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sexta-feira, 8 de outubro de 2010
O poder da Bíblia mora no Rio
Outro dia ouvi um amigo falar que o apoio evangélico no segundo turno passa pelo Rio. Não deixa de fazer sentido. Apesar de o Rio ter o principal símbolo católico do país (a imagem do Cristo, no morro do Corcovado), de disputar com a Bahia a liderança entre os cultos afros e de obviamente ser em São Paulo que se encontra a maior população evangélica, é no Rio que estão suas lideranças mais significativas – principalmente nas denominações pentecostais e neopentecostais, com maior inserção popular. Vejamos alguns desses nomes.
Marcello Crivella, que acaba de ser reeleito Senador (PRB) com apoio de Lula, é Bispo (ou ex) da Igreja Universal, neopentecostal, terceira ou quarta denominação evangélica do país, a que tem militância mais aguerrida e que é proprietária da Rede Record. É sobrinho de Edir Macedo e apoiou Dilma.
Missionário R.R. Soares, cunhado de Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, fundou a Igreja Internacional da Graça de Deus (que hoje conta com mais de 2.000 templos) e é um dos maiores pastores eletrônicos do país.
Pastor (Bispo, na Rússia) Manoel Ferreira, líder da CONAMAD (Convenção Nacional de Madureira), um dos maiores segmentos da Assembleia de Deus, pentecostal, a maior de todas as denominações. Ex-Deputado Federal, teria sido o autor da frase “Deus seja louvado” presente em todas as cédulas do dinheiro brasileiro. Já foi aliado de Serra e de Garotinho, apoiou Dilma no primeiro turno.
Pastor Silas Malafaia, um dos líderes da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus, um racha da CONAMAD), Presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (antiga Assembleia de Deus da Penha), é um dos principais pastores televisivos, parece que é psicólogo. Elegeu seu irmão, Samuel, como o terceiro Deputado Estadual mais votado do Rio de Janeiro, pelo PR, partido de Garotinho. Foi aliado de Serra.
Pastor Everaldo Pereira, muito próximo de Silas, também dissidente da CONAMAD, é um manda-chuva do PSC. Assessorou a então Senadora Benedita da Silva e então Governador Anthony Garotinho. Acaba de reeleger seu filho Filipe Pereira com quase 100 mil votos para Deputado Federal. Apoiou Dilma.
Francisco Silva foi empresário do setor farmacêutico, lançou o Atalaia Jurubeba, remédio pro fígado que se notabilizou por comercial com mesa de refeição gigantesca. É dono da Rádio Melodia, uma das mais populares do estado (notadamente evangélica), ex-Deputado Federal. Foi importantíssimo tanto na eleição como no Governo de Garotinho – que tinha programa cativo na Rádio Melodia.
Garotinho, ex-Governador, campeão de votos (700.000) do Rio de Janeiro para Deputado Federal, evangélico desde 94 (se não me engano), quando teve uma acidente revelador. Foi originalmente discípulo do Pastor Caio Fábio – presbiteriano famoso, que foi presidente da AEVB-Associação Evangélica Brasileira e hoje está no ostracismo. Garotinho tem imensa influência no meio evangélico, graças à sua grande capacidade de comunicação. Apoiou Dilma.
Eduardo Cunha acaba de ser reeleito Deputado Federal pelo PMDB com cerca de 150 mil votos. É um dos parlamentares mais influentes e ativos. Muito ligado a Francisco Silva (com quem estava, quando houve um atentado a bala) e Everaldo Pereira. Apoiou Dilma.
Arolde de Oliveira, reeleito Deputado Federal pelo DEM de Cesar Maia, foi (ou ainda é) da antiga Rádio El Shaday.
Benedita da Silva, ex-Deputada Federal (Constituinte), ex-Senadora, ex-Governadora, ex-Ministra e ex-Secretária de Estado, acaba de ser eleita Deputada Federal pelo PT (foi uma das fundadoras), depois de 8 anos sem disputar eleição. Famosa no passado com o slogan de “negra, mulher e favelada”, tornou-se também evangélica. Apoio incondicional a Dilma.
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quinta-feira, 18 de março de 2010
Eleições para o Senado no Rio: Cesar Maia prefere Lindberg
No Ex-Blog de ontem, Cesar Maia publica pesquisa do seu instituto predileto, o GPP, sobre intenções de voto no município de Araruama, região das Baixadas Litorâneas do Rio de Janeiro. Seus índices para o Senado mostram Cesar Maia e Crivella empatados em primeiro lugar, em torno dos 40%. Depois vêm Manoel Ferreira, Lindberg, Waguinho e Picciani em torno dos 10%. Espertamente, Cesar Maia "esquece" os índices de Benedita que lidera absoluta na região. Não recebi os números específicos do município, mas recebi dados da Região Baixadas Litorâneas que mostram Benedita com 58%, com Cesar... 11 pontos atrás! Faz tempo que Cesar Maia procura inflar a candidatura de Lindberg ao Senado pelo PT do Rio - é o adversário dos sonhos da oposição...
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domingo, 21 de fevereiro de 2010
Eleições 2010: quantos palanques o Rio precisa para ter um bom resultado?
Não é na base da matemática que vão ser decididos os números de palanques para Dilma. Às vezes serão necessários mais de um, às vezes não dá para ter dois por hipótese alguma. Em Minas, por exemplo, o bom senso político deixa claro que o palanque tem que ser um só. Minas é importante não apenas para a eleição de Dilma, mas também para o pós-Dilma. PTs e PMDB que tratem de dar um jeito nisso. Acredito (mas não estou inteiramente seguro) que na Bahia e no Rio Grande do Sul os problemas serão mais facilmente superados, com um ou dois palanques.
No Rio de Janeiro é que o “dois pra lá, dois pra cá” dos palanques me parece mais complicado. Começa pelos palanques dos candidatos ao Senado. São pelo menos 5 candidatos de partidos da base do Governo disputando duas vagas: Marcelo Crivella (PRB), Benedita da Silva (PT), Lindberg Farias (PT), Jorge Picciani (PMDB) e Manoel Ferreira (PR). Crivella (talvez o que exige mais atenção de Lula) lidera tranquilamente em todas as pesquisas, mas tem contra ele o tempo na TV (provavelmente menos de 1 minuto) e a rejeição junto à classe média (por ser da Universal) e junto à Globo (por ser ligado à Record). Lula está empenhado em apoiá-lo, mas está difícil. Busca-se uma solução do tipo aliança para o Senado entre PRB e PMDB e chapa independente do PT com Benedita e Lindberg (que no momento travam luta ferrenha pela indicação única do PT, visando aliança com o PMDB) – o que também está difícil. Picciani teme a concorrência de Crivella (o que é uma bobagem: na rabeira das pesquisas, ele só teria a ganhar) e Sérgio Cabral – embora não declare – talvez também tenha resistência, já que poderiam respingar em sua própria candidatura as rejeições a Crivella. Também Benedita e Lindberg não aceitam essa solução, temendo serem os mais prejudicados. E Manoel Ferreira, o fenômeno de 2002, não tem nada a dizer – depende basicamente de Garotinho.
Esse imbróglio de palanques para o Senado salpica nos palanques para o Governo. Sérgio Cabral, que tem chance de ser re-eleito no primeiro turno, poderia, quem sabe, concordar com a aliança do PMDB com Crivella, se Garotinho retirasse sua candidatura, o que lhe daria certeza de re-eleição imediata. Essa solução agradaria ao Planalto, desde que ela não signifique re-aproximação entre Garotinho e tucanos. E aí surge outra questão: em um cenário de segundo turno tanto entre Dilma e Serra quanto entre Sérgio Cabral e Gabeira (embora difícil), em qual palanque Garotinho (que odeia Sérgio Cabral) pisaria? Enquanto essa discussão sobre os palanques aliados se estende eternamente, a candidatura ao Senado de Cesar Maia tende a crescer, como único nome da oposição. Da mesma forma, a dubiedade do palanque de Garotinho prejudica a campanha do super-aliado Cabral e pode ajudar a campanha (ainda bem fraca) do adversário Gabeira. Enfim, as contas dos palanques por enquanto não batem – e o pior é que em política a prova dos nove só acontece depois da eleição...
No Rio de Janeiro é que o “dois pra lá, dois pra cá” dos palanques me parece mais complicado. Começa pelos palanques dos candidatos ao Senado. São pelo menos 5 candidatos de partidos da base do Governo disputando duas vagas: Marcelo Crivella (PRB), Benedita da Silva (PT), Lindberg Farias (PT), Jorge Picciani (PMDB) e Manoel Ferreira (PR). Crivella (talvez o que exige mais atenção de Lula) lidera tranquilamente em todas as pesquisas, mas tem contra ele o tempo na TV (provavelmente menos de 1 minuto) e a rejeição junto à classe média (por ser da Universal) e junto à Globo (por ser ligado à Record). Lula está empenhado em apoiá-lo, mas está difícil. Busca-se uma solução do tipo aliança para o Senado entre PRB e PMDB e chapa independente do PT com Benedita e Lindberg (que no momento travam luta ferrenha pela indicação única do PT, visando aliança com o PMDB) – o que também está difícil. Picciani teme a concorrência de Crivella (o que é uma bobagem: na rabeira das pesquisas, ele só teria a ganhar) e Sérgio Cabral – embora não declare – talvez também tenha resistência, já que poderiam respingar em sua própria candidatura as rejeições a Crivella. Também Benedita e Lindberg não aceitam essa solução, temendo serem os mais prejudicados. E Manoel Ferreira, o fenômeno de 2002, não tem nada a dizer – depende basicamente de Garotinho.
Esse imbróglio de palanques para o Senado salpica nos palanques para o Governo. Sérgio Cabral, que tem chance de ser re-eleito no primeiro turno, poderia, quem sabe, concordar com a aliança do PMDB com Crivella, se Garotinho retirasse sua candidatura, o que lhe daria certeza de re-eleição imediata. Essa solução agradaria ao Planalto, desde que ela não signifique re-aproximação entre Garotinho e tucanos. E aí surge outra questão: em um cenário de segundo turno tanto entre Dilma e Serra quanto entre Sérgio Cabral e Gabeira (embora difícil), em qual palanque Garotinho (que odeia Sérgio Cabral) pisaria? Enquanto essa discussão sobre os palanques aliados se estende eternamente, a candidatura ao Senado de Cesar Maia tende a crescer, como único nome da oposição. Da mesma forma, a dubiedade do palanque de Garotinho prejudica a campanha do super-aliado Cabral e pode ajudar a campanha (ainda bem fraca) do adversário Gabeira. Enfim, as contas dos palanques por enquanto não batem – e o pior é que em política a prova dos nove só acontece depois da eleição...
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Os disparates numéricos de Cesar Maia
O Ex-Blog de hoje de Cesar Maia me deu a certeza do total desespero da oposição. Citando “as pesquisas de final de dezembro e os recortes das pesquisas nacionais de janeiro publicadas”, ele traça um quadro pré-eleitoral no Rio de Janeiro recheado de fantasias. O objetivo, evidente, é procurar despertar alguma esperança entre seus aliados atônitos. Vamos ver o que ele diz, com alguns comentários que faço em negrito:
2. Para presidente, Serra continua bem na frente, no patamar de 40%, Dilma no de 25% e Marina no de 15%. Serra cai um pouco na periferia metropolitana e dispara no interior. Num mano a mano daria Serra no nível de 50% e Dilma 30%. O voto de Marina é distribuído em porcentagens iguais.
LOUCURA TOTAL. Se nacionalmente Serra patina e Dilma sobe, mantendo diferença de apenas 5% (com Ciro) e de 12% (sem Ciro), como é que o tucano pode estar 15% à frente de Dilma no RIO DE JANEIRO?!?!?! Certo perdeste o senso – e o censo... Pode escrever: Dilma já está à frente, principalmente quando é identificada com Lula.
3. Para governador, Cabral está no patamar de 35% e Garotinho e Gabeira empatados em 20%. Cabral tem certa estabilidade na capital, periferia e interior. Garotinho parte do interior com 30%, na periferia está no nível de 25% e na capital um pouco acima de 10%. Gabeira faz caminho inverso. Uns 30% na capital, uns 15% na periferia e um pouco acima de 10% no interior.
Aqui ele exagera menos. Mas o mais natural seria dizer que Sérgio Cabral tem 40% e a soma de Garotinho e Gabeira também seja 40% (ou algo próximo). Não dá para afirmar categoricamente que não haverá segundo turno – mas a vitória de Cabral no primeiro turno é bastante possível.
4. Para senador em 2 votos, Crivella está quase no patamar de 40%, Cesar Maia no de 35%, Benedita no de 30%, Manoel Ferreira e Picciani no de 10% e os demais de 5% para baixo. Cesar Maia se mantém neste patamar nas 3 grandes regiões. Crivella fica acima de seu patamar na periferia e um pouco abaixo na capital e interior. Benedita apenas oscila em seu patamar dos 30%.
Aqui Cesar Maia ficou mais perto do real, mas, como ele é candidato, tratou de puxar umas sardinhas para a sua brasa. Está correto quanto a Crivella, mas exagerou no segundo lugar em que se colocou. Cesar e Benedita estão praticamente empatados, ela um pouco à frente. Em algumas regiões ele estará à frente, em outras será ela. Tem contra ele rejeição altíssima. O resto é isso mesmo, lá atrás. Picciani... Manoel Ferreira... talvez Waguinho...
5. Uma garantia: teremos segundo turno no Estado do Rio. Como há um só ator na imprensa nessa pré-campanha, Cabral, seu patamar hoje deve ser também seu teto. Com outros times em campo, deve apontar para baixo, quem sabe perto de 30%, ou menos. Gabeira e Garotinho vão crescer, talvez para um nível de 25%. O segundo turno fica indefinido com leve vantagem para Cabral. Em 2006, Cabral entrou no segundo turno com a vantagem de 37% a 22% (Denise Frossard). Agora, mesmo que possa vencer o primeiro turno, a vantagem neste será estreita, ficando indefinido o segundo turno.
Cesar Maia não pode garantir nada. Pode ser que haja segundo turno, mas isso está longe de ser garantido. Com outros times em campo, deve apontar para cima – principalmente com o time de Lula a seu lado. Pode até acontecer um efeito gangorra entre Gabeira e Garotinho, apesar de parecerem tão diferentes.
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Eleições 2010, RJ: Crivella e Benedita lideram todos os cenários para o Senado
Chegaram às minhas mãos resultados de pesquisa que teria sido feita neste fim de semana no Rio de Janeiro, com 1200 questionários. Crivella (PRB), Benedita (PT), Gabeira (do PV, fica em terceiro, mas chega a empatar tecnicamente com Benedita em segundo lugar) e Cesar Maia formam o primeiro bloco. Lindberg (PT), Miro (PDT), Picciani (PMDB) e Waguinho (PSC) formam o segundo. Na rabeira, Manoel Ferreira (PR). (Clique no gráfico para ampliar)
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