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terça-feira, 17 de julho de 2007

Sobre os aplausos para a vaia

Tenho recebido diversos comentários sobre as vaias do Maracanã, contra Lula. Uns defendem a interpretação de que houve orquestração da vaia. Outros acham isso bobagem, a vaia teria sido espontânea. Quero me posicionar claramente a respeito.
  1. Acho bastante provável que tenha havido orquestração. A justificativa contra essa posibilidade ("Eu não trabalho na Prefeitura, mesmo assim vaiei") não serve. Orquestrar significa exatamente o uso de uma ou algumas pessoas para conduzir muitos. (Ver a postagem abaixo "César Vaia e os fluxos tardeanos")
  2. O Prefeito do Rio, César Maia, foi o grande beneficiado do momento. (Já houve momentos - não tão grandiosos, mas também importantes - em que ele esteve na situação inversa. Em 98, durante a sua campanha para Governador do Rio de Janeiro, contra Garotinho, ele apareceu em um show gospel montado por seus aliados na Praça da Apoteose e foi vaiadíssimo pela multidão evangélica.)
  3. Mesmo que tenha sido orquestrada, a vaia se fundamentou em sentimentos da população, principalmente da classe média conservadora. Captou a insatisfação com os políticos em geral e com os recentes escândalos (Roriz, Renan, águas profundas) em particular.
  4. Entendo a irritação de Lula, mas ele poderia ter tido um pouco mais de "sangue de barata".
  5. Os desdobramentos políticos da vaia, ao contrário do que se imagina no meio oposicionista, poderá transformar-se em ganho político para Lula. (Sobre isso falarei no futuro.)

segunda-feira, 16 de julho de 2007

O Pan-Demônio do Senado recomeça

Demos e tucanos vão jogar tudo o que podem nesses dias pré-recesso. Eles estão embalados pela vaia do Maracanã e pela visível repercussão negativa junto à classe média dos bois voadores de Renan e Roriz e das águas profundas da Petrobras. Mais do que tirar Renan da Presidência do Senado, eles querem imprimir imagens negativas em Lula. Acho que não descansarão nem mesmo durante o recesso. Da parte do Governo, é fundamental agir rápido para limpar a má impressão. Provavelmente vai procurar se livrar do "fardo Renan", sem se desligar de sua maioria parlamentar (maioria difícil, dispersa, problemática, mas indispensável). Mais importante será a consolidação do PAC e mais um mergulho de Lula nos braços do povo.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Paz no Senado?

A bezerra de Roriz (PMDB-DF) já foi pro brejo. A sua renúncia era necessária para que o Senado tivesse condições de absolver Renan Calheiros (PMDB-AL), e agora é só questão de alguns dias para tudo voltar ao normal (seja lá o que for o que isso quer dizer...). Outra decisão importante foi o retorno da Comissão de Ética, agora com o trio de relatores, o que permite demonstrar certa imparcialidade. Por fim, há a declaração do Senado Jefferson Peres (PDT-AM) feita na televisão, deixando bem claro que a acusação contra Renan restringe-se à suspeita de que ele pagaria a pensão de seu filho extra-conjugal com a ajuda financeira "extra" de uma construtora. Ora, até aqui não surgiu nenhuma prova concreta dessa "ajuda". Logo, fica fácil inocentá-lo. O problema todo estava na pressão da mídia e da oposição, interessada sobretudo em atrapalhar o Governo. Mas já começa a surgir o clima propício a se superar tudo isso sem maiores traumas. Claro, há ainda o imbroglio das notas frias para o gado quente. Mas essa história aparentemente vai pro brejo junto com a bezerra de Roriz...

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Teremos um boi de piranha?

Ontem me perguntaram o que eu achava que ia acontecer com esse imbroglio do Senado. Respondi que era difícil prever, porque aquilo é uma verdadeira "caixinha de surpresas" (talvez o mais apropriado seria o termo "caixa de Pandora"...). Mas pode ser que Roriz funcione como "boi de piranha" para a salvação de Renan.