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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Lindberg, o pragmatismo e o metamorfismo
Estava me contendo para não escrever sobre essa paixão súbita entre o Prefeito Lindberg (PT, Nova Iguaçu, RJ) e o Governador Sérgio Cabral (PMDB, RJ). Alguns amigos petistas comentaram que eu estava sendo muito rigoroso com ele, mas quero dizer que minha relação pessoal com Lindberg sempre foi extremamente simpática. A nota de hoje no Panorama Político do Globo, acusando-o de “metamorfose ambulante” por ter-se transformado de uma hora para outra em “melhor amigo” do ex-“inimigo mortal” Sérgio Cabral, foi que me fez sentar diante de minha Lettera 22.
Assim como Benedita, “mulher, negra e favelada”, é até hoje o grande acontecimento petista na área popular, Lindberg, “o Lindinho”, tornou-se (junto com Molon, “o ético radical”, e Minc, “o doidaço do meio ambiente”) o grande acontecimento midiático do PT do Rio de Janeiro. Sua desenvoltura no espaço político e seu ar muito simpático garantiram projeção rápida. Mas a velocidade, embora seja muito útil à política, longe de lhe garantir infalibilidade, traz também muitos tropeços. Um deles é esse causado por confundir pragmatismo com metamorfose. O pragmatismo é inerente à política, porque representa o não-dogmatismo. Sem pragmatismo, não há como avançar politicamente. Mas se, para avançar, um político resolve se metamorfosear, transformando-se no que não é, ele pode até dar um passo à frente, mas em um nível conflitante – sem nem ao menos gerar efeito borboleta.
Lindberg ganhou simpatia no eleitorado petista por ser um defensor radical de candidatura independente ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, utilizando como trampolim os ataques frontais ao peemedebista Sérgio Cabral. Acabou percebendo a necessidade da aliança (pragmatismo), mas não poderia, como fez, metamorfosear-se instantaneamente em cabralino de primeira hora. Isso deixa a sua base atônita e cria desconforto e desconfiança para seu comando. Ao mesmo tempo em que admiram sua grande capacidade de voo nos meios de comunicação, todos perguntam sobre o novo Lindberg: “É um pássaro? É um avião? É um super-homem? É um borboletra?”
Nota: alô, internautas, a história da Lettera 22 é brincadeira; tive uma que esqueci no Sindicato dos Jornalistas na madrugada de uma Greve Geral e nunca voltei para pegar.
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domingo, 6 de dezembro de 2009
Ora, direis, ouvir a estrela... certo perdeste o "censo"
A política se move pela emoção, certo? E se consolida pela razão, certo? Talvez essa questão não seja política. Mas com certeza é uma questão do marketing político (se é que existe diferença). E é isso que está mobilizando milhares de eleitores petistas neste domingo, principalmente no Rio de Janeiro. O que é mais importante: garantir a continuidade do PT no poder nacional, mesmo que isso signifique fazer alianças com partidos “malvistos”? Ou defender a pureza partidária, mesmo que isso signifique perder o poder nacional duramente conquistado? Os defensores do Prefeito Lindberg, de Nova Iguaçu, argumentam que o PT não pode continuar se submetendo aos desmandos do PMDB fluminense. Outras lideranças locais (Bittar, Benedita, Molon, Cida, Gilberto Palmares, Adilson Pires, Waldeck, por exemplo) mais sintonizadas com o PT nacional argumentam que a aliança com o PMDB fluminense pode decidir a eleição de Dilma Roussef para a Presidência da República (o Rio de Janeiro tem o terceiro maior eleitorado do país). Colocada a questão dessa forma, parece que tudo se resume a uma luta de emoção contra razão. Mas a razão tem emoções que a própria emoção desconhece. O que há de fato é uma luta ardorosa pelo poder local, com vista à disputa pelo poder petista em nível nacional. Lindberg (ou Lindbergh) Farias de certa forma ainda é um outsider no PT. Projetou-se na UNE, filiou-se ao PCdoB (elegeu-se em 94 como o Deputado Federal mais votado da esquerda), passou (97) para o trotskista PSTU, sendo derrotado nas eleições de 2000, e apenas em 2001 aderiu à estrela. Em 2002, reelegeu-se Deputado. Em 2004, em aliança com o PSB, o PCdoB, o PSDB e o PFL (atual DEM), elegeu-se Prefeito de Nova Iguaçu (Baixada Fluminense) e reelegeu-se em 2008, em aliança com PDT, PSB, PV, PCdoB, PTdoB, PR, PTB, PTN, PRB e DEM. Como se vê, o seu critério de aliança está longe de ser ideológico – o que está certo, do ponto de vista puramente eleitoral. Apesar de sua garra ter sido sempre bem-vinda no partido, sua ambição política criou certo desconforto entre os “petistas de origem”. Desconfia-se que ele esteja mais interessado em se fortalecer localmente (passando por cima de todos) para ganhar respeito e tornar-se estrela nacional. Não está inteiramente errado. Resta ao eleitor petista decidir se o projeto de Lindberg está ou não identificado com o projeto da estrela. É preciso definir o bom senso.
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sábado, 6 de setembro de 2008
Este Blog está com um adivinhômetro melhor do que o de César Maia
Foi quarta-feira que comparei aqui minhas "adivinhações eleitorais" com as de César Maia. O Datafolha de hoje repetiu o que eu disse. Não tem muito mistério. Uma informação aqui, outra acolá, e um mínimo de bom senso. A máquina peemedebista com a visibilidade monumental de Eduardo Paes (PMBD) fez dele o acontecimento eleitoral do momento. O ritmo de crescimento vai diminuir, claro, mas o estrago já está feito. Crivella (PRB), com pouco tempo de TV e seus acidentes de percurso, não conseguiu superar a rejeição. Jandira (PCdoB) me parece que errou de posicionamento, e o penteado novo reflete isso. Gabeira (Tucano Verde) garantiu sua reeleição como Deputado Federal. Solange (DEM, ex-PFL) não escapou de César Maia. Chico Alencar (PSOL) era pra ser isso mesmo. Molon (PT) fez campanha sem pé nem cabeça nem dinheiro nem muito apoio. E dos outros candidatos não se esperava nada.
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quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Eleição no Rio: o adivinhômetro de César Maia
César Maia não vive sem pesquisa, e está certo nisso. Ele certamente faz boas análises. Mas, acima de tudo, ele fala o que bem entende, puxando a brasa para sua sardinha. Ele vive "adivinhando" resultados que favoreçam sua candidata. Vejamos seu Ex-Blog de hoje (vou também "adivinhar" em cima do texto dele, com meus comentários em vermelho):
COMO ANDAM AS ELEIÇÕES NO RIO!
1. Mantida a tendência atual, Jandira Niterói e Ga-gabeira caminham para repetir em 2008, Jandira e Bittar em 2004. Concordo que os dois deverão seguir essa tendência. Gabeira já era esperado. Jandira está com campanha fraca, com tempo reduzido na TV. Não conseguiu se posicionar claramente na mente do eleitor.
2. Mantida a tendência, Cri-crivella caminha para repetir 2006 na capital.Crivella errou muito. Deve estar em segundo lugar, atrás da candidatura-furacão de Eduardo Paes.
3. Mantida a tendência, Dudu Riquinho começará a vergar em breve. Qualitativas mostram exaustão de exposição. Vergar, não creio muito. Mas obviamente vai diminuir o ritmo de crescimento.
4. Mantida tendência, Solange já está em terceiro. Talvez seja mais correto imaginar que Solange está em quinto, abaixo de Gabeira, acima de Chico. As pesquisas dirão.
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terça-feira, 2 de setembro de 2008
Os sofismas de César Maia
Não existe nada mais delicioso (para alguns, revoltante...) do que ler as “análises” eleitorais que César Maia faz. Apesar de conhecer bem marketing eleitoral, ele não consegue apresentar um mínimo de confiabilidade no que escreve. Às vezes, ele faz críticas muito boas às pesquisas, por exemplo. Logo em seguida, ele trabalha esse tipo de informação a seu favor ou de seus candidatos. Sofisma a todo instante, tentando formar opiniões ou pautar a mídia com aquilo que lhe interessa. Ontem, no seu Ex-Blog, por exemplo, ele escreveu: “É verdade que Jandira vem caindo e provavelmente está com estes 10%. Mas é incompreensível que a soma dos candidatos com mesma referência de voto (dizem de "esquerda") caiam todos no mesmo sentido. Jandira, Gabeira, Chico e Molon somavam 29%. Agora somam 19%. Trocaram com a direita populista de Crivella? Trocaram com a direita imobiliária de Paes? Impossível. Ou os resultados estavam errados antes ou estão agora”. Para dar solidez à sua tese, ele incluiu Gabeira como “esquerda”, e com isso alterou completamente o raciocínio. Desde quando Gabeira é de esquerda? Ele foi, é verdade, mas largou esse “capricho da juventude” há muitos anos. Seus votos, hoje, estão bem à direita e ele segue resoluto nessa direção. O que obviamente aconteceu foi que Eduardo Paes engoliu boa parte das intenções de voto conservadoras que esses candidatos têm. Outro sofisma de César Maia está no Ex-Blog de hoje: “Até sexta-feira os programas eleitorais dos candidatos de oposição – à Prefeitura do Rio – enfatizavam suas propostas. Ontem enfatizaram suas críticas. Por que será? Se enfatizassem suas propostas é porque estariam disputando entre si. Enfatizando suas críticas é porque sabem que disputam – para valer – contra Solange-25 – a candidata de continuidade do Prefeito do Rio”. Ele pretende com isso fazer crer que Solange está forte e que os adversários sabem disso. Não é verdade. Os adversários sabem, isso sim, que a imagem de César Maia como administrador está desgastada e atacá-lo passou a ser uma referência de oposição. Nada contra Solange Amaral – exatamente porque ela não passa de uma tentativa de reinvenção de César Maia.
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sábado, 30 de agosto de 2008
Eleição no Rio: cadê a esquerda?
A nova pesquisa Ibope para intenção de voto para Prefeito do Rio (entre 26 e 28 de agosto, 1.001 entrevistas, margem de erro com variação máxima de 3,1 pontos) confirma em primeiro lugar a subida vertiginosa do candidato do PMDB, Eduardo Paes, e a resistência de Crivella (PRB) na liderança. Mostra também que o apelo de voto útil da esquerda feito por Jandira (PCdoB) não tem muito valor, considerando-se o desempenho dos outros candidatos de esquerda (os que mais se destacam são Chico Alencar, do PSOL, e Alessandro Molon, do PT, com 2% cada um). O que temos de fato é uma candidatura com forte perfil popular (Crivella) contra outra (Eduardo Paes) que, através da máquina peemedebista, soube combinar voto popular com voto da classe média conservadora. Isso significa ainda que, na hipótese de um segundo turno entre esses dois candidatos e com a provável neutralidade de Lula, Eduardo Paes deve ganhar fácil. Para duplo desespero de César Maia, que teria seu grande desafeto como sucessor e ainda ficaria mais distante da conquista do Senado em 2010.
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sábado, 16 de agosto de 2008
Eleição Rio: Crivella se consolida, Eduardo e Jandira disputam a outra vaga
Quando todo mundo imaginava que Crivella (PRB) não teria mais força e entraria em queda sem fim, a nova pesquisa Ibope mostra que ele voltou a crescer e ficou bem perto de garantir a passagem para o segundo turno. O segundo lugar está sendo disputado sangrentamente entre Eduardo Paes (PMDB) e Jandira Feghali (PCdoB). De certa forma, esses índices refletem o grau de visibilidade das candidaturas. A candidatura de Crivella é a que está com exposição mais longa e também bastante intensa. A de Eduardo Paes só começou a ter visibilidade de 6 de julho para cá - mas foi de forma muito intensa, demonstrando altíssimo investimento. A de Jandira fica no meio caminho entre as outras duas, nem tão longa quanto a de Crivella, nem tão intensa quanto a de Eduardo Paes, mas bem acima das outras que estão abaixo. Há o caso Solange Amaral (Dem) que conta com a máquina municipal, mas carrega também a rejeição ao Prefeito César Maia. A sua exposição razoável não tem rendido intenções de voto. Nas candidaturas mais abaixo, percebemos que a de Gabeira (PV/PSDB/PPS) era mesmo fogo de palha. A de Chico Alencar (PSOL) só serve para manter a legenda e garantir os seus votos de Deputado Federal para 2010. A de Molon (PT) mantém uma perplexidade coletiva. E as outras não surpreendem com seus números ínfimos. Vamos aguardar as mudanças que o Horário Eleitoral Gratuito vai trazer. Não acredito que sejam muitas, mas tudo pode acontecer. Os profissionais das 4 campanhas que lideram são bem experientes e não se deixarão surpreender facilmente. A de Gabeira é difícil de imaginar o que pode ser. E as outras terão dificuldade em operar milagres.
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segunda-feira, 21 de julho de 2008
Globo às margens do erro
A Rede Globo não toma jeito. Sempre que apresenta resultado de pesquisas, inventa margens de erros absurdas que deixam qualquer um atônito. Nessa última divulgação, por exemplo, era ridículo ouvir o apresentador declarar que candidatos que tinham 1% das intenções de voto estariam, "dentro da margem de erro, com 0% a 4%". Ora, trata-se de uma pesquisa de 805 entrevistas, que tem margem de erro máxima de 3,45% para mais ou para menos. (o Ibope só trabalha com números inteiros, por isso declara margem de 3%). Quando se diz "margem de erro máxima" isso significa que se aplica para quem tem 50% das intenções de voto. Para quem tem 1%, por exemplo, a variação fica entre 0,31% e 1,69%. O Molon, por exemplo, com 3% das intenções, tem variação entre 1,82% e 4,18% - não entre 0% e 6%, como foi anunciado. Isso faz grande diferença. Não entre os estrategistas (que certamente sabem ver os índices corretamente), mas, sim, entre os eleitores, que ficam com a percepção distorcida.
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quarta-feira, 16 de julho de 2008
Eleição no Rio: Lula versus Lula
A eleição para Prefeito do Rio caminha para um segundo turno com dois candidatos de partidos da base do Governo Lula. Molon, do PT, está praticamente fora, mas Crivella, do PRB, que lidera as pesquisas, está praticamente dentro. A questão está em saber qual será o outro: Jandira, do PCdoB, que está em segundo lugar, ou Eduardo Paes, do PMDB, que (até as últimas pesquisas divulgadas) aparece em quarto, mas está em ascenção? César Maia, do DEM (ex-PFL), já identificou em Eduardo Paes o principal adversário para sua candidata Solange Amaral, que está em terceiro. Ele sabe que Eduardo Paes cresce em cima do eleitorado de sua candidata, por isso tenta impugnar a candidatura peemedebista. Por seu lado, Solange Amaral procura polemizar com Jandira na disputa pelo segundo lugar, o que favorece a candidata do PCdoB (que obviamente não vê com bons olhos o crescimento de Eduardo Paes). Seja como for, tudo indica que Lula vai vencer a eleição...
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sábado, 5 de julho de 2008
Eleição no Rio: Crivella mantém liderança folgada
Na Pesquisa Datafolha sobre intenções de voto para a Prefeitura do Rio divulgada hoje, Marcelo Crivella (PRB) demonstra ter passado por cima do "caso Providência", mantendo liderança folgada. Pelo quadro atual, sua parceira de segundo turno seria Jandira Feghalli (PCdoB), e ambos são da base do Governo. Curiosidades: Jandira cresce entre as mulheres, Solange cresce entre os homens; Crivella cresce no público de baixa escolaridade, enquanto Jandira cresce entre os de escolaridade supeior; Gabeira cresce entre os mais velhos e os ricos. A pesquisa foi feita no dia 3, com 812 eleitores e margem de erro máxima de 3,44 pontos percentuais, para mais ou para menos.
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terça-feira, 1 de julho de 2008
Eleição no Rio: nada de novo
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quarta-feira, 25 de junho de 2008
Eleição no Rio: Globo 1 X 0 Crivella
O Senador Bispo Crivella, candidato do PRB à Prefeitura do Rio, velejava com todos os ventos a favor nesta eleição. Com muita sabedoria, ampliou o alcance de seu voto popular, ao mesmo tempo em que ocupou grandes e variados espaços na mídia. Seu carro-chefe da corrida eleitoral, o Projeto Cimento Social no Morro da Providência, avançava com certa tranqüilidade, ultrapassando facilmente um ou outro obstáculo midiático. O resultado positivo podia ser medido no crescimento de seu nome nas pesquisas de intenção de voto. Mas foi aí que um desvairado tenente do Exército que deveria proteger a população da Providência resolveu destruir esse cenário encantado, entregando 3 jovens moradores para seus inimigos no mundo do tráfico. A Globo, inimiga feroz do grupo Crivella-Igreja Universal-Rede Record, não esperou a fumaça baixar. Partiu para o ataque, coordenando todas as ações anti-Crivella. Contribuiu ferozmente para que seu projeto micasse e suas chances de eleger-se Prefeito em 2008 fossem reduzidas drasticamente. Com isso, foi lançada imensa interrogação sobre o futuro das eleições cariocas. Acredito que ele ainda terá fôlego para chegar ao segundo turno, mas acho que pode dar adeus à vitória final. A grande beneficiada é Jandira Feghalli, candidata do PCdoB, que poderá contar com mais apoio de Lula e assim chegar tranqüila ao segundo turno. A Deputada Solange Amaral, do partido de César Maia, também poderia contar com algum benefício, se não tivesse que enfrentar agora o malefício de Eduardo Paes (PMDB) na cola de seus votos. O Deputado Fernando Gabeira (Tucano-Verde), o Deputado Paulo Ramos (PDT) e o Deputado Chico Alencar (PSOL), todos fora do páreo, não têm nada a perder ou a ganhar. O Deputado Filipe Pereira, do PSC, ainda não aconteceu na disputa. E o Deputado Alessandro Molon (PT) vai continuar tranqüilo, porque, como diz um diretor bem conhecido de um instituto de pesquisa, "pode ser considerado o grande vitorioso de 2008, já que conseguiu garantir a sua eleição para Deputado Federal". Desgostosos de verdade estão o Prefeito César Maia (DEM, ex-PFL), a Secretária de Estado Benedita (PT) e o Ministro Lupi (PDT), que sonhavam com as duas vagas para o Senado em 2010 - e agora já sabem que uma delas vai continuar com Crivella...
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sexta-feira, 20 de junho de 2008
Eleição no Rio: Crivella foi decisivo para que Molon continuasse candidato
A pressão para que o Deputado Alessandro Molon retirasse a candidatura em favor de Jandira Feghalli, do PCdoB, e com isso contribuir para a aliança do PT com partidos da esquerda, visando principalmente 2010, foi muito forte. Mas a contrapressão foi mais forte e ela tem um nome: Marcelo Crivella, candidato à Prefeitura do Rio pelo PRB. Se o PT declarasse apoio explícito a Jandira, significaria uma declaração de guerra ao grande aliado Crivella, à Igreja Universal e à Record. Com certeza o PT perderia apoio dessa importante força pelo resto do país. Crivella não se importa em abrir mão de candidaturas por aí afora. O que importa é o Rio de Janeiro. Molon fora do páreo, tudo bem. Apoiando Jandira, nem pensar! Com isso, Molon ganha sobrevida. Recupera prestígio e aumenta o cacife pra uma negociação no segundo turno. Por sua vez, os candidatos proporcionais petistas podem contar com alguns votos a mais na legenda, massificando o número 13 com a foto de... Lula.
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quinta-feira, 19 de junho de 2008
Eleição no Rio: Molon cada vez mais distante do PT
A situação do Deputado Alessandro Molon, candidato (ainda) petista à Prefeitura do Rio é muito curiosa. Depois de uma história de firmeza no trabalho legistativo, depois da ousadia na luta difícil pela indicação partidária, depois de subir aos píncaros com o apoio do PMDB do Governador Sérgio Cabral à sua candidatura e depois de ser nocauteado pela retirada do mesmo apoio, Molon ganhou uma grande projeção, com muita presença na mídia. Pena que seja uma projeção negativa... Ele se transformou na pedra no sapato de um grande acordo do PT com os outros partidos de esquerda, porque não desiste de sua minguada candidatura em apoio à candidatura fortalecida de Jandira Feghali do PCdoB. Claro que o partido não deve simplesmente descartá-lo. O PT tem o dever de proteger a imagem de seus quadros, principalmente um tão importante como Molon. Mas ele tem que ajudar. Está se tornando quixotesco ao não abrir mão da candidatura, alegando que "é impossível mudar de idéia" (como destaca o Globo de hoje) porque "não há possibilidade de abrirmos mão da missão que a base do partido nos confiou". Na verdade, boa parte do partido já se sentia abandonada por ele logo após a sua indicação. Ele teria se afastado até mesmo de nomes que ajudaram na sua indicação. Teria demonstrado intransigência e ingenuidade política na condução de sua pré-campanha e já causava irritação na maioria dos aliados. Talvez a base do partido que ele diz representar não exista mais. E não vai ser batendo o pé que vai sair dessa de cabeça erguida. É um nome expressivo e ele próprio tem que saber dar valor a isso.
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domingo, 8 de junho de 2008
Lula e a alternativa à esquerda para 2010
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Jandira ao PT do Rio: vão ter que me engolir
O clima eleitoral no Rio vivia uma pasmaceira de dar dó. Crivella (PRB), grande beneficiado pelo marasmo, planava em correntes ascendentes. Jandira (PCdoB), Gabeira (Tucano-Verde) e Solange Amaral (DEM, ex-PFL) faziam de conta que concorriam e os outros nem faziam de conta. Essa era a sensação que se tinha nas últimas semanas. Ah, tem também o Prefeito César Maia, esse, sim, trabalhando sem parar - mas mesmo assim mais preocupado com 2010. Com o rompimento da aliança PMDB-PT, voltou a confusão. O Governador Sérgio Cabral já sonha com a disparada de Eduardo Paes nas pesquisas (antes, ele andava na faixa dos 7% a 9%). Jandira, Gabeira e Solange já se preocupam com os votos que podem estar perdendo para o peemedebista. A candidatura petista de Molon está atônita. E a candidatura de Chico Alencar (PSOL), por enquanto não conta. O fato cômico é a possibilidade de Molon tornar-se Vice na chapa de Jandira em função de entendimentos nacionais. Cômico por dois motivos: primeiro, porque há dois anos ela entrou em atrito com a Igreja Católica (berço de Molon) por causa da questão do aborto; segundo, porque em 2006 o PT apostou tudo na não-eleição de Jandira para o Senado (preferiu Dornelles), exatamente para enfraquecê-la na eleição de 2008. A aliança pode até acontecer, mas vai ser muito indigesta para o PT do Rio. Mais indigesta do que o Picciani foi.
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quinta-feira, 5 de junho de 2008
Eleição no Rio: Queimados, Resende e Cabo Frio versus Rio de Janeiro
Encontrado um culpado para o fracasso da aliança do PMDB com o PT na cidade do Rio de Janeiro. Um culpado, não - três. Segundo consta, das contrapartidas colocadas pelo PMDB, três eram inegociáveis: as candidaturas para Prefeito de Queimados, Resende e Cabo Frio, das quais o PT deveria desistir e passar a apoiar os candidatos do PMDB (que aparentemente lideram nas pesquisas de intenção de voto). Das três cidades, apenas em Queimados o PT tem um candidato (Zaqueu Teixeira, ex-Chefe de Polícia Civil do Governo Benedita) que parece que está bem nas pesquisas. De qualquer maneira, o PT teria tido dificuldades em ceder, o que teria enfurecido o Deputado Jorge Picciani. Diante da situação, ele teria preferido apoiar seu quase desafeto Eduardo Paes a candidatar-se a Prefeito pelo PMDB a manter a aliança em torno de Molon no Rio de Janeiro. A perplexidade é geral, mas reafirmo que, se a candidatura Molon tivesse deslanchado, nem mesmo Picciani teria coragem de romper a aliança. Agora só resta ao Governador Sérgio Cabral tentar não falar grego no seu telefonema para Lula...
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Eleição no Rio: o que será que melou no Molon?
Leio agora no Plantão do Informe do Dia, de Jan Theophilo: "Aliança PT e PMDB caminha para o fim - O presidente da Alerj Jorge Picciani (PMDB), o presidente do PT do Rio, Alberto Cantalice, e o deputado Gilbeto Palmares (PT) estão reunidos neste momento no prédio administrativo da Assembléia, na Rua da Alfândega. A reunião é tensa. O PT não ofereceu ao PMDB nenhuma das contra-partidas exigidas pelo partido para formar a aliança. A expectativa é que, nas próximas horas, seja anunciado o rompimento da aliança em torno da chapa Alessandro Molon e Régis Fichtner". Acho que a aliança na verdade não rompeu, porque nem chegou a acontecer de fato. Nunca vi coisa igual. O Deputado Alessandro Molon é um dos mais combativos do Rio Janeiro, tendo conquistado a opinião pública, digamos, mais bem informada por sua disposição para o enfrentamento de forma bem simpática. Soube superar nomes de peso do partido e conquistar a indicação do seu nome para disputar a Prefeitura do Rio. E, para surpresa geral da nação, conseguiu o apoio do PMDB do Governador Sérgio Cabral e do Deputado Picciani. Daí em diante esperava-se uma candidatura em plena ascenção - o que ficou longe de acontecer. Os problemas começaram com as contrapartidas exigidas pelo PMDB. Aliança proporcional é uma delas, significando a possibilidade de menos Vereadores eleitos pelo PT. Mas isso teria sido praticamente superado. Aí vieram as alianças no Interior, que geraram mais problemas, alguns aparentemente instransponíveis. Para complicar ainda mais, o candidato Crivella (PRB) e a candidata Jandira (PCdoB), ambos da base aliada do Governo Lula, passaram a agir com extrema desenvoltura, colocando-se em destaque ao lado de Lula, enquanto Molon não conseguia acontecer em parte alguma. O resultado se viu nas pesquisas: cristalização de Molon na faixa dos 2% coroando uma pré-campanha inexplicavelmente incompetente. Se houvesse um mínimo de campanha, com um ligeiro sinal de crescimento, duvido que o PMDB saltasse fora. Mas só se viu amadorismo em toda parte. O que se achava que seria uma grande campanha, muito bem afinada, transformou-se apenas num melô...
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segunda-feira, 2 de junho de 2008
Eleição no Rio: adivinhações
Saiu hoje (li na coluna Informe do Dia) nova Pesquisa Ibope sobre a intenção de voto para Prefeito do Rio, realizada entre 25 e 28 de maio, com 805 entrevistas (erro máximo de 3,45%). Pelos números apresentados, que totalizam 67%, podemos concluir que 23% declararam que não sabem em quem votar ou que vão votar em branco ou que vão anular o voto ou que não pretendem votar em nenhum dos nomes apresentados ou simplesmente que não vão votar. Seja como for, 23% é um número alto, e devemos considerar também que os 67% não estão bem consolidados. Mas podemos tirar várias conclusões (mesmo sem conhecer dados completos da pesquisa). A primeira é que Crivella (PRB) continua em alta, com intenção de voto (29%) bem acima dos votos que teve na eleição de 2004 (22% dos votos válidos). Podemos adivinhar daí que Crivella, por seu perfil, detém a maioria do voto chamado "popular" e que tem praticamente garantida sua ida para o segundo turno. Logo, a disputa mais renhida no primeiro turno se dará entre Jandira (PCdoB), Gabeira (Tucanos Verdes), Solange Amaral (DEM, ex-PFL), Chico Alencar (PSOL) e Molon (PT-PMDB-PSB), que se aproximam mais de um perfil que poderíamos chamar de "classe média". Os três primeiros estão tecnicamente empatados e os dois últimos também. Jandira e Solange Amaral, nota-se, já começaram a morder "voto popular". Gabeira e Chico Alencar têm dificuldade em sair da "Zona Sul conservadora". E Molon ainda não saiu do chão (mas certamente sairá). O principal desafio entre os candidatos "classe média" será o de conquistar uma diferenciação mais forte para cada um deles, algo que ajude a tomar os votos dos semelhantes. O outro desafio é mais fácil, mas deixo para o futuro.
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sábado, 10 de maio de 2008
Eleição no Rio: César Maia no papel de César Maia
O Prefeito do Rio, César Maia (DEM, ex-PFL), lançou a candidatura de sua pupila (Deputada Solange Amaral) à sua sucessão fazendo o que ele mais gosta de fazer (e faz bem): marcando diferenças. Bateu firme no Bispo Senador Marcello Crivella (PRB), que lidera as pesquisas e que certamente terá seu apoio no segundo turno. Bateu nele para que ninguém pense que já assumiu o fracasso de Solange Amaral. Bateu no candidato Alessandro Molon (PT-PMDB) não por ser seu "antagônico petista", mas porque ele tira votos de seu eleitorado classe média conservador. Tem batido em Jandira Feghali (PCdoB) e Gabeira (Tucano Verde) pelo mesmo motivo. Ao apontar esses nomes como os principais adversários, César Maia tenta também aumentar o cacife de Solange Amaral, o nome mais fraco, apesar da máquina municipal que que está se movimentando por sua candidatura. Como diz o próprio César Maia, isso parece confuso, mas tem muita lógica.
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