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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A herança mal dita de Lula


Para a mídia da oposição, só existe uma herança deixada por Lula – a herança que ela mesma escreve. E ela, claro, só sabe falar mal.
Para essa mídia, não existe a herança de opção pelos pobres, que tirou 40 milhões de brasileiros da faixa da pobreza para elevá-los à classe média. Não existe o fortalecimento do mercado interno, cada vez mais invejado (e cobiçado) por outros países. Não existe o maior PIB da história brasileira pós-ditadura. Não existe o presidente que soube enfrentar a “tsunami” financeira mundial, transformando-a em “marolinha”. Não existe o nosso maior líder no cenário internacional, que deu altivez à nossa política externa e deu contribuição consistente para a formação do G-20. Não existe o reequilíbrio das regiões brasileiras, com um novo Norte-Nordeste em condições de oferecer vida digna a seus filhos e podendo até trazer de volta os que, anos antes, tiveram que sair em busca do “Sul maravilha”. Não existe um Centro Oeste explodindo de riqueza, com sua produção rural alimentando meio mundo. Não existe a defesa intransigente do pré-sal nem o engrandecimento da Petrobras. Não existe a grande transformação da nossa educação, começando a se preparar para maiores desafios econômicos e sociais. Não existe a Copa 2014 nem a Rio 2016, que já estão garantindo fluxo intenso de investimentos e dando nova cara à nossa infraestrutura (sugiro um passeio pela Zona Oeste do Rio para ver de perto o que isso começa a significar). Não existe o Bolsa Família, nem o PAC, nem a nova política habitacional, nem uma economia muito bem conduzida, não existem os 8 anos que fizeram o Novo Brasil. A única herança de Lula, para a mídia de oposição, são as alianças que fez, para garantir governabilidade, com partidos tachados como “fisiológicos” – mais uma injustiça, já que Lula herdou essa prática de todos os seus antecessores. Aliás, infelizmente, isso é uma “herança” da própria democracia representativa.
Apesar de toda a campanha contra, Lula conseguiu eleger Dilma para sucedê-lo. Inicialmente, ela era tratada como marionete, burocrata, politicamente despreparada para o cargo. Ninguém foi capaz de dar valor a seu trabalho na Casa Civil, e pré-anunciavam uma administração fracassada. Espertamente, Dilma tratou de passar a mão na cabeça da classe média mal amada – e deu certo. Deu certo até demais. Tanto que os eternos “revoltosos” estão utilizando o lado “ético” do discurso de Dilma para montar uma armadilha – seja para ela mesma, seja para Lula e todo o PT. O ideal oposicionista seria usar a “faxina ética” para provocar o rompimento entre Dilma e Lula (puro delírio dos desesperados). Como isso é impossível, os lacerdistas de plantão esticam ao máximo o discurso “ético”, procurando tornar Dilma refém desse discurso. Como fizeram, por exemplo, Pedro Simon e Cristovam Buarque, que ao mesmo tempo em que pegavam carona no prestígio de Dilma tentaram colar na sua testa a ética como sua grande bandeira. Já dissemos aqui: ser ético não pode ser bandeira política, porque é obrigação de todo cidadão. Quem usa esse artifício quer imobilizar a política. Em 92, quando o PT, navegando na campanha anti-Collor, inventou o slogan “Honestidade tem Cara”, fui contra. Queriam usar esse conceito para a campanha de Benedita, mas preferi o conceito de “cara do Rio” (“Benedita – Prefeita pro Rio” era o slogan). Essa história de herança maldita deixada por Lula é pura jogada política. E por falar em jogada, há quem ache que a grande herança maldita que Dilma recebeu foi o Mano Menezes na seleção...

domingo, 16 de agosto de 2009

Marina Silva, fatos e versões

Considero como fato a saída de Marina do PT. Mas as versões sobre sua saída estão de tal maneira distorcidas que às vezes fica difícil até mesmo entender o que se pretende. Vamos ao mais simples. A primeira notícia mais bombástica é a de que a sua candidatura vai causar grande estrago na candidatura apoiada por Lula para a próxima eleição presidencial. A Época desta semana, que tem Marina na capa, chega a afirmar que a simples hipótese de sua candidatura “abalou os fundamentos de uma disputa eleitoral que caminhava para ser um modorrento plebiscito entre a candidata do governo, a ministra Dilma Rousseff (PT), e o principal nome da oposição, o governador paulista, José Serra (PSDB)”. Não consigo entender que fundamentos foram abalados e fico ainda mais confuso quando vejo reportagem do Estadão dizendo que “Pesquisa dá Dilma atrás de Marina em dois cenários”. Quando leio a pesquisa do Ipespe (coordenada por Antonio Lavareda), telefônica, com 2 mil entrevistas feitas em 22 e 23 de julho, percebo que o Deus nos acuda é ainda maior: Marina já teria 10% das intenções de votos e, em cenário sem Heloísa Helena, teria 24%!!! Prefiro me aliar a César Maia e Eliane Catanhêde e dizer que talvez as coisas não sejam tudo isso que se fala. A pesquisa Datafolha (4.100 entrevistas entre 11 e 13 de agosto) divulgada ontem (que mostra Marina com 3% das intenções voto) dá apoio a esse pensamento. O Datafolha mostra que os dois candidatos aliados de Lula (Dilma e Ciro) têm mais de 30% das intenções de voto (enquanto Serra oscila de 38% para 37%). E diz mais: que um candidato apoiado por Lula teria 42%. Que fundamentos, então, foram abalados? Claro que há um efeito psicológico inicial. Mas Heloísa e Cristovam também tiveram em 2006. César Maia lembrou isso e também foi buscar o exemplo guatemalteco das eleições presidenciais de 2007. Escreveu em seu Ex-Blog: “As eleições abriram com Rigoberta Menchú, líder indígena e ambiental e ícone internacional com Prêmio Nobel da Paz em 1992, liderando (...) com folga as pesquisas. No final obteve apenas 3,09% dos votos no primeiro turno, em sétimo lugar”. César Maia conclui com “Aprender sempre é bom. Até para evitar os mesmos erros”. Ele evidentemente está preocupado com o estrago que Marina pode fazer em sua campanha no Rio. Gabeira, candidato a Governador pelo PV, seria um bom apoio para a candidatura de César Maia ao Senado (por exemplo), dentro de uma aliança com o DEM e PSDB. Mas, com Marina candidata, a aliança teria prejuízos (no Horário Eleitoral com certeza) e Gabeira teria que trocar a prioridade do discurso ético-conservador pelo ecológico-obaoba. Esse seria apenas um dos inúmeros efeitos “tiro no pé da Oposição” que a candidatura Marina pode trazer. Como Heloísa Helena (talvez a maior prejudicada agora), Marina tenderia a conquistar os votos de quem já decidiu não votar nos candidatos de Lula, concentrados provavelmente na classe média de São Paulo e Rio (a divulgação dos cruzamentos da pesquisa poderá comprovar isso). Claro que a grande mídia, principal partido de Oposição no momento, deseja explorar tudo que pode da candidatura Marina, transformando versões em fatos consumados e arrasadores. São fatos como esses que me causam aversão.