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domingo, 5 de outubro de 2014

SURPRESAS E NÃO-SURPRESAS DA ELEIÇÃO



1. A maior surpresa, claro, foi a morte de Eduardo Campos. A ascensão de Marina, não foi surpresa – eu mesmo previ isso, baseado no efeito comoção (só não previ a rapidez da ascensão e queda).
2. Outra surpresa foi o tucano que tinha virado pó ter conseguido tornar-se um pó-ssível (ou pó-cível), como dizia meu amigo Edson Vidigal, nas suas campanhas da década de 60 para vereador de Caxias, Maranhão. É verdade que Aécio foi muito ajudado pela incompetência da campanha de Marina (iniciada com o imbróglio do “sim, pastor Malafaia”), mas foi principalmente o poder paulista e a mídia que conseguiram fazê-lo alçar voo novamente. Curiosamente, se conseguir o segundo turno, como indicam as pesquisas, talvez tenha contra ele exatamente o poder paulista do vitorioso Alckmin, que está de olho em 2018.
3. A vitória de Alckmin não foi surpresa, assim como não foram surpresas, para mim, as vitórias de Dilma e Pezão, no Rio. Em agosto do ano passado, postei no meu Blog: “Adoro bola de cristal. Desde que tenham pesquisas por trás, perfis bem definidos, muita informação, histórico bem avançado de todos os atores e cenários – enfim, um papo aqui, papo acolá, e imaginação com pé no chão. Vou usar minha bola de cristal para tentar prever três resultados eleitorais”. Os três resultados:
a. Dilma (PT) vence, talvez no primeiro turno.
b. Alckmin (PSDB) vence em São Paulo.
c. Pezão (PMDB) vence no Rio (...). Talvez seja a previsão mais polêmica, mas é bom lembrar que, hoje, os principais nomes (além do Pezão, temos Lindberg, do PT, talvez Garotinho, do PR, e Cesar Maia, do DEM) estão praticamente em empate técnico, com a vantagem para Pezão de ser o menos conhecido e de poder contar com a máquina estadual e a com a política de segurança que mais deu certo até agora. (...) Pezão conta também com a alta rejeição dos outros três e não se contamina com a rejeição (talvez temporária) de Sérgio Cabral. Seu estilo pé no chão, realizador, alheio aos holofotes passou a ser grande virtude para o momento.
Aliás, há pouco mais de 3 meses, o jornalista Roberto Barbosa me perguntou pelo Skype quem venceria, Pezão ou Garotinho? Respondi Pezão. Ele disse que, se isso acontecesse, ele publicaria que eu fui o único oráculo que tinha previsto isso quando Pezão ainda estava com 4%. Veremos no Blog do Roberto Barbosa.
4. Depois do desastre do avião, o maior desastre, para mim, foi a campanha de Lindberg para o Governo do Rio. Pensei, inicialmente, que ele iria para o segundo turno junto com Pezão. Mas seu marketing eleitoral foi errado do começo ao fim. Percebi logo pela foto oficial. Como ainda trazia resquício de cara-pintada, irreverente, daqueles que entram na casa dos eleitores e pedem para tomar banho, conhecido como “Lindinho” por mocinhas enlouquecidas, foi necessário dar seriedade à sua imagem para se qualificar como “Governador”. Foi o que fizeram, mas exageraram na dose: além de sério, ele ficou de cara triste. Não parou por aí. Um quadro forte e repetido exaustivamente em seu programa de TV, mostrava Lindberg atacando o candidato Pezão com a mesma cara triste, cercado por jovens cabisbaixos, mais tristes ainda. Faltou a alegria que ele sempre soube imprimir às suas campanhas. Pior: trouxe para o foco inicial o conceito de cidade partida / estado partido ou “ricos versus pobres”. Muito bom, mas com o desenvolvimento errado – em vez de usar isso para uma proposta de unir/nivelar os dois mundos, ele ampliou o abismo, dando um tom que parecia condenar o mundo da classe média. A classe média que estava pronta para abraçá-lo, mas acabou largando-o no abismo. Como disse Quaquá, presidente do PT-RJ, para o candidato: “Fizeram de você o Não-Lindberg”.
5. Uma grande e simpática surpresa foi o candidato a Governador do Rio, pelo PSOL, Professor Tarcísio. Já conhecia pessoalmente, porque ele esteve, anos atrás, na minha empresa, como um dos dirigentes do SEPE. Mas jamais poderia imaginar que ele teria desempenho tão excelente.

Meus votos, logo mais, não serão surpresas – apenas o voto para Senador, que decidi ontem, depois de um bom papo com meu cunhado, Edwaldo Cafezeiro.

domingo, 20 de julho de 2014

Repitam comigo: “Ôô, o candidato voltô, ôô...”


Em outubro de 2010, fiz uma postagem com esse título, “Ôô, o candidato voltô, ôô...” . Refere-se à minha indignação pelo fato da Campanha de Dilma ter praticamente eliminado Lula de sua campanha no 1º turno, o que, a meu ver, contribuiu muito para ter havido 2º turno. Alguém me disse (sinceramente, não lembro quem) que no domingo mesmo, 3 de outubro de 2010, Sérgio Cabral (naquele momento Governador reeleito do Rio) teria ligado para Lula querendo saber porque ele tinha saído da campanha da Dilma. Lula teria respondido que também não sabia. Dizia-se que era para mostrar que Dilma era independente, não seria tutelada por Lula. Sérgio Cabral teria ligado para o responsável pelo marketing, João Santana e teria dito mais ou menos o seguinte: “João, eu me candidatei pela reeleição para Governador do Rio. Sabe quantas vezes coloquei o Lula na minha campanha? Todos os dias!”
Pode ser que esses diálogos nunca tenham acontecido, mas fazem muito sentido. Pessoalmente, acho que aconteceram. E fazem mais sentido ainda agora, em 2014. Dilma, na minha opinião, fez ótimo governo, certamente em alguns aspectos superior ao de Lula. Mas na comunicação, onde se trava uma guerra sangrenta de percepção, ela saiu perdendo. Comunicação, definitivamente, não foi o seu forte. Por isso, fico feliz com a nota de hoje no Panorama Político do Globo: “O ex-presidente Lula vai ser o âncora do programa de TV da presidente Dilma. Caberá a ele apresentar as realizações do governo. A ideia é renovar a imagem de que Dilma é a herdeira de Lula. Ao contrário da reta final da campanha de 2010, quando a presença de Lula e o protagonismo de Dilma dividiram os marqueteiros petistas, agora estão todos convencidos que Lula é o ator principal”. Pena que levaram 4 anos para compreender isso.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Eleições 2014: qual o curso que o Rio vai tomar?



Até pouco mais de um ano, o Rio seguia um curso eleitoral tranquilo, tanto para os governos federal, estadual e municipal quanto para a população – o pódio já estava definido na cabeça de cada um. Mas surgiu a primeira curva perigosa quando o PT decidiu ultrapassar seu companheiro de escuderia, o PMDB, e lançou o nome de Lindberg para disputar o Governo do Rio. Daí em diante, PT e PMDB praticamente deixaram o resto da corrida em segundo plano e cuidaram de um jogar o outro para fora da pista. O prejuízo maior nessa disputa, digamos, fratricida foi da líder petista, Dilma Roussef, e dos líderes peemedebistas, Sérgio Cabral e Pezão, que, até então, contavam com vitória com ampla margem de diferença. Essa corrida maluca continuou disputadíssima – mas de certa forma previsível – até a semana passada, quando tínhamos informações (não comprovadas) de que Crivella, do PRB, ampliava a sua liderança na corrida, seguido do candidato do PR, Garotinho (que viria perdendo terreno), Pezão (na faixa dos 15%-16%, avançando) e Lindberg, que teria estancado a queda na faixa dos 11%. Quando todo mundo pensava que Lindberg, isolado, iria rodar na primeira curva, ele conseguiu reduzir o efeito do arrasto aerodinâmico abrindo as asas para Romário (PSB) participar de sua chapa como Senador. O público ficou de pé. Alguns, de cabelos em pé. Mas os personagens que estavam no meio do trânsito não se deram por vencido. Crivella intensificou sua busca para o cargo de Vice. Garotinho intensificou suas arrancadas, sem grandes alianças (chegaram a comentar que ele seria Senador na chapa de Crivella, algo bastante improvável), mas ainda com bons índices nas pesquisas. E Sérgio Cabral, em manobra igualmente arrojada, saiu da disputa para o Senado e trouxe o líder do DEM, Cesar Maia (que andava meio deslocado na disputa para Governador apoiado pelo tucano Aécio), para o seu lugar, ampliando o apoio a Pezão. Os comentaristas de plantão reagiram imediatamente. O sempre mal humorado Sirkys, alijado do processo decisório dentro do PSB, esbravejou contra a aliança do seu partido com o PT, qualificando-a como orgia política – em outras palavras, suruba. Na mesma linha orgiástica, o Prefeito do Rio, Eduardo Paes, incomodado com a aproximação com seu antigo mentor e atual inimigo público nº 1, Cesar Maia, qualificou a aliança de seu partido, PMDB, com o DEM de bacanal eleitoral. Ele certamente está vislumbrando na recuperação de Cesar Maia uma ameaça nas eleições municipais de 2016. Mas uma coisa é certa: ninguém sabe com absoluta segurança o que pode ocorrer no Grand Prix Eleitoral do Rio de Janeiro. Talvez seja o caso de “alguém” lançar um safety car na pista. Ou correr o risco de ter que reescrever Dee Brown e lançar “Enterrem meu coração na curva do Rio”...

terça-feira, 20 de maio de 2014

O eixo Rio-São Paulo atravessado na garganta


No Ex-Blog de ontem Cesar Maia pergunta: “seria possível que Lula viesse apoiar Pezão? Claro que não. Ele foi longe demais com Lindbergh. Então o que se pode fazer?” Cesar Maia aponta para um caminho único: “o compromisso de Lula que ficaria ausente da campanha de governador do Rio, pelo menos até a primeira semana de setembro. Depois de 3 semanas de TV, se um dos dois tiver aberto sobre o outro uma diferença – nos dois principais institutos de pesquisa – superior a 5 pontos, Lula entraria para promover esta candidatura”.
Cesar Maia certamente tem mais informações do que revela, principalmente quanto a pesquisas. Hoje já se fala que Pezão estaria 5 pontos à frente de Lindberg e que até julho poderia assumir a liderança. Várias pessoas comentaram isso e, se é verdade ou não, não posso afirmar. Mas sempre afirmei aqui que é preciso respeitar a máquina. Principalmente a do PMDB do Rio.
Lula e o PT pensaram corretamente quando decidiram trazer sangue novo para as disputas majoritárias no eixo Rio-São Paulo, visando a eleição presidencial de 2018. A vitória espetacular de Haddad para a Prefeitura de São Paulo reforçou esse plano, que teria continuidade com os lançamentos de Padilha para o Governo de São Paulo e de Lindberg para o Governo do Rio. No caso de São Paulo, uma decisão mais simples, porque se tratava de duelar com o inimigo tradicional e contando com o poderoso apoio do novo prefeito petista. O caso Alstrom e a falta d’água deram mais gás à decisão – que acabou um pouco prejudicada pelo diz-que-me-diz do doleiro, mas que ainda assim pode dar certo.
Já no Rio foi uma decisão complicada, porque significou o rompimento de uma aliança muito forte com o PMDB em um estado estratégico. Lula apostou em três novas peças do seu tabuleiro de xadrez: o grande desempenho eleitoral de Lindberg em todas suas participações; a crise na imagem de Sérgio Cabral, a partir principalmente das manifestações de 2013; e a suposta falta de carisma de Pezão. Os três pressupostos aparentemente estão falhando. Lindberg de fato ainda não deu o ar de sua graça nesta eleição - mesmo considerando que ele é o nome mais capaz de mobilizar a militância petista, nada aconteceu de motivador até agora. Sérgio Cabral soube sair de cena a tempo de evitar algum problema por desgaste de imagem. E Pezão, com a máquina na mão, um montilhão de obras para apresentar e a vantagem de não ter um perfil identificado com o político tradicional, aparentemente avança um passo após o outro. Resultado: não vai ser simplesmente um “ministério para Cabral” (como insinua Cesar Maia) que vai desengasgar essa relação.

NOTA
Ontem, em conversa com o Deputado Jorge Bittar, do PT, ouvi o jingle de sua campanha para governador do Rio em 1990. Fiquei com um nó na garganta, emocionado. O PT precisa de novas emoções para conquistar a “nova classe média” em 2018.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O Globo x Freixo: como ocultar os fatos mostrando os fatos


Marcelo Freixo é um dos bons nomes políticos que surgiram recentemente. Talvez um dos principais adversários de Eduardo Paes na disputa pelo governo do Rio de Janeiro em 2018. Tem marca jovem, de mudanças, progressista, aparentemente íntegro. De repente, teve seu nome associado a um noticiário espinhoso, a morte do jornalista da Band, Santiago Andrade. A meu ver, uma associação injusta. Acredito que o PSOL (como praticamente todos os outros partidos) procure associar-se aos movimentos sociais, principalmente os de oposição (caso do PSOL) e com boa aceitação. Acredito que os partidos deem apoio logístico e financeiro a alguns desses grupos – e estão certos ao fazer isso, porque afinal um partido existe, como o nome diz, para representar as ideias e os interesses de uma parte da sociedade. E é por isso que não se pode atribuir culpa ao PSOL no caso da “cabeça de nego”. Apesar de se apresentar como à esquerda do PT no espectro político-partidário, não é uma associação extremista. Seu perfil eleitoral está bem mais associado à classe média tipo Zona Sul do Rio – exatamente aquele segmento que mais repele ações rotuladas de vândalas. Por que então seu nome foi associado ao artefato terrorista? Não me venha o Globo dizer que agiu com isenção jornalística. Isso nunca existiu e não seria agora que começaria. O Globo atirou a primeira pedra, sim. No seu editorial do dia 12, “Os inimigos da democracia”, escreveu que “o crime jogou luz sobre a inaceitável atuação do gabinete do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) em defesa de vândalos. Ele e partido precisam explicar a função dupla de Thiago de Souza Melo, assessor do deputado, pago, portanto, pelo contribuinte, e, ao mesmo tempo, advogado de black-bloc e similares”.  “Inaceitável atuação do gabinete do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) em defesa de vândalos”? Isso é ou não é uma acusação grave? Caetano Veloso soube protestar contra esse parcialismo do Globo, corajosamente, na sua coluna dominical no próprio jornal. Mas Marcelo Freixo errou no seu protesto. Resolveu fazer política barata ao tentar colocar o Globo como parceiro de Sérgio Cabral, dizendo (erroneamente) que o jornal não criticava o atual governador do Rio de Janeiro e lembrando que foi um dos veículos de comunicação que defenderam a ditadura de 64 ("A exaltação de um factoide"). O Globo respondeu bem ("O dever de um jornal — II"). E a questão não é essa. O Globo – como qualquer veículo de comunicação – pode ser parcial aparentando ser imparcial. É capaz, portanto, de ocultar ou alterar fatos simplesmente mostrando os fatos.
Ou mostrando fotos, como é o caso da foto ridicularizando José Dirceu no dia seguinte (3 de agosto de 2005) à Comissão de Ética que apresentou o seu confronto com Roberto Jefferson. Ou fazendo associações forçadas, como é o caso de apontar na direção de Freixo em um editorial intitulado “Os inimigos da democracia”. Freixo agiu defensivamente. O que ele tem que fazer é mostrar que  maior inimigo da democracia pode ser quem dribla os fatos. Ou as fotos.

Nota Para que fique bem claro: não sou filiado ao PSOL nem a qualquer partido político e condeno veementemente o vandalismo. E gosto de ler diariamente o Globo e vários outros jornais.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Fernando Henrique pirou de vez?


No seu artigo publicado hoje, “Mudar, com pé no chão e visão de futuro”, o ex-Presidente Fernando Henrique, no afã de tentar motivar a oposição para as próximas eleições – mas com uma visão de passado –, diz coisas sem o pé no chão. A primeira frase é um primor: “As pesquisas eleitorais estão a indicar que os eleitores começam a mostrar cansaço”. Que pesquisas são essas, Fernando Henrique? Aquelas que indicam a possibilidade de Dilma vencer no primeiro turno? Não há certa incongruência na afirmação?
Em seguida Fernando Henrique refere-se às manifestações de rua de 2013: “A insatisfação estava nas ruas, a despeito das melhorias inegáveis do consumo popular e de alguns avanços na área social”. Entenderam mais essa incongruência? Ele reconhece que o país inegavelmente avançou e diz que, ainda assim, as ruas querem mudanças. Mas isso, Fernando Henrique, não quer dizer que querem voltar atrás, voltar aos tempos do grande atraso social. As ruas querem que o atual governo avance ainda mais – esse é o recado óbvio. O próprio Fernando Henrique concorda com isso na frase seguinte: “É que a própria dinâmica da mobilidade social e da melhoria de vida, e principalmente o aumento da informação, geram novas disposições anímicas. As pessoas têm novas aspirações e veem criticamente o que antes não percebiam. Começam a desejar melhor qualidade, mais acesso aos bens e serviços e menos desigualdade”. Absoluta verdade. Mais um motivo para não voltar atrás.
Outro motivo foi dado por Fernando Henrique, quando, pela bilionésima vez, tenta provar que as “políticas de distribuição de renda” (em outras palavras, o Bolsa Família!) foram criadas pelos tucanos. Ora, tenha paciência! Criaram mas não fizeram?!? São as ruas que dizem: quem prometeu, e não fez, perdeu a vez.
Mas ele não para. Quando trata da questão da segurança, resolve citar trabalho tucano em São Paulo como exemplo! Vou repetir: resolve citar trabalho tucano em São Paulo como exemplo! Chega a aconselhar “pôr fim, como está fazendo São Paulo, às cadeias em delegacias”. Meu Deus, Fernando Henrique, o governo Garotinho fez isso no Rio em 2000, com as Delegacias Legais! E o governo tucano de São Paulo ainda está longe de chegar a algo parecido com as UPPs do governo Sérgio Cabral!
Quando resolve entrar na área da moradia, o desatino é total: “Por que não mostrar que o festejado programa Minha Casa, Minha Vida tem um desempenho ruim quando se trata de moradias para a camada de trabalhadores também pobres, mas cuja renda ultrapassa a dos menos aquinhoados, teoricamente atendidos pelo programa?” Sabe por que a oposição não pode nem tentar provar isso? Primeiro, porque 1,5 milhão de famílias (com renda até 5 mil reais por mês) já foram beneficiadas e mais 1,7 milhão de casas e apartamentos estão em construção em todo o país. Segundo, porque quem hoje está na oposição nunca fez nada quando estava na situação. Não lembro de nada que tenha sido feito sobre moradia popular, desde os tempos da ditadura.
Em uma de suas premonições de derrotado, Fernando Henrique divaga: “talvez a população queira eleger gente com maior capacidade organizacional e técnica, que conheça os nós que apertam o país e saiba como desatá-los”. Na verdade, aí está o nó da questão: ele sonha com o retorno à política neoliberal de seu governo, onde o desemprego não tinha tanta importância, a imensa desigualdade social era preservada com afinco, os juros iam às alturas – enquanto o “mercado”, com seus nós bem frouxos, sorria feliz.
No final, Fernando Henrique diz algo que aplaudo: “Também chegou a hora de uma reforma política e eleitoral. Não dá para governar com 30 partidos, dos quais boa parte não passa de legenda de aluguel”. Fora isso, o que vejo em seu artigo pode ser traduzido por uma de suas frases: “Ocorre que a realidade existe e que às vezes se produz o que os psicólogos chamam de ‘incongruências cognitivas’“.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Cesar Maia tem meia razão


No seu Ex-Blog de hoje, Cesar Maia critica o marqueteiro João Santana por ter alertado o pré-candidato a Governador do Rio, Lindberg (PT), que se a sua campanha não conseguir 5 minutos para os programas de TV, “fica difícil competir com Luiz Fernando Pezão (PMDB), que já possui o tempo do PSD e do Solidariedade”. Cesar Maia diz que “isso depende da dispersão dos candidatos e do quadro eleitoral”, no que está certo. E lembra que em 2000, na campanha para Prefeito do Rio, ele próprio, “com menos de 2 minutos foi para o segundo turno”. Poderia ter lembrado também da campanha de 98, quando Garotinho, com apenas 3’19” de tempo na TV, derrotou as campanhas milionárias de Luiz Paulo Corrêa da Rocha e de Cesar Maia, que tinham, cada uma, aproximadamente o dobro do tempo.
Se é verdade que o tempo maior na TV não é condição sine qual non de vitória eleitoral, é verdade também que o tempo maior pode trazer muitas vantagens. Indica mais apoio, dá mais credibilidade e pode ajudar a passar um clima vitorioso. Além disso, o maior tempo de um candidato no seu programa eleitoral implica maior número de inserções de 30”, mais comerciais da campanha que são transmitidos durante a programação normal. Essas inserções, quanto mais, melhor. No caso da eleição do Rio, João Santana está certo em pedir mais tempo - um tempo que pode, sim, fazer diferença.

Leia o texto de Cesar Maia:

JOÃO SANTANA DÁ CONSELHO BOBO A CANDIDATO DO PT NO RIO!
   
1. A bobagem. (Lauro Jardim - Radar Online, 30) João Santana avisou a Lindbergh Farias que as alianças para a campanha no Rio de Janeiro têm que alcançar, pelo menos, cinco minutos para os programas de TV. Hoje, o PT tem pouco mais de três minutos de espaço na propaganda partidária. Menos que isso, fica difícil competir com Luiz Fernando Pezão, que já possui o tempo do PSD e do Solidariedade.
    
2. (Ex-Blog) Isso depende da dispersão dos candidatos e do quadro eleitoral. Em 2000, Cesar Maia, no Rio, com menos de 2 minutos foi para o segundo turno. Aí os tempos igualam. Essa eleição de 2014 no Rio tem a maior dispersão de todas para governador. Tempo de TV não fará diferença: se passar dos 15% se vai para o segundo turno. Cabral, para prefeito, em 1996, tinha um latifúndio de tempo de TV. Abriu disparado e por um mínimo passou para o segundo turno.  Etc.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Em eleição, o mais importante é enxergar lá longe


Interessante o Ex-Blog desta terça-feira, 21, em que Cesar Maia procura comparar a próxima eleição para Governador do Estado do Rio de Janeiro com a de 98, quando se candidataram, entre outros, Luiz Paulo Correa da Rocha (PSDB, PMDB, PSD, PL e apoiado pelo então governador Marcello Alencar), Garotinho (da coligação PDT, PT,PSB, PC E PCdoB) e o próprio Cesar Maia (DEM, PP e PTB). A tese de Cesar Maia procura usar isso como exemplo negativo para o PMDB de Sérgio Cabral. Afinal, “Luiz Paulo partiu com os mesmos 5% de Pezão” e chegou ao final com “8% sobre o total dos votos emitidos” (15,51% dos votos válidos, enquanto Garotinho teve 46,86% e o próprio Cesar Maia 34,30%). Claro que é um exemplo a se considerar, mas sob outro enfoque.
Fiz a campanha de Garotinho em 98 (a partir de 16 de junho) e desde o começo o adversário principal era Cesar Maia. Em maio, eles estavam na faixa dos 30%, enquanto Luiz Paulo patinava na faixa dos 3 a 5%. Isso permaneceu assim até julho/agosto, quando Garotinho começa a descolar de Cesar Maia e pula para a faixa dos 40%. Garotinho, além de representar a união de Interior e Baixada, representava a união das forças populares (Brizola) com a classe média progressista, de esquerda, representada por PT, PSB, PCB e PCdoB. Luiz Paulo era apoiado pelo governador que teria traído o trabalhismo e privatizado, como bem aponta a Wikipédia, “uma série de empresas estatais como a CERJ (Companhia de Eletricidade do Estado do Rio de Janeiro), BANERJ (Banco do Estado do Rio de Janeiro), CONERJ, TELERJ, CEG (Companhia Estadual de Gás), Flumitrens e o próprio Metrô e ainda extinguiu a CTC-RJ (Companhia de Transportes Coletivos do Estado do Rio de Janeiro)”.
Garotinho, que tinha sido considerado o melhor prefeito (Campos) do Brasil, na época representava também “sinceridade”, “juventude”, “obras mais humanas”, “povo”. Cesar Maia, que não soube aproveitar as suas grandes realizações como Prefeito do Rio, ficou associado (segundo quali que realizamos) a “falsidade”, “arrogância”, “elite”, “não gosta de povo” (declaração de que ia jogar creolina nas calçadas para afastar os moradores de rua foi crucial). Nesse embate entre “povo” e “anti-povo”, não sobrou espaço para Luiz Paulo, nem com toda a máquina que existisse.
O cenário hoje é bem diferente. Há dois candidatos em disputa séria (Lindberg, do PT, e Pezão, do PMDB) e dois (Crivella, do PRB, e Garotinho, do PR) que, apesar de liderarem as pesquisas no momento, não parecem que disputam pra valer. Parecem muito mais dispostos a negociar apoio ou a se cacifar e cacifar os seus partidos para as próximas eleições. Ao contrário do que propõe Cesar Maia, hoje vale muito mais olhar pra frente do que olhar pra trás.

Leiam o texto do Ex-Blog:
ELEIÇÃO NO RIO: PMDB PODERIA OLHAR TAMBÉM PARA TRÁS!
       
1. (Ex-Blog) Em 1998 o PSDB, no governo, lançou o vice-governador e secretário de obras, Luiz Paulo Correa da Rocha, candidato a governador. O PMDB apoiou e Luiz Paulo passou a ter um enorme tempo de TV. O governador Marcelo Alencar enfrentava desgaste, mas nada comparado com Sérgio Cabral agora. O PSDB tinha 46 prefeitos e praticamente todos os da região metropolitana. A campanha do PSDB foi feita por Duda Mendonça. Luiz Paulo partiu com os mesmos 5% de Pezão. Subiu e chegou a 8% sobre o total dos votos emitidos.

Obs.: a ilustração acima foi transformação de uma que encontrei na internet.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Lindberg pisou na estrela




A jogada do candidato a candidato a Governador do Rio pelo PT parecia uma verdadeira pintura. Escalava o Baixinho para Vice, deslocava a equipe petista para fora do campo peemedebista, aproveitava que a torcida organizada anda criticando o desempenho de Cabral, desviava do Pezão – e aí era só correr pro abraço. Para completar a pintura parecia que só faltava convocar os astros do momento, Campos e Marina. Mas esse foi aquele drible a mais, porque não combinou o lance com a principal estrela da equipe. Aí, a bola murchou, a torcida vaiou, o resto da equipe começou a reclamar do estrelismo – e agora o atleta do voto corre o risco de ficar de fora na próxima partida.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Boato, uma ciência política



No livro “Política é Ciência”, de César Maia, podemos ler esse seu depoimento sobre um diálogo com seu assessor durante a campanha de 96, quando ele apoiava Conde contra Sérgio Cabral para Prefeito do Rio: “Pega o celular, liga para o fulano, manda colocar umas 150 pessoas em botequins tomando cafezinho e dizendo: ‘Eu soube que o Sérgio Cabral vai renunciar. Diz esta frase que é boa’. Dali a três dias alguém veio me dizer: ‘O Serginho vai renunciar...’” Em seguida o jornalista Luís Erlanger comenta: “É o princípio do boato”. E César acrescenta: “Os fluxos tardeanos não são nada mais do que o boato ou a verdade. Vai contaminando”. O rodapé do livro, que foi lançado em 98, faz questão de explicar: “Fluxo tardeano é um conceito sobre a formação da opinião pública, desenvolvido pelo filósofo francês Gabriel Tarde, no início do século”.
Isso tudo é verdade. Esses fluxos de que tanto fala César Maia fazem parte da vida política, sejam boateiros ou verdadeiros. Por isso, não me venha a oposição fazer ar de surpresa ou de indignação, porque esse boato recente envolvendo o Programa Bolsa Família é obviamente uma peça oposicionista, mesmo que tenha surgido espontaneamente (coisa que duvido muito). Por isso, acredito que a Maria do Rosário tenha agido com precisão ao denunciar esse “partido”, o CNO, que tem atuado com força nos períodos pré-eleitorais. O CNO (Central de Notícias da Oposição) é o “partido” que mais cresce nesse período e é importante que se esteja atento contra suas investidas. Chiliques à parte, infelizmente é assim que a coisa funciona. Cientificamente...

domingo, 29 de abril de 2012

O marketing da baixaria, um mal sem fim da política




Em 98, logo após a campanha vitoriosa de Garotinho para governador do estado do Rio de Janeiro, escrevi um “Diário de Campanha” (que você pode ler na íntegra, clicando na foto da capa, aqui ao lado), e um de seus capítulos foi sobre “O Marketing da Baixaria”. Meu alvo principal era a campanha do terror que Cesar Maia desenvolveu na época, principalmente contra Brizola e Garotinho. Começo dizendo: “A baixaria, infelizmente, está incorporada às campanhas políticas. De tal maneira, que virou regra”.
Marketing, como diz Al Ries, é guerra de percepções, e o marketing político não é diferente. Talvez até seja mais intenso. O problema é que há uma linha de pensamento entre políticos e marqueteiros políticos que acredita que construir uma percepção negativa do adversário é mais importante do que construir (ou fortalecer) a sua própria imagem positiva. Nessa campanha de 98, foi assim. Cesar Maia tinha grandes realizações para mostrar, sua administração como prefeito era bem avaliada – mas o complexo de escorpião falou mais alto e ele preferiu atacar Brizola e associá-lo com o adversário Garotinho.
“César diz que Brizola criou a Fetranscoca”, noticiava o jornal Extra. Ou “Cesar quer a cabeça de Marcello” (jornal O Dia). Ou “César fará vídeo-denúncia” (JB). Nada disso adiantou. Ou melhor, funcionou ao contrário: Cesar Maia acabou personificando todo o noticiário negativo, sua imagem virou sinônimo de trevas. É verdade que em 92 tinha dado certo. Ele conseguiu associar Benedita aos arrastões que, misteriosamente, surgiram na praia e foram bem documentados. Apropriou-se também de uma história de um filho da Benedita que teria comprado um diploma escolar (só muitos anos depois a Benedita teve conhecimento da história verdadeira e completa). Mas a situação era outra. A campanha petista era extremamente ingênua, ainda despreparada para um enfrentamento mais pesado, e tinha feito a bobagem de levantar a bandeira da honestidade. Lembro até a história de um irmão do Cesar Maia que teria ido à produtora petista disposto a “revelar os podres de Cesar Maia”, mas a Coordenação não achou correto divulgar, porque não existiam provas concretas. Se fosse o contrário, bem provavelmente o depoimento teria ido ao ar, dentro da lógica de que “em campanha política a única coisa que não se pode fazer é perder”.
Quando vejo os ataques de baixo nível que Garotinho faz agora contra o Sérgio Cabral, lembro de todos esses momentos, e me impressiono. Ou talvez nem tanto. Afinal, esse tipo de ataque é típico do desespero. Garotinho e Cesar Maia – hoje, aliados – estão sem alternativas, com imagem em queda, não veem outro caminho que não seja o de desqualificar o principal adversário regional. Procuraram pegar carona no escândalo de Cachoeira (que obviamente deve ser noticiado e investigado) para tentar envolver Sérgio Cabral (de certa forma, até contribuindo para desvio do foco principal) e para isso divulgaram cenas que – independentes do que realmente representam – podem causar grande imagem negativa. O maior prejudicado, no entanto, é o eleitor, que fica perdido nesse tiroteio da guerra de percepções. Talvez seja o caso de recuperar a reportagem da Tribuna de 22 de julho de 1998 que manchetava: “Garotinho pede a César para elevar o nível da campanha”.


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Parabéns, Rio! Parabéns, Brasil!

A conquista da Rocinha realizada ontem pelo Estado do Rio de Janeiro, com apoio federal e municipal, vai além da vitória das forças de segurança contra os barões do tráfico. Significa um passo importantíssimo pela democracia e pelas desigualdades sociais. Mais do que o domínio da droga e da violência armada, o que existia ali - e em outros locais semelhantes - era o domínio do atraso. Os benefícios sociais estavam impedidos de subir a favela por causa de suas barreiras medievais. Ao contrário do que alguns podem crer, não havia Robin Hood na parada. Vivia-se sob o domínio do medo, sem acesso a nada. Contraditoriamente, o traficante Nem dava valor a certas conquistas sociais. Quando foi preso, fez questão de ligar para a mãe e aconselhar seus próprios filhos a não deixarem de ir à escola. Sem contar que ele declarava - e até pagava! - o Imposto de Renda... Significativamente, as pessoas que estavam ao meu lado (eu estava no interior do Rio), continham as lágrimas assistindo o discurso de Sérgio Cabral comemorando o feito. O dia13 de novembro de 2011 tornou-se histórico, passou a marcar uma espécie de Abolição da Escravatura na Rocinha (aliás a Princesa Isabel morreu em um 14 de novembro).
Nota: somente agora, dia 15, li a entrevista que Nem deu a Ruth de Aquino na revista Época do dia 11. Emocionante. Faz bem ler. Aqui.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Percepções: Palocci, Obama, Battisti, bombeiros e Humala

Em política, mais do que em qualquer outro aspecto da vida, não basta ser – tem que ser percebido que é. Foi o que aconteceu com Palocci. Não bastou provar que não há nada concreto contra o seu enriquecimento súbito, nada demonstra que foi ilícito. Mas, se pretende ser percebido como íntegro, o homem público não pode deixar transparecer enriquecimento malvisto – por mais honesto que tenha sido. O erro de Palocci foi esquecer essa regra. A oposição está mais interessada nas percepções do que nas comprovações, é o que lhe resta para crescer. Como teria dito Lula, Palocci saiu na hora certa.
Obama ganhou admiração do eleitor americano quando mostrou que sabe falar grosso no combate ao terrorismo. Invadiu o Paquistão, matou bin Laden, sequestrou e desapareceu com seu corpo – e seus índices de aprovação dispararam. Agora precisa ser percebido como aquele que também fala grosso na economia.
Sobre Battisti, a Itália e Gilmar Mendes podem dizer o que bem entenderem – mas o caso é político, e foi com essa visão que Lula corretamente agiu. Mas a guerra de percepções continua.
Os bombeiros do Rio (e provavelmente do mundo inteiro) sempre foram percebidos como heróis. Além de combatentes do fogo, a partir do Governo Brizola, passaram a atuar no atendimento de emergência para acidentes. E no Governo Sérgio Cabral sua ação se ampliou, com os bombeiros agindo como auxiliares da saúde, muitas vezes substituindo com vantagem os profissionais tradicionais da saúde. Infelizmente, esse novo papel causou fissuras internas (“brancos” x “vermelhos”), inclusive em questões salariais. A insatisfação cresceu e uma espécie de movimento sindical-fundamentalista (evangélico) ganhou força. Com a votação da PEC 300 em perspectiva e a decisão de radicalizar diante de impasses, os bombeiros ganharam as ruas. Provocaram uma situação de confronto irreversível e, ao contrário do que normalmente ocorre nessas situações, conservaram a simpatia pública. O Governo não teve alternativa a não ser cumprir a lei. Mas agora está enfrentando uma difícil guerra de percepções, que pode se ampliar nacionalmente.
Humala confirmou a previsão deste Blog. Reagiu na reta final e superou a adversária, Filha de Fujimori, em uma guerra de percepções bastante complexa. Agora, eleito, enfrenta o terceiro turno dessa guerra, a luta contra os neoliberais que buscam inviabilizar o seu governo associando-o a Hugo Chávez. Como antídoto inicial, Humala escolheu o Brasil de Lula e Dilma como primeiro país a ser visitado.

sábado, 16 de abril de 2011

Eleições: o que é que chega primeiro, 2012 ou 2014?


Ontem, na inauguração da sede do PMDB fluminense, um dos assuntos preferenciais nas conversas paralelas era a candidatura do Vice Pezão para a sucessão do Governador Sérgio Cabral em 2014. Teve gente que jurava ter ouvido Lula declarar (brincando, claro): “Se você se candidatar, Pezão, quero ser seu Vice!”
Mas se é verdade que 2014 começa a entrar na pauta, 2012 já está acelerado. Os prefeitos (principalmente os que vão para a reeleição) tratam de embelezar suas cidades e espalhar obra por toda a parte. Os pré-candidatos de oposição buscam apoios, preparam pesquisas e já pensam em marqueteiros. E tem milhares de pessoas que não sonham com outra coisa que não seja a candidatura a Vereador. O zelador do meu prédio é um desses, que puxa assunto todo santo dia. Ontem, me viu e foi logo perguntando: “É verdade que o PCdoB é o partido que elege com menos votos?” Respondi com outra pergunta: “E você por acaso é comunista?”
Até Garotinho (PR-RJ), que pensa unicamente em política desde os tempos em que era Bebezinho e que acaba de ser eleito Deputado Federal, parece que está procurando mudar o domicílio eleitoral para outro município do Rio de Janeiro onde possa se eleger Prefeito. Ao mesmo tempo lança sua filha, a Deputada Estadual Clarissa Garotinho (PR-RJ), para a prefeitura da Capital. Pior: na mesma chapa do Deputado Federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), filho do eterno arquirrival Cesar Maia (DEM-RJ). Teve um amigo (que não pertence a qualquer partido) que observou: “Parece a história do sapo transportando o escorpião na travessia do rio. Só falta decidir quem é o sapo e quem é o escorpião...”
E por falar em Cesar Maia, ele parece que está chateadíssimo com o estrago feito por Kassab  e seu PSD (que significa Partido do Serra e da Dilma, diz o Jorge Bastos Moreno...) e anda fazendo mil análises eleitorais. Às vezes muito boas, como o os dois textos que divulgou sobre os votos “Zona Sul” (classe média) do Rio, que reproduzo abaixo.
(Em tempo: as eleições presidenciais também já estão em pauta, mas essa é uma preocupação oposicionista para 2018...)

COMO VOTA A ZONA SUL DO RIO! COMO VOTOU EM 2010!
Cesar Maia

1. O voto da Zona Sul do Rio é quase sempre diferente da média da cidade, e quase sempre é muito diferente do voto das Zonas Norte e Oeste do Rio. Assim é desde os anos 30. Nos anos 50, a Zona Sul votou em Lacerda e as Zonas Nortes e Oeste em Lutero Vargas. Em 1960, garantiu a vitória de Carlos Lacerda contra Sergio Magalhães. Negrão de Lima venceu na cidade toda, menos na Zona Sul. O mesmo em relação a Brizola. Em 1992, a Zona Sul levou Cesar Maia ao segundo turno e à vitória. Em 2006, Denise Frossard ganhou de Cabral na Zona Sul. Em 2006, para deputado, Gabeira venceu na Zona Sul, mas perdeu para Rodrigo Maia nas Zonas Oeste e Norte. Em 2008, Gabeira venceu na Zona Sul. Em 2010, Chico Alencar venceu na Zona Sul e Garotinho nas Zonas Oeste e Norte. Da mesma forma nas presidenciais de 1989, 1994 e 1998.
2. Em 2010 não foi diferente. Dilma foi a grande vencedora para presidente em toda a cidade: menos na Zona Sul. Nesta, ela chegou em terceiro lugar. Serra venceu com 150.072 votos, Marina teve 139.392 e Dilma 137.692. Para governador, embora Cabral tivesse vencido também na Zona Sul, aqui foi a sua menor diferença. Ele teve 216.550 votos, Gabeira 167.962 e Peregrino 8.062.
3. No Senado esteve a maior diferença em 2010. Pela Zona Sul, venceriam Lindbergh com 162.919 e Cesar Maia com 124.401. As demais posições também seriam invertidas. Crivella, segundo na cidade, chegou em sexto lugar na Zona Sul, com 84.723 votos, perdendo para Temer, Cerqueira e Picciani. Picciani, que foi terceiro na cidade, na Zona Sul seria quinto, perdendo para Temer e Cerqueira. Picciani teve 91.804 votos, Temer 96.174 e Cerqueira 93.755.
4. Em outras grandes cidades no Brasil e no Mundo, o voto da classe média de maior nível de renda e instrução influencia a votação da cidade. Não que isso signifique a mesma ordem dos candidatos em todos os bairros. Certamente não. Mas aproxima. O que diferencia a situação do Rio é que a votação na Zona Sul do Rio é a inversão das demais regiões, especialmente da Zona Oeste. A eleição de 2004, quando o prefeito reeleito venceu em 96 das 97 zonas eleitorais da cidade, foi uma exceção à regra.

* * *
2010: DEPUTADOS FEDERAIS E ESTADUAIS MAIS VOTADOS NA ZONA SUL DO RIO!Cesar Maia

1. Os dois mais votados para Deputado Federal na Zona Sul foram: Chico Alencar com 43.676 votos e Molon com 22.396 votos.
2. Os dois mais votados para Deputado Estadual na Zona Sul foram: Marcelo Freixo 37.994 votos e Wagner Montes 27.306 votos.
3. Curiosamente, o deputado federal - choque de ordem - foi o décimo segundo mais votado da Zona Sul, com 6.476 votos.
4. Conheça os 15 deputados - federais e estaduais - mais votados na Zona Sul em 2010.


(clique para ampliar)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Escondidinho, na sexta-feira



Durante um tempo, na década de 80, as minhas “nights” de sexta-feira tinham “embalos” bem diferentes da maioria das pesoas. Morava em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, e mal chegava da empresa onde trabalhava (MPM Publicidade) saía de carro novamente. Pegava a Rua Alice, atravessava o túnel Rio Comprido e parava o carro na Rua Barão de Petrópolis, ali na entrada da comunidade do Morro do Escondidinho. Subia e, bem lá no alto, batia na porta de uma companheira de movimento político clandestino. Ela juntava outras pessoas e íamos para um posto de saúde, sempre fechado, onde discutíamos, entre outras coisas, “O Capital”, de Marx.
O tempo passou, durante o Governo Sarney foi consolidado o fim da ditadura, as minhas (poucas) noites de sexta-feira no Escondidinho ficaram na lembrança. Com o domínio do tráfico nas comunidades cariocas, o “capital” passou a ser de outro tipo, a violência armada ditou o ritmo local. Recentemente (no ano passado), indo para uma produtora de vídeo mais ou menos perto dali, em Santa Teresa mesmo, dei de cara com um jovem de granada na cintura e uma pistola na mão. Não aconteceu nada demais, foi um encontro casual. Comentei o fato com o Governador Sérgio Cabral que me deu uma resposta que, de alguma forma, me fez sentir certa esperança no ar. Na madrugada de sábado para domingo, saiu a resposta que estava escondidinha. O Escondidinho e mais 8 comunidades das proximidades foram ocupadas pelas forças policiais do Rio de Janeiro, com participação também da Marinha e da Polícia Rodoviária Federal. Tudo com eficiência e tranquilidade, cumprindo o cronograma de implantação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Daqui pra frente, os “embalos” do Escondidinho serão mais animados.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Com o Pezão na lama


No início da semana passada, o Vice-Governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, que estava como Governador em Exercício, disse assim, agendando uma reunião: “Vamos fazer na quarta-feira, que minha agenda vai estar mais tranquila”. Na quarta, a agenda do Pezão literalmente inundou. Partiu para a região da calamidade e não saiu mais de lá. Como ex-Prefeito do Interior (Piraí), ele já está acostumado a enfrentar esses descalabros, como o que tomou conta da Região Serrana do Rio.
No Globo Online de hoje (“Vice-governador Luiz Fernando Pezão, que também é secretário de Obras, vai para a linha de frente da tragédia”) uma reportagem relata (com data errada) o que têm sido esses dias de Pezão. Trechos:
Como no temporal do ano passado em Angra dos Reis, que matou 53 moradores, Pezão tem chamado a atenção pela rapidez com que vai para a linha de frente das tragédias, e assume os trabalhos de coordenação das equipes de governo.

Com 1,90m de altura e sapato tamanho 48, o vice-governador passa horas em reuniões com secretários de municípios e técnicos para traçar estratégias que possam ajudar as cidades a se recuperar da destruição das chuvas.

 A rotina de trabalho do vice chega a durar 17 horas por dia. Depois de viajar para a Serra na semana passada, ele só voltará a ver sua mulher, Maria Lúcia, amanhã ou na sexta-feira. 
O vice-governador conta que, nos últimos dias, chorou ao ouvir relatos dos dramas dos moradores. Um dos momentos mais tristes foi ao entrar no Instituto Médico Legal de Friburgo e ver que vários corpos eram de crianças.

(...) rendeu também elogios do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, em várias ocasiões, afirmou que Cabral tinha o melhor vice do Brasil.
Seu amigo (e Governador) Sérgio Cabral tem dito que Pezão será o seu candidato para a sucessão em 2014. Pode ser que ainda esteja cedo para afirmar isso. Mas é certo que Pezão tem avançado muitos passos demonstrando que está habilitado para o cargo.

NOTA: Recebi comentário do Pezão: "Tava com lama em cima da cabeca agora já tá na barriga!"

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Lulão, o poetão do Complexo Alemão

Quem me enviou a notícia foi a sogrona.
O repentista Lulão
cheio de animação
no Complexo do Alemão,
pra espanto de Lindberg, Cabral e Pezão...

Legalizar o jogo é bom ou ruim? Façam as apostas...


Quando trabalhava na MPM, a agência ganhou (ou estava prospectando, não sei) a conta de um cassino (ou seriam todos os cassinos) em Aruba. Lembro que fiz um anúncio (não deve ter sido veiculado) que gostei muito e que dizia: “Jogue fora o dia-a-dia. Jogue em Aruba”. Lembro também de histórias contadas pelo profissional que atendia a conta. Disse que quando estava em visita ao cassino o cliente apontou alguém que estava jogando e disse: “Aquele ali tem crédito de até 4 milhões de dólares. É ministro na Bolívia”. Outra vez me contou que tinham chegado ao Rio dois “representantes” do cassino – para cobrar dívida de alguém...
Apesar desse, digamos, envolvimento que tive, sempre fui contra jogar a dinheiro. E me tornei, naturalmente, sem moralismo, contra a legalização do jogo. Mesmo assim, ainda na MPM, fiz muitas campanhas, algumas premiadas, para as loterias da Caixa. E sempre adorei ver “The Cincinnati Kid” (“A Mesa do Diabo”, com Steve McQueen e Edward G. Robinson) ou o pôquer do Cassino Royale . Na semana passada, li que o Governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, tinha defendido publicamente a legalização do bingo. Antes, já tinha defendido a descriminalização tanto da maconha quanto do aborto e comentei que ele, definitivamente, adorava uma polêmica. Ele respondeu dizendo que era sempre polêmica das boas causas. E, para certa surpresa minha, acrescentou: “Te confesso que não acho a menor graça em jogo e apostas. Nunca fui a Las Vegas na minha vida nem a Punta del Este. Entretanto tenho pavor de burrice!!!”
Basicamente, Sérgio Cabral argumenta que a maioria dos países (como Estados Unidos, Itália, Canadá, Argentina e China) permite os jogos, mas o Brasil não - o que faz com que o dinheiro gerado acabe não sendo destinado a fins sociais.
“O Brasil tem problemas muito maiores quando torna o jogo ilegal porque a renda não é destinada a ajudar pessoas como acontece na Loterj”, declarou Sérgio Cabral aos jornais.
Não me considero burro, mas ainda tenho algumas dúvidas. Quero dizer, porém, que essa nova polêmica lançou novos dados na cabeça e comecei a tender mais para a legalização. Preto ou vermelho?

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Artistas, intelectuais e Vox Populi mostram a diferença


A Campanha Dilma retoma o caminho natural da alegria, da campanha vitoriosa. Ontem, seu programa foi bem superior – sendo que a edição do debate da Rede TV! foi até melhor do que o próprio debate. Sua participação no Jornal Nacional foi ótimo – principalmente porque o casal apresentador preferiu deixar o vedetismo de lado. À noite, o encontro com artistas, intelectuais e lideranças políticas foi um sucesso. Oscar Niemeyer e Chico Buarque. Beth Carvalho e Alcione. Leonardo Boff e Sérgio Cabral. Antônio Pitanga e Alceu Valença. Jacques Wagner, Michel Temer, e por aí vai. Gilberto Gil, que saiu na frente no apoio, está em Nova York. Um sucesso absoluto. Para coroar esse momento de glória, saiu o último Vox Populi com 57% para Dilma contra 43% para Serra nos votos válidos, 14 pontos de vantagem. Dilma vence no Nordeste, no Sudeste, perde no Sul. Vence entre católicos praticantes e não praticantes, e está praticamente empatada entre evangélicos. Vence entre os pobres com o dobro das intenções de voto. A pesquisa, com 3.000 entrevistas (margem de erro de 1,79 ponto percentual), foi realizada entre os dias 15 e 17 – não captou debate, nem entrevista no Jornal Nacional nem o apoio do Teatro Casagrande. A campanha avança. Vamos continuar no ataque!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Programas eleitorais do Rio: sem grandes novidades para o Governo, surpresas para o Senado


Sem dúvida, há uma grande diferença entre o programa eleitoral de Sérgio Cabral, PMDB, e os outros. É mais objetivo, mais informativo e ao mesmo tempo mais emocionante. Muito bem feito, tem o que mostrar. Desnecessária a velha viagem de van, semelhante à que foi usada em 2006, com Sérgio Cabral falando com o olhar perdido.
O programa de Gabeira, PV, é bonitinho, mas ordinário. Nada de concreto e objetivo para mostrar. As cenas de valas a céu aberto meio que “sujam” seu programa clean. O slogan “Gabeira é outra história” parece que deseja apresentar o Ex-Gabeira. As imagens com Gabeira atacando Renan Calheiros estão bem feitas, mas pra quê? Esse dedo em riste deu certo contra Severino Cavalcanti, mas depois ficou desmoralizado com o “escorregão ético” das passagens. Aliás, na época Severino Cavalcanti deu entrevista para o Blog do Mello: “Sabe o que acontece? Eu não gosto de pisar em ninguém que está por baixo. Ele agora está sendo humilhado por ele mesmo. Eu vou preferir deixar passar a pose dele, ele repor o dinheiro que recebeu...”
Fernando Peregrino, PR, candidato de Garotinho, fez um bom programa apresentando sua biografia, ao lado de figuras ilustres e em momentos importantes do nosso país. Mostrou que tem história e que não é apenas um pau mandado de Garotinho.
Jefferson Moura, do PSOL, foi melhor no debate da Band. A apresentação feita por Heloísa Helena era inteiramente dispensável.
Na disputa pelo Senado, de um lado estão os programas dos líderes nas pesquisas (Crivella, Cesar Maia, Lindberg e Picciani), do outro lado estão os outros.
Crivella, PRB, que já conta com o apoio da Record e da Igreja Universal, no programa (bem curto) conta com o apoio explícito e decisivo de Lula. Não é à toa que seu adversário peemedebista entrou na Justiça para impedir a participação lulista no programa peerrebista.
Cesar Maia, DEM, fez programa bonito, didático e com elementos visuais associados a elementos da internet – paixão do candidato.
Lindberg, PT, fez um programa bem cuidado, com um jeito bom de falar, com apoio explícito de Lula, mostrou a família – mas deixou a sensação de que ainda não começou. Deve melhorar bem.
Picciani, PMDB, foi o que mais surpreendeu. Programa bem feito, dinâmico, informativo, mostrando um Picciani atuante, desenvolto e contando com o forte apoio de Sérgio Cabral. Parecia programa de candidato executivo.
Ah, sim, teve também o programa de Marcelo Cerqueira, PPS, horroroso. Cheio de erros, inclusive de português, e com a cena lamentável do apoio de Fernando Henrique.