quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Canecão: o Rio venceu ACM

Disse Lula que o Rio é lugar privilegiado, porque produziu um carioca (o Governador eleito Jacques Wagner) e exportou-o para a Bahia só para derrotar Antonio Carlos Magalhães.

Canecão: frescura paulista

Lula foi hilário, imitando com vozes e trejeitos a frescuragem da elite paulista metida a besta. Lula, aliás, estava muito à vontade, espirituoso, vencedor.

Canecão: Celso Amorim ovacionado e outras histórias

Emir Sader, no seu discurso de chamamento da intelectualidade à sua responsabilidade histórica, fez elogios rasgados à política externa. Celso Amorim não se conteve, levantou, acenou, interropeu o orador para agradecer, sob o delírio da platéia.
Zeca Pagodinho presente e aplaudidíssimo.
ManuEla, a estrela gaúcha do PCdoB, a mais jovem jovem Deputada Federal eleita e a mais votada, fez um discurso jovem e cativante.
Benedita e Marta, coordenadoras da campanha no Rio e em São Paulo, presentes e muito aplaudidas
Jandira Feghali idem.
Gil fez uma prestação de contas longuíssima. Citou e elogiou inúmeras vezes o candidato ao Governo do Rio, Sérgio Cabral.
Ana Maria Rangel, carioca, advogada - lembram, do 1º turno? - também estava no palco, com apoio a Lula.
Lula se agachou no palco para abraçar Dercy Gonçalves.
As dezenas de mensagens de ausentes (Chico Buarque, Paulo Béti, Lucélia Santos, entre outros) foram tão aplaudidas quanto os nomes dos presentes anunciados.

Canecão: até o Catacorno estava lá

Dezenas de entidades culturais estavam presentes no Canecão, dando seu apoio a Lula. Velhas Guardas da Mangueira, da Portela, do Salgueiro... blocos carnavalescos como "Suvaco de Cristo", "Concentra, Mas Não Sai"... e muitas outras agremiações. Presentes até mesmo integrantes do Catacorno, famoso bloco do Interior do Rio, região de Miguel Pereira e Paty do Alferes.

Canecão: o Flamengo é Lula

O presidente do Flamengo, Márcio Braga, chegou cedo para dar o seu apoio a Lula (que é Curintcha e Vasco). Lula brincou com a torcida rubro-negra, dizendo que a vitória de domingo sobre o Coríntians tinha sido meio chuchu. O Flamengo, aliás, foi o time mais beneficiado pelo lançamento recente da loteria Timemania, que vai ajudar os clubes a saírem do buraco da Previdência.

O Centro do Rio entra em êxtase com o Datafolha

A passeata do Lula já era uma grande festa, acontecimento memorável. Mas quando Sérgio Cabral anunciou, 5 minutos antes do Jornal Nacional, o resultado da pesquisa Datafolha com 60% dos votos válidos para Lula, foi uma explosão de alegria. O próprio Sérgio Cabral teve 63% dos votos válidos na sua disputa para Governador do Rio contra a candidata de Cesar Maia, Denise Frossard.

terça-feira, 17 de outubro de 2006

O visual dos programas eleitorais

No programa de Lula, o visual melhorou muito neste 2º turno. O enquadramento de Lula melhorou 100%, graças, em parte, à substituição da legenda pela LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais). A legenda era pequena, parecia uma sujeira que atrapalhava o visual. Quero dar parabéns também pela beleza da leitura da letra do jingle, à moda jogral. Tudo muito bonito. O programa de Alckmin também é bonito, mas é mais frio. As falas de Alckmin são duras, e isso não se deve ao teleprompter, como acusa Cesar Maia. O TP pode ser muito bem aproveitado e isso depende muito mais de direção. No Rio de Janeiro, o visual do programa de Sergio Cabral é bom, também (aliás, o programa melhorou muito nesses dois últimos dias, apesar da insistência do discurso dentro de uma van-fantasma). O número “15” é bonito, a logomarca une muito bem beleza e eficiência (coisa que não acontece, por exemplo, no “13” de Lula, que às vezes não dá para ler). Já o visual de Denise Frossard tem uma falsa beleza. A direção de arte é muito fria, esquemática, muito certinha, pouco envolvente, apesar da boa edição. Na verdade, não parece trabalho de “diretor de arte”, mas, sim, de “designer”. Eu diria até que é meio yuppie. De um modo geral quero dizer que considero o visual desses programas acima da média.

Cesar Maia “elogia” a imprensa: diz que ela é conservadora...

Cesar Maia não pára de pensar no que fazer para reverter suas duas grandes derrotas, Alckmin para Presidente e Denise Frossard para Governadora do Rio. No seu Ex-Blog de hoje, reconhecendo as dificuldades da campanha pefelista-tucanista, ele propõe que Alckmin adote novo discurso: “E se Geraldo inverter o discurso e entrar no trinômio Lei, Ordem e Família? Será que surfaria na onda das três últimas eleições latino-americanas (mexicanas, peruanas e equatorianas) citadas?” Mas ele tem o cuidado de alertar: “(...) para isso há a necessidade de se ter ousadia e vacina contra o patrulhamento. Como todos sabem: na América Latina a comunicação liberal é impopular. Mas a comunicação conservadora é muito popular. No Brasil não é diferente”. Apesar de Cesar Maia fazer algumas confusões (como identificar populismo com esquerda, esquecendo que isso é prática preferencial da direita, que detesta organizações), ele está certo ao tentar de tudo para salvar a candidatura tucana. E esse discurso da TFP ou, se preferirem, das viúvas do Lacerda, se encaixa perfeitamente no perfil Opus Dei de Alckmin. Mas é duro admitir que nossa imprensa também esteja se encaixando nesse discurso.

Mais um ponto para Lula: Fernando Henrique entrou na campanha...

Fernando Henrique não resistiu às comparações do Governo Dele com o Governo de Lula e resolveu falar na CBN. Lembro de duas coisinhas. Ele disse que não existe esse negócio de partido que defende os ricos e partido que defende os pobres. E justifica dizendo que a “oligarquia nordestina” votou em Lula. O sociólogo Fernando Henrique não pode estar considerando que os 70% de eleitores nordestinos que votaram em Lula compõem uma “oligarquia” (governo de poucos). Claro que existe, sim, “partido dos pobres” e “partido dos ricos”. Um partido pode ter votos de ricos e ter em sua proposta defesa prioritária dos interesses dos mais pobres, e vice-versa. Ele sabe disso e sabe muito bem quais os interesses prioritários do PSDB. Outra coisinha que lembro foi a tentativa que ele fez de aprofundar a discussão sobre privatizações. Falou, falou, e acabou passando a impressão que defendia a privatização da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa, etc. Se Alckmin continuar com esse apoio, a diferença vai aumentar.

Cada dia que passa, Lula ganha ponto; ontem ganhou pelo menos três...

Do jeito que está, Lula só tem a ganhar. O próprio Cesar Maia, no seu Ex-Blog de hoje, reconhece que as próximas pesquisas devem ser favoráveis a Lula. A agilidade lulista do 2º turno foi muito grande e deixou a oposição na defensiva, sem discurso, sem proposta e sem nada de novo no Dossiê Serra. E só faltam 12 dias... Pior: ontem, Lula ganhou umas 4 notícias favoráveis: 1) o PDT histórico conseguiu barrar os avanços da nova direita do partido e aprovou a neutralidade no 2º turno. Era um apoio que Alckmin contava como certo, mas perdeu. 2) A notícia de que o índice de confiança do consumidor aumentou foi mais um ponto significativo para Lula. Como escreve Marcelo Rehder , na Folha de hoje, “Às vésperas da definição da corrida presidencial, os brasileiros esbanjam otimismo. O Índice Nacional de Confiança do consumidor, apurado pela empresa de pesquisas Ipsos a pedido da Associação Comercial de São Paulo, saltou de 129 para 138 pontos entre agosto e setembro, atingindo o nível mais alto da sua série histórica, que começou em abril de 2005”. 3) Mesmo com a notícia da redução nos investimentos diretos estrangeiros, a notícia do novo recorde nas reservas internacionais (74,954 bilhões de dólares) é outro ponto a favor de Lula. 4) Aqui pra nós, chamar Alckmin de “exterminador do futuro” foi demais. Vale 10.

Lula Sim, Lula Não; Dedo Sim, Dedo Não

Calma, pessoal. Desespero não leva a nada. Claro que é ótimo esse clima de disputa de torcidas eleitorais, mas, violência, não. Ontem mesmo Armando Nogueira, falando das torcidas de futebol, dizia que "torcida organizada lembra crime organizado". Não precisamos chegar a tanto. A disputa Lula-Alckmin que ganha as ruas da Zona Sul do Rio, ocupando o tempo entre um chope e outro, é muito saudável. Mostra o alto astral carioca invadindo a política. Mostra também que a classe média do Rio está perdendo a vergonha de votar Lula. Mas isso não pode atingir as raias da loucura, como aconteceu ontem, no Bar Jobi, no Leblon, quando uma defensora do "Lula Sim" foi atingida por uma mordida de defensora do "Lula Não". E PERDEU UM PEDAÇO DO DEDO!!! Evidente que isso não é mais caso de política. É caso de polícia, da mesma forma que acontece nas torcidas organizadas do futebol. Nada justifica esse nível de agressão. Essa história de que "vão-se os dedos, ficam os anéis" não compensa...
Curioso, vi muitas camisetas com "Lula Sim" e com "Lula Não". Não vi nenhuma com "Alckmin Sim"...

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Carta Capital... e Interior!

Alguns jornaleiros do Rio estão impressionados com o sucesso de vendas do último número de Carta Capital, esse que denuncia na capa o complô da grande imprensa contra Lula. Dizem eles, os jornaleiros, quase a mesma coisa: “Não sei o que aconteceu, a revista já acabou”. O fenômeno ocorreu também no Interior. O jornaleiro de Miguel Pereira, cidadezinha serrana de 27 mil habitantes do Rio de Janeiro que tem fama de oferecer “o 3º melhor clima do mundo”, estava preocupadíssimo nesse fim de semana: “Quatro pessoas encomendaram a revista, mas só vieram 3 exemplares. Não sei o que fazer”. Talvez o eleitor lulista tenha encontrado uma alternativa às outras revistas da grande imprensa...

O questionário Ibope que Cesar Maia ainda não questionou

A coluna Informe, do jornal O Dia (RJ), faz uma grave denúncia hoje. Diz a coluna: Na pesquisa que o Ibope está fazendo por telefone tem uma pergunta curiosa: “Você acha que Lula merece ser reeleito ou já teve oportunidade de fazer o que podia nos últimos quatro anos?” Realmente, é uma pergunta “curiosa”. Talvez faça parte de algum tracking telefônico encomendado pela campanha tucana. Se isso se confirmar, o Ibope estará fazendo um desserviço a seu cliente ao induzir os entrevistados a respostas favoráveis a Alckmin. Com a palavra, Cesar Maia, sempre muito duro nas críticas aos questionários do Ibope.

Dossiê requentado, o novo produto da praça

Ainda sem saber como reagir ao avanço lulista, a campanha tucana procura reaquecer o tema que garantiu sua passagem para o 2º turno, o Dossiê Serra. É verdade que a grande imprensa anda desesperada em busca de tema novo, sem sucesso. Em São Paulo, o Estadão faz manchete antigoverno federal, falando do baixo desempenho de nossa indústria, quando comparado com outros países emergentes; a Folha procura atrair o PDT de Cristóvam para Alckmin. Mas as manchetes do Globo, do Rio, e do Correio Brasiliense, além do Programa Eleitoral, mostram que é no Dossiê Serra que estão as maiores esperanças alckimistas. O Correio Brasiliense valoriza o discurso de Tasso Jereissati e tenta tirar Freud do sofá e colocar sentado no Dossiê. O Globo diz em manchete que “PT usará facção do crime para abafar dossiê”. Mas nada disso promete render muito. Só faltam 13 dias. Que os tucanos preferem considerar como “ainda” faltam 13 dias. Nesses dias, além da requentagem do Dossiê, o Horário Eleitoral e os 3 debates são as últimas esperanças da oposição, já que a batalha pelos apoios políticos regionais foi uma grande derrota. Está difícil conseguir uma hecatombe...

domingo, 15 de outubro de 2006

O ataque de Cesar Maia ao Ibope, mais uma dúvida

Ninguém duvida que Cesar Maia tem bons conhecimentos de pesquisas. Mas ele também se atrapalha muito. Seja porque muitas vezes ele torce (ou distorce?) contra, seja porque ele ainda não sabe tanto quanto imagina. No 1º turno, este Blog denunciou o sofisma dele e de Lavareda com relação aos Não-Votantes (Abstenção + Brancos + Nulos) do Nordeste e o resultado das eleições provou que este Blog tinha razão. No seu Ex-Blog de sábado, dia 14, ele investe contra os “pecadilhos” do Ibope na última pesquisa do Estado do Rio. Ele critica o fato do questionário começar com a pergunta sobre “presidente”, porque isso pode distorcer a pergunta que vem depois, que é sobre “governador”. Cesar Maia ficou chocado com o índice de 43% de pessoas respondendo que votaram em Sérgio Cabral, quando na verdade ele teve apenas 37% dos votos. Ele afirma: “Muito mais grave é a situação na Capital. Na eleição, Denise Frossard venceu Cabral por um ponto: 30% a 29% dos votos totais. Mas nesta amostra do Ibope, os eleitores dizem que votaram dia 1º de outubro, em Cabral 37% na Capital e em Denise Frossard 27%”. Pode ser que alguma distorção possa acontecer em função do questionário. Mas Cesar Maia precisa entender melhor a “alma do eleitor". Da mesma forma que as pessoas fazem o chamado “voto útil” para não "perder" o voto, é muito comum as pessoas declararem que votaram no candidato vencedor, mesmo que não seja verdade. Ninguém gosta de admitir que “perdeu” o voto. Muitas pessoas preferem mentir sobre o voto derrotado que deram, desde que com isso elas participem do clima vitorioso. Caminhando no sentido oposto ao de Cesar Maia, acho até que nessa pesquisa as pessoas mentiram pouco...

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Carta Capital faz revelações sobre o Dossiê Serra

A matéria de capa da revista Carta Capital que está nas bancas é forte, como vocês podem ver nesta reprodução. Mas o texto de Raimundo Pereira ainda é mais forte e revelador. Vale a pena ler. (Assinantes, acessem aqui.) Boa também a entrevista que Paulo Henrique Amorim faz com Maurício Dias, Diretor-Adjunto da Carta Capital, que trata não apenas do Dossiê Serra como também da nova pesquisa Vox Populi confirmando os números dos outros institutos e trazendo novos dados. (Ouçam aqui.)

A nossa mídia está abaixo da média

A imprensa tem que ser objetiva? Essa é uma discussão superada, porque sabemos que traz dentro dela uma impossibilidade. Inúmeros fatores e interesses interferem impedindo a tão decantada “objetividade” da imprensa. Mas a nossa imprensa não precisava exagerar tanto no seu “subjetivismo”. A tomada de posição pró-Alckmin, por exemplo, foi escandalosa. Não porque foi pró-Alckmin, mas pelo modo enganoso adotado. A imprensa procurou colocar-se acima de tudo e de todos, vestiu a toga de magistrado e passou a ditar o que é certo e o que é errado – traduzindo por “errado” tudo que se referisse a Lula. No artigo “O papel da mídia nas decisões de voto” que publico dia 2 no Observatório da Imprensa (e que só li hoje), Venício A. de Lima, mostrando certa perplexidade com o papel exercido pela imprensa, chega a afirmar: “Nos debates com candidatos, por exemplo, a instituição TV – que não passa de concessionária de um serviço público – comporta-se como se constituísse um poder (será que constitui?) acima dos outros. Os candidatos, que se apresentam aos eleitores como aspirantes aos cargos públicos, estão nesses debates como se estivessem diante de uma banca de examinadores e a autoridade do julgamento é exercida pela estrutura televisiva personificada no (a) âncora que preside o debate”. Ele também afirma: “Não creio que se possa ainda avaliar corretamente a influência da posição político-eleitoral – implícita ou explícita – de jornais como a Folha de S.Paulo, Estado de S.Paulo ou de revistas como Veja, em especial no voto urbano de classe média nas eleições para presidente da República. Com certeza essa influência não foi desprezível”. E conclui: “Os grupos e movimentos interessados em garantir a todos o direito à comunicação devem se mobilizar para que, nas quatro semanas que nos separam do segundo turno da eleição presidencial, tornem-se transparentes as propostas dos dois candidatos. Isto porque não se pode mais adiar a regulação das comunicações no Brasil. Trata-se de um setor de indiscutível centralidade no cotidiano da população brasileira e que hoje vive uma situação caótica de desregulação que certamente não atende ao interesse público”. O que talvez seja mais desesperador para a grande imprensa é o fato de, apesar de toda a sua pressão contra, a candidatura Lula ter se firmado, conquistando corações e mentes da maioria do povo brasileiro. Talvez isso signifique que ela é fraca, não tem média suficiente para ser aprovada pela população.

A volta do Horário Eleitoral

Muito bom esse retorno do Horário Eleitoral. As equipes estão melhor preparadas e boa parte do material já está pronto. As duas campanhas já tinham tempos próximos do que têm agora (10 minutos) e a estrutura do programa não exige grandes alterações. O de Lula, que era menor, exigiu um pouco mais de mudanças, mas teve a vantagem de passar a sensação de que cresceu. As duas campanhas fizeram bons programas, mas com vantagens visíveis para o de Lula. A diferença começa pelos jingles, ambos bons, mas o de Lula (apresentado no final do 1º turno) bem melhor, mais emocionante e melhor posicionado (contra o "perigo da mudança para o duvidoso"). O desfile de apoios foi outra vantagem de Lula, com nomes bem significativos, governadores eleitos ou vitoriosos do 1º turno. O encerramento dos apoios com Sérgio Cabral foi muito positivo. A entrada dos apresentadores mais jovens e mais classe média foi uma correção importante. As edições dos debates não foram grande coisa, com pequena vantagem para Alckmin (Lula preferiu esquecer na veiculação à noite). Alckmin repetiu o erro de repetir à noite o programa da tarde, apesar dos alertas emitidos por Cesar Maia. Reforçou a sensação de déja vu. E para mim o ponto alto foi a definição das duas candidaturas feita pelo programa de Lula. De um lado uma proposta, de outro, bem claramente, a outra proposta. De um lado, a proposta FHC-Alckmin; de outro, a proposta Lula-investimento social. De um lado, privatizações; de outro, Bolsa-Família. Lula começou ganhando. Mas se fosse empate ou estivesse perdendo por pouco, também estaria ganhando. De qualquer maneira, parabéns às duas equipes de conceituação/produção pelo excelente nível.
No segundo dia, o programa de Sérgio Cabral melhorou muito. A questão da segurança é sempre bem-vinda e a participação de Lula foi muito melhor. Atenção: os apoios não têm necessariamente que olhar para o repórter. O depoimento do Minc - muito bom - teria ficado muito melhor se ele estivesse olhando para a câmera.

Ibope: Lula tem 13.650.000 votos à frente.

No 1º turno, foram 95.995.034 Votos Válidos (igual a Total de Eleitores Aptos, menos a Abstenção, menos os Brancos, menos os Nulos). No 2º turno é possível que a Abstenção cresça um pouco, mas com certeza os Brancos e os Nulos vão diminuir, fazendo com que cresça o número de Votos Válidos. Em 2002, do 1º para o 2º turno, o número cresceu 1,426%. Pode ser que esse ano, em função da maior motivação, cresça mais. Digamos que cresça 1,567% e teremos 97.500.000 Votos Válidos aproximadamente. Aplicando os novos números de Votos Válidos da pesquisa Ibope (Lula 57% e Alckmin 43%), com 14% de diferença, temos a projeção de 13.650.000 a mais para Lula. O tucano Alckmin terá que arrancar muita pena até o dia 29...

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Acreditar ou não acreditar em pesquisas, eis a questão

Em 98, quando fui fazer o 1º programa de Garotinho para Governador do Rio, deparei-me com um grande problema. Queria já no começo mostrar pesquisa com Garotinho à frente, mas o PDT (partido de Garotinho, na época) não aprovava. Sabem por quê? “Porque Brizola sempre foi contra”, responderam. Brizola sempre considerou que todas as pesquisas era manipuladas contra ele. Ainda argumentei que dessa vez o candidato pedetista estava à frente, logo seria mais seguro. “Engano seu. Eles fazem isso no começo para dar credibilidade à queda que provocarão depois”, responderam sem pestanejar. Perdi a batalha do 1º programa, mas acabei com essa bobagem do 2º em diante. Eu parto do princípio que uma pesquisa, bem feita, não erra. Seus erros são de interpretação. Claro que acredito que algumas pesquisas podem ser manipuladas, mas aí chegamos a lugar nenhum, porque a pior manipulação será no caso de não haver pesquisa alguma. Acho essa atitude de Alckmin tentando desqualificar as pesquisas que mostram sua queda completamente infantil e típica de quem acusa o golpe. Soa muito mais como um reconhecimento de que o chuchu foi pro brejo. A pesquisa, quantitativa ou, principalmente, qualitativa, sempre será um aliado do marketing eleitoral. O candidato, mesmo desconfiando de um ou outro resultado, tem que valorizar as pesquisas. E tem que saber contratá-las e saber tirar partido de todos os resultados, inclusive os adversos. Um vencedor tem que acreditar em pesquisas – mesmo que duvide de certos resultados...

Programas eleitorais: a difícil arte de parecer feliz

Fiquei muito impressionado com o primeiro programa do 2º turno para o Governo do Rio. A eleição de 1º de outubro e as pesquisas que vieram depois já tinham deixado bem claro quem é o vencedor. Sérgio Cabral ganhou fácil e as pesquisas mostram agora a sua dianteira arrasadora: 61% dos votos válidos. Começa o Horário Eleitoral, e o que vejo? O programa de Denise Frossard – que tem sido pouco emocionante, mas eficiente junto ao eleitor lacerdista – surgir vibrante, bem editado, dividido em pequenas partes, quase como se fosse uma galeria de comerciais de 1 minuto. A própria Denise, normalmente antipática e rígida na tela, está ainda mais sorridente. O programa de Sérgio Cabral tem uma força impressionante, com seu imenso leque de apoios, de Crivella a Ciro Gomes, passando por Godofredo e muitos outros. Até o Suplicy está vindo dar o ar da sua graça. Perfeito. Mas tirando esses apoios, o programa está sem emoção. O candidato é mal tratado dentro de uma van ou com efeito de zoom pretensamente moderno. Atenção, marqueteiros: em campanha política essas falsas modernidades só fazem atrapalhar, desviam o foco. E por que ninguém cuida da trilha? Boa parte do programa está seco, sem emoção, insosso. Aquele encontro com Lula no Palácio do Planalto é um exemplo de como não captar cenas de apoio. Foi um apoio puramente protocolar, incapaz de agregar um voto. Uma campanha como essa merece programas mais vibrantes, mais emocionantes, mais contagiantes. E principalmente é preciso mostrar o candidato feliz. Será que é complicado? Repito: se o Serra conseguiu, não deve ser tão difícil assim.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

A candidatura Alckmin entrou pelo Nakano...

A militância tucana (existe?) estava tentando decolar embalada pelo desempenho considerado surpreendente durante o debate da Band. Mas os últimos acontecimentos estão forçando os tucanos a alterar os planos de vôo. Primeiro, foi a aliança aloprada com Garotinho. Serviu para detonar de vez a candidatura aliada do Rio de Janeiro, irritar o cacique pefelista Cesar Maia e deixar atônitos milhões de eleitores ditos "éticos". Depois foi a história das privatizações da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica. Por mais que a tropa de choque tucana tente dizer que é tudo boato espalhado pelo PT, não consegue provar que não sonha com as privatizações. Ontem mesmo, no plenário da Câmara, o deputado oposicionista Albert Goldman, ao mesmo tempo em que dizia que era tudo mentira do PT, enaltecia as privatizações: "A Petrobras lucraria muito mais se fosse empresa privada", disse ele. No Senado, o Artur Virgílio tentava provar que um possível governo tucano não acabaria com a Zona Franca de Manaus. Não deve ter sido muito convincente durante as últimas eleições, porque foi escandalosamente derrotado nas suas pretensões de ser Governador. Teve também as declarações à Reuters de Yoshiaki Nakano (um dos principais assessores de Alckmin, economista da Fundação Getúlio Vargas cotado para uma vaga no ministério num eventual governo tucano), que defendeu maior intervenção do governo no câmbio e cortes de gastos. Seriam R$ 60 bilhões a menos nos gastos anuais do governo, o que levaria à redução nos investimentos sociais e à recessão. Alckmin desautorizou Nakano, mas a campanha já tinha entrado bem... O debate não rendeu os votos que Alckmin esperava - como comprova a última pesquisa Datafolha - e ele ainda ficou às voltas com a marca de mentiroso, por ter dito que vendeu os aviões do Governo do Estado de São Paulo, sem ter vendido. Temos também a informação (Blog do Dirceu) de que as contas de Alckmin não fecham (São Paulo está quebrado!) e seus gastos com viagens foram superiores aos do AeroLula. No Rio Grande do Sul, o vice da candidata tucana Yeda Crusius também se aloprou e declarou que o Banrisul era um cabide de empregos do peemedebista e ético Pedro Simon. Tudo isso, enfim, mostra que a campanha alckimistas encaminha-se para seguir definitivamente ladeira abaixo. Com todas essas trapalhadas e tiros no pé, sou capaz de jurar que os aloprados do PT passaram a trabalhar na campanha tucana...

Datafolha: debate fez mal a Alckmin. Ou será que foi o Garotinho?

Segundo a nova pesquisa Datafolha, Alckmin caiu em todos os segmentos, inclusive naqueles onde ele sempre foi mais forte. Caiu no Sul, por exemplo, única região liderada pelo tucano: Alckmin caiu 3 pontos e Lula subiu 5. Entre os antigos eleitores de Heloísa Helena, Alckmin caiu 9 pontos e Lula subiu 4. Entre os eleitores com renda entre 5 e 10 salários mínimos, Alckmin caiu 3 pontos e Lula subiu 4. E por aí vai. O Datafolha pesquisou também o desempenho de cada um no debate da Band e o resultado deu empate. Para Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, "se o debate exerceu alguma influência foi entre os que têm renda e escolaridade mais altas". "O fato novo entre as duas pesquisas foi o debate, e foi nesses segmentos que Alckmin caiu mais", ele diz. Faz sentido. Cada um falou para o seu próprio público, mas parece que a mudança de atitude de Alckmin (que deixou de ser chuchu para ser aloprado) não agradou. A classe média mais progressista que ainda tinha alguma dúvida pode ter visto no debate um Alckmin ainda mais à direita. Pessoalmente, acredito em outros fatores além do efeito-debate. A aliança intempestiva com Garotinho, por exemplo. O perfil privatista do PSDB também pode ter influenciado. E o silêncio (ou quase) da imprensa anti-Lula também pesou. O Programa Eleitoral e possíveis novos debates deverão consolidar o crescimento de Lula. Leia reportagem na Folha (para assinantes)

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Datafolha: Lula está 11,5 milhões de votos à frente

Acompanhe no gráfico ao lado. (Clique para ampliar) No dia 1º de outubro, Lula e Alckmin tiveram juntos 86.629.121 votos, de um total de 95.995.034 votos válidos. Agora só estão os dois disputando, e a nova pesquisa Datafolha mostra que Lula cresceu para 56% dos votos válidos e Alckmin caiu para 44%. Supondo que o total de votos válidos continua os mesmos do dia 1º de outubro, eles agora estão com 53.757.219 votos e 42.237.815 votos respectivamente. Isso representa uma diferença de 11.519.404 votos a favor de Lula. Ou os tucanos arranjam imeditamente uma hecatombe anti-Lula, ou vão ter que se dedicar exclusivamente a disputar entre eles mesmos quem vai ser o candidato 2010.

Nova York adota o Bolsa-Família

O Blog de Paulo Henrique Amorim (Conversa Afiada), citando coluna de ontem de Bob Herbert, do New York Times (para assinante do Times Select), fala do projeto Bolsa-Família do Prefeito Michael Bloomberg de... Nova York! Como diz Paulo Henrique, “Não há nada mais capitalista que Bloomberg.” E continua: “Bloomberg, porém, é daqueles capitalistas espertos. Muito espertos. Que sabem que se o sistema capitalista for bom só para os ricos vai pro brejo. Ele está preocupado com o número muito grande de pobres em Nova York. Por isso, resolveu fazer o quê? Aplicar o “bolsa-família” em Nova York.” Talvez fosse o caso de Alckmin viajar para Nova York e pegar mais informações a respeito. Talvez até consiga algum apoio eleitoral... em 2010.

Quantas Hiroshimas contém a bomba coreana?

As autoridades nucleares mundiais divergem sobre a potência da bomba atômica coreana lançada ontem. Todos concordam que foi de baixa potência. Os russos calculam que tenha tido potência entre 5 e 15 quilotons (ou seja, com equivalência entre 5.000 e 15.000 toneladas de TNT – trinitrotolueno). Os países ocidentais calculam que tenha sido de 1 quiloton ou menos. A espionagem americana declara que os norte-coreanos planejaram 4 quilotons. E há quem ache (americanos) que talvez nem tenha sido uma bomba nuclear – o que levará ainda alguns dias para haver certeza. De um modo geral, os testes iniciais de quem está querendo entrar no “clube nuclear” são de bombas entre 10 e 60 quilotons. Não se sabe se a baixa potência significaria fracasso ou seria proposital. Poderia significar que ainda falta muito para transformar a bomba em arma, mas já seria suficiente para fazer sucesso nas mãos de terroristas (o que mais apavora os Estados Unidos). Supondo que fosse de 4 quilotons, ela já teria a potência equivalente à de todas as bombas convencionais utilizadas na Segunda Guerra. Em outras palavras, é uma bomba suficiente para fazer um grande estrago. É apenas mais um sinal de que as "grandes potências" devem acelerar os esforços de paz, em vez de dificultá-los. A propósito: a Bomba Atômica lançada pelos Estados Unidos sobre a cidade de Hiroshima, no dia 6 de agosto de 1945, tinha potência de 20 quilotons e matou quase 100.000 civis. Leia reportagem de William Broad e Mark Mazzetti para The New York Times.

A imprensa ainda está nocauteada pelo debate

Passaram dois dias e a imprensa ainda não encontrou as palavras que gostaria de usar sobre o debate entre Lula e Alckmin. A imprensa paulista foi salva pelo gongo e preferiu valorizar as manchetes sobre a bomba coreana. A imprensa carioca tenta apoiar Alckmin valorizando a sua agressividade surpreendente – mas ainda está incerta sobre se isso é ou não é positivo para o tucano. Alguns jornais, buscando se recuperar do golpe, tentam garimpar ouro do Dossiê Serra, e levantam a hipótese de que o dinheiro para sua compra teria vindo do jogo do bicho, algo improvável, mesmo considerando que o dinheiro fosse miúdo. Enquanto a imprensa fica atônita, Lula procura, com sucesso, transformar erros em acertos, declarando que foi surpreendido pelo alopramento tucano. É verdade que a militância tucana (existe?) se motivou mais do que a petista, mas o resultado final tem sido cada vez mais favorável a Lula. Se tudo continuar 0 X 0, ou mesmo 0 X 1, Lula sai ganhando.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Lula venceu o debate desta segunda-feira

A grande vitória de Lula no debate de domingo na Band foi ter evitado as manchetes negativas nos jornais de hoje. A grande imprensa fez uma manchete só, criticando o clima de acusações entre os dois candidatos. O fato de ter sido tratado no mesmo nível de Alckmin em todos os jornais é o melhor que Lula poderia ter esperado deste debate. A próxima disputa agora será a edição do debate nos programas que começam daqui a 2 dias. Como falei desde o princípio, se não acontecer nenhuma hecatombe (nova), Lula será reeleito.

domingo, 8 de outubro de 2006

Debate em tempo real

20:46h - Lula começou melhor. Alckmin reagiu um pouco. Não pára de morder os lábios.
20:48h - Alckmin fala grosso, mas se atrapalha. Diz que Lula mente na questão das CPIs, que só aconteceram graças ao Roberto Jeferson 20:58h - Alckmn fala bem dizendo que Lula lê, mas foge das questões principais
21:05h - Lula ganha ponto enaltecendo Covas.
21:08h - Lula se atrapalha nos dados, fala 170 no lugar de 170 mil; Alckmin corrige
21:17h - Lula cobra ironicamente a presença de FHC
21:20h - Alckmin pega forte, mas Lula ganha ponto oferecendo know-how. Boa disputa em busca do voto paulista, com alguma vantagem para Alckmin
21:22h - Lula olha demais para Alckmin; compensa isso com o ar irônico
21:29h - Final de segundo bloco. Lula encerrou muito bem, chamando o testemunho de Serra. Ousado.
21:39h - Segurança pública. Lula lembra a ação do PCC. Alckmin faz as velhas acusações conrtra o Governo Federal. Lula deixa de falar "governador" e fala "Alckmin". Tava na hora.
21:41h - Alckmin saiu mal da segurança. Agora entrou em política externa. Vai se dar mal.
21:45h - Lula muito melhor na questão da Política externa. Alckmin deveria tratar do tema na pergunta de Lula, para ficar com a tréplica
21:48h- Alckmin não convence na questão energética. Traz a Bolívia de volta, mas larga pelo meio
21:56h - Melhor momento de Lula no encerramento do bloco, mostrando Alckmin e o PSDB com pensamento pequeno sobre o futuro do Brasil.
22:06h - A iluminação da Band favorece Alckmin.
22:16h - Alckmin tenta se aproveitar do Aero Lula.
22:19h - Ponto para Alckmin na questão dos aviões. Lula errou.
22:24h - Alckmin responde bem sobre gastos públicos e crescimento.
22:26h - Alckmin encerra bem o bloco.
22:35h - Alckmin estava bem na ofensiva. Não precisava chamar para os "boatos" contra ele.
22:38h - Lula retoma a ofensiva.
22:43h - Lula perde ponto criticando a educação de São Paulo. Ele está certo, mas pode ter sido entendido como anti-SP.
22:46 - Final fraco para os dois. Lula começou melhor, Alckmin terminou melhor. Lula foi prejudicado pela iluminação, por ter olhado muito para Alckmin e por t^-lo chamado de "governador". Alckmin foi mais agressivo, mas perdeu na ironia. A imprensa, obviamente, vai dar vitória para Alckmin. Lula ganhou, mas teria que ganhar muito mais para superar as manchetes obviamente contra. Mas acho que a militância do PT vai fazer a diferença.

As regras do debate

Sumô, Google Em “O Efeito dos Debates”, Thomas Holbrook (mesa de cabeceira de Cesar Maia), citando um estudo de Geer sobre o primeiro debate presidencial americano de 1976, diz que “os debates têm, de fato, influência sobre os eleitores”. Mas Holbrook também destaca (citando Lanoue e Schrott, 1991) que “os debates projetam a informação para além dos limites da tela da televisão: a cobertura da mídia é uma outra via muito importante. Nos dias seguintes ao debate, a mídia aborda o que foi considerado como os pontos mais importantes da noite anterior e aponta o candidato que pareceu ”ganhar” o debate. O noticiário pode influenciar a avaliação que os eleitores tiveram do debate e pode dar impulso ao candidato declarado vencedor”. Como a mídia está contra, esse passa a ser o principal “adversário” que Lula enfrenta hoje à noite, apesar de ser um horário bom (20,30h,na Band – horário bom, mesmo com a concorrência do Fantástico da Globo), com muitos eleitores atentos. A questão principal do debate (mais do que em qualquer outro momento) é a percepção. Nesse sentido, Lula tem de desenvolver os seguintes pontos: 1) reduzir os argumentos para a percepção negativa que a mídia vai repercutir nos dias seguintes (por exemplo, evitando a frase “eu não sabia de nada”; 2) mostrar-se na ofensiva, desconsiderar o adversário, encostá-lo nas cordas, perguntar se ele está nervoso mordendo os lábios, repetir que ele não sabe de nada – além de desconcertar o adversário, isso ajuda a inflamar a militância; 3) iludir o adversário, fazer perguntas sobre um tema com o objetivo de desenvolver outro 4) municiar a militância com argumentos para a amplificação da campanha durante as próximas semanas; 5) posicionar-se descontraído em cena, mas, sempre que puder, olhar no olho do eleitor. Esse debate deverá ser mais importante do que o da Globo – se é que ele vai acontecer – e Lula conta com a vantagem de ter arrancado na frente para o 2º turno.