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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Eleição de Campos: nem imexível, nem remexível – é incrível!


Ontem o TSE lançou uma ducha de água fria na fervura da oposição campista ao garantir a Garotinho o direito de assumir o mandato de deputado federal que conquistou por quase 700 mil votos. O resultado é incrível em todos os seus aspectos. Vamos entender.
  • O processo contra Garotinho e Rosinha por abuso de poder econômico e campanha antecipada nas eleições de 2008 foi iniciativa do adversário Arnaldo Vianna junto à Justiça Eleitoral de Campos (1ª instância).
  • Acontece que, depois disso, Arnaldo Vianna foi condenado, e o Juiz considerou que ele não teria mais legitimidade na denúncia – por isso arquivou o processo.
  • Foi feito recurso ao TRE que considerou haver legitimidade e foi além: julgou o caso e concluiu, diante das provas contundentes do processo, que Garotinho e Rosinha deveriam ser cassados.
  • No TSE, o que se discutiu (e aparentemente não poderia ser de outra forma) não foi a culpa ou não do casal Garotinho – mas se o TRE poderia ou não ter feito o julgamento. Três juízes, inclusive o relator, consideraram que o TRE agiu corretamente, enquanto outros três consideraram que o TRE deveria ter devolvido o processo à 1ª instância para que lá, sim, fosse feito o julgamento. O desempate foi feito pelo presidente do TSE a favor da tese da defesa de Garotinho.
  • O primeiro resultado disso foi excluir Garotinho da Lei Ficha Limpa, já que ele não teve condenação  proferida por órgão colegiado (TRE, por exemplo). Isso garante que ele tome posse como deputado federal.
  • O segundo resultado foi a possibilidade de Rosinha retornar à Prefeitura, de onde foi afastada por causa de sua condenação (no mesmo processo) no TRE, que agora foi anulada.
  • O terceiro resultado é a óbvia desmobilização da oposição campista, que sonhava em vencer a eleição do próximo dia 6 de fevereiro – que deverá ser cancelada.
Campos continua demonstrando que política e justiça eleitoral são mistérios para poucos decifrarem. Por incrível que pareça.

sábado, 29 de agosto de 2009

Pós-sal

O Governo Federal já sabe que errou no encaminhamento da questão do pré-sal. O discurso de que as riquezas do Brasil pertencem a todos os brasileiros está correto. Mas distribuição justa não significa necessariamente distribuição em partes iguais. Há que se pensar em favorecer os mais necessitados e há que se recompensar os prejudicados com os custos salgados da extração das riquezas. E há também a questão da percepção. Nesse sentido, o maior prejudicado nessa decisão que andou se desenhando seria o Estado do Rio de Janeiro, responsável no momento por mais de 80% da produção de petróleo, e que tem grande parte de sua população carente dos royalties. A simples suspeita de que está sendo reduzido um centavo desse ganho vira um Deus nos acuda. Todo mundo chia. Com a chegada do pré-sal foi alegria geral na Nação Verde-Amarela, mas quando começou a divisão do bolo, o Rio começou a perceber que não seria tão bem aquinhoado como pensava. Na verdade, as regras do pré-sal são diferentes do que foi feito até agora com os royalties, mas ninguém foi corretamente informado sobre isso. Do ponto de vista político-eleitoral, o prejuízo mais visível seria o do Governador Sérgio Cabral (PMDB), fiel aliado de Lula e que disputa a re-eleição em 2010. Mas não seria o único. Há também o prejuízo (estratégico) da candidatura Dilma, que poderia assistir a baixas significativas na sua principal fonte de votos entre os poderosos estados do Sudeste. Não é à toa que Rosinha, mulher de Garotinho e Prefeita de Campos, que tem seu litoral recheado de poços petrolíferos, aproxima-se de Serra para protestar contra o que estava sendo costurado. E há ainda o prejuízo dos candidatos regionais do PT e seus aliados. Garotinho, que pretende voltar a ser Governador, sempre foi o primeiro a gritar que o PT quer tirar os royalties do Rio, e vai fazer o mesmo com o pré-sal. Os candidatos do PT estão pisando em ovos (exceto os aliados de Lindberg, felizes com o possível arranhão nas relações Lula Cabral) com esse clima. Sentiram falta de terra firme e temeram que suas candidaturas afundassem no pós-sal. Todos esperam que a comunicação final seja doce para todos.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

César Maia e o quadro eleitoral do Rio

No seu Ex-Blog de ontem, César Maia fez mais uma de suas análises sobre pesquisas eleitorais. Como sempre, puxa a sardinha para a brasa dele. Fala de pesquisas genericamente, mas certamente fala a partir de pesquisas que ele mesmo faz. Vou comentar sua análise em negrito, junto com o seu texto:
O QUADRO ELEITORAL NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO!
1. Os partidos – nacional e regionalmente – e pré-candidatos começam a fazer pesquisas para governador (ERJ) em 2010. Hoje se tem um quadro de partida muito interessante pela incerteza generalizada. Nenhum dos nomes pode garantir que é favorito para ir ao segundo turno. Atenção: não é para ganhar, mas simplesmente passar para o segundo turno.
Comentário. Ele sabe que não é verdade. O Governador Sérgio Cabral (PMDB) não apenas é favorito para passar ao segundo turno como pode ganhar no primeiro. A não ser que ele esteja considerando que Sérgio Cabral vai se tornar Vice de Dilma.
2. O PSDB, o DEM e o PPS estarão juntos em nível nacional e, no ERJ também o PV, todos em apoio ao Serra, candidato a presidente (supondo ser ele). A experiência de várias eleições mostra que uma forte candidatura a presidente alavanca a candidatura a governador. Em 1990 a eleição de governador foi solta. Em 1994 venceu FHC e no ERJ Marcello Alencar de seu partido. Em 1998 venceu FHC, mas sua base (PFL e PSDB) foi separada e com isso no primeiro turno a vinculação com o PSDB, em um candidato a governador que estava fora da disputa, prejudicou a ambos. Em 2002, Lula e Rosinha. Em 2006, Lula e Cabral.
Comentário. É verdade. Em 2010, a aliança forte no Rio de Janeiro promete ser Lula, Dilma e Sérgio Cabral.
3. Essa vinculação alavancadora impõe que a coligação no ERJ em torno de Serra não se divida e tenha um só candidato a governador. O presidente nacional do DEM já informou ao governador José Serra que o DEM deixa à vontade a coligação para escolher o candidato a governador e que só oferecerá um nome em última instância, quando e se solicitado pelos demais. Com isso as pesquisas devem trazer um nome só desta coligação (Gabeira, Denise e Maia) e oferecer listas alternativas.
Comentário. Pode ser. Mas pode ser que não. Gabeira, chamuscado pelas passagens, talvez prefira garantir um lugar no Senado – praticamente inviabilizando tanto César Maia quanto Denise Frossard, tanto para o Senado quanto para o Governo. Qualquer um dos três nomes, pelo que se vê no momento, teria imensas dificuldades candidatando-se a Governador.
4. A novidade é a queda do governador Cabral entre os eleitores de menor renda. Provavelmente pelo efeito combinado muro/truculência urbana/mortes em comunidades, com ênfase na capital. Garotinho ressurgiu e já é mais forte que Cabral no Interior e seu nome passou a existir na capital, nas áreas mais carentes. Alternando César Maia e Gabeira vemos que a soma dos dois nas pesquisas anteriores se transforma em intenção de voto com um nome só nas atuais. Gabeira vai melhor que Maia na Capital, mas este vai melhor que aquele fora da Capital. No final a soma é a mesma.
Comentário. Isso depende da pesquisa. Pelo que estou informado, Sérgio Cabral tem crescido na faixa popular e Garotinho até agora não reapareceu para valer.
5. A dúvida fica quanto à candidatura de Lindberg, do PT. Hoje ele tem uns 7%, mas se chegar a 10% antes de junho do ano que vem, será provavelmente candidato a governador. Com esses 4 nomes, Cabral terá muita dificuldade de ir para o segundo turno. A publicidade na TV mostra sua ansiedade. Comentário. Lindberg dificilmente será candidato a Governador. A aliança PT-PMDB é uma questão é nacional, e todos sabem disso – inclusive César Maia e Lindberg.
6. Os resultados surpreendem. Para uma expectativa de 20% de abstenção, brancos e nulos, dos 80% restantes, quando se apresentam 3 nomes: Cabral, Garotinho e Gabeira (ou Maia), o jogo está empatado em torno de 26%. Com Lindberg a troca é inteira com Cabral e ficam Garotinho e Gabeira (Maia) com 26%, Cabral com 19% e Lindberg com 7%. A coligação PSDB/DEM/PPS e PV avalia que, com a puxada de Serra, seu candidato garante o patamar nestes 26% e pode crescer uns 5 a 7 pontos contra Cabral e Garotinho. Ou seja, 31% e Cabral e Garotinho entre 23% e 24%. Comentário. O problema de César Maia com os números é mágica que tem que fazer para atingir o ponto que considera ideal. Ele sabe que se trata de um truque, longe de retratar a realidade.
7. Esses são números ainda pré-grid de largada, mas que mostram que a eleição no ERJ será sem favorito e que a performance em campanha e a vinculação nacional serão decisivas.
Comentário. Na próxima semana, certamente surgirão novos números...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O "sombra" de Campos

Cena que foi relatada. Sexta-feira, em Campos, a busca por um bom lugar para assistir o debate entre Rosinha Garotinho e Arnaldo Vianna foi intensa. Muita gente procurou os telões de bares e restaurantes, e foi o que fizeram dois amigos meus, jornalistas, torcedores de Arnaldo Vianna. Foram jantar e beber no Kantão do Líbano, tradicional restaurante da cidade, freqüentado por gregos e troianos. Notaram que a maioria da torcida era de "arnaldistas" e notaram também uma figura solitária, de costas para todos, bem colado na televisão, que hora ou outra olhava pra trás curioso com aquela torcida anti-Rosinha. Tratava-se do Wilson Sombra, parece que genro de Garotinho. No sorteio final, meu amigo torcia para que Rosinha falasse antes de Arnaldo e batia na mesa e gritava sem parar "Rosinha! Rosinha! Rosinha! Rosinha! Rosinha! Rosinha!" e culminou com um "ROSIIIIINHAAAA!!!!" quando ela foi sorteada. Sombra olhou para trás e parece que deu um sorriso. Meu amigo não resistiu e gritou: "O Sombra é Arnaldo!... o Sombra é Arnaldo!..."

O Rio sob a sombra de Gabeira

A oposição avançou fortemente sobre corações e mentes da classe média conservadora das três maiores capitais, São Paulo, Belo Horizonte e Rio. Talvez seja São Paulo, contraditoriamente, onde tenha sido menos forte nesta eleição - simplesmente porque isso já podia ser observado há mais tempo. A máquina de Serra (+ a de Kassab) mostrou desde cedo o seu poder, e somente Alckmin não acreditou. Em Belô, por mais que se tente dizer o contrário, a vitória foi unicamente de Aécio Neves. E no Rio, a oposição não conseguiu vencer, mas conseguiu um avanço maior do que nas outras capitais, porque, utilizando-se da imagem dúbia de Gabeira, conseguiu atrair novos "classe média" em uma proporção surpreendente. Um voto carioquista, rebelde, encontrou na oposição conservadora uma aliada de última hora, formando uma onda poderosa personificada em Gabeira. Os resultados dessas capitais mostram acima de tudo que as ações de Lula para conquistar eleitores além-Nordeste ainda precisam avançar muito. Foi um primeiro aviso forte de que as eleições de 2010 não são favas contadas. No âmbito do Rio de Janeiro, também serviram de advertência ao Governador Cabral (vitoriosíssimo com a escolha de Eduardo Paes) sobre suas pretensões em 2010. Ele viu crescer quatro adversários de peso - César Maia, do DEM (apesar de não ter conseguido emplacar Gabeira, teve papel importante no seu crescimento), Garotinho, do PMDB (com a vitória de Rosinha em Campos, tem uma forte base político-financeira), Zito, do PSDB (manteve sua liderança na Baixada Fluminense), e, de certa maneira, Lindberg, do PT, que também está firme na Baixada, além de ter espaço na classe média carioca. Sérgio Cabral terá que saber conquistar a metade perdida da cidade do Rio com muita habilidade, já que a classe média costuma ser escorregadia. Ao mesmo tempo, terá que garantir seu espaço na área popular e no Interior, ameaçado pela aliança Garotinho-Zito. A questão é que isso dificulta a sua candidatura como vice de Dilma, porque não poderia correr o risco de uma derrota no seu estado. A sombra de Gabeira estará permamente nos céus cariocas, energizada pela mídia e pela oposição a Lula, procurando o momento certo para dar o bote que não conseguiu em 2008.

sábado, 5 de julho de 2008

O Ex-Blog errou, este Blog acertou

Na última quarta-feira, na postagem "César Maia dá informação errada sobre o DEM. Ou não?", escrevi "No seu Ex-Blog de ontem, o Prefeito César Maia declara que, em Campos, RJ, o DEM (ex-PFL) vai se aliar ao PDT (de Arnaldo Vianna). No Globo de hoje, seu filho, Deputado Rodrigo Maia, afasta a aliança com o PMDB (de Rosinha Garotinho) e aponta para candidatura própria na cidade. Mas é bem provável que o partido apóie a candidatura tucana de Feijó". Soube ontem que o DEM, como previ, fechou mesmo com o PSDB de Feijó.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

César Maia dá informação errada sobre o DEM. Ou não?

No seu Ex-Blog de ontem, o Prefeito César Maia declara que, em Campos, RJ, o DEM (ex-PFL) vai se aliar ao PDT (de Arnaldo Vianna). No Globo de hoje, seu filho, Deputado Rodrigo Maia, afasta a aliança com o PMDB (de Rosinha Garotinho) e aponta para candidatura própria na cidade. Mas é bem provável que o partido apóie a candidatura tucana de Feijó.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Eleição no Rio de Janeiro: Picciani e Zaqueu farão o duelo do ano

No rompimento da aliança do PMDB com o PT pela candidatura a Prefeito do Rio anunciado ontem, pelo menos um efeito colateral parece ter sido mais forte do que o efeito principal. Tudo porque o poderoso dirigente peemedebista fluminense, Deputado Jorge Picciani, declarou que não aceitava o fato de Zaqueu Teixeira, do PT de Queimados, não desistir da candidatura contra o candidato peemedebista Max, seu pupilo. Queimados é uma cidade da Região Metropolitana fluminense, com 88 mil eleitores e PIB per capita de 6.840 reais (58º lugar, dos 92 municípios do estado, segundo o IBGE 2005). Pequena, portanto, mas com poder de fogo suficiente para destruir a aliança da Capital. Graças a isso, Zaqueu Teixeira voltou a ganhar as páginas dos jornais, com direito a foto na página 3 do Globo, lado a lado com o poderoso Picciani. Antes, Zaqueu ganhava destaque por seus feitos policiais como Chefe de Polícia nos 9 meses do Governo Benedita. Ele começou o mandato comprando briga com Garotinho, as denunciar erros nas estatísticas policiais do Governo Rosinha. Depois ganhou mais destaque ainda ao prender, sem precisar dar um único tiro, o traficante Elias Maluco que tinha torturado e matado o jornalista Tim Lopes. Zaqueu dizia então que a inteligência é mais forte do que a violência - e saiu com essa idéia na cabeça para se tornar político. Foi derrotado nas duas tentativas eleitorais, a primeira para Prefeito, em 2004, e a segunda em 2006, para Deputado Federal. Mas agora parece que se apresenta com mais consistência eleitoral - tanto que sua desistência virou questão de honra para Picciani. Zaqueu - que na semana passada saiu do Ministério da Justiça para se candidatar - me procurou hoje e declarou: "Quiseram me transformar em bode expiatório do imbroglio carioca, mas só conseguiram garantir a minha vitória em Queimados". Pareceu bem feliz e cheio de gás para a disputa.

sábado, 2 de junho de 2007

Eleições 2008: por enquanto, sem novidades no Rio e em São Paulo

Segundo a Coluna de Lauro Jardim na Revista Veja, "o Ibope acaba de fechar uma pesquisa sobre a disputa do ano que vem para a prefeitura de São Paulo. Deu Geraldo Alckmin e Marta Suplicy, empatados, na cabeça: 35% das intenções de voto para cada um deles. O prefeito Gilberto Kassab não chegou aos dois dígitos". Como se vê, são os nomes que todos esperavam que estariam liderando. No Rio, embora o cenário seja mais confuso, com quase 30 pré-candidatos, as pesquisas que me chegaram às mãos quatro os nomes: Marcelo Crivella (PRB - disputou a eleição para Prefeito em 2004 e para Governador em 2006, com 2º e 3º lugares respectivamente, força evangélica), Denise Frossard (PPS - a Deputada federal mais votada de 2002 e 2º lugar na disputa para o governo do estado em 2006, força conservadora), Jandira Feghali (PCdoB - disputou a Prefeitura em 2004 e o Senado em 2006, esquerda) e Benedita da Silva (PT - 2º lugar na disputa para o governo do estado em 2002, esquerda, força popular). O PMDB, partido do atual Governador, Sérgio Cabral, e dos ex-Governadores Garotinho e Rosinha, ainda não tem nenhum nome que se destaque nas pesquisas. O mesmo acontece com o PFL (atual DEM) do Prefeito César Maia. Está cedo para definições. No Rio, por exemplo, pode ser que nenhum dos quatro nomes que lideram as pesquisas torne-se efetivamente candidato. Esse é o momento das especulações e para começar a estruturar pré-campanhas.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

PREFEITURA DO RIO: alguns dados pré-eleitorais

Tive acesso a alguns dados (apenas alguns) de enquetes recentes sobre a preferência do eleitorado do Rio para Prefeito na eleição de 2008 e anotei algumas curiosidades:
  • os principais candidatos ao Governo do Estado derrotados no ano passado são os candidatos preferidos para Prefeito da Capital - não necessariamente na mesma ordem que tiveram na última eleição (Obs.: é natural que estejam na frente, porque seus nomes ainda estão fortes na memória da população; agora é o momento dos outros candidatos começarem a trabalhar para fixação de seus nomes na mente do eleitorado)
  • Lula é o principal eleitor, seguido de perto por Sérgio Cabral e um pouco mais distante Cesar Maia (Obs.: também é um resultado natural, refletindo a escala de aprovação dos governos federal, estadual e municipal)
  • dos grandes partidos, apenas o PT tem um nome forte - apenas um, dentre 5 ou 6 pré-candidatos (Obs.: desde 88 - com Bittar - e de 92 - com Benedita -, o PT sempre se apresenta com alguma força, apesar de nunca ter conseguido fazer o Prefeito; destaque de força mais recente foi a candidatura de Benedita em 2000)
  • Garotinho está muito mal na Capital (Obs.: em 98, apesar de ter sido eleito Governador, Garotinho não conseguiu derrotar Cesar Maia na Capital, mas em 2002 Rosinha Garotinho foi eleita Governadora vencendo em todos municípios, até mesmo no reduto de Cesar Maia)
Se obtiver novas informações, divulgarei.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Governadores continuam em lua de mel com a população

A pesquisa Datafolha divulgada hoje pela Folha de São Paulo (assinantes) é bastante favorável aos governadores dos 3 maiores estados do Sudeste (SP, MG e RJ). A pesquisa busca a avaliação que a população faz desses primeiros meses de mandato e traz resultados superiores aos de outros mandatos. Aécio Neves (PSDB), de Minas, é o que menos surpreende. Ele já está no segundo mandato e sua aprovação, 71%, está compatível com os índices do período eleitoral. Ele tem apenas que fazer manutenção para se cacifar a postulante do cargo presidencial. Sérgio Cabral (PMDB) superou os índices de Rosinha (PMDB, 22%) e Marcello Alencar (PSDB, 26%) nas pesquisas feitas nos períodos equivalentes (Garotinho - PDT, PSB e depois PMDB - não tinha sido avaliado). Ele está muito bem, certamente, pelos contrastes com os antecessores. Trouxe idéias novas, disposição para administrar, está bem na mídia. Isso apesar do Rio ter sido com certeza o estado que mais ganhou manchetes sobre violência neste ano. José Serra (PSDB) tem-se mostrado inteligente. Conseguiu desvincular seu nome da tragédia do Metrô e, mal ou bem, do fracasso da educação em São Paulo. Superou os índices dos tucanos que o antecederam (Mário Covas 31% e Alckmin 34%). Mas mostrou que não está tão bem na Capital, 31%, onde teremos eleição importante no ano que vem. O seu candidato, o atual prefeito Gilberto Kassab (PFL), tem apenas 15% de aprovação e 42% de rejeição. Há ainda um fato positivo a considerar nos bons índices desses governadores: o bom relacionamento (principalmente de Sérgio Cabral) com Lula. Isso faz bem ao povo, que deseja que esse amor seja eterno enquanto dure - o que vai ser duro, se nos próximos meses pelo menos parte das expectativas não se confirmarem.

terça-feira, 13 de março de 2007

Garotinho não sabe traduzir a palavra trair

Garotinho e Rosinha, casal de ex-Governadores do Rio, do PMDB, disseram, segundo o jornal Extra de hoje, que foram traídos por Picciani (Presidente da Assembléia Legislativa do Rio) e Pezão (ex-Prefeito de Piraí e atual Vice-Governador do Rio, pelo PMDB). É como eles estão se sentindo, claro, por não terem tido apoio dos dois para que Garotinho ocupasse lugar na executiva do PMDB como representante do Rio, na disputa que houve no último domingo. Mas gostaria de pensar com eles o que isso significa. Traídos por Picciani? Impossível. Isso significaria confiança mútua anterior e duvido que em algum momento isso tenha ocorrido. Do mesmo modo que duvido que algum dia tenha havido confiança mútua entre Garotinho e Sérgio Cabral. Onde não há confiança, não há expectativa de não-traição. Traídos pelo Pezão? Isso seria uma possibilidade, já que sempre houve confiança mútua. Mas duvido que alguém tenha sido mais amigo, mais fiel e mais agradecido ao Garotinho do que o Pezão. Sempre fez questão de realçar o apoio que recebeu dos ex-Governadores na época em que era Prefeito e sempre teve admiração por eles. Mas Pezão tinha (e tem) vôo próprio. Ele não entrou na chapa majoritária do PMDB apenas pelo apoio de Garotinho. Sérgio Cabral, que já o conhecia há muitos anos, viu nele uma grande liderança para o Interior e uma cabeça moderna e dinâmica para dividir responsabilidades. Ele não era dependente de Garotinho. Tem sua própria visão de como trabalhar pelo Estado e tomou o seu caminho, com todo respeito e carinho. Onde há confiança mútua, não pode haver dependência nem submissão. Pezão, na minha concepção, não se submeteu nem traiu. Apenas seguiu caminho diferente. Se o caso ocorresse com o Deputado Federal Pudim (PMDB), extremamente amigo de Garotinho e Rosinha, a questão seria diferente. Não diria que Pudim seja submisso a Garotinho. Mas é dependente. Elegeu-se exclusivamente por causa do apoio de Garotinho, que empenhou-se de corpo e alma em sua vitória, conquistando muitos inimigos por causa disso. Se Pudim discordasse de Garotinho no último domingo, aí seria mais sério. Ele não seria apenas um traidor - seria um verdadeiro Brutus.