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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

A greve do IPTU e as eleições

Ontem, um pré-candidato a Vereador, no Rio de Janeiro, me fez consultas sobre as suas chances eleitorais. Falou de sua participação em movimentos de indignação popular contra a desordem urbana e falou sobre a bandeira de não-pagamento do IPTU. Aconselhei a não apostar muito mais nessa história isoladamente. Todo mundo vai começar a pagar suas prestações e daqui a pouco o IPTU será uma bandeira vazia. Hoje, comprovando o que eu disse, o Ex-Blog do Prefeito César Maia dá os números do IPTU deste ano, prevendo recordes no pagamento e mostrando a migração de boa parte dos contribuinte do pagamento à vista para o parcelado. Mas o seu Ex-Blog confirma também outra previsão minha, feita aqui, no mês passado, a de que a campanha tem efeito político comprovável. Diz ele: "Responderão errados os que imaginam que a mídia não tem influencia. Tem sim, e as sondagens de opinião freqüentes, que o Ex-Blog tem tido acesso, mostram que teve, no episódio. Mas não no pagamento do IPTU". Disse eu neste Blog, em 16 de janeiro (César Maia e a greve do IPTU): "com certeza, a grande maioria dos contribuintes - principalmente os de faixa de renda inferior e os que alugam imóvel - não vai fazer greve, vai preferir pagar a sua contribuição mensal. A questão não é de números, é de imagem. A "greve do IPTU" coloca em evidência - e cada vez cristaliza mais - um lado "politiqueiro" e "mau administrador" do Prefeito César Maia. E isso acontece exatamente no terreno preferencial de César Maia - a classe média carioca". A greve do IPTU, portanto, não fez mal aos cofres, mas fez mal à urna. Texto completo da nota de César Maia:
ARRECADAÇÃO DO IPTU: 2008 x 2007! 1. Em função das insistentes perguntas sobre a arrecadação do IPTU em 2008 comparada com 2007, esse Ex-Blog informa aqui, todos os dados -dia a dia- até o dia 11 de fevereiro. A rede bancária repassa os dados para a prefeitura com três dias de defasagem. 2. Em 2007 -de 1 de janeiro a 11 de fevereiro- a arrecadação do IPTU alcançou 596.697.241 reais. Em 2008 -de 1 de janeiro a 11 de fevereiro- a arrecadação do IPTU alcançou 589.272.200,96 reais. Ainda faltam 10 dias em fevereiro de 2008 contra 8 dias em fevereiro de 2007. E ainda faltam também 129 mil carnês, dos cancelados, que serão pagos somente nos dias 5 e 6 de março. 3. Projetando até o final de fevereiro, mês completo, a arrecadação de 2008 certamente superará a de 2007. O único efeito em 2008 é ter tido uma proporção de pagamentos parcelados maior que os parcelamentos de 2007. Provavelmente porque a taxa de desconto foi menor: 7%, e não 10% como em 2007. O efeito boicote do IPTU foi quase desprezível, quando muito pode ter chegado a 1 milhão de reais ou 0,1%. 4. Por que todo este movimento induzido e estimulado pela imprensa não resultou ? Responderão errados os que imaginam que a mídia não tem influencia. Tem sim, e as sondagens de opinião freqüentes, que o Ex-Blog tem tido acesso, mostram que teve, no episódio. Mas não no pagamento do IPTU. 5. O problema é que o tema escolhido cometeu um equivoco, pois não levou em conta a racionalidade econômica dos contribuintes. Eles conversaram entre si, a própria imprensa divulgou em box, os efeitos do não pagamento. Os contribuintes sabem que o IPTU é o único imposto que é pago de qualquer maneira, pois é garantido pelo próprio imóvel. Como era de se esperar prevaleceu a racionalidade econômica. Essa é uma boa informação para aqueles economistas que ainda duvidam dela. 6. Clique abaixo e conheça -dia a dia- os pagamentos de IPTU em janeiro e em fevereiro de 2007 e 2008. http://spreadsheets.google.com/ pub?key=pNCAfBhSzPKKClGllVzfMPg

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Greve do IPTU: rebeldes sem causa

Muito bom o texto de Dimmi Amora que saiu hoje no Globo e que reproduzo mais abaixo. Parece bem correto em sua análise, mas não concordo muito quando ele reduz o movimento a "pueril". Tem algo pueril, sim. Mas ele tem valor político-eleitoral, exatamente porque nasce e ganha força onde César Maia sempre teve grande poder de fogo eleitoral. O movimento vale não pelo IPTU em si, mas como mobilização em ano eleitoral.
Rebeldes sem causa
DimmiI Amora
Ninguém gosta de pagar imposto e, por isso, nada mais apropriado que o nome que ele tem. No Brasil, ele é pesado em todos os aspectos e, em geral, torna-se injusto devido aos desperdícios do serviço público. Mas ele tem um princípio que norteia as dezenas de siglas a qual temos de nos acostumar no dia-a-dia: tirar dos que têm mais para dar aos que têm menos. Agora, no Rio, os que têm mais querem parar de pagar o imposto sobre seus imóveis, o IPTU, ou adiá-lo para depois das eleições. É um movimento elitista baseado nos argumentos que a prefeitura abandonou o espaço urbano nesses bairros, deixando-os sem conservação e ordem, e que o prefeito vai gastar o dinheiro para eleger seus candidatos na eleição de 2008. Eles podem ser usados para justificar a iniciativa aos marcianos. Os homenzinhos verdes, se não viessem ao Rio, poderiam acreditar que a prefeitura não cuida das áreas dos líderes rebeldes que não querem pagar o imposto (a saber: Leblon, Ipanema, Lagoa, Fonte da Saudade e Humaitá) e que o prefeito não tem o apoio deles. A quem mora no Rio, parece ser algo digno de marchinha de carnaval. Justamente onde a prefeitura mais gasta dinheiro com conservação e vigilância é de onde vem o movimento. Nessas áreas, a limpeza urbana é feita até com carros especiais para tirar o pó das ruas. Um morador de Sepetiba que vir uma máquina dessas em frente à sua casa pode até se assustar pensando ser um veículo lunar. Um carro de Fórmula-1 poderia tranqüilamente andar pelas avenidas Borges de Medeiros e Vieira Souto, no Leblon e em Ipanema. Já na Avenida Ernani Cardoso, em Cascadura, não seria possível andar com ele nem empurrando, tantos são os buracos e as ondulações. Isso sem falar nos milhares que nem calçamento têm e pagam seus impostos. No quesito ordem, a Guarda Municipal mantém um efetivo por habitante nessas regiões muito superior a qualquer outro lugar da cidade. Há guardas até para tomar conta de pracinhas nessas áreas, enquanto no resto da cidade as praças nem gente têm de tão abandonadas. Assim é com todo o restante dos serviços de controle e fiscalização, como em transportes, postura, vigilância sanitária etc. Na Ilha do Governador, por exemplo, a falta de fiscalização nos transportes levou o trânsito ao caos a qualquer hora do dia num emaranhado de microônibus, Kombis legais e ilegais circulando pelas ruas do bairro. Mas o principal argumento dos rebelados é o demófobo crescimento da área ocupada pelas favelas. Não há qualquer estudo ou pesquisa que comprove o tal crescimento nessas regiões. Os que são feitos pelo Instituto Pereira Passos (IPP) — um órgão de pesquisa da prefeitura — mostram que ele é insignificante. O crescimento atual da área de favela é na Zona Oeste da cidade, principalmente Recreio, Vargem Grande e Jacarepaguá, para onde também é a expansão formal dela. Para quem não acredita em isenção, a Federação das Indústrias fez um estudo semelhante este ano. O resultado foi o mesmo do IPP. O argumento de que o prefeito vai gastar o dinheiro para eleger seus candidatos mostra que os insuflados não querem mais no poder o Czar que manda na cidade há 15 anos. É um direito legítimo. Mas é preciso lembrar que foi justamente nessas regiões onde o prefeito conseguiu suas mais expressivas votações nas eleições de 1992, 1996, 2000 e 2004. Neste último pleito, o apoio de mais de 60% dos moradores dessas áreas fez com que nem fosse necessário o segundo turno. Foram necessários quatro eleições para tomar consciência de que o administrador não é bom? Parece muito. Em outubro haverá eleição e os revoltosos — assim como o restante dos bairros que se sentem abandonados — podem mostrar seu descontentamento votando em candidatos da oposição. Mas não pagar o imposto é uma solução pueril que afetaria principalmente os mais pobres (ou alguém imagina que o varredor de pozinho vai sair de Ipanema?). Há sempre a alternativa da revolução para dissolver com o sistema vigente e fazer com que, por exemplo, os impostos não cheguem aos mais pobres. Os rebeldes podem lutar pela formação do Principado do Leblon e se separar do restante da cidade, quem sabe do estado e do país. A água, a energia elétrica, o lugar para depositar o lixo podem ficar caros no Principado, mas, quem liga? Afinal, todos parecem estar podendo pagar 31% mais de IPTU

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

César Maia tenta provar que greve do IPTU não tem apoio

A pretexto de mostrar o que foi um domingo na cidade, César Maia, no seu Ex-Blog de hoje, procura desqualificar o movimento de boicote ao IPTU no Rio de Janeiro comparando o compareceimento de público em várias atividades de ontem. Veja:
Passeata do IPTU: 300 moradores do Rio de Janeiro, na orla do Leblon, Zona Sul.
Estréia da Roda-Gigante de 36 metros em Copacabana: 1.000 pessoas usaram.
Jogo Flamengo e Boa Vista: 23.779 torcedores pagantes.
Procissão de São Sebastião: 30.000.
Ensaio técnico da Unidos da Tijuca e Grande Rio: 40.000 pessoas no Sambódromo.
Essa manifestação de César Maia prova que o movimento está preocupando.

sábado, 19 de janeiro de 2008

César Maia, a mídia e a greve do IPTU

Quero começa dizendo que me oponho politicamente a César Maia (DEM, ex-PFL) e que acho interessante (como manifestação política) a idéia do boicote (feito por vários movimentos do Rio de Janeiro) ao pagamento do IPTU antes antes das eleições. Mas acho também completamente descabidas algumas reportagens que estão sendo feitas contra o atual Prefeito. Ouvi ontem (não sei se na CBN, na BandNews, na Globo News ou nas três) reportagem afirmando que César Maia teria mudado o discurso. Segundo foi afirmado, primeiro ele teria dito que, com o boicote, a Prefeitura arrecadaria mais; e depois teria mudado o discurso, dizendo que, com o boicote, faltaria dinheiro para novos investimentos. Na verdade, ele disse as duas coisas, mas elas não se opõem. Esclareçamos: 1. Com o pagamento do IPTU apenas em novembro, a Prefeitura vai arrecadar mais, provavelmente pelo fim dos descontos e com a inclusão de multas, juros, sei lá o quê. 2. Como disse César Maia em seu Ex-Blog, "se a previsão de arrecadação antecipada cair, e os pagamentos vierem só após as eleições (...), a boa regra de administração financeira indicaria a necessidade de reduzir novos gastos de investimento na proporção do que entrou a menos na cota antecipada e primeira cota. No custeio não se toca. Nos investimentos em andamento não se toca. Mas os novos investimentos a serem licitados ou em licitação seriam reduzidos proporcionalmente". O que ele disse é que a arrecadação será maior, mas só acontecerá no fim do ano, prejudicando, obviamente, os investimentos do ano inteiro. A distorção da informação ou foi feita por má fé ou por incompetência. Seja como for, não contribui para o avanço político. O engraçado nisso tudo é que César Maia sempre soube usar a mídia a seu favor. Seja pautando o noticiário, seja valorizando ângulos da informação que lhe são favoráveis. Se com ele está sendo assim, imagina-se muito bem o que é feito com o Governo Lula. Aliás, imagina-se, não - isso pode ser comprovado diariamente.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

César Maia e a greve do IPTU

Hoje de manhã, ouvindo a BandNews, fiquei impressionado com a agressividade do Boechat contra César Maia. Tudo em função da tal "greve do IPTU" que associações de moradores da Cidade do Rio de Janeiro estão promovendo. A idéia é que ninguém pague o IPTU do Rio antes de novembro, para que, supostamente, César Maia não possa usar esse dinheiro na campanha política. César Maia argumentou em seu Ex-Blog que isso fará com que o contribuinte pague muito mais, que saia perdendo, no final das contas. Ele está certo, colocando os números no papel. Sai perdendo todo mundo - o contribuinte, a Prefeitura, a Cidade e, quem sabe, o Prefeito César Maia. Tem mais: com certeza, a grande maioria dos contribuintes - principalmente os de faixa de renda inferior e os que alugam imóvel - não vai fazer greve, vai preferir pagar a sua contribuição mensal. A questão não é de números, é de imagem. A "greve do IPTU" coloca em evidência - e cada vez cristaliza mais - um lado "politiqueiro" e "mau administrador" do Prefeito César Maia. E isso acontece exatamente no terreno preferencial de César Maia - a classe média carioca. O movimento não deixa de ser interessante. Mas nada justifica o tom grosseiro de Boechat, chamando aos berros César Maia de maluco e, de certo modo, insinuando que ele é corrupto. A "greve do IPTU" é politicamente salutar. Mas a baixaria tem que ser evitada.