Não andava querendo falar sobre o bispo, dom Luiz Cappio, que fez greve de fome contra a chamada "transposição do São Francisco". Primeiro, porque confesso que ainda não entendi exatamente o que o bispo quer. Segundo, porque são tantas emoções envolvendo a celeuma que as razões acabam ficando em segundo plano. Recebi e-mails de amigos em defesa de dom Cappio, mas não me convenceram. Recebi um texto de Cesar Benjamin (ex-candidato a Vice-Presidente do PSOL) bastante interessante (apesar de carregado de emoção e de luta política) com a proposta de um milhão de cisternas, como alternativa à transposição do São Francisco. O argumento principal é de que, com a transposição, a água se evaporaria rapidamente e serviria basicamente à indústria da seca e ao hidronegócio, além de custar o dobro. Notei que o argumento de que o São Francisco ia acabar acabou. Mas gostei da proposta das cisternas - não como alternativa, mas para se somar à transposição, se isso é possível. Pronto, acabei falando do assunto, sem querer falar. Queria falar era sobre essa dualidade, essas duas "entidades" citadas por dom Cappio, o "Lula" e o "da Silva". Talvez ele pretenda contrapor o Luiz Inácio Lula da Silva "sonhador" que foi símbolo das lutas progressistas deste País e o Luiz Inácio Lula da Silva "realista" que ocupa a Presidência da República. Obviamente dom Cappio (um sonhador, parece) identifica-se com o "Lula" líder dos movimentos operários organizados do ABC paulista, admirado pelos movimentos das liberdades democráticas e venerado por toda a classe média progressista. Um nome importantíssimo nas conquistas sociais do Brasil. O "da Silva" a que se refere dom Cappio com razão é outro. Mas isso não quer dizer que "Lula" tenha morrido. Aquele "Lula" de pura emoção era importante para alavancar as lutas sociais. Agora ele chegou à idade da razão, à dura realidade de quem alcançou o poder de um país que ainda está bem longe de seus sonhos. "Lula" não morreu, mas nasceu o "da Silva". Mais perto do sentimento do povo, mais envolvido com a busca de soluções concretas, tendo que engolir sapos de todo tipo (até mesmo os sapos iguais a ele). Um não é melhor do que outro, fazem parte de um processo e devem ser vistos assim. Sinceramente, não vejo como ser muito diferente. Talvez possa melhorar um pouco aqui, avançar bastante acolá, mas na essência seria tudo igual. Precisamos de muitos e muitos "Lulas", mas não podemos abrir mão dos "da Silva" que nascerão em seguida. É melhor ter na Presidência um "Lula da Silva" do que um "Lula de Cappio".
Mostrando postagens com marcador Dom Luiz Cappio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dom Luiz Cappio. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
E nasce o da Silva...
Não andava querendo falar sobre o bispo, dom Luiz Cappio, que fez greve de fome contra a chamada "transposição do São Francisco". Primeiro, porque confesso que ainda não entendi exatamente o que o bispo quer. Segundo, porque são tantas emoções envolvendo a celeuma que as razões acabam ficando em segundo plano. Recebi e-mails de amigos em defesa de dom Cappio, mas não me convenceram. Recebi um texto de Cesar Benjamin (ex-candidato a Vice-Presidente do PSOL) bastante interessante (apesar de carregado de emoção e de luta política) com a proposta de um milhão de cisternas, como alternativa à transposição do São Francisco. O argumento principal é de que, com a transposição, a água se evaporaria rapidamente e serviria basicamente à indústria da seca e ao hidronegócio, além de custar o dobro. Notei que o argumento de que o São Francisco ia acabar acabou. Mas gostei da proposta das cisternas - não como alternativa, mas para se somar à transposição, se isso é possível. Pronto, acabei falando do assunto, sem querer falar. Queria falar era sobre essa dualidade, essas duas "entidades" citadas por dom Cappio, o "Lula" e o "da Silva". Talvez ele pretenda contrapor o Luiz Inácio Lula da Silva "sonhador" que foi símbolo das lutas progressistas deste País e o Luiz Inácio Lula da Silva "realista" que ocupa a Presidência da República. Obviamente dom Cappio (um sonhador, parece) identifica-se com o "Lula" líder dos movimentos operários organizados do ABC paulista, admirado pelos movimentos das liberdades democráticas e venerado por toda a classe média progressista. Um nome importantíssimo nas conquistas sociais do Brasil. O "da Silva" a que se refere dom Cappio com razão é outro. Mas isso não quer dizer que "Lula" tenha morrido. Aquele "Lula" de pura emoção era importante para alavancar as lutas sociais. Agora ele chegou à idade da razão, à dura realidade de quem alcançou o poder de um país que ainda está bem longe de seus sonhos. "Lula" não morreu, mas nasceu o "da Silva". Mais perto do sentimento do povo, mais envolvido com a busca de soluções concretas, tendo que engolir sapos de todo tipo (até mesmo os sapos iguais a ele). Um não é melhor do que outro, fazem parte de um processo e devem ser vistos assim. Sinceramente, não vejo como ser muito diferente. Talvez possa melhorar um pouco aqui, avançar bastante acolá, mas na essência seria tudo igual. Precisamos de muitos e muitos "Lulas", mas não podemos abrir mão dos "da Silva" que nascerão em seguida. É melhor ter na Presidência um "Lula da Silva" do que um "Lula de Cappio".
Marcadores:
Cesar Benjamin,
Dom Luiz Cappio,
Luiz Inácio Lula da Silva,
Lula,
transposição do rio São Francisco
Assinar:
Postagens (Atom)