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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Eleições, 2010: os rachas do Rio pelo Senado


A disputa pelas duas vagas no Senado está abalando a política no Rio como poucas vezes foi visto. O primeiro arranca-rabo foi dentro do próprio PT, entre Benedita da Silva e Lindberg Farias, com vitória do prefeito petista através de prévia eleitoral. Instantaneamente, o racha se espalhou dentro da base aliada do Governo, com um arranca-rabo ainda maior entre Lindberg e o cacicão peemedebista Jorge Picciani – que por sua vez resolveu partir também para cima de Marcelo Crivella (PRB), o preferido de Lula.
Na Oposição o abismo entre aliados não é menor – embora até há pouco tempo parecesse um mar de tranquilidade. A resistência ao nome de Cesar Maia (DEM) para disputar a vaga começou com o que parecia “implicância” do presidente do PV, Alfredo Sirkys, sem endosso do candidato verde ao Governo, Fernando Gabeira. Mas a coisa foi ganhando outro contorno. O perfil do eleitorado do PV e de parte do PSDB (Andrea Gouvêa Vieira, Marcio Fortes, etc.) não combina com o perfil do eleitorado de Cesar Maia e da outra parte do PSDB (Zito, por exemplo). Junto à classe média da Zona Sul, a rejeição a Cesar Maia é alta. Mas junto à classe média mais conservadora ele é pule de 10. Tudo começou a parecer incontornável com a nova posição de Gabeira anti-Cesar Maia. O candidato “demo” (que não depende tanto dos votos dos eleitores de Gabeira) lembra a todos que, sem ele, o a re-eleição de Sérgio Cabral pode se confirmar ainda no primeiro turno. Gabeira no entanto parece não estar nem aí para a disputa estadual. Talvez ele sonhe apenas com a Embaixada de Paris, que uma hipotética vitória de Serra poderia lhe garantir...
Enquanto isso, os rachas continuam.

domingo, 15 de novembro de 2009

Debate Lula-Collor: comercial

Durante a administração Moreira Franco, o Governo do Estado do Rio de Janeiro decidiu fazer uma grande campanha de conscientização contra a sonegação do ICMS. Eu era redator da MPM, agência de publicidade que atendia o Governo, e fiquei encarregado da criação da campanha, que, aliás, foi um sucesso. Em 89, aproveitando o clima eleitoral, criei um comercial que simulava um comício. Esse comercial foi veiculado no intervalo do debate Lula-Collor. Criação de Hayle Gadelha e Bob Gueiros. Produção e animação dos bonecos, "100 Modos". Produtora, Blow-Up. Agência, MPM Propaganda (a original). Curiosamente, o Secretário de Fazenda era Jorge Hilário Gouvêa Vieira e a assessora de comunicação era a atual Vereadora Andrea Gouvêa Vieira. Recordar é re(vi)ver.


sábado, 22 de março de 2008

Eleição no Rio: Crivella escolhe o adversário mais fraco

Com a posição confortável de líder das pesquisas e único candidato (até agora) com perfil "povão", o Senador Bispo Marcello Crivella (PRB), pré-candidato a Prefeito do Rio, resolveu polarizar com o candidato mais fácil de derrotar em um possível segundo turno, o candidato tucano-verde, Fernando Gabeira. Em primeiro lugar, Crivella tenta evitar confronto com o candidato do PT, Alessandro Molon. Esse é o seu pior cenário, onde ele não pode contar com o apoio de Lula, além de criar polêmica em torno de uma possível "guerra santa" (evangélicos x católicos). Não interessa o confronto (ainda) com o candidato Eduardo Paes, que também é da base aliada (PMDB), é apoiado pelo Governador Sérgio Cabral e está com a indicação em risco. Não interessa polemizar com aliados do "bloquinho": Jandira (PCdoB), Paulo Ramos (PDT), Carlos Lessa (PSB). Não interessa nem mesmo polemizar com Solange Amaral, porque ele não quer afugentar o voto conservador. E o candidato do PSOL, Chico Alencar, não oferece perigo. Ao atacar Gabeira, Crivella foi esperto, ao empurrá-lo para o "gueto" das drogas e das polêmicas sobre aborto e homossexualismo. Gabeira percebeu a jogada e levou a resposta para o campo concreto da dengue, mas sua aliada tucana, Andrea Gouvêa Vieira, atrapalhou-se um pouco. A meu ver, essa iniciativa de Crivella facilitou a vida dos outros candidatos, que podem se posicionar de forma mais competitiva - mesmo sem fazer marola no início da disputa.