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sábado, 4 de janeiro de 2014

O balança mas não cai do comércio exterior



Os jornais de ontem, dia 3, fazem questão de destacar que o resultado de nossa balança comercial em 2013 foi péssimo. Nada mais justo, afinal foi mesmo muito ruim e o papel da imprensa é esse mesmo de noticiar. Não quero entrar nos porquês do resultado, apenas quero comentar o tom do noticiário. Foi uma coisa catastrófica. Parecia que o resultado tinha sido negativo. O Globo chegou a manchetar "O pior resultado em 13 anos", provavelmente procurando associar o número do PT com coisa ruim. Está certo, esse é o papel da oposição (com trocadilho). Porém, se procurasse dar uma informação mais ampla, poderia dizer que, em 3 anos, o Governo Dilma nunca teve resultado negativo. Nem o Governo Lula, em seus 8 anos. Já o Governo FHC, em 8 anos, só teve resultado positivo nos últimos dois anos. Alguém pode dizer que teria sido herança maldita, mas logo percebemos que, antes, a balança sempre foi positiva. Na verdade, desde 1981 a nossa balança comercial só esteve negativa no Governo FHC. Será que todos já esqueceram? É só balançar bem a cabeça que a memória volta.
Dados do site http://www.portalbrasil.net/economia_balancacomercial.htm. Exceto o resultado de 2013, que veio do Globo  

domingo, 6 de janeiro de 2013

Quem acha que Fernando Henrique deixou saudades?


No seu artigo de hoje, um pequeno balanço de Ano Novo, Fernando Henrique procura sintetizar o que aconteceu na economia e na política mundiais em 2012. Fez uma boa síntese. Criticou, como Dilma, a enxurrada de dólares americana. Criticou os neoliberais europeus (quem diria!), que “pilotam a economia com rédea de ferro, ortodoxos como ninguém conseguira antes”, sem esquecer de alfinetar a Alemanha, que parece triunfante, mas, na verdade, ficou “capenga pela falta de quem compre as mercadorias que sua produtividade torna baratas em comparação com as produzidas além fronteiras”. Na política internacional, critica a “desastrada intervenção europeia na Líbia”, a revolta fomentada na Síria, a precariedade na questão palestina, a interrogação que paira sobre o Egito e, pasmem, acompanhando o discurso dos governos Lula e Dilma, alerta contra o perigo de uma “solução” nuclear para o Oriente Médio, “pretextando a nuclearização do Irã”.
Fernando Henrique fala do Brasil no bloco final de 129 palavras (13% do total...). Refere-se ao “desapontador ‘pibinho’, que parece desenhar outro apenas melhorzinho para o ano em curso” (16 palavras) e elogia o julgamento do “mensalão” (82 palavras), sem usar esse termo. Nesse final está a essência da estratégia tucana para 2014. Aposta, precipitadamente, no fracasso da política econômica do Governo Dilma e em acusações de corrupção ao PT e Lula. É a estratégia do desespero. Os cardeais da economia tucana escalados para assessorar as propostas político-econômicas de 2014 não têm muito a falar. Dos 8 anos de Governo FHC, dois anos foram de “pibinho” abaixo de 1%: 98, crescimento de 0,04%, e 99, crescimento de 0,25%. No penúltimo ano, 2001, 1,3%, e em 2002, 2,66%. Com relação à inflação, por mais que puxem para si os louros do Plano Real durante o Governo Itamar, os tucanos tiveram muitos problemas durante o Governo FHC É verdade que no último ano do primeiro governo, o IPCA, por exemplo, ficou em 1,6%. Mas nos 4 anos seguintes amargou 8,9%, 6,0%, 7,7% e 12,5%. O saldo da balança comercial, então, nem se fala – foi negativo de 95 a 2000! Só nos dois últimos anos é que teve saldo positivo, 2,6 milhões de dólares em 2001 e 13 milhões em 2002 – ainda bem abaixo do pior ano dos governos do PT, que teve um saldo positivo de 19,4 milhões de dólares. Com relação às acusações de corrupção, se a balança da justiça for minimamente equilibrada (coisa que não acredito), poderá ficar tudo zero a zero com o “mensalão tucano”. Claro que a oposição tucana ainda conta com o apoio da grande mídia e da classe média conservadora. Mas isso já se mostrou insuficiente nas últimas eleições municipais. Com relação aos tucanos, o eleitor brasileiro mais uma vez vai votar com o sentimento que Fernando Henrique escolheu para título do seu artigo: “Sem saudades”.