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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

No ar, a eleição de Campos: situação imexível ou remexível?


É sempre difícil compreender o processo político-eleitoral em Campos dos Goytacazes. É um município que respira política com muita intensidade e conta com muitos nomes de projeção. E tudo fica ainda mais complicado quando são 12 partidos (PDT, PT, PV, PMDB, PPS, PSB, PTdoB, PCB, PCdoB, PSL, PRP e DEM) tentando encontrar um denominador comum para a próxima eleição suplementar, marcada pelo T.R.E. para o dia 6 de fevereiro (leia mais na minha postagem "Campos e a arte da política: um por todos? todos por um?"). O próprio governo do estado, que certamente gostaria de comandar o processo, mostra-se cauteloso, como se tratasse de uma situação imexível. De fato, ainda há incertezas sobre as confirmações ou não das inelegibilidades de Garotinho e de Arnaldo Vianna, os dois principais líderes da política local; é preciso saber se o afastamento de Rosinha é ou não é definitivo (o que é difícil saber agora); é preciso saber se o atual prefeito provisório, Nelson Nahim, será ou não será candidato – e, caso seja, se estará lado a lado com o irmão, Garotinho, ou se caminhará com a oposição. Por outro lado, as candidaturas continuam remexíveis. A última novidade é que a chapa que poderia ter Odisséia (PT) na cabeça e Odete (PCdoB, com apoio de Picciani, do PMDB) como vice agora sofreu uma reviravolta: a cabeça de chapa poderá ser Odete e a vice Odisséia (vai entender!). Amanhã os doze partidos da oposição marcaram mais um reunião (a data final de inscrição de chapas é domingo). Hoje à noite estarão todos ligados na TV Justiça acompanhando o julgamento de Garotinho. Audiência imexível...

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Mais uma baixaria burra: quem será o interessado?


Recebi e-mail com o título “Vote no meu sobrinho Crivella. E você estará votando em mim!” Geralmente nem leio esse tipo de mensagem, mas essa era uma novidade, seria do próprio Edir Macedo, líder da Igreja Universal, pedindo voto para Crivella (PRB), candidato à reeleição ao Senado pelo Rio de Janeiro. Fui ver os detalhes da baixaria. “Ele é o meu herdeiro na Universal! A Revista Veja confirma. (...) A Igreja Universal é rica, mas precisa de poder político para ampliar o nosso império! E votando Crivella você ajuda a aumentar meu patrimônio. Ô Gloria (...)  Vamos pedir votos. Aprenda as minhas técnicas de arrecadação de dinheiro!! (...)  Vote Crivella! Vote na Universal!” O texto inclui outras bobagens e conclui: “Espalhe esta mensagem para todos amigos. Vamos acabar com o projeto político da Universal!”
O e-mail vem com o óbvio “noreply”, a partir de site sediado nos Estados Unidos. Quem se interessaria por isso? Aparentemente, os beneficiados mais próximos seriam Cesar Maia (DEM) e Jorge Picciani (PMDB), empatados em terceiro lugar na disputa liderada por Lindberg (PT) e Crivella pelas duas vagas ao Senado. Só não acredito que sejam eles os autores porque a baixaria é muito burra, semelhante às dos tucanos contra Dilma. A mensagem só sensibiliza quem já não vota em Crivella de forma alguma. O eleitorado de Crivella é perfil povão e fiel (sem trocadilho), e dizer que Edir Macedo apoia Crivella só faz reforçar essa fidelidade. Em vez de gastar dinheiro com estruturas americanas para baixaria inútil, os adversários têm que ir pra rua e falar direto com o povo. Aliás, os programas eleitorais dos quatro principais candidatos são muito bons (o do Picciani é o melhor), não precisam dessa burrice

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Programas eleitorais do Rio: sem grandes novidades para o Governo, surpresas para o Senado


Sem dúvida, há uma grande diferença entre o programa eleitoral de Sérgio Cabral, PMDB, e os outros. É mais objetivo, mais informativo e ao mesmo tempo mais emocionante. Muito bem feito, tem o que mostrar. Desnecessária a velha viagem de van, semelhante à que foi usada em 2006, com Sérgio Cabral falando com o olhar perdido.
O programa de Gabeira, PV, é bonitinho, mas ordinário. Nada de concreto e objetivo para mostrar. As cenas de valas a céu aberto meio que “sujam” seu programa clean. O slogan “Gabeira é outra história” parece que deseja apresentar o Ex-Gabeira. As imagens com Gabeira atacando Renan Calheiros estão bem feitas, mas pra quê? Esse dedo em riste deu certo contra Severino Cavalcanti, mas depois ficou desmoralizado com o “escorregão ético” das passagens. Aliás, na época Severino Cavalcanti deu entrevista para o Blog do Mello: “Sabe o que acontece? Eu não gosto de pisar em ninguém que está por baixo. Ele agora está sendo humilhado por ele mesmo. Eu vou preferir deixar passar a pose dele, ele repor o dinheiro que recebeu...”
Fernando Peregrino, PR, candidato de Garotinho, fez um bom programa apresentando sua biografia, ao lado de figuras ilustres e em momentos importantes do nosso país. Mostrou que tem história e que não é apenas um pau mandado de Garotinho.
Jefferson Moura, do PSOL, foi melhor no debate da Band. A apresentação feita por Heloísa Helena era inteiramente dispensável.
Na disputa pelo Senado, de um lado estão os programas dos líderes nas pesquisas (Crivella, Cesar Maia, Lindberg e Picciani), do outro lado estão os outros.
Crivella, PRB, que já conta com o apoio da Record e da Igreja Universal, no programa (bem curto) conta com o apoio explícito e decisivo de Lula. Não é à toa que seu adversário peemedebista entrou na Justiça para impedir a participação lulista no programa peerrebista.
Cesar Maia, DEM, fez programa bonito, didático e com elementos visuais associados a elementos da internet – paixão do candidato.
Lindberg, PT, fez um programa bem cuidado, com um jeito bom de falar, com apoio explícito de Lula, mostrou a família – mas deixou a sensação de que ainda não começou. Deve melhorar bem.
Picciani, PMDB, foi o que mais surpreendeu. Programa bem feito, dinâmico, informativo, mostrando um Picciani atuante, desenvolto e contando com o forte apoio de Sérgio Cabral. Parecia programa de candidato executivo.
Ah, sim, teve também o programa de Marcelo Cerqueira, PPS, horroroso. Cheio de erros, inclusive de português, e com a cena lamentável do apoio de Fernando Henrique.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Eleições, 2010: os rachas do Rio pelo Senado


A disputa pelas duas vagas no Senado está abalando a política no Rio como poucas vezes foi visto. O primeiro arranca-rabo foi dentro do próprio PT, entre Benedita da Silva e Lindberg Farias, com vitória do prefeito petista através de prévia eleitoral. Instantaneamente, o racha se espalhou dentro da base aliada do Governo, com um arranca-rabo ainda maior entre Lindberg e o cacicão peemedebista Jorge Picciani – que por sua vez resolveu partir também para cima de Marcelo Crivella (PRB), o preferido de Lula.
Na Oposição o abismo entre aliados não é menor – embora até há pouco tempo parecesse um mar de tranquilidade. A resistência ao nome de Cesar Maia (DEM) para disputar a vaga começou com o que parecia “implicância” do presidente do PV, Alfredo Sirkys, sem endosso do candidato verde ao Governo, Fernando Gabeira. Mas a coisa foi ganhando outro contorno. O perfil do eleitorado do PV e de parte do PSDB (Andrea Gouvêa Vieira, Marcio Fortes, etc.) não combina com o perfil do eleitorado de Cesar Maia e da outra parte do PSDB (Zito, por exemplo). Junto à classe média da Zona Sul, a rejeição a Cesar Maia é alta. Mas junto à classe média mais conservadora ele é pule de 10. Tudo começou a parecer incontornável com a nova posição de Gabeira anti-Cesar Maia. O candidato “demo” (que não depende tanto dos votos dos eleitores de Gabeira) lembra a todos que, sem ele, o a re-eleição de Sérgio Cabral pode se confirmar ainda no primeiro turno. Gabeira no entanto parece não estar nem aí para a disputa estadual. Talvez ele sonhe apenas com a Embaixada de Paris, que uma hipotética vitória de Serra poderia lhe garantir...
Enquanto isso, os rachas continuam.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Os movimentos com o Bispo que Lula faz no tabuleiro fluminense



Lula tem como objetivos eleitorais principais no Rio re-eleger Sérgio Cabral Governador e re-eleger Marcelo Crivella Senador. São objetivos óbvios (já que o estado do Rio de Janeiro, como terceiro colégio eleitoral do Brasil, é fundamental para alcançar o objetivo estratégico de eleger Dilma), mas que exigem muito conhecimento do jogo eleitoral. É verdade que fechar a parceria do PT local com o peemedebista Sérgio Cabral acabou sendo mais fácil do que aparentava inicialmente (o alarido de resistência feito por Lindberg acabou ficando pra trás em um belo en passant). Mas a eleição de Marcelo Crivella ainda cobra muita concentração de Lula. Os movimentos requerem precisão, por tratar-se de uma candidatura considerada estratégica em muitos aspectos. Crivella, afinal, representa o poder evangélico da Igreja Universal com sua Rede Record – espécie de fianchetto duplo (ou uma abertura Larsen) na proteção do Governo Lula de ataques frontais do Império Global.
Acontece que, apesar de sua liderança incontestável nas pesquisas, Crivella conta com altíssima taxa de rejeição, principalmente na Capital – e isso já lhe custou três derrotas para Prefeito e Governador. Seu partido, o PRB, é nanico e deve lhe garantir apenas algo em torno de ½ minuto por programa eleitoral de Rádio e TV, o que é insignificante. É necessário, portanto, que Crivella seja acomodado em uma aliança vencedora, que lhe dê tempo no Horário Eleitoral e abra espaço privilegiado em todas as regiões. E é aí que mora o problema.
Garotinho poderia ser uma alternativa, mas também está em partido nanico e ainda insiste em campanha de ataques-suicidas a Sérgio Cabral.  E a aliança principal em torno do PMDB e do PT já conta com seus próprios candidatos, Picciani e Lindberg (aliás Crivella acaba de ter grande avanço nesse campo, com o afastamento de Benedita da Silva, sua maior ameaça na conquista do eleitorado de perfil popular). Picciani, cacicão do PMDB, mesmo estando em posição difícil nas pesquisas, não recua nenhuma casa na decisão de candidatar-se ao Senado. E Lindberg, espécie de enfant terrible do momento, faz grande alvoroço, tornando complicado qualquer acordo.
O tempo está correndo e o Grande Mestre Presidente já fez uso de todas as táticas possíveis, sem sucesso. Trocou peão... fez roque... usou os cavalos... avançou a rainha... mas ainda não conseguiu efetuar o sonhado xeque-mate. Vai acabar tendo que virar o tabuleiro...

A título de curiosidade, lembro que “estratégico” é mesmo um adjetivo bastante colado em Crivella, já que os nomes para a pasta de Assuntos Estratégicos têm sido indicação sua. Temos como exemplo Mangabeira Unger e o atual titular, Samuel Pinheiro Guimarães (que, em seu ótimo livro “Desafios Brasileiros na Era dos Gigantes”, faz dedicatória a Lula e Celso Amorim, e não deixa de agradecer a contribuição de Crivella). Vai ver que foi por isso que Lindberg andou insinuando que convidaria Celso Amorim para ser seu suplente na chapa para o Senado. Lula que não é bobo vetou.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Eleições para o Senado no Rio: Cesar Maia prefere Lindberg

No Ex-Blog de ontem, Cesar Maia publica pesquisa do seu instituto predileto, o GPP, sobre intenções de voto no município de Araruama, região das Baixadas Litorâneas do Rio de Janeiro. Seus índices para o Senado mostram Cesar Maia e Crivella empatados em primeiro lugar, em torno dos 40%. Depois vêm Manoel Ferreira, Lindberg, Waguinho e Picciani em torno dos 10%. Espertamente, Cesar Maia "esquece" os índices de Benedita que lidera absoluta na região. Não recebi os números específicos do município, mas recebi dados da Região Baixadas Litorâneas que mostram Benedita com 58%, com Cesar... 11 pontos atrás! Faz tempo que Cesar Maia procura inflar a candidatura de Lindberg ao Senado pelo PT do Rio - é o adversário dos sonhos da oposição...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Eleições 2010: prévias no PT do Rio


A Secretária Benedita da Silva falou comigo ao telefone muito entusiasmada sobre o 4º Congresso do PT. Não apenas pela emoção do lançamento de Dilma, mas também pelas conversas que teve em defesa de sua candidatura ao Senado pelo Rio de Janeiro. A conversa com seu adversário Lindberg, inclusive, teria sido muito boa. Apesar disso, a indicação do(s) nome(s) para o Senado está longe de um entendimento. Nenhum dos dois abre mão da indicação para compor uma aliança com o PMDB de Picciani. Resistem também a uma chapa independente com os dois nomes. E quando tudo parecia indicar que um Encontro Estadual do partido iria decidir, recebo nova informação: o Estatuto do PT determina que nesse caso a decisão deve ser feita por prévia. Fui checar e realmente está lá: “CAPÍTULO II, DAS PRÉVIAS ELEITORAIS, Art. 135. Havendo mais de um pré-candidato às eleições majoritárias, será realizada Prévia Eleitoral”. Ou seja: ou vão os dois juntos para uma chapa independente ou vão ter que disputar prévias. Pode ser também que um abra a mão para o outro...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Eleições 2010: quantos palanques o Rio precisa para ter um bom resultado?


Não é na base da matemática que vão ser decididos os números de palanques para Dilma. Às vezes serão necessários mais de um, às vezes não dá para ter dois por hipótese alguma. Em Minas, por exemplo, o bom senso político deixa claro que o palanque tem que ser um só. Minas é importante não apenas para a eleição de Dilma, mas também para o pós-Dilma. PTs e PMDB que tratem de dar um jeito nisso. Acredito (mas não estou inteiramente seguro) que na Bahia e no Rio Grande do Sul os problemas serão mais facilmente superados, com um ou dois palanques.
No Rio de Janeiro é que o “dois pra lá, dois pra cá” dos palanques me parece mais complicado. Começa pelos palanques dos candidatos ao Senado. São pelo menos 5 candidatos de partidos da base do Governo disputando duas vagas: Marcelo Crivella (PRB), Benedita da Silva (PT), Lindberg Farias (PT), Jorge Picciani (PMDB) e Manoel Ferreira (PR). Crivella (talvez o que exige mais atenção de Lula) lidera tranquilamente em todas as pesquisas, mas tem contra ele o tempo na TV (provavelmente menos de 1 minuto) e a rejeição junto à classe média (por ser da Universal) e junto à Globo (por ser ligado à Record). Lula está empenhado em apoiá-lo, mas está difícil. Busca-se uma solução do tipo aliança para o Senado entre PRB e PMDB e chapa independente do PT com Benedita e Lindberg (que no momento travam luta ferrenha pela indicação única do PT, visando aliança com o PMDB) – o que também está difícil. Picciani teme a concorrência de Crivella (o que é uma bobagem: na rabeira das pesquisas, ele só teria a ganhar) e Sérgio Cabral – embora não declare – talvez também tenha resistência, já que poderiam respingar em sua própria candidatura as rejeições a Crivella. Também Benedita e Lindberg não aceitam essa solução, temendo serem os mais prejudicados. E Manoel Ferreira, o fenômeno de 2002, não tem nada a dizer – depende basicamente de Garotinho.
Esse imbróglio de palanques para o Senado salpica nos palanques para o Governo. Sérgio Cabral, que tem chance de ser re-eleito no primeiro turno, poderia, quem sabe, concordar com a aliança do PMDB com Crivella, se Garotinho retirasse sua candidatura, o que lhe daria certeza de re-eleição imediata. Essa solução agradaria ao Planalto, desde que ela não signifique re-aproximação entre Garotinho e tucanos. E aí surge outra questão: em um cenário de segundo turno tanto entre Dilma e Serra quanto entre Sérgio Cabral e Gabeira (embora difícil), em qual palanque Garotinho (que odeia Sérgio Cabral) pisaria? Enquanto essa discussão sobre os palanques aliados se estende eternamente, a candidatura ao Senado de Cesar Maia tende a crescer, como único nome da oposição. Da mesma forma, a dubiedade do palanque de Garotinho prejudica a campanha do super-aliado Cabral e pode ajudar a campanha (ainda bem fraca) do adversário Gabeira. Enfim, as contas dos palanques por enquanto não batem – e o pior é que em política a prova dos nove só acontece depois da eleição...

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Quadro eleitoral do Rio: qual a tendência?


Como se sabe, as nuvens são como os quadros políticos: você olha, é surrealismo; olha de novo, é construtivismo... As eleições 2010 no Rio de Janeiro (como em boa parte do país) são uma obra em processo. Até outro dia estava tudo definido. Para Governador, seriam candidatos Sérgio Cabral (PMDB), Garotinho (PR) e um ou outro, talvez Gabeira (PV) – que acabou se firmando. Para o Senado, Crivella (PRB), Benedita (e/ou Lindberg, ambos do PT), Cesar Maia, (do DEM, e/ou Gabeira e/ou Aspásia, do PV), Picciani (PMDB), além de Manoel Ferreira (PR), Waguinho (PSC), ou Miro Teixeira (PDT). Quando parecia que o toque final seria a definição de Benedita ou Lindberg na indicação petista para o Senado, percebemos que o quadro estava longe de ser concluído. Para Governador, articula-se agora a saída de Garotinho da exposição, o que praticamente garantiria a vitória de Sérgio Cabral já no primeiro turno (Cesar Maia já chiou no twitter). A questão ficaria por conta da disputa entre o PR e o PMDB no Amazonas, que talvez não seja difícil de equacionar. Dilma só teria a crescer com isso. Mas o problema maior passou a ser o Senado: onde colocar Crivella, que lidera todas as pesquisas e é aliadíssimo de Lula, mas que ficaria isolado, com pouco tempo na TV? A chapa principal de apoio a Dilma para o Senado já estava fechada com PT e PMDB. Picciani não abre mão da candidatura de forma alguma; Benedita e Lindberg, também não. Grupos petistas aproveitam a situação e já pincelam chapa independente, sem aliança formal com o PMDB, com Benedita e Lindberg unidos. Será? Ou tudo não passa de um quadro impressionista? Não há crítico da arte política que tenha resposta.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Os disparates numéricos de Cesar Maia


O Ex-Blog de hoje de Cesar Maia me deu a certeza do total desespero da oposição. Citando “as pesquisas de final de dezembro e os recortes das pesquisas nacionais de janeiro publicadas”, ele traça um quadro pré-eleitoral no Rio de Janeiro recheado de fantasias. O objetivo, evidente, é procurar despertar alguma esperança entre seus aliados atônitos. Vamos ver o que ele diz, com alguns comentários que faço em negrito:

2. Para presidente, Serra continua bem na frente, no patamar de 40%, Dilma no de 25% e Marina no de 15%. Serra cai um pouco na periferia metropolitana e dispara no interior. Num mano a mano daria Serra no nível de 50% e Dilma 30%. O voto de Marina é distribuído em porcentagens iguais.
LOUCURA TOTAL. Se nacionalmente Serra patina e Dilma sobe, mantendo diferença de apenas 5% (com Ciro) e de 12% (sem Ciro), como é que o tucano pode estar 15% à frente de Dilma no RIO DE JANEIRO?!?!?! Certo perdeste o senso – e o censo... Pode escrever: Dilma já está à frente, principalmente quando é identificada com Lula.


3. Para governador, Cabral está no patamar de 35% e Garotinho e Gabeira empatados em 20%. Cabral tem certa estabilidade na capital, periferia e interior. Garotinho parte do interior com 30%, na periferia está no nível de 25% e na capital um pouco acima de 10%. Gabeira faz caminho inverso. Uns 30% na capital, uns 15% na periferia e um pouco acima de 10% no interior.
Aqui ele exagera menos. Mas o mais natural seria dizer que Sérgio Cabral tem 40% e a soma de Garotinho e Gabeira também seja 40% (ou algo próximo). Não dá para afirmar categoricamente que não haverá segundo turno – mas a vitória de Cabral no primeiro turno é bastante possível.


4. Para senador em 2 votos, Crivella está quase no patamar de 40%, Cesar Maia no de 35%, Benedita no de 30%, Manoel Ferreira e Picciani no de 10% e os demais de 5% para baixo. Cesar Maia se mantém neste patamar nas 3 grandes regiões. Crivella fica acima de seu patamar na periferia e um pouco abaixo na capital e interior. Benedita apenas oscila em seu patamar dos 30%.
Aqui Cesar Maia ficou mais perto do real, mas, como ele é candidato, tratou de puxar umas sardinhas para a sua brasa. Está correto quanto a Crivella, mas exagerou no segundo lugar em que se colocou. Cesar e Benedita estão praticamente empatados, ela um pouco à frente. Em algumas regiões ele estará à frente, em outras será ela. Tem contra ele rejeição altíssima. O resto é isso mesmo, lá atrás. Picciani... Manoel Ferreira... talvez Waguinho...

5. Uma garantia: teremos segundo turno no Estado do Rio. Como há um só ator na imprensa nessa pré-campanha, Cabral, seu patamar hoje deve ser também seu teto. Com outros times em campo, deve apontar para baixo, quem sabe perto de 30%, ou menos. Gabeira e Garotinho vão crescer, talvez para um nível de 25%. O segundo turno fica indefinido com leve vantagem para Cabral. Em 2006, Cabral entrou no segundo turno com a vantagem de 37% a 22% (Denise Frossard). Agora, mesmo que possa vencer o primeiro turno, a vantagem neste será estreita, ficando indefinido o segundo turno.
Cesar Maia não pode garantir nada. Pode ser que haja segundo turno, mas isso está longe de ser garantido. Com outros times em campo, deve apontar para cima – principalmente com o time de Lula a seu lado. Pode até acontecer um efeito gangorra entre Gabeira e Garotinho, apesar de parecerem tão diferentes.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Eleições 2010, RJ: Crivella e Benedita lideram todos os cenários para o Senado


Chegaram às minhas mãos resultados de pesquisa que teria sido feita neste fim de semana no Rio de Janeiro, com 1200 questionários. Crivella (PRB), Benedita (PT), Gabeira (do PV, fica em terceiro, mas chega a empatar tecnicamente com Benedita em segundo lugar) e Cesar Maia formam o primeiro bloco. Lindberg (PT), Miro (PDT), Picciani (PMDB) e Waguinho (PSC) formam o segundo. Na rabeira, Manoel Ferreira (PR). (Clique no gráfico para ampliar)



quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Eleições 2010, Rio: Crivella e Benedita lideram para o Senado

Na mesma pesquisa que tive acesso na terça, com 1.200 entrevistas feitas no fim de semana no Estado do Rio de Janeiro, pude ver os resultados para a disputa ao Senado, lembrando que são duas vagas, com a soma das intenções podendo ir além de 100%. Crivella e Benedita lideram fácil, principalmente considerando que César Maia (que está em empate técnico com um ponto atrás de Benedita) talvez não dispute. Se Gabeira fosse disputar o Senado (será candidato a Governador), também estaria em empate técnico com Benedita. Picciani e Lupi ainda estão longe de acontecer. Quando se imagina o cenário sem Benedita (com Lindberg, por exemplo), o PT perde muito: Crivella cresce (38%), César Maia cresce (33%) e Lindberg teria, na melhor das hipóteses, 13% (lembrando que são dois votos, e provavelmente o primeiro voto – considerando o baixo índice para Governador – em Lindberg é baixo).

Ontem, quando leu meu Blog, o Vice Pezão me ligou e disse que tinha acabado de ver pesquisa do Ibope com índices semelhantes aos da pesquisa que eu estava divulgando. Hoje o Ancelmo publicou os primeiros dados do Ibope.

domingo, 12 de julho de 2009

Senado do Rio: por que a opção por Benedita?

Faz tempo que venho apontando que a chapa majoritária da aliança PMDB-PT no Rio é formada por Sérgio Cabral e Pezão (ambos do PMDB) para Governador e Vice, com Benedita (PT) e Picciani (PMDB) para as duas vagas do Senado. Falou-se muito que Lindberg (PT) tinha-se pré-candidatado a Governador para poder negociar a vaga de Senador, mas essa alternativa (se é que passou por sua cabeça) está longe de acontecer. E os motivos são pelo menos três:
1) Político. Lindberg pretende projetar-se para ser Governador do Rio e depois Presidente da República. Até aí, tudo bem, é natural. Todo político, mal se elege Vereador, já pensa na Presidência - o que é até louvável. O problema é que o projeto de Lindberg parece muito mais ser pessoal do que partidário. Sua ambição, no momento, parece estar acima da eleição da Dilma, já que ignora a aliança do PT com o PMDB no Rio (existe um alerta na campanha presidencial sobre o assunto). E isso – que interfere também na re-eleição de Sérgio Cabral – o Planalto não perdoará.
2) Eleitoral. Mesmo com Garotinho e César Maia tentando inflar sua candidatura (o que é compreensível), Lindberg está longe de acompanhar Benedita em intenções de voto. Pelas pesquisas de que fui informado, Benedita está sempre na faixa de 23% para cerca de 30%, dependendo do cenário, enquanto Lindberg tem dificuldade em alcançar dois dígitos.
3) Pessoal. Sérgio Cabral tem mais afinidade com Benedita. Tem inclusive uma gratidão muito grande pelo que ela fez por sua campanha, participando diretamente nas ruas, mesmo com o pé engessado. Ele chegou a comunicar pessoalmente esse sentimento a Lula.
Os mais insatisfeitos com essa notícia são Garotinho (que apostava na não-aliança PT-PMDB para garantir segundo turno) e César Maia (que fica mais distante ainda de se eleger a cargos majoritários). Desvendado o principal nó da aliança, o importante agora é correr pras urnas.

terça-feira, 30 de junho de 2009

A aliança PT-PMDB no Rio começa pelo Senado

O movimento de Lindberg (PT) para transformar sua candidatura ao Governo do Rio ou em fato consumado ou em valorização do passe para outros postos está cada vez mais complicada. A sua forma irredutível de se apresentar está prejudicando a aliança maior (por Dilma) com o PMDB e ao mesmo tempo fortalecendo a candidatura de Benedita da Silva ao Senado. O governo peemedebista de Sérgio Cabral ficou muito impressionado com o desempenho da petista nas pesquisas e com a desenvoltura que ela está apresentando em suas andanças. Ele já chegou a dizer que a chapa Benedita (PT) / Picciani (PMDB) está lançada. Na sexta-feira, o seu grande aliado, Prefeito Eduardo Paes, declarou publicamente que pretende votar em Benedita para Senadora. E nesta terça-feira o todo-poderoso Presidente da Alerj, Jorge Picciani, disse a Benedita que estava tendo conhecimento da sua movimentação pelo estado e chamou-a para andarem juntos. Quem não deve estar gostando disso (além de Lindberg) são Garotinho, Gabeira e César Maia.

domingo, 21 de junho de 2009

Pesquisa IBPS RJ: Cabral cresce para Governador; Benedita, Crivella e Gabeira crescem para o Senado

O IBPS está divulgando hoje pesquisa de intenções de voto para o Governo e o Senado no Rio de Janeiro. Foram 1.106 entrevistas feitas pelo telefone, com margem de erro de 3%. Na essência, não traz grandes alterações. Sérgio Cabral (PMDB) é favorito para a re-eleição (principalmente considerando que o pedetista Wagner Montes provavelmente não participará) e, para o Senado, a disputa está forte entre Crivella (PRB), Gabeira (PV), Denise Frossard (PPS) e Benedita da Silva (PT). Sérgio Cabral cresceu em relação à pesquisa anterior. Para o Senado, os destaques são o crescimento de Benedita e o surgimento de Denise Frossard. Na verdade, já tinha sido verificado, em outras pesquisas, que Denise está mais forte do que César Maia (DEM). Jandira (PCdoB) e Garotinho (PR) não devem ser candidatos, e Lindberg (PT), Picciani (PMDB) e Lupi (PDT) não aconteceram. É bom registrar que no método do IBPS o questionário provavelmente apresenta apenas uma alternativa para o Senado, enquanto outros institutos apresentam duas, o que explica a grande diferença entre os índices. (Clique no gráfico para ampliar a imagem)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Senado RJ: índices

Atendendo a pedidos, selecionei 17 cenários da disputa para o Senado no Rio de Janeiro, entre as informações de que disponho. Eles vêm de duas fontes diferentes. Os candidatos estão dispostos por ordem alfabética, sendo que Crivella, Picciani e Lupi são os únicos que participam de todos os cenários. Quero lembrar que dificilmente Jandira e Edson Santos disputarão; que Lindberg é dúvida; e que, entre César, Denise e Gabeira, um deles deverá estar fora.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Rio 2010: destaques para o Senado

Como já falei, recebo frequentemente inúmeras pesquisas e enquetes, envolvendo os mais diversos cenários para a próxima eleição. Levantei cerca de 20 cenários para a disputa de Senador do Rio de Janeiro (quando serão eleitos dois Senadores), vindos de fontes diferentes, e cheguei a algumas conclusões interessantes, algumas surpreendentes. Os nomes incluídos (não necessariamente em todos os cenários) são, por ordem alfabética, de Benedita (PT), Crivella (PRB), César Maia (DEM), Denise Frossard (PPS), Edson Santos (PT), Gabeira (PV), Jandira (PCdoB), Lindberg (PT), Lupi (PDT), Milton Temer (PSOL) e Picciani (PMDB), e essas são minhas conclusões:
  • Crivella lidera em todas as situações.
  • Há 6 nomes que podem ser considerados de destaque: Crivella, Gabeira, Benedita, Jandira, Denise Frossard e César Maia.
  • Com relação a Jandira, considero muito difícil que ela se candidate; com relação a Denise e César, as fontes entram em conflito: às vezes César está muito bem e Denise está mal, às vezes é o inverso. É verdade também que dificilmente Gabeira, César e Denise estarão disputando simultaneamente as duas vagas do Senado. Os três compartilham o eleitorado conservador e deverão garantir o palanque para o candidato tucano. Um deles deve se candidatar a Governador, provavelmente César Maia.
  • O desempenho de Crivella surpreendeu muita gente que achava que ele estaria liquidado, depois do fiasco da eleição para Prefeito do Rio. Esqueceram que a força do seu voto vem da periferia, da área mais pobre e do mundo evangélico.
  • Gabeira aproveitou bem o sucesso na última eleição, embora evidentemente tenha saído com a imagem ética chamuscada com o “caso das passagens”.
  • Benedita (que me ligou hoje, confirmando que é candidatíssima) surge como a grande surpresa, embora eu já desconfiasse disso em função dos sucessivos ataques que ela recebe de César Maia. Ontem mesmo o Vice-Governador Pezão me falou que estava impressionado com o seu desempenho nas pesquisas. De todos os nomes incluídos, o dela foi o que teve a menor exposição nos últimos anos. Sua última participação eleitoral foi em 2002, quando enfrentou Rosinha para o Governo do Estado. Os apoios certos de Lula e Sérgio Cabral serão um impulso a mais.
  • Picciani surge em um bloco intermediário, embora ainda distante dos líderes – mas já mostra a importância de ter nas mãos a máquina partidária.
  • Lupi e Lindberg aparecem um pouco atrás de Picciani, mas ambos teriam potencial para uma melhora, caso realmente sejam candidatos.
  • Edson Santos não é candidato e não tem índices para isso.
  • Milton Temer está apenas garantindo espaço para sua legenda e uma agenda carioca para Heloísa Helena.

domingo, 8 de junho de 2008

Jandira ao PT do Rio: vão ter que me engolir

O clima eleitoral no Rio vivia uma pasmaceira de dar dó. Crivella (PRB), grande beneficiado pelo marasmo, planava em correntes ascendentes. Jandira (PCdoB), Gabeira (Tucano-Verde) e Solange Amaral (DEM, ex-PFL) faziam de conta que concorriam e os outros nem faziam de conta. Essa era a sensação que se tinha nas últimas semanas. Ah, tem também o Prefeito César Maia, esse, sim, trabalhando sem parar - mas mesmo assim mais preocupado com 2010. Com o rompimento da aliança PMDB-PT, voltou a confusão. O Governador Sérgio Cabral já sonha com a disparada de Eduardo Paes nas pesquisas (antes, ele andava na faixa dos 7% a 9%). Jandira, Gabeira e Solange já se preocupam com os votos que podem estar perdendo para o peemedebista. A candidatura petista de Molon está atônita. E a candidatura de Chico Alencar (PSOL), por enquanto não conta. O fato cômico é a possibilidade de Molon tornar-se Vice na chapa de Jandira em função de entendimentos nacionais. Cômico por dois motivos: primeiro, porque há dois anos ela entrou em atrito com a Igreja Católica (berço de Molon) por causa da questão do aborto; segundo, porque em 2006 o PT apostou tudo na não-eleição de Jandira para o Senado (preferiu Dornelles), exatamente para enfraquecê-la na eleição de 2008. A aliança pode até acontecer, mas vai ser muito indigesta para o PT do Rio. Mais indigesta do que o Picciani foi.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Eleição no Rio de Janeiro: Picciani e Zaqueu farão o duelo do ano

No rompimento da aliança do PMDB com o PT pela candidatura a Prefeito do Rio anunciado ontem, pelo menos um efeito colateral parece ter sido mais forte do que o efeito principal. Tudo porque o poderoso dirigente peemedebista fluminense, Deputado Jorge Picciani, declarou que não aceitava o fato de Zaqueu Teixeira, do PT de Queimados, não desistir da candidatura contra o candidato peemedebista Max, seu pupilo. Queimados é uma cidade da Região Metropolitana fluminense, com 88 mil eleitores e PIB per capita de 6.840 reais (58º lugar, dos 92 municípios do estado, segundo o IBGE 2005). Pequena, portanto, mas com poder de fogo suficiente para destruir a aliança da Capital. Graças a isso, Zaqueu Teixeira voltou a ganhar as páginas dos jornais, com direito a foto na página 3 do Globo, lado a lado com o poderoso Picciani. Antes, Zaqueu ganhava destaque por seus feitos policiais como Chefe de Polícia nos 9 meses do Governo Benedita. Ele começou o mandato comprando briga com Garotinho, as denunciar erros nas estatísticas policiais do Governo Rosinha. Depois ganhou mais destaque ainda ao prender, sem precisar dar um único tiro, o traficante Elias Maluco que tinha torturado e matado o jornalista Tim Lopes. Zaqueu dizia então que a inteligência é mais forte do que a violência - e saiu com essa idéia na cabeça para se tornar político. Foi derrotado nas duas tentativas eleitorais, a primeira para Prefeito, em 2004, e a segunda em 2006, para Deputado Federal. Mas agora parece que se apresenta com mais consistência eleitoral - tanto que sua desistência virou questão de honra para Picciani. Zaqueu - que na semana passada saiu do Ministério da Justiça para se candidatar - me procurou hoje e declarou: "Quiseram me transformar em bode expiatório do imbroglio carioca, mas só conseguiram garantir a minha vitória em Queimados". Pareceu bem feliz e cheio de gás para a disputa.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Eleição no Rio: Queimados, Resende e Cabo Frio versus Rio de Janeiro

Encontrado um culpado para o fracasso da aliança do PMDB com o PT na cidade do Rio de Janeiro. Um culpado, não - três. Segundo consta, das contrapartidas colocadas pelo PMDB, três eram inegociáveis: as candidaturas para Prefeito de Queimados, Resende e Cabo Frio, das quais o PT deveria desistir e passar a apoiar os candidatos do PMDB (que aparentemente lideram nas pesquisas de intenção de voto). Das três cidades, apenas em Queimados o PT tem um candidato (Zaqueu Teixeira, ex-Chefe de Polícia Civil do Governo Benedita) que parece que está bem nas pesquisas. De qualquer maneira, o PT teria tido dificuldades em ceder, o que teria enfurecido o Deputado Jorge Picciani. Diante da situação, ele teria preferido apoiar seu quase desafeto Eduardo Paes a candidatar-se a Prefeito pelo PMDB a manter a aliança em torno de Molon no Rio de Janeiro. A perplexidade é geral, mas reafirmo que, se a candidatura Molon tivesse deslanchado, nem mesmo Picciani teria coragem de romper a aliança. Agora só resta ao Governador Sérgio Cabral tentar não falar grego no seu telefonema para Lula...