Mostrando postagens com marcador Petrobras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Petrobras. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

TUCANO PASSA, TUCANO VOA, E AS MANCHETES DO SEU TEMPO PUNGUEIAM NUMA BOA...



Fernando Henrique sentiu o golpe. Foi só Dilma lembrar que a roubalheira deveria ter sido investigada desde a década de 90 que ele subiu nas tamancas e levou o seu sorbonês ao nível mais baixo do momento. Insinuou que a Presidente é punguista!!! Não entendo mesmo esse Fernando Henrique – além de querer se passar por rei da cocada preta, faz de conta que não lembra dos seus desatinos de governo, tenta insinuar que hoje vivemos muito pior do que nos tempos dele. Para refrescar a memória, recuperamos algumas manchetes publicadas pelo Globo há exatamente 16 anos, quando Fernando Henrique – como Dilma – iniciava o seu segundo mandato. Hoje é 23 de fevereiro? Então vejamos o Globo do dia 23 de fevereiro de 1999: “ACM diz que intromissão do FMI fere a soberania”, “Inflação sobe para 2,64% após a desvalorização do real”, “Quem foge de problemas é traidor, diz FH”.
Clique para ampliar
Outras manchetes históricas: “FMI pedirá ao Governo novas medidas de ajuste fiscal” (dia 1º/ fev), “Juros vão a 39% e dólar cai pela primeira vez em 20 dias” (2/fev), “Mudança no comando do BC faz o dólar despencar” (3/fev), “Governo propõe congelar prestação em dólar até abril” (4/fev), “Revisão de acordo com o FMI prevê ajuste ainda mais duro” (5/fev), “Manifesto de governadores irrita FH e interrompe o diálogo” (6/fev), “Ajuste fiscal vai conter o aumento do mínimo” (7/fev), “Fundação Getúlio Vargas prevê inflação de 8% no primeiro trimestre” (10/fev). Tem essa bem atual: “Carnaval da crise lota Sapucaí de estrangeiros” (15/fev). E olha essas: “Crescimento da economia no Brasil é o pior desde 1992” (20/fev), “Queixas contra o sistema financeiro batem recorde” (21/fev). Temos também: “BC intervém de novo mas não consegue acalmar o mercado” (25/fev) e “ACM: Senado não permitirá que FMI decida onde cortar” (28/fev).
Como dá para perceber, as manchetes econômicas do tempo de Fernando Henrique não deixam nada a desejar. São arrasadoras. Com o agravante de que as notícias na área social nem existiam... Mas você agora vai perguntar: “E a corrupção? E a Petrobras?” Pois é, fiz a busca com essas palavras e surgiram 93 páginas para o ano de 1999. Mas não encontrei grande destaque no mês de fevereiro. As manchetes devem ter sido pungueadas...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Foreign Policy: José Serra, uma reserva estratégica dos grupos internacionais inimigos da Petrobras


É impressionante a leitura, no site da Foreign Policy, do artigo “Brazil moves aggressively toward resource nationalism”, de Ian Bremmer, presidente do Eurasia Group de Nova York, de consultoria sobre risco global (algo assim). O artigo ataca com todas as letras o novo marco regulatório para a exploração e produção do Pré-sal, baseado no modelo de partilha, proposto pelo Governo Lula. Para Ian Bremmer, Lula está deixando de ser, aos olhos dos grandes grupos petrolíferos internacionais, uma alternativa política simpática, graças ao aprofundamento do controle do estado sobre o setor de energia. Em outras palavras, estão de olho no Pré-sal e não se conformam com o modelo de partilha. O artigo lamenta que, devido à alta popularidade de Lula, ninguém tenha coragem de se opor a ele, principalmente em ano eleitoral. “As multinacionais do petróleo estão cautelosas (...) e até mesmo José Serra, nome mais forte da oposição para a sucessão presidencial, prefere manter reservas sobre o assunto”. Ian Bremmer conclui o artigo com esse raciocínio magistral: “Se Serra ganhar, ele provavelmente reverterá a legislação. Mas seria um processo longo. Se Dilma vencer, a única esperança das multinacionais do petróleo será uma eventual vitória na Corte (referência ao STF, claro) sobre a constitucionalidade da reforma”. Inacreditável, vocês não acham. Fica evidente que as multinacionais do petróleo contam como aliados (contra os interesses nacionais) com Serra e o STF!!! Como talvez dissesse a coluna do Ancelmo, “Meu Deus!”

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O PRÉ-SAL É NOSSO!

Ninguém deve se iludir. A batalha vai ser grande em torno do pré-sal. Vão inventar que o marco regulatório é puramente eleitoral, que é mamata ( a CBN já disse isso hoje de manhã), é dinheiro pra campanha da Dilma (César Maia disse isso), que é mania estatizante, vão inventar tudo. Mas a verdade são duas só: o medo da Oposição de perder em 2010 ficou maior; os grandes grupos privados que iam fundo na exploração de nossos recursos não estão nada satisfeitos, óbvio. A luta agora é igual à da criação da Petrobras: o pré-sal é nosso e ninguém tasca.

domingo, 30 de agosto de 2009

Pré-sal já!

Vamos deixar claro uma coisa: a Oposição e grandes grupos internacionais adorariam adiar a determinação de novas regras para a exploração do petróleo, em função do pré-sal. Esperam, quem sabe, que um dia a privataria volte a tomar conta do país. Portanto, a urgência não é meramente eleitoral – embora tenha que ser levada em conta. Como lembra o professor Luiz Pinguelli Rosa, em artigo hoje no JB (“O modelo do pré-sal” – ver texto abaixo), “a desregulamentação da energia foi uma parte do processo de liberalização da economia sob a globalização financeira, cujo resultado foi a crise mundial iniciada nos EUA, em 2008, e agravada em 2009, atingindo outros países como o Brasil”. Assim, é importante alterações na legislação que permitam uma redistribuição dos benefícios do pré-sal para todo o país e ao mesmo tempo protejam a população de estados limítrofes. Luiz Pinguelli Rosa escreve ainda que “no sistema de concessões atual, o petróleo extraído pertence à empresa. No sistema contratual de partilha, que está cogitado, o petróleo produzido é repartido entre ela e o país. Haveria ainda a possibilidade do contrato de prestação de serviços. No Brasil a remuneração do Estado pela empresa petrolífera é menos de 50% da receita, enquanto em outros países ultrapassa 80%, percentual que se pensa adotar”. Ao contrário do que pensa Arnaldo Jabor, que chegou ao cúmulo de declarar (em palestra durante o 4º Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais, em Campos do Jordão, em São Paulo) que “o atraso nos protegeu. A dependência do Estado que ainda temos hoje, o controle e a centralização que há no governo e na cabeça das pessoas acabaram nos protegendo da crise”, temos que nos proteger ainda mais do liberalismo desenfreado que causou a crise.Temos que pôr na cabeça que, assim como foi importante no passado, é importante agora a bandeira “O pré-sal é nosso!” Abaixo, opinião de Luiz Pinguelli Rosa:
O modelo do pré-sal
Luiz Pinguelli Rosa
Energia voltou a ser uma questão política no mundo. O preço do barril de petróleo subiu de US$ 10 até mais de US$ 20 na virada do milênio. Em 2007 chegou a US$ 70, em outubro de 2008 alcançou US$ 140 e, hoje, está em torno de US$ 70. O gás natural, por sua vez, ocasionou anteriormente problemas entre a Rússia e a Europa e entre a Argentina e o Chile, tanto quanto ou mais do que ocorreu entre a Bolívia e o Brasil. Na energia elétrica, houve racionamento sério em 2001 por falta de regulação do setor e o contencioso com o Paraguai sobre a usina de Itaipu, objeto de recente entendimento entre os presidentes Longo e Lula. A desregulamentação da energia foi uma parte do processo de liberalização da economia sob a globalização financeira, cujo resultado foi a crise mundial iniciada nos EUA, em 2008, e agravada em 2009, atingindo outros países como o Brasil. No caso da energia, somam-se os desdobramentos da crise financeira à crise ambiental, com o efeito estufa, outro grande problema político, pois se trata de escolhas da sociedade que não cabem às empresas fazerem sozinhas. A atribuição do Nobel da Paz de 2007 ao Painel Intergovernamental de Mudança Climáticas (IPCC) veio como um desdobramento da divulgação, feita no início de 2007, do Quarto Relatório de Avaliação que causou grande preocupação em todo o mundo.
O Brasil dispõe de recursos hidrelétricos abundantes, ainda que devam ser obedecidas as restrições de ordem ambiental para novas usinas, como ocorreu com as de Santo Antônio e Jirau no Rio Madeira. O consumo de gasolina em automóveis ultrapassou o de álcool, produzido da cana de açúcar com enorme vantagem quanto às emissões de gases do efeito estufa em relação ao álcool de milho usado nos EUA. Recentemente, a Petrobras anunciou publicamente a descoberta de petróleo na camada do pré-sal, adicionando às reservas conhecidas de 14 bilhões de barris algo que pode variar entre 30 e 80 bilhões de barris.
O presidente da República está para anunciar as mudanças da legislação do petróleo que o governo vai levar ao Congresso. No sistema de concessões atual, o petróleo extraído pertence à empresa. No sistema contratual de partilha, que está cogitado, o petróleo produzido é repartido entre ela e o país. Haveria ainda a possibilidade do contrato de prestação de serviços. No Brasil a remuneração do Estado pela empresa petrolífera é menos de 50% da receita, enquanto em outros países ultrapassa 80%, percentual que se pensa adotar.
Outro ponto proposto é a criação de uma empresa estatal responsável pela exploração do pré-sal. Se for para esta nova empresa fazer licitações como faz a ANP, de nada adiantará. A nova empresa deverá contratar a Petrobras, detentora da tecnologia de águas profundas. Isto foi anunciado mas não confirmado.
O excedente que o petróleo do pré-sal vai gerar permitirá uma redistribuição de seus benefícios em nível nacional, podendo ser destinado à educação, saúde, saneamento, habitação popular e para fontes alternativas de energia e políticas públicas ambientais. Por outro lado, não se devem reduzir os pagamentos aos estados limítrofes às áreas do pré-sal. Há grandes interesses em jogo na disputa pelos recursos do petróleo, e a população do estado do Rio de Janeiro, em particular, não deve ser mais uma vez prejudicada. O estado já foi prejudicado quando o Congresso aprovou que os impostos sobre derivados do petróleo pertençam aos locais de consumo, sem projetá-los retroativamente aos locais de produção.
Professor / Diretor da Coppe / UFRJ
Secretário do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas

sábado, 29 de agosto de 2009

Pós-sal

O Governo Federal já sabe que errou no encaminhamento da questão do pré-sal. O discurso de que as riquezas do Brasil pertencem a todos os brasileiros está correto. Mas distribuição justa não significa necessariamente distribuição em partes iguais. Há que se pensar em favorecer os mais necessitados e há que se recompensar os prejudicados com os custos salgados da extração das riquezas. E há também a questão da percepção. Nesse sentido, o maior prejudicado nessa decisão que andou se desenhando seria o Estado do Rio de Janeiro, responsável no momento por mais de 80% da produção de petróleo, e que tem grande parte de sua população carente dos royalties. A simples suspeita de que está sendo reduzido um centavo desse ganho vira um Deus nos acuda. Todo mundo chia. Com a chegada do pré-sal foi alegria geral na Nação Verde-Amarela, mas quando começou a divisão do bolo, o Rio começou a perceber que não seria tão bem aquinhoado como pensava. Na verdade, as regras do pré-sal são diferentes do que foi feito até agora com os royalties, mas ninguém foi corretamente informado sobre isso. Do ponto de vista político-eleitoral, o prejuízo mais visível seria o do Governador Sérgio Cabral (PMDB), fiel aliado de Lula e que disputa a re-eleição em 2010. Mas não seria o único. Há também o prejuízo (estratégico) da candidatura Dilma, que poderia assistir a baixas significativas na sua principal fonte de votos entre os poderosos estados do Sudeste. Não é à toa que Rosinha, mulher de Garotinho e Prefeita de Campos, que tem seu litoral recheado de poços petrolíferos, aproxima-se de Serra para protestar contra o que estava sendo costurado. E há ainda o prejuízo dos candidatos regionais do PT e seus aliados. Garotinho, que pretende voltar a ser Governador, sempre foi o primeiro a gritar que o PT quer tirar os royalties do Rio, e vai fazer o mesmo com o pré-sal. Os candidatos do PT estão pisando em ovos (exceto os aliados de Lindberg, felizes com o possível arranhão nas relações Lula Cabral) com esse clima. Sentiram falta de terra firme e temeram que suas candidaturas afundassem no pós-sal. Todos esperam que a comunicação final seja doce para todos.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Será que aparelharam o "entre aspas" da Mônica Waldvogel?

Talvez fosse o caso de dizer que deu pena ver a Mônica Waldvogel conduzir o seu mais recente programa anti-Lula, o "entreaspas" exibido na última terça-feira. No afã de produzir material de propaganda da Oposição, não se preocuparam em apurar a fundo as informações sobre o novo "escândalo". Aliás, isso é comum, mas dessa vez o feitiço virou contra o feiticeiro. Tudo pronto para provar que a Receita estava "aparelhada" pelo Governo, que estaria fazendo "política" com o dinheiro do contribuinte, e que a Petrobras era uma grande vilã que não estava pagando tudo que devia ao Fisco. Um fiasco, isso sim. Os três senhores acima de qualquer suspeita, capitaneados pela figura de Everardo Maciel, chefe da Receita nos governos de Fernando Henrique, convidados para valorizar o "espetáculo", discordaram de tudo que a pauta insinuava. Mônica ficou visivelmente desarvorada, sem saber o que fazer com a ironia e as perguntas ferinas que tinha acalentado para aquele momento. Não explicaram para ela a guerra interna da Receita que corria solta independente do "caso" Lina-Dilma. A Petrobras estava errada? Não, respondeu Everardo com veemência, esclarecendo que foi ele mesmo responsável pelas normas que permitiam a Petrobras (e qualquer empresa) agir como agiu. O Governo "politizou" a Receita? Não, responderam uníssonos os três convidados, acrescentando: "Quem politizou foi a Lina". Agora, as perguntas que não querem calar: quem foi o responsável por tamanho desastre telejornalístico? quem confiscou a produção? quem quer sabotar Mônica Waldvogel? será que o novo diretor de jornalismo é do PT? Você já deve ter visto a entrevista. Se quiser revê-la, essa é uma chance.

domingo, 26 de julho de 2009

Blog da Petrobras x Mídia: mais um round

Não tenho dúvida que o Blog da Petrobras é um importante veículo de comunicação, principalmente diante da intensa batalha política que se trava no momento, onde informação precisa é ouro. Na sexta, saiu matéria no Estadão manchetando “TCU manda parar obras de complexo da Petrobras”. Não corresponde à verdade. O Blog da Petrobras informa que “… em virtude do volume de chuvas nos últimos meses ter sido muito maior do que a média histórica na região de Itaboraí, no Estado do Rio, a verba prevista dentro do contrato para cobrir os gastos com as paralisações durante as chuvas se esgotou. Portanto, a paralisação parcial das obras não tem relação com um possível questionamento do TCU sobre o preço pago às empreiteiras…” Ainda não encontrei correção no Estadão.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Blog da Petrobras X Mídia: quem tem medo de quem?

Vamos colocar claro uma coisa: a Mídia não pode ter medo da informação, tem que ter medo da manipulação da informação. Se a Petrobras criou o seu blog Fatos e Dados para manipular informações, tem que ser não apenas criticada, mas denunciada. Se, ao contrário, ela criou o blog para combater possíveis manipulações, para dar mais transparência e maior alcance às informações da empresa, ela tem que ser aplaudida. Fui conhecer o blog da Petrobras e, sinceramente, não vi nada além do necessário. Um blog simples e objetivo, que defende e promove a empresa. A Folha de hoje tem reportagem dizendo que "Estatal omite dados antigos na internet". Mas notei que o blog se apresenta assim: "Neste blog, apresentaremos fatos e dados recentes da Petrobras e o posicionamento da empresa sobre as questões relativas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Leia, comente e divulgue para seus amigos". Por que tanta reação contrária, então? Há dois motivos, na minha opinião. O primeiro, é político. A Mídia na verdade quer combater tudo que está associado ao Governo Lula. O segundo é de luta pela sobrevivência. A Mídia tradicional ainda não sabe como reagir aos novos meios surgidos com a internet, e parte para o desespero. Se o jornalista quer assegurar a divulgação em primeira mão de sua reportagem ou entrevista, isso, obviamente, pode ser discutido. Como disse o Ministro Franklin Martins, "é uma questão de 'conversar' com a empresa para que o conteúdo seja divulgado depois da publicação das matérias, não antes". Acho que o bom relacionamento é possível e hoje a própria coluna (excelente) Toda a Mídia da Folha dá um exemplo, ao apresentar link para o blog Fatos e Dados em notícia sobre a participação de Sérgio Gabrielli no Roda Viva. O que a Mídia conseguiu de fato foi propaganda gratuita para o blog.

domingo, 30 de novembro de 2008

Empréstimo Caixa-Petrobras: o Globo dá aula de não-jornalismo

Quando alguém quer fazer o anti-jornalismo, certamente procura ocultar informações, usar informações falsas, etc. O que O Globo fez ontem e hoje sobre o empréstimo da Caixa para a Petrobras não teve nada disso. Foi tudo claramente errado, sem aparentar tentativas de ocultar informações. Vejam os títulos da primeira página e da página interna: “CEF não ouviu auditores no socorro jumbo à Petrobras” e “Operação fora do padrão”, respectivamente. Ainda na primeira página, podemos ler: “Contrariando a praxe, a direção da Caixa Econômica Federal (CEF) não consultou seus auditores para liberar os R$ 2 bilhões para a Petrobras em fins de outubro”. No subtítulo da parte interna também lemos: “CEF não consultou auditores antes de conceder crédito de R$ 2 bi à Petrobras, contrariando a praxe”. Mas logo no início da reportagem traz uma declaração do presidente da Associação Nacional dos Auditores Internos do banco (Audicaixa), Antonio Augusto de Miranda e Souza: “Devido ao tamanho e ao ineditismo do empréstimo de R$ 2 bilhões feito pela Caixa Econômica Federal (CEF) à Petrobras, os auditores da instituição financeira avaliam que deveriam ter sido consultados previamente para verificar os termos e as condições do negócio”. Ora, aqui começa a contradição da reportagem. Não foi dito que a auditoria seria uma praxe. Ao contrário, Antonio Augusto de Miranda e Souza declarou que, “devido ao tamanho e ao ineditismo” (grifo noso), ele considerava que seria um procedimento “desejável e prudente” que daria “mais conforto à direção da Caixa”. O presidente da Audicaixa chega a afirmar que a consulta não é obrigatória. O desejo de dar uma notícia negativa para o Governo Federal foi mais uma vez mais forte do que exercer a boa prática do jornalismo. O Globo produziu em sua primeira página uma notícia que merecia menos do que uma coluna inteira. Como, aliás, fez hoje, em mais uma falha do bom jornalismo. Todos sabem que um erro de primeira página mereceria uma correção de primeira página. Mas o Globo escondeu em menos de uma coluna a correção feita pela Caixa: “auditores não precisam ser consultados”. Simplesmente porque “a função deles é auditar as operações já realizadas”. Tudo tão óbvio, não é mesmo? Então por que toda a presepada? Essa reportagem do Globo deveria fazer parte de todos os cursos de jornalismo do país. É um desserviço que pode acabar servindo a um bom jornalismo.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Poços da Petrobras: recordar é profundo

Por acaso encontrei este anúncio que fiz para a Petrobras, acho que na segunda metade da década de oitenta. É um bom anúncio, acho. Mas o mais interessante, no momento, é o trecho em que a Petrobras orgulha-se de seu savoir-faire em águas profundas. Na época, ela podia "extrair petróleo do mar a uma profundidade de 500 metros". O novo poço, Tupi, está entre 5.000 e 7.000 metros de profundidade.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Maluf é Tupi desde criancinha

Tinha recado em casa, tinha recado no escritório, tinha recado na caixa postal, meu celular tinha 311 ligações não respondidas. Era minha sogra - ou, como ela diz, minha sogra preferida. Estava indignada. Tinha acabado de ver uma inserção política com o Maluf (PP) se dizendo responsável pela descoberta do poço Tupi da Petrobras... Reportagem da Folha de hoje deve atender às inquietações de minha sogra:
PP afirma que petróleo em SP é obra de Maluf. O PP de São Paulo tem divulgado desde o dia 14 inserções na TV nas quais apresenta o deputado federal Paulo Maluf como precursor da descoberta de petróleo na bacia de Santos pela Petrobras. "Em 1980, baseado em estudos geológicos, o governador Paulo Maluf criou a Paulipetro. Ao invés de apoio, a iniciativa recebeu calúnias e incompreensões. Vinte e sete anos depois, o projeto de Maluf se confirma. Graças ao petróleo da bacia de Santos, o Brasil vai fazer parte da Opep. PP: visão de futuro", afirma a inserção. Criada pelo então governador Paulo Maluf em 1979, a Paulipetro tentou encontrar petróleo e gás - mas na bacia do Paraná, no interior do Estado. Em 1981 a empresa descobriu pequenos depósitos de gás em Cuiabá Paulista, sem viabilidade comercial. A empresa foi extinta pelo governador Franco Montoro (PMDB), deixando dívidas de US$ 500 milhões. Em 1980, o advogado Walter do Amaral ajuizou ação contra Maluf, que foi julgada improcedente na primeira e na segunda instâncias, mas em 1997 o STJ acatou recurso e condenou Maluf e os demais acusados a devolverem US$ 250 mil ao erário. "Se for eleito governador, não voltarei a procurar petróleo", disse Maluf na época. Em agosto último, o STF confirmou a condenação.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

César Maia não entende de mulher

No seu Ex-Blog de sexta-feira, dia 9, o Prefeito César Maia (DEM, ex-PFL) dirigiu alguns "conselhos" de marketing à Ministra Dilma Roussef, "pelas lembranças do tempo em que militava por tantos anos no PDT". Ele deu mais uma justificativa: "O propósito é colaborar. Afinal, dizem que você pode ser a candidata a sucessão do Lula". Na verdade, César Maia acusou o golpe do petromarketing da última quinta-feira e está tentando ridicularizar Dilma, dando-lhe "aulas" de comportamento diante das câmeras. Quero reafirmar que considero César Maia um bom teórico de marketing político, com algumas "práticas" positivas, principalmente quando conseguiu fazer o desconhecido Luiz Paulo Conde seu sucessor em 1996. Mas César Maia acumula grandes fracassos, principalmente como "conselheiro" de candidaturas de mulheres. Em 2002, transformou a candidata ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, Solange Amaral, em um clone perfeito de... César Maia - e foi um fiasco absoluto. Em 2006, fez mais ou menos a mesma coisa com a candidata Denise Frossard (PPS), com resultado melhor, mas longe de uma transformação realmente vitoriosa. Ainda em 2006, tentando inflar a candidatura de Heloisa Helena (PSOL), enviou-lhe alguns conselhos, nos moldes desses que enviou para Dilma. Faziam até mais sentido, naquela época, mas não tiveram efeito concreto. E agora, com esses "conselhos" a Dilma, concluí que César Maia (se estiver sendo sincero, o que é difícil...) definitivamente não entende de mulher - ou entende de marketing menos do que se imagina. Disse ele: "Quanto mais baixa a voz, mais atenção desperta. O tom de voz que você usou foi de rádio. Quando isso acontece, seu rosto sai pela tela e a voz por cima do aparelho, dando uma aparência de leão da Metro, rugindo". César Maia estaria certo, se não se tratasse de uma ministra mulher que até agora manteve-se à sombra e que precisa acima de tudo afirmar-se no comando. Ao contrário de Heloisa Helena, que tinha grande visibilidade para seu jeito agressivo bem antes da candidatura, Dilma ainda não teve a exposição necessária para se transformar em candidata de respeito. Para o grande público, neste momento, o que ela precisa é exatamente de um rosto que "sai pela tela". Se realmente é candidata à Presidência (na minha opinião, a melhor opção até agora dentro do PT), ela tem que falar forte agora e suavizar a fala mais à frente. O resto é jogada política de oposição. Veja o texto completo de César Maia:
MINHA CARA MINISTRA DILMA ROUSSEF! 1. Este Ex-Blog se dirige a você pelas lembranças do tempo em que militava por tantos anos no PDT. O propósito é colaborar. Afinal, dizem que você pode ser a candidata a sucessão do Lula. Que bom! Pelo menos não correríamos riscos de termos estes pelegos e chavistas do PT na disputa. 2. Mas esta nota, ministra, é para comentar sua aparição ontem no Jornal Nacional. Na TV, ministra, se fala com voz escandida, suave, pausando as palavras... Quanto mais baixa a voz, mais atenção desperta. O tom de voz que você usou foi de rádio. Quando isso acontece, seu rosto sai pela tela e a voz por cima do aparelho, dando uma aparência de leão da Metro, rugindo. 3. Por outro lado, o tipo de locução que você fez - dar uma notícia boa, com feições e tom de voz, como se estivesse denunciando um caso grave - dá a certeza a quem está vendo, de que você está mentindo, que se trata na verdade do Poço do Visconde (ler Monteiro Lobato). Isso não ajuda a sua candidatura. 4. Cuidado! Os pelegos e chavistas do PT estão de olho em você! Há bons cursos de telegenia a disposição. Em Brasília este Ex-Blog conhece pelo menos uns três de alto nível. Vão lhe ajudar a se comunicar pela TV.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

A Petrobras lançou as manchetes no fundo do poço

Algumas manchetes de ontem: "Petrobras não cumpre a meta de produção de gás" (Valor Econômico), "Governo fez motorista acreditar no GNV e agora põe o pé no freio" (O Dia), "Governo agora pede para abandonar o carro a gás" (Estado de Minas), "Petrobras avisa que gás vai aumentar até 25%" (Globo). Hoje tudo mudou: "Brasil descobre campo gigante de petróleo" (JB), "Petrobras anuncia megacampo de petróleo" (Folha), "Descoberta da Petrobras deve aumentar reservas em 50%" (Estadão), "Governo diz que descoberta fará país virar exportador de petróleo" (Globo), "Nova reserva de óleo pode valer US$ 48 bi" (Gazeta Mercantil), "Brasil festeja reserva gigante de petróleo" (Correio), "Novas reservas de óleo provocam euforia" (Valor), "Petrobras anuncia superpoço, mas não livra o Rio do apagás" (O Dia). No exterior, destaquei duas manchetes: "Brasil descubre en sus aguas un gran yacimiento de petróleo - El hallazgo puede hacer del país una potencia exportadora" (El País, da Espanha) e "Tupi field a boost for Brazil’s Petrobras" (Financial Times, da Inglaterra). A sensação que tive foi de que a mídia amanheceu engasgada, tendo que divulgar notícias favoráveis ao Governo Lula. Claro que houve resistência, mas a notícia é forte demais para ser escamoteada. Acredito também que o Ministro Franklin Martins soube agir com maestria. A seguir, as reportagens no Financial Times e em El País:
Tupi field: a boost for Brazil’s Petrobras, By Sheila McNulty in Houston and agencies Published: November 8 2007 22:43 | Last updated: November 8 2007 22:43. Petroleo Brasileiro, or Petrobras, Brazil’s state-owned oil company, on Thursday said well tests revealed its Tupi field may contain as much as 8bn barrels of oil and natural gas, which would considerably bolster the country’s energy clout. The estimate, if correct, would raise the country’s reserves by 62 per cent and just about put Tupi on par with Norway’s 8.5bn barrels of proved oil reserves. Brazil has 14.4bn barrels of proved reserves of oil and natural-gas equivalent. The news pushed up Petrobras’ shares 9.95 reais, or 14.2 per cent, to 80.2 on the São Paulo stock exchange, the biggest rise in more than nine years. It also lifted the shares of its partners – BG group of the UK, which holds a 25 per cent stake, and Galp Energia of Portugal, which holds 10 per cent. BG Group’s shares rose 9.8 per cent to 989p in London and Galp Energia reported its biggest one-day gain in Lisbon, rising 14 per cent to a record close of €12.35. Petrobras’ news release contained few details beyond the fact that the estimates were made after analysis of the formation tests for a second well in the area. The company also said the oil within was light, which is more valuable because it is cheaper to refine than the heavier crude oil that Brazil mostly produces. “Tupi changes everything for Brazil and Petrobras,’’ said Carlos Renato Nunes, an oil analyst with São Paulo-based brokerage Coinvalores CCVM who has a buy recommendation on Petrobras shares. “Tupi is not only huge, its light oil offers huge cost advantages.’’ And at a time when oil is heading towards $100 a barrel, and energy security is high on the agenda of many governments, the news is sure to boost Brazil’s economic influence. Petrobras, already a well-respected national oil company on the world stage, is likely to receive a further boost from the discovery. “Brazil needs time to evaluate its new oil potential,’’ Dilma Rousseff, president Luiz Inacio Lula da Silva’s cabinet chief, said at a news conference in Rio de Janeiro. “This could make Brazil jump from an intermediate producer to among the world’s largest producers.’’ Tupi is three-quarters the size of Kazakh­stan’s Kashagan field, which holds 12bn barrels of recoverable crude and was the biggest find in the past 30 years. There have only been a few gas discoveries in the past 20 years that would rival it, including the Shtokman field in Russia at 23bn barrels of oil equivalent, and two other Russian finds in the 5bn to 10bn range, Andy Latham, vice-president of exploration services at Wood Mackenzie Consultants in London, said. Brasil descubre en sus aguas un gran yacimiento de petróleo - El hallazgo puede hacer del país una potencia exportadora. JUAN ARIAS / EFE - Río de Janeiro - 09/11/2007. El presidente de Petrobras, Sergio Gabrielli, anunció ayer el hallazgo de un yacimiento de petróleo bajo las áreas marinas que explora en el océano Atlántico en el área de Tupi, en la bahía de Santos, Estado de São Paulo, de 8.000 millones de barriles, lo que puede convertir al país suramericano en un exportador de petróleo, a la altura de Venezuela o Nigeria. Nada más conocerse la noticia, las acciones de la empresa brasileña subieron más de un 15% en la Bolsa de valores de São Paulo. Inmediatamente después, la ministra jefa de la Casa Civil, Dilma Rouseff, convocó una conferencia de prensa junto al ministro de Minas y Energía, Nelson Hubner, para explicar la importancia económica y política del nuevo hallazgo. “Supone que Brasil pasa de intentar ser autosuficiente en petróleo a convertirse en un exportador, como los países árabes o Venezuela”, señaló Rouseff. Y añadió que “podrá cambiar la cara de este país”. Petrobras posee en esa zona el 65% del capital, compartido con la británica BG Group, que posee un 25%, y con la portuguesa Galp Energia, con un 10%. El hallazgo anunciado ayer podría ser sólo uno de varios ricos campos en una extensión de 800 kilómetros de longitud por 200 de ancho en el litoral de los Estados de Río de Janeiro, Espíritu Santo, São Paulo y hasta Santa Caterina, en el sureste del país. Los indicios de nuevos yacimientos apuntan a la necesidad del país de parar y pensar nuevamente respecto a su industria petroler. “Ha cambiado la realidad”, dijo Rousseff al afirmar que el tamaño de la riqueza petrolera de Brasil es ahora “mucho mayor”. Las reservas probadas totales de petróleo y gas de Brasil, a cargo de Petrobras, cerraron 2006 en 10.573 millones de barriles equivalentes. De ese total, 9.000 millones de barriles eran solamente de crudo, según criterios de evaluación aceptados por los organismos fiscalizadores del mercado de capitales de Brasil y Estados Unidos. Petrobras está controlada por el Estado brasileño, pero sus acciones cotizan en las Bolsas de Brasil, Nueva York, Madrid y Buenos Aires.

domingo, 4 de novembro de 2007

A crise do ganso, a crise do gás

Tenho um sítio com área comum a 13 outros sítios, onde, na parte central, temos 3 laguinhos. Um deles é freqüentado por gansos, barulhentos, mas maravilhosos. Faz 6 anos que tenho o sítio e, nesses 7 meses de novembro, nunca vi seca igual. Os meus 13 vizinhos são da área de energia e trabalham, no Rio ou em São Paulo, em empresas como a ONS, a Light, a Petrobras ou a Eletrobrás, e o síndico - que é da ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) - já tinha me dito, há mais de um mês, que novembro, tradicionalmente, é um mês ruim de água - mas que talvez esse ano fosse ainda pior. Pude constatar com meus próprios olhos (e os gansos puderam sentir isso nas próprias penas) o quanto isso era verdade. Os lagos secaram e os gansos tiveram que se contentar com um volume de água equivalente ao de uma pequena bacia. O meu vizinho-síndico também contou depois que, em função da queda dos níveis d'água nos reservatórios, a energia proveniente de hidrelétricas tinha ficado mais cara e que a ONS tinha recomendado o uso da energia mais barata no momento, a das termelétricas a gás. Entendi que foi em função disso que houve esse corre-corre da Petrobras, tendo que atender seus compromissos com o consumo doméstico e o consumo industrial. Não vi nisso - ao contrário do que pretende a mídia - exatamente uma crise energética, mas, sim, uma re-arrumação antes do previsto. Bem diferente, a meu ver, do apagão tucano, quando, se não me engano, a falta de chuvas não pôde ser contornada por causa da falta de investimento na distribuição de energia. A crise de verdade, hoje, é a do meio ambiente, com transtornos no mundo inteiro. Felizmente, neste fim de semana, caíram dois pés d'água, os lagos ficaram felizes e os gansos puderam sorrir com o seu jeito barulhento de ser.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

O Pan-Demônio do Senado recomeça

Demos e tucanos vão jogar tudo o que podem nesses dias pré-recesso. Eles estão embalados pela vaia do Maracanã e pela visível repercussão negativa junto à classe média dos bois voadores de Renan e Roriz e das águas profundas da Petrobras. Mais do que tirar Renan da Presidência do Senado, eles querem imprimir imagens negativas em Lula. Acho que não descansarão nem mesmo durante o recesso. Da parte do Governo, é fundamental agir rápido para limpar a má impressão. Provavelmente vai procurar se livrar do "fardo Renan", sem se desligar de sua maioria parlamentar (maioria difícil, dispersa, problemática, mas indispensável). Mais importante será a consolidação do PAC e mais um mergulho de Lula nos braços do povo.