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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Homenagem ao comunista alvinegro


João Saldanha, que era ao mesmo tempo "vermelho" (Partido Comunista) e "alvinegro" (Botafogo), vai ganhar estátua no Maracanã (inauguração hoje à tarde), homenagem mais do que justa a esse ídolo do futebol. O curioso é que, tirando o Vice Governador Pezão e a Secretária de Estado Benedita da Silva, que são botafoguenses como ele, Saldanha vai estar cercado de vascaínos por todos os lados: Sérgio Cabral (Governador do Estado, que está prestando a homenagem), Lula (Presidente da República, que vem prestigiar o evento) e André Siqueira (que idealizou a homenagem e escreveu a biografia de Saldanha). Aliás, dizem as más línguas que André está tão excitado e concentrado na história que essa noite dormiu de chuteiras... (Na foto acima, Ique (autor da cariscultura), João e André Siqueira)

sábado, 13 de outubro de 2007

"Não" é a resposta para o "Nhenhenhém" de hoje

A coluna "Nhenhenhém" que sai todo sábado no Globo lançou a "Pergunta da semana: Lula vai na festa do Maracanã ver Brasil X Colômbia?" A resposta é "não". O jogo é contra o Equador...

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Vaias no Globo

As Organizações Globo têm vaiado o Governo Lula a plenos pulmões, de forma até selvagem. Apesar disso, aqui e ali surgem em suas páginas impressas ou eletrônicas momentos de certa serenidade e até de humor. Hoje, na capa do Globo o cartunista Chico resume muito bem a percepção geral sobre a origem das vaias. E Zuenir Ventura faz texto muito bom, que reproduzo na íntegra, salpicado de dois comentários:
“Todas as vaias são boas, inclusive as más”, dizia Nelson Rodrigues, especialista no assunto e um dos autores mais vaiados do país. Nesse sentido, as recebidas por Lula no Maracanã podem vir a lhe fazer bem, ainda que injustas e impróprias para a ocasião. Afinal, não se tratava de um comício, mas de um espetáculo esportivo que só estava acontecendo graças aos recursos (R$ 1,8 bilhão) repassados pelo governo federal. Um mínimo de civilidade recomendaria reconhecer que o presidente, além de convidado protocolar, era um dos donos da festa. Tenho visto na imprensa muitos aplausos às vaias. Cesar Maia, por exemplo, anda tão exultante que até parece ter tido alguma coisa a ver com o sucesso da manifestação que, segundo um vídeo no You Tube, foi treinada pelos convidados do ensaio geral. Mas nem assim dá para concluir, como fez o governador, que houve “armadilha”. Quem consegue orquestrar 80 mil pessoas se não estiverem a fim? (Acredito na possibilidade de orquestração, que funcionaria como um detonador, mobilizando quem estava a fim e quem apenas estava ao lado mas entrou no ritmo.) Digamos que poderia haver um clima. “A grande vaia é mil vezes (...) mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem”, afirmava ainda Nelson, que quase sempre tem e não tem razão, confirmando sua recusa à unanimidade e seu gosto pelo paradoxo. Ele sabia que nem todas as vaias são boas, pois há as reacionárias, que não servem como julgamento de mérito, como as que ele próprio recebeu na estréia de “Vestido de noiva” e de “Perdoa-me por me traíres”. Ao lado do Maracanã mesmo, no Maracanãzinho, houve uma outra famosa, dada a ninguém menos que Tom Jobim e Chico Buarque pelo clássico “Sabiá”. Ainda no plano das vaias artísticas, houve outra, e essa deixou Nelson indignado. Foi quando Caetano Veloso recebeu apupos, ovos e tomates no III Festival da Canção de 1968, ao tentar cantar “É proibido proibir”. Já no ano anterior ele fora vaiado por uma das mais belas canções da época: “Alegria, alegria”. Com rara coragem, Caetano afrontou uma agressiva histeria com um discurso inesquecível. “Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder?”, gritou, mais alto do que a gritaria geral. (Na platéia, se não me engano, estavam Nelson Motta e Augusto de Campos, indignados com a juventude atrasada. Foi um momento importante, que ajudou a dar impulso ao movimento tropiconcreto, um dos movimentos mais felizes de nossa cultura. Redações mais de vanguarda, como Jornal da Tarde e - quem diria! - Veja, passaram a apoiar o movimento que surgia.) Sobre o quase linchamento promovido pelos jovens “pra frente”, Nelson, o reacionário, escreveu: “A vaia selvagem com que o receberam [a Caetano] já me deu uma certa náusea de ser brasileiro”. Quanto às vaias políticas, são diferentes, e os governantes têm que estar sujeitos a elas. Escrevi lá em cima que os protestos na abertura do Pan poderiam vir a fazer bem a Lula. Talvez já tenham feito, obrigando-o a sair do pedestal, a descer do salto alto. As suas declarações sobre o incidente são de uma humildade que contrasta com a costumeira arrogância de antes. Que ele compreenda também agora que, apesar de injustas, as vaias do Maracanã acabaram fazendo justiça, se não ao conjunto de sua obra, pelo menos a uma parte dela — a que teima em proteger a impunidade.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Sobre os aplausos para a vaia

Tenho recebido diversos comentários sobre as vaias do Maracanã, contra Lula. Uns defendem a interpretação de que houve orquestração da vaia. Outros acham isso bobagem, a vaia teria sido espontânea. Quero me posicionar claramente a respeito.
  1. Acho bastante provável que tenha havido orquestração. A justificativa contra essa posibilidade ("Eu não trabalho na Prefeitura, mesmo assim vaiei") não serve. Orquestrar significa exatamente o uso de uma ou algumas pessoas para conduzir muitos. (Ver a postagem abaixo "César Vaia e os fluxos tardeanos")
  2. O Prefeito do Rio, César Maia, foi o grande beneficiado do momento. (Já houve momentos - não tão grandiosos, mas também importantes - em que ele esteve na situação inversa. Em 98, durante a sua campanha para Governador do Rio de Janeiro, contra Garotinho, ele apareceu em um show gospel montado por seus aliados na Praça da Apoteose e foi vaiadíssimo pela multidão evangélica.)
  3. Mesmo que tenha sido orquestrada, a vaia se fundamentou em sentimentos da população, principalmente da classe média conservadora. Captou a insatisfação com os políticos em geral e com os recentes escândalos (Roriz, Renan, águas profundas) em particular.
  4. Entendo a irritação de Lula, mas ele poderia ter tido um pouco mais de "sangue de barata".
  5. Os desdobramentos políticos da vaia, ao contrário do que se imagina no meio oposicionista, poderá transformar-se em ganho político para Lula. (Sobre isso falarei no futuro.)

César Vaia e os fluxos tardeanos

Em 96, César Maia coordenava a campanha de Luiz Paulo Conde para sua sucessão à Prefeitura do Rio e o adversário era Sérgio Cabral, atual Governador do Rio de Janeiro. Segundo declarou, César Maia estava magoado com Sérgio Cabral, a quem teria ajudado na carreira política e que agora chamava-o de fascistóide. Ele conta em seu livro Política é Ciência (págs. 86-89 ) que certa noite sonhou com Sérgio Cabral e acordou mal. Mas esse sonho ajudou-o em uma de suas espertezas políticas:
Acordei, peguei um carro, junto com um assessor, e fomos para o aeroporto. Aí eu disse: "Sonhei com o Sérgio Cabral e ele dizia: 'César, você está com a razão, vou renunciar, vou sair dessa fria'. Imediatamente eu disse: 'Pegue o celular, liga para o fulano, manda colocar umas 150 pessoas em botequins tomando cafezinhos e dizendo: Eu soube que o Sérgio Cabral vai renunciar. Diz esta frase que é boa'. Dali a três dias alguém veio me dizer: O Serginho vai renunciar, vai renunciar..." (...) Os fluxos tardeanos (referindo-se a conceito do filósofo francês Gabriel Tarde) não são mais do que o boato ou a verdade. Vai contaminando... (...) Fluxos retransmitidos da mesma maneira, por muitas pessoas, acabam contaminando a opinião pública até formarem a opinião pública. (...) Não acredito em formação de opinião pública. Acredito em contaminação de opinião pública, a partir de fluxos individuais.
César Maia sempre soube usar a disseminação de boatos (ou fluxos tardeanos...) como arma política. Não seria difícil para ele espalhar "uma 150 pessoas" para puxar a vaia do Maracanã.

sábado, 14 de julho de 2007

Cesar Vaia e a politização do PAN

Já não existem muitas dúvidas de que foi realmente o Prefeito Cesar Maia (DEM, ex-PFL) que orquestrou a vaia anti-Lula e os aplausos para ele mesmo. Inúmeros jornalistas presentes perceberam o movimento, inclusive correspondentes estrangeiros. Eduardo Guimarães, no cidadania.com, mostra os índícios:
Indícios sobre as vaias Aos poucos, vai ficando mais claro o por que das vaias a Lula na abertura dos Jogos Pan-Americanos. Tenho a esperança de que algum órgão de imprensa independente vá fundo nesse assunto, porque os indícios de que o prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), usou dinheiro público para tentar desmoralizar Lula, são gritantes. Há testemunhas que relatam indícios que precisam ser investigados. (...). Vamos aos indícios: 1º - A mídia está divulgando que os preços dos ingressos para a cerimônia de abertura do Pan ficaram entre R$ 20 e R$ 250. O objetivo é claro: pretende-se insinuar que os que vaiaram Lula são de todas as classes sociais. Não é bem assim. Segundo o portal Globo.com, os preços das entradas da Abertura do Pan foram de R$ 20, R$ 100, R$ 150 e R$ 250. Contudo, já no dia de abertura da venda de ingressos nas bilheterias do Maracanã, os de R$ 20 já estavam esgotados. Só havia os mais caros. Não se sabe, ainda, onde foram parar os ingressos “populares”. Mas há indícios, como vocês verão no 2º item. 2º - Estão me chegando incontáveis relatos de que o prefeito Cesar Maia (PFL) promoveu ampla distribuição dos convites mais baratos para funcionários da prefeitura do Rio, sobre os quais ele detém poder de coação. Uma boa investigação descobrirá facilmente se o povão carioca não pôde assistir a cerimônia de abertura do Pan porque os ingressos de preços populares, que custam dinheiro público, foram entregues à claque de Maia. 3º - Estou recebendo vários relatos de que no dia da cerimônia de abertura do Pan, uma expressiva quantidade de ônibus lotados de funcionários da prefeitura do Rio saíram dessa mesma prefeitura rumo ao Maracanã. Com que ingressos os servidores públicos foram ao estádio se tais ingressos estavam “esgotados”? E por que saíram DA PREFEITURA? 4º - Há, no You Tube, um vídeo que mostra que as vaias a Lula foram “ensaiadas” um dia antes da cerimônia de abertura do Pan. Luiz Carlos Azenha divulgou em seu site o link para o vídeo.
Desde o começo, Cesar Maia tratou de transformar o PAN 2007 em sua bandeira política. Sem ter o que transferir para seu apadrinhado na próxima eleição municipal, ele se agarrou ao PAN com unhas e dentes. E fez um bom trabalho. Mas ele precisava ir além. Não podia permitir que Lula continuasse com aprovação crescente no Rio. Todas as pesquisas mostravam que Lula, junto com o Governador Sérgio Cabral (PMDB), era o nome que detinha maior confiança do eleitorado na indicação do candidato a Prefeito em 2008. E a presença de Lula, com todo o peso do investimento Federal, só contribuiria para aumentar essa força, exatamente no terreno de Cesar Maia. A vaia a Lula era uma necessidade, principalmente porque teria todo o apoio da mídia conservadora. Está na cara que ela foi planejada, e muito bem planejada. Mas o autor deixou rastro.

Cesar Vaia?

Ontem, na festa de inauguração do PAN 2007, no bloco das autoridades (não apenas federais) a indignação era muito grande com a descoberta de que as vaias a Lula teriam sido detalhadamente planejadas pelo Prefeito Cesar Maia (DEM, ex-PFL) do Rio de Janeiro. Segundo informações colhidas, os puxadores das vaias, munidos com os ingressos distribuídos pela Prefeitura, teriam se espalhado por pontos estratégicos do Maracanã.