Mostrando postagens com marcador Antonio Lavareda. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Antonio Lavareda. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Oposição agora busca na abstenção sua tábua de salvação


A Oposição, no seu pânico eterno, volta a jogar suas esperanças de participar de um segundo turno eleitoral na hipótese de uma abstenção maior entre o eleitorado de baixa renda, particularmente o nordestino. Esse ano, seria ainda pior, com o fato de serem necessários dois documentos para votar. Mônica Bergamo escreve hoje na Folha (e Cesar Mais replica) que “abstenção é maior no eleitorado de baixa renda e nas regiões Norte e Nordeste”. Já em 2006 disse aqui no Blog ("O sofisma de Lavareda" e "Nordestino prova...") que isso se baseava em números pré-Lula. O nordestino agora – bem ao contrário do que acontecia antigamente – tem o seu próprio candidato, o seu candidato in pectore, e por isso faz questão de comparecer e votar. As diferenças para o Sudeste, por exemplo, são cada vez menores, diria até que são mínimas. Veja nos quadros abaixo as evoluções (1998/2002/2006) das abstenções no Nordeste e no Sudeste e também dos votos válidos. A queda das abstenções e o crescimento dos votos válidos são muito mais significativos no Nordeste do que no Sudeste. Garanto que agora em 2010 a participação nordestina será ainda maior, para votar em Dilma, a candidata de Lula, e poder garantir as suas conquistas. O resto é desespero de perdedor.
Veja também o texto de Mônica Bergamo:
MAIS É MENOS
As estatísticas de eleições anteriores mostram que a abstenção é maior no eleitorado de baixa renda e nas regiões Norte e Nordeste. Entre outros fatores que levaram a eleição de 2006 para o segundo turno, de acordo com especialistas, está a alta abstenção em regiões em que Lula abria dianteira sobre Geraldo Alckmin (PSDB), e onde Dilma Rousseff (PT) repete o fenômeno. No Norte, a abstenção foi de 19%. No Nordeste, de 18%. No Sul, de 15% e no Sudeste, de 16%.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Polêmica eleitoral: o que motivou Duda Mendonça e Lavareda nas críticas ao Horário Eleitoral Gratuito?


Li na Folha de hoje que Duda Mendonça e Antonio Lavareda são contra os blocos de meia hora do Horário Eleitoral Gratuito, dizem que “encarecem a campanha e não são persuasivos”.  Acho que piraram de vez. Não é verdade que os blocos encarecem a campanha. Muito mais caro seria o formato de inserções pagas como se faz nos Estados Unidos, onde, como já citei aqui, nomes importantes de Consultoria Política defendem a propaganda não paga.
O Horário Eleitoral Gratuito é uma excelente forma de financiamento público de campanha (financiamento que deveria ser ampliado e diversificado). A Folha informa ainda que, este ano, o H.E.G. custará cerca de 850 milhões de reais aos cofres públicos (isenções fiscais) e que desde 2002 o valor total chega a 3,6 bilhões de reais – uma ninharia diante do que se gasta nos Estados Unidos.
Duda e Lavareda defendem a manutenção apenas do formato de inserções curtas (de 30”, geralmente), e a extinção do formato de blocos. Não percebem que isso inviabilizaria a grande maioria das campanhas proporcionais e praticamente tiraria do ar os partidos menores. Ou seja, acabaria inviabilizando todo o Horário Eleitoral Gratuito e seria um atraso completo.
Lavareda chega a declarar: "Programa eleitoral em bloco (...) não tem papel de persuasão. Eleitor não presta atenção e, quando presta, é pouco afetado. Para ser persuadido, o eleitor não deve estar ciente de que está sob tentativa de convencimento". Como pôde dizer isso? Primeiro, os blocos informam e têm papel de persuasão, sim. Segundo, a audiência é alta e o eleitor presta atenção. Terceiro, o eleitor pode ser motivado, mesmo sem “prestar atenção”. Quarto, para ser convencido, o eleitor precisa acima de tudo querer ser convencido. Quinto, mais importante do que causar impacto, é a capacidade da campanha de motivar o público certo (ver minha postagem abaixo).
Não entendo a posição tomada por esses dois importantes profissionais de marketing político. Parecem que estão desatentos. Ou não estão convencidos do que fazem.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Pesquisas Ibope e Mapear: Lavareda não pode mais dizer que Dilma cresceu em cima de Ciro.


No mês passado, ao comentar a pesquisa CNT/Sensus, o estrategista tucano Antonio Lavareda procurou minimizar o crescimento de Dilma declarando que “o que houve, efetivamente, foi uma transferência de votos de Ciro Gomes pra Dilma Rousseff”. Procurava dizer que a soma dos votos dos dois, entre novembro e janeiro, não tinha alterado, porque, de fato, o eleitor apenas tinha percebido que Dilma era a candidata de Lula, não Ciro. Isso não estaria errado, se não houvesse a intenção de dar limite baixo à capacidade de transferência de votos de Lula.
Tomando como exemplo as pesquisas Ibope de setembro, novembro e janeiro, temos o seguinte quadro (clique para ampliar):


Prova que Dilma não se beneficia unicamente da queda de Ciro. Ela cresce significativamente com a queda do campo dos “indecisos”, dos “não-votos” (Brancos, Nulos, Não Sabe, Não Responde). O correto, portanto, é dizer simplesmente que Dilma cresce com o reconhecimento de que é a candidata de Lula. Isso lhe traz votos de Ciro e também dos “indecisos”. E certamente vai lhe trazer até mesmo votos que hoje estão com Serra e Marina.
Não dá para insinuar um limite de transferência usando como referência os limites de Ciro. Na pesquisa Mapear feita em parte da Região Metropolitana do Rio (Baixada), divulgada aqui na semana passada, temos isso bem claro. Dilma tem inicialmente 26,9%, contra 26,3% de Serra, 16,4% de Ciro e 8,1% de Marina. Quando é revelado que é a candidata de Lula, Dilma passa para 43,4% – um salto de 16,5 pontos percentuais! Ciro só perde 3,1. Por sua vez, Serra perde 5,4, enquanto Marina perde 0,9. A soma das perdas dos três é 9,4 pontos – pouco mais da metade do que Dilma cresce. O problema da Oposição chama-se Lula, que já tem mais de 80% de aprovação pessoal. Se a associação de Dilma com Lula funcionar, voto é que não vai faltar...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Ou Ciro seca Serra, ou seca sozinho


Na entrevista que deu ao Terra Magazine, ontem, o estrategista tucano Antonio Lavareda, analisando a pesquisa Sensus, declarou: "O que houve efetivamente foi uma transferência de votos de Ciro Gomes para Dilma", pois "as pessoas tomaram conhecimento de que é a candidata do presidente Lula". Claro que não foi só isso, mas ele tem certa razão, confirmando o que tenho dito no Blog. À medida que Ciro sai de cena, os seus votos migram para os outros adversários. Como ele faz parte do grupo “sim a Lula”, ele tende a perder votos para a ala mais forte do grupo, Dilma. Se ficar parado nisso, seus votos vão secar, ele se tornará inviável e desnecessário. Para crescer de forma consistente, terá que partir para cima dos votos do Serra. Ciro tem pelo menos três campos importantes para explorar: o nordestino paulista (mais próximo de Serra), a classe média do Sul-Sudeste (aquela parte que reage a Dilma, mas que não se sente inteiramente à vontade sob as asas tucanas) e o voto tucano mineiro (disposto a vingar Aécio). Não é uma tarefa fácil para Ciro diferenciar-se nesse clima plebiscitário e com poucos recursos, mas pode dar certo. Ele já lançou a ideia de que “um é passado (Serra), o outro é presente (Dilma) e eu sou o futuro”, que agrada principalmente à classe média. Se Ciro seguir firme, Serra talvez seque ainda mais do que já está secando.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Sobre pesquisas: CNI/IBOPE é ducha de água fria na Oposição

Recebi outro dia um artigo (“Sobre pesquisas”) atribuído a Marcos Coimbra (Instituto Vox Populi) bem interessante e bem a calhar nesse diz-que-me-diz das pesquisas pré-eleitorais. Ele faz um alerta bastante pertinente sobre essas análises apressadas de pesquisas feitas tantos meses antes das eleições: é preciso ter cuidado com as análises carregadas de preferências por um por outro candidato. E isso se torna mais importante ainda quando vemos que as pesquisas ganham destaque nas mãos da mídia despreparada e nitidamente oposicionista. Um item que sempre me chama atenção, pela total falta de cuidado e de conhecimento, é o que revela os índices de "rejeição". Tenho muito cuidado com as "rejeições", porque costumam estar associadas a outros fatores - como o desconhecimento, por exemplo. Quando não se conhece um candidato, costuma-se rejeitá-lo. Pode ser o caso da Dilma, que (segundo a Pesquisa CNI-Ibope, com análise de MCI Lavareda, divulgada hoje) tem baixo índice de conhecimento (32% de conhece "bem" e "mais ou menos") e tem 40% de rejeição ("não votaria de jeito nenhum"). Mas com certeza não é o caso de José Serra, que tem alto índice de conhecimento (66% de conhece "bem" e "mais ou menos") e tem 30% de rejeição ("não votaria de jeito nenhum"). Quem é o mais rejeitado dos dois? Sem parti pris, acredito que Serra - entre quem conhece um e outro - é o mais rejeitado. Quando verificamos outro item, o de "notícias mais lembradas sobre o Governo Lula", notamos que a "Crise no Senado Federal" tem 15% de percepção junto à população, enquanto que tem apenas 2% a percepção da "Confirmação pelo presidente Lula de que a ministra Dilma Rousseff será candidata a presidente da República". Tenho certeza que a tradução disso é simples: a mídia destaca muito mais o que é negativo do que é positivo com relação a Lula e seu apoio eleitoral. Apesar de tudo, o mais surpreendente é o altíssimo índice de aprovação do Governo Lula (que oscilou de 80% para 81%), o que justifica a frase final do artigo do Professor Candido Mendes hoje na Folha: "E (o eleitorado) vai às urnas como um plebiscito clandestino, em favor de quem não tem herdeiros, mas sucessores, num terceiro mandato, do povo de Lula sem o Lula lá". Veja dois dos cenários da Pesquisa de hoje (que, aliás, destaca subida de Ciro e queda de Serra) e, em seguida, o texto de Marcos Coimbra:
  • Serra - 34%
  • Ciro - 14%
  • Dilma - 14%
  • Heloísa Helena - 8%
  • Marina - 6%
  • Serra - 35%
  • Ciro - 17%
  • Dilma - 15%
  • Marina - 8%
Sobre as pesquisas
Marcos Coimbra é Sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
Há dois tipos de erro nas tentativas de deduzir das pesquisas de agora o que vai acontecer com Dilma: imaginar que ela já ganhou e achar que ela já perdeu. São erros parecidos em mais de um aspecto. O traço comum mais importante é que ambos vêm da interferência das preferências nas análises. Quem deseja que ela perca olha as pesquisas e enxerga a confirmação do que gostaria que acontecesse. Quem torce por ela vê o oposto nos mesmos resultados. O problema é que os números não dizem nem uma coisa, nem outra. Na verdade, dizem muito pouco. Pode-se fazer malabarismos com eles, como escolher algumas eleições presidenciais passadas para elucubrar sobre o futuro. Por exemplo, para sustentar que quem lidera as pesquisas 12 meses antes de uma eleição termina ganhando é o que condenaria inapelavelmente a candidatura da ministra. Aliás, acabaria com todas as dúvidas, restando ao governador de São Paulo, José Serra, apenas mandar costurar seu terno de posse. É, no entanto, uma hipótese desprovida de qualquer base teórica, desconhecida nos manuais de ciências sociais e de estudos eleitorais. Nossa já expressiva história eleitoral moderna tampouco a justifica, sendo centenas os casos de candidatos a prefeito e governador que ganhavam nas pesquisas feitas um ano antes e perderam as eleições. Em três das cinco eleições presidenciais pós-redemocratização, nada de semelhante ocorreu. Só Fernando Henrique, em 1997, e Lula, em 2001, lideravam e venceram, o que não aconteceu em 1989, 1994 e 2006, pois o próprio Lula perdia para Serra em novembro de 2005. Ou seja, é uma lei não confirmada pela maioria dos casos. Ou seja, não serve para nada.Imaginar o que vai acontecer em outubro de 2010 a partir de simples pesquisas quantitativas de intenção de voto não faz sentido. Mais: revela falta de compreensão sobre como se estrutura o eleitorado brasileiro na atualidade. O projeto da candidatura Dilma está assentado em dois supostos fortes. De um lado, na constatação de que o maior contingente do eleitorado é, hoje, formado por “lulistas”, pessoas que votaram nele uma, duas, três ou mais vezes, muitas em todas as eleições a que compareceram. Como vimos em 2006, a quase totalidade desses eleitores votou nele e, a crer nas pesquisas, votaria de novo se pudesse. Parece que tendem a votar em quem ele apontar. De outro lado, o projeto apoia-se nos indicadores de aprovação do governo, que sinalizam que a base do lulismo se ampliou e passou a incluir muitos não eleitores de Lula, que o consideram um bom presidente, à frente de políticas e programas que merecem ser preservados. Daí, que podem vir a temer pela sua interrupção e a aumentar a proporção dos que votariam em quem representa a continuidade. Quem não gosta da candidatura da ministra saudou alguns resultados das últimas pesquisas. Elas registram uma estagnação de seu crescimento, logo vista como sinal de sua inviabilidade. É bom evitar julgamentos apressados, no entanto. Nada há nessas pesquisas que contrarie as premissas da candidatura, que nunca calculou que sempre cresceria. Ao contrário, se elas indicam que maus momentos para o governo (a crise do Senado, por exemplo) têm reflexo negativo, bons momentos (pré-sal, por exemplo) podem ter impacto inverso, vindo a impulsionar as intenções de voto em Dilma. Mas erra igualmente quem avalia as pesquisas e só vê motivos para acreditar que Dilma já ganhou. Em nossa cultura política, a vasta maioria dos eleitores vota em pessoas, e não em teses. Por mais que gostem de Lula e queiram que várias coisas de seu governo permaneçam, não vão tê-lo na urna. Dilma pode subir e cair pelo mesmo remédio: a “quantidade” de Lula em sua candidatura. Bem dosado, ela cresce. Mal calculado, ela sofre. Só a campanha real vai conseguir encontrar a medida. Daqui a outubro de 2010, há tanta água para correr por baixo da ponte que dá até preguiça ouvir quem acha que sabe tudo.

domingo, 16 de agosto de 2009

Marina Silva, fatos e versões

Considero como fato a saída de Marina do PT. Mas as versões sobre sua saída estão de tal maneira distorcidas que às vezes fica difícil até mesmo entender o que se pretende. Vamos ao mais simples. A primeira notícia mais bombástica é a de que a sua candidatura vai causar grande estrago na candidatura apoiada por Lula para a próxima eleição presidencial. A Época desta semana, que tem Marina na capa, chega a afirmar que a simples hipótese de sua candidatura “abalou os fundamentos de uma disputa eleitoral que caminhava para ser um modorrento plebiscito entre a candidata do governo, a ministra Dilma Rousseff (PT), e o principal nome da oposição, o governador paulista, José Serra (PSDB)”. Não consigo entender que fundamentos foram abalados e fico ainda mais confuso quando vejo reportagem do Estadão dizendo que “Pesquisa dá Dilma atrás de Marina em dois cenários”. Quando leio a pesquisa do Ipespe (coordenada por Antonio Lavareda), telefônica, com 2 mil entrevistas feitas em 22 e 23 de julho, percebo que o Deus nos acuda é ainda maior: Marina já teria 10% das intenções de votos e, em cenário sem Heloísa Helena, teria 24%!!! Prefiro me aliar a César Maia e Eliane Catanhêde e dizer que talvez as coisas não sejam tudo isso que se fala. A pesquisa Datafolha (4.100 entrevistas entre 11 e 13 de agosto) divulgada ontem (que mostra Marina com 3% das intenções voto) dá apoio a esse pensamento. O Datafolha mostra que os dois candidatos aliados de Lula (Dilma e Ciro) têm mais de 30% das intenções de voto (enquanto Serra oscila de 38% para 37%). E diz mais: que um candidato apoiado por Lula teria 42%. Que fundamentos, então, foram abalados? Claro que há um efeito psicológico inicial. Mas Heloísa e Cristovam também tiveram em 2006. César Maia lembrou isso e também foi buscar o exemplo guatemalteco das eleições presidenciais de 2007. Escreveu em seu Ex-Blog: “As eleições abriram com Rigoberta Menchú, líder indígena e ambiental e ícone internacional com Prêmio Nobel da Paz em 1992, liderando (...) com folga as pesquisas. No final obteve apenas 3,09% dos votos no primeiro turno, em sétimo lugar”. César Maia conclui com “Aprender sempre é bom. Até para evitar os mesmos erros”. Ele evidentemente está preocupado com o estrago que Marina pode fazer em sua campanha no Rio. Gabeira, candidato a Governador pelo PV, seria um bom apoio para a candidatura de César Maia ao Senado (por exemplo), dentro de uma aliança com o DEM e PSDB. Mas, com Marina candidata, a aliança teria prejuízos (no Horário Eleitoral com certeza) e Gabeira teria que trocar a prioridade do discurso ético-conservador pelo ecológico-obaoba. Esse seria apenas um dos inúmeros efeitos “tiro no pé da Oposição” que a candidatura Marina pode trazer. Como Heloísa Helena (talvez a maior prejudicada agora), Marina tenderia a conquistar os votos de quem já decidiu não votar nos candidatos de Lula, concentrados provavelmente na classe média de São Paulo e Rio (a divulgação dos cruzamentos da pesquisa poderá comprovar isso). Claro que a grande mídia, principal partido de Oposição no momento, deseja explorar tudo que pode da candidatura Marina, transformando versões em fatos consumados e arrasadores. São fatos como esses que me causam aversão.