quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Qual o computador mais velho do mundo, o ábaco iraquiano ou o instrumento astronômico grego?

Um grupo de cientistas de vários países acaba de concluir que o Mecanismo Antikythera, encontrado no final do século XIX e construído entre os anos 100 e 150 a.C., é um instrumento astronômico e "revelou-se um complexo computador capaz de calcular com precisão a posição relativa do Sol, da Lua e dos planetas", diz reportagem do jornal O Globo. Seria, portanto, o computador mais antigo do mundo. Mas há quem pense que o ábaco, antigo instrumento de cálculo formado por uma moldura com bastões ou arames paralelos dispostos no sentido vertical (na ilustração, está representando o número 6.302.715.408), seja o mais antigo, já que sua origem provável data de mais de 5.500 anos, na Mesopotâmia, exatamente ali onde é o Iraque e onde o número de mortos torna-se incontável. Na verdade, não importa muito saber qual o mais antigo. O que mais vale é tomar conhecimento da inteligência invejável que o homem tinha.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

O flagrante antes da bobeira

Na foto, o campeão Kramnik pensando sem parar antes de fazer o lance inexplicável entregando de bandeja a segunda partida do "Desafio Homem X Máquina" para seu oponente Deep Fritz. Hoje, na terceira partida, outro empate. A máquina segue ganhando por 1-0.

Menor advogado?

A crônica da violência diariamente prega uma peça no cidadão comum. Hoje o jornal O Globo traz reportagem sobre a detenção (será que esse é o termo jurídico certo?) de um menor apanhado roubando o celular de um pedestre em pleno Ipanema, Rio de Janeiro. O menor, Mister X, de 16 anos e 1,90m de altura, não demonstrou preocupação. Sabia exatamente quanto tempo ficaria no "parque de diversões" (Instituto Padre Severino) e, de tanto freqüentar o local, já tinha decorado o Código Penal. Mais algumas prisões, quem sabe, e ele poderá fazer vestibular... (Clique na imagem para ampliar trecho da reportagem)

Dúvida no Iraque: alô, morto, você morreu em guerra civil ou em insurgência?

Dúvida cruel toma conta da mídia, acadêmicos e governo americanos sobre o que está acontecendo no Iraque. Será uma guerra civil? Ou será uma insurgência? Ou um conflito sectário? Ou bushianismo? O New York Times de ontem trouxe uma análise - a meu ver surreal - feita por Edward Wong sobre o que realmente está acontecendo no Iraque. "A definição acadêmica comum de guerra civil tem dois critérios principais: 1) os grupos rivais precisam ser do mesmo país e lutar pelo controle de seu centro político, por um Estado independente ou por uma mudança drástica na estrutura política; 2) o saldo de mortos tem de chegar a mil, com pelo menos cem de cada lado". Dá pra acreditar? A discussão continua: "Muitas insurgências ou guerras étnicas ou guerras sectárias são também guerras civis. Vietnã e Líbano são exemplos. E os estudiosos dizem que a guerra do Iraque tem elementos tanto de insurgência (quando um dos lados luta para derrubar o governo que considera ilegítimo) quanto de conflito sectário (no caso iraquiano, conflito entre os grupos religiosos xiitas e sunitas)". E o pior não é isso. "Muitos políticos nos Estados Unidos (principalmente os que apóiam a intervenção) temem que, se a Casa Branca reconhecer o conlito como guerra civil, isso seja tomado como admissão de fracasso. E se preocupam com a possibilidade de a população achar que suas tropas não devessem participar de uma guerra civil iraquiana, aumentando a pressão pela retirada". Enquanto a inteligentsia americana discute o termo certo para o conflito, os iraquianos às pencas. Assinantes da Folha podem ler a tradução de Paulo Migliacci.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Os números finais do Referendo das Armas ganham as ruas

O "Não" que a maioria do povo (embalado pelo "mensalão") deu no Referendo de 2005 mostra os seus verdadeiros números - os números do crescimento da violência em cada esquina das grandes cidades. E, em verdadeiro fogo cruzado, mostra também os números das origens das armas. De acordo com o relatório divulgado ontem pela CPI do Tráfico das Armas, 86% das armas que serviram ao crime têm origem legal. Isso quer dizer que ou foram adquiridas em lojas de armamentos por empresas particulares de segurança ou por cidadãos comuns, pessoas tidas como "de bem" (65%) ou foram adquiridas (os outros 18%!) pelas forças de segurança do Estado (forças armadas, PF, PMs, PCs, etc). Esses números desmentem inteiramente o principal argumento do Lobby das Armas de que as pessoas de bem precisam comprar armas para se defender. Ocorre exatamente o contrário. A liberação aumenta a insegurança e torna mais difícil a defesa de quem é de bem. Há outros números impressionantes que também precisam ser cruzadops para se entender tanta violência nas ruas. Por exemplo, os números dos altíssimos salários que os juízes pretendem julgar justos para eles mesmos. Ou os números dos investimentos nas gaiolas de luxo do judiciário, bem maiores do que os números investidos nas gaiolas de lixo dos presidiários. Todos esses número são alarmantes e a verdade é uma só: ou o país trata de reverter urgentemente todos esses números, ou cada cidadão vai virar apenas um número em cova rasa.

Chapa Serra-Aécio é conversa pra boi dormir

Político adora enganar a imprensa. Ou melhor: político bom é aquele que sabe usar os meios de comunicação e com isso trabalhar a opinião pública a seu favor. Na falta do que fazer e propor nessa ressaca pós-derrota eleitoral, o PSDB fica inventando histórias em torno dos seus principais nomes, Serra, Aécio e Fernando Henrique (nessa ordem mesmo). Os tucanos estão certos em fazer iosso. Estão sem bandeiras e sem votos e descobriram que é difícil fazer oposição, quando todo mundo (exceto o PFL e partidos menores, pela direita) se situa mais ou menos na centro-esquerda. Na falta de opções, vão mexendo com os nomes de seus líderes. Serra é candidato em 2010. Não, não é não, é Aécio, e Serra vai para a reeleição em São Paulo. Nada disso, Fernansdo Henrique vai voltar... E agora inventaram mais um factóide: Serra Presidente, Aécio Vice - que depois viria como Presidente. Se isso fosse verdade, seria a chapa da arrogância. Os dois maiores colégios eleitorais do país (SP e MG, juntos, têm 33,13% do eleitorado) estariam sendo usados para enfrentar o resto do país, numa reedição da chamada políica do "café com leite" - coisa que nunca mais se ousou fazer, principalmente porque representaria uma burrice estatística. O que se procura fazer agora são fazer chapas que representem as regiões Nordeste e Sudeste que, juntas, representam 70,75% do eleitorado. (Nordeste, 27,11%; Sudeste, 43,64%). Foi assim com Tancredo/Sarney (apesar de eleições indiretas), Collor/Itamar, Fernando Henrique/Marcos Maciel; Lula/José Alencar (sendo que Lula, sozinho, representa Nordeste+Sudeste...). Costuma ser uma chapa mais representativa do eleitorado brasileiro, menos arrogante. O resto é conversa pra boi dormir - ou melhor, pra tucano dormir...

Saída de Rumsfeld abriu caminho para solução iraniana no Iraque

Os Estados Unidos estão completamente perdidos no Iraque. Não têm como controlar a situação e chega a ser cômico – se não fosse trágico e indignante – ver Bush exigindo que o presidente iraquiano Jabal Talabani ponha fim à violência entre sunitas e xiitas. A solução para o conflito interno saiu inteiramente das mãos dos Estados Unidos e seus aliados. A comissão bi-partidária do congresso americano mostrou o caminho (certamente previamente combinado), ao propor que sírios e iranianos participassem das discussões pelo fim do conflito. Inicialmente, todo mundo achou impossível que Bush concordasse com isso. Mas depois veio a mesma proposta feita pelo aliado inglês Tony Blair. E agora, conforme a BBC, o próprio presidente iraquiano visita Teerã para pedir ajuda ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e deve se encontrar nesta terça-feira com o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei – coisa que não faria sem prévio consentimento da Casa Branca. Passa a fazer sentido também o afastamento do secretário de defesa Rumsfeld, antigo aliado de Saddam Hussein contra os iranianos. A guerra que nunca deveria ter começado pode chegar ao fim graças à ação dos inimigos de Bush.

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Deu "brancas" no campeão

Inacreditável! O desafio Kramnik (russo campeão de xadrez) X Deep Fritz (computador alemão) estava emocionante. A primeira partida acabou em empate, mas a segunda, com Kramnik com as pretas, estava linda, cheia de movimentos ousados, com o campeão de carne e osso encostando Deep Fritz contra o "monitor". A máquina, com muito esforço e bons cálculos, tinha conseguido uma situação de empate quando, sem ninguém entender o que acontecia, Vladimir Kramnik fez um movimento que nem mesmo a Ana Clara, minha filha de 6 anos, faria. No movimento seguinte, Deep Fritz simplesmente deu um mate, e agora está vencendo o desafio por 1-0. Refaça a partida, clicando aqui.

Eleições no Equador: Chávez vence mais uma

A Reuters noticia que "o líder nacionalista Rafael Correa teria vencido as eleições presidenciais de domingo no Equador, segundo pesquisas privadas, o que somaria um dos países latino-americanos mais instáveis ao grupo de nações críticas de Washington, lideradas pela Venezuela. Cansados dos desprestigiados partidos políticos tradicionais, os equatorianos teriam dado forte apoio a Correa, com pesquisas de boca de urna estimando que o ex-ministro da Economia amigo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, recebeu entre 57 e 58 por cento dos votos válidos". Correa afirmou em entrevista à France Press e reproduzida pelo jornal equatoriano La Hora: "Soy un humanista, cristiano, de izquierda; humanista porque para mí la política y la economía están al servicio del hombre; cristiano porque me nutro de la doctrina social de la Iglesia; y de izquierda porque creo en la equidad, la justicia y la supremacía del trabajo sobre el capital". Ainda segundo La Hora, "Rafael Correa es un economista de izquierda y duro crítico de Estados Unidos, que aspira a gobernar bajo la influencia del nuevo socialismo". Seu adversário, Alvaro Noboa, um populista de direita, conhecido como magnata das bananas, ainda não reconheceu o resultado.

domingo, 26 de novembro de 2006

Jornalistas: convocação aos berros

A jornalista da sala ao lado está berrando por esta convocação: ATO EM DEFESA DO DIPLOMA! Nnesta segunda, 29 de novembro, no auditório do Sindicato dos Jornalistas (Rua Evaristo da Veiga, 16/17º andar), a partir das 19:30h. Ninguém pode faltar! (Clique na imagem para ampliar.)

sábado, 25 de novembro de 2006

A renda do tráfico cai, os crimes de rua aumentam

Na quinta, publiquei nota sobre a pesquisa do Observatório de Favelas do Rio de Janeiro, mostrando que a renda do tráfico nas favelas caiu muito nos últimos anos. Os jovens vendedores das favelas, que ganhavam até 15 salários mínimos, hoje ganham no máximo 3. Seria uma ótima oportunidade para desviar esses jovens para educação e bons empregos, com salários dignos. Mas não é isso o que está acontecendo. O jornal O Globo traz reportagem de hoje com o título “Medo às vésperas do Natal – tiros em shopping da Barra e outros crimes aumentam a sensação de insegurança na cidade”. Não é preciso ser muito esperto para perceber a relação entre uma e outra notícia. O momento é esse para se encontrar uma solução.

O computador vai ser campeão e o xadrez vai perder a graça

Na década de 60, a PUC do Rio dava um curso de programação de computador eletrônico em um dos primeiros computadores chegados ao Brasil, um Burroughs B-200. Uma das atrações do curso era o jogo da velha, onde o computador “dizia”, ao final de cada partida, que "nunca perdia". São inúmeros os jogos em que o computador não perde nunca em confronto da mente humana. Mas o xadrez continua sendo o grande desafio. Houve o caso de Kasparov, grande campeão, que perdeu em 1997 para o Deep Blue da IBM. Mas o computador ainda não convenceu. Hoje começa mais um desafio, entre o Deep Fritz, alemão, e o fortíssimo campeão russo Vladimir Kramnik. E todos se perguntam quem será o vencedor. Pode até ser que Kramnik vença. Mas, cedo ou tarde, o ser humano não terá mais chances. Norbert Wiener, criador da cibernética, já dizia há cerca de meio século que é possível prever uma teoria geral do xadrez (como existe no jogo da velha, por exemplo), a partir do auxílio dos computadores. Depois disso, será apenas questão de tempo para o xadrez virar um jogo da velha (ou dos velhos...). A esperança talvez esteja no Go (ou Weiqi) um jogo estratégico de soma zero e de informação perfeita para tabuleiro, em que duas pessoas posicionam pedras de cores opostas, com origem na antiga China, entre 2000 AC e 200 AC, para o qual Wiener considerava difícil imaginar uma teoria geral. Realmente, diz-se do Go que nunca teve dois jogos iguais. Em xadrez, as posições possíveis são estimadas entre 10^43 e 10^50. No Go, estima-se em 2,1 X 10^170 posições. A maioria das quais, segundo a Wikipédia, “são o resultado final de cerca de (120!)2 = 4,5×10^397 diferentes partidas sem capturas, resultando num total de 9.3×10^567 jogos. Permitindo fazer capturas, então temos 10^(7,5 x 10^48) partidas possíveis, a maioria das quais chegariam a ter 1.6×10^49 movimentos!” Para se ter uma idéia do que isso representa, ainda segundo a Wikipédia, “os físicos estimam que não há mais do que 10^90 prótons no universo inteiro visível”. É esperar para ver...

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Ladrões em bicicleta: o neo-realismo carioca

Quando soube da morte de Ana Cristina Vasconcellos Giannini Johannpeter em uma tentativa de assalto feita por menores (ou não) em pleno Leblon, bairro nobre do Rio de Janeiro, fiz associação imediata com famoso filme de Vitorio de Sica. Os ladrões cariocas praticaram o crime montados em bicicletas e a assciação que fiz foi com o filme "Ladrões de Bicicletas", clássico do neo-realismo italiano. Hoje li no jornal O Globo que a polícia chegou aos ladrões, moradores da Cruzada São Sebastião, com um estilo surreal: a comunidade, um enclave "pobre" dentro do Leblon, tem uma rede clandestina de TV a cabo e os policiais cortaram esse sinal clandestino. Os moradores da comunidade, irritados e desesperados com a falta do sinal, indicaram imediatamente o esconderijo dos criminosos, que foram presos. Certamente o sinal já deve ter sido restabelecido e, com isso, foi lançado o neo-surrealismo carioca...

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

A Bolsa (Família) ou a vida!

O que os senadores da oposição fizeram esta semana no Senado foi um atentado ao bom senso, um assalto às boas intenções do povo brasileiro. Passaram a campanha eleitoral inteira criticando Lula por causa do Bolsa Família. Ou porque eram contra ou porque pretendiam se dizer autores da idéia. Passadas as eleições, na primeira oportunidade, eles inventaram um 13º “salário” para os beneficiados pelo Bolsa-Família!!!! “É uma medida inconstitucional, demagógica e irresponsável”, concluiu reportagem do Globo de hoje, a partir de depoimentos de vários cientistas políticos. Um deles chegou a dizer que a medida “indica a indigência cognitiva da oposição”. No afã de procurar dificultar o Governo Lula, a oposição pratica mais uma de suas barbaridades e acaba violentando as normas mínimas de civilidade. Ainda bem que desta vez nem a mídia está a seu favor.

Comércio de drogas nas favelas do Rio está virando uma droga

A coluna do Ancelmo de hoje, no jornal Observatório de Favelas do Rio de Janeiro, na Favela da Maré. Trata-se da queda de renda no comércio de droga nas favelas, de acordo com estudo realizado de junho de 2004 e abril de 2006, entre jovens de 11 e 24 anos que trabalham para o crime. Os salários dos vendedores de droga (“vapores”) caíram de 10 a 25 salários mínimos entre 2001 e 2002 para 1 a 3 s.m. entre 2004 e 2006. Motivos: concorrência das drogas sintéticas; medo da classe média de entrar nas favelas; aumento da venda pela Internet; maior violência da polícia. Outro dado terrível: durante o período da pesquisa, morreram 45 dos 230 jovens entrevistados. De acordo com o site do Observatório de Favelas, “a pesquisa visa a proposição de ações específicas voltadas para a prevenção e criação de alternativas ao trabalho no tráfico e à diminuição da violência letal entre adolescentes e jovens. Além da apresentação dos resultados, será realizada reunião com as autoridades presentes para discussão de caminhos possíveis para a redução da violência letal no Rio de Janeiro e no Brasil". Hoje, 9:30h. Local: Observatório de Favelas Rua Teixeira Ribeiro, 535 – Maré – Rio de Janeiro Próximo à passarela 9 da Av. Brasil - sentido São Paulo Informações: 55 21 3104-4057 / 3888-3220

Val Carvalho: ou o PT do se une ou desaparece como partido

O PT, todos nós sabemos, tem a péssima mania herdada de organizações clandestinas de esquerda de viver se dividindo. Essas divisões indefinidas acabam se transformando em verdadeiro câncer político. Lembra até aquele filme do Monty Phyton, “A Vida de Brian”, onde havia inúmeras “organizações” de uma ou duas pessoas. E no Rio de Janeiro o PT consegue ser pior do que a média nacional. Agora mesmo temos exemplo. Quando finalmente tornou-se possível uma governo estadual amplo de forças progressistas, com importante participação do PT, começaram as brigas internas, na disputa sobre como será essa participação. Diante da situação e em função da próxima reunião do diretório regional, o petista Val Carvalho, um dos bons pensadores do partido, escreveu bom documento de alerta. Reproduzo-o na integra:
NOTA DE CONJUNTURA (1)
VAL CARVALHO
RIO - 21/11/2006
Depois de um ano e meio de intensa e implacável ofensiva das forças da direita e da grande mídia, a reeleição de Lula, com mais de 60% dos votos válidos, representa, ao mesmo tempo, a consolidação e a possibilidade de avanço do Projeto Nacional Popular e Democrático, apenas esboçado no primeiro mandato. Os focos mais fortes da resistência conservadora se restringem basicamente às maiorias das bancadas do PSDB e do PFL no Congresso e à maioria da grande mídia. Nos estados, a oposição conservadora é mais forte em São Paulo e, em função de seus interesses específicos, tende a se diluir em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Alagoas, Paraíba, Goiás, Distrito Federal, Roraima e Rondônia. Os governadores de oposição, de um modo geral, não ficarão sistematicamente contra o governo federal, até porque Lula não poderá mais se candidatar à reeleição. A mudança do modelo econômico rentista, implantado por FHC, para o modelo industrial agrário, gerador de emprego e distribuidor de renda, foi conduzido por Lula, no seu primeiro mandato, não por meio de rupturas, como imaginava o PT, mas de forma gradualista, com avanços e recuos e sob o intenso bombardeio das elites e da mídia. É esse caminho gradualista que continuará sendo a característica do seu segundo mandato. Talvez com um pouco mais ou um pouco menos de gradualismo, dependendo da capacidade de pressão política das esquerdas e dos movimentos sociais. Para a prática política, o mais importante é saber que a direção predominante, resultante dos conflitos com as forças conservadoras e das contradições internas do segundo governo Lula, vai se dar no sentido da consolidação e avanço do modelo econômico produtivo, de caráter nacional, popular e democrático. A situação política nacional favorece, portanto, às forças de esquerda, mas somente se estas forem capazes de compreender três questões essenciais do momento: 1ª) Lula representa o projeto de desenvolvimento nacional defendido pelo conjunto das forças de centro-esquerda e não apenas do PT; 2ª) para ser sólido este projeto tem de se apoiar num governo de coalizão, cuja coluna vertebral é a aliança estratégica PT-PMDB, os dois maiores partidos do Congresso e que elegeram onze governadores, bem mais do que elegeram o PSDB (6) e o PFL (1); 3ª) para ser a força motriz do projeto de centro-esquerda, as esquerdas têm de estar unidas em torno dos seus interesses vitais e articuladas com os movimentos sociais. Este ponto é especialmente importante para o PT, principal partido da coalizão, mas com forte tradição divisionista. Foi a divisão da bancada petista na Câmara, em 2005, que permitiu à oposição eleger Severino Cavalcanti e criar as CPIs dos Correios e dos Bingos, que foram utilizadas pela direita e pela grande mídia como bases da campanha udenista contra Lula e o PT. Nos estados do Nordeste, Norte, Centro-Oeste e no Rio de Janeiro, Espírito Santo e Paraná, onde Lula ganhou as eleições, os petistas têm a responsabilidade de defender a consolidação e avanço do Projeto Nacional, incorporando todas essas regiões ao desenvolvimento nacional, até recentemente muito concentrado em São Paulo. Os governos da Bahia e do Rio de Janeiro têm papéis particularmente importantes. O primeiro como símbolo da derrota da oligarquia rural reacionária e indutor do desenvolvimento do novo nordeste. O segundo, pelo seu peso nacional, que por isso pode-se contrapor ao conservadorismo de São Paulo e atenuar as pressões de Minas Gerais contra o governo federal. O PT do Rio de Janeiro está diante da oportunidade de assumir um papel protagonista no estado, atuando com estratégia política nas prefeituras que comanda, na Alerj e no Governo estadual, no sentido de ajudar a promover o desenvolvimento econômico do estado e a recuperar a sua importância política no cenário nacional. Mais do que São Paulo, o Rio de Janeiro teve, historicamente, o papel de liderança no desenvolvimentismo brasileiro. Enfraquecido com a mudança da capital federal para Brasília, com os vinte anos de ditadura militar e com uma fusão mais política do que econômica, o Rio de Janeiro se isola politicamente e, durante o governo FHC, perde terreno econômico, sobretudo com a destruição da indústria naval e as privatizações. O primeiro governo Lula recupera a indústria naval, decide implantar o pólo petroquímico, mas não se empenha de fato em soerguer o estado, em grande parte por conta das políticas mesquinhas do governo estadual e da prefeitura do Rio de Janeiro. As primeiras movimentações do governador eleito Sérgio Cabral já mostram diferenças de fundo. Apoiou Lula, faz parceria com o governo federal e estabeleceu o diálogo institucional com o prefeito César Maia. Convida o PT estadual para um governo de coalizão e quer manter novas relações com as prefeituras e a Alerj. Tudo isso interessa a Sérgio Cabral, mas, também ao projeto nacional do governo Lula e, portanto, ao PT. A construção da unidade partidária é um processo difícil, exige concessões das partes, mas é a exigência da conjuntura nacional e estadual. Se não nos unirmos vamos desaparecer como força política respeitada e indispensável. A unidade passa pela discussão do projeto estratégico para o estado e pela composição de interesses legítimos dos diferentes setores petistas. Porém, a unidade do partido é o que exige a base petista, a nova política do estado e o governo Lula. Não existe outro caminho para o PT no estado se não quiser virar uma legenda nanica."

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

O PT que Garotinho não quis

Em 98, Garotinho foi eleito Governador do Rio de Janeiro com uma aliança partidária espetacular: PDT (o partido dele, na época, junto com Brizola), PSB (candidato a Senador - eleito - da coligação), PCdoB, PCB e PT (que indicou Benedita da Silva como Vice). Parecia o melhor dos mundos. Juntava-se o povão de Brizola e Benedita (depois inteiramente abocanhado por Garotinho) com a classe média de esquerda do Rio de Janeiro. Tudo bom demais para ser verdade. Desde cedo, Garotinho identificou no PT e em Brizola os seus principais adversários - tanto para a condução do Governo, como para as eleições municipais de 2000, como também em função de seu projeto de candidatar-se a Presidente da República. O rompimento foi inevitável e rápido. Em 2000, Garotinho ainda fez de conta que apoiava Benedita para Prefeita do Rio - mas seu candidato de fato era Luiz Paulo Conde, que tinha rompido com o "padrinho" Cesar Maia. A entrada de Garotinho no PMDB (antes passou traumaticamente pelo PSB) foi a saída para viabilizar tanto a administração do Estado como para a nova candidatura presidencial. Deu tudo errado. E quem pagou por isso foi, como sempre, a população. Sergio Cabral parece que está fazendo, com algum sucesso, o contrário do que fez Garotinho. Não se aliou nem ao PT nem às outras legendas de esquerda no 1º turno, mas trocou apoios no 2º turno e venceu consolidando, com Lula, a influência junto ao povão e conquistando parte da classe média que Garotinho tinha perdido. A formação de sua equipe mostra esse contorno. E tudo leva a crer que o Rio Poderá ganhar com isso.

O governo que você aprovou – ou não...

A nova campanha de prestação de contas do Governo Rosinha Garotinho (PMDB) é bem inteligente. Tem como tema a frase “O governo que você aprovou”, procurando, com isso, pegar carona na eleição de Sérgio Cabral (também do PMDB). Ou seja: você votou em Sérgio Cabral, logo você aprova os Garotinhos. Poderia ser verdade, já que são do mesmo partido, tiveram quase os mesmos aliados, têm perfil eleitoral com algo em comum, subiram no mesmo palanque, etc. Pessoalmente, acredito que os dois jamais se confiaram mutuamente. E a realidade pós-eleitoral está mostrando que, pelo menos daqui pra frente, quem confia em um dificilmente votará também no outro. A formação da equipe do novo Governador e o Governo de Transição já estão escancarando as diferenças que eram tidas como certas a partir de 1º de janeiro. 2007 deverá ser palco de troca de acusações, disputa pelo domínio do partido, disputa pelos candidatos municipais de 2008 e até início de disputa pela eleição 2010. A população agora está em dúvida se aprovou ou não o governo atual. Parece pensamentio de Caetano. O tempo dirá – ou não...

IPTV: a vingança do telefone. Será?

As empresas telefônicas não engoliram muito bem os VoIPs - sistema de "voz a partir do protocolo internet" que as empresas de TV a cabo estão difundindo, prejudicando o sistema tradicional de telefonia. O contraataque das empresas de telefonia veio através do IPTV - "televisão a partir do protocolo internet". O IPTV transforma as correntes de vídeo em pacotes de dados, iguais aos dos tráfegos online, desde e-mails até downloads de músicas. Os pacotes de dados são enviados para decodificadores que permitem os aparelhos de TV funcionarem praticamente como TV a cabo. Segundo notícia divulgada pela Associated Press ("Europe telecoms eye Internet Protocol TV"), apesar de estar apenas engatinhando nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia, o IPTV já tem um grande número de assinantes. Até o fim do ano, calcula-se em 3,3 milhões de assinantes na Europa - contra 1 milhão no ano anterior. O número deve dobrar em 2007 e chegar a 17 milhões em 2010. Só a França já conta com 1,6 milhões de assinantes. Os usuários gostam mais da imagem via IPTV do que via TV a cabo, mas reclamam do controle remoto, que é lento. Problema que talvez seja superado brevemente. A Microsoft trabalha para que o seu Windows Media Player habilite os computadores a substituir os decodificadores - para novo desespero das companhias de telefonia...

Desde Maradona, os argentinos sempre usaram bem as mãos

Jenna e sua gêmea Barbara, a roubada / ABC News Os argentinos já tinham ficado famosos pelo gol de mão feito por Maradona contra a Inglaterra. E repetiram a dose. Dessa vez, a vítima foi a filha de Bush. Segundo a ABC News, nem ela nem seus seguranças (que provavelmente eram muitos, bem treinados e americanos) viram as mãos ágeis de um argentino que roubou a bolsa e o celular da Primeira Filha enquanto ela jantava em San Telmo, Buenos Aires. Aliás esses agentes secretos pareciam muito mané. Um deles já tinha levado uma surra, quando saiu sozinho para aproveitar a night porteña. Leia no site da ABC News.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Importante vitória da Oposição na OAB-RJ

A Oposição dos Advogados no Rio conseguiu a vitória que buscava há muitos anos: a conquista da da Presidência da Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro - OAB-RJ. Depois de tentativas frustradas, chegando a ter como certa a vitória de 2003, o advogado Wadih Damous venceu com uma bandeira mais progressista e, como ele mesmo escreveu, defendendo "resgatar a dignidade da categoria, devolver-lhe a importância social que um dia já encheu de orgulho os portadores da carteira vermelha da entidade. As prerrogativas precisam, novamente, ser respeitadas pelos poderes constituídos, abolindo o nepotismo. Deve-se fazer valer o preceito constitucional que elege o advogado como indispensável à administração da justiça. Um advogado cuja carreira bem sucedida virá de braços dados com sua consciência social e sua participação ativa nos problemas nacionais. Só assim a classe poderá elevar sua auto-estima".

Robert Altman

Por coincidência, hoje de manhã estava olhando a filmografia de Altman. Ainda não sabia que ele tinha morrido. Seu filme mais famoso, M.A.S.H, de 1970, lembro que disse quando vi: "Queria ter feito este filme!" Gosto também de Nashville. Mas o que mais me impressiona é o grande número de episódios para a TV que ele dirigiu, bem antes de M.A.S.H. Destaco Bonanza, Alfred Hitchcock, Maverick, Rota 66. Foram inúmeros. Bom diretor americano.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Abismo educacional entre “brancos” e “afro-americanos” e entre "pobres" e "ricos" mantém-se grande

Na campanha de 2000, Bush declarou que seu foco seria a educação. E um ano depois chegou a assinar uma lei radical determinando o ano de 2014 como limite para o abismo educacional que existe entre alunos da maioria branca e os alunos das minorias, principalmente afro-americanos e hispânicos. É a lei conhecida por “No Child Left Behind” (Nenhuma criança deixada pra trás), feita de comum acordo com os Democratas e que garantiria apoio a escolas pobres, com minorias étnicas. Mas elas estão cada vez com menos dinheiro, oferecendo menos cursos avançados e tendo professores mais fracos. Bush pretendia declarar “missão cumprida”, mas diante de meia dúzia de pesquisas provando o contrário foi aconselhado a mudar o discurso e disse apenas, de forma vaga, que o “abismo está diminuindo”. Na verdade os estudos mostram que os avanços são tímidos (apenas em algumas escolas e entre minorias asiáticas, que chegam a ter desempenho igual ou superior ao dos brancos) e o abismo permanece, complicado e persistente como sempre. Essa questão virou um desafio não apenas para Bush, mas também para os Democratas que já se mobilizam para cuidar do assunto na próxima legislatura. “Acabar com esse abismo é a essência do No Child Left Behind e deve continuar a ser nosso foco”, declarou o senador Democrata Edward Kennedy. Leia reportagem de Sam Dillion para o New York Times.

domingo, 19 de novembro de 2006

O não-populismo ou o Brasil que a mídia não viu

Tarso Genro, do PT, ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, escreve hoje na Folha, um artigo muito bom (“Mais além do populismo”, para assinantes), bem claro, didático, sobre dois temas sempre polêmicos. Fala sobre “populismo”, palavra que leva a mil conceitos e interpretações, e. de certo modo, sobre os “dois Brasis”, de que tanto se falou nessas eleições presidenciais. “Longe de uma ”conspiração", o apoio que a maior parte da imprensa deu ao candidato da assim chamada "elite paulista", na verdade, revelou o débil estágio de integração sociopolítica do país. E ainda um descolamento da parte mais avançada do capitalismo brasileiro do resto do Brasil. Descolamento político, de uma parte, porque o seu candidato não conseguiu, a partir de São Paulo, falar para o país. Descolamento econômico, de outra parte, porque a sua visão de mercado está mais balizada pelos consultores de risco das agências privadas do que orientada pela necessidade de expansão do mercado capitalista "clássico", produtor de bens de consumo de massas, no caso do Brasil, de educação, de comida e de roupa decente para todos”, escreve Tasso Genro, dando sentido à tomada de posição da grande mídia, e continua, mostrando porque a teses da oposição não deram certo: “A tese do "choque de gestão" não tem significado em dois terços do país, onde a máquina pública ainda não exerceu, para as grandes massas, as funções públicas mais elementares. A tese de que o governo Lula era "corrupto" se chocou com a realidade do combate frontal à corrupção pelo próprio governo. A tese da "incompetência" do presidente se esfarelou no cotidiano dos "de baixo", que melhoraram um pouco a sua vida, mas cuja melhora foi sentida numa escala sem precedentes, dentro da democracia”. Tarso Genro avança, dando precisão ao conceito de “populismo”: “É também um equívoco político e conceitual classificar a vitória de Lula como uma vitória do populismo. Não só porque os movimentos sociais não estão "enquadrados" pelo Estado ou pela figura pessoal do presidente mas também porque, em nenhum momento, a sua campanha mobilizou massas organizadas ou informes contra "os ricos". (...) E, ao contrário do que recomenda o populismo, Lula e o PT promoveram a incorporação dos "de baixo" na democracia para promover a integração social do país por meio de um grande mercado de massas. Um mercado no qual o consumo popular ascendente ajude a eliminar a exclusão e a miséria e permita que todos se sintam pertencentes a um projeto democrático de nação”. E conclui com o que podemos considerar uma direção viável e justa para o Brasil: “Agora, trata-se de criar condições para responder ao "déficit" de integração nacional que foi flagrado na maciça preferência que as regiões mais pobres do Brasil tiveram em relação à candidatura Lula, apesar da boa votação de Lula obtida no segundo turno nos Estados do Sul. As políticas de inclusão no consumo básico e na educação devem ser somadas a grandes políticas de desenvolvimento regional, promovidas pelo Estado como indutor e organizador do crescimento sustentável”.

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Coronel marca belo tento falando sobre o acidente da Gol

O Brasil inteiro continua querendo saber afinal que que aconteceu para provocar o acidente que derrubou o Boeing da Gol. As respostas finais ainda não existem e talvez demorem muito a surgir. Mas uma coisa é certa: está todo mundo mais tranqüilo depois de assistir a apresentação do relatório preliminar sobre as causas do acidente feita pelo Coronel Rufino Antonio da Silva Ferreira, presidente da comissão responsável. Ele se mostrou claro, calmo, firme e solícito. Demonstrou conhecimento, passou segurança. Até as famílias das vítimas demonstraram estar mais aliviadas.

Deixem o homem trabalhar!

Regina, a jornalista da sala ao lado, acabou de berrar: Chega!!! Ela não agüenta mais essa história de crescimento econômico a 5%, a 3,63%, a 4,01%...Chega! Também não agüenta mais esse negócio de que o PT é um partido horripilento, que está contra o Presidente, contra o PMDB, contra todos os aliados, contra São Paulo, contra o Nordeste, contra o povo... Chega! Também não agüenta mais a especulação ministerial, a especulação sobre quem será o presidente da Câmara, quem será o presidente do Senado... Chega! Chega, imprensinha, chega políticos derrotados! Em parte, Regina, a jornalista da sala ao lado que vive berrando sua indignação, tem razão. O Brasil precisa crescer, já - e em paz.

E os Transportes Aéreos?

Sérgio Cabral está acertando muito nos primeiros passos como Governador Eleito do Rio de Janeiro. Soube ocupar a mídia, transitou bem no terreno federal e está tendo aprovação em todas as indicações para os seus Secretários e auxiliares diretos. A única brincadeira que vi circular na internet foi com relação à indicação do Julio Lopes para Secretário Estadual de Transportes: diz o texto que ele deveria ser indicado Secretário dos Transportes Aéreos, porque ele entende muito de "avião" - Adriane Galisteu... Kitty...

Sérgio Cabral e Cesar Maia se entendem... pensando em 2008

São décadas de conflitos entre os governadores do Estado do Rio de Janeiro e os prefeitos da cidade do Rio de Janeiro. (Provavelmente, mais acirrados nos períodos de Garotinhos-Cesar Maia). E tudo levava a crer que seria ainda pior na relação entre Sérgio Cabral (Governador eleito) e Cesar Maia (Prefeito). Pura ilusão. Os dois são suficientemente hábeis para perceber que a população carioca não agüenta mais tanto conflito. A eleição de 2008 vem aí e o povo vai cobrar. Cesar Maia não pode se reeleger (Ufa! Já são 3 mandatos diretos e 1 indireto...), mas precisa ou fazer o sucessor ou sair deixando saudades, cacifando-se para vôos maiores. Sérgio Cabral também está pensando em um Prefeito do Rio do campo aliado. Mas foi na cidade do Rio que ele teve maior rejeição da classe média e onde chegou a perder no 1º turno. Sérgio Cabral também precisa, portanto, conquistar a classe média carioca. Com 2008 na cabeça, os dois resolveram se unir para agradar a cidade - coisa que o povo agradece. Difícil acreditar que essa lua de mel resista até as vésperas da eleição...

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Falta gás na relação entre Chile e Argentina

No dia 13 de julho escrevi aqui (Está faltando gás... no Chile) sobre o problema do gás que o Chile compra da Argentina, mas que, na verdade, acaba dependendo da Bolívia. Isso porque a Argentina, com produção limitada, compra gás da Bolívia para complementar o uso interno e também para cumprir contratos com Chile, Brasil e Uruguai. Se sobe o preço na Bolívia, a Argentina aumenta o preço do que vende, mantendo estável o preço interno. Agora a situação ficou pior para o Chile, que importa cerca de 15 milhões de metros cúbicos de gás da Argentina. Segundo o Plantão Globo (assinantes), a Argentina acaba de suspender “temporariamente” o abastecimento de gás natural. Tudo por causa de paralisação dos trabalhadores argentinos da província de Neuquén. Além de pagar mais, o Chile fica dependendo da solução para as greves da Argentina. Realmente, esse gás é muito explosivo.

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Torre para controladores: tá na hora de pousar

A Regina, jornalista da sala ao lado, berra: "Olha aqui, controladores, é bom parar! Chega, tá bom?!?