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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Mais uma vez, o tapetão entra em campo: golpe a prazo ou à vista?


Quem gosta de tapetão é o perna-de-pau, incapaz de praticar um jogo bonito e eficiente. Desesperado com a derrota, o perna-de-pau busca no tapetão a mãozinha de Deus que lhe faltou dentro de campo.
No campo eleitoral, é exatamente assim que acontece. O candidato sem propostas, sem realizações contundentes, sem charme pessoal e sem apoio expressivo, reconhecendo que, portanto, não tem chances de conquistar votos, procura auxílio extracampo. Às vezes tem razão, às vezes não tem, mas isso não importa. O que importa para o perna-de-pau é criar uma quizumba fenomenal capaz de melar um jogo que estava perdido. E é isso que está tentando a Oposição, com essa Receita tirada da cartola. Tucanos (et caterva) querem porque querem transformar vazamentos da Receita Federal em seus cabos eleitorais. Claro que esses vazamentos têm que ser investigados e banidos. Mas não podem ser usados para alterar o resultado de um jogo do qual nem ao menos fazem parte. Esse desespero oposicionista, apesar de aparentemente inócuo, pode levar a consequências nefastas.
Não acredito que tenham sucesso nessa jogada, nem em campo nem extracampo. Mas a ameaça maior seria caminhar na direção de um golpe jurídico. Como diz um amigo, as leis não são verdades absolutas, são verdades interpretadas. E faz tempo que a Oposição dá sinais de querer avançar pela extrema-direita. Posicionamentos estranhos de membros da Alta Corte... aparelhamento da mídia... factoides... tudo isso leva a crer que o supertapetão pode ser utilizado para tentativa de inviabilizar o jogo democrático. Está na hora de Lula trazer para campo a vibração da camisa 12 (e camisa 13, 15, 40, 50, todas as torcidas unidas) para contrapor a pressão que os camisas pretas estão fazendo sobre o juiz. O povo já pôs a mão nessa taça eleitoral, e o que é do povo ninguém tasca. Tapetão nunca mais!

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Mensalão: o Supremo vai julgar fatos ou versões?

O Supremo pode ficar alheio à opinião pública? Não, claro que não. O Supremo não pode ser uma entidade à parte, como se não pertencesse à sociedade que o criou. Por outro lado, não pode ser seu refém. Não pode ficar im-pressionado. Muito menos quando se percebe que há muitos interesses conflitantes tentando influenciar na decisão. A grande imprensa, por exemplo, pressiona incansavelmente, a pretexto, talvez, de representar a opinião pública - o que está longe de ser verdade, embora muitas vezes consiga formar a opinião pública. Mas o fato é que nem sempre o fato corresponde à versão. Às vezes até pode corresponder, mas é difícil ou impossível comprovar. Vejamos o exemplo dessa história (que virou manchete do fim de semana) que fala do dinheiro do Ministério do Esportes que teria ido parar nas mãos de uma assessora de um deputado (não lembro qual) do PT. Pelo que foi divulgado como material da acusação pode até ser verdade. Mas pode até não ser. A rigor, nada comprova o elo. Trata-se acima de tudo de uma percepção nesse sentido. Os juízes devem considerar esse tipo de percepção? Claro que sim. Mas devem também considerar os seus riscos. Alguém pode argumentar que o julgamento do mensalão ainda não é definitivo. O Supremo está está apenas julgando se deve haver julgamento ou não - portanto, seria aconselhável aceitar essas percepções de acusação para que haja um julgamento completo e, assim, ter todos os elementos para a verdade final. Mas isso é meia verdade. O Supremo já está fazendo um julgamento, sim. O mundo das percepções vai se alimentar das decisões de agora. Quem for conduzido para julgamento já estará condenado politicamente. Por exemplo, se José Dirceu for conduzido para julgamento hoje, amanhã ele já estará ardendo na fogueira das primeiras páginas. A decisão não é simples, mas deve ter parâmetros indiscutíveis. Não podemos sobreviver às custas de pressões e percepções discutíveis. Mais importante seria julgar essas democracias "representativas" que de fato só servem para representar os interesses de poucos. Que democracia é essa que faz com que os executivos negociem com os parlamentares benefícios em dinheiro para garantir governabilidade? E qual o papel dos juízes nessas "democracias"? Infelizmente, ainda teremos muitas versões em julgamento, antes de termos democracia representativa de fato.

sábado, 25 de agosto de 2007

A capa do O Globo de hoje é um primor de campanha anti-Lula

É preciso tirar o chapéu para o pessoal do jornal O Globo, porque eles são muito competentes na sua campanha anti-Lula. São trabalhos muitas vezes silenciosos, apesar de gritantes. Essa primeira página de hoje é um exemplo. A manchete fala dos réus do mensalão, em função do julgamento no STF. Mas a foto que ilustra a reportagem é uma foto de Lula cabisbaixo - que na verdade faz parte de outro assunto. A busca da vinculação de Lula com o mensalão é sutil e ao mesmo tempo escandalosa. Tanto pode significar que Lula é um dos reús como pode significar que Lula chorou (a legenda da foto fala em "Ataques, elogios e choro") por causa de seus amigos. Na verdade, o choro real de Lula refere-se a outro assunto. Ele chorou "ao contar histórias de sua juventude pobre na periferia paulista: em cerimônia de lançamento do PAC no Paraná, criticou a imprensa, a elite e o ex-presidente FH, fez elogios a Geisel e Getúlio, e evitou o tema do mensalão", como "confessa" o jornal, sem muito destaque. É uma peça de propaganda política no melhor estilo Goebbels.
Sem ligação com Goebbels, lembro do caso do jornalista de um estado nordestino que ficou chateado por ter saído da equipe de Veja. Ele também era editor de um pequeno jornal e, uma semana depois da demissão, noticiou a visita de Vitor Civita, o dono da Editora Abril, à sua cidade com uma foto imensa de primeira página. Graças à diagramação (como essa do Globo) parecia que a foto de Vitor Civita era ilustração da manchete principal: "Preso o chefe dos contrabandistas"...

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Acidente da TAM: nossas câmeras flagraram um digno representante do povo brasileiro reagindo à notícia do fim da farsa sobre a tragédia em Congonhas

Tenho certeza que, se estivesse vivo, Henfil reagiria da mesma maneira. O que a mídia andou fazendo, explorando a dor da população, é motivo mais do que justo para muita indignação. Para escapar da ira popular, monta-se agora outra farsa, tentando provar que o gesto de Marco Aurélio Garcia foi uma comemoração indevida, desrespeitosa às vítimas. Na minha opinião, se houve comemoração nas imagens, foi pelo fim da mentira que estava sendo construída.

Acidente da TAM: a mídia deve desculpas a todo o povo brasileiro

Nos últimos dias, a mídia praticou incessantemente o anti-jornalismo. Usou e abusou do direito de mentir, camuflar, enganar o próximo, usar o sofrimento alheio para fazer campanha política baseada em falsificação de notícias. Ter posição política de oposição ao governo é absolutamente natural - e até desejável para o fortalecimento da democracia. Mas a mentira escancarada passando por cima da dor da população é inadmissível. Os editores deveriam vir a público pedir desculpas pela cobertura nefasta feita sobre a tragédia do Airbus da TAM no Aeroporto de Congonhas.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

O tico tico no fubá da mídia golpista, segundo o Blog do Mello

O Blog do Mello está apresentando uma versão do clássico "TicoTico no Fubá", de Zequinha de Abreu. Por enquanto ele apresentou apenas a letra. Promete uma versão com letra e música:
O Tico tico no fubá da mídia golpista (Zequinha de Abreu / Antonio Mello) Eu manipulo cá, eu manipulo lá Eu manipulo pro governo derrubar O Lula cai aqui, o Hugo Chávez lá E a minha grana corrigida vai voltar Aí omito aqui, aí aumento lá Distorço tudo pra melhor manipular O Lula cai aqui, o Hugo Chávez lá E essa raça vai voltar pro seu lugar Deus me defenda dos governos compañeros Estão querendo dividir o meu dinheiro Bolsa Família virou tudo de pernas pro ar O pobre já não reconhece o seu lugar Filho de pobre agora vive na escola E a Polícia Federal da minha cola não descola Sei que esse operário de gravata Acabou me transformando num burguês de passeata Eu manipulo cá, eu manipulo lá...