terça-feira, 12 de setembro de 2006

Fidel está de volta: presidirá a delegação cubana

Na sua edição de ontem, o Granma noticipu: "O presidente Fidel Castro liderará a delegação cubana que participará da 14ª Cúpula de Países Não-Alinhados e receberá vários dignitários, entre eles, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan", disse o chanceler Felipe Pérez Roque diante de um mil correspondentes estrangeiros e nacionais credenciados para o evento, que tem oficialmente início nesta segunda-feira 11, com uma reunião de peritos representantes de seus países. Leia reportagem completa no Granma em português.

Não é apenas o candidato Lula que investe no Nordeste: americanos e europeus também...

O site da BBC traz reportagem do jornal econômico espanhol Expansión onde se diz que o “Nordeste brasileiro foi descoberto pelos investidores do setor turístico europeu e americano”. Segundo o jornal, “grande parte do leste brasileiro ainda não foi explorada”, e por isso “as grandes construtoras européias e americanas já planejam um futuro diferente para a região”. A reportagem destaca que “o Brasil recebe hoje cerca de 70 milhões de turistas/ano e que em poucos anos poderá superar o México como o principal destino turístico da América Latina”. Dizem as más línguas que o candidato Alckmin, entusiasmado, já comprou guias da região...

Fernando Henrique, do PSDB, e Aécio Neves, do PSDBdoB, cada vez mais distantes

Este Blog, em postagens de 8 e 10 de setembro, deixou bem clara a sua interpretação para a Carta de FHC de 6 de setembro. Além de se preparar para a batalha de 2010 definindo o perfil (lacerdista?) do PSDB, tratou de rifar o nome de Aécio Neves, que tem a pretensão de desafiar a candidatura paulista de José Serra para a sucessão (de Lula) presidencial. Os jornais mostram agora que Aécio interpretou de forma igual e deu resposta dura a Fernando Henrique. A Carta de FHC é uma "ação desagregadora", disse Aécio Neves, em Teófilo Otoni, Minas Gerais, em campanha ao lado de Alckmin. Este, por sua vez, com o desempenho eleitoral pífio que motivou a Carta, mostra-se mais perdido que cego em tiroteio.

Banco Mundial e USAID: Bolsa-Família é exemplo para o mundo

Norberia Brito usando o Bolsa-Família, CSM O diário americano Christian Science Monitor desta última segunda-feira, em reportagem intitulada “Brasil faz progressos na luta pela Fome Zero” (Brazil makes headway in bid for Zero Hunger), relata o crescimento do programa Bolsa-Família, chamado de “o carro-chefe da iniciativa Fome Zero” do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O jornal cita o Banco Mundial e a USAID, que apóiam o programa: “é um modelo que pode transcender as fronteiras, mostrando a países como driblar a burocracia e dar a indivíduos a capacidade de sair da pobreza”. Kathy Lindert, economista do Banco Mundial em Brasília, declara que o programa garante ganhos imediatos em eficiência. Para ela, o Brasil é um “superstar” ao exportar o seu modelo para países africanos e latino-americanos. O jornal destaca que “os gastos sociais mais que triplicaram (na verdade, quase triplicaram) nos três primeiros anos do governo Lula – de R$ 6 bilhões em 2002 para R$ 17 bilhões em 2005 – e que podem chegar a R$ 21 bilhões neste ano”. Destaca ainda que “o Brasil encerrou a sua dívida de 15 bilhões de dólares com o FMI, controlou a inflação e tem um crescimento econômico lento mas consistente”. Leia a reportagem completa de Jen Ross.

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Se o placar eletrônico falasse...

O famoso "Caso do Placar Eletrônico do Senado", que teria sido violado a mando do Presidente da Câmara, Antonio Carlos Magalhães, mostrando os votos de cada um contra ou a favor do então senador Luiz Estêvão, ainda esconde muitos segredos e muitas surpresas. O caso logo me vem à lembrança, quando leio que a boa cantora Gal Costa defendeu mais ética na política. Na época do "Caso Placar", como boa baiana, ela prestou solidariedade a Antonio Carlos Magalhães. Tem coerência nisso? Mas o sub-produto mais surpreendente da época foi a fofoca de que o placar registrava o voto da senadora Heloísa Helena a favor de Luiz Estêvão. São fofocas, claro. O problema é que tudo isso desagüou na atual campanha para Presidente e acabou ganhando espaço na seção "Frases da Semana" do jornal O Globo: "Não durmo com homem rico e ordinário" (teria dito a candidata Heloísa Helena); "se ela teve alguma ânsia de vômito, comigo, ela engoliu" (teria retrucado Luiz Estêvão). Ninguém poderia imaginar que o "Caso do Placar" virasse um caso escatológico... ARGH! (Assinantes podem acessar o "Frases da Semana")

Lacerda 65

Carlos Lacerda, Google Acabo de ouvir na Rádio CBN o excelente programa de Lula Vieira, “Jingles Inesquecíveis”. Hoje ele apresentou um jingle que seria da pré-campanha de Lacerda para presidente em 1965. Diz a letra: "as portas vão dormir sem trinco // com Lacerda em 65". Além de mostrar uma rima que é um brinco (como diz Antonio Mello), o jingle mostra claramente o cerne do espírito lacerdista, que se mantém até hoje: segurança. Poderíamos até pensar no jingle lacerdista para a próxima eleição para a Prefeitura do Rio: "as portas vão dormir sem trinco // com Denise em 25". ..
Ex-WCT, NYT CORAÇÃO DO MUNDO, 11 DE SETEMBRO
Gravei com uma webcam os primeiros passos de minha filha mais nova, com 10 meses. Ela vem em minha direção, com seus passos titubeantes e tendo como trilha sonora o noticiário da televisão que estava ligada. Era 12 de setembro de 2001 e a notícia era o ataque ao World Trade Center. É uma imagem carregada de significados para mim. No dia anterior, tinha assistido em tempo real a destruição das “torres gêmeas” e naquele instante só conseguia repetir assustado: “A partir de hoje, o mundo é outro”. O mundo mudou, realmente. Em muitos sentidos, para melhor. Em outros sentidos, não mudou nada. A violência ficou mais próxima, mais real, mais instantânea, mais absurda – se é que isso é possível. Passados 5 anos desde o mais famoso 11 de setembro, ainda engatinhamos na conquista de uma paz duradoura. Mais do que nunca precisamos dar os primeiros passos: nem terrorismo nem bushismo.
EM TEMPO:
O "Último Segundo", da IG, acaba de publicar pesquisa sobre a opinião dos americanos sobre a responsabilidade de Bush com relação aos ataques terroristas com o título ”Mais americanos culpam Bush pelo 11 de Setembro”.
Diz a nota: “A proporção de americanos que culpa o governo do presidente George W. Bush pelos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 subiu de 30 para quase 50% em quatro anos, segundo uma enquete divulgada hoje. Segundo a pesquisa, realizada pelo instituto Opinion Research Corporation para a rede de TV "CNN", 45% dos 1.004 adultos entrevistados opinam que a administração Bush teve de "muita culpa" a uma "culpa moderada" pelos ataques." Texto completo aqui.
DOHA A QUEM DOHER

Enquanto Bush não tiver garantido os votos ruralistas para os candidatos republicanos nas eleições de novembro, os países pobres do mundo têm que fazer de conta que dialogam - e têm que manter a cabeça fria.

domingo, 10 de setembro de 2006

A felicidade vota em Lula

As pesquisas Datafolha publicadas recentemente explicam muito do sucesso de Lula nas intenções de voto. Segundo o Datafolha, 76% dos 7.724 entrevistados nos últimos dias 4 e 5, em 349 municípios brasileiros, consideram-se "felizes". “A taxa é 11 pontos percentuais maior do que a registrada em um estudo de 1996 sobre o mesmo tema”, publica a Folha. Outra pesquisa Datafolha mostra que “48% dos eleitores entrevistados associam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à reeleição, à defesa dos pobres”. Ainda na Folha: “Questionados sobre qual dos candidatos à Presidência da República mais defenderá os ricos, 32% responderam que será o tucano e 16%, Lula”. E a Folha continua sobre as pesquisas Datafolha: “De modo geral, o petista foi escolhido por 44% dos eleitores como o mais preparado para ser presidente e o tucano recebe tal qualificação de 31%.” Apesar de Lula ser considerado “o presidenciável mais corrupto (25%), Alckmin 9% e Heloísa Helena, com 2%, “a maior parte do eleitorado demonstra dificuldade de relacionar os candidatos com o atributo corrupção: 41% não souberam dizer quem é o presidenciável mais corrupto. ‘O conceito de corrupto é algo que as pessoas entendem bem. Mas têm dificuldade de associar nomes de candidatos a esse conceito’, diz o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino. Isso explicaria, segundo ele, porque escândalos como o do mensalão não ‘colaram’ na imagem do presidente Lula. Mauro Paulino explica que ‘há uma tendência de o eleitor apontar o seu candidato com atributos positivos’. No Nordeste, por exemplo, onde Lula tem o melhor desempenho eleitoral, 60% o apontam como o candidato mais preparado. Entre os que ganham até dois salários mínimos, só 18% citam o petista como o mais corrupto. Na faixa de eleitores que recebem mais de dez salários, esse percentual sobe para 45%.” Juntando todos esses dados, podemos concluir que apesar de todas as mazelas que ainda existem em nosso país, os brasileiros, hoje, sentem-se mais felizes e a maioria (principalmente da faixa mais pobre) atribui isso a Lula. Assinantes acessem as reportagens de Laura Capriglione e Malu Delgado.

Mais um furo deste Blog, sobre os verdadeiros objetivos da carta de Fernando Henrique

Na sexta-feira, 8, às 14:01h, este Blog dizia no texto “Fernando Henrique só vê 2010” que o verdadeiro motivo de FHC aumentar o seu tom de voz (na carta publicada no site do PSDB) era a eleição de 2010. “A derrota de Alckmin certamente já era esperada pelo morubixaba tucano”, dizia o texto. E mais na frente: “(FHC) tentava segurar o seu partido (tucano) na gaiola”. No seu Ex-Blog de ontem, Cesar Maia ainda tinha dúvidas sobre as verdadeiras razões da carta. “Quais as razões de FHC? Difícil dizer”, disse ele. Hoje, em texto “A Cartada de FHC”, a Folha repete o Blog do Gadelha: “Pregar ao futuro do partido, permitir-se criticar com acidez a estratégia eleitoral tucana, denunciar, a esta altura, falhas no encaminhamento da questão Azeredo e na política de segurança pública da gestão Alckmin em São Paulo é como supor que a atual disputa pela Presidência esteja liquidada. É como lançar-se na luta política pela hegemonia no PSDB com vistas à sucessão de 2010.” Esse Blog agora vai mais longe. A denúncia de Eduardo Azeredo também foi muito bem pensada. Fernando Henrique procura com isso o desgaste do tucano mineiro, ex-presidente do partido, na conta de Aécio Neves. Fernando Henrique riscou Aécio do PSDB – que se torna cada vez mais paulista.

O candidato Pedro Bial promove bela disputa entre Lula e Alckmin

Desde o começo desconfiei que o lançamento da candidatura de Pedro Bial (assim como a de Eymael) serviria como linha auxiliar da candidatura de Alckmin contra Lula. Não deu outra. Ao lançar o seu programa “O Mundo Roda e o Bial é Gira”, o nosso Big Repórter Global levantou a bola para Alckmin pôr no ar o seu primeiro excelente programa no Horário Eleitoral. Muito bom mesmo, com bom ritmo jornalístico, lançando carga pesada contra Lula e os buracos da BR-116. A equipe de Lula também agiu rápido. Pegou no ar o espírito do jatinho de Alckmin e teve tempo de colocar no programa uma ”vacina” contra as agressões que vieram a seguir. Mostrou que os buracos da BR-116 passaram imexíveis por todo o governo tucano de FHC e que só agora, demagogicamente, os pessedebistas voaram naquela direção. Alckmin ganhou mais, apesar da boa reação de Lula. Bom momento da disputa eleitoral, onde o grande vitorioso foi o candidato BB (Big Bial).

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Grande emoção na disputa para Governador do Rio: Vladimir ultrapassa Eduardo Paes!

Ninguém podia imaginar isso: o petista Vladimir Palmeira passou de 1% para 3% e, com isso, ultrapassou o tucano Eduardo Paes, que se manteve com 2%. Essa é a maior novidade da Pesquisa Ibope que acaba de ser divulgada. Sérgio Cabral 41, Crivella 17, Denise Frossard 13, Vladimir 3, Eduardo Paes 2, Outros 3 e Não-Votantes 21. O avanço de Denise Frossard sobre os Não-Votantes não foi tão forte quanto o que ocorreu na Pesquisa Datafolha. Será que em vez de uma "onda Denise" teremos uma "onda Vladimir"?

Lula foi o único que declarou a independência no 7 de Setembro

Foi um 7 de Setembro sem grito na campanha eleitoral. Tirando o Eymael que grita sem saber por que grita, todos os candidatos fizeram programas água com açúcar. Mas o Programa de Lula aproveiou melhor a ocasião. Colocou o Brasil no cenário mundial, deu maior dimensão à data e explorou bem a participação de Lula. Alckmin continuou apertando os lábios finos para falar do seu programa de educação e Cristovam preferiu fazer cantiga de roda. Creio que a próxima pesquisa Ibope pode retratar um pouco o que aconteceu.

Cesar Maia está fazendo direitinho o feijão com arroz da direita

Cesar Maia soube fazer o jogo eleitoral do setor conservador do Rio. É um setor que ele herdou do lacerdismo e que nesta eleição parecia estar sem pai nem mãe. Nesta eleição para Governador do Estado, Cesar Maia foi buscar em Denise Frossard a Sandra Cavalcanti (nome forte da era lacerdista) que estava faltando e fez o óbvio: ordem, ordem, ordem. Mesmo não podendo apresentar o exemplo de uma administração em ordem, ele soube bater no mau exemplo das outras. Resultado: os órfãos cesar-lacerdistas, que estavam se aninhando como "Brancos-Nulos-Indecisos", começaram a botar o bico de fora e contribuir com alguns pontinhos para Denise Frossard. A última pesquisa Datafolha revela que Denise Frossard "conquistou votos principalmente entre os eleitores com maior renda e mais escolarizados. Há duas semanas Frossard tinha 22% entre os que ganham mais de dez salários mínimos, hoje tem 34%. Entre os entrevistados com nível superior de escolaridade a candidata do PPS cresceu de 22% para 31%. Na região metropolitana a deputada cresceu seis pontos percentuais (de 11% para 17%)". Exatamente onde melhor se define o cesar-lacerdismo. Cesar Maia tenta com isso forçar um segundo turno para Governador do Rio - e assim ao menos sair mais forte para a eleição de 2008.

Fernando Henrique só vê 2010

FHC e Lula, Google Esse tom de voz mais alto que Fernando Henrique está usando não tem muito a ver a com a próxima eleição. A sua maior preocupação é garantir a sobrevivência do PSDB pós-"furacão Lula". A derrota de Alckmin certamente já era esperada pelo morubixaba tucano. O que ele não esperava era a revoada tucana em direção a outros ninhos. O berreiro todo está sendo causado por causa da candidatura "rebelde" de Aécio Neves e da possível formação de um bloco de centro-esquerda forte. Fernando Henrique tenta segurar o seu partido na gaiola.

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

O sofisma de Cesar Maia

No seu Ex-Blog de ontem, Cesar Maia distribuiu um vídeo onde faz uma análise da disputa para Governador do Rio de Janeiro. Bom vídeo, onde ele mistura boa análise com forçação de barra para promover a sua pupila, Denise Frossard (PPS-PFL-PV). A crítica que faz à campanha de Vladimir (PT-PCdoB-PSB) a partir de uma pesquisa qualitativa está perfeita, mostrando a infantilidade da proposta (?) petista, um desrespeito aos candidatos sérios aos cargos proporcionais. Mas Cesar não se contém nisso. Entusiasmado pela subida de Denise Frossard (comprovada pelo Datafolha que a Rede Globo acaba de divulgar), Cesar Maia garante que haverá 2º turno no Rio baseado no “fato” de que Sérgio Cabral só é dono de “1/3 dos seus 40% de intenção de voto”. Os outros 2/3 pertenceriam “potencialmente” a metade a Denise Frossard e a outra metade a Crivella (PRB). E diz mais: que os dois já estão mordendo os votos de Sérgio Cabral. E como ele chegou a essa conclusão? Por uma pesquisa onde fez a pergunta do 2º voto, procurando perceber a troca de intenções entre os candidatos e, com isso, procurando identificar as semelhanças nos perfis dos diversos grupos de eleitores. É uma pesquisa importante, mas não substancializa o que ele afirma. Mais provavelmente (e o Datafolha parece confirmar) os votos de Crivella são mordidos por Sérgio Cabral, não o inverso. Da mesma forma, Denise dificilmente está tirando votos de Sérgio Cabral. Mais provavelmente (e o Datafolha parece confirmar também) ela está tirando votos dos Não-Votantes (Brancos+Nulos+Indecisos), que caíram 5 pontos – enquanto ela cresceu 4 pontos e Sérgio Cabral cresceu 2. Também não dá para afirmar com toda certeza que vai haver 2º turno. Desde julho que Sérgio Cabral oscila entre 52% e 51% dos votos válidos, enquanto os adversários trocam votos entre si. É verdade que, se Denise Frossard continuar crescendo sobre os Não-Votantes, poderá haver 2º turno. Mas isso está longe de confirmar as “análises” de Cesar Maia. EM TEMPO: vi um pedaço do programa de Vladimir e, pela primeira vez, gostei. Vamos ver lá na frente.

Qual o número de Eymael?

Lendo o Ex-Blog de Cesar Maia hoje, vi que eu tinha esquecido de postar a nota que pensei sobre o candidato a presidente Eymael. Nada demais. Apenas para dizer que, assistindo o seu programa ontem, eu tive a sensação que a qualquer momento ele iria declarar o seu voto a Alckmin. Acertei, Ei-Ei-Eymael?

No Iraque de hoje, a certidão de nascimento pode significar certidão de óbito

O nome, esse é o problema. No Iraque muçulmano, os pais costumam dar aos filhos os nomes dos líderes religiosos do século VII, quando houve a separação dos grupos. A questão é saber se era um líder xiita ou sunita. Se você se chama Sadam Hussein, por exemplo, que deve existir aos milhões, corre sérios riscos ao andar entre os xiitas – já que o Sadam Hussein mais famoso era árabe sunita. O perigo é o mesmo para quem se chama Omar, Othmam ou Marwan. Já os xiitas gostam de se chamar Ali, Hussein e Abbas – e vão correr riscos entre os sunitas. São comuns as blitzen de milicianos islâmicos em busca de adversários pelos nomes. Encontrado um documento com nome preferido dos adversários, a execução é sumária. Milhares de pessoas tentam desesperadamente trocar de nome, em busca de algo que seja comum a todos, como Jabar, um dos 99 nomes islâmicos para Deus. Sugere-se que ninguém tente se chamar Bush… Leia reportagem de Scott Nelson para o The New York Times.

Parreira é Dunga

Em sua entrevista coletiva ao chegar a Johannesburgo para dirigir a seleção Sulafricana, com o objetivo de prepará-la para a Copa 2010, Parreira mostrou-se diferente da imagem que deixou na última Copa e defendeu o estilo Dunga: paixão. "Se um jogador não estiver preparado para oferecer o seu coração e alma à seleção nacional, motivado por poder jogar uma Copa do Mundo em casa, esse jogador não serve para nada, nem para mim nem para os Bafana", afirmou. (o site da BBC esclarece que Bafana é uma palavra da língua zulu que significa "os rapazes" ou "os garotos". A repetição Bafana Bafana é utilizada pelos torcedores para se referir à equipe sul-africana e serve para enfatizar que não são quaisquer garotos, mas sim "os garotos" da seleção.) O treinador brasileiro disse que está na África do Sul "para lustrar diamantes do futebol" até a Copa de 2010, que será disputada em solo sul-africano. "Mas, se permanecerem sob o solo, esses diamantes não terão valor e o objetivo não será alcançado", advertiu Parreira. A CBF deveria ter contratado esse técnico para a Copa de 2006. Leia mais no site da BBC.

Transparência Rio

O Vereador no Rio de Janeiro Rogério Bittar começou em marketing e publicidade trabalhando em minha equipe. Desde cedo mostrou-se talentoso, ágil, empreendedor. Era praticamente um garoto, sempre muito simpático. Quando decidiu entrar na política pegou todo mundo de surpresa. Mas, pensando bem, não era pra ser surpresa. O pai, Ricardo, foi sub-secretário de Ação Social do Governo Garotinho e depois Secretário de Governo de Rosinha. Por coincidência, Bittar já é um nome famoso na política do Rio, de Jorge Bittar, que já foi o vereador mais votado (ou segundo) do Brasil e atualmente é Deputado Federal. A surpresa maior foi o desempenho de Rogério. Elegeu-se na primeira tentativa e consegue se sobressair. Recentemente recebi inúmeras correspondências dele falando sobre a sua luta por mais transparência nas contas públicas, propondo que as contas da Prefeitura sejam colocadas na Internet. Sua luta principal era contra o Prefeito Cesar Maia, que parecia ser contra. Mas para felicidade de todos Cesar Maia lançou o site das contas da Prefeitura do Rio, o Rio Transparente. EM TEMPO. Recebi e-mail do Gabinete do Vereador Stepan Nercessian com esclarecimento sobre o Transparência Rio: "o Projeto de Lei apresentado e aprovado pela Câmara é do Vereador Stepan Nercessian e foi apresentado em março deste ano" "(...) não desmerecendo o trabalho do vereador Rogerio Bittar que é especificamente sobre o FINCON".

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Lula passou o dia se alimentando de boas notícias

Datafolha, 6-set-06 O café da manhã desta terça-feira com as notícias que vieram de ontem falando da vitória no TSE sobre as campanhas da Oposição deram o gostinho do que viria pela frente. No Horário Eleitoral da hora do almoço, apesar de sua equipe ter repetido a intragável "teoria do prato de comida", Lula deve ter se deliciado (se é que perdeu tempo pra isso) vendo Alckmin abrir o Programa da tarde dizendo "Boa Noite". (Essas equipes milionárias vivem esquecendo o feijão com arroz...) Mais tarde teve a vitória da Seleção sobre o País de Gales. Não foi um jogo espetacular, mas o time voltou a mostrar que tem fome de bola, e isso deixa o povo satisfeito. À noite foi um prato cheio. De entrada, a Pesquisa Datafolha: Lula subindo pra 51, Alckmin estacionando nos 27 e Heloísa Helena caindo pra 9. Aumentou a vantagem de Lula nos votos válidos: foi de 56% para 57%. Mais que isso: na pesquisa espontânea, Lula garfou mais 3 pontinhos, pulando de 38% para 41%. Para encerrar o banquete, a equipe de Lula acertou o ponto no Programa da noite. Mostrou que, se é pra mostrar volume de obras, a receita do Governo Federal rende mais. Pelo lado de Alckmin, a esperada salada da pancadaria estava insossa, desnutrida e o Programa, apesar de bem preparado, acabou meio indigesto. Com esse menu de boas notícias, Lula foi dormir muito bem alimentado. Diria até que de barriga cheia. Será que vai continuar com esse apetite?

Irã aceita o Estado de Israel. Tudo depende do Hamas e de Israel

Mohammad Khatami, ex-presidente iraniano que está em visita ao Ocidente – inclusive Estados Unidos –, declarou que o Irã pode aceitar a existência do Estado de Israel. É preciso apenas que o Hamas (partido que governa o povo palestino) reconheça Israel. Em contrapartida, é claro que Israel precisa reconhecer o Estado Palestino. Mohammad Khatami, que no último fim de semana foi ovacionado por 13.000 muçulmanos americanos (na maioria) na convenção anual da Sociedade Islâmica, perto de Chicago, também disse que o Irã quer uma paz sustentável nos Oriente Médio para as três religiões monoteístas, judaísmo, islamismo e cristianismo. Apesar do tom pacífico, Mohammad Khatami não poupou críticas à administração Bush e seu conceito de “guerra ao terror”. Declarou que Bush “afaga conflitos e inflama sentimentos”. Denunciou a descrição que Bush faz dos inimigos como “fascistas islâmicos” e mandou de volta: “Nós vemos no Ocidente uma espécie de fascismo, apartheid, unilateralismo e uma espécie de totalitarismo, segundo o qual as nações são distribuídas, seus interesses são partilhados e as guerras são criadas”. A viagem de Khatami ao Ocidente está proporcionando uma nova chance de diálogo com o Irã. É uma chance que deve ser posta acima dos interesses da guerra. Leia a entrevista completa de Mohammad Khatami ao correspondente do Financial Times em Teerã, Najmeh Bozorgmehr (morando no momento em Washington), acessando aqui.
Parreira (Google), Dunga (site)
PARREIRA X DUNGA
Muito boa a coluna de hoje, no jornal O Globo, de Renato Maurício Prado, comparando a Seleção da Copa com a Seleção de Domingo (assinantes, acessem aqui). De um lado, o trabalho burocrático, sem vida, desestimulante; de outro, a garra. De um lado, o sapato alto, o brilho das estrelas, os carrões, as noitadas; de outro, a alegria de vencer. Em qual dos dois lados você acha que o talento tem mais campo para se desenvolver? Essa pergunta cabe para tudo na vida. E a resposta é sempre a mesma. Não tem razão quem não tem paixão - e vice-versa. Na política é a mesma coisa. Não basta ser gerente, tem que ter paixão para ser presidente.

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Charge do Chico, O Globo
Essa charge do Chico, publicada no jornal O Globo de hoje, captou muito bem o espírito da coisa. Deve ser exatamente esse o sentimento que tomou conta da campanha de Alckmin.

Vladimir Palmeira, o Publicitário do Ano

Li em algum lugar, antes da campanha eleitoral começar, que Vladimir Palmeira, candidato petista a Governador do Rio, teria declarado que, na campanha dele, publicitário não ia se meter na política. Imediatamente, achei ótima declaração. É isso mesmo, publicitário não tem que se meter em política, apenas em publicidade - e seguindo o que determina o marketing. Mesmo o profissional de marketing que trabalhe como consultor de alguma campanha política não tem que ser político. Ele tem que compreender o que se passa na política para orientar corretamente a quem atende. Nas campanhas políticas, sempre houve essa confusão entre política, marketing e publicidade, por isso fiquei entusiasmado com a declaração de Vladimir (que sempre admirei como político) separando o joio do trigo. Hoje, ouvindo o seu programa de rádio (que consegue ser quase tão bobo quanto o de TV), percebi melhor o que talvez Vladimir pretendesse dizer: ele só está interessado na publicidade, não na política. O seu programa, cheio de “criatividade”, designs, câmeras, enquadramentos especiais, etc, não pode estar sendo feito para o “concurso” de Governador do Ano. Deve estar procurando algum prêmio publicitário. Mas fui ver a relação dos premiados do Prêmio Colunistas (de Publicidade) 2006 – e a campanha do Vladimir não estava lá...

Depois de perder a guerra externa, Israel tenta vencer a guerra interna – mas a grande derrotada é a imprensa israelense

Este Blog foi um dos primeiros (talvez o primeiro) a dizer com todas as letras que Israel tinha perdido a Guerra do Líbano. Afirmamos isso depois de acompanhar a imprensa alternativa (na verdade, sites) e jornalistas progressistas internacionais que tratavam do assunto. Isso apesar da grande mídia internacional insistir na imagem super-homem do exército israelense. O jornalista Uri Avnery conta na newsletter CounterPunch que isso, em Israel, tinha uma dimensão ainda maior. A mídia israelense só divulgava os grande feitos do seu poderoso exército, como eles estavam destruindo os desumanos terroristas do Hesbolá, que matavam cruelmente a população civil e usavam mulheres, crianças e idosos como escudos. Sobre esse assunto específico Uri Avnery lembra que realmente o Hesbolá matou uns 30 civis com seus foguetes, enquanto o preciso, inteligente e glorioso exército israelense matou 800, sendo a metade crianças, em bombardeios sempre anunciados como “dirigidos a alvos militares”. Acabou a guerra e veio a ressaca do dia seguinte. O povo israelense começou a ver a realidade. Mas antes que essa percepção significasse outra grave derrota (dessa vez interna), o governo convocou a grande mídia outra vez. Agora com a missão de dourar a pílula, transformar a derrota em grande vitória. Escreve Uri Avnery que “durante os últimos dias a imprensa israelense tem apresentado uma longa série de experts que não deixam dúvidas: a guerra trouxe para nós (Israel) grandes feitos, o Hesbolá foi derrotado e Olmert (Primeiro Ministro israelense) foi vitorioso". Uri Avnery lamenta esse papel a que a imprensa israelense se submete. Uri Avnery é escritor e pacifista israelense. Ele se descreve como “uma pessoa da mídia, da cabeça aos pés”, que, desde os 17 anos “tem sido jornalista, repórter, colunista e editor e que sabe muito bem como a mídia que tem ética se comporta”. Ele lamenta que a imprensa israelense não tenha aprendido com os erros tão recentes. Além de perder a integridade moral, a imprensa, ao tentar criar uma falsa imagem super-positiva da guerra, acabou contribuindo com uma grande depressão quando a verdade apareceu. Era tudo ilusão de ótica. Uri Avnery conclui dizendo que “em Israel nada muda, exceto o passado". Para ler o texto completo, acesse o site da CounterPunch.

domingo, 3 de setembro de 2006

O BRASIL É DUNGA!

Jamais pensei que um dia diria isso com significado positivo. Mas foi o lado garra, vontade de vencer (que o Dunga parece que tem de sobra) que vimos hoje. É esse Brasil que nós queremos, em todos os sentidos. Chega de saudosismo e dos passes laterais feitos com salto alto. Queremos gols, queremos futebol-arte, queremos a força do povo brasileiro. De novo.

sábado, 2 de setembro de 2006

O Programa Eleitoral de Lula neste sábado perdia tempo teorizando sobre um prato de comida, quando foi salvo pelo gongo

Tudo bem que o programa eleitoral de Lula tem sido ótimo, com falhas mínimas e por isso tem direito a uma ou outra escorregadela. Mas escorregou muito neste sábado. Primeiro houve a falha da campanha permitindo o erro que levou à perda de mais de 2 minutos do programa eleitoral. Depois houve a falha de comunicação que levou ao corte súbito para a cartela do TSE. Mas isso até que foi bom, para evitar que o péssimo programa que estava sendo apresentado continuasse. E logo com o tema Bolsa-Família! Era um programa sem povo, sem emoção, sem Bolsa-Família. Os três apresentadores teorizavam sobre um prato de comida, quando, graças aos outros erros, o programa foi interrompido. Alô, marqueteiros, que horror era aquele? Lula discorrendo sobre o Bolsa-Família em um gabinete cenográfico? Tá faltando imagem? Apaguem esse sábado do currículo de vocês.

O sofisma de Lavareda

Antonio Lavareda (sociólogo e analista de pesquisas), com o apoio óbvio de Cesar Maia (um dos marqueteiros de Alckmin), está apresentando a tese (ou sugestão) de que a alta preferência do Nordeste por Lula pode levar a eleição para o 2º turno. Tudo parece bem argumentado. No Nordeste, Lula tem cerca de 70% das intenções de votos e lá, portanto, é o seu filé mignon (perdão...). Acontece que o Nordeste tem alto índice de Não-Votantes (Abstenção+Votos em Branco+Votos Nulos): 34,11% contra 26,29% da média nacional na eleição de 2002, uma diferença altíssima, sem dúvida, que leva qualquer um a pensar como Lavareda. Mas vamos aprofundar um pouco mais o raciocínio. Vamos separar a Abstenção (aqueles eleitores que não comparecem para votar) dos Votos em Branco+Votos Nulos (aqueles eleitores que votam deliberadamente contra todos os candidatos ou simplesmente erram). Notaremos que a diferença nas abstenções não é tão grande: 21,49% no Nordeste contra 17,74% na média nacional. Ou seja, a diferença maior está entre Votos em Branco+Votos Nulos, aqueles votos deliberadamente contra todos os candidatos. A conclusão mais lógica é a de que em 2002 o Nordeste não tinha o seu candidato do coração, como tem agora. Alguém duvida? Isso pode ser confirmado pelos votos que Lula teve em 2002 no Nordeste. Ele teve 30,23% de todo o eleitorado contra 34,23% na média nacional. E teve 45,88% dos Votos Válidos nordestinos contra 46,44% dos Votos Válidos de todo o país. E sabe qual era a intenção de votos em Lula no Datafolha de 30 de agosto de 2002? Era de 39% no Nordeste contra 37% em todo o país. Seu índice no Nordeste caiu em 2002 de 39% das intenções em 30 de agosto para 30,23% dos votos totais da eleição (o equivalente a 77,5% das intenções), enquanto seu índice nacional caiu em 2002 de 37% para 34,23%. Na pesquisa Datafolha do último 29 de agosto, Lula tem 70% de intenções de voto no Nordeste e 50% em todo o país (na espontânea está 58% contra 38%, enquanto em 2002 a espontânea no Nordeste era a mesma da média nacional 26%). Percebem a diferença? Alguém em sã consciência pode afirmar que a queda será a mesma, de 77,5%, com Lula chegando portanto a cerca de 55%? Claro que não. Hoje Lula é o candidato in pectore do povo nordestino. Se bobear, a sua queda (na relação "% de intenção" com "% de votos dos totais") no Nordeste será menor do que no resto do país. Não podemos nos enganar com qualquer manchete ou por qualquer avaliação precipitada – mesmo se for feita por quem sabe lidar com os números. Ou talvez exatamente por isso.

Ainda não vai ser agora que Bush ficará livre de Fidel - nem de Chávez...

Chávez e Fidel, Folha Fidel e Chávez aparecem na TV Cubana e Chávez diz que Fidel se recupera muito bem. Leia trechos da reportagem no jornal cubano Granma (ou acesse aqui para texto completo): Hasta la victoria siempre Venceremos, exclamaron ambos. (...) Chávez le dijo: "Fidel venimos de otra vuelta por el mundo, debes saber que el amanecer de la nueva era continúa despuntando, tú eres parte de ese amanecer". (...) "Hugo, felicidades a ti y a tu pueblo bolivariano y glorioso por el éxito de tu última gira, que sobrepasó todas las expectativas", le dijo el Comandante en Jefe a Chávez. (...) El Comandante en Jefe le afirmó a Chávez que si algunas personas se sentirían muy felices con ser testigos de este momento, esos serían Bolívar, Martí, Sucre, y el Ché.