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sábado, 2 de junho de 2007

Sobre a nova lista do bicho

Ontem à noite, casualmente, estava com a Secretária de Assistência Social e Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro, Benedita da Silva, quando ela foi informada que uma de suas assessoras tinha andado à sua procura por causa de uma reportagem que sairia sobre uma nova "lista do bicho". Ela não se importou muito com a história, nem mesmo procurou mais informações. Hoje, com os jornais O Globo e Extra exibindo ampla reportagem envolvendo os principais políticos do Rio de Janeiro, Benedita (uma das pessoas que teria se beneficiado com 40 mil reais) ficou indignada. Falando comigo ao telefone, ela disse que queria de qualquer maneira saber quem envolveu seu nome e queria porque queria o aprofundamento das investigações. Preparou um ofício para a Polícia Federal e me enviou uma cópia da minuta por e-mail:

Rio de Janeiro, 02 de junho de 2007.

Senhor Diretor da Polícia Federal

Surpreendida pelos noticiários veiculados recentemente na imprensa escrita, especificamente nas edições de 02 de junho de 2007 dos jornais O Globo e Extra, e que envolve meu nome em suposto favorecimento financeiro na campanha política de 2002, através de documentos apreendidos na Operação Hurricane, fato que repudio veementemente por ser absolutamente inverídico, solicito sejam iniciadas e/ou aprofundadas estas investigações e em regime expedito, a fim de esclarecer à sociedade sobre minha não participação naqueles fatos delituosos denunciados pelo periódico.

Certa de sua compreensão, colocando-se à disposição.

Atenciosamente, Benedita da Silva

sábado, 14 de abril de 2007

Podres poderes

O assunto do momento é a operação Hurricane (ou Furacão). Todos os jornais, impressos, televisivos, radiofônicos, internáuticos, mostram com destaque e estupefação os resultados dessa grande operação da Polícia Federal que arrebanhou no mesmo saco bicheiros, policiais federais, empresários, desembargadores, advogados, delegados e procuradores da república. Foram 25 ao todo, todos "suspeitos de integrar esquema de jogo ilegal, corrupção, contrabando, tráfico de influência e receptação". Por que não me espanto mais? Essas notícias do mundo da ilegalidade passaram a ocupar o dia-a-dia de todos com uma sem-cerimônia de encher os olhos. Será que a polícia passou a ser mais eficiente e por isso agora mais escândalos vêm à tona? Será que a imprensa está eficiente nas denúncias? Será que os políticos agora estão cobrando mais (no bom sentido, claro...)? Será que é coisa natural do terceiromundismo? "Coisa do terceiro mundo" poderia ter sido uma resposta, mas não é mais. Os escândalos do primeiro mundo também estão em destaque, principalmente na maior economia do planeta, os Estados Unidos. E aí vem uma conclusão ainda mais dramática: a derrocada das instituições, como está acontecendo, coloca em xeque a própria democracia representativa. Como garantir a democracia, com tanta corrupção entranhada nas instituições? Como governar, sem precisar corromper assembléias, câmaras e senados? Como legislar? Como garantir justiça? Como informar com um mínimo de "objetividade" (para usar um conceito já tão discutível...)? Como simplesmente garantir cidadania? Será que teremos que buscar novo sistema político? Ou ainda restam forças para a democracia enfrentar a corruptocracia avassaladora? Ontem, "o bicho pegou" para bicheiros e corruptos, como manchetou o jornal O Dia. Vitória dos "mocinhos". Mas a verdade é que todo dia "o bicho tá pegando" a favor dos bad boys...