Essa reportagem está no Globo de hoje, na seção "Há 50 anos". Isso se passou, portanto, no Rio de Janeiro, em 1958, quando ainda era Capital Federal e o Presidente da República era Juscelino Kubitschek (aliás, nessa mesma seção, anos atrás, descobri que, no seu primeiro discurso como Deputado Federal, Juscelino era contra a mudança da Capital para Brasília...). A "polícia mineira" de ontem corresponde à "milícia" de hoje. E os problemas de desigualdade social continuam alimentando a violência. Acho que existe uma lição nisso tudo.
terça-feira, 22 de julho de 2008
Vale a pena ver de novo?
segunda-feira, 2 de julho de 2007
Guerra e Paz no Alemão
sábado, 30 de junho de 2007
O Complexo do Alemão e a lógica da guerra
terça-feira, 26 de junho de 2007
Cesar Maia e a segurança
CRIMINALIDADE NO RIO! TOTAL DE DELITOS E MORTES VIOLENTAS! 1. Este Ex-Blog tem insistido que a sensação de insegurança não está nas mortes violentas. Essas, somando os homicídios, latrocínios, agressões seguidas de morte, somam 3 mil ao ano, no Rio-Capital. Um número enorme, mas que representa 1% dos delitos cometidos no ano. Esses 99% é que constroem a percepção de violência e insegurança, claro, multiplicada pelas imagens rotineiras de mortes violentas. Ninguém aconselha a ninguém, a usar um colete a prova de bala quando vai a rua, mas, a não levar dinheiro, bolsa, celular, jóias, ou a cuidar dos mesmos.(Comentário fraco, esse que ele faz sobre "coletes". Ninguém aconselha usar coletes, mas todo mundo aconselha evitar certas ruas, certos horários, certas situações, para escapar de balas perdidas ou de assaltos mais violentos.) 2. Paradoxalmente quando se compara a criminalidade - excluídas as mortes violentas - do Rio com outras grandes cidades brasileiras, a posição se inverte, como nos casos de S. Paulo e Belo Horizonte, sendo que com esta última, mesmo as mortes violentas se equivalem ponderadas pela população (100 mil habitantes). 3. Em 2005 foram registrados 295.935 delitos no Rio-Capital. Em 2006 foram registrados 310.245. E nos primeiros meses de 2007 a tendência é de um aumento de 4 a 5% sobre 2006. 4. Usando 300 mil como parâmetro, estamos falando de 25 mil delitos por mês, ou uns 830 por dia ou 35 por hora. Como os delitos que não mortes violentas, se concentram durante o dia poderíamos, falar de 52 por hora num dia de 16 horas ou quase um por minuto. 5. Se ponderarmos o total dos delitos pela população -digamos por 10 mil habitantes- e usando a população do Rio-Capital de 6 milhões de habitantes quase fixa, temos em 2005 um total de 493 por 10 mil habitantes. Em 2006 tivemos 517, tendendo em 2007 para 540. 6. Duas recentes pesquisas de opinião em Buenos Aires-Capital mostraram que em torno de 65% dos portenhos respondem que segurança publica/violência é o maior eixo de problemas na cidade. Quando comparamos o numero de homicídios do Rio e de Buenos Aires por 100 mil habitantes, o Rio tem 40 por 100 mil e Buenos Aires tem 5 por cem mil. Uma enorme diferença. 7. Mas quando comparamos a soma total de delitos registrados, Buenos Aires em 2005 anotou 195.225 delitos, ou 703,2 por 10 mil habitantes. Isso explica porque a sensação de insegurança lá é igual ou maior do que a do Rio. As pesquisas sobre vitimização no Rio, Belo Horizonte e SP, mostram que a sensação de insegurança em BH e SP é maior que no Rio. A razão é a mesma: uma proporção de delitos que não mortes violentas, maior do que a do Rio. 8. Os números, todos eles, são trágicos, claro. Mas pelo menos nos ensinam que as polícias deveriam tratar os "demais delitos" como o ponto fulcral da percepção de insegurança e de violência. E ampliar em muito o patrulhamento nas ruas. E - quem sabe - passar às grandes cidades - por emenda constitucional - o patrulhamento e a repressão aos pequenos delitos ou "delitos de rua".
quarta-feira, 30 de maio de 2007
Bom Dia, Brasil?
quarta-feira, 18 de abril de 2007
Para jornal americano, mais armas é a solução
A notícia que mais me chocou sobre o massacre americano foi essa notícia, que li no Globo, reproduzindo a opinião do jornal americano The New York Sun sobre o (des)controle de armas nos Estados Unidos. Fui ler o original e reproduzo aqui trecho do editorial do jornal:Imagino se essa "pérola" do direitismo americano estivesse em vigor, ontem, nas ruas do Rio de Janeiro, com todo mundo armado em batalha campal no Morro da Mineira. Em vez de 13 mortos, teríamos mais de 130! (sem contar os mortos do Cemitério do Catumbi que serviu de cenário...)Today, however, the question hanging over this tragedy is whether the legislature acted wisely or whether, in fact, the campus would have been safer had the students and others been permitted to keep and bear arms in the dorms and on the greenswards. It's not a theoretical question. In 2002, according to a report on CNSNews.com, a disgruntled student at the Appalachian Law School, Peter Odighizuwa, allegedly shot and killed the school's dean, a professor, and a student on campus. He was subdued, CNSNews.comreported, only when two students reportedly ran to their cars to fetch their own guns and returned to confront the killer, who surrendered.
(...) But we do believe that Americans have the capacity to reason out their own choices about how to defend themselves. And to reach out in their thoughts and prayers to the families who lost loved ones on the campus of Virginia Tech.
sábado, 14 de abril de 2007
Forças Armadas na encruzilhada
quinta-feira, 1 de março de 2007
O Tolerância Zero de Cesar Maia
VIOLÊNCIA, PERCEPÇÃO DE VIOLÊNCIA E TAXA DE PÂNICO! 01. Uns meses atrás este ex-blog publicou o resultado de um trabalho realizado pela Fundação Konrad Adenauer na Venezuela, em 1990, que culminava com uma equação onde constava a capacidade da polícia, os valores dos jovens em relação ao delito, o ambiente urbano e a percepção que a população tem da violência que a circunda. Quando esta percepção exacerba, afeta a taxa de pânico, o que torna o quadro geral ainda mais complexo. 02. Sabe-se que há uma relação mais que proporcional entre violência e percepção de violência quando aquela aumenta. Ou seja: a percepção aumenta a taxas maiores que a criminalidade quando esta cresce. 03. Em 2006 fez-se uma ampla pesquisa de vitimização na cidade do Rio de Janeiro, que mostrou que a percepção do carioca sobre os riscos que corre em relação à violência é menor que os das cidades de S. Paulo e Belo Horizonte, testados em pesquisas similares. A pesquisa pela sua amplitude demonstra que não se trata de -"se estar acostumado à violência"- mas de dados objetivos de quantas vezes no último ano, nos últimos dois anos, na vida toda, se teve experiência direta ou próxima de violência. Os números do Rio são suficientemente menores para se garantir que a percepção de violência é menor que em BH e SP, apesar de toda a concentração do noticiário no Rio pela condição de centro audiovisual do Brasil e pelo imaginário externo que só localiza o Rio no Brasil. 04. Anos e anos de pesquisas no Rio-Capital, mostram que a população marca a segurança pública -de longe- como o maior problema da cidade. Mas quando se pergunta qual o maior problema de seu bairro, a segurança passa para segundo. E continua caindo quando se pergunta sobre o maior problema de sua rua e de sua família quando vai para sexto ou sétimo lugar. Claro. Todos os dias se têm notícia de um delito -mais ou menos, grave. Mas isso não ocorreu em seu bairro, rua ou com sua família e amigos, necessariamente. Quando há um fato trágico e o noticiário cobre em forma de campanha, a resposta sobre o maior problema da cidade ganha proporções ainda maiores, mas curiosamente não afeta tanto a rua e a família. 05. Os fatos amplamente divulgados são mortes violentas. Essas têm uma lógica, uma freqüência e uma concentração espacial (proximidade de bocas de fumo), que não são percebidas como risco iminente. Para se entender. Quando você anda na rua, pode andar assustado segurando sua bolsa ou sua carteira ou embrulho ou celular. Você não acha que alguém vai passar com uma pistola e lhe dar um tiro. Essa é a diferença que explica porque fatos de extrema gravidade afetam a percepção sobre a cidade, mas não necessariamente sobre a própria pessoa. 06. Por isso tudo -se há intenção de entender bem a percepção da violência- deve-se sair da estatística de homicídios e ir a de furtos e roubos, acompanhá-la e compará-la. 07. Vejamos os dados oficiais das cidades do Rio e de SP para o quarto e ultimo trimestre de 2006. O Rio teve 20.550 furtos anotados. SP teve 53.296. Rio teve 21.949 roubos e SP 34.277. Se calcularmos por 100 mil habitantes seriam 328 furtos no Rio e 468 em SP. E 350 roubos no Rio e 301 em SP. No Rio a quantidade de furtos se iguala a roubos: em torno de 21 mil naquele trimestre. Em SP supera em muito: 53 mil contra 34 mil. Esses números têm que ser multiplicados por 4 para se projetar para o ano todo. Ou seja, uns 170 mil roubos e furtos no Rio e uns 350 mil em SP. Ou seja, uns 30 por hora (dia de 16 horas), no Rio e 60 em SP. A cada um deles multiplique-se pelas pessoas envolvidas - ida à delegacia, comentário com amigos e parentes...E leve-se em conta que a concentração dos mesmos se dá em áreas onde valha a pena furtar e roubar, o que multiplica o efeito percepção naquelas áreas, e explica as razões de que são os de maior renda que tem percepção maior de violência. 08. Rio teve 655 homicídios no último trimestre de 2006. SP, 466. A diferença é grande: são 10,5 por 100 mil no Rio e 4,1 em SP. Mas o impacto sobre a percepção basicamente se dá via mídia e é amortecido pela experiência. Quando se pergunta porque o Rio continua disparado liderando o turismo interno e externo, etc... a resposta é essa. O conselho que recebem dos amigos é não andar com jóias, não levar muito dinheiro, etc... Não é andar com colete a prova de balas. Carros blindados só na cobertura da sociedade. E nesse sentido a população não distingue de outras grandes cidades. E no caso de SP e BH, até o faz favoravelmente como vimos. 09. Se os governos dedicassem uma atenção maior aos pequenos delitos e a furtos e roubos estariam afetando a percepção da população e com isso ganhando tempo e legitimidade para enfrentar o crime organizado, cuja resposta virá em prazos maiores.