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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Quase abortaram a esperança

Vamos deixar bem claro: Marina teve os votos que teve pela combinação do “fundamentalismo” evangélico com parte da classe média conservadora, anti-Lula, mas que andava decepcionada com Serra. Em certa banda evangélica, as ações submarinas foram profundas e eficazes – “Dilma mata criancinhas”, “Dilma é gay, defende casamento homossexual”, e outras barbaridades de que ouvi falar. Essa foi a baixaria que deu certo, porque contaminou boa parte do povão. O tucanato imediatamente largou de mão as bobagens “marqueteiras” baseadas na “Receita” e na “Erenice” para investir nessa vertente. Isso também serviu de suporte para a classe média envergonhada, que viu uma oportunidade para pôr a cara de fora e ter algum ganho com isso. Nesse sentido, o discurso "desincha vida" de Marina teve grande valor como alternativa ao clima de baixarias imposto pelos tucanos. Questões de ordem ambiental ou social passaram ao largo. Os verdes conseguiram dar sobrevida ao tucanato paulista e obviamente vão cobrar caro pelo apoio do segundo turno – embora eu ache que, independente do apoio formal verde, Dilma vencerá fácil no segundo turno. Por mais que a cúpula do PV pense o contrário, o verde-esperança é mais forte do que o verde-tucano.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Receita de baixaria faz mal à saúde dos tucanos


Os tucanos, pelo jeito, não sabem ler as bulas de marketing eleitoral. Está lá escrito em letras garrafais: não existe cura para uma campanha eleitoral “natimorta”. O uso de baixarias com associação ao marketing é contraindicado. No desespero, o impaciente confunde “baixaria” com “bruxaria”, mas as reações são diferentes. Principalmente se a baixaria está com seu prazo de validade vencido (no caso, esgotou-se no ano passado). Quando a dosagem é exagerada, como aconteceu no tratamento da candidatura tucana, os efeitos colaterais são arrasadores e aumentam os riscos de contaminação. Não tem chá levanta-defunto que dê jeito...

sábado, 4 de setembro de 2010

Ibope e Datafolha informam: o povo não é bobo

Saíram novas pesquisas Ibope e Datafolha confirmando as tendências de alta nas intenções de voto em Dilma e de queda em Serra. Dilma tem vantagem de 24 pontos em uma e de 22 pontos em outra. Em ambas, vitória no primeiro turno, e com o crescimento de Mercadante pegando carona. Isso tudo apesar do estardalhaço midiático feito em torno dos vazamentos da Receita. Politizaram o tema com objetivo de conquistar votos, mas não convenceram. O povo não é bobo. Mas o que me intriga é que não houve nenhum estardalhaço em torno do agente a serviço do governo tucano de Yeda Crusius (PSDB, RS), que foi preso acessando dados sigilosos de poíticos petistas. É ou não é intrigante? Ou sou eu que sou bobo?

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Serra partiu pro desespero, mas Gonzales aliviou


Serra e seus tucanos tinham tudo para afundar de vez a campanha oposicionista com essa história da Receita Federal. Poderiam ter transformado o Horário Eleitoral numa espécie de valsa fúnebre de Hermengarda, e teriam acabado definitivamente com o programa, principalmente comparado com o programa de Dilma veiculado ontem. Sorte deles que o Luiz Gonzales preferiu amenizar um pouco, e agora dá para disfarçar e sair pela tangente. Aliás, com aquela “indignação” que Serra declara não dá mesmo para acreditar em muita coisa. Pode ser que o programa contribua um pouco para segurar alguns votos em São Paulo. Mas a verdade verdadeira é que a apelação da Receita já deu o que tinha que dar, é melhor vazar dessa e partir pra outra.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Mais uma vez, o tapetão entra em campo: golpe a prazo ou à vista?


Quem gosta de tapetão é o perna-de-pau, incapaz de praticar um jogo bonito e eficiente. Desesperado com a derrota, o perna-de-pau busca no tapetão a mãozinha de Deus que lhe faltou dentro de campo.
No campo eleitoral, é exatamente assim que acontece. O candidato sem propostas, sem realizações contundentes, sem charme pessoal e sem apoio expressivo, reconhecendo que, portanto, não tem chances de conquistar votos, procura auxílio extracampo. Às vezes tem razão, às vezes não tem, mas isso não importa. O que importa para o perna-de-pau é criar uma quizumba fenomenal capaz de melar um jogo que estava perdido. E é isso que está tentando a Oposição, com essa Receita tirada da cartola. Tucanos (et caterva) querem porque querem transformar vazamentos da Receita Federal em seus cabos eleitorais. Claro que esses vazamentos têm que ser investigados e banidos. Mas não podem ser usados para alterar o resultado de um jogo do qual nem ao menos fazem parte. Esse desespero oposicionista, apesar de aparentemente inócuo, pode levar a consequências nefastas.
Não acredito que tenham sucesso nessa jogada, nem em campo nem extracampo. Mas a ameaça maior seria caminhar na direção de um golpe jurídico. Como diz um amigo, as leis não são verdades absolutas, são verdades interpretadas. E faz tempo que a Oposição dá sinais de querer avançar pela extrema-direita. Posicionamentos estranhos de membros da Alta Corte... aparelhamento da mídia... factoides... tudo isso leva a crer que o supertapetão pode ser utilizado para tentativa de inviabilizar o jogo democrático. Está na hora de Lula trazer para campo a vibração da camisa 12 (e camisa 13, 15, 40, 50, todas as torcidas unidas) para contrapor a pressão que os camisas pretas estão fazendo sobre o juiz. O povo já pôs a mão nessa taça eleitoral, e o que é do povo ninguém tasca. Tapetão nunca mais!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Receita do fracasso, na estratégia tucana


Sempre digo que, em campanha eleitoral, “quem está na frente não olha pra trás”. Quero dizer com isso que bater nos adversários não interessa a quem está liderando a disputa. É exatamente essa a fórmula administrada em toda a campanha de Dilma. A ela não interessa trazer para primeiro plano quem está perdendo, só interessa divulgar que é a candidata de Lula, divulgar as conquistas desse governo e garantir que vai dar continuidade a essa proposta vencedora. Até aqui mostrou-se um santo remédio para fortalecer os índices das pesquisas.
Para quem está correndo atrás, existem várias fórmulas para avançar na corrida eleitoral, mas nenhuma necessariamente milagreira. Se você está em terceiro e pretende ter saúde para chegar a um segundo turno, por exemplo, tem que considerar que, em princípio, seu principal adversário é o que está em segundo. Pode então ignorá-lo e procurar mostrar-se como maior adversário do líder ou pode partir para uma disputa direta com (e pelo) segundo lugar. Marina até agora não sabe o que fazer da vida. Talvez não tenha mesmo nada a fazer.
Para um segundo lugar como o do Serra, que enfrenta Dilma e a sombra do Lula, a sutileza deve ser maior. Ele tem que bater, sem parecer que está fazendo isso. Aparentemente era sua tática inicial, que foi atropelada pelos números da pesquisa. Ele esperava que desse certo em doses homeopáticas, mas os índices negativos fizeram um estrago muito grande e a capacidade de reação complicou-se. Partiu em busca de outros remédios, buscou ajuda charlatã e acabou errando inteiramente na dosagem. No afã de cura milagrosa para sua campanha, deixou transparecer claramente sinais de desespero. O tom raivoso começou a aflorar – e esse é o pior dos sintomas de uma campanha moribunda. Essa história de acusa pra lá e pra cá, sem provas contundentes, não serve pra nada, é apenas um placebo para iludir (e motivar) seus próprios eleitores. O que a campanha Serra fez de bom até agora foi mostrar suas realizações como Governador e algumas desconstruções da campanha Dilma. Isso pode lhe garantir um sopro de vida em São Paulo e outros nichos bem menores do Sul-maravilha, mas dificilmente poderá tirá-lo do estado terminal em que se encontra.
Quem diria que um ex-Ministro da Saúde, querendo vitaminar sua campanha, acabaria se atrapalhando com o uso da Receita...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Receita da baixaria


Nessa confusão de dossiês, aloprados, denúncias infundadas e pesquisas mais ou menos, é preciso cabeça fria, não perder jamais a objetividade. A pergunta a ser feita é: a quem interessa o caos, o disse-me-disse, o escândalo nas primeiras páginas? A Dilma certamente não interessa. Lidera as pesquisas, tem o apoio de Lula, o governo da qual parte com destaque tem demonstrado grande competência na condução do país, conta com a mais ampla aliança partidária, ainda tem todo o Horário Gratuito pela frente. A Serra, ao contrário, interessa desestabilizar esse cenário. Arranjou um amuleto de aloprado para Vice, conquistou um estranho sigilo fiscal rompido, arrebanhou com facilidade o apoio da grande mídia e partiu para o socos e pontapés. Aos tucanos, não resta alternativa. Mas acredito que agora não tem remédio. Vão ter buscar outra Receita.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Será que aparelharam o "entre aspas" da Mônica Waldvogel?

Talvez fosse o caso de dizer que deu pena ver a Mônica Waldvogel conduzir o seu mais recente programa anti-Lula, o "entreaspas" exibido na última terça-feira. No afã de produzir material de propaganda da Oposição, não se preocuparam em apurar a fundo as informações sobre o novo "escândalo". Aliás, isso é comum, mas dessa vez o feitiço virou contra o feiticeiro. Tudo pronto para provar que a Receita estava "aparelhada" pelo Governo, que estaria fazendo "política" com o dinheiro do contribuinte, e que a Petrobras era uma grande vilã que não estava pagando tudo que devia ao Fisco. Um fiasco, isso sim. Os três senhores acima de qualquer suspeita, capitaneados pela figura de Everardo Maciel, chefe da Receita nos governos de Fernando Henrique, convidados para valorizar o "espetáculo", discordaram de tudo que a pauta insinuava. Mônica ficou visivelmente desarvorada, sem saber o que fazer com a ironia e as perguntas ferinas que tinha acalentado para aquele momento. Não explicaram para ela a guerra interna da Receita que corria solta independente do "caso" Lina-Dilma. A Petrobras estava errada? Não, respondeu Everardo com veemência, esclarecendo que foi ele mesmo responsável pelas normas que permitiam a Petrobras (e qualquer empresa) agir como agiu. O Governo "politizou" a Receita? Não, responderam uníssonos os três convidados, acrescentando: "Quem politizou foi a Lina". Agora, as perguntas que não querem calar: quem foi o responsável por tamanho desastre telejornalístico? quem confiscou a produção? quem quer sabotar Mônica Waldvogel? será que o novo diretor de jornalismo é do PT? Você já deve ter visto a entrevista. Se quiser revê-la, essa é uma chance.