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domingo, 5 de outubro de 2014

SURPRESAS E NÃO-SURPRESAS DA ELEIÇÃO



1. A maior surpresa, claro, foi a morte de Eduardo Campos. A ascensão de Marina, não foi surpresa – eu mesmo previ isso, baseado no efeito comoção (só não previ a rapidez da ascensão e queda).
2. Outra surpresa foi o tucano que tinha virado pó ter conseguido tornar-se um pó-ssível (ou pó-cível), como dizia meu amigo Edson Vidigal, nas suas campanhas da década de 60 para vereador de Caxias, Maranhão. É verdade que Aécio foi muito ajudado pela incompetência da campanha de Marina (iniciada com o imbróglio do “sim, pastor Malafaia”), mas foi principalmente o poder paulista e a mídia que conseguiram fazê-lo alçar voo novamente. Curiosamente, se conseguir o segundo turno, como indicam as pesquisas, talvez tenha contra ele exatamente o poder paulista do vitorioso Alckmin, que está de olho em 2018.
3. A vitória de Alckmin não foi surpresa, assim como não foram surpresas, para mim, as vitórias de Dilma e Pezão, no Rio. Em agosto do ano passado, postei no meu Blog: “Adoro bola de cristal. Desde que tenham pesquisas por trás, perfis bem definidos, muita informação, histórico bem avançado de todos os atores e cenários – enfim, um papo aqui, papo acolá, e imaginação com pé no chão. Vou usar minha bola de cristal para tentar prever três resultados eleitorais”. Os três resultados:
a. Dilma (PT) vence, talvez no primeiro turno.
b. Alckmin (PSDB) vence em São Paulo.
c. Pezão (PMDB) vence no Rio (...). Talvez seja a previsão mais polêmica, mas é bom lembrar que, hoje, os principais nomes (além do Pezão, temos Lindberg, do PT, talvez Garotinho, do PR, e Cesar Maia, do DEM) estão praticamente em empate técnico, com a vantagem para Pezão de ser o menos conhecido e de poder contar com a máquina estadual e a com a política de segurança que mais deu certo até agora. (...) Pezão conta também com a alta rejeição dos outros três e não se contamina com a rejeição (talvez temporária) de Sérgio Cabral. Seu estilo pé no chão, realizador, alheio aos holofotes passou a ser grande virtude para o momento.
Aliás, há pouco mais de 3 meses, o jornalista Roberto Barbosa me perguntou pelo Skype quem venceria, Pezão ou Garotinho? Respondi Pezão. Ele disse que, se isso acontecesse, ele publicaria que eu fui o único oráculo que tinha previsto isso quando Pezão ainda estava com 4%. Veremos no Blog do Roberto Barbosa.
4. Depois do desastre do avião, o maior desastre, para mim, foi a campanha de Lindberg para o Governo do Rio. Pensei, inicialmente, que ele iria para o segundo turno junto com Pezão. Mas seu marketing eleitoral foi errado do começo ao fim. Percebi logo pela foto oficial. Como ainda trazia resquício de cara-pintada, irreverente, daqueles que entram na casa dos eleitores e pedem para tomar banho, conhecido como “Lindinho” por mocinhas enlouquecidas, foi necessário dar seriedade à sua imagem para se qualificar como “Governador”. Foi o que fizeram, mas exageraram na dose: além de sério, ele ficou de cara triste. Não parou por aí. Um quadro forte e repetido exaustivamente em seu programa de TV, mostrava Lindberg atacando o candidato Pezão com a mesma cara triste, cercado por jovens cabisbaixos, mais tristes ainda. Faltou a alegria que ele sempre soube imprimir às suas campanhas. Pior: trouxe para o foco inicial o conceito de cidade partida / estado partido ou “ricos versus pobres”. Muito bom, mas com o desenvolvimento errado – em vez de usar isso para uma proposta de unir/nivelar os dois mundos, ele ampliou o abismo, dando um tom que parecia condenar o mundo da classe média. A classe média que estava pronta para abraçá-lo, mas acabou largando-o no abismo. Como disse Quaquá, presidente do PT-RJ, para o candidato: “Fizeram de você o Não-Lindberg”.
5. Uma grande e simpática surpresa foi o candidato a Governador do Rio, pelo PSOL, Professor Tarcísio. Já conhecia pessoalmente, porque ele esteve, anos atrás, na minha empresa, como um dos dirigentes do SEPE. Mas jamais poderia imaginar que ele teria desempenho tão excelente.

Meus votos, logo mais, não serão surpresas – apenas o voto para Senador, que decidi ontem, depois de um bom papo com meu cunhado, Edwaldo Cafezeiro.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A ESCOLHA DE SOFIA DA OPOSIÇÃO


“tudo muda o tempo todo no mundo
não adianta fugir, nem mentir pra si mesmo”.

Lulu Santos / Nelson Motta

Uma semana para a eleição. A última pesquisa Datafolha apresenta, entre os votos válidos, 45% para Dilma, 30 para Marina, 20 para Aécio e 5% para os outros candidatos. Nesse quadro, Dilma precisa ganhar apenas 5 pontos dos adversários para vencer no primeiro turno. Não é uma tarefa fácil, mas não é impossível. Dilma teria que conquistar um pouco dos Não-Votos e um pouco de voto útil em cima dos adversários. A oposição no entanto não tem nisso a sua maior preocupação. Pensa apenas no segundo turno e o seu dilema é: quem vai ser rifado, Marina ou Aécio? Contas e mais contas, reuniões e mais reuniões estão sendo feitas para se chegar a um denominador comum. Os defensores de Aécio argumentam que ele é que tem maior capacidade administrativa, estaria mais preparado para derrotar Dilma e para domar o Congresso. Marina, para seus defensores, seria a novidade capaz de criar uma forte onda anti-PT e conseguir a vitória no segundo turno.
Mas acredito que a luz amarela está cada vez mais intensa na campanha da candidata da Rede. Ela começa a balançar em um momento que é difícil conseguir reverter o movimento. Há duas semanas escrevi que “Marina não foi favorecida pelo Horário Eleitoral. Primeiro, porque o tempo é curto (...) e o desempenho de Marina foi abaixo da crítica. Seu discurso é rancoroso, sem motivar ninguém”. Mas admiti que em “um possível segundo turno o programa de Marina pode melhorar bem. Primeiro, porque todo programa eleitoral que sai dos atuais 2 minutos para os 10 minutos do segundo turno ganha ares de vitorioso”. Ainda acho (sem muita convicção) que o mais provável é um segundo turno entre Dilma e Marina, mas não é o que pensa, por exemplo, Fernando Brito, do Tijolaço, que neste domingo me alertou para os arredondamentos estranhos do Datafolha em votos válidos, mostrando Marina e Aécio com 31% e 21%, quando deveriam ter 30% e 20%. Parece uma tentativa de reduzir o ritmo de avanço de Dilma, principalmente quando vemos na pesquisa anterior que a candidata petista teve seu índice reduzido em um ponto. Fernando Brito acredita que Aécio passa Marina.
O sociólogo Fabio Gomes, do Instituto Informa, aparentemente também acredita nessa possibilidade, embora prefira, em vez de fazer previsões, fazer reflexões. Ele me enviou esse texto com um gráfico de Padrões de Escolha Eleitoral (clique na imagem para ampliar):


Em recente palestra sobre comportamento eleitoral para executivos, evitei fazer previsões. Fiz, no entanto, reflexões com base em uma plataforma analítica que desenvolvi, alinhando a experiência nos últimos 17 anos de investigação do comportamento do eleitor e algumas Teorias das ciências políticas. Os quatro eixos para a escolha de uma candidatura podem subsidiar reflexões sobre o andamento das campanhas. Marina tem dificuldades com os dois primeiros (“competência para o exercício” e “competência política”) - e será muito testada e atacada nesses eixos nos próximos dias. Dilma, pela insatisfação com o governo, deverá argumentar os quatro eixos. Já Aécio, encontra dificuldades nos dois últimos eixos: “sentimentos despertados” e “imagem pessoal”. Melhor refletir do que prever. O comportamento eleitoral não é tão previsível como desejam alguns.
Pelo que entendi, a partir dessas reflexões, os participantes da palestra, que tenderiam para Marina, passaram a acreditar que Aécio teria mais condições para o cargo, poderia fazer mais frente a Dilma.
 Agrego a isso percepções positivas de superação, que ele receberia por ultrapassar Marina na reta final. O que acho complicado é o tempo curto e a falta de unidade da oposição. Esse marécio em que a oposição navega contribui cada vez mais para que a sua escolha de Sofia transforme-se em escolha de Dilma...

sábado, 30 de agosto de 2014

Atenção, senhores eleitores: apertem os cintos!


Será que a candidatura Marina alçou voo de tal forma que ninguém mais pode acompanhar? Nem tanto. Claro que houve o “voto-comoção” (que ajudou muito na apresentação de Marina como sucessora de Eduardo Campos) e também o voto-hay-gobierno?-soy-contra, incrustrado no rótulo de Não-Voto, responsável pelo grande impulso que Marina teve nessas últimas pesquisas Ibope e Datafolha. Mas será que a eleição presidencial já vive um voo sem volta? É claro que os números das pesquisas são desesperadores para Aécio e preocupantes para a candidatura Dilma. Mais preocupantes ainda para quem, independente do partido, não quer ver o Brasil mergulhado outra vez no vácuo do Consenso de Washington. Mas, calma, dá para recuperar o controle. Neste sábado, por exemplo, tanto André Singer quanto o próprio Mauro Paulino, do Datafolha, escrevem artigos com bons corretivos para esse frenesi da esquadrilha midiática.
André Singer (Rumo ao desconhecido) alerta que “há muito em aberto na candidatura pessebista”. Quais são os rumos que se pretende para uma suposta relação com o agronegócio? O programa social vai ficar solto no ar? E a base de apoio para governar, no caso de Marina eleger-se, será firme? André Singer lembra que, ao se comprometer com a independência do Banco Central, Marina aponta para um governo de “juros altos, recessão bem mais que técnica, corte de gastos públicos e desemprego”. Mais ou menos um “apertem os cintos, o piloto sumiu”.
Já Mauro Paulino (Sucesso de ex-senadora depende da cristalização do eleitorado) destaca que Marina superou o clima de “comoção”, superou o recall de 2010, abriu vantagem sobre Aécio em território exclusivo do tucano e cresceu significativamente entre os eleitores de “menor renda e baixa escolaridade, grupos onde Dilma e o governo sempre demonstraram grande força”. Mas alerta que “propostas concretas e claro programa de governo” serão decisivos. E conclui que a “ênfase exclusiva no discurso da ‘nova política’ pode, com o tempo, afastar parte dos recém-conquistados eleitores”.
Os índices estratosféricos de Marina dispararam em velocidade supersônica. Ela soube muito bem representar os que estavam insatisfeitos tanto com os vácuos do governo petista quanto com a insipidez da tentativa de voo tucano (que rapidamente virou pó). Mas até agora não conseguimos perceber um quod erat demonstrandun em suas propostas. É tudo muito frágil, contraditório, oportunista, rancoroso, tudo muito eólico e ao mesmo tempo uma guinada brutal rumo ao pior do nosso passado.
O Brasil não pode voltar a apertar o cinto e ficar eternamente preso a um mundo sem futuro. O que o Brasil precisa é de um voo tranquilo para dar asas à imaginação.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

DILMA E MARINA – QUEM É DO POVO E QUEM NÃO É?



Dilma Rousseff, diz o Wikipédia, nasceu em Belo Horizonte, Minas, em família de classe média alta, filha do advogado e empreendedor búlgaro naturalizado brasileiro Pedro Rousseff e da dona-de-casa Dilma Jane Coimbra Silva. Já Marina Silva, como também diz o Wikipédia, nasceu pelas mãos de sua avó, que era parteira, na localidade de Breu Velho, em Rio Branco, capital do estado do Acre, filha do seringueiro cearense Pedro Augusto da Silva e da dona de casa Maria Augusta da Silva.
Conheço as duas cidades. Morei uns 4 meses em BH, na casa de minha tia, e morei dos 12 aos 17 no Acre, já que a família de minha mãe é de lá e também tem a ver com seringueiros nordestinos. Sempre foi motivo de admiração, entre quem é do Acre, um acreano (ou acriano) com destaque nacional. “Sabe o Armando Nogueira? É do Acre”, diziam, para ouvir em seguida: “O Jarbas Passarinho também”, ou J.G. de Araújo Jorge ou Enéas. O destaque maior passou para Chico Mendes e o nome da vez é Marina (teve também Galvez, o Imperador do Acre, mas acho que ele era espanhol...).
Pela lógica das origens, diríamos que Marina é a candidata dos mais pobres e Dilma a candidata da classe média alta. Ledo engano. As pesquisas não querem saber dessa lógica e a última pesquisa Ibope vira isso de cabeça pra baixo. Na simulação de segundo turno entre Dilma e Marina feita entre 23 e 25 de agosto pelo Ibope, temos resultados reveladores sobre o perfis predominantes do eleitores de Dilma e Marina. Na tabela anexa dá para ver claramente. Basta clicar na imagem.

Os índices de Dilma são maiores entre os eleitores de mais de 54 anos, de religião católica, que estudaram até a 4ª série do Ensino Fundamental, que têm cor preta/parda, com renda de até 1 salário mínimo. Os índices de Marina, ao contrário, crescem entre os eleitores de 25 a 34 anos, de religião evangélica, com curso Superior, de cor branca, e com renda de mais de 5 salários mínimos (conversando com Fábio Gomes, do Instituto Informa, ele diz que no estado do Rio de Janeiro, esse perfil se repete; não entrei em detalhes, mas acredito que no Rio esses perfis dos eleitores são ainda mais fortes). Que aconteceu, então – trocaram os bebês? É claro que as origens, as formações originais, são importantes, mas não dizem tudo. No final o que importa é saber com muita clareza a quem a candidatura realmente interessa – e por quê. Como diria Brizola, o que importa são os interésses que estão por trás. Vamos ver para que lado penderá o Brasil. Pessoalmente, acho que o que Lula plantou continuará dando frutos.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Rio, um segundo turno de 3 ou 4


A disputa pelo Governo do Rio promete ser uma das mais eletrizantes entre os grandes estados. A última pesquisa Datafolha aponta Garotinho, Crivella e Pezão com chances reais de vitória, mas, de certa forma, dando sinais de que Pezão será o eleito. Lindberg aparecia estagnado no quarto lugar. De lá pra cá, dois fatos prometem embaralhar as cartas: a entrada de Marina na disputa para Presidente e o início do Horário eleitoral gratuito. Marina (para desespero de Aécio, que sonhava mudar de vez pro Rio) já chega à faixa de 35%-40% nos trackings (RJ) de que ouço falar e será a nova garota propaganda de Lindberg. Vai tirá-lo do isolamento e contribuir para bagunçar um pouco a disputa. O Horário Eleitoral também vai mexer com tudo:
Garotinho. O Horário Eleitoral pode servir para consolidar sua imagem de candidato do povo. Mas também pode servir para aumentar sua rejeição.
Crivella. O tempo e o desempenho na TV não parecem garantir Crivella no segundo turno. Mas ele poderá se tornar um apoio importante.
Pezão. Tende a avançar muito com a chegada à televisão. Primeiro, por torná-lo mais conhecido; segundo, por poder apresentar um carrilhão de obras.
Lindberg. Com a TV, vai fixar o discurso de “estado partido” (pobres contra ricos) e associar sua imagem a Lula (povão) e Marina (classe média).
Ficou obviamente mais difícil prever, com um mínimo de segurança, quais serão os dois escolhidos para o segundo turno, mas acredito que Crivella ficou mais distante dessa hipótese.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

PRIMEIRO DIA DO HORÁRIO ELEITORAL



Não surpreendeu muito, as pessoas já esperavam mais ou menos tudo que foi apresentado. A maior surpresa talvez tenha sido o Everaldo.
Vejamos:
PSB. Fez a homenagem óbvia.
Aécio. Fez o previsto de abrir o programa com a morte de Eduardo Campos. Bobo. Mas gostei do percurso pelo mundo da Classe C através da TV. O discurso de Aécio é que não foi grandes coisas, não teve um bom papel...
Dilma. Absolutamente dentro do esperado, um trabalho muito bem feito, consistente. Bem interessante a argumentação em cima de “o segundo turno vai ser ainda melhor”. O encerramento com Lula foi o ponto alto. Deixar a homenagem a Eduardo Campos para o final foi perfeito. E o uso do slogan do PSB, “Não vamos desistir do Brasil”, foi melhor ainda.
Everaldo. Como disse, seu programa foi uma surpresa, porque é um candidato evangélico tradicional e normalmente se espera a reprodução de um daqueles programas que ocupam boa parte do dia a dia das TVs. Além do básico religioso, apontou na direção da “ordem” e do “estado mínimo”. A entrada de Silas Malafaia segura o desvio de votos evangélicos para Marina.
Outros. Parece que se candidataram apenas para bater no governo.
Vamos aguardar os próximos programas, agora com Marina mostrando a que veio.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Quem perde mais – Aécio ou o Não-Voto?


Na última pesquisa Ibope, agora em agosto, Dilma tinha 38% e a soma dos outros candidatos também era 38%. O Não-Voto (eleitores que não têm intenção de votar em qualquer que seja o candidato) tinha, portanto, 24% (no primeiro turno de 2010, o Não-Voto foi 8,64%). No histórico, desde junho, Dilma estava absolutamente estável, enquanto os outros candidatos perdiam 4 pontos para o Não-Voto. Aécio crescia, mas sem conseguir tirar nem de Dilma nem do Não-Voto. Com a saída repentina - e lamentável para política brasileira - de Eduardo Campos, a interrogação é a melhor resposta. Mas não custa imaginar.
Marina certamente será a candidata do PSB. Até aqui, os seus antigos votos, aqueles quase 17,66% dos votos (considerando o total do comparecimento) que ela teve em 2010, estavam indo mais para o Não-Voto do que para Eduardo Campos. Alguns talvez tenham migrado para Everaldo. Outros para Aécio. Com a sua candidatura, ela poderá conquistar alguma coisinha do que seria para Eduardo, outra coisinha do que seria de Everaldo, mais um pouquinho de Aécio e boa parte do Não-Voto. Ainda assim, o segundo turno não estará garantido.
Dilma com certeza crescerá ainda mais no Nordeste e também crescerá naquele Não-Voto que simplesmente estava dando tempo ao tempo para votar sem risco de errar. É bom lembrar que, hoje, Dilma de certa forma está em situação melhor do que no primeiro turno de 2010. As pesquisas indicam que ela tem 50% dos votos válidos, contra 46,91% que teve há quatro anos. Se considerarmos o total do eleitorado que compareceu, no primeiro turno de 2010 ela teve 42,85% e hoje já tem 38% - ou seja, uma diferença bem pequena, facilmente superável com a televisão.
A situação de Aécio é mais complicada. Com a provável subida de Marina, ele poderá perder, como lembra meu amigo Fábio, o chamado voto útil, daquele eleitor que poderia deixar de lado tanto o Eduardo Campos quanto o Não-Voto para tentar eleger Aécio. O item “comoção”, pode até inverter isso, conduzindo o voto útil para Marina. Mas acredito que no final o eleitor vai preferir o certo ao duvidoso, preferindo Dilma a ter que arriscar na inexperiência administrativa de Marina.
No frigir dos ovos, tanto Aécio quanto o Não-Voto é que serão os grandes perdedores.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

As pesquisas, cada vez mais, indicam uma grande disputa para 2018



Interessante, essa pesquisa Datafolha, de maio. Mostra, em primeiro lugar, grande estabilidade nos índices comparados com os de abril – exceto entre os índices de “não-voto” e de Aécio. “Não-voto” (“indecisos” + “nulos” + “brancos”) caiu de 29% para 24%, praticamente coincidindo com a subida de Aécio, de 16% para 20%. Dilma (38%>37%), Eduardo Campos (10%>11%) e a soma dos “outros” (7%>7%) mantiveram-se basicamente no mesmo patamar. Talvez signifique que Aécio soube capitalizar melhor os eleitores que já estavam insatisfeitos com Dilma, dando um bom salto na disputa com Eduardo Campos. Há quatro anos, na pesquisa de maio, Dilma e Serra estavam empatados com 37% e Marina tinha 12%. Dilma portanto perdia para os dois principais adversários de 49% a 37%, enquanto hoje está em empate com a soma dos dois. É verdade que Dilma estava em ascensão e Serra já estava ladeira abaixo. Mas o que quero destacar é o poder da máquina governamental nas decisões eleitorais – mostrou-se fortíssima em 2010 e certamente será decisiva este ano. Não ocorrendo a surpresa de algum tsunami, o mais provável é que Dilma vença no primeiro turno. Resta, portanto, a disputa pelo segundo lugar, de olho em 2018.
Ninguém é bobo nesse jogo político. Todos conhecem bem suas chances reais. Sonhos existem, claro. Mas em política sonho e pé no chão devem caminhar sempre juntos, um puxando o outro. E os três principais personagens secundários dessa história estão com um sonho aqui e um pé em 2018. Ou vice-versa. Aécio vive a situação mais complicada. Se em 7 de outubro ele não ficar em segundo lugar, deverá dar adeus pra sempre a qualquer sonho de presidência. Ele e o PSDB. Mesmo em segundo lugar, a situação se complica pra ele. Eduardo Campos e Marina dificilmente poderiam apoiá-lo, porque, caso ele vencesse, chegaria a 2018 como candidato a reeleição (mais forte, portanto).  Caso acontecesse o contrário (Eduardo Campos em segundo), Aécio apoiaria, mas fazendo corpo mole. No campo específico de Eduardo Campos e Marina, existe mais um porém: os dois são candidatos a presidente em 2018. No momento, um está servindo de “cavalo” pro outro, mas sabem que esse transe tem data marcada para terminar.
No lado do PT, também não está nada fácil apresentar um candidato forte em 2018 . As principais lideranças, históricas, foram excomungadas pelo STF e as novas lideranças ainda não se firmaram.
Haddad, nome mais forte por ganhar a prefeitura paulistana, andou derrapando no início do mandato e está procurando recuperar o tempo perdido. Padilha, que precisa vencer o governo de São Paulo, levou um safanão na história do doleiro da Petrobras e ainda tenta provar que entrou de Pilatos nesse cruz-credo. A favor do PT está a possibilidade de um excelente segundo mandato de Dilma e a certeza de que Lula continuará sendo o grande eleitor desse país. Só assim a estrela poderá subir nesse estranho pódio onde parece começar por baixo.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Lindberg pisou na estrela




A jogada do candidato a candidato a Governador do Rio pelo PT parecia uma verdadeira pintura. Escalava o Baixinho para Vice, deslocava a equipe petista para fora do campo peemedebista, aproveitava que a torcida organizada anda criticando o desempenho de Cabral, desviava do Pezão – e aí era só correr pro abraço. Para completar a pintura parecia que só faltava convocar os astros do momento, Campos e Marina. Mas esse foi aquele drible a mais, porque não combinou o lance com a principal estrela da equipe. Aí, a bola murchou, a torcida vaiou, o resto da equipe começou a reclamar do estrelismo – e agora o atleta do voto corre o risco de ficar de fora na próxima partida.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

AS PESQUISAS, SOB A "VISÃO" DE CÉSAR MAIA


No seu Ex-Blog de hoje, César Maia resolve fazer uma análise dos resultados do Datafolha para as eleições presidenciais de 2014. Diz ele: “Este Ex-Blog escolheu entre as alternativas presidenciais oferecidas ao eleitor pelo Datafolha (07-09/08) aquela que num mesmo grupo reúne José Serra e Aécio Neves. Com isso, somados a Marina e Eduardo Campos, formam um grupo que hoje não votaria em Dilma. São 32% em Dilma e 53% nos demais.”
Pretende com isso demonstrar que Dilma perde para a soma dos outros candidatos e que, portanto, não seria reeleita. Na verdade, César Maia erra duas vezes. Primeiro, porque, se a eleição fosse em turno único, hoje Dilma venceria com 32%, contra 23% de Marina, 14% de Serra, 10% de Aécio e 6% de Campos. Como é em dois turnos, o Datafolha obviamente faz a simulação de segundo turno e demonstra claramente a distorção das lentes de César Maia: Dilma 46% X 41% Marina, Dilma 52% X 31% Serra, Dilma 53% X 29% Aécio, Dilma 55% X 23% Eduardo Campos.
César finaliza seu texto com mais uma de suas visões desfocadas: “Dilma manteve-se em 16% na resposta espontânea (...), repetindo a última pesquisa. Isso é um sinal que o crescimento na induzida é mero efeito de superexposição depois do abalo que sofreu pós-manifestações nas ruas”. Pergunto: por que a superexposição não contribuiria na espontânea? Além disso, ele “esqueceu” de dizer que na espontânea Aécio caiu de 4% pra 3%, Marina foi de 2% pra 3%, Serra permaneceu em 2% e Campos foi de 1% pra 0%. Esqueceu o mais importante: Na espontânea, Lula pulou de 6% pra 11%.
César Maia precisa passar por boa re-visão de seus (pré)conceitos...

segunda-feira, 27 de maio de 2013

César Maia e o boato do Bolsa Família



Muito bom o texto de César Maia no seu Ex-Blog de hoje sobre o Boato do Bolsa Família. Como bom tardeano, ele fala com propriedade do fluxo que nessa semana passada apavorou a população beneficiária desse importante programa social. Só não concordo muito quando ele diz que esse "é um caso que mostra que aqueles que imaginavam que a mobilização via redes (indignados...) era uma exclusividade da classe média veem agora que não". Acho que ele esqueceu da campanha da Marina em 2010, que deu um show de Orkut com grande sucesso na classe C, basicamente entre os evangélicos. Diz Caio Túlio Costa em seu artigo O Papel da Internet na Conquista dos Votos de Marina Silva: "a atuação de Marina Silva na internet representou o maior diferencial na campanha presidencial". Mais adiante: "Examinando melhor essa audiência, percebia-se que o Orkut tinha uma grande quantidade de integrantes da chamada classe C – emergente – muito maior que qualquer outra rede social. Marina Silva sempre apostou muito na comunidade evangélica, da qual faz parte. Definiu-se então que o Orkut seria usado para levar a mensagem da candidata aos evangélicos. A principal comunidade de Marina Silva no Orkut registrou 58.859 integrantes até setembro. Se multiplicarmos por 231, que é a quantidade média de amigos que os brasileiros têm no Orkut, isso dá 13,6 milhões de pessoas".
Veja o texto de César Maia.

BRASIL: O PRIMEIRO CASO DE FORTE MULTIPLICADOR E MOBILIZAÇÃO PELAS REDES SOCIAIS!

1. O pânico e a mobilização relativos ao caso Bolsa Família/CEF, além de serem investigados pela Polícia Federal, para identificar eventual promotor, devem estimular pesquisadores de opinião pública a estudar o processo que levou a mensagens –provavelmente deflagradas para smartphones- terem produzido essa enorme mobilização.
2. Se foi assim, esse é o primeiro caso no Brasil de um multiplicador via redes sociais ter produzido tamanho efeito. Um caso novo (talvez no mundo), pois o público atingido de baixa renda não é o característico das redes sociais. Em outros casos, como na África do Norte, na Europa e EUA, a dinâmica desses processos se deu em torno da classe média.
3. O fato de a CEF ter liberado pagamento de bolsa família de dois meses, com um mês adiantado, certamente deu credibilidade à onda que veio logo em seguida, pois mudou a regra do jogo. Dessa forma, se teve dois tipos de multiplicador: um vertical e outro horizontal. O vertical seria a distribuição de mensagens a partir de pontos via –imagina-se- telemarketing. Provavelmente esta distribuição só ocorreu porque teve como lastro o adiantamento pela CEF no dia anterior, dando credibilidade ao início da onda.
4. O multiplicador horizontal é o que deve despertar o maior foco dos pesquisadores. Uma vez deflagrado o processo verticalmente –e dado que o uso de smartphones, incluindo, claro, os celulares mais simples, que são de uso generalizado no Brasil- os pontos alcançados se encarregaram de multiplicar solidariamente para seus pares cadastrados no bolsa-família. Como o bolsa-família tem concentração espacial entre comunidades de baixa renda, da mesma forma, o boca a boca, aumentou o multiplicador.
5. O notável é o fato da onda, via redes, ter chegado em 24 horas a 13 Estados e centenas e centenas de municípios, sem quaisquer proximidades com as fontes de deflagração, e atingido à população de baixa renda. Esse é um caso que mostra que aqueles que imaginavam que a mobilização via redes (indignados...) era uma exclusividade da classe média veem agora que não.
6. Claro que os assuntos deflagradores podem não ser os mesmos, mas o meio sim. Em nível político essa é uma informação importante. Os setores de baixa renda são também alcançáveis pelas redes sociais, só que por assuntos específicos e meios de amplo uso.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

2Q14: como se posicionará Eduardo Campos?




No Globo de hoje, o professor e pesquisador do IESP-UERJ (Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ), Marcus Figueiredo, escreve um excelente artigo sobre a sucessão presidencial em 2014 (ver abaixo na íntegra). Coloca o PT e o PSDB na condição de mais uma vez serem “cavalos” ganhadores e destaca Eduardo Campos, PSB, e Marina Silva como “fortes coadjuvantes, capazes de forçar um segundo turno”. É por aí mesmo, mas quero fazer algumas considerações.
Primeiro, que o PSDB já não é há muito tempo essa “barbada” toda. Com as derrotas de Serra (principalmente em São Paulo), o governo medíocre de Alckmin, a implosão do PFL/DEM (que lhe tirou o nordeste) e a crise mundial do neoliberalismo, os tucanos lutam para serem um “azarão” viável.
Segundo, que o partido de Marina ainda vai ter que “marinar” muito para pegar gosto.
Terceiro, que ainda existe uma crise de posicionamento do PSB de Eduardo Campos. Filho (ou neto...) da esquerda, não conseguiu manter uma identidade muito clara nesse campo. Inicialmente, faltou-lhe a base operária, a igreja e as organizações que fizeram o PT. Depois, quando poderia tornar-se o herdeiro dos votos pefelistas no nordeste (27% do eleitorado nacional), foi ultrapassado pelo furacão Lula. Como ainda é um partido pequeno no sudeste (43% do eleitorado nacional), o PSB viu no enfraquecimento do PSDB a sua oportunidade de conquistar o eleitorado da classe média conservadora, que se sente um pouco órfão, mas continua poderoso. A dúvida do momento é se Eduardo Campos deve ou não manter a indefinição por mais algum tempo e aliar-se ou a tucanos ou petistas. Na minha opinião, ele deverá apostar no esfacelamento do PSDB e assumir de vez o seu perfil de centro/centro-direita, principalmente no sudeste e no sul (15% do eleitorado nacional). Portanto, muito provavelmente terá candidatura própria. Seu maior risco passa a ser exatamente onde é mais forte, o nordeste. Um confronto direto com Lula poderá significar grande derrota nessa região (afinal, como acentua Marcus Figueiredo, “foi a maciça ascensão social que ganhou, estúpido!”) e aí ele poderá se acabar antes de ver o sertão virar mar. Eduardo Campos já concluiu que a virtude corre pelo meio. Só falta bater o martelo pelo melhor meio.

Foi dada a partida para 2014
Marcus Figueiredo
A semana que passou foi pródiga. Como se tivessem combinado, Dilma Rousseff, Aécio Neves, Eduardo Campos e Marina Silva apresentaram-se para disputar a próxima eleição presidencial. Com isso, dois fortes ex-candidatos tornaram-se fortíssimos “eleitores”: Lula e Serra.
O cenário que se deslumbra põe PT e PSDB, novamente, na condição, como se diz, de “cavalos” ganhadores nessa nova corrida. Eduardo Campos, PSB, e Marina Silva, a criar o seu partido, seriam fortes coadjuvantes, capazes de forçar um segundo turno. Este cenário será, mais uma vez, uma disputa ferrenha entre direita e esquerda. Isto ficou claro na festa petista de dez anos de poder e no discurso tucano no senado. O passo seguinte será o da construção de alianças. O PT já está coligado com o PMDB, o maior partido, porém sem garantias de apoio total, vale dizer, inclusive, nas bases municipais. Sendo uma federação de lideranças regionais com fortes interesses locais a possibilidade de “cristianização” parcial da Dilma pode ganhar corpo.
O resultado da eleição de 2012 nos grandes colégios eleitorais é um excelente indicador do que teremos pela frente. De um lado, as forças pró-PT, caso do PDT em Porto Alegre e Curitiba; Fernando Haddad em São Paulo; Eduardo Paes e Sérgio Cabral no Rio; e outras capitais menores. De outro, as pró-tucanas: Márcio Lacerda (PSB) em Belo Horizonte (não garantida), ACM Neto (DEM) em Salvador e Arthur Virgílio (PSDB) em Manaus. O desequilíbrio deste confronto vem com o PSB no nordeste, com suas vitórias em Recife e Fortaleza, daí a ascensão de Eduardo Campos.
Não há mais dúvida que Eduardo Campos tornou-se o pivô da eleição presidencial de 2014. Para onde ele for teremos resultados diferentes, no primeiro e/ou no segundo turno. Como na política tudo é possível, podemos arriscar falando do futuro longínquo.
Se Campos apoiar Dilma, saindo para o Senado, a eleição virará plebiscitária com fortíssima probabilidade de vitória do PT, mesmo com a economia ainda acanhada, pois o que fez Dilma ganhar foi a extraordinária mudança promovida pelo PT, “foi a maciça ascensão social que ganhou, estúpido!” Se Eduardo Campos apoiar Aécio, como seu vice, teremos um segundo turno que será definido no “photochart”, qualquer que seja a situação econômica. Como diria Nenê Prancha, filósofo do futebol de praia, “esse menino em qualquer posição desequilibra o jogo”.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Meu Deus, eleição não pode virar Guerra Santa!


Ok, mesmo os lunáticos têm direito a voz e voto aqui na Terrinha. Mas, vamos e venhamos, esse nível a que chegou a disputa eleitoral nos lança rumo ao obscurantismo medieval. Aborto ou não aborto? Homossexuais ou não-homossexuais? Católicos ou evangélicos? Evangélicos tradicionais ou pentecostais? Pentecostais ou neopentecostais? Estamos elegendo o Papa? O Pastor? O Rabino? O Aiatolá? O Dalai Lama?  O Absurdo impera. E o pior é que parece não ter jeito. Essa loucura promovida por Marina e os tucanos fincou o pé e não quer sair de cena. Milhões de brasileiros vão votar movidos por esse ódio, contra ou a favor. Só uma pessoa pode reduzir o impacto negativo dessa Santa Baixaria: Lula. Seu retorno à campanha está sendo muito bem-vindo. Não apenas para ajudar Dilma a vencer, mas também para salvar a alma do brasileiro.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

É na abstenção involuntária que mora o perigo


Quando um instituto faz uma pesquisa de opinião eleitoral ele mede o voto nominal, o voto em branco, o voto nulo, o voto em nenhum candidato e o voto indefinido. Embora não faça parte do questionário, a maior parte da abstenção voluntária encontra-se embutida nessa classificação, representada principalmente pelo voto nulo e o voto em branco. Ou seja, muitos eleitores dizem que vão anular, ou votar em branco ou votar em ninguém e já estão decididos a não comparecer no dia da eleição. O que os institutos não conseguem captar é a abstenção involuntária – aquele eleitor que pretendia votar e não conseguiu por falta de documentos, por falta de transporte, por causa do mau tempo, etc.
De um modo geral, podemos dizer que os votos nominais (mais os votos na legenda) compõem o voto válido, enquanto que os outros (mais as abstenções) compõem o não-voto.
Nesse primeiro turno, acredito que a abstenção involuntária tenha crescido muito por causa da exigência de documento com fotografia. Tem lugar que, garanto, muita gente nem sabe o que é isso (exatamente nas áreas mais carentes). E isso causou uma diferença muito grande entre o não-voto das pesquisas e o não-voto da eleição. Reduzir essa abstenção involuntária tem que ser uma das principais preocupações da Campanha Dilma. Com relação ao voto fundamentalista que foi para Marina, deve-se conquistar o máximo possível e torcer para que o resto seja nulo. Conquista de apoios importantes e um bom Programa Eleitoral (que melhorou muito ontem) completam a receita da vitória.
Veja a comparação entre o não-voto do primeiro turno e o não-voto da pesquisa Datafolha do último fim de semana. Clique nos gráficos para ampliar.



domingo, 10 de outubro de 2010

Serra não conquistou um único voto de Marina


Excelente esse resultado Datafolha. Ajuda a perceber os fluxos dos votos dos não eleitos. Simplificando, claro, sem uma análise mais profunda, podemos dizer que da eleição pra cá Dilma basicamente manteve seus votos vitoriosos e herdou 1% da esquerda. Enquanto Serra "herdou" os votos (8%) que já eram seus e que estavam passando uma temporada entre os verdes. Os votos de Marina, a rigor, estão estacionados, à espera de sua definição ou de que acenda uma luz de esperança em uma ou outra das campanhas do segundo turno. Seu eleitor jovem, de classe média, ideologizado por questões ambientais, tenderá a votar em Dilma ou a anular o voto. Mas é minoria. A maioria do seu voto é de perfil popular pentecostal/neopentecostal ou classe média católica medieval. Em ambos os casos, a “luz” do segundo turno será percebida através dos respectivos pastores. Serão eles que indicarão que “essa mulher é uma das nossas, foi terrivelmente caluniada pelos tucanos, mas agora merece nosso voto para nos ajudar a seguir rumo à terra prometida”. Ou: “Esse homem nos ajudou a ver o caminho a tomar e merece nosso voto”. Ou, quem sabe, dirão: “São ambos filhos do demônio e devem seguir sozinhos rumo ao inferno”. São esses os “votos de Marina”, que ainda não tomaram rumo, mas mais provavelmente seguirão em massa para Dilma.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Vai subir


(Clique na imagem para ampliar)

As pesquisas mostraram o mês de setembro inteiro sem turbulência. Praticamente nada mudou e isso pode ser constatado pelo tracking diário Vox/Ig/Band. Dilma veio de 51% para 49%; Serra, de 25% para 26%; Marina, de 8% para 12%; brancos ou nulos, permaneceram em 4%; e indecisos, de 11% para 8%. Nessa onda, não dá pra pegar jacaré – apenas mantém a vitória de Dilma no primeiro turno.
Mas desde ontem, principalmente após o debate, Dilma deve subir nos índices, Marina talvez e Serra deve cair. O tracking de hoje não deve pegar essa alteração, mas o de amanhã dará algum sinal. Todas as pesquisas de sábado devem comprovar isso.

Serra cristalizou

O debate de ontem foi um retrato falado das pesquisas. Tivemos um tucano cristalizado na sua perplexidade. Sem fala, sem argumento, sem capacidade de reação. Marina congelou na sua própria marola verde, não conseguiu ganhar altura. Poderia dizer que Plínio parou no tempo, mas não seria justo com uma pessoa com todo aquele vigor, apesar dos oitenta anos. Dilma também ficou imóvel, mas foi estratégico. Fazer marola só serviria aos adversários. Apesar da paralisia geral do debate, quem mais perdeu foi Serra, derrotado por antecipação, sem direito a segundo turno. Um tucano sem condições de voar.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O voto útil entra em campo

Cada dia que passa, fica mais difícil haver segundo turno. Dilma continua na faixa dos 55% ou 56% na simulação de votos válidos, com Serra e Marina empacados na faixa dos 28% e 14%. Ou seja, não aconteceu ainda nada capaz de alterar profundamente o quadro. Acrescente-se a isso o fenômeno típico da véspera da eleição, que é a opção pelo voto útil. Ninguém quer “perder” o voto, e parte do eleitorado, indefinido, vota em quem tem mais chances de vencer. Dilma só tem a ganhar com isso. Mas é preciso estimular o voto útil: clima de vitória nas ruas e nos programas eleitorais que restam, bandeiras, muita agitação positiva, Lula e Dilma com grande emoção (atenção, emoção pra cima!). Depois é só correr pro abraço: a comemoração de domingo será em vários turnos.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Corvo versus Tucorvo: a disputa ensandecida pelo distante segundo lugar



Esse Blog há décadas fala que Marina e Serra trocam votos entre si, não com Dilma. Mas as campanhas oposicionistas, principalmente a de Serra, sonhavam com a possibilidade de Marina, por ser ex-petista, tirar votos de Dilma, e com isso levar a eleição para segundo turno. Marina também parecia (ou parece, ainda) pensar assim. Verde ilusão. O perfil eleitoral tanto de Marina quanto de Serra é principalmente de classe média conservadora do Sul e do Sudeste, enquanto o de Dilma é popular, povão, sintonizado escancaradamente com Lula. Foi por esse motivo que as denúncias de Serra tornaram-se vazias, elas não ecoavam junto ao eleitorado dilmista. Marina, espertamente, preferiu pegar carona nas denúncias tucanas com uma linguagem de “santa”, colocando-se acima do bem e do mal. Teve sucesso junto ao eleitor serrista menos truculento e junto aos indecisos/nulos/brancos. Resultado: Marina oscilou pra cima, Serra oscilou pra lá e pra cá, o não-voto caiu ligeiramente e Dilma queimou um pouco da gordura. A menos de uma semana da eleição, há pouco o que alterar nas táticas que possam determinar segundo turno. Marina deve manter o seu trololó, que pode – quem sabe – levá-la a ultrapassar José Serra. Dilma deve manter sua íntima relação com o Governo Lula e provavelmente deve aumentar o clima vitorioso. A Serra só resta o desespero.
Mesmo sem o segundo turno, conquistar o segundo lugar é muito importante, tanto para Marina quanto para Serra. Como segundo colocada, Marina poderá apresentar-se a partir de 2011 como alternativa a Aécio (centro-direita) no campo da oposição, ocupando um bom espaço centrista. Para Serra, o segundo lugar poderá significar o último colete salva-vidas de sua sobrevivência política. Para os próximos dias, espera-se um salve-se quem puder.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O dia-a-dia da Oposição é de desespero em busca de um segundo turno

É engraçado observar os movimentos diários dos oposicionistas à cata de um pontinho nas pesquisas que possa sinalizar segundo turno na eleição presidencial. Estão certos, esse é o papel deles. Mas devem tentar evitar um papel ridículo, quando colocam o desejo bem à frente da realidade.
O Cesar Maia de hoje, por exemplo, dá dó com o contorcionismo numérico que faz. Ele começa o Ex-Blog dizendo “O Datafolha mostrou o que este Ex-Blog vem dizendo desde início de setembro: haverá um afunilamento, e a probabilidade de segundo turno aumentará a cada dia”. Baseado em quê? Desde o ano passado ele passa dia e noite dizendo que haverá segundo turno, e essa possibilidade, de lá para cá, reduziu muito. O que ele tem de concreto é apenas o desejo, claro.
Em seguida ele diz: “A cabeça do eleitor aponta para quatro caminhos. a) voltar a escolher o Serra, como uns 4 meses atrás; b) optar pela Marina, como era mais provável, numa espécie de voto higiênico; c) anular o voto, o que tem um efeito de 50% para a ida ao segundo turno em relação a escolher outro candidato; d) e escolher entre os candidatos com pequena intenção de voto, como protesto, 'tiriricando' o voto, o que dá no mesmo que escolher Serra, para a ida ao segundo turno”. Ok, ele quer dizer que todo mundo ganha, menos a Dilma. Mas faltou dizer de onde saem esses eleitores. Aparentemente, estão saindo principalmente do não-voto (branco, nulo, não sabe, não responde), que caiu 3% entre as duas últimas pesquisas Datafolha. Essa deve ser a principal fonte de Marina.
O que a cabeça do eleitor revela claramente é que não se deixa levar por essas baixarias feitas na calada da noite, e segue firme rumo à vitória no primeiro turno. Nada é impossível em política, mas a cada dia está mais difícil Serra chegar ao segundo turno. No Paraná é ainda pior: cada Dias que passa, fica mais difícil para a Oposição ver o sol raiar...