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sábado, 25 de agosto de 2007

A capa do O Globo de hoje é um primor de campanha anti-Lula

É preciso tirar o chapéu para o pessoal do jornal O Globo, porque eles são muito competentes na sua campanha anti-Lula. São trabalhos muitas vezes silenciosos, apesar de gritantes. Essa primeira página de hoje é um exemplo. A manchete fala dos réus do mensalão, em função do julgamento no STF. Mas a foto que ilustra a reportagem é uma foto de Lula cabisbaixo - que na verdade faz parte de outro assunto. A busca da vinculação de Lula com o mensalão é sutil e ao mesmo tempo escandalosa. Tanto pode significar que Lula é um dos reús como pode significar que Lula chorou (a legenda da foto fala em "Ataques, elogios e choro") por causa de seus amigos. Na verdade, o choro real de Lula refere-se a outro assunto. Ele chorou "ao contar histórias de sua juventude pobre na periferia paulista: em cerimônia de lançamento do PAC no Paraná, criticou a imprensa, a elite e o ex-presidente FH, fez elogios a Geisel e Getúlio, e evitou o tema do mensalão", como "confessa" o jornal, sem muito destaque. É uma peça de propaganda política no melhor estilo Goebbels.
Sem ligação com Goebbels, lembro do caso do jornalista de um estado nordestino que ficou chateado por ter saído da equipe de Veja. Ele também era editor de um pequeno jornal e, uma semana depois da demissão, noticiou a visita de Vitor Civita, o dono da Editora Abril, à sua cidade com uma foto imensa de primeira página. Graças à diagramação (como essa do Globo) parecia que a foto de Vitor Civita era ilustração da manchete principal: "Preso o chefe dos contrabandistas"...

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Guerra e Paz no Alemão

No sábado passado, fiz uma postagem (O Complexo do Alemão e a lógica da guerra) que mereceu um comentário indignado da leitora Vera, que disse: "se sabe fazer melhor, vai lá e faz, ora!" (ver texto completo na área de comentários). Já me desculpei, porque não pretendo de forma alguma ser uma espécie de "doutor sabe-tudo", principalmente sobre a melhor maneira de invadir o Complexo do Alemão. Na verdade, não pretendia na minha postagem ditar regras sobre técnicas de invasão. O que fiz foi tomar posição contra a "lógica da guerra" e a favor da "lógica da pacificação". Aproveitei depoimentos de pessoas altamente capacitadas e com experiência específica do local para defender a ocupação permanente do Alemão, feita pela Força Nacional e seguida de invasão social - sem provocações que acentuem o clima de guerra, principalmente nesse "momento PAN". Hoje, no seu Ex-Blog, Cesar Maia toca em ponto semelhante, quando critica a operação que "não pode avançar, pois não tem plano de ocupação que se sustente (...) e não pode recuar, pois significaria um fracasso e enorme desgaste em menos de seis meses de gestão na área de segurança". Não acredito que não haja plano de ocupação, mas concordo com Cesar Maia que o recuo seria extremamente negativo. Para mim, é muito importante que se ganhe a "guerra", sem os estímulos desnecessários ao clima de guerra, como o do "rambo" que fuma charutos, ou as provocações de membros da Força Nacional, convidando o bandido a descer para morrer (O Globo) ou mesmo como as declarações precipitadas de invasão da Rocinha, Maré e outras comunidades. Mas do que guerra, o Alemão - e todo o Rio de Janeiro - precisa de paz.