sábado, 7 de outubro de 2006

Cesar Maia aprendeu a lição sobre debates

No seu Ex-Blog de hoje Cesar Maia dá várias lições a Alckmin sobre como participar de debates. Destaco um trecho:

(Lula)... como nervoso, ou falsamente calmo, e o que é mais grave: sua com facilidade. (...) Geraldo (Alckmin) deveria levar uma pergunta que ajudasse Lula a suar.

Em 98 escrevi observações sobre a participação de Cesar Maia em debates. Disse na época:
"Sob pressão, Cesar Maia (que suava muito e não encarava Garotinho)...
Será que Alckmin, assim como Cesar, terá capacidade de assimilação rápida?

Indignados úteis: Moralistas, desinformados, hipócritas

Resolvi copiar essa postagem de hoje do Blog do Mello que, por sua vez, reproduz trechos da coluna da Folha:
Trechos do artigo "Toma, que o filho é teu", de Claudio Weber Abramo, publicado na Folha, e que merece ser lido na íntegra no blog do autor. Abramo traça um perfil irretocável daqueles que costumo chamar aqui de "indignados úteis": O fato de a maioria do eleitorado acreditar (certa ou erradamente, não importa) que o presidente Lula tenha tido conhecimento prévio dos malfeitos praticados por altos dirigentes de seu partido e, mesmo assim, ter-lhe dedicado quase 50% dos votos é visto por determinados observadores como o fim dos tempos. (...)Trata-se, tudo isso, de moralismo temperado de desinformação, não sem grandes doses de hipocrisia. Querem esses comentaristas impingir a noção de que julgamentos de natureza moral teriam precedência sobre quaisquer outras circunstâncias nas decisões materiais, como é a do voto. Mas o que entra em jogo nas decisões materiais são sobretudo considerações de natureza material. Para os 70% de eleitores de Pernambuco ou da Bahia que votaram em Lula, o que conta é que os R$ 60 (em média) do Bolsa Família fazem diferença concreta em suas vidas. Os números mostram isso objetivamente. O nível de consumo subiu nessas populações. (...)O trágico é que esses Torquemadas chorosos não têm noção do fato de que a vida desses miseráveis muda, sim, radicalmente por causa de miseráveis R$ 60 por mês. Nunca foi tão verdadeira a máxima de que a pior colonização se dá na cabeça. No caso, é uma colonização de classe social. Para eles, a miserabilidade brasileira é uma abstração, reduzida a índices que lêem aqui ou ali. Comportam-se como freqüentadores de shopping center, convictos de que no Brasil só é pobre quem quer.São também hipócritas, pois, sem sombra de dúvida, em suas trajetórias profissionais terá havido ocasião de terem relegado a segundo plano algum julgamento moral que formaram a respeito de subordinados, superiores hierárquicos ou patrões.(...)

A CHARGE DO DIA É DO AROEIRA

Denise Frossard está certa ao evitar o debate

Não poderia haver início de 2º turno pior do que esse que Denise Frossard está tendo. A candidata ao Governo do Rio (PPS-PFL-PV) está conseguindo um cenário ainda pior do que o de Alckmin. Logo depois da festa pela conquista do segundo lugar no dia 1º-out, veio a desastrada aliança de Alckmin com o arqui-rival Garotinho, veio o apoio de Crivella ao adversário Sérgio Cabral, veio o vai-vem do apoio a Alckmin, veio a festa de Lula-Sérgio Cabral, veio de volta a história do seu assessor envolvido com escândalos e ainda veio a pesquisa Datafolha colocando Ségio Cabral com 61% dos votos válidos. Ninguém quer iniciar uma luta completamente amarrada às cordas do ringue, como Denise está agora. Principalmente depois de ter demonstrado que é fraca nos debates. Se Denise aparecer para debater nesta segunda-feira, poderá ser nocauteada já no 1º round. Ela prefere fugir agora e preservar algo para 2008. A juíza mostrou que ainda tem algum juízo.

Primeira pesquisa Datafolha favorece muito mais ao Lula

Acompanhe no gráfico (clique para ampliar). Se compararmos somente os votos para Lula e Alckmin no dia 1º de outubro, podemos notar que Lula venceu Alckmin por 7,72%, o que correspondeu a 6.693.355 votos de diferença. Na pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, Lula cresceu 0.14% e Alckmin caiu 0,14%. Parece pouco, mas é muito, porque significa que os votos dos outros candidatos distribuiram-se quase na mesma proporção, com pequena vantagem para Lula. Considerando o mesmo total de votos válidos de 1º de outubro (95.995.034 votos), isso quer dizer que a diferença a favor de Lula passou para 7.679.602 votos. Ou seja, ele conquistou quase 1 milhão de votos a mais que Alckmin. Claro que existem as margens de erro, a indefinição sobre os Não-Votantes, etc. Mas isso é muito significativo, porque quer dizer que Alckmin não conseguiu avançar sobre os eleitores dos outros candidatos e ficou mais difícil ainda ele conseguir tirar qualquer voto do Lula, que tende a ficar cada vez mais consolidado. (Mais tarde, as comparações pelos números do Vox Populi)

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Sérgio Cabral dispara no Rio e aposto que Lula também crescerá

Com a ajuda das trapalhadas de Alckmin, Sérgio Cabral já está com 61% dos votos válidos. Aposto que a diferença a favor de Lula será entre 7,5 e 8,5 milhões de votos.

Além de fazer emenda na ética, a juíza Denise Frossard julga Alckmin incapaz de ser Presidente

Ética é o tipo da bandeira que vive ao sabor dos ventos, quando empunhada pela maioria dos políticos. A candidata ao Governo do Rio, a juíza e Deputada Federal Denise Frossard (PPS-PFL-PV), acaba de dar um exemplo disso. Abriu o maior berreiro, quando viu a foto do seu aliado Alckmin com Garotinho (seu arqui-rival no cenário carioca). Ela conduzia (ou melhor, Cesar Maia conduzia...) sua campanha com a bandeira da ética lacerdista e Garotinho (mais próximo de um getulismo) significaria o oposto disso. Todo mundo sabe, Denise retirou apoio a Alckmin, declarou voto nulo e até proibiu o uso da sua imagem na campanha presidencial. Teve jornalista que até escreveu que ela tinha crescido alguns centímetros na estatura. Mas o estrago da campanha já estava feito e só tendia a piorar. Tratou-se então de colocar panos quentes. Alckmin disse que não foi bem assim, que apenas recebeu apoio de Garotinho (embora Garotinho diga exatamente o contrário). O PSDB, que estava quase que oficialmente apoiando Sérgio Cabral (PMDB), voltou atrás para fazer de conta que apóia Denise. E a própria Denise refez suas palavras, dando um jeitinho na sua "rígida" bandeira ética. Tentando perdoar Alckmin, acabou tratando-o como um paulista incompetente para cuidar de política. Ao chamá-lo de “ingênuo de Pindamonhangaba” na verdade disse que não se pode esperar do paulista Alckmin qualquer sinal de sabedoria, perspicácia ou discernimento nas decisões. Se Alckmin não é capaz de entender a política que se faz fora do paralelogramo paulista, para que tentar ser Presidente da República? Talvez alguém precise lhe dizer que o São Francisco é bem maior que o Ipiranga...

Desde quando que é a fotografia que faz mal à ética?

Essas eleições 2006 estão reduzindo a ética a uma questão meramente fotográfica. Tudo começou com as imagens das CPIs. Político bom era aquele que aparecia bem na fita (mesmo que antes tivesse se enrolado com outras fitas, como é o caso de ACM...). Depois passou para as editorias dos jornais, que publicavam as fotos e diagramavam seus jornais de acordo com suas conveniências "éticas". Surgiram em seguida a "foto" dos dólares na cueca. Tivemos a renhida batalha de arapongas em busca de imagens do Dossiê Serra. Terminamos o 1º turno com as estripulias de um Delegado Federal distribuindo furtivamente as fotos dos dólares que pagariam o Dossiê Serra. E começamos o 2º turno com a dupla Cesar Maia-Denise Frossard declarando que Alckmin poderia, sim, ter se aliado a Garotinho, desde que não tivesse aparecido junto na foto. (Mostrando que aprendeu aprendeu a lição, Alckmin deixou de aparecer ao lado de Roberto Jefferson, Cassol e outros aliados menos "fotogênicos"...). Definitivamente, a ética está se limitando à ótica...

Atenção, evangélicos, Alckmin continua usando no pulso direito a pulseira "proibida"

O Globo

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Cesar Maia procura se aproveitar da crise

O PSDB do Rio estava caminhando para os braços de Sérgio Cabral, com apoio total de Eduardo Paes e Zito e certamente com a bênção de Marcelo Alencar. Com a pauslistanada de Alckmin, posando ao lado de Garotinho sem consultar Cesar Maia, os tucanos fluminenses interromperam o movimento. Cesar Maia jogou pesado, pensando em 2008 e em desmontar a estratégia tucana local. Para voltar a pensar em apoiar Alckmin no Rio, ele fará muitas exigências. A principal será o apoio tucano irrestrito a Denise Frossard. Seja como for, o discurso ético já terá ido pro espaço.

Com a marca não se brinca

Certa vez criei um anúncio institucional para a Petróleo Ipiranga onde raptei a letra “i” de todo o texto (ainda não conhecia o conto “O Rapto do O”). Como o nome Ipiranga tem dois “is”, a logomarca ficou escrita assim: “ p ranga”. O atendimento da agência (MPM) teve longa discussão comigo, não queria levar o anúncio, porque, como ele repetia, “com a marca do cliente não se brinca”. Ele estava errado e estava certo. Errado, porque eu não estava brincando – estava, isso sim, valorizando a marca que, até hoje, é uma grande letra “i”. (Ele acabou reconhecendo, o anúncio foi aprovado, veiculado e, se não me engano, premiado) E estava certo, “com a marca não se brinca”. Essa é uma lei fundamental do marketing. Que nossos marketeiros políticos teimam em não acatar. Já falei sobre o erro do PT em não saber proteger a bandeira da ética que durante tantos anos o partido carregou. É claro que é difícil, quando se chega ao poder de um país como esse, completamente desestruturado, eticamente falando. Mas deveria haver um mínimo de cuidado e as urnas mostraram isso. Agora foi a vez de Alckmin cometer o mesmo erro ao posar ao lado de Garotinho. Com um agravante: ele não tem outra bandeira para o 2º turno. Jamais acusaria Garotinho de corrupto. Mas ele acabou permitindo ser associado a essa marca, perdendo a força da imagem de “pai dos pobres”, “homem de família”, "família simples do interior”, “religioso”. O fato de Alckmin ter caído nessa esparrela só tem uma explicação: o “paulicentrismo” de que fala Cesar Maia hoje no excelente texto do seu Ex-Blog. Quero acrescentar, concordando também com Ciro Gomes, que foi esse “paulicentrismo” que prejudicou o governo petista – que só se salvou por conta da figura do Lula e seu “Grito do São Francisco”.
Trechos do Ex-Blog de Cesar Maia: "Como reagiria Geraldo (Alckmin, para quem não sabe...) se Maluf resolvesse lhe prestar apoio? O receberia em S. Paulo com pompas e circunstâncias? Afinal, na lógica do vale tudo pelo voto, deveria fazê-lo exatamente como o fez com Garotinho. Mas aí entra uma questão que a cada dia se torna mais grave: o paulicentrismo. É como se a federação brasileira fosse uma carga para SP, e que nos demais Estados valesse tudo, mas não em SP. (...) Parafraseando uma máxima de antigo presidente dos EUA: -SP não tem amigos, mas interesses. É essa a arrogância que passa. A taxa de identificação do eleitor do nordeste com Lula, numa proporção nunca vista em eleições brasileiras abertas, indica que há uma reação ao paulicentrismo, mais que um voto dos pobres. (...) O voto vencedor é virótico. Nesse sentido o entusiasmo do eleitor depende de sua convicção de que aposta no melhor. Votar simplesmente é uma decisão estática. O fundamental é votar e pedir votos,... multiplicar. A busca aética de votos agrega uns tantos e estes ficam por aí mesmo. E, ao se igualar nos métodos aos adversários, tira argumentos e entusiasmo dos que o apóiam."

Enquanto isso, no viveiro tucano...

Tucanada, Jornal O Dia

O JORNAL DO BRASIL FEZ A CAPA DO DIA

O DIA FEZ A CAPA DO RIO

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

O governo Bush está construindo dois muros que envergonham o mundo

Ninguém tem boas recordações do Muro de Berlim, por mais que o mundo comunista pudesse apresentar belas justificativas de proteção contra a espionagem ocidental. E com certeza ninguém (pelo menos fora dos Estados Unidos) verá com bons olhos o muro busheano que vai separar o “sonho” americano do “pesadelo” mexicano. A gigantesca separação entre os territórios americanos e mexicano, para conter a imigração ilegal, vai custar “US$ 6 bilhões (R$ 12,9 bilhões), embora o senador democrata Harry Reid, da oposição, fale em US$ 8 bilhões (R$ 17,2 bilhões)”. O presidente mexicano, Vicente Fox, tradicional aliado dos Estados Unidos, disse que a barreira danificará as relações entre os dois países e que “o projeto é uma vergonha e o comparou ao Muro de Berlim”. O congressista democrata Ed Markey, membro do Comitê de Segurança Interna, afirmou que “a lei não aumentará a segurança contra a entrada de imigrantes ilegais que cheguem de avião”. E disse também que o governo deveria se preocupar mais com aumentar a segurança das usinas químicas do país, que ele diz terem pouca segurança contra um ataque terrorista. “Algumas boates de Nova York são mais difíceis de entrar do que nossas usinas químicas”, concluiu. (Leia mais na BBC) O outro muro da vergonha é mais sutil. Trata-se do software que está sendo desenvolvido pelo governo Bush para monitorar as opiniões negativas sobre os Estados Unidos ou seus líderes em jornais e outras publicações internacionais. A idéia é identificar “ameaças potenciais à nação”. Eles pretendem testar o sistema em centenas de artigos publicados em 2001 e 2002 com temas como “eixo do mal”, os detentos de Guatânamo, o aquecimento global e a tentativa de golpe contra Hugo Chávez. Lucy Dalglish, diretora executiva do Comitê pela Liberdade de Imprensa, repudiou o projeto e classificou-o de orwelliano. Curiosamente, o representante da agência de notícias russa Itar-Tass, Andrei Sitov, disse esperar que isso não vá muito além. Declarou ele: “O que faz seu país grande é a sociedade aberta, onde o povo pode criticar o seu próprio governo”. E pensar que até duas décadas atrás essa vergonha se encontrava do lado de lá do muro deles... (Leia mais no The New York Times)

Grande imprensa: pau no Lula!

Gráfico do Observatório Brasileiro de Mídia O Observatório Brasileiro de Mídia volta a divulgar o acompanhamento do tratamento dos candidatos à Presidência pela imprensa. Pesquisou, de 6 de julho até 29 de setembro os jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Correio Braziliense, Jornal do Brasil e O Globo, e as revistas Veja, IstoÉ, Época e Carta Capital. No gráfico acima, não precisa nem falar, vermelho é notícia negativa e azul é positiva. Os dois primeiros são de Alckmin e Lula. Precisa falar mais? Clique no gráfico para ver melhor. Acesse Observatório Brasileiro de Mídia.

Garotinho apóia Lula

Eu estava preparando esta notícia quando ouvi pela CBN que a candidata ao Governo do Rio, Denise Frossard (PPS-PFL-PV), que vai disputar o 2º turno com Sérgio Cabral, do PMDB, retirou o apoio a Geraldo Alckmin e proibiu-o de utilizar sua imagem na campanha. Isso apenas confirma a dúvida que postei ontem ("Quem Garotinho apóia de verdade?") e o título de hoje que eu já tinha feito. A entrada de Garotinho na campanha pró-Alckmin tem várias ramificações. Primeiro, coloca Garotinho de volta ao centro das discussões políticas, coisa que ele perseguia desesperadamente, nervoso por ter que agir na sombra. Segundo, mela os planos de Cesar Maia que, durante quase duas décadas, perseguia a diferenciação Getulismo X Lacerdismo. Tendo optado por ser lacerdista, combatia, para o grande público, tudo que pudesse significar getulismo (ou populismo, como ele prefere dizer). Entrou nessas eleições defendendo com radicalidade os valores lacerdistas (o que não impediu que ele trocasse, de última hora, o apoio que dava a seu aliado Sirkis pelo apoio ao "getulista" Dornelles na disputa para o Senado do Rio). Cesar Maia sabia que seria muito difícil ganhar o Governo do Rio, mas estava se preparando para conservar a Prefeitura em 2008, aproveitando-se também do chamado discurso ético-lacerdista de Alckmin. Com a entrada de Garotinho no apoio a Alckmin, getulismo e lacerdismo viraram farinha do mesmo saco. Cesar Maia perde com isso. E Alckmin também. Que dificilmente conquistará mais votos no Rio e menos ainda no resto do Brasil com o apoio de Garotinho. O caos na oposição do Rio serve em primeiro lugar a Sérgio Cabral e também a Lula. Seriam esses os objetivos de Garotinho?
Nota das 10:58h. Acabo de ler o Ex-Blog de Cesar Maia e reproduzo trechos: "Esse Ex-Blog desafia a candidatura de Alckmin a aparecer no calçadão de Copacabana no domingo, ao lado do Garotinho. Recomenda-se capacete de aço. (...) Acabou a força do discurso ético da candidatura de Alckmin na cidade do Rio de Janeiro. O eleitor vai dizer assim: -Como diz o Lula, são todos iguais. (...) O PFL desafia os políticos do PSDB da Capital a participarem de reuniões e comícios com Garotinho (com Alckmin), e tirarem fotografia ao lado deles para sair nos jornais. (...) Foi o Beijo da Morte. Um abração do Garotinho: abraço de afogado!"
Nota das 11:54h. Vale a pena reproduzir trechos do depoimento de Denise Frossard: "O Alckmin não gosta do Rio, definitivamente. Constatei isso ontem. Retiro o meu apoio a ele, que agora não está mais autorizado a usar a minha imagem. (...) Citando trechos sobre acordos políticos do livro “A Ação Conforme a Pregação”, de Mario Covas, que critica Fernando Henrique Cardoso por ter buscado apoio de Maluf, disse que Covas estaria se remoendo no túmulo diante do que se viu ontem. (...) Ele (Alckmin) gosta é de Pindamonhangaba".

terça-feira, 3 de outubro de 2006

A dança das pesquisas na disputa pelo Senado do Rio

Já falei aqui sobre a disputa acirrada pelo Senado no Rio de Janeiro, polarizada entre Jandira Feghali (PCdoB) e Dornelles (PP). Dornelles acabou vencendo, contra a previsão de todos os institutos, atribuindo-se isso, como o próprio Cesar Maia já disse, a certo corpo mole feito por setores do PT do Rio, à crise com a igreja católica por causa da questão do aborto (defendido por Jandira) e à entrada do PFL (traindo o candidato da própria aliança, Sirkis) a favor de Dornelles nos ultimos dias. Gostaria de acrescentar a baixaria eleitoral dos últimos dias, com mensagens telefônicas e panfletos apócrifos violentíssimos contra Jandira. Foi um dos níveis mais baixos dessa eleição, tirando uma vitória certa de Jandira. É verdade que Dornelles deveria ter mais votos do que a maioria dos institutos estavam captando, mas no final era evidente a vitória da candidata de esquerda. Ao longo da campanha, apenas um instituto, o Informa, mostrou o tempo todo Dornelles à frente. Talvez porque ele sempre tenha trabalhado com um número maior de entrevistas (nunca menos de 2.000 entrevistas, chegando a fazer, no primeiro estudo, 16.000 entrevistas), talvez por maior experiência no Interior, onde Dornelles sempre foi mais forte. De qualquer modo, o número de Nâo-Votantes (Brancos + Nulos + Indecisos) era muito alto, não permitindo certeza a ninguém. O curioso é que 4 ou 5 dias antes da eleição, na sua última pesquisa, o Informa captou a vitória de Jandira, igualando-se a todos os outros institutos. E acabou sendo atropelado pelos 3 últimos dias de baixaria e pelo apoio do PFL a Dornelles. Foi uma eleição de definição em cima da hora, destruindo todas as previsões.

A bola de cristal de Cesar Maia não funciona

No dia 25 de maio, o Ex-Blog de Cesar Maia proclamou:
O PFL FEZ 84 (DEPUTADOS) EM 2002, SEM CANDIDATO E COM TODAS AS DIVISÕES, AGORA CERTAMENTE FARÁ A MAIOR BANCADA E FARÁ A PRESIDÊNCIA DA CÂMARA! QUEM...VIVER....VERÁ! A diferença entre eleição e bancada atual é o fator mensalão.
Cesar Maia apresentava as previsões do DIAP, Arko Advice, David Fleischer e a sua própria. Compare na tabela acima as previsões com as urnas do dia 1º e veja como ele errou feio. O PT, em vez dos 60 previstos, teve 83. E o PFL, em vez dos fantásticos 102 deputados com presidência da Câmara, teve míseros 65. Quem... viveu... viu!

Quem Garotinho apóia de verdade?

montagem Garotinho, Alckmin e Denise, Google Garotinho está declarando apoio a Alckmin no 2º turno. Isso pode parecer uma decisão feita com o fígado, porque, afinal, Garotinho está com ódio mortal de Lula, Zé Dirceu e o PT em geral. Ódio maior do que ele sente por Cesar Maia, seu novo parceiro nessa empreitada eleitoral. Mas talvez exista algo de racional nisso tudo. Ele não poderia nem ficar neutro nem apoiar Lula, porque isso prejudicaria no 2º turno o candidato Sérgio Cabral do PMDB. Sérgio Cabral quer o apoio de Lula e ao mesmo tempo quer mostrar sua independência de Garotinho - principalmente junto à camada de classe média da Zona Sul e Zona Tijucana da cidade do Rio de Janeiro, onde perdeu muito votos para a lacerdista Denise Frossard. Interessa muito a Sérgio Cabral ver Garotinho ligado a seus adversários. Um palanque com Alckmin, Cesar Maia, Denise Frossard e Garotinho não vai sensibilizar o povão, mas vai ser um delírio para a Zona Sul carioca. Isso significa votos certos para Sérgio Cabral e Lula.

"Concreta 56 - A Raiz da Forma"

Em homenagem à "Concreta 56 - A Raiz da Forma", a exposição do MAM-SP que está reunindo artistas e poetas que participaram de exposição histórica em 1956, publico diariamente um poema concreto. Hoje, publico na barra ao lado um poema de e.e.cummings, poeta americano muito festejado pela poesia concreta brasiieira. O poema tem, de um lado, tradução de Augusto de Campos e, do outro, tradução que fiz.

Alianças – que sejam eternas enquanto durem

O xadrez das alianças será o principal item deste 2º turno. Algumas serão feitas naturalmente, outras depois de muito esforço e outras serão – ou parecerão ser – surpreendentes. Heloísa Helena, por exemplo, alia-se naturalmente a Alckmin. Mas o PSOL é inteiramente Lula. O mesmo acontece com Cristovam (Alckmin) e o PDT (Lula). Isso acontece porque esses dois candidatos derrotados tiveram boa votação entre eleitores com perfil diferente do eleitor tradicional de seus partidos. A classe média conservadora que encheu os dois de votos não se identifica com as propostas de esquerda do PSOL nem com o brizolismo do PDT. Nessa disputa, Lula deverá herdar a maioria dos votos do PSOL (na reta final, Heloísa perdeu muitos votos com perfil alckmista) e Alckmin deverá herdar a maioria dos votos de Cristovam (que parece ter crescido além dos limites eleitorais do PDT; há também a questão do Maranhão, onde o pedetista Jackson Lago disputa 2º turno com Roseane (PFLdoS), e do Paraná, onde Osmar Dias disputa com o aliado lulista Requião). O PMDB vai se dividir, como sempre. No Rio, o PMDB fará uma aliança natural com Lula. Sérgio Cabral estará disputando o 2º turno diretamente com Denise Frossard, a candidata de Cesar Maia, de Alckmin e do lacerdismo em geral. O perfil do eleitor de Sérgio Cabral é mais próximo do de Lula e também do de Marcelo Crivella (o 3º colocado). Sérgio Cabral pode tentar ainda, através (ou apesar) dessa aliança, tentar conquistar votos da classe média progressista carioca – tradicionalmente anti-Garotinho. E o mais curioso é que Sérgio Cabral deverá ter apoio do PSDB de Alckmin, que teve como candidato Eduardo Paes, rival de Cesar Maia-Denise Frossard. Aliás, o vitorioso Zito (ex-Prefeito tucano de Duque de Caxias), apesar de aparecer no programa de Eduardo Paes, deu seu apoio a Sérgio Cabral já no 1º turno. Outro apoio importante na disputa presidencial é o peemedebista Germano Rigotto, derrotado no Rio Grande do Sul por tucanos e petistas. Por enquanto, deprimido, ele se mantém silencioso e neutro. Dificuldades para Lula em Santa Catarina, onde o peemedebista Luiz Henrique disputará com Espiridião Amin (PP), mais difícil de ser assimilado pelo eleitor petista. Alianças políticas são assim, acontecem e desacontecem entre parceiros pensáveis e impensáveis. Podem durar, ou não. Podem ser fiéis, ou não. Depende do que cada “pretendente” oferece como “dote”.

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Não adianta chorar, errou tem que pagar

Os erros foram inúmeros. Um governo excelente, o melhor dos que tenho conhecimento, comprometido com investimentos sociais, hábil na política econômica, com grande apoio popular e reconhecimento internacional não poderia permitir erros tão grosseiros. Além da imprecisão na identificação das áreas conservadoras de resistência, acabou dando condições para que ela se fortalecesse ainda mais, com o poderoso apoio da mídia. A bandeira ética sempre foi bandeira petista. Mas era uma falsa bandeira. Não que o PT fosse antiético, mas porque não era o principal, o PT não era udenista-lacerdista. O objetivo petista era um governo democrático e popular onde as desigualdades fossem reduzidas substancialmente. A bandeira ética era usada nos grandes centros para agradar a classe média conservadora. Era uma bandeira que estava sempre à mão, porque os detentores do poder, desde sempre, não davam a mínima para a ética na política. Lembro inclusive que o slogan usado nacionalmente pelo PT em 92, aproveitando-se da tragédia Collor, era “Honestidade tem cara”. (Na época, fui chamado para fazer a campanha de Bittar – o Vereador mais votado do Brasil – e Benedita – campanha vitoriosa para Prefeita, apesar de não ter sido eleita – e fui contra usar esse slogan). Era o conceito que azeitava a entrada do PT nos grandes centros, servia de apoio para a conquista de fatias expressivas de “formadores de opinião”. Ao chegar ao poder, o PT esqueceu os próprios acertos. É verdade que é praticamente impossível governar e ao mesmo tempo ser ético em um país totalmente desestruturado, amarrado a uma máquina política antiética na essência, com um Congresso lastimável. É surpreendente, até, que o governo Lula tenha conseguido tantas conquistas sociais tendo que lidar com esse Congresso. Mas o PT tinha por obrigação conhecer “de cor e salteado” o efeito corrosivo da bandeira ética nos grandes centros. Não precisava, para exemplificar, ter um “serviço de espionagem”. A grande vitória, principalmente no campo ético, seria um “serviço de contra-espionagem” eficiente. O resultado está aí. Um governo de grandes conquistas sociais sendo rotulado pejorativamente de “populista”. E um partido que jamais lutou para se locupletar sendo minado pela imagem de “antiético” ou, pior, “bando de ladrões”. Esse erro brutal na construção da imagem pós-conquista do poder está custando muito caro ao PT. Mais ainda ao povo mais sofrido.

Erros e acertos

Esse Blog foi de grande precisão na previsão dos votos válidos para Presidente. Duvido que alguém tenha chegado tão perto. Mas teve alguns erros na previsão dos votos adversários, com os cálculos baseados nas pesquisas existentes e uma certa "torcida", que não pode haver nessas horas. Previ 8,33% dos votos válidos para Heloísa Helena, ela teve 6,85%. Previ 36,49% para Alckmin, ele teve 39,97%. Eu deveria ter lido mais o que eu próprio já tinha postado. O eleitorado que Heloísa Helena estava conquistando não poderia ser firme. Classe média conservadora e lacerdista que não combina com as propostas de esquerda do PSOL. Era natural que fizesse voto útil pró-Alckmin. Heloísa Helena acabou virando joguete dos tucanos. Também não avaliei corretamente a força da identificação entre o candidato chuchu e São Paulo. O acerto que me deu maior prazer foi prever a força do voto nordestino, desmantelando os argumentos terroristas de Lavareda e Cesar Maia. Tema que trato na postagem abaixo.

Nordestino prova a Lavareda e Cesar Maia que não é ignorante

Quando escrevi aqui, há exatamente um mês atrás, o texto "O sofisma de Lavareda", procurei demonstrar, contra Lavareda (que é nirdestino!) e Cesar Maia, que o nordestino não é o povo ignorante, que não sabe votar e que, portanto, tiraria a vitória de Lula no 1º turno, como eles alegavam. E eu estava certo. Eles argumentavam que o índice de "Não-Votantes" ("Abstenção + Brancos + Nulos") no Nordeste era maior do que na média nacional e que isso prejudicaria Lula. Pareciam estar cheios de razão. Em 2002, os "Não-Votantes" nordestinos foram 34,11% contra 26,29% da média nacional. Mas eu tinha dois bons argumentos contra isso. Primeiro havia o fato de eles não separarem "Eleitor Fantasma" de "Abstenção", o que atrapalhava a compreensão do que era realmente "Abstenção". Segundo porque eles não percebiam a diferença específica do eleitor nordestino, que este ano estava inteiramente engajado na candidatura Lula. Escrevi: "Hoje Lula é o candidato in pectore do povo nordestino. Se bobear, a sua queda (na relação "% de intenção" com "% de votos dos totais") no Nordeste será menor do que no resto do país". Acontceu exatamente o que falei. É fácil perceber a diferença comparando simplesmente os "Não-Votantes" de 2002 com os "Não-Votantes" de ontem:
Nordeste 2002: 34,11%; Nordeste 2006: 27,12%
Média nacional 2002: 26,29%; Média nacional 2006: 23,76%
O que ninguém contava - nem mesmo eles - era com a força conservadora da mídia e dos grandes centros do Sul-Sudeste, particularmente São Paulo. Seria o caso de dizer que paulista é que não sabe votar? (Nota acrescentada às 10:15h) Parece que é isso que Cesar Maia pretende dizer no Ex-Blog de hoje quando escreve:
CURIOSIDADES PAULISTAS! Os quatro deputados federais mais votados de SP, foram Maluf, Russomano, Clodovil e Enéas. Curiosamente!

domingo, 1 de outubro de 2006

Por que os "Outros" candidatos a Governador do Rio derrubaram os índices das pesquisas?

Os principais institutos de pesquisa atuando no Rio de Janeiro (Informa, Ibope e Datafolha) quase acertaram na mosca os resultados do Rio de Janeiro. Os três empataram na previsão de 46% de votos válidos para Sérgio Cabral. Mas ele teve 41,42%... A previsão de Denise e Crivella foi bem perto, dentro da margem. Mas fizeram previsão entre 11 e 13% para os "Outros" candidatos, e eles tiveram 16,26%. Como Sérgio Cabral perdeu esses pontos para os "Outros"? Pode ter sido por causa do debate. Pode ter sido porque certa parcela de "voto útil" deixou de acontecer quando o eleitor viu que haveria 2º turno inevitavelmente. Entre os "Outros" a grande surpresa foi Vladimir, que tinha previsão de 4 ou 5% e acabou com 7,67%. E agora, como serão as alianças de 2º turno? Provavelmente Lula-Sérgio Cabral X Alckmin-Denise, a nível nacional. Crivella pode tentar apoiar Denise, mas seu eleitor tem perfil mais próximo de Ségio Cabral - e Lula pode influenciar. PSOL deve anular o voto. PDT é dúvida. E o PSDB tem o caminho óbvio, apesar das diferenças de Eduardo Paes com a dupla Cesar Maia-Denise Frossard. A sorte do Rio está lançada.

Lula vence com folga, mas deveremos ter 2º turno

Pelos dados fornecidos até agora (85,92% dos votos apurados), é praticamente impossível a vitória de Lula no 1º turno. Previ 50 milhões de votos, mas acho que ele deverá ficar com seus 47-48 milhões.
É hoje. Pegue seu título, sua roupa de domingo, pegue as crianças, pegue a família inteira e pegue a estrada. Hoje é dia de reeleição. Hoje não tem mais lugar para a baixaria, só tem lugar para a sua vontade de um mundo melhor. O sonho está de pé, Lula 1º turno!

Pesquisas Ibope, Datafolha, Vox Populi, Sensus: Lula 50%, Grande Imprensa 50%

A grande imprensa estava muito frustrada nessa eleição. Tudo acontecia sem a sua participação. O povo está feliz, a economia cresce em índices baixos mas confiáveis, o mundo respeita mais o Brasil, a democracia sobe nos rankings internacionais, a inflação está controlada, a dívida com o FMI está paga, a balança comercial bate recoreds no superavit, o mercado está tranqüilo - o que resta para a imprensa? Ficar impassiva vendo Lula reeleger-se facilmente no 1º turno? Nem pensar. Apoiada pelos petistas trapalhões com seu serviço de "inteligência" burro e por uma oposição sedenta de sangue, a Grande Imprensa apostou todas as suas fichas contra a vitória de Lula, manipulando como pôde as informações. Engana-se quem acha que a não ida de Lula ao debate ou a foto do famoso dinheiro tirou votos de Lula. A versão, sim, foi poderosa. Não entendo apenas uma coisa: por que, então, usar Alckmin como intermediário? Era melhor usar o presidente de alguma grande organização de comunicação para se candidatar... Apesar de tudo isso, aposto nesses números para hoje: Lula 50 milhões de votos, Alckmin 35 milhões, Heloísa Helena 8 milhões, Cristovam Buarque 2 milhões, Outros 1 milhão - de um total de 96 milhões de votos válidos.

HOJE É DIA DE REELEIÇÃO

Hoje é dia de reeleição. Reeleição de uma política que olha mais para a população carente e que sabe colocar o Brasil em posição de destaque na cenário mundial. Reeleição da esperança.