”. E diz também que “o PT não ganha” – parecendo querer separar “PT” de “Lula”.
O que dá para perceber nas declarações de todos é o espanto com a ascensão de Dilma nas últimas avaliações. Por mais que tenham participado de milhares de pesquisas eleitorais, ainda se assustam com o poder de transferência de votos que Lula demonstra. O susto não seria tão grande se eles percebessem de uma vez por todas que essa é uma eleição plebiscitária, onde o caráter principal do voto será dizer “sim” ou “não” a Lula.
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Marina, seca
A fala de Marina, que ocupou quase o tempo inteiro do Programa do PV exibido ontem, foi plana, seca, dificilmente terá conquistado um único voto. Cesar Maia, no seu Ex-Blog de hoje, comenta: “O que faltou no programa de ontem da Marina? Emoção. Fala de momentos significativos de sua vida, como se estivesse contando um filme. Mas o programa acerta no alvo ao buscar contatos imediatos de primeiro grau com a juventude". Concordamos bastante. Ontem mesmo twittei: "Programa do PV, Marina: uma vida tão emocionante apresentada sem um pingo de emoção. Que pena".
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Os disparates numéricos de Cesar Maia
O Ex-Blog de hoje de Cesar Maia me deu a certeza do total desespero da oposição. Citando “as pesquisas de final de dezembro e os recortes das pesquisas nacionais de janeiro publicadas”, ele traça um quadro pré-eleitoral no Rio de Janeiro recheado de fantasias. O objetivo, evidente, é procurar despertar alguma esperança entre seus aliados atônitos. Vamos ver o que ele diz, com alguns comentários que faço em negrito:
2. Para presidente, Serra continua bem na frente, no patamar de 40%, Dilma no de 25% e Marina no de 15%. Serra cai um pouco na periferia metropolitana e dispara no interior. Num mano a mano daria Serra no nível de 50% e Dilma 30%. O voto de Marina é distribuído em porcentagens iguais.
LOUCURA TOTAL. Se nacionalmente Serra patina e Dilma sobe, mantendo diferença de apenas 5% (com Ciro) e de 12% (sem Ciro), como é que o tucano pode estar 15% à frente de Dilma no RIO DE JANEIRO?!?!?! Certo perdeste o senso – e o censo... Pode escrever: Dilma já está à frente, principalmente quando é identificada com Lula.
3. Para governador, Cabral está no patamar de 35% e Garotinho e Gabeira empatados em 20%. Cabral tem certa estabilidade na capital, periferia e interior. Garotinho parte do interior com 30%, na periferia está no nível de 25% e na capital um pouco acima de 10%. Gabeira faz caminho inverso. Uns 30% na capital, uns 15% na periferia e um pouco acima de 10% no interior.
Aqui ele exagera menos. Mas o mais natural seria dizer que Sérgio Cabral tem 40% e a soma de Garotinho e Gabeira também seja 40% (ou algo próximo). Não dá para afirmar categoricamente que não haverá segundo turno – mas a vitória de Cabral no primeiro turno é bastante possível.
4. Para senador em 2 votos, Crivella está quase no patamar de 40%, Cesar Maia no de 35%, Benedita no de 30%, Manoel Ferreira e Picciani no de 10% e os demais de 5% para baixo. Cesar Maia se mantém neste patamar nas 3 grandes regiões. Crivella fica acima de seu patamar na periferia e um pouco abaixo na capital e interior. Benedita apenas oscila em seu patamar dos 30%.
Aqui Cesar Maia ficou mais perto do real, mas, como ele é candidato, tratou de puxar umas sardinhas para a sua brasa. Está correto quanto a Crivella, mas exagerou no segundo lugar em que se colocou. Cesar e Benedita estão praticamente empatados, ela um pouco à frente. Em algumas regiões ele estará à frente, em outras será ela. Tem contra ele rejeição altíssima. O resto é isso mesmo, lá atrás. Picciani... Manoel Ferreira... talvez Waguinho...
5. Uma garantia: teremos segundo turno no Estado do Rio. Como há um só ator na imprensa nessa pré-campanha, Cabral, seu patamar hoje deve ser também seu teto. Com outros times em campo, deve apontar para baixo, quem sabe perto de 30%, ou menos. Gabeira e Garotinho vão crescer, talvez para um nível de 25%. O segundo turno fica indefinido com leve vantagem para Cabral. Em 2006, Cabral entrou no segundo turno com a vantagem de 37% a 22% (Denise Frossard). Agora, mesmo que possa vencer o primeiro turno, a vantagem neste será estreita, ficando indefinido o segundo turno.
Cesar Maia não pode garantir nada. Pode ser que haja segundo turno, mas isso está longe de ser garantido. Com outros times em campo, deve apontar para cima – principalmente com o time de Lula a seu lado. Pode até acontecer um efeito gangorra entre Gabeira e Garotinho, apesar de parecerem tão diferentes.
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Ou Ciro seca Serra, ou seca sozinho
Na entrevista que deu ao Terra Magazine, ontem, o estrategista tucano Antonio Lavareda, analisando a pesquisa Sensus, declarou: "O que houve efetivamente foi uma transferência de votos de Ciro Gomes para Dilma", pois "as pessoas tomaram conhecimento de que é a candidata do presidente Lula". Claro que não foi só isso, mas ele tem certa razão, confirmando o que tenho dito no Blog. À medida que Ciro sai de cena, os seus votos migram para os outros adversários. Como ele faz parte do grupo “sim a Lula”, ele tende a perder votos para a ala mais forte do grupo, Dilma. Se ficar parado nisso, seus votos vão secar, ele se tornará inviável e desnecessário. Para crescer de forma consistente, terá que partir para cima dos votos do Serra. Ciro tem pelo menos três campos importantes para explorar: o nordestino paulista (mais próximo de Serra), a classe média do Sul-Sudeste (aquela parte que reage a Dilma, mas que não se sente inteiramente à vontade sob as asas tucanas) e o voto tucano mineiro (disposto a vingar Aécio). Não é uma tarefa fácil para Ciro diferenciar-se nesse clima plebiscitário e com poucos recursos, mas pode dar certo. Ele já lançou a ideia de que “um é passado (Serra), o outro é presente (Dilma) e eu sou o futuro”, que agrada principalmente à classe média. Se Ciro seguir firme, Serra talvez seque ainda mais do que já está secando.
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Libertas quæ sera Zé
O Vice José Alencar já declarou (ao colunista Leandro Mazzini, do JB) que não aguenta mais “campanha pro executivo”. Mas parece que “Deus” designou mais essa tarefa pra ele. José Alencar é o nome capaz de unir o PT de Minas, dividido entre os nomes de Patrus Ananias (PT), Fernando Pimentel (PT) e Hélio Costa (PMDB) para candidato a Governador. Como divulguei ontem no meu twitter, o que se articula é que Zé Alencar seja o Governador, Patrus seja seu Vice, Hélio Costa seja o Senador e Pimentel seja o Coordenador Geral da campanha de Dilma. Essa fórmula talvez agrade até mesmo a Aécio, que provaria que, sem ele, o tucanato paulista não tem espaço em Minas. Seria mais uma “Inconfidência Mineira”...
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Eleição 2010: eleição plebiscitária, Ciro e margem de erro
Eleição plebiscitária. A rigor, não existiria eleição plebiscitária com mais de um candidato. É uma eleição do sim/não. Como houve na questão das armas, quando se mobilizou a população para aprovar ou não a lei proibindo o comércio de armas e munição (aliás, nesse caso, é um plebiscito chamado de referendo). Em 2010, diz-se que a eleição é plebiscitária para mostrar que os eleitores, de fato, vão dar um sim ou um não ao Projeto Lula. Vão eleger um “Lula” ou um “anti-Lula”. Não importa (a não ser por motivos táticos) se existem dois, três ou mil candidatos. Com Ciro ou sem Ciro, a eleição será plebiscitária.
Ciro. Já escrevi aqui, citando a pesquisa Datafolha, que, no primeiro turno, Ciro tira mais votos de Serra do que de Dilma. E foi isso, alguns Ex-Blogs atrás, que fez o Cesar Maia declarar que a eleição plebiscitária favorece o Serra. Visto assim, ele teria razão. Acontece que o perfil Ciro ainda não está inteiramente definido. Digamos (apenas como exemplo) que alguém vota em Ciro porque veio do Nordeste para morar em São Paulo. Sem o Ciro, só conhece bem Lula e Serra. Lula não é candidato, logo escolhe Serra. À medida que os “ciristas” forem percebendo que Ciro – assim como Dilma – é “sim a Lula”, deixarão de ter Serra como alternativa. Tudo depende da comunicação articulada do Planalto com o PSB.
Margem de erro. Nunca vi errar tanto em pesquisa como acontece com a mídia no quesito “margem de erro”. Do Jornal Nacional ao tablóide distribuído na esquina, todos dizem barbaridades sobre as variações dos índices em função da margem de erro. Nessa pesquisa CNT/SENSUS, o próprio instituto deu uma informação estranha. Para uma pesquisa de 2.000 entrevistas, deu como margem de erro “+/- 3%”. Pelo que sei, essa seria a margem máxima para 1.070 entrevistas. Para 2.000 entrevistas, a variação máxima seria de +/- 2,2%. Na faixa dos índices de Dilma (27,8%) e Serra (33,2%), a margem é de +/- 2%. Não há empate técnico, já que a variação de Dilma fica entre 25,8% e 29,8%, enquanto a variação de Serra fica entre 31,1% e 35,3%. Mas acredito que isso é só uma questão de tempo... com ou sem Ciro.
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Flagrante da Oposição lendo as novas pesquisas Vox e Sensus
A Oposição estava tentando desviar a atenção da pesquisa Vox-Band que mostrava Dilma chegando junto, quando saiu essa CNT-SENSUS mostrando Dilma apenas 5,4% pontos atrás de Serra (em novembro a diferença era de 10,1%...). Mais: na espontânea, Dilma agora só perde para Lula.
Soube de outras pesquisas em andamento com dados ainda mais fortes. O desespero vai aumentar. Quem será o o candidato da Oposição?
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Sem Lula, Davos perdeu brilho – mas não deixou de levar um tapa na cara
O discurso de Lula para o Fórum Econômico Mundial, lido por Celso Amorim, tem força muito grande, até mesmo com sua ausência. Depois de agradecer o prêmio "Estadista Global", Lula passa a recordar o seu discurso de 2003, na sua primeira visita a Davos: “O olhar do mundo hoje, para o Brasil, é muito diferente daquele, de sete anos atrás, quando estive pela primeira vez em Davos. Naquela época, sentíamos que o mundo nos olhava mais com dúvida do que esperança. O mundo temia pelo futuro do Brasil, porque não sabia o rumo exato que nosso país tomaria sob a liderança de um operário, sem diploma universitário, nascido politicamente no seio da esquerda sindical. (...) Sete anos depois, eu posso olhar nos olhos de cada um de vocês – e, mais que isso, nos olhos do meu povo – e dizer que o Brasil, mesmo com todas as dificuldades, fez a sua parte. Fez o que prometeu”. Com isso, ele deu tapa na cara da Oposição. Mas serviu também, na comparação com o que o Brasil fez, para cobrar mudança dos países ricos. “O que aconteceu com o mundo nos últimos sete anos? Podemos dizer que o mundo, igual ao Brasil, também melhorou? (...) Pergunto: podemos dizer que, nos últimos sete anos, o mundo caminhou no rumo da diminuição das desigualdades, das guerras, dos conflitos, das tragédias e da pobreza? Podemos dizer que caminhou, mais vigorosamente, em direção a um modelo de respeito ao ser humano e ao meio ambiente? Podemos dizer que interrompeu a marcha da insensatez, que tantas vezes parece nos encaminhar para o abismo social, para o abismo ambiental, para o abismo político e para o abismo moral? (...) Gostaria de repetir que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Esta também é uma das melhores receitas para a paz. E aprendemos, no ano passado, que é também um poderoso escudo contra crise. Esta lição que o Brasil aprendeu, vale para qualquer parte do mundo, rica ou pobre”. Leia o discurso completo.
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
J.D. Salinger: o apanhador do campo de centeio foi apanhado
Claro que também li O Apanhador do Campo de Centeio, A Perfect Day for Bananafish (Nine Sories), Franny and Zooey. Gostei muito. Certa vez soube que um biógrafo de Salinger estava tendo muito dificuldade em escrever sobre ele. Estava em dúvida, por exemplo, sobre se ele tinha ou não tinha viajado à Espanha em determinado ano. Essa dificuldade existia quando Salinger ainda estava vivo - imagina agora, que morreu!
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Lindberg, o pragmatismo e o metamorfismo
Estava me contendo para não escrever sobre essa paixão súbita entre o Prefeito Lindberg (PT, Nova Iguaçu, RJ) e o Governador Sérgio Cabral (PMDB, RJ). Alguns amigos petistas comentaram que eu estava sendo muito rigoroso com ele, mas quero dizer que minha relação pessoal com Lindberg sempre foi extremamente simpática. A nota de hoje no Panorama Político do Globo, acusando-o de “metamorfose ambulante” por ter-se transformado de uma hora para outra em “melhor amigo” do ex-“inimigo mortal” Sérgio Cabral, foi que me fez sentar diante de minha Lettera 22.
Assim como Benedita, “mulher, negra e favelada”, é até hoje o grande acontecimento petista na área popular, Lindberg, “o Lindinho”, tornou-se (junto com Molon, “o ético radical”, e Minc, “o doidaço do meio ambiente”) o grande acontecimento midiático do PT do Rio de Janeiro. Sua desenvoltura no espaço político e seu ar muito simpático garantiram projeção rápida. Mas a velocidade, embora seja muito útil à política, longe de lhe garantir infalibilidade, traz também muitos tropeços. Um deles é esse causado por confundir pragmatismo com metamorfose. O pragmatismo é inerente à política, porque representa o não-dogmatismo. Sem pragmatismo, não há como avançar politicamente. Mas se, para avançar, um político resolve se metamorfosear, transformando-se no que não é, ele pode até dar um passo à frente, mas em um nível conflitante – sem nem ao menos gerar efeito borboleta.
Lindberg ganhou simpatia no eleitorado petista por ser um defensor radical de candidatura independente ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, utilizando como trampolim os ataques frontais ao peemedebista Sérgio Cabral. Acabou percebendo a necessidade da aliança (pragmatismo), mas não poderia, como fez, metamorfosear-se instantaneamente em cabralino de primeira hora. Isso deixa a sua base atônita e cria desconforto e desconfiança para seu comando. Ao mesmo tempo em que admiram sua grande capacidade de voo nos meios de comunicação, todos perguntam sobre o novo Lindberg: “É um pássaro? É um avião? É um super-homem? É um borboletra?”
Nota: alô, internautas, a história da Lettera 22 é brincadeira; tive uma que esqueci no Sindicato dos Jornalistas na madrugada de uma Greve Geral e nunca voltei para pegar.
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Mexicanos são contra re-eleição de parlamentares
O Consulta Mitofsky, do México, fez uma pesquisa em dezembro (tracking mensal) sobre se os mexicanos seriam ou não favoráveis à re-eleição de parlamentares. 80% disseram não. É a resposta à proposta de reforma política de Calderón permitindo "re-eleição imediata e até por 12 anos de deputados, deputados federais e senadores". Os perredistas (do PRD, Partido de la Revolución Democrática, de esquerda) são os que mais rejeitam a ideia, na proporção de 6:1. Veja o texto da Consulta Mitofsky:
REELECIÓN DE DIPUTADOS: MEDIDA POCO POPULAR
24/01/2010
Dentro de la propuesta de reformas políticas planteadas por el presidente Calderón en diciembre pasado, una de las más controversiales es la iniciativa de permitir la reelección inmediata y hasta por 12 años de diputados locales, diputados federales y senadores.
Los resultados a la pregunta sobre la posibilidad de la reelección aplicada en nuestro tracking mensual del mes de diciembre, indican que prácticamente 8 de cada 10 ciudadanos mexicanos rechazan la idea.
Algunos datos interesantes sobre el nivel de aprobación a la reelección de diputados son:
* Los mexicanos con mayor escolaridad tienden a estar más de acuerdo con la reelección.
* La región central del país aprueba con más fuerza la reelección; y el bajío es donde menos se considera como buena la idea.
* Los perredistas y los ciudadanos independientes rechazan en una proporción de 6 a 1 la reelección legislativa.
REELECIÓN DE DIPUTADOS: MEDIDA POCO POPULAR
24/01/2010
Dentro de la propuesta de reformas políticas planteadas por el presidente Calderón en diciembre pasado, una de las más controversiales es la iniciativa de permitir la reelección inmediata y hasta por 12 años de diputados locales, diputados federales y senadores.
Los resultados a la pregunta sobre la posibilidad de la reelección aplicada en nuestro tracking mensual del mes de diciembre, indican que prácticamente 8 de cada 10 ciudadanos mexicanos rechazan la idea.
Algunos datos interesantes sobre el nivel de aprobación a la reelección de diputados son:
* Los mexicanos con mayor escolaridad tienden a estar más de acuerdo con la reelección.
* La región central del país aprueba con más fuerza la reelección; y el bajío es donde menos se considera como buena la idea.
* Los perredistas y los ciudadanos independientes rechazan en una proporción de 6 a 1 la reelección legislativa.
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Eleição plebiscitária: se Cesar Maia diz que está errada, é porque está certa – e vice-versa
No seu Ex-Blog de hoje, Cesar Maia fala de eleição plebiscitária e “prova”, por B mais A, que ela favorece ao Serra. Alguém acredita que ele acredita nisso?
Vou comentar, em itálico e negrito, o seu texto abaixo:
A QUEM INTERESSA UMA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL PLEBISCITÁRIA?
1. A dinâmica do processo pré-eleitoral até este início de 2010 mostra que a campanha presidencial sofreu mudanças importantes. O lançamento a fórceps de Dilma por Lula e o estressamento em suas aparições acompanhadas deste, mostraram que seu potencial é menor do que se imaginava. Sua imagem – burocrata – e a de Lula – paizão – são opostas. O fato de Dilma ter nos setores de renda menor a mesma média que tem em geral, pode ser também por dificuldade de introjeção.
A questão é elementar, e não tem nada de “introjeção”: a informação demora mais a chegar à população de baixa renda. Imensa parte ainda nem sabe que Lula não será candidato novamente.
2. Ciro, nas últimas pesquisas de 2009, mostrou menos potencial do que se imaginava, e mesmo no nordeste passou a ter sua média igual a geral, apesar de disparar no Ceará. Sem o Ceará, curiosamente, teria no nordeste menos do que nas demais regiões. Hoje, se poderia dizer que se ele ficar, vai ser só para atrapalhar Dilma. Havendo consciência disso, ele deixará de ser candidato.
Não é bem assim. Pelo Datafolha, hoje Ciro tira mais votos de Serra, no primeiro turno.
3. Marina teve sete meses para sair da Amazônia e entrar nos demais Estados. Copenhague mostrou isso: seu destaque estava entre os de outros países preocupados com a Amazônia. O programa do PV não acrescentou uma vírgula à sua intenção de voto. Se conseguir reproduzir o resultado de Heloísa Helena, será um sucesso. Dessa forma, a Marina que cresceria e tornaria o segundo turno compulsório, parece não existir mais. Ela passou a ser um número baixo que levará ou não a eleição para o segundo turno, dependendo da diferença de Serra e Dilma.
Pelo Datafolha, Marina tirava mais votos da esquerda. Mas agora ela deve ter perdido de vez esses votos. Provavelmente estará também tirando mais votos de Serra no primeiro turno.
4. Num quadro como esse, a eleição plebiscitária tende a passar a interessar especialmente a Serra. As razões parecem claras. Se a introjeção da imagem de Dilma não será simples, quanto menor o tempo de exposição, pior para ela. Sem experiência eleitoral, com imagem fotograficamente mutante, com uma TV dia sim, dia não, e cheia de ruídos de governadores, senadores, deputados federais e estaduais, maior a dificuldade para fazer entender que ela é "irmã" de Lula.
Num quadro como esse, a eleição plebiscitária tende a passar a interessar especialmente a Dilma. E o texto de Cesar Maia, no fundo, confirma isso. Aliás, ele sabe muito bem o que é eleger um sucessor desconhecido – afinal, ele elegeu ninguém menos do que Luiz Paulo Quem? Conde para seu sucessor.
5. Os temas – economia, social, saúde, segurança, política externa..., – terminam não sendo diferenciadores. Até porque a oposição prefere o "somos todos iguais nesta noite", ou tudo começou com FHC, que a diferenciação, por temor à popularidade de Lula. A eleição vai depender de tipping points e da clássica dialética "segurança-insegurança" do eleitor. Segurança/Insegurança no sentido de risco. A capilaridade dos candidatos a governador do PT ou os realmente integrados é menor que os da oposição em proporção ao eleitorado.
Aqui ele está certo: quando a insegurança com relação ao retorno aos tempos de FHC se espalhar como vírus, a eleição estará inteiramente definida. Talvez sem segundo turno.
6. Num segundo turno, com 10 minutos para cada lado, todo dia, sem os ruídos do primeiro turno, com as imagens limpas, com debates polarizantes, com a experiência adquirida na campanha e, por isso tudo, com a maior facilidade para Lula explicar o que a burocrata tem que ver com o paizão, Dilma terá um terreno mais fértil para avançar. Lembre-se de Alckmin x Lula em 2006.
Certo novamente.
7. Com essas preliminares, a tese da eleição plebiscitária, que pesava a favor de Dilma, agora pesa a favor de Serra. Nesse sentido, quanto menor o peso de Marina, maior a probabilidade da eleição se decidir no primeiro turno, e sendo assim, hoje, maior a probabilidade de vitória de Serra. Um quadro curioso, pois é o inverso do que se pensava seis meses atrás.
Atenção: Marina está perdendo peso, é verdade, mas apenas do lado esquerdo. Do lado direito está engordando. A candidatura dela está virando um peso... para a Oposição.
Vou comentar, em itálico e negrito, o seu texto abaixo:
A QUEM INTERESSA UMA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL PLEBISCITÁRIA?
1. A dinâmica do processo pré-eleitoral até este início de 2010 mostra que a campanha presidencial sofreu mudanças importantes. O lançamento a fórceps de Dilma por Lula e o estressamento em suas aparições acompanhadas deste, mostraram que seu potencial é menor do que se imaginava. Sua imagem – burocrata – e a de Lula – paizão – são opostas. O fato de Dilma ter nos setores de renda menor a mesma média que tem em geral, pode ser também por dificuldade de introjeção.
A questão é elementar, e não tem nada de “introjeção”: a informação demora mais a chegar à população de baixa renda. Imensa parte ainda nem sabe que Lula não será candidato novamente.
2. Ciro, nas últimas pesquisas de 2009, mostrou menos potencial do que se imaginava, e mesmo no nordeste passou a ter sua média igual a geral, apesar de disparar no Ceará. Sem o Ceará, curiosamente, teria no nordeste menos do que nas demais regiões. Hoje, se poderia dizer que se ele ficar, vai ser só para atrapalhar Dilma. Havendo consciência disso, ele deixará de ser candidato.
Não é bem assim. Pelo Datafolha, hoje Ciro tira mais votos de Serra, no primeiro turno.
3. Marina teve sete meses para sair da Amazônia e entrar nos demais Estados. Copenhague mostrou isso: seu destaque estava entre os de outros países preocupados com a Amazônia. O programa do PV não acrescentou uma vírgula à sua intenção de voto. Se conseguir reproduzir o resultado de Heloísa Helena, será um sucesso. Dessa forma, a Marina que cresceria e tornaria o segundo turno compulsório, parece não existir mais. Ela passou a ser um número baixo que levará ou não a eleição para o segundo turno, dependendo da diferença de Serra e Dilma.
Pelo Datafolha, Marina tirava mais votos da esquerda. Mas agora ela deve ter perdido de vez esses votos. Provavelmente estará também tirando mais votos de Serra no primeiro turno.
4. Num quadro como esse, a eleição plebiscitária tende a passar a interessar especialmente a Serra. As razões parecem claras. Se a introjeção da imagem de Dilma não será simples, quanto menor o tempo de exposição, pior para ela. Sem experiência eleitoral, com imagem fotograficamente mutante, com uma TV dia sim, dia não, e cheia de ruídos de governadores, senadores, deputados federais e estaduais, maior a dificuldade para fazer entender que ela é "irmã" de Lula.
Num quadro como esse, a eleição plebiscitária tende a passar a interessar especialmente a Dilma. E o texto de Cesar Maia, no fundo, confirma isso. Aliás, ele sabe muito bem o que é eleger um sucessor desconhecido – afinal, ele elegeu ninguém menos do que Luiz Paulo Quem? Conde para seu sucessor.
5. Os temas – economia, social, saúde, segurança, política externa..., – terminam não sendo diferenciadores. Até porque a oposição prefere o "somos todos iguais nesta noite", ou tudo começou com FHC, que a diferenciação, por temor à popularidade de Lula. A eleição vai depender de tipping points e da clássica dialética "segurança-insegurança" do eleitor. Segurança/Insegurança no sentido de risco. A capilaridade dos candidatos a governador do PT ou os realmente integrados é menor que os da oposição em proporção ao eleitorado.
Aqui ele está certo: quando a insegurança com relação ao retorno aos tempos de FHC se espalhar como vírus, a eleição estará inteiramente definida. Talvez sem segundo turno.
6. Num segundo turno, com 10 minutos para cada lado, todo dia, sem os ruídos do primeiro turno, com as imagens limpas, com debates polarizantes, com a experiência adquirida na campanha e, por isso tudo, com a maior facilidade para Lula explicar o que a burocrata tem que ver com o paizão, Dilma terá um terreno mais fértil para avançar. Lembre-se de Alckmin x Lula em 2006.
Certo novamente.
7. Com essas preliminares, a tese da eleição plebiscitária, que pesava a favor de Dilma, agora pesa a favor de Serra. Nesse sentido, quanto menor o peso de Marina, maior a probabilidade da eleição se decidir no primeiro turno, e sendo assim, hoje, maior a probabilidade de vitória de Serra. Um quadro curioso, pois é o inverso do que se pensava seis meses atrás.
Atenção: Marina está perdendo peso, é verdade, mas apenas do lado esquerdo. Do lado direito está engordando. A candidatura dela está virando um peso... para a Oposição.
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domingo, 24 de janeiro de 2010
Brasil – o Filho dos Lulas
Em 88, o PT reuniu em Cajamar, São Paulo, responsáveis pela comunicação petista nos diversos estados brasileiros. Discutiam-se os conceitos da campanha de Lula para a Presidência em 89, ao mesmo tempo em que o Núcleo Central procurava tirar dúvidas e unificar a comunicação nacionalmente. Em certo momento, um jovem, representando Tocantins (estado que começava a se emancipar de Goiás), colocou a dúvida: “Quando Lula for lá na minha terra, como é que comunico a visita?”. Alguém do grupo respondeu rápido: “É fácil. Basta fazer um cartaz dizendo TEM LULA NO TOCANTINS”. Todos riram com o trocadilho, menos o jovem que fez a pergunta, que voltou a falar: “Não entendi, de que vocês estão rindo?” Na verdade, ele nunca tinha ouvido falar de “lula”, o molusco. Lula, para ele, era apenas Luiz Inácio, o líder dos trabalhadores que iria se candidatar a Presidente pela primeira vez. Aquele jovem tocantinense talvez fosse mais um dos milhões de “Lulas”, esses teimosos que dão vida ao país. Essa é a importância do filme “Lula – o Filho do Brasil”, contar a epopeia desses anônimos, tirá-los do anonimato, mostrar o seu valor. Como faz “2 Filhos de Francisco”, de Breno Silveira, tomando como fio a história de Zezé di Camargo e Luciano. O filme de Fábio Barreto, que vi na sexta, faz o mesmo, toma a vida de Lula como fio da meada para contar a história de milhões de “Lulas” e vai além, mostra um trecho significativo dos anos negros da ditadura militar – fundamental que fiquem vivos na memória, para que jamais se repitam. “Lula – o Filho do Brasil” também serve para fazer propaganda da figura do Presidente da República, claro. Mas isso é coisa menor, que só preocupa à Oposição desorientada, que não sabe que rumo tomar na vida.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Feliini, 90
Em homenagem aos 90 anos do nascimento do genial Federico Fellini, trecho do seu filme "Roma" (1972). Aqui, ele flagra a atriz Anna Magnani chegando em casa, na madrugada. Ela se diverte com a situação e diz para ele ir dormir. Felizmente Fellini não obedeceu.
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Lula ganha o maior destaque na Consulta Mitofsky sobre presidentes do continente
A empresa mexicana de pesquisa Mitofsky realizou agora em 10 de janeiro pesquisa de avaliação de presidentes do continente americano e fez questão de destacar o desempenho de Lula. Os presidentes do Panamá, Ricardo Martinelli, com 91%, e de El Salvador, Mauricio Funes, com 88%, tiveram índices superiores ao de Lula (83%), mas estão no poder há apenas três meses. Lula destaca-se exatamente por estar há sete anos no poder e, ainda assim, manter altos índices de aprovação. Bachelet, com 81%, também ganha destaque. Morales, com 60%, tem avaliação alta e Obama, com 48%, tem avaliação média.
Veja o texto completo do site da Consulta Mitofsky:
EVALUACIÓN DE MANDATARIOS (Ene/10)
AMÉRICA Y EL MUNDO
16/01/2010
EVALUACIÓN SOBRESALIENTE.
Con evaluaciones de más de 75% de sus gobernados encontramos a:
El presidente de Panamá Ricardo Martinelli en plena luna de miel con los ciudadanos panameños y a sólo tres meses de haber tomado el poder se coloca en la primera posición del ranking con un altísimo 91% de aprobación. E en la segunda posición con 88% aparece Mauricio Funes de El Salvador; el 88% obtenido al cumplir 100 días de gestión es incluso superior al 84% con el que inició.
Un presidente que desde hace mucho aparece en el nivel sobresaliente con el gran mérito de tener más de 7 años en el poder es Luiz Inácio Lula da Silva de Brasil, que subiendo 2 puntos respecta a septiembre, llega a 83% de aprobación.
Por último, la última en este nivel de aprobación tenemos a la actual presidenta de Chile Michelle Bachelet con 81%, nivel altísimo considerando precisamente que está a punto de dejar el poder, ya que precisamente este 17 de enero se realizó la segunda vuelta electoral para elegir a su sucesor.
EVALUACIÓN ALTA.
En un segundo bloque de evaluaciones con porcentajes que oscilan entre 55 y 75 por ciento aparecen:
El mandatario colombiano Álvaro Uribe que con 64% aparece por primera vez fuera de los niveles de sobresaliente, aunque es justo reconocer que el nivel de aprobación es muy alto si además se considera que es el que más tiempo lleva en el poder de los 23 evaluados con casi 9 años.
En la sexta posición se encuentra Tabaré Vázquez de Uruguay que ha ido incrementando su popularidad logrando en un año una ganancia de 19 puntos porcentuales y alcanzando ahora el 61% de aprobación.
Evo Morales de Bolivia reelecto recientemente y a punto de cumplir 4 años de gobierno, logra la aprobación de 6 de cada 10 de sus gobernados.
El último presidente de este grupo es ocupado por Felipe Calderón de México, que después de cumplir la mitad de los 6 años para los que fue electo y en medio de la crisis económica que afecta no solamente a este país, alcanza el 55% de acuerdo ciudadano, 7 puntos menos que el que lograba un año antes.
EVALUACIÓN MEDIA
Con porcentajes menores al 55 por ciento y mayores a 45 por ciento consideramos niveles de popularidad media, y en esa escala encontramos a 3 mandatarios:
Fernando Lugo de Paraguay, apenas cumpliendo un año de gobierno en el que ha estado envuelto en algunos escándalos, obtiene 50% de aprobación.
Barack Obama de EUA que también cumple un año del inicio del gobierno que generó una gran expectativa, hoy aparece con una aprobación de apenas 48%, muy por debajo de los valores iniciales que superaban el 60%.
Álvaro Colom de Guatemala, evaluado a mediados del año pasado conserva aprobaciones de 46%.
EVALUACIÓN BAJA
Con porcentajes menores a 45 por ciento pero superiores a 35 por ciento se ubican dos de los 17 mandatarios evaluados en esta lista:
Óscar Arias, ganador de un premio nobel de la paz y hoy Presidente por segunda ocasión de Costa Rica disminuye 3 puntos la evaluación respecto a septiembre y alcanza el 44% de acuerdo entre los ciudadanos de ese país centroamericano.
Rafael Correa, con una caída de 29 puntos porcentuales en el transcurso de 1 año logra apenas ser aprobado por el 42% de sus ciudadanos cuando está por cumplir los 3 años de su gobierno.
EVALUACIÓN MUY BAJA.
Por último, con menos de 35 por ciento de la aprobación de sus gobernados encontramos a los últimos 4 mandatarios evaluados:
En Canadá, Stephen Harper se ha mantenido con la aprobación de uno de cada tres ciudadanos de ese país, logrando ahora 32%.
Alan García de Perú, en la segunda ocasión que gobierna este país, logra incrementar de 25% a 29% en un año su aprobación pero no abandona el nivel de muy mala evaluación.
Daniel Ortega, otro mandatario que logra regresar y ser de nuevo Presidente, hace un año presentaba una aprobación de 38%, durante 2009 llegó a estar por abajo del 20% y al final logra recuperar algo de lo perdido pero apenas alcanza la aprobación de uno de cada cuatro ciudadanos de Nicaragua.
Por último, en Argentina su Presidenta Cristina Fernández de Kirchner es aprobada por el 19% de sus compatriotas, con lo que termina 2009 en niveles muy bajos de acuerdo ciudadano.
Veja o texto completo do site da Consulta Mitofsky:
EVALUACIÓN DE MANDATARIOS (Ene/10)
AMÉRICA Y EL MUNDO
16/01/2010
EVALUACIÓN SOBRESALIENTE.
Con evaluaciones de más de 75% de sus gobernados encontramos a:
El presidente de Panamá Ricardo Martinelli en plena luna de miel con los ciudadanos panameños y a sólo tres meses de haber tomado el poder se coloca en la primera posición del ranking con un altísimo 91% de aprobación. E en la segunda posición con 88% aparece Mauricio Funes de El Salvador; el 88% obtenido al cumplir 100 días de gestión es incluso superior al 84% con el que inició.
Un presidente que desde hace mucho aparece en el nivel sobresaliente con el gran mérito de tener más de 7 años en el poder es Luiz Inácio Lula da Silva de Brasil, que subiendo 2 puntos respecta a septiembre, llega a 83% de aprobación.
Por último, la última en este nivel de aprobación tenemos a la actual presidenta de Chile Michelle Bachelet con 81%, nivel altísimo considerando precisamente que está a punto de dejar el poder, ya que precisamente este 17 de enero se realizó la segunda vuelta electoral para elegir a su sucesor.
EVALUACIÓN ALTA.
En un segundo bloque de evaluaciones con porcentajes que oscilan entre 55 y 75 por ciento aparecen:
El mandatario colombiano Álvaro Uribe que con 64% aparece por primera vez fuera de los niveles de sobresaliente, aunque es justo reconocer que el nivel de aprobación es muy alto si además se considera que es el que más tiempo lleva en el poder de los 23 evaluados con casi 9 años.
En la sexta posición se encuentra Tabaré Vázquez de Uruguay que ha ido incrementando su popularidad logrando en un año una ganancia de 19 puntos porcentuales y alcanzando ahora el 61% de aprobación.
Evo Morales de Bolivia reelecto recientemente y a punto de cumplir 4 años de gobierno, logra la aprobación de 6 de cada 10 de sus gobernados.
El último presidente de este grupo es ocupado por Felipe Calderón de México, que después de cumplir la mitad de los 6 años para los que fue electo y en medio de la crisis económica que afecta no solamente a este país, alcanza el 55% de acuerdo ciudadano, 7 puntos menos que el que lograba un año antes.
EVALUACIÓN MEDIA
Con porcentajes menores al 55 por ciento y mayores a 45 por ciento consideramos niveles de popularidad media, y en esa escala encontramos a 3 mandatarios:
Fernando Lugo de Paraguay, apenas cumpliendo un año de gobierno en el que ha estado envuelto en algunos escándalos, obtiene 50% de aprobación.
Barack Obama de EUA que también cumple un año del inicio del gobierno que generó una gran expectativa, hoy aparece con una aprobación de apenas 48%, muy por debajo de los valores iniciales que superaban el 60%.
Álvaro Colom de Guatemala, evaluado a mediados del año pasado conserva aprobaciones de 46%.
EVALUACIÓN BAJA
Con porcentajes menores a 45 por ciento pero superiores a 35 por ciento se ubican dos de los 17 mandatarios evaluados en esta lista:
Óscar Arias, ganador de un premio nobel de la paz y hoy Presidente por segunda ocasión de Costa Rica disminuye 3 puntos la evaluación respecto a septiembre y alcanza el 44% de acuerdo entre los ciudadanos de ese país centroamericano.
Rafael Correa, con una caída de 29 puntos porcentuales en el transcurso de 1 año logra apenas ser aprobado por el 42% de sus ciudadanos cuando está por cumplir los 3 años de su gobierno.
EVALUACIÓN MUY BAJA.
Por último, con menos de 35 por ciento de la aprobación de sus gobernados encontramos a los últimos 4 mandatarios evaluados:
En Canadá, Stephen Harper se ha mantenido con la aprobación de uno de cada tres ciudadanos de ese país, logrando ahora 32%.
Alan García de Perú, en la segunda ocasión que gobierna este país, logra incrementar de 25% a 29% en un año su aprobación pero no abandona el nivel de muy mala evaluación.
Daniel Ortega, otro mandatario que logra regresar y ser de nuevo Presidente, hace un año presentaba una aprobación de 38%, durante 2009 llegó a estar por abajo del 20% y al final logra recuperar algo de lo perdido pero apenas alcanza la aprobación de uno de cada cuatro ciudadanos de Nicaragua.
Por último, en Argentina su Presidenta Cristina Fernández de Kirchner es aprobada por el 19% de sus compatriotas, con lo que termina 2009 en niveles muy bajos de acuerdo ciudadano.
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Chile X Brasil, novos argumentos contra as semelhanças nas eleições
Ontem mostrei aqui no Blog que não havia motivo para a Oposição comemorar a derrota do canditato da Concertación de Bachelet. As eleições chilena e brasileira não têm semelhanças que permitam concluir que a candidata de Lula será igualmente derrotada em outubro. Hoje, a Folha publica três novos artigos que também descartam as semelhanças. No artigo “Piñera lá, Serra aqui”, Fernando de Barros e Silva atribui a vitória do direitista Piñera “à conquista de uma classe média recém-estabelecida, seduzida na campanha por um discurso que pregou a 'mudança' muito mais como sinônimo de 'novas oportunidades' e 'alternância de poder' do que de ruptura em relação à gestão Bachelet”.
Já Fernando Rodrigues, em “Nuances entre Chile e Brasil”, observa que “o aspecto mais relevante a ser considerado talvez seja outro: o estado da economia. (...) Sob Bachelet, o ritmo recuou a 2,7%. No ano passado, deve ter ocorrido queda de 1,6%. O desemprego em 2008 era de 7%. Agora está em 9%”.
E Janio de Freitas, em “Lá para cá diferenças há”, mais próximo do que postei, escreve que a primeira das diferenças, “é a atitude mantida por Michelle Bachelet, que cumpriu sem desvio algum o preceito de que aos presidentes cabe presidir as eleições. Permitiu-se no máximo, já no segundo turno, uma palavra de eleitora favorável a Eduardo Frei, de cuja escolha como candidato Bachelet nem participou. Em resumo, a máquina e o peso do governo não foram fatores eleitorais no Chile. No Brasil de Lula, são o principal fator”.
Trazer inspirações eleitorais do Chile para o Brasil é apenas mais um delírio dessa Oposição perdida no tempo e no espaço.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Comparar a eleição chilena com a brasileira é comparar não sei o que com sei lá o quê
Em dezembro deixei claro aqui neste Blog (Chile: posição neutra de Marco Enríquez-Ominami pode complicar vitória de Frei no segundo turno) que não seria fácil Eduardo Frei vencer por causa da posição “independente” do candidato Ominami (MEO), que teve mais de 20% dos votos no primeiro turno. Esse, sim, seria um apoio decisivo, porque, saindo da esquerda, era o único com capacidade de atrair votos que seriam do direitista Piñera. Ominami acabou “apoiando não apoiando”, com discurso às vésperas do segundo turno, sem nem citar o nome de Frei: "Declaro formalmente minha decisão de apoiar ao candidato deste povo, o de 29% de chilenos que votaram em 13 de dezembro". Ominami preferiu pensar em seu futuro político. A própria Bachelet só entrou em campanha pra valer a favor do candidato da Concertación nos últimos dias, quando pôde demonstrar a força dos seus 80% de popularidade na Presidência: Frei saiu de uma derrota massacrante para uma surpreendente derrota no photochart. Tirando o fato de Bachelet, assim como Lula, ter 80% de apoio no governo, não há semelhanças significativas entre a eleição chilena e a próxima eleição presidencial brasileira. Frei já foi Presidente do Chile, enquanto Dilma nunca se candidatou. Bachelet, nessa eleição, praticamente não foi candidata, no sentido de se empenhar de corpo e alma pela eleição de Frei (ela própria preferia preservar sua imagem...), enquanto Lula é praticamente o candidato a um terceiro mandato, empenhando-se de corpo, alma, Bolsa Família, PAC, 2016, tapinhas nas costas e isopor na cabeça na vitória de Dilma. Na década de 70, um jingle do vitorioso Allende dizia: “De ti depende // de ti depende // de ti depende // que sea // Allende”. Bachelet não puxou para ela essa responsabilidade. Mas Lula já sabe há tempos que tudo depende dele.
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