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domingo, 27 de junho de 2010

Mais vale um gol na mão do que 0 x 0 no sutiã

Segundo domingo da Copa Chata. O Brasil vai ser Campeão, é o que parece. Mas esses jogos estão uma grande jabulani, difícil de digerir. Chegamos ao dia de hoje com a média de apenas 2,12 gols por partida. E aquele Brasil x Portugal, que chatice foi aquela? Os patrícios foram píores ainda. Subi nas tamancas e selecionei o Mamonas Assassinas e seu "Vira-vira" para animar o nosso domingo.


domingo, 20 de junho de 2010

Copa do Mundo: boringness is money

Excelente o artigo de Vinicius Torres Freire, hoje, na Folha, sobre o futebol chato das Copas do Mundo. Ou melhor: da europeização do futebol. A Jabulani e a redução das médias de gols traduzem isso muito bem. As grandes empresas do mundo esportivo estão driblando o mundo inteiro e derrotando a beleza dos jogos. Concordo com isso há séculos. Felizmente ainda nos resta a garotada do Santos para continuar adorando o futebol.
Leiam o texto de Vinicius:

A economia do futebol chato
Livre mercado de atletas e racionalização do negócio esportivo uniformizaram e "europeizaram" o esporte

"Não há mais time bobo." "As seleções jogam de modo cada vez mais parecido." "O futebol da Copa é cada vez mais chato." Cada um desses clichês têm muita verdade; todos refletem uma tendência inevitável e fenômenos conhecidos:
1) O futebol é um negócio europeu e um produto montado finalmente na Europa, com recursos naturais importados do resto do mundo;
2) Os "softwares" (técnicas e táticas) de treinamento são tão acessíveis como planilhas de cálculo;
3) Como qualquer negócio, o futebol é orientado pela maximização de resultado, do campo de jogo à contabilidade, e pelos interesses do corpo burocrático que o dirige;
4) Em termos esportivos, a Copa é prejudicada pelos interesses do negócio europeu do futebol.
A Copa é jogada no final da temporada europeia. Nos clubes, os atletas atuam no limite da capacidade humana, o máximo de tempo possível e exigido por clubes, patrocinadores e TVs. Ao fim da temporada, estão esgotados ou machucados. O interesse dos clubes limita cada vez mais o treinamento das seleções a raras semanas ou a um dia antes de jogos de torneios preparatórios. As seleções, pois, mal existem como equipes entrosadas.
Os principais jogadores do mundo atuam em times europeus. As transferências de atletas são tão antigas como a primeira Copa. Mas começaram a se tornar rotina nos anos 1980. Passaram ao estágio de livre comércio em 1995. O negócio agora em parte regride a algo parecido ao estabelecimento de feitorias coloniais. Em vez de pagar caro por jogadores prontos e famosos, clubes europeus adquirem atletas juvenis e infantis. Ou criam centros de recrutamento e treino de crianças em países das Américas e da África.
A seleção brasileira de 1982 foi a primeira a contar com jogadores "estrangeiros", que jogavam no exterior: 3 de 22. A de 1990 inaugurou a maioria de "estrangeiros": 12 de 22, como a de 1994. Nas de 2006, 20 de 23 eram estrangeiros. Como o time desta Copa de 2010.
Desde 2002, o Brasil "vende" em média cerca de 800 jogadores por ano. Quase 60% da exportação destina-se à Europa. Na Inglaterra, 59% dos jogadores são estrangeiros. Em Portugal, 54%. Na Alemanha, 52%. Itália, 40%. Espanha, 37% (dados de 2008, do Professional Football Players Observatory).
A internacionalização dos times europeus foi impulsionada por uma decisão da Corte de Justiça Europeia, de 1995, liberando os times de cotas para jogadores estrangeiros e dando cabo de contratos que contrariavam a lei europeia de livre fluxo de trabalhadores. Pelo mundo, seguiram-se medidas que abririam o mercado de atletas e os libertariam da propriedade dos clubes.
A mundialização deveu-se ainda ao crescimento do negócio europeu do futebol, favorecido em especial pela alta da renda publicitária. Oligopólios transnacionais pagam cada vez mais para aparecer em transmissões planetárias.
Cada vez mais cedo, atletas submetem-se a rotinas de treinamento e práticas de otimização de resultados muito similares. Fazem-no em campos europeus, segundo técnicas e tradições esportivas do continente, ou lá adaptadas. Antes da "mundialização", os atletas diferenciavam sua maneira de jogar graças à heterogeneidade cultural no modo de encarar o jogo.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Bola abaixo

(Clique para ampliar)

O representante da FIFA, promovendo a Jabulani, disse que estavam fazendo uma bola para aumentar a média de gols no futebol. Mas desde que as bolas começaram a se tornar mais leves e velozes as médias de gols por partida nas Copas do Mundo tem diminuído. Os técnicos descobriram o óbvio: contra os poderosos chutões, retrancas cada vez maiores. Como é mais difícil o domínio das bolas mais leves, fica também mais difícil o uso do drible para abrir os ferrolhos. Tudo leva a crer que a Jabulani vai reduzir ainda mais as médias de gols. Pelo menos foi o que aconteceu até ontem, com média de 1,65 gol em 17 partidas. Clique para ler também meus posts de de 2006: aqui, aqui, aqui e aqui.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Brasil jogou feio, mas jogou bem


Já disse que preferia o time do Santos. Mas ontem o dunguismo foi fundamental. A Coreia do Norte entrou para garantir o zero a zero e fez isso muito bem – auxiliada pela Jabulani. Jogo difícil, por causa da defesa cerrada e a bola leve e rápida, de domínio mais difícil e direção incerta. Partida muito bem jogada, onde o Brasil acabou se dando bem graças à “ajuda” da Jabulani no chute de Maicon: a bola se “inclinou” na direção do gol.
Falam que a Coreia do Norte é a seleção mais fraca, mas acredito que terá sido a mais difícil da primeira fase. Em 66, empatou com o Chile em 1 a 1, venceu a Itália por 2 a 1, foi para a segunda fase e acabou em oitavo.
Quero lembrar ainda que, em 2002, vencemos o primeiro jogo, contra a Turquia, por 2 a 1, graças a um pênalti que não houve em Luizão.
Estatística dos gols
  • Desde 1958, a média de gols não ultrapassa 3 por partida.
  • A média por partida em 1990 foi a pior: 2,21.
  • Os 13 primeiros jogos de 1990 tiveram a média de 2,23 gols.
  • Os 13 primeiros jogos desta Copa tiveram a média de 1,77.
  • Com o jogo do Brasil, a média passou para 1,86 gols por partida.