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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O Rio de Janeiro vai avançar a passos largos.



Fico feliz com a vitória do Pezão para Governador do Rio de Janeiro. Não apenas por confiar inteiramente na sua capacidade como político e gestor, mas por sentir que de alguma forma contribuí na comunicação de sua candidatura – mesmo não tendo participado da campanha para governador.
Em 96, fui convidado por Franklin Dias Coelho (antigo coordenador de Programa de Governo do candidato Bittar, em 94, e atualmente Secretário de Ciência e Tecnologia da cidade do Rio) para participar de um seminário promovido pelo IBAM para secretários municipais da região do Médio Paraíba. Durou uma semana, em Resende, e a minha palestra, sobre a construção da imagem de uma cidade, encerrou o seminário. Assim que acabei, veio uma moça falar comigo: “Gostei muito da sua palestra. Meu marido vai se candidatar a prefeito e eu gostaria que você fizesse a campanha dele”.
Tempos depois, Maria Lúcia veio à minha empresa, acompanhada do marido, Luiz Fernando, e dos amigos Chiquinho Perota e Luiz Antonio. Luiz Fernando foi logo dizendo: “Não entendo nada disso. O que você disser pra fazer, eu faço”. Na época, ainda era voto em papel, e eu quis saber por qual nome o candidato era conhecido. “Luiz Fernando”, disseram. Mas alguém lembrou que “na cidade, ele também é conhecido por um apelido que tem, Pezão”. Completei: “Então, esse vai ser o nome dele”.
Conversamos muito, o Franklin (que é de Piraí) coordenou uma pesquisa e logo finalizei o conceito: “Com Pezão, Piraí caminha a passos largos”. Foi uma campanha sensacional, alegre, alto astral, a cara de Piraí. Tivemos liberdade total para criar. Por exemplo, no Programa de Governo, satirizando Fernando Henrique com a mão aberta apontando os 5 temas principais de sua plataforma, fizemos o desenho de um pé com seus dedos também apontando os 5 temas principais e o título: “Este Programa foi feito com o pé no chão.”
O Prefeito de Piraí, na época, era o Tutuca (que 8 anos depois elegeu-se mais duas vezes). Maria Lúcia era secretária de Fazenda. Luiz Fernando virou Pezão, elegeu-se Prefeito de Piraí em 96 (no dia da posse, ele já pôde contar com o novo conceito e a nova programação visual da cidade, feita com o Zé Luís "Bob Marley"), reelegeu-se em 2000 e é o atual Governador. Chiquinho Perota foi seu Vice-Prefeito e Luiz Antonio é o atual Prefeito. Na campanha de 2000, já com urna eletrônica e, portanto, com um número para cada candidato, mudei o tema para “Meu Pezão é 12” (o número do PDT) - logomarca criada por Robson Sosa e premiada no Prêmio Colunistas do Rio de Janeiro.
Nessa eleição de 2000, percen-
tualmente, Pezão foi o mais votado do estado. Pezão é um vencedor. Realizador incansável, apaixonado pelo que faz. E ainda tem muito chão pela frente.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

FIM DE PAPO II



No dia 5 de agosto do ano passado, postei aqui no Blog (FIM DE PAPO) a minha previsão para três eleições deste ano - Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro. Errei alguma coisa (por exemplo, achei que Eduardo Campos poderia acabar apoiando Dilma e ainda não considerava a candidatura de Crivella para o Rio), mas acertei no principal. Reveja aqui os principais trechos:

Papo eleitoral.
Adoro bolas de cristal. Desde que tenham pesquisas por trás, perfis bem definidos, muita informação, histórico bem avançado de todos os atores e cenários – enfim, um papo aqui, papo acolá, e imaginação com pé no chão. Vou usar minha bola de cristal para tentar prever três resultados eleitorais.
•    Dilma (PT) vence, talvez no primeiro turno. Eu me baseio no poder da máquina e na inconsistência dos nomes da oposição. A máquina governamental, bem usada, bem azeitada, é capaz de mover montanhas. E apesar dos pequenos reveses da economia, da relação com os aliados e do clamor das ruas, a máquina federal ainda conta com uma força-reserva monumental, graças à sua política social (isso sem contar a força-Lula...). A oposição, fraca, ajuda muito. Marina (?), até hoje, tem um partido indefinido. Variou da crença evangélica ao PT, passou pelo PV e chega hoje a uma Rede da Solidariedade que ainda não encontrou gancho para se sustentar. Tá difícil. Aécio (PSDB) é o mais frágil dos tucanos. Não tem a antipatia atávica de Serra (PSDB), mas também não tem o mesmo preparo nem o mesmo maquiavelismo. Tem um lado simpático, jovem, moderno, mas pesa contra ele o lado irresponsável, “garotão”.
•    Alckmin (PSDB) vence em São Paulo, será reeleito Governador. Apesar de sua política de insegurança assustadora, ainda pode contar com a ação da máquina no Interior. Os petistas Mercadante, Marta e Padilha não avançaram bastante e Haddad até agora não ajudou em nada. Os outros não têm nem papo.
•    Pezão (PMDB) vence no Rio, passará de Vice para Governador. Talvez seja a previsão mais polêmica, mas é bom lembrar que, hoje, os principais nomes (além do Pezão, temos Lindberg, do PT, talvez Garotinho, do PR, e Cesar Maia, do DEM) estão praticamente em empate técnico, com a vantagem para Pezão de ser o menos conhecido e de poder contar com a máquina estadual e com a política de segurança que mais deu certo até agora. Não estou contando ainda com Miro Teixeira, do PDT, porque não levo muita fé na sua candidatura. Também não considero que Freixo, do PSOL, corra o risco de se candidatar agora. Nem acho que os tucanos tenham algum nome viável. Pezão conta também com a alta rejeição dos outros três e não se contamina com a rejeição (talvez temporária) de Sérgio Cabral. Seu estilo pé no chão, realizador, alheio aos holofotes passou a ser grande virtude para o momento. O PT ainda vive a dúvida de apoiar ou não apoiar a candidatura peemedebista, porque pensa no fortalecimento da aliança nacional. Mas é difícil frear a ânsia do petismo local para tentar a sorte com um nome eleitoralmente melhor, por isso é quase irreversível a candidatura de Lindberg. Aliás, em 2006, isso já aconteceu, e o PT, com Vladimir, teve 7,7% dos votos contra 41, 4% de Sérgio Cabral. No dia seguinte, o grupo de Cabral reuniu-se para discutir se apoiaria Lula ou Alckmin. Foi coisa rápida. Cabral e Pezão apoiavam Lula e logo telefonaram para comunicar a decisão. Se Lindberg for mesmo candidato, certamente terá mais votos do que Vladimir - mas apenas isso.

domingo, 5 de outubro de 2014

SURPRESAS E NÃO-SURPRESAS DA ELEIÇÃO



1. A maior surpresa, claro, foi a morte de Eduardo Campos. A ascensão de Marina, não foi surpresa – eu mesmo previ isso, baseado no efeito comoção (só não previ a rapidez da ascensão e queda).
2. Outra surpresa foi o tucano que tinha virado pó ter conseguido tornar-se um pó-ssível (ou pó-cível), como dizia meu amigo Edson Vidigal, nas suas campanhas da década de 60 para vereador de Caxias, Maranhão. É verdade que Aécio foi muito ajudado pela incompetência da campanha de Marina (iniciada com o imbróglio do “sim, pastor Malafaia”), mas foi principalmente o poder paulista e a mídia que conseguiram fazê-lo alçar voo novamente. Curiosamente, se conseguir o segundo turno, como indicam as pesquisas, talvez tenha contra ele exatamente o poder paulista do vitorioso Alckmin, que está de olho em 2018.
3. A vitória de Alckmin não foi surpresa, assim como não foram surpresas, para mim, as vitórias de Dilma e Pezão, no Rio. Em agosto do ano passado, postei no meu Blog: “Adoro bola de cristal. Desde que tenham pesquisas por trás, perfis bem definidos, muita informação, histórico bem avançado de todos os atores e cenários – enfim, um papo aqui, papo acolá, e imaginação com pé no chão. Vou usar minha bola de cristal para tentar prever três resultados eleitorais”. Os três resultados:
a. Dilma (PT) vence, talvez no primeiro turno.
b. Alckmin (PSDB) vence em São Paulo.
c. Pezão (PMDB) vence no Rio (...). Talvez seja a previsão mais polêmica, mas é bom lembrar que, hoje, os principais nomes (além do Pezão, temos Lindberg, do PT, talvez Garotinho, do PR, e Cesar Maia, do DEM) estão praticamente em empate técnico, com a vantagem para Pezão de ser o menos conhecido e de poder contar com a máquina estadual e a com a política de segurança que mais deu certo até agora. (...) Pezão conta também com a alta rejeição dos outros três e não se contamina com a rejeição (talvez temporária) de Sérgio Cabral. Seu estilo pé no chão, realizador, alheio aos holofotes passou a ser grande virtude para o momento.
Aliás, há pouco mais de 3 meses, o jornalista Roberto Barbosa me perguntou pelo Skype quem venceria, Pezão ou Garotinho? Respondi Pezão. Ele disse que, se isso acontecesse, ele publicaria que eu fui o único oráculo que tinha previsto isso quando Pezão ainda estava com 4%. Veremos no Blog do Roberto Barbosa.
4. Depois do desastre do avião, o maior desastre, para mim, foi a campanha de Lindberg para o Governo do Rio. Pensei, inicialmente, que ele iria para o segundo turno junto com Pezão. Mas seu marketing eleitoral foi errado do começo ao fim. Percebi logo pela foto oficial. Como ainda trazia resquício de cara-pintada, irreverente, daqueles que entram na casa dos eleitores e pedem para tomar banho, conhecido como “Lindinho” por mocinhas enlouquecidas, foi necessário dar seriedade à sua imagem para se qualificar como “Governador”. Foi o que fizeram, mas exageraram na dose: além de sério, ele ficou de cara triste. Não parou por aí. Um quadro forte e repetido exaustivamente em seu programa de TV, mostrava Lindberg atacando o candidato Pezão com a mesma cara triste, cercado por jovens cabisbaixos, mais tristes ainda. Faltou a alegria que ele sempre soube imprimir às suas campanhas. Pior: trouxe para o foco inicial o conceito de cidade partida / estado partido ou “ricos versus pobres”. Muito bom, mas com o desenvolvimento errado – em vez de usar isso para uma proposta de unir/nivelar os dois mundos, ele ampliou o abismo, dando um tom que parecia condenar o mundo da classe média. A classe média que estava pronta para abraçá-lo, mas acabou largando-o no abismo. Como disse Quaquá, presidente do PT-RJ, para o candidato: “Fizeram de você o Não-Lindberg”.
5. Uma grande e simpática surpresa foi o candidato a Governador do Rio, pelo PSOL, Professor Tarcísio. Já conhecia pessoalmente, porque ele esteve, anos atrás, na minha empresa, como um dos dirigentes do SEPE. Mas jamais poderia imaginar que ele teria desempenho tão excelente.

Meus votos, logo mais, não serão surpresas – apenas o voto para Senador, que decidi ontem, depois de um bom papo com meu cunhado, Edwaldo Cafezeiro.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Rio, um segundo turno de 3 ou 4


A disputa pelo Governo do Rio promete ser uma das mais eletrizantes entre os grandes estados. A última pesquisa Datafolha aponta Garotinho, Crivella e Pezão com chances reais de vitória, mas, de certa forma, dando sinais de que Pezão será o eleito. Lindberg aparecia estagnado no quarto lugar. De lá pra cá, dois fatos prometem embaralhar as cartas: a entrada de Marina na disputa para Presidente e o início do Horário eleitoral gratuito. Marina (para desespero de Aécio, que sonhava mudar de vez pro Rio) já chega à faixa de 35%-40% nos trackings (RJ) de que ouço falar e será a nova garota propaganda de Lindberg. Vai tirá-lo do isolamento e contribuir para bagunçar um pouco a disputa. O Horário Eleitoral também vai mexer com tudo:
Garotinho. O Horário Eleitoral pode servir para consolidar sua imagem de candidato do povo. Mas também pode servir para aumentar sua rejeição.
Crivella. O tempo e o desempenho na TV não parecem garantir Crivella no segundo turno. Mas ele poderá se tornar um apoio importante.
Pezão. Tende a avançar muito com a chegada à televisão. Primeiro, por torná-lo mais conhecido; segundo, por poder apresentar um carrilhão de obras.
Lindberg. Com a TV, vai fixar o discurso de “estado partido” (pobres contra ricos) e associar sua imagem a Lula (povão) e Marina (classe média).
Ficou obviamente mais difícil prever, com um mínimo de segurança, quais serão os dois escolhidos para o segundo turno, mas acredito que Crivella ficou mais distante dessa hipótese.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Eleições 2014: qual o curso que o Rio vai tomar?



Até pouco mais de um ano, o Rio seguia um curso eleitoral tranquilo, tanto para os governos federal, estadual e municipal quanto para a população – o pódio já estava definido na cabeça de cada um. Mas surgiu a primeira curva perigosa quando o PT decidiu ultrapassar seu companheiro de escuderia, o PMDB, e lançou o nome de Lindberg para disputar o Governo do Rio. Daí em diante, PT e PMDB praticamente deixaram o resto da corrida em segundo plano e cuidaram de um jogar o outro para fora da pista. O prejuízo maior nessa disputa, digamos, fratricida foi da líder petista, Dilma Roussef, e dos líderes peemedebistas, Sérgio Cabral e Pezão, que, até então, contavam com vitória com ampla margem de diferença. Essa corrida maluca continuou disputadíssima – mas de certa forma previsível – até a semana passada, quando tínhamos informações (não comprovadas) de que Crivella, do PRB, ampliava a sua liderança na corrida, seguido do candidato do PR, Garotinho (que viria perdendo terreno), Pezão (na faixa dos 15%-16%, avançando) e Lindberg, que teria estancado a queda na faixa dos 11%. Quando todo mundo pensava que Lindberg, isolado, iria rodar na primeira curva, ele conseguiu reduzir o efeito do arrasto aerodinâmico abrindo as asas para Romário (PSB) participar de sua chapa como Senador. O público ficou de pé. Alguns, de cabelos em pé. Mas os personagens que estavam no meio do trânsito não se deram por vencido. Crivella intensificou sua busca para o cargo de Vice. Garotinho intensificou suas arrancadas, sem grandes alianças (chegaram a comentar que ele seria Senador na chapa de Crivella, algo bastante improvável), mas ainda com bons índices nas pesquisas. E Sérgio Cabral, em manobra igualmente arrojada, saiu da disputa para o Senado e trouxe o líder do DEM, Cesar Maia (que andava meio deslocado na disputa para Governador apoiado pelo tucano Aécio), para o seu lugar, ampliando o apoio a Pezão. Os comentaristas de plantão reagiram imediatamente. O sempre mal humorado Sirkys, alijado do processo decisório dentro do PSB, esbravejou contra a aliança do seu partido com o PT, qualificando-a como orgia política – em outras palavras, suruba. Na mesma linha orgiástica, o Prefeito do Rio, Eduardo Paes, incomodado com a aproximação com seu antigo mentor e atual inimigo público nº 1, Cesar Maia, qualificou a aliança de seu partido, PMDB, com o DEM de bacanal eleitoral. Ele certamente está vislumbrando na recuperação de Cesar Maia uma ameaça nas eleições municipais de 2016. Mas uma coisa é certa: ninguém sabe com absoluta segurança o que pode ocorrer no Grand Prix Eleitoral do Rio de Janeiro. Talvez seja o caso de “alguém” lançar um safety car na pista. Ou correr o risco de ter que reescrever Dee Brown e lançar “Enterrem meu coração na curva do Rio”...

terça-feira, 20 de maio de 2014

O eixo Rio-São Paulo atravessado na garganta


No Ex-Blog de ontem Cesar Maia pergunta: “seria possível que Lula viesse apoiar Pezão? Claro que não. Ele foi longe demais com Lindbergh. Então o que se pode fazer?” Cesar Maia aponta para um caminho único: “o compromisso de Lula que ficaria ausente da campanha de governador do Rio, pelo menos até a primeira semana de setembro. Depois de 3 semanas de TV, se um dos dois tiver aberto sobre o outro uma diferença – nos dois principais institutos de pesquisa – superior a 5 pontos, Lula entraria para promover esta candidatura”.
Cesar Maia certamente tem mais informações do que revela, principalmente quanto a pesquisas. Hoje já se fala que Pezão estaria 5 pontos à frente de Lindberg e que até julho poderia assumir a liderança. Várias pessoas comentaram isso e, se é verdade ou não, não posso afirmar. Mas sempre afirmei aqui que é preciso respeitar a máquina. Principalmente a do PMDB do Rio.
Lula e o PT pensaram corretamente quando decidiram trazer sangue novo para as disputas majoritárias no eixo Rio-São Paulo, visando a eleição presidencial de 2018. A vitória espetacular de Haddad para a Prefeitura de São Paulo reforçou esse plano, que teria continuidade com os lançamentos de Padilha para o Governo de São Paulo e de Lindberg para o Governo do Rio. No caso de São Paulo, uma decisão mais simples, porque se tratava de duelar com o inimigo tradicional e contando com o poderoso apoio do novo prefeito petista. O caso Alstrom e a falta d’água deram mais gás à decisão – que acabou um pouco prejudicada pelo diz-que-me-diz do doleiro, mas que ainda assim pode dar certo.
Já no Rio foi uma decisão complicada, porque significou o rompimento de uma aliança muito forte com o PMDB em um estado estratégico. Lula apostou em três novas peças do seu tabuleiro de xadrez: o grande desempenho eleitoral de Lindberg em todas suas participações; a crise na imagem de Sérgio Cabral, a partir principalmente das manifestações de 2013; e a suposta falta de carisma de Pezão. Os três pressupostos aparentemente estão falhando. Lindberg de fato ainda não deu o ar de sua graça nesta eleição - mesmo considerando que ele é o nome mais capaz de mobilizar a militância petista, nada aconteceu de motivador até agora. Sérgio Cabral soube sair de cena a tempo de evitar algum problema por desgaste de imagem. E Pezão, com a máquina na mão, um montilhão de obras para apresentar e a vantagem de não ter um perfil identificado com o político tradicional, aparentemente avança um passo após o outro. Resultado: não vai ser simplesmente um “ministério para Cabral” (como insinua Cesar Maia) que vai desengasgar essa relação.

NOTA
Ontem, em conversa com o Deputado Jorge Bittar, do PT, ouvi o jingle de sua campanha para governador do Rio em 1990. Fiquei com um nó na garganta, emocionado. O PT precisa de novas emoções para conquistar a “nova classe média” em 2018.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Cesar Maia tem meia razão


No seu Ex-Blog de hoje, Cesar Maia critica o marqueteiro João Santana por ter alertado o pré-candidato a Governador do Rio, Lindberg (PT), que se a sua campanha não conseguir 5 minutos para os programas de TV, “fica difícil competir com Luiz Fernando Pezão (PMDB), que já possui o tempo do PSD e do Solidariedade”. Cesar Maia diz que “isso depende da dispersão dos candidatos e do quadro eleitoral”, no que está certo. E lembra que em 2000, na campanha para Prefeito do Rio, ele próprio, “com menos de 2 minutos foi para o segundo turno”. Poderia ter lembrado também da campanha de 98, quando Garotinho, com apenas 3’19” de tempo na TV, derrotou as campanhas milionárias de Luiz Paulo Corrêa da Rocha e de Cesar Maia, que tinham, cada uma, aproximadamente o dobro do tempo.
Se é verdade que o tempo maior na TV não é condição sine qual non de vitória eleitoral, é verdade também que o tempo maior pode trazer muitas vantagens. Indica mais apoio, dá mais credibilidade e pode ajudar a passar um clima vitorioso. Além disso, o maior tempo de um candidato no seu programa eleitoral implica maior número de inserções de 30”, mais comerciais da campanha que são transmitidos durante a programação normal. Essas inserções, quanto mais, melhor. No caso da eleição do Rio, João Santana está certo em pedir mais tempo - um tempo que pode, sim, fazer diferença.

Leia o texto de Cesar Maia:

JOÃO SANTANA DÁ CONSELHO BOBO A CANDIDATO DO PT NO RIO!
   
1. A bobagem. (Lauro Jardim - Radar Online, 30) João Santana avisou a Lindbergh Farias que as alianças para a campanha no Rio de Janeiro têm que alcançar, pelo menos, cinco minutos para os programas de TV. Hoje, o PT tem pouco mais de três minutos de espaço na propaganda partidária. Menos que isso, fica difícil competir com Luiz Fernando Pezão, que já possui o tempo do PSD e do Solidariedade.
    
2. (Ex-Blog) Isso depende da dispersão dos candidatos e do quadro eleitoral. Em 2000, Cesar Maia, no Rio, com menos de 2 minutos foi para o segundo turno. Aí os tempos igualam. Essa eleição de 2014 no Rio tem a maior dispersão de todas para governador. Tempo de TV não fará diferença: se passar dos 15% se vai para o segundo turno. Cabral, para prefeito, em 1996, tinha um latifúndio de tempo de TV. Abriu disparado e por um mínimo passou para o segundo turno.  Etc.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Em eleição, o mais importante é enxergar lá longe


Interessante o Ex-Blog desta terça-feira, 21, em que Cesar Maia procura comparar a próxima eleição para Governador do Estado do Rio de Janeiro com a de 98, quando se candidataram, entre outros, Luiz Paulo Correa da Rocha (PSDB, PMDB, PSD, PL e apoiado pelo então governador Marcello Alencar), Garotinho (da coligação PDT, PT,PSB, PC E PCdoB) e o próprio Cesar Maia (DEM, PP e PTB). A tese de Cesar Maia procura usar isso como exemplo negativo para o PMDB de Sérgio Cabral. Afinal, “Luiz Paulo partiu com os mesmos 5% de Pezão” e chegou ao final com “8% sobre o total dos votos emitidos” (15,51% dos votos válidos, enquanto Garotinho teve 46,86% e o próprio Cesar Maia 34,30%). Claro que é um exemplo a se considerar, mas sob outro enfoque.
Fiz a campanha de Garotinho em 98 (a partir de 16 de junho) e desde o começo o adversário principal era Cesar Maia. Em maio, eles estavam na faixa dos 30%, enquanto Luiz Paulo patinava na faixa dos 3 a 5%. Isso permaneceu assim até julho/agosto, quando Garotinho começa a descolar de Cesar Maia e pula para a faixa dos 40%. Garotinho, além de representar a união de Interior e Baixada, representava a união das forças populares (Brizola) com a classe média progressista, de esquerda, representada por PT, PSB, PCB e PCdoB. Luiz Paulo era apoiado pelo governador que teria traído o trabalhismo e privatizado, como bem aponta a Wikipédia, “uma série de empresas estatais como a CERJ (Companhia de Eletricidade do Estado do Rio de Janeiro), BANERJ (Banco do Estado do Rio de Janeiro), CONERJ, TELERJ, CEG (Companhia Estadual de Gás), Flumitrens e o próprio Metrô e ainda extinguiu a CTC-RJ (Companhia de Transportes Coletivos do Estado do Rio de Janeiro)”.
Garotinho, que tinha sido considerado o melhor prefeito (Campos) do Brasil, na época representava também “sinceridade”, “juventude”, “obras mais humanas”, “povo”. Cesar Maia, que não soube aproveitar as suas grandes realizações como Prefeito do Rio, ficou associado (segundo quali que realizamos) a “falsidade”, “arrogância”, “elite”, “não gosta de povo” (declaração de que ia jogar creolina nas calçadas para afastar os moradores de rua foi crucial). Nesse embate entre “povo” e “anti-povo”, não sobrou espaço para Luiz Paulo, nem com toda a máquina que existisse.
O cenário hoje é bem diferente. Há dois candidatos em disputa séria (Lindberg, do PT, e Pezão, do PMDB) e dois (Crivella, do PRB, e Garotinho, do PR) que, apesar de liderarem as pesquisas no momento, não parecem que disputam pra valer. Parecem muito mais dispostos a negociar apoio ou a se cacifar e cacifar os seus partidos para as próximas eleições. Ao contrário do que propõe Cesar Maia, hoje vale muito mais olhar pra frente do que olhar pra trás.

Leiam o texto do Ex-Blog:
ELEIÇÃO NO RIO: PMDB PODERIA OLHAR TAMBÉM PARA TRÁS!
       
1. (Ex-Blog) Em 1998 o PSDB, no governo, lançou o vice-governador e secretário de obras, Luiz Paulo Correa da Rocha, candidato a governador. O PMDB apoiou e Luiz Paulo passou a ter um enorme tempo de TV. O governador Marcelo Alencar enfrentava desgaste, mas nada comparado com Sérgio Cabral agora. O PSDB tinha 46 prefeitos e praticamente todos os da região metropolitana. A campanha do PSDB foi feita por Duda Mendonça. Luiz Paulo partiu com os mesmos 5% de Pezão. Subiu e chegou a 8% sobre o total dos votos emitidos.

Obs.: a ilustração acima foi transformação de uma que encontrei na internet.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Lindberg pisou na estrela




A jogada do candidato a candidato a Governador do Rio pelo PT parecia uma verdadeira pintura. Escalava o Baixinho para Vice, deslocava a equipe petista para fora do campo peemedebista, aproveitava que a torcida organizada anda criticando o desempenho de Cabral, desviava do Pezão – e aí era só correr pro abraço. Para completar a pintura parecia que só faltava convocar os astros do momento, Campos e Marina. Mas esse foi aquele drible a mais, porque não combinou o lance com a principal estrela da equipe. Aí, a bola murchou, a torcida vaiou, o resto da equipe começou a reclamar do estrelismo – e agora o atleta do voto corre o risco de ficar de fora na próxima partida.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Fim de Papo


O Papa é Pop.
O Papa Passou e deixou sua imagem Pop. Pop de Populista. E não está errado, não. Confirmou tudo o que este Blog tem dito: sua viagem teve como objetivo de marketing combater o crescimento dos evangélicos pentecostais, o maior adversário da Igreja Católica por essas bandas. Na sua mensagem aos bispos, ele deixou bem claro que o importante é a conquista da periferia, a luta pelos miseráveis, desesperançados, que se agarram na primeira tábua da salvação que encontram, por mais tosca que pareça. E determinou que os bispos abandonem suas posturas principescas para se contaminarem de povo – exatamente como fazem os pentecostais. É algo que a Igreja Católica já soube fazer muito bem, mas acabou se perdendo no tempo e no espaço. Mesmo a Teoria da Libertação talvez tenha dificuldade para levar avante essa tarefa junto à massa desorganizada, o trapo humano, o lumpen e o quase-lumpen.

As manifestações estão no papo?
No passado, as manifestações garantiram futuro. O povo na rua, o jovem, a sociedade indo à luta por seus anseios e suas necessidades, o desejo de um futuro melhor – tudo isso é motivo de orgulho e motivação para novas e maiores manifestações. Mas o passado recente de nossas manifestações trouxe também um balde de água fria. Foi tudo magnífico até a chegada do vandalismo. Aí virou papo furado, os jovens começaram a debandar e os que ficaram tornaram-se involuntariamente ambiente de segurança indispensável para o vandalismo, a bandidagem. Os vândalos propriamente ditos não passam de meia dúzia de três. Sozinhos, seriam facilmente identificados e neutralizados (aliás, já devem estar identificados). Foram inteligentes ao usar o disfarce proporcionado por reivindicações populares (que muitas vezes eram justas). Souberam concentrar os ataques em dois ou três pontos associados principalmente a momentos ou personagens políticos. Aliaram-se aos chamados Black Blocs. Aproveitaram-se da Copa e até do Papa. Mas, e agora? Os governos sairão da defensiva em que se colocaram por causa dos grandes eventos e terão que reagir, usar a inteligência, identificar todos os vândalos, separar o joio do trigo e garantir o espaço mais do que justo das manifestações autênticas (mesmo que nem sempre seja possível atendê-las inteiramente). Tudo sem paparico. As manifestações terão mais futuro à medida que os vândalos se percam no passado.

Papo eleitoral.
Adoro bola de cristal. Desde que tenham pesquisas por trás, perfis bem definidos, muita informação, histórico bem avançado de todos os atores e cenários – enfim, um papo aqui, papo acolá, e imaginação com pé no chão. Vou usar minha bola de cristal para tentar prever três resultados eleitorais.
  • Dilma (PT) vence, talvez no primeiro turno. Eu me baseio no poder da máquina e na inconsistência dos nomes da oposição. A máquina governamental, bem usada, bem azeitada, é capaz de mover montanhas. E apesar dos pequenos reveses da economia, da relação com os aliados e do clamor das ruas, a máquina federal ainda conta com uma força-reserva monumental, graças à sua política social (isso sem contar a força-Lula...). A oposição, fraca, ajuda muito. Marina (?), até hoje, tem um partido indefinido. Variou da crença evangélica ao PT, passou pelo PV e chega hoje a uma Rede da Solidariedade que ainda não encontrou gancho para se sustentar. Tá difícil. Aécio (PSDB) é o mais frágil dos tucanos. Não tem a antipatia atávica de Serra (PSDB), mas também não tem o mesmo preparo nem o mesmo maquiavelismo. Tem um lado simpático, jovem, moderno, mas pesa contra ele o lado irresponsável, “garotão”. Eduardo Campos (PSB) continua ciscando. Já esteve melhor na fita, mas o Nordeste disse não à sua candidatura. A tendência agora, acredito, é de algum modo apoiar Dilma.
  • Alckmin (PSDB) vence em São Paulo, será reeleito Governador. Apesar de sua política de insegurança assustadora, ainda pode contar com a ação da máquina no Interior. Os petistas Mercadante, Marta e Padilha não avançaram bastante e Haddad até agora não ajudou em nada. Os outros não têm nem papo.
  • Pezão (PMDB) vence no Rio, passará de Vice para Governador. Talvez seja a previsão mais polêmica, mas é bom lembrar que, hoje, os principais nomes (além do Pezão, temos Lindberg, do PT, talvez Garotinho, do PR, e Cesar Maia, do DEM) estão praticamente em empate técnico, com a vantagem para Pezão de ser o menos conhecido e de poder contar com a máquina estadual e a com a política de segurança que mais deu certo até agora. Não estou contando ainda com Miro Teixeira, do PDT, porque não levo muita fé na sua candidatura. Também não considero que Freixo, do PSOL, corra o risco de se candidatar agora. Nem acho que os tucanos tenham algum nome viável. Pezão conta também com a alta rejeição dos outros três e não se contamina com a rejeição (talvez temporária) de Sérgio Cabral. Seu estilo pé no chão, realizador, alheio aos holofotes passou a ser grande virtude para o momento. O PT ainda vive a dúvida de apoiar ou não apoiar a candidatura peemedebista, porque pensa no fortalecimento da aliança nacional. Mas é difícil frear a ânsia do petismo local para tentar a sorte com um nome eleitoralmente melhor, por isso é quase irreversível a candidatura de Lindberg. Aliás, em 2006, isso já aconteceu, e o PT, com Vladimir, teve 7,7% dos votos contra 41, 4% de Sérgio Cabral. No dia seguinte, o grupo de Cabral reuniu-se para discutir se apoiaria Lula ou Alckmin. Foi coisa rápida. Cabral e Pezão apoiavam Lula e logo telefonaram para comunicar a decisão. Se Lindberg for mesmo candidato, certamente terá mais votos do que Vladimir - mas apenas isso.

sábado, 16 de abril de 2011

Eleições: o que é que chega primeiro, 2012 ou 2014?


Ontem, na inauguração da sede do PMDB fluminense, um dos assuntos preferenciais nas conversas paralelas era a candidatura do Vice Pezão para a sucessão do Governador Sérgio Cabral em 2014. Teve gente que jurava ter ouvido Lula declarar (brincando, claro): “Se você se candidatar, Pezão, quero ser seu Vice!”
Mas se é verdade que 2014 começa a entrar na pauta, 2012 já está acelerado. Os prefeitos (principalmente os que vão para a reeleição) tratam de embelezar suas cidades e espalhar obra por toda a parte. Os pré-candidatos de oposição buscam apoios, preparam pesquisas e já pensam em marqueteiros. E tem milhares de pessoas que não sonham com outra coisa que não seja a candidatura a Vereador. O zelador do meu prédio é um desses, que puxa assunto todo santo dia. Ontem, me viu e foi logo perguntando: “É verdade que o PCdoB é o partido que elege com menos votos?” Respondi com outra pergunta: “E você por acaso é comunista?”
Até Garotinho (PR-RJ), que pensa unicamente em política desde os tempos em que era Bebezinho e que acaba de ser eleito Deputado Federal, parece que está procurando mudar o domicílio eleitoral para outro município do Rio de Janeiro onde possa se eleger Prefeito. Ao mesmo tempo lança sua filha, a Deputada Estadual Clarissa Garotinho (PR-RJ), para a prefeitura da Capital. Pior: na mesma chapa do Deputado Federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), filho do eterno arquirrival Cesar Maia (DEM-RJ). Teve um amigo (que não pertence a qualquer partido) que observou: “Parece a história do sapo transportando o escorpião na travessia do rio. Só falta decidir quem é o sapo e quem é o escorpião...”
E por falar em Cesar Maia, ele parece que está chateadíssimo com o estrago feito por Kassab  e seu PSD (que significa Partido do Serra e da Dilma, diz o Jorge Bastos Moreno...) e anda fazendo mil análises eleitorais. Às vezes muito boas, como o os dois textos que divulgou sobre os votos “Zona Sul” (classe média) do Rio, que reproduzo abaixo.
(Em tempo: as eleições presidenciais também já estão em pauta, mas essa é uma preocupação oposicionista para 2018...)

COMO VOTA A ZONA SUL DO RIO! COMO VOTOU EM 2010!
Cesar Maia

1. O voto da Zona Sul do Rio é quase sempre diferente da média da cidade, e quase sempre é muito diferente do voto das Zonas Norte e Oeste do Rio. Assim é desde os anos 30. Nos anos 50, a Zona Sul votou em Lacerda e as Zonas Nortes e Oeste em Lutero Vargas. Em 1960, garantiu a vitória de Carlos Lacerda contra Sergio Magalhães. Negrão de Lima venceu na cidade toda, menos na Zona Sul. O mesmo em relação a Brizola. Em 1992, a Zona Sul levou Cesar Maia ao segundo turno e à vitória. Em 2006, Denise Frossard ganhou de Cabral na Zona Sul. Em 2006, para deputado, Gabeira venceu na Zona Sul, mas perdeu para Rodrigo Maia nas Zonas Oeste e Norte. Em 2008, Gabeira venceu na Zona Sul. Em 2010, Chico Alencar venceu na Zona Sul e Garotinho nas Zonas Oeste e Norte. Da mesma forma nas presidenciais de 1989, 1994 e 1998.
2. Em 2010 não foi diferente. Dilma foi a grande vencedora para presidente em toda a cidade: menos na Zona Sul. Nesta, ela chegou em terceiro lugar. Serra venceu com 150.072 votos, Marina teve 139.392 e Dilma 137.692. Para governador, embora Cabral tivesse vencido também na Zona Sul, aqui foi a sua menor diferença. Ele teve 216.550 votos, Gabeira 167.962 e Peregrino 8.062.
3. No Senado esteve a maior diferença em 2010. Pela Zona Sul, venceriam Lindbergh com 162.919 e Cesar Maia com 124.401. As demais posições também seriam invertidas. Crivella, segundo na cidade, chegou em sexto lugar na Zona Sul, com 84.723 votos, perdendo para Temer, Cerqueira e Picciani. Picciani, que foi terceiro na cidade, na Zona Sul seria quinto, perdendo para Temer e Cerqueira. Picciani teve 91.804 votos, Temer 96.174 e Cerqueira 93.755.
4. Em outras grandes cidades no Brasil e no Mundo, o voto da classe média de maior nível de renda e instrução influencia a votação da cidade. Não que isso signifique a mesma ordem dos candidatos em todos os bairros. Certamente não. Mas aproxima. O que diferencia a situação do Rio é que a votação na Zona Sul do Rio é a inversão das demais regiões, especialmente da Zona Oeste. A eleição de 2004, quando o prefeito reeleito venceu em 96 das 97 zonas eleitorais da cidade, foi uma exceção à regra.

* * *
2010: DEPUTADOS FEDERAIS E ESTADUAIS MAIS VOTADOS NA ZONA SUL DO RIO!Cesar Maia

1. Os dois mais votados para Deputado Federal na Zona Sul foram: Chico Alencar com 43.676 votos e Molon com 22.396 votos.
2. Os dois mais votados para Deputado Estadual na Zona Sul foram: Marcelo Freixo 37.994 votos e Wagner Montes 27.306 votos.
3. Curiosamente, o deputado federal - choque de ordem - foi o décimo segundo mais votado da Zona Sul, com 6.476 votos.
4. Conheça os 15 deputados - federais e estaduais - mais votados na Zona Sul em 2010.


(clique para ampliar)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Com o Pezão na lama


No início da semana passada, o Vice-Governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, que estava como Governador em Exercício, disse assim, agendando uma reunião: “Vamos fazer na quarta-feira, que minha agenda vai estar mais tranquila”. Na quarta, a agenda do Pezão literalmente inundou. Partiu para a região da calamidade e não saiu mais de lá. Como ex-Prefeito do Interior (Piraí), ele já está acostumado a enfrentar esses descalabros, como o que tomou conta da Região Serrana do Rio.
No Globo Online de hoje (“Vice-governador Luiz Fernando Pezão, que também é secretário de Obras, vai para a linha de frente da tragédia”) uma reportagem relata (com data errada) o que têm sido esses dias de Pezão. Trechos:
Como no temporal do ano passado em Angra dos Reis, que matou 53 moradores, Pezão tem chamado a atenção pela rapidez com que vai para a linha de frente das tragédias, e assume os trabalhos de coordenação das equipes de governo.

Com 1,90m de altura e sapato tamanho 48, o vice-governador passa horas em reuniões com secretários de municípios e técnicos para traçar estratégias que possam ajudar as cidades a se recuperar da destruição das chuvas.

 A rotina de trabalho do vice chega a durar 17 horas por dia. Depois de viajar para a Serra na semana passada, ele só voltará a ver sua mulher, Maria Lúcia, amanhã ou na sexta-feira. 
O vice-governador conta que, nos últimos dias, chorou ao ouvir relatos dos dramas dos moradores. Um dos momentos mais tristes foi ao entrar no Instituto Médico Legal de Friburgo e ver que vários corpos eram de crianças.

(...) rendeu também elogios do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, em várias ocasiões, afirmou que Cabral tinha o melhor vice do Brasil.
Seu amigo (e Governador) Sérgio Cabral tem dito que Pezão será o seu candidato para a sucessão em 2014. Pode ser que ainda esteja cedo para afirmar isso. Mas é certo que Pezão tem avançado muitos passos demonstrando que está habilitado para o cargo.

NOTA: Recebi comentário do Pezão: "Tava com lama em cima da cabeca agora já tá na barriga!"

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Lulão, o poetão do Complexo Alemão

Quem me enviou a notícia foi a sogrona.
O repentista Lulão
cheio de animação
no Complexo do Alemão,
pra espanto de Lindberg, Cabral e Pezão...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Tomada do Alemão: Fatos & Aversões


Fotos O Globo

7:29h – é fato que esse foi um momento histórico. Um momento que simboliza uma decisão difícil, de iniciar uma operação que sob muitos aspectos poderia indicar banho de sangue. Simboliza a possibilidade de vida bem melhor para quase 100 mil moradores do Complexo do Alemão, imersos em uma subvida de tensões, ameaças, agressões, subdesenvolvimento. Simboliza a possibilidade do Rio de Janeiro dar um salto na qualidade de vida de toda sua população. Simboliza mais um passo do Brasil rumo a uma posição de mais prestígio internacional.
Sérgio Cabral, Beltrame – o Governo do Rio de Janeiro criou um fato novo na política de segurança nacional, ao provar que é possível integrar políticas sociais com inteligência, rigor e eficácia policiais. E soube melhor do que ninguém integrar-se ao Governo Federal, dando mais musculatura às suas forças.
Rodrigo Pimentel – de fato, o autor e inspirador do “Capitão Nascimento” do Tropa de Elite é uma referência em questões de segurança pública. Mostrou uma análise diferenciada entre os comentaristas apresentados na mídia. Demonstrou conhecimento e, ao mesmo tempo, uma visão tranquila e bem humana. Nada de teorizações ou vociferações, tão comuns. Apoiou toda a ação, mas demonstrou preocupação (medo, mesmo) com a possibilidade de derramamento de sangue. Hoje, no Bom Dia Brasil, revelou sua dificuldade em dormir no sábado, pensando nos amigos – e até um irmão – que poderia perder, porque estavam na linha de frente da operação. Destaque também para a atuação do Júnior, do AfroReggae.
Comentaristas da bala – causou aversão assistir certas análises que apoiaram a ação do Governo aparentando ver nela a vitória de uma certa política do “bandido bom é bandido morto”. Um analista chegou a dizer que era o fim da política do “bandido cidadão” ou “bandido social”. Não é bem assim. O grande valor desse Governo na área de Segurança foi saber integrar políticas sociais, valorização da cidadania, com inteligência e eficácia policial. Não se pode confundir oportunismo populista ou banditismo eleitoral com política social séria. Os erros do passado não devem ser justificativa para apertar gatilho a torto e a direito.

Pezão e o PAC – o fato de o chefão do Alemão ter o mesmo apelido (Pezão) do Vice-Governador e coordenador do PAC no Rio de Janeiro foi muito curioso. Primeiro, porque gerou uma série de piadas com o Vice-Governador – a principal delas, como ele mesmo me contou, foi dizerem que “aquela mansão fantástica encontrada no alto do morro foi construída com o dinheiro do PAC”. Mas o fato mais importante foi o hasteamento das bandeiras da vitória (nacional e estadual) ter sido feito na estação do teleférico que está sendo construída com verba do PAC...
Mídia – a atuação impecável da mídia, dessa vez, foi fato gerador de otimismo no Rio e até no país. Globo e Record deram show. Na TV, na Rádio, na Imprensa, na Internet, os noticiários foram amplos, elucidativos e na maioria das vezes tranquilizadores. Destaque para os tuiteiros do Alemão, garotada de prontidão, atenta aos acontecimentos e antenada com as novas tecnologias.
População – um fato marcante foi a unanimidade: todos estavam favoráveis à ação, não queriam mais dar espaço à bandidagem com seus atos de terror e, acima de tudo, acreditaram na polícia.
Marketing e criatividade – os traficantes acharam que estavam sendo muito criativos com suas ações terroristas, mas conseguiram apenas causar aversão. Erraram violentamente no seu marketing. Desesperados pelas perdas de espaço e de faturamento causadas pelas UPPs, concluíram que espalhar o terror enfraqueceria as forças de segurança. Contaram com a revolta tanto da mídia quanto da população contra o Governo. Mas foi um grande equívoco. O terrorismo fez a população dar um basta! e ainda mobilizou a mídia a favor da polícia. Foi isso que estimulou o Governo Federal a aumentar sua participação e que permitiu o Governo do Estado a agir com firmeza e de forma definitiva. Os traficantes, sempre muito espertos, ignoraram uma lei básica: a comunicação pode ser criativa, mas tem que estar associada a um marketing que – por natureza – deve sempre ser óbvio. O fato é que o tiro saiu pela culatra

sábado, 4 de setembro de 2010

Pezão na estrada


Falei há pouco com Pezão, Vice Governador do Rio de Janeiro, em campanha pela reeleição. Foi logo me dizendo: "Estou completando 63 cidades que visitei na campanha, mas vou visitar todas até o final (são 92). Acho que vamos ter 80% dos votos válidos n Interior". Não duvido. Nas suas campanhas para Prefeito de Piraí (RJ), visitava todos os domicílios do município (são mais de 6.000). Não é à toa que é chamado de Pezão!

domingo, 15 de agosto de 2010

Sapato Alto X Perna de Pau




A corrida presidencial chega a sua etapa conclusiva, a do Horário Eleitoral Gratuito, com a candidata de Lula, Dilma Roussef, disparando na frente (como já era esperado por este Blog). Começa agora o velho discurso do “não podemos ter sapato alto”. É sempre bom pensar assim, quando sapato alto significa arrogância (como foi o caso de FHC x Jânio, em 85) ou estímulo para baixar a guarda. Por outro lado, não podemos esquecer que o clima de “já ganhou” nem sempre é ruim. Ninguém gosta de perder o voto e grande parte do eleitorado procura votar em quem vai ganhar. É importantíssimo mostrar a cara vitoriosa, principalmente nos primeiros dias de programa na TV e também no final, para garantir o chamado “voto útil”. Tendo Lula ao lado isso vai ser tarefa fácil.
Para quem corre pela Oposição a coisa está cada vez mais complicada – está em queda livre, não pode nem bater nem apoiar Lula, está sem propostas arrebatadoras e o candidato Serra mostrou-se um verdadeiro perna de pau. Hoje mesmo o Vice Governador Pezão, do Rio de Janeiro, me ligou e comentamos o “desempenho” de Serra comendo churrasco com o povão em uma laje na Baixada Fluminense. Cheio de dedos, parecendo um extraterrestre. Não é à toa que a Folha de hoje comenta que Serra “caiu nos três Estados que ele mais visitou nas últimas três semanas, segundo o último Datafolha”. Entre as duas últimas pesquisas, “de 23 de julho até anteontem, ele teve pelo menos sete agendas de campanha em São Paulo, cinco em Minas Gerais e três no Rio de Janeiro (...) os maiores colégios eleitorais do país”. Em São Paulo, sua principal base eleitoral, caiu de 44% para 41%. No Rio, terra do seu índio, caiu de 31% para 25%. Em Minas, terra de Aécio, caiu de 38% para 34% (e Anastasia não quer vê-lo por perto). No único lugar que não visitou nesse período, o Distrito Federal, foi onde não caiu – continua com os mesmos 27%...
Onde Dilma pisa com segurança, Serra dá no pé. Tudo leva a crer que será uma vitória no primeiro turno, com muitos corpos à frente.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Rio, a cidade re-partida


Hoje li no Globo que, com as chuvas do Rio, “nem mansões escapam dos riscos de deslizamento”.  E a reportagem diz ainda que técnicos da Geo-Rio estudam a hipótese de o deslizamento ameaçando casas de um condomínio de luxo da Gávea “ter sido provocado por infiltrações do esgoto de ocupações irregulares na Rocinha”, uma das principais favelas cariocas, incrustada na Zona Sul. O morador de uma das casas, obviamente aterrorizado com a situação, indignou-se: “- Pagamos IPTU de R$ 25 mil e, por causa de ocupações ilegais, temos que deixar nossa casa”.
A indignação é mais do que justa. Mas serve também para ilustrar esse contraste social profundo, cara a cara, que o Rio vive diariamente e eternamente. O Rio mostrou-se uma cidade partida (expressão que se eternizou graças ao livro de Zuenir Ventura, de 1968, tratando da violência local) também pela chuva. Por mais que a catástrofe tenha atingido a todos, de todas as classes, é sem dúvida a parte menos favorecida socialmente que sofreu mais. E não adianta dizer que o problema é de gestão ou que o culpado é esse Prefeito ou o anterior. Claro que esses motivos fazem parte do pacote de culpas, mas o buraco é mais embaixo.
A propósito, gostei muito da entrevista do Vice-Governador Pezão, ontem na Globonews, quando ele concorda com todas as críticas feitas pelo professor Moacyr Duarte, especialista em análise de risco da  Coppe, mas lembra que esse país não tinha uma política habitacional, que ficou 15 anos com o sistema financeiro travado, sem garantir casa para quem mais precisa. A política elitista que dominou o país até bem pouco tempo é que deve ser responsabilizada por toda essa tragédia.
Aproveito para citar trecho da interessante pesquisa de Lise Sedrez sobre as chuvas de 66/67 (bem atual, embora pareça um pouco antiga): “Nossa pesquisa planeja responder a três perguntas principais: primeiro, em que medida as chuvas se tornaram parte do cotidiano da cidade, um desastre esperado e temido? Segundo, como as chuvas de 66/67 se inserem na memória da cidade, estabelecendo a enchente não como um desastre natural, mas como incapacidade do Estado de cumprir seu papel? E, terceiro, de que forma os diversos setores da população – governo, flagelados, igreja, setores técnicos – negociam através da imprensa os significados das enchentes, e lutam por seus próprios projetos de ocupação do espaço político e do espaço urbano”.
Abaixo, foto do estrago feito pelas chuvas de 1966, no bairro de Laranjeiras, onde o espaço permanece aberto até hoje. Sobre o ocorrido, Lise Sedrez lembra: “Esta ruptura das barreiras sociais ocorreu literalmente em 1966, quando um deslizamento de terra, arrastando casebres e pedras de um morro, destruiu um prédio de classe média em Laranjeiras. Era só o começo. Saques, racionamento, colapso dos serviços de emergência (ou uma clara imagem de sua precariedade), lembravam aos moradores cariocas que a chuva era o menor dos seus problemas”.


sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Eleições 2010: Lindberg dá com os burros n’água?

O Prefeito Lindberg Farias, de Nova Iguaçu (RJ), empolgou boa parte da militância petista do Rio de Janeiro com a proposta de candidatura própria para o Governo e repúdio total ao governo peemedebista de Sérgio Cabral. Com isso, contabilizou vitória certa no PED – Processo de eleições diretas do PT, mas o cálculo deu errado. Foi derrotado e teve que afastar completamente a bandeira da candidatura própria, porque os vitoriosos defendem aliança com o PMDB, dentro do objetivo estratégico de eleger Dilma em 2010. Lindberg, abatido pela derrota, afastou-se da mídia e a coluna de Jorge Bastos Moreno do dia 26 chegou a dizer que o “leão” tinha virado apenas o “gatinho” da Baixada. Considerei exagero do colunista. Imaginei que Lindberg estaria planejando o que fazer para dar a volta por cima, transformar sua derrota em grande avanço político. Mas o que poderia ser o seu pulo do gato mostrou-se pulo de gatinho: ele decidiu que agora ia bater o pé para ser candidato ao Senado. E ao invés de voltar-se para uma discussão dentro do seu partido, foi pedir apoio logo a quem – ao Governador Sérgio Cabral, que ele tanto repudiou, agrediu e usou como trampolim para apresentar-se como petista independente e rebelde!!! Declarou que fez um acordo com o governo peemedebista, desistindo de ser candidato a Governador, desde que fosse candidato ao Senado. Quando achou que estava tudo resolvido, veio o desmentido dos termos do “acordo”, feito por Cabral através do Vice Pezão, que ainda ensinou o beabá a Lindberg: “(...) não houve garantia de que ele seria o candidato do PT ao Senado. Isso ele vai disputar no PT, com a Benedita, internamente”. Ainda pior foi a reação dentro do PT, que se sentiu tratado com escárnio por Lindberg. Diz reportagem de hoje do Globo: “Irritado com a articulação de Lindberg, o presidente eleito do diretório do PT no Rio, Luiz Sérgio, critica o acordo com o PMDB e afirma que, até o momento, a direção do partido não foi informada de nada: — Se ele fez uma combinação, fez com a pessoa errada, porque primeiro devia ter discutido dentro do partido”. Talvez o pior de tudo ainda seja a reação entre aqueles que se iludiram com a proposta de independência e purismo petista usada como isca. Dependendo da intensidade dessa reação, nem leão, nem gato, nem gatinho – Lindberg corre sério de virar um peixe fora d’água.



segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Homenagem ao comunista alvinegro


João Saldanha, que era ao mesmo tempo "vermelho" (Partido Comunista) e "alvinegro" (Botafogo), vai ganhar estátua no Maracanã (inauguração hoje à tarde), homenagem mais do que justa a esse ídolo do futebol. O curioso é que, tirando o Vice Governador Pezão e a Secretária de Estado Benedita da Silva, que são botafoguenses como ele, Saldanha vai estar cercado de vascaínos por todos os lados: Sérgio Cabral (Governador do Estado, que está prestando a homenagem), Lula (Presidente da República, que vem prestigiar o evento) e André Siqueira (que idealizou a homenagem e escreveu a biografia de Saldanha). Aliás, dizem as más línguas que André está tão excitado e concentrado na história que essa noite dormiu de chuteiras... (Na foto acima, Ique (autor da cariscultura), João e André Siqueira)

domingo, 13 de dezembro de 2009

Os passos de Pezão

Recebi e-mail do Governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, a propósito de minha postagem da última quinta-feira, dia 10, "Pezão está na cota de Lula", dizendo que "Ele está é no meu coração!!!!"