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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Horário Eleitoral: fixação de marcas


Com o Horário Eleitoral Gratuito, as marcas de cada candidatura têm que mostrar a que vieram. Às vezes, elas são lançadas pra valer apenas no Horário Eleitoral. Outras vezes, é nesse momento que elas são divulgadas mais amplamente. Outras vezes ainda, é só aqui que elas são testadas para, no caso de desaprovação, serem trocadas.
A marca da campanha de Dilma já estava definida há muito tempo: é LULA. O que faltava era levá-la a um público maior, principalmente do segmento popular, menos alcançável pela mídia tradicional. A campanha espera que o conhecimento e a fixação dessa marca contribuam para a vitória definitiva de Dilma já no primeiro turno. É isso que o programa petista procura fazer repetidamente.
Serra, coitado, andava completamente perdido, sem saber o que fazer para enfrentar razoavelmente a marca LULA. Todos sabíamos que ele evitaria bater em Lula, mas não sabíamos como ele se apresentaria. Com o Horário Eleitoral, ficou definido: Serra é o candidato da SAÚDE. Alguns dizem que, com isso, parece que ele está se candidatando a Ministro da Saúde, mas é bobagem. É uma boa marca, agrada a um eleitorado importante que poderia mais facilmente assumir a candidatura Dilma.
Marina era outra marca óbvia, VERDE. Mas esperava-se que ela ganhasse mais cor. Puro daltonismo – ela ganhou um tom ainda mais esverdeado.
Plínio ninguém sabia que marca teria. Só se sabia que não seria aquela xaropada da Heloísa Helena. Com o Debate da Band, surgiu com força a indignação esquerdista com foco na REFORMA AGRÁRIA. Mas é bom ressaltar que sua mensagem ganhou a roupagem de um octogenário sem papas na língua, mas surpreendentemente bem humorado.
As marcas estão lançadas. O eleitor vai eleger a sua preferida.

terça-feira, 23 de março de 2010

Em Minas, Serra perderia até para Alckmin


Estão circulando informações sobre uma pesquisa Vox Populi em Minas. Dilma já teria 45% contra 29% de Serra, 7% de Ciro e 5% de Marina. É bom lembrar que no primeiro turno de 2006, em Minas, Lula teve 48,61%, Alckmin teve 41,64% e Heloísa Helena teve 6,85%. Se os dados se confirmarem, talvez fosse o caso dos tucanos trocarem: Serra para re-eleição em São Paulo e Alckmin para candidato à Presidência - que perderia de novo, mas perderia melhor...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Sobre pesquisas: CNI/IBOPE é ducha de água fria na Oposição

Recebi outro dia um artigo (“Sobre pesquisas”) atribuído a Marcos Coimbra (Instituto Vox Populi) bem interessante e bem a calhar nesse diz-que-me-diz das pesquisas pré-eleitorais. Ele faz um alerta bastante pertinente sobre essas análises apressadas de pesquisas feitas tantos meses antes das eleições: é preciso ter cuidado com as análises carregadas de preferências por um por outro candidato. E isso se torna mais importante ainda quando vemos que as pesquisas ganham destaque nas mãos da mídia despreparada e nitidamente oposicionista. Um item que sempre me chama atenção, pela total falta de cuidado e de conhecimento, é o que revela os índices de "rejeição". Tenho muito cuidado com as "rejeições", porque costumam estar associadas a outros fatores - como o desconhecimento, por exemplo. Quando não se conhece um candidato, costuma-se rejeitá-lo. Pode ser o caso da Dilma, que (segundo a Pesquisa CNI-Ibope, com análise de MCI Lavareda, divulgada hoje) tem baixo índice de conhecimento (32% de conhece "bem" e "mais ou menos") e tem 40% de rejeição ("não votaria de jeito nenhum"). Mas com certeza não é o caso de José Serra, que tem alto índice de conhecimento (66% de conhece "bem" e "mais ou menos") e tem 30% de rejeição ("não votaria de jeito nenhum"). Quem é o mais rejeitado dos dois? Sem parti pris, acredito que Serra - entre quem conhece um e outro - é o mais rejeitado. Quando verificamos outro item, o de "notícias mais lembradas sobre o Governo Lula", notamos que a "Crise no Senado Federal" tem 15% de percepção junto à população, enquanto que tem apenas 2% a percepção da "Confirmação pelo presidente Lula de que a ministra Dilma Rousseff será candidata a presidente da República". Tenho certeza que a tradução disso é simples: a mídia destaca muito mais o que é negativo do que é positivo com relação a Lula e seu apoio eleitoral. Apesar de tudo, o mais surpreendente é o altíssimo índice de aprovação do Governo Lula (que oscilou de 80% para 81%), o que justifica a frase final do artigo do Professor Candido Mendes hoje na Folha: "E (o eleitorado) vai às urnas como um plebiscito clandestino, em favor de quem não tem herdeiros, mas sucessores, num terceiro mandato, do povo de Lula sem o Lula lá". Veja dois dos cenários da Pesquisa de hoje (que, aliás, destaca subida de Ciro e queda de Serra) e, em seguida, o texto de Marcos Coimbra:
  • Serra - 34%
  • Ciro - 14%
  • Dilma - 14%
  • Heloísa Helena - 8%
  • Marina - 6%
  • Serra - 35%
  • Ciro - 17%
  • Dilma - 15%
  • Marina - 8%
Sobre as pesquisas
Marcos Coimbra é Sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
Há dois tipos de erro nas tentativas de deduzir das pesquisas de agora o que vai acontecer com Dilma: imaginar que ela já ganhou e achar que ela já perdeu. São erros parecidos em mais de um aspecto. O traço comum mais importante é que ambos vêm da interferência das preferências nas análises. Quem deseja que ela perca olha as pesquisas e enxerga a confirmação do que gostaria que acontecesse. Quem torce por ela vê o oposto nos mesmos resultados. O problema é que os números não dizem nem uma coisa, nem outra. Na verdade, dizem muito pouco. Pode-se fazer malabarismos com eles, como escolher algumas eleições presidenciais passadas para elucubrar sobre o futuro. Por exemplo, para sustentar que quem lidera as pesquisas 12 meses antes de uma eleição termina ganhando é o que condenaria inapelavelmente a candidatura da ministra. Aliás, acabaria com todas as dúvidas, restando ao governador de São Paulo, José Serra, apenas mandar costurar seu terno de posse. É, no entanto, uma hipótese desprovida de qualquer base teórica, desconhecida nos manuais de ciências sociais e de estudos eleitorais. Nossa já expressiva história eleitoral moderna tampouco a justifica, sendo centenas os casos de candidatos a prefeito e governador que ganhavam nas pesquisas feitas um ano antes e perderam as eleições. Em três das cinco eleições presidenciais pós-redemocratização, nada de semelhante ocorreu. Só Fernando Henrique, em 1997, e Lula, em 2001, lideravam e venceram, o que não aconteceu em 1989, 1994 e 2006, pois o próprio Lula perdia para Serra em novembro de 2005. Ou seja, é uma lei não confirmada pela maioria dos casos. Ou seja, não serve para nada.Imaginar o que vai acontecer em outubro de 2010 a partir de simples pesquisas quantitativas de intenção de voto não faz sentido. Mais: revela falta de compreensão sobre como se estrutura o eleitorado brasileiro na atualidade. O projeto da candidatura Dilma está assentado em dois supostos fortes. De um lado, na constatação de que o maior contingente do eleitorado é, hoje, formado por “lulistas”, pessoas que votaram nele uma, duas, três ou mais vezes, muitas em todas as eleições a que compareceram. Como vimos em 2006, a quase totalidade desses eleitores votou nele e, a crer nas pesquisas, votaria de novo se pudesse. Parece que tendem a votar em quem ele apontar. De outro lado, o projeto apoia-se nos indicadores de aprovação do governo, que sinalizam que a base do lulismo se ampliou e passou a incluir muitos não eleitores de Lula, que o consideram um bom presidente, à frente de políticas e programas que merecem ser preservados. Daí, que podem vir a temer pela sua interrupção e a aumentar a proporção dos que votariam em quem representa a continuidade. Quem não gosta da candidatura da ministra saudou alguns resultados das últimas pesquisas. Elas registram uma estagnação de seu crescimento, logo vista como sinal de sua inviabilidade. É bom evitar julgamentos apressados, no entanto. Nada há nessas pesquisas que contrarie as premissas da candidatura, que nunca calculou que sempre cresceria. Ao contrário, se elas indicam que maus momentos para o governo (a crise do Senado, por exemplo) têm reflexo negativo, bons momentos (pré-sal, por exemplo) podem ter impacto inverso, vindo a impulsionar as intenções de voto em Dilma. Mas erra igualmente quem avalia as pesquisas e só vê motivos para acreditar que Dilma já ganhou. Em nossa cultura política, a vasta maioria dos eleitores vota em pessoas, e não em teses. Por mais que gostem de Lula e queiram que várias coisas de seu governo permaneçam, não vão tê-lo na urna. Dilma pode subir e cair pelo mesmo remédio: a “quantidade” de Lula em sua candidatura. Bem dosado, ela cresce. Mal calculado, ela sofre. Só a campanha real vai conseguir encontrar a medida. Daqui a outubro de 2010, há tanta água para correr por baixo da ponte que dá até preguiça ouvir quem acha que sabe tudo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Lula: "Se dependesse de carisma, Fernando Henrique não teria sido eleito e Serra não seria nem candidato"

O título dessa postagem foi a resposta de Lula na excelente entrevista publicada no Valor Econômico de hoje. Lula disse também, exatamente como escrevi na postagem abaixo: "Quem sustentou essa crise foi o governo e o povo pobre, porque alguns setores empresariais brasileiros pisaram no breque de forma desnecessária". Outros trechos:
A gente não deveria ficar preocupado em saber quanto o Estado gasta. Deveria ficar preocupado em saber se o Estado está cumprindo com suas funções de bem tratar a população.
Se dependesse de carisma, Fernando Hemlque Cardoso não teria sido eleito e Serra não seria nem candidato. Jânio Quadros tinha carisma e ficou só seis meses.
Eu dei 45 dias de prazo, ontem, para que me apresentem o projeto de integração de todo o sistema ótico do Brasil.
Ainda neste ano vou apresentar uma proposta sobre inclusão digital. E vou apresentar, também, uma proposta consolidando todas as políticas sociais do governo. Vai ter uma lei que vai legalizar tudo, vai ser uma lei como a Consolidação das Leis do Trabalho. Será uma consolidação das políticas públicas, para sustentar os avanços conquistados.
Os empresários têm tanta obrigação se serem brasileiros e nacionalistas quanto eu!
Se o Bush tivesse a dimensão da crise e tivesse colocado US$ 60 bilhões na Lehman Brothers antes dela quebrar, possivelmente não teríamos a crise de crédito que tivemos no mundo.
O Estado tem que ter força. Aqui no Brasil durante os anos 80 se criou a idéia de Estado mínimo. O Estado mínimo não vale para nada. O Estado tem que ter força para fazer as políticas que fizemos agora, na crise, com a compreensão do Congresso Nacional.
Vocês têm dimensão do que foi ter uma Caixa Econômica Federal, um BNDES ou um Banco do Brasil? Foi extremamente importante. A Petrobras apresentou um estudo mostrando que deveria mudar o cronograma dos investimentos dela de 2013 para 2017. Convoquei o Conselho da Petrobras aqui para dizer: 'Olha, esse é um momento em que não se pode recuar'. A gente tem que avançar. Até no futebol a gente aprende que quando se está ganhando de 1 x O e recua a gente se ferra.
O que garante as pessoas ficarem no Estado é a estabilidade, não é o salário.
Quantos políticos têm carisma no Brasil? Se dependesse de carisma, Fernando Henrique Cardoso não teria sido presidente. Se dependesse de carisma, José Serra não poderia nem ser candidato. Carisma é uma coisa inata. Você pode aperfeiçoar ou não. Sempre é bom ter um pouco de carisma. O Jânio Quadros tinha carisma. Ficou só seis meses aqui.
Estou dizendo que para governar este país é preciso um conjunto de qualidades. E a primeira qualidade é ganhar eleição. Tem que ter muita humildade, determinação do projeto que vai apresentar. Tem que provar que é capaz de gerenciar. Hoje, com sete anos de convivência, não conheço ninguém que tenha essa capacidade gerencial da Dilma. Às vezes as pessoas falam 'ela é dura'. Mas é que a mulher tem que ser mais duramesmo. Porque numa discussão política, para você se impor no meio de 30 ou 40 homens, é assim. A Dilma é muito competente.
Feliz do país que vai ter uma disputa que pode ter Dilma, Serra, Marina, Heloísa Helena, Aécio.
Valor: O que o senhor pretende fazer depois que deixar o governo ?
Lula: Não sei. A única coisa que tenho convicção é que não vou importunar quem for eleito.
Vale a pena comprar o Valor Econômico e ler a entrevista completa.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Lula andou lendo este Blog

No dia 5 de agosto, quando ainda não era 100% garantida a saída de Marina Silva do PT, fiz o seguinte tweet: "Se Marina fosse candidata tiraria mais votos tucanos do que de Dilma 6:15 AM Aug 5th from web". Onze dias depois, na postagem "Marina Silva, fatos e versões", escrevi "Como Heloísa Helena (...), Marina tenderia a conquistar os votos de quem já decidiu não votar nos candidatos de Lula, concentrados provavelmente na classe média de São Paulo e Rio". Leio hoje, em nota ("PSDB e Lula: duas avaliações sobre 2010") do Panorama Político do Globo, que Lula avaliou que "a oposição está hipervalorizando a Marina" e que "o discurso verde é mais forte nos eleitores de José Serra". Bem-vindo às conclusões deste Blog.

domingo, 16 de agosto de 2009

Marina Silva, fatos e versões

Considero como fato a saída de Marina do PT. Mas as versões sobre sua saída estão de tal maneira distorcidas que às vezes fica difícil até mesmo entender o que se pretende. Vamos ao mais simples. A primeira notícia mais bombástica é a de que a sua candidatura vai causar grande estrago na candidatura apoiada por Lula para a próxima eleição presidencial. A Época desta semana, que tem Marina na capa, chega a afirmar que a simples hipótese de sua candidatura “abalou os fundamentos de uma disputa eleitoral que caminhava para ser um modorrento plebiscito entre a candidata do governo, a ministra Dilma Rousseff (PT), e o principal nome da oposição, o governador paulista, José Serra (PSDB)”. Não consigo entender que fundamentos foram abalados e fico ainda mais confuso quando vejo reportagem do Estadão dizendo que “Pesquisa dá Dilma atrás de Marina em dois cenários”. Quando leio a pesquisa do Ipespe (coordenada por Antonio Lavareda), telefônica, com 2 mil entrevistas feitas em 22 e 23 de julho, percebo que o Deus nos acuda é ainda maior: Marina já teria 10% das intenções de votos e, em cenário sem Heloísa Helena, teria 24%!!! Prefiro me aliar a César Maia e Eliane Catanhêde e dizer que talvez as coisas não sejam tudo isso que se fala. A pesquisa Datafolha (4.100 entrevistas entre 11 e 13 de agosto) divulgada ontem (que mostra Marina com 3% das intenções voto) dá apoio a esse pensamento. O Datafolha mostra que os dois candidatos aliados de Lula (Dilma e Ciro) têm mais de 30% das intenções de voto (enquanto Serra oscila de 38% para 37%). E diz mais: que um candidato apoiado por Lula teria 42%. Que fundamentos, então, foram abalados? Claro que há um efeito psicológico inicial. Mas Heloísa e Cristovam também tiveram em 2006. César Maia lembrou isso e também foi buscar o exemplo guatemalteco das eleições presidenciais de 2007. Escreveu em seu Ex-Blog: “As eleições abriram com Rigoberta Menchú, líder indígena e ambiental e ícone internacional com Prêmio Nobel da Paz em 1992, liderando (...) com folga as pesquisas. No final obteve apenas 3,09% dos votos no primeiro turno, em sétimo lugar”. César Maia conclui com “Aprender sempre é bom. Até para evitar os mesmos erros”. Ele evidentemente está preocupado com o estrago que Marina pode fazer em sua campanha no Rio. Gabeira, candidato a Governador pelo PV, seria um bom apoio para a candidatura de César Maia ao Senado (por exemplo), dentro de uma aliança com o DEM e PSDB. Mas, com Marina candidata, a aliança teria prejuízos (no Horário Eleitoral com certeza) e Gabeira teria que trocar a prioridade do discurso ético-conservador pelo ecológico-obaoba. Esse seria apenas um dos inúmeros efeitos “tiro no pé da Oposição” que a candidatura Marina pode trazer. Como Heloísa Helena (talvez a maior prejudicada agora), Marina tenderia a conquistar os votos de quem já decidiu não votar nos candidatos de Lula, concentrados provavelmente na classe média de São Paulo e Rio (a divulgação dos cruzamentos da pesquisa poderá comprovar isso). Claro que a grande mídia, principal partido de Oposição no momento, deseja explorar tudo que pode da candidatura Marina, transformando versões em fatos consumados e arrasadores. São fatos como esses que me causam aversão.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Rio 2010: destaques para o Senado

Como já falei, recebo frequentemente inúmeras pesquisas e enquetes, envolvendo os mais diversos cenários para a próxima eleição. Levantei cerca de 20 cenários para a disputa de Senador do Rio de Janeiro (quando serão eleitos dois Senadores), vindos de fontes diferentes, e cheguei a algumas conclusões interessantes, algumas surpreendentes. Os nomes incluídos (não necessariamente em todos os cenários) são, por ordem alfabética, de Benedita (PT), Crivella (PRB), César Maia (DEM), Denise Frossard (PPS), Edson Santos (PT), Gabeira (PV), Jandira (PCdoB), Lindberg (PT), Lupi (PDT), Milton Temer (PSOL) e Picciani (PMDB), e essas são minhas conclusões:
  • Crivella lidera em todas as situações.
  • Há 6 nomes que podem ser considerados de destaque: Crivella, Gabeira, Benedita, Jandira, Denise Frossard e César Maia.
  • Com relação a Jandira, considero muito difícil que ela se candidate; com relação a Denise e César, as fontes entram em conflito: às vezes César está muito bem e Denise está mal, às vezes é o inverso. É verdade também que dificilmente Gabeira, César e Denise estarão disputando simultaneamente as duas vagas do Senado. Os três compartilham o eleitorado conservador e deverão garantir o palanque para o candidato tucano. Um deles deve se candidatar a Governador, provavelmente César Maia.
  • O desempenho de Crivella surpreendeu muita gente que achava que ele estaria liquidado, depois do fiasco da eleição para Prefeito do Rio. Esqueceram que a força do seu voto vem da periferia, da área mais pobre e do mundo evangélico.
  • Gabeira aproveitou bem o sucesso na última eleição, embora evidentemente tenha saído com a imagem ética chamuscada com o “caso das passagens”.
  • Benedita (que me ligou hoje, confirmando que é candidatíssima) surge como a grande surpresa, embora eu já desconfiasse disso em função dos sucessivos ataques que ela recebe de César Maia. Ontem mesmo o Vice-Governador Pezão me falou que estava impressionado com o seu desempenho nas pesquisas. De todos os nomes incluídos, o dela foi o que teve a menor exposição nos últimos anos. Sua última participação eleitoral foi em 2002, quando enfrentou Rosinha para o Governo do Estado. Os apoios certos de Lula e Sérgio Cabral serão um impulso a mais.
  • Picciani surge em um bloco intermediário, embora ainda distante dos líderes – mas já mostra a importância de ter nas mãos a máquina partidária.
  • Lupi e Lindberg aparecem um pouco atrás de Picciani, mas ambos teriam potencial para uma melhora, caso realmente sejam candidatos.
  • Edson Santos não é candidato e não tem índices para isso.
  • Milton Temer está apenas garantindo espaço para sua legenda e uma agenda carioca para Heloísa Helena.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Datafolha revela o óbvio: polarização entre Lula e Serra para 2010

A não ser que ocorram tsunamis - o que não é impossível -, a disputa para Presidente em 2010 está mesmo entre o(a) candidato(a) de Lula e o tucano José Serra. Uma tsunami possível é a candidatura de Aécio, seja pelo PSDB, seja pelo PMDB. Há também a possibilidade da tsunami nordestina através de Ciro, inviabilizando a opção Dilma. Heloísa Helena, no momento, ameaça com um terceiro lugar que poderia decidir o segundo turno, mas o mais provável é que até lá o seu discurso perca espaço. O certo de tudo isso é que não adianta o Serra dizer que a disputa "não pode ser um Fla X Flu" - porque já está assim.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

César Maia não entende de mulher

No seu Ex-Blog de sexta-feira, dia 9, o Prefeito César Maia (DEM, ex-PFL) dirigiu alguns "conselhos" de marketing à Ministra Dilma Roussef, "pelas lembranças do tempo em que militava por tantos anos no PDT". Ele deu mais uma justificativa: "O propósito é colaborar. Afinal, dizem que você pode ser a candidata a sucessão do Lula". Na verdade, César Maia acusou o golpe do petromarketing da última quinta-feira e está tentando ridicularizar Dilma, dando-lhe "aulas" de comportamento diante das câmeras. Quero reafirmar que considero César Maia um bom teórico de marketing político, com algumas "práticas" positivas, principalmente quando conseguiu fazer o desconhecido Luiz Paulo Conde seu sucessor em 1996. Mas César Maia acumula grandes fracassos, principalmente como "conselheiro" de candidaturas de mulheres. Em 2002, transformou a candidata ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, Solange Amaral, em um clone perfeito de... César Maia - e foi um fiasco absoluto. Em 2006, fez mais ou menos a mesma coisa com a candidata Denise Frossard (PPS), com resultado melhor, mas longe de uma transformação realmente vitoriosa. Ainda em 2006, tentando inflar a candidatura de Heloisa Helena (PSOL), enviou-lhe alguns conselhos, nos moldes desses que enviou para Dilma. Faziam até mais sentido, naquela época, mas não tiveram efeito concreto. E agora, com esses "conselhos" a Dilma, concluí que César Maia (se estiver sendo sincero, o que é difícil...) definitivamente não entende de mulher - ou entende de marketing menos do que se imagina. Disse ele: "Quanto mais baixa a voz, mais atenção desperta. O tom de voz que você usou foi de rádio. Quando isso acontece, seu rosto sai pela tela e a voz por cima do aparelho, dando uma aparência de leão da Metro, rugindo". César Maia estaria certo, se não se tratasse de uma ministra mulher que até agora manteve-se à sombra e que precisa acima de tudo afirmar-se no comando. Ao contrário de Heloisa Helena, que tinha grande visibilidade para seu jeito agressivo bem antes da candidatura, Dilma ainda não teve a exposição necessária para se transformar em candidata de respeito. Para o grande público, neste momento, o que ela precisa é exatamente de um rosto que "sai pela tela". Se realmente é candidata à Presidência (na minha opinião, a melhor opção até agora dentro do PT), ela tem que falar forte agora e suavizar a fala mais à frente. O resto é jogada política de oposição. Veja o texto completo de César Maia:
MINHA CARA MINISTRA DILMA ROUSSEF! 1. Este Ex-Blog se dirige a você pelas lembranças do tempo em que militava por tantos anos no PDT. O propósito é colaborar. Afinal, dizem que você pode ser a candidata a sucessão do Lula. Que bom! Pelo menos não correríamos riscos de termos estes pelegos e chavistas do PT na disputa. 2. Mas esta nota, ministra, é para comentar sua aparição ontem no Jornal Nacional. Na TV, ministra, se fala com voz escandida, suave, pausando as palavras... Quanto mais baixa a voz, mais atenção desperta. O tom de voz que você usou foi de rádio. Quando isso acontece, seu rosto sai pela tela e a voz por cima do aparelho, dando uma aparência de leão da Metro, rugindo. 3. Por outro lado, o tipo de locução que você fez - dar uma notícia boa, com feições e tom de voz, como se estivesse denunciando um caso grave - dá a certeza a quem está vendo, de que você está mentindo, que se trata na verdade do Poço do Visconde (ler Monteiro Lobato). Isso não ajuda a sua candidatura. 4. Cuidado! Os pelegos e chavistas do PT estão de olho em você! Há bons cursos de telegenia a disposição. Em Brasília este Ex-Blog conhece pelo menos uns três de alto nível. Vão lhe ajudar a se comunicar pela TV.