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quarta-feira, 15 de julho de 2009
Segurança Rio: pesquisas e percepções
Uma jornalista minha amiga está desesperada. O assalto que acabou na morte de uma moça na madrugada do Rio foi praticamente em frente ao seu edifício e agora morre de medo de sair de casa à noite. Sua percepção de insegurança aumentou nos últimos dias. Mas o que será que o Governo Sérgio Cabral está fazendo para combater a criminalidade? A população apoia ou não apoia? O Instituto GPP fez pesquisa também sobre segurança no Rio de Janeiro, para o PV, e o Vereador verde Alfredo Sirkis que analisa a pesquisa em seu site espantou-se com o resultado. Notou que a avaliação geral sobre segurança pública, no governo Sérgio Cabral, foi positiva (melhorou para 37,7%, piorou para 17,7%), e notou também que diante da pergunta “Como se sente, pessoalmente, no governo Sérgio Cabral?” o resultado é bem diferente: 13,7% dizem se sentir mais seguros e, 20%, menos seguros. Ele pergunta: “Como explicar essa dicotomia entre avaliação de segurança pública, em geral, e segurança individual?” E responde: “Há aqui, na minha opinião, um dado de maturidade do cidadão carioca e fluminense. Por um lado, reconhece uma menor politização e mais profissionalismo da atual equipe em relação a anterior, cujos dirigentes mais visíveis saíram candidatos (e um deles acabou cassado e preso)”. Na verdade não há exatamente uma “dicotomia”, já que os resultados não se opõem. É perfeitamente lógico que as pessoas possam se sentir menos seguras e, ao mesmo tempo, aprovem as ações do Governo na área de segurança. A escalada da violência é inegável, mas isso não implica necessariamente desaprovar o Governo. No mínimo, as pessoas sentem que o Governo está agindo de verdade - e esperam resultado cada vez melhores. Vejam esses números da pesquisa do Instituto Mapear sobre segurança:
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sexta-feira, 6 de março de 2009
No local abaixo, farta distribuição de armas de fogo
Os fabricantes de armas e munição estão cada vez mais ousados. Agora eles criam condições especiais para que bandidos tenham acesso rápido, gratuito e seguro a armas dos mais variados tipos. Vejam o que aconteceu ontem, nessa fábrica de armas/stand de tiros da CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos), com 1.883.564 m2 de área total, em Ribeirão Pires, na Grande São Paulo, segundo divulgado na imprensa de hoje: assaltantes caminharam cerca de um quilômetro em uma mata para chegar ao local, renderam o vigia e retiraram as armas do cofre. Simples assim. Foram levadas pelo menos 40 pistolas, 14 fuzis, carregadores e há a suspeita de que os bandidos também tenham levado uma grande quantidade de munição. Ah, sim, é importante acrescentar que os criminosos ficaram por uma hora e meia no local, um Centro de Tiro usado para treinar policiais e seguranças particulares. Por último, foi informado que, agora, a segurança foi reforçada...
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Milícia X Sociedade: bom texto de César Maia
A REPORTAGEM FOI FEITA... E DE FORMA CONTUNDENTE!
1. O seqüestro e tortura de repórteres do jornal carioca O DIA, por elementos do grupo para-policial que controla a comunidade onde estavam fazendo uma cobertura, ali vivendo temporariamente, transformou-se numa reportagem - de fato - mais contundente do que se estivessem narrado o cotidiano das relações dos para-policiais com os moradores.
2. Desde o início dos anos 90, quando os traficantes que controlam comunidades deixaram de ter raízes nas mesmas, ocupando-as militarmente, passaram a ter uma relação de terror com os moradores. Com isso, aquilo que se dizia do "efeito Robin Hood" da presença dos traficantes terminou. Por outro lado, a clandestinidade objetiva dos policiais fora de serviço, assassinados gratuitamente por traficantes por serem policiais, estimulou-os a encontrar local de moradia onde eles e suas famílias tivessem seguros.
3. Com isso construiu-se um quadro convergente entre moradores e policiais. Esses - organizados para-militarmente - passaram a expulsar os traficantes de várias comunidades sob o aplauso da população. Uma vez estabelecida uma "nova ordem", outros policiais se mudavam para esses locais e com isso passaram a ser uma tropa de reserva para o caso de traficantes tentarem retomar a comunidade.
4. A manutenção desses novos grupos passou a ser coberta com pagamento mensal pelos moradores e mais receitas obtidas de serviços diversos existentes no local, como cobrança de "segurança". Os primeiros casos produziram a sensação (que não havia com a presença de traficantes) de que as pessoas poderiam circular livremente por seus logradouros e que a relação com os moradores seria de "proteção".
5. A expansão desses grupos para-policiais foi mostrando relações crescentemente autoritárias com os moradores e a transformação da cobrança para cobrir as despesas em negócios do tipo extorsão para proteção.
6. O seqüestro dos repórteres mudou a natureza de sua reportagem. Eles poderiam - em tese - demonstrar que, mesmo ilegalmente, haveria um novo ambiente ali, que a ausência da polícia e o fracasso da segurança pública impunham, quase que como um recurso do tipo desobediência civil. Para muitos, de longe, essa era a impressão. Em tese, os repórteres poderiam ter chegado a essa conclusão.
7. Mas o que a reportagem (num paradoxo) - feita contundentemente -, ao não ser feita, mostrou é que o direito de ir e vir inexistia e que as relações desses para-policiais ali, com os moradores, é também de terror. Portanto, um fato de extrema gravidade, pois reproduz a lógica do tráfico drogas, apenas trocando as fontes de receitas.
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quinta-feira, 29 de maio de 2008
Garotinho e a segurança
Em primeiro lugar, quero dizer que não consigo ver o Garotinho como "chefe da quadrilha", como estampam os jornais. Em 94, quando fui dar um apoio na redação dos seus programas de TV no segundo turno da campanha para Governador do Rio de Janeiro, ele me falava entusiasmado de suas leituras e pesquisas sobre o tema segurança. E já alertava com algo assim:"É impossível resolver os problemas de segurança enquanto não forem presos os grandes figurões - inclusive das Forças Armadas - que estão por trás desses bandidos que aparecem na mídia". Em 98, quando fui chamado para coordenar o marketing de sua nova campanha a Governador, ele já estava ligado a Luiz Eduardo Soares (antes sondado por César Maia, parece) que deu a base (ou teria feito tudo...) do famoso livro de Garotinho sobre segurança. Fiquei impressionado como ele dominava o tema. Discorria com tranqüilidade, sem trocadilho, com toda segurança. Durante a campanha, ele deu um show sobre César Maia, até então (e ainda hoje) um Papa no assunto. Cerca de 10 meses depois de sua posse, ele me chamou e disse: "Gadelha, cola no Luiz Eduardo e pensa no marketing da segurança". Ele não queria com isso fazer apenas "marketing" (no sentido pejorativo"), mas demonstrar que estava inteiramente preocupado com a questão que ocupava cada vez espaço no noticiário. Ele se entusiasmou com tudo que fiz ao lado do Luiz Eduardo. Acompanhou com interesse todas as pesquisas e aprovou imediatamente a criação da "Nova Polícia". Lembro de suas palavras no Seminário Internacional sobre Segurança que realizamos: "Temos que dar melhores salários aos nossos policiais. Mas isso só não basta, porque a bandidagem sempre vai ter mais dinheiro para corromper. O que temos que fazer é mudar a mentalidade dos policiais para transformá-los em verdadeiros defensores da sociedade". Essa era uma preocupação permanente que tinha. Ficava revoltado com o alto grau de corrupção no meio policial. Por isso tudo, não posso acreditar nas notícias que o associam a "formação de quadrilha armada". Prefiro acreditar que sua ambição política, trilhada com muitos erros políticos, fez com que ele perdesse eficiência em sua cruzada pela segurança pública. Garotinho nunca foi um garotinho. Mas daí a achar que ele é um chefe de quadrilha é um pirulito grande demais.
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domingo, 3 de fevereiro de 2008
Segurança: a crise da PM do Rio
Boa reportagem de Elenilce Bottari e Vera Araújo no Globo de hoje com depoimentos de especialistas em segurança pública:
Especialistas: crise na PM está longe do fim. Estudiosos criticam a radicalização de posições de oficiais e de representantes do governo. Especialistas em segurança pública e policias militares temem que a crise que provocou a queda do comandantegeral de Polícia Militar do Rio e de seus principais assessores ainda não tenha chegado a seu ápice. Segundo eles, cresce na própria tropa um sentimento de desilusão com a farda. Para eles, o momento é de negociar e esta negociação precisará passar obrigatoriamente por melhorias salariais e pelo saneamento da instituição. Coronel da Polícia Militar e doutor em ciências sociais pela Uerj, o professor Jorge da Silva afirmou que a polícia vive hoje “a crônica de uma crise anunciada”: — Nós somos treinados para respeitar a disciplina e a hierarquia, mas não se pode usar esses instrumentos para negar direitos. O estado deve exigir do policial a obediência, mas precisa em contrapartida dar instrumentos para que ele possa trabalhar com dignidade. E esses instrumentos passam por melhorias salariais e por melhores condições de trabalho. A verdade é que a polícia está morrendo muito e produzindo muitas vítimas sem necessidade. Coronel diz que debate não pode virar questão pessoal A atual crise na PM é semelhante à que aconteceu em 1980, quando jovens oficiais fizeram um cerco ao Palácio Guanabara. Os personagens também são os mesmos: os jovens oficiais de 80 são hoje integrantes do Grupo dos Barbonos. Segundo Jorge da Silva, a crise ganhou tom pessoal quando os Barbonos se isolaram e o movimento chegou a exigir a exoneração do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame: — Agora estão falando em traidores. A questão não deve ser tratada como pessoal. A pergunta é: como você pode ter no mesmo estado duas polícias fazendo a mesma coisa e uma ganhando mais que a outra, se os riscos são os mesmos? Segundo Jorge da Silva, Beltrame foi infeliz ao questionar se os policias militares estariam merecendo ganhar mais e se eram confiáveis: — Será que o secretário está afirmando que a Polícia Civil tem que ganhar mais porque é mais eficiente, confiável? Este não é momento para se radicalizar discursos. Acho que a crise ainda não chegou ao seu ápice. Na opinião de José Vicente da Silva Filho, ex-secretário Nacional de Segurança e coronel da PM de São Paulo o agravamento da crise da Polícia Militar foi provocado por uma conjuntura de erros por parte de todos os envolvidos: governador, secretário de Segurança e oficiais. Segundo ele, a posição do Rio como o primeiro na lista dos estados com piores salários do país já é um ingrediente que, por si só, propicia uma crise. — Esta revolta foi infantil, indisciplinada e inconveniente, pois acabou ocasionando um desprestígio. Coronel diz que grupo fez ato de desafio Segundo José Vicente, as polícias têm que criar condições, dar motivação para seus policiais exercerem bem o seu trabalho e, para lidar com a questão salarial, é necessária muita habilidade: — Exigir um aumento brigando com o governo do estado, como fez um grupo de oficiais, num ato de desafio, não é bom, por ser tratar de uma organização militar sujeita a um rigoroso regime disciplinar. Eles apelaram para a indisciplina, quando eles cobram a disciplina de seus subordinados. Por sua vez, dar declarações, como fez o secretário de Segurança, de que o policial recebe o que merece pelo trabalho que apresenta, só fomenta mais a crise — diz José Vicente. Entre as regras quebradas para que as negociações com a categoria chegassem a um bom fim, José Vicente aponta o fato de o governo do estado mandar recados pela imprensa e fazer observações injustas e inoportunas. — O secretário perdeu o controle da crise ao pôr a PM contra ele. Técnico de futebol é que fala mal dos jogadores. Agora, ele terá que reconquistar a tropa. A vantagem da crise é que acelera a fase das negociações. É hora de se sentar à mesa da crise e discutir o resgate da dignidade de soldados, cabos, sargentos, tenentes e capitães, pois é justamente o serviço deles que aparece para a população — diz. Especialista: ‘temos é a revolução silenciosa’ O maior temor, segundo José Vicente, é o que ele chama de revolução silenciosa: — A tropa fica cabisbaixa e desmotivada, revelando isso no seu trabalho. O “bico” (segundo emprego do policial) passa a ser mais importante que a polícia, porque é lá que ele ganha mais. Em vez de a polícia contratar mais nove mil homens, poderia usar este dinheiro para melhorar os salários de seus praças, que ficariam mais motivados a trabalhar mais e melhor. Já Expedito Carlos Stephani Bastos, pesquisador de assuntos militares da Universidade Federal de Juiz de Fora, acredita que o pior momento da crise passou. Segundo ele, as polícias militares de todo o país vivem um momento muito grave, com péssimos salários, ineficiência e escândalos de corrupção: — A Polícia Militar em todo o país precisa passar por um saneamento, mas também precisa ser prestigiada. Os governos precisam criar incentivos para o policial que hoje pensa mais no “bico” para ganhar dinheiro do que na carreira militar. No caso do Rio, a situação é mais grave porque a polícia vive uma guerra civil diária. Movimentos causam desgaste entre oficiais, diz coronel O coronel da reserva Milton Corrêa da Costa, estudioso de segurança pública, lembra que historicamente todos os movimentos reivindicatórios salariais na PM produziram desgastes no oficialato : — Os líderes sabem que assumem o risco de tal posicionamento colocando em risco a própria carreira. Isso tem que ser dimensionado. É regra do jogo. O problema dos baixos salários no aparelho policial civil e militar do estado, além do Corpo de Bombeiros, provém de muitos anos. Para ele, o governador Sérgio Cabral já deu “demonstrações, dentro de sua disponibilidade de caixa, de equacionar a questão”. — Mas também, como comandante supremo do estado, cabe-lhe decidir e adotar as medidas julgadas cabíveis para contornar o impasse — diz o coronel Milton Corrêa.
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