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quinta-feira, 23 de julho de 2009

Polícia Federal americana imita Polícia Federal brasileira

O FBI (polícia federal) prendeu hoje de manhã em New Jersey dezenas de pessoas, inclusive 2 prefeitos, um deputado e vários rabinos. Foi o resultado de 2 anos de investigação sobre corrupção e lavagem de dinheiro na região. Pelo jeito, estão seguindo aquele ditado: o que é bom para o Brasil, é bom para os Estados Unidos... NYT

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

César Maia demonstrou, ontem, porque Lula bateu recorde de aprovação no Datafolha de hoje.

No seu Ex-Blog de ontem, César Maia citou uma pesquisa do Instituto GPP no Rio onde foi feita a seguinte pergunta:
Com essa crise e perspectiva de aumento da inflação e desemprego, você acha melhor – votar num candidato do Governo Federal, votar num candidato da Oposição, ou não sabe o que dizer?
O resultado foi:
  • Votar num candidato do Governo Federal – 40,5%
  • Votar num candidato da Oposição – 32,3%
  • Não sabe – 27,2%.
A conclusão é óbvia. Os governos anteriores ao de Lula estão todos associados a “oposição”. E todos estão associados também a péssimas administrações, desde Sarney até Fernando Henrique. Assim, diante da necessidade de se escolher um governo com capacidade de enfrentar os problemas gerados pela crise internacional, qual a opção lógica: governos associados ao fracasso ou um governo que está fazendo tudo certo até agora? O governo do desastrado Plano Cruzado ou o governo com desenvolvimento consistente? O governo da falsa caça aos marajás ou o governo da Polícia Federal? O governo do fusquinha ou o governo do Bolsa Família? O governo de quem acabou com a inflação – mas que praticamente faliu o Brasil e aumentou o desemprego – ou o governo da estabilidade econômica e social, dos novos empregos, do crescimento acelerado, que fala a linguagem do povo e ainda assim soube conquistar o respeito internacional? Lamento informar, mas o Governo Lula é a resposta natural. E nessa pesquisa do GPP a Oposição só teve índice tão alto porque o povo sabe que Lula não é candidato – mas já deixa claro que prefere um candidato indicado por ele. Assim, é incompreensível a irritação de César Maia, no seu Ex-Blog de hoje, diante dos 70% de Ótimo+Bom que o Governo Lula conquistou no Datafolha (vale lembrar que no Nordeste, que tem cerca de 27% do eleitorado, o índice atingiu 81% - clique no gráfico acima para ampliar). Não adianta acusar de populismo ou dizer que Lula, diante da crise mundial, “mantém uma coreografia glacial e mistura má fé, ao criar otimismo com ilusão da boa fé da população”. A constatação de que o governo está fazendo a coisa certa vem de todas as partes do mundo. Agora mesmo a Reuters distribui notícia de que estudo da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) sinalizou forte desaceleração das economias globais por conta da crise financeira, e o Brasil foi único país que teve a sua perspectiva de ciclo de crescimento apresentada apenas como "declínio". Será que isso não basta? Até quando a Oposição vai ficar sem se encontrar, batendo cabeça, tentando descobrir uma falha mínima de Lula para tentar conquistar um pouco do eleitorado? Cadê o marketing correto? Está difícil, Oposição, cada vez mais difícil...

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Espetacularizante

Essa história da Operação Satiagraha parece ser mais espetacularizante do que se imagina. E o Terra Magazine está dando uma boa amostra disso tudo. Recebi recomendação e fui lá conferir. Leiam. Quem me parece também um pouco espetacularizante (com todo o respeito) é o Presidente do STF, Gilmar Mendes, que acaba de soltar os Dantas & Companhia. Ele pode até ter razão ou estar sendo sincero na defesa do estado de direito, mas soa muito teatral, mexendo a cabeça o tempo todo, de um lado para o outro (como aliás fazia Nelson Jobim, o que me leva a imaginar que é cacoete de Presidente do STF). Espera-se de alguém nesse cargo atitudes e gestos menos polèmicos, mais sabedoria nos difíceis temas que sacodem a sociedade. Pareceu pra mim que realmente houve alguma espetacularização na operação da Polícia Federal, mas talvez ela tenha sido necessária em função da guerra interna e das dificuldades de investigação. Acho que nós, pobres mortais, nunca saberemos toda a verdade da Satiagraha. Mas esperamos que seja feita justiça de verdade.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Polícia Federal: afinal, por que "satiagraha"?

Sempre achei muito engraçados os nomes dessas operações policiais, porque eles várias vezes dão alguma pista do que vão operar. Como “Operação Trânsito Livre”, contra o crime organizado em Foz do Iguaçu, onde pessoas conhecidas como batedores "levavam dinheiro dos ônibus, carregados de contrabando, para policiais rodoviários". Às vezes até reforçam as pistas, como “Operação Nicotina II”, de repressão ao contrabando de cigarros. Se uma operação é secreta, por que a pista no próprio nome? Onde descobri isso? No site da Política Federal, de resumo das operações, onde podemos até mesmo ler justificativa dos nomes, como a operação em Manaus, contra auditores fiscaisdo trabalho, a “Operação Zaqueu”, que teve esse nome escolhido “em referência a um fiscal corrupto, citado na Bíblia” (o ex-Chefe de Polícia do Rio, Zaqueu Teixeira, tem o nome associado exatamente ao oposto...). A minha opinião é de que a Polícia deve esconder qualquer dica de suas operações, como eles aparentemente fizeram nessa fantástica Operação Satiagraha. Mas fiquei intrigado pelo nome. O que terá motivado? Fui pesquisar e descobri no site Oragoo que Satiagraha (Satyagraha) "é um termo cunhado pelo pacifista indiano Mahatma Gandhi em sua campanha pela independência da Índia. Em sânscrito, Satya significa verdade. Já agraha quer dizer firmeza. Desta forma, Satyagraha é a firmeza na verdade, ou firmeza da verdade”. Não entendi nada, mas gostei. Não diz nada de nada. Ainda assim, queria saber o motivo da escolha.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

O tico tico no fubá da mídia golpista, segundo o Blog do Mello

O Blog do Mello está apresentando uma versão do clássico "TicoTico no Fubá", de Zequinha de Abreu. Por enquanto ele apresentou apenas a letra. Promete uma versão com letra e música:
O Tico tico no fubá da mídia golpista (Zequinha de Abreu / Antonio Mello) Eu manipulo cá, eu manipulo lá Eu manipulo pro governo derrubar O Lula cai aqui, o Hugo Chávez lá E a minha grana corrigida vai voltar Aí omito aqui, aí aumento lá Distorço tudo pra melhor manipular O Lula cai aqui, o Hugo Chávez lá E essa raça vai voltar pro seu lugar Deus me defenda dos governos compañeros Estão querendo dividir o meu dinheiro Bolsa Família virou tudo de pernas pro ar O pobre já não reconhece o seu lugar Filho de pobre agora vive na escola E a Polícia Federal da minha cola não descola Sei que esse operário de gravata Acabou me transformando num burguês de passeata Eu manipulo cá, eu manipulo lá...

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Quem diria, o Estadão apóia Lula...

Leia a íntegra do editorial de hoje do Estado de São Paulo:
O irmão, o compadre e a batota

Todo político tem um séquito: é da natureza do ofício. O séquito, naturalmente, tem uma hierarquia. No topo, ficam os poucos e bons operadores da mais estrita confiança do prócer - a exemplo do falecido Sérgio Motta, no caso de Fernando Henrique, e de Gilberto Carvalho, no caso do presidente Lula. Eles não apenas são incumbidos de missões delicadas e sigilosas, como ainda funcionam como conselheiros do chefe. No sopé dessa estrutura estão os seus paus-para-toda-obra, tarefeiros que abrem portas, guardam costas, dirigem carros, carregam volumes, para o político e seus familiares. Nada mais natural que, subindo o político na vida, membros dessa arraia-miúda de autodenominados “assessores” sejam procurados por espécimes do submundo da periferia do poder e a eles se associem no crime. São figurantes que o chefe pode ou não conhecer pessoalmente, mas há de saber quando se valem da sua conexão consigo, ainda que remota, para conseguir uma boquinha numa repartição - no mínimo. Eis o material com que habitualmente se confeccionam as teias pegajosas como a que a Operação Xeque-Mate, da Polícia Federal (PF), acaba de romper, no combate à máfia dos caça-níqueis. A peculiaridade, agora, é a presença nesse circuito de um irmão e de um compadre do presidente da República. O primeiro, Genival Inácio da Silva, o Vavá, foi indiciado sob a acusação de tráfico de influência no Executivo e exploração de prestígio no Judiciário. O segundo, Dario Morelli Filho, apontado como sócio do batoteiro Nilton Cezar Servo, o 79º preso pela PF em seis Estados, é acusado de corrupção ativa e formação de quadrilha. Desta vez respeitando estritamente o sigilo de Justiça que recobre a operação, os federais não divulgaram os nomes das autoridades junto às quais teriam delinqüido. De outra parte, não há o mais tênue indício de que, a serem verdadeiras as ações de que são acusados o irmão e o compadre, Lula tivesse motivo para delas suspeitar, antes de ser informado pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, da operação em preparo. A conduta do presidente, aliás, foi nada menos do que irretocável. Ao que se sabe, não moveu uma palha para impedir que se expedisse o mandado judicial de busca e apreensão na casa de Vavá. Ao ser entrevistado, em Nova Délhi, pelos jornalistas que o acompanham na viagem, tomou a iniciativa de revelar que é padrinho de um filho de Morelli. Foi elegante com o irmão - a quem repreendera de público, em 2005, quando se divulgou que tentava fazer lobby para empresas do ABC junto ao Planalto -, dizendo enfaticamente “não acreditar mesmo, de verdade”, que ele tenha parte com a gangue da tavolagem, que contrabandeava componentes eletrônicos para os caça-níqueis e, de quebra, traficava drogas. Mas, falando “como presidente”, emendou, “se a Polícia Federal tinha uma autorização judicial e o nome dele aparecia, paciência”. Do compadre, disse pouco: “Se foi preso, será investigado, interrogado e, depois, haverá um veredicto.” Morelli é o típico sequaz de político descrito no início deste texto. Faz-tudo da família de Lula, escoltou o candidato presidencial em eleições anteriores (e José Dirceu, em 1994), fez bicos para o PT e o sindicato dos metalúrgicos, abriu uma firma de segurança e, apadrinhado do petismo, enveredou pelo setor público: conseguiu emprego numa empresa municipal em Mauá, numa secretaria da Assembléia Legislativa e, ultimamente, na área de saneamento da prefeitura de Diadema, da qual foi afastado anteontem. Aparentemente, envolveu-se com caça-níqueis ao cuidar da segurança de uma casa de bingos. Então teria conhecido o ex-deputado estadual paranaense Nilton Cezar Cervo, tido como o capo da quadrilha. Este é outro personagem do submundo da política: ao trabalhar nas campanhas de Zeca do PT, em Mato Grosso do Sul, acabou conhecendo Lula, de quem passou a se dizer amigo e comensal. Depois, teria pedido ao presidente que legalizasse os bingos. A PF registrou pelo menos um telefonema dele a Vavá. Em suma, ele, Morelli e o bingueiro estavam na mesma ciranda. Deveria o presidente ter se informado dos negócios do irmão e do compadre? Seria o ideal. Mas essa saudável curiosidade é incomum entre os políticos brasileiros. Talvez porque saibam que quem procura acha.

Ora, Vavá! Vá... vá...

Se é verdadeira essa notícia de que o irmão de Lula, Vavá, cobrava 3 merrecas para aproveitar seu parentesco ilustre e "influir" a favor dos bingos, fica provado que o Primeiro Irmão é um grande trapalhão. Diz a notícia que ele não influía nada, nem tentava. Então o que ele fez mesmo foi influir a favor dos adversários de Lula e alimentar a disputa interna da PF. Hoje até o colunista Merval Pereira, do Globo, aderiu à hipótese de o nome da operação, Xeque-Mate, ser uma provocação ou ameaça, como já escrevemos aqui e o Ciro Gomes também suspeitou:
O deputado federal Ciro Gomes, adepto de teorias da conspiração, fez um comentário, registrado na coluna de Teresa Cruvinel, que é exemplar do grau de desconfiança que tomou conta dos políticos em Brasília: “O nome da operação é Xeque-Mate, que no xadrez é uma jogada que empareda o rei. Será mera coincidência?”. Realmente não há nada na operação policial que justifique o nome, ainda mais quando se sabe que a Polícia Federal tem se esmerado em arranjar nomes criativos para chamar a atenção sobre suas operações. O xadrez não é um jogo eletrônico usual nos bingos espalhados pelo país, e, portanto, a preocupação de Ciro Gomes é justificada.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Nem Vivi viu Vavá

Essa história do indiciamento do irmão do Lula não está nada bem contada. Ou ainda falta muita coisa para mostrar ou seu indiciamento feito pela Polícia Federal foi descabido, seja por ser intempestivo, seja por ser provocativo (o que está me parecendo o mais provável, principalmente por causa do nome dado à operação, Xeque-Mate). Se não existe nada de concreto além do que foi mostrado, a PF perde ponto. A imagem de eficiência que construiu nesses últimos tempos sofre retrocesso. Uma polícia eficiente não pode ser intempestiva, correndo o risco de acusações infundadas, prejudicando pessoas inocentes, ou correndo o risco de prejudicar ações realmente importantes. Se ninguém viu nada de errado no que Vavá fez, não se pode tentar sua prisão com base em "ouvi dizer". Nem mesmo Vavá sendo irmão de Lula...

Ciro Gomes andou lendo este Blog

Tereza Cruvinel, em sua coluna no Globo, de hoje, descreve a visão de Ciro Gomes sobre a investigação do irmão de Lula pela PF : “Aquela operação foi batizada de Xeque-Mate, a jogada que, no xadrez, empareda o rei. Será apenas coincidência?” Exatamente a visão que postei aqui neste Blog. Claro que neste caso foi coincidência.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Cerco ao rei

O nome dessa operação, "Xeque-Mate", que envolveu o nome do irmão de Lula, é obviamente provocativa. Está na cara que, com esse nome, o grupo da PF responsável pela operação pretende algum tipo de ameaça ao Presidente. Ou será imaginação minha?

sábado, 26 de maio de 2007

Sexo, política e corrupção

Luiz Macedo, dono da MPM, durante 17 anos a maior agência de propaganda do país e que durante muito tempo deteve as principais contas governamentais, costumava dizer: "Quando sexo e política se misturam, as coisas se complicam". Pura verdade. Quem não se lembra de Chappaquidick, que acabou com as pretensões presidenciais de Ted Kennedy? Ou do Príncipe Charles? Ou dos outros escândalos, com ingredientes político-sexuais tipicamente britânicos? Não esqueço também a queda do poderoso congressista americano, Wilbur Mills, envolvido com uma bombshell argentina, Annabel Battistela, que até me inspirou um poema, "Anna who?" (ver no sidebar). No passado brasileiro não muito distante tivemos a baixaria de Collor contra Lula. Tem os caos mais recentes das orgias brasilienses. Essa mistura de sexo e política tem sido assim, complicada, no mundo inteiro. E quando se acrescenta corrupção, a mistura fica ainda mais explosiva. É isso que estamos vivendo no momento. Uma mistura explosiva, partindo da Operação Navalha (na Carne...) e chegando às páginas escandalosas da revista Veja. É um cenário com os mais importantes atores da nossa política, envolvidos em uma trama de final imprevisível. Houve excessos da Polícia Federal? Talvez, e isso realmente deve ser evitado, principalmente se conduzir a um estado policialesco. Houve invasão de privacidade? Houve, sim, e isso deve ser evitado - desde que essa privacidade não envolva bens públicos. O fato é que vivemos uma situação delicada, de fragilização de nossas instituições, que merece muita atenção. É necessário ir fundo nas investigações, mas, ao mesmo tempo, não podemos acreditar que a solução se completa dessa maneira. A corrupção precisa ser combatida pelas raízes, é necessária a criação de mecanismos que não permitam que ela se oxigenize. Não podemos cair no conto dos "éticos de palanque", mas é claro que precisamos de um choque de ética na administração pública, se queremos preservar a democracia representativa. Quanto aos escândalos político-sexuais... esses não acabarão nunca!

quarta-feira, 23 de maio de 2007

O fio da navalha

Não há mais o que refletir sobre a corrupção. É tempo de agir, buscar novos valores (com ou sem trocadilhos, tanto faz), pôr um fim a esse mal, caso contrário brevemente teremos corrompida a própria existência, a razão de ser humano. Essa corrupção que assola o mundo está colocando em cheque um dos pilares de nossa organização social, que é a democracia representativa. Afinal, que representantes são esses que lutamos tanto para eleger? Representam os diversos interesses da sociedade - procurando melhorá-la, solidificá-la, enriquecê-la - ou representam os seus próprios interesses financeiros e de meia dúzia de gautamas, blackwaters (Estado Unidos) e outras menos votadas? Vamos eleger pessoas para resolver os problemas de transporte ou que vão conduzir obras seguindo em direção aos interesses apenas das empreiteiras? Vamos eleger presidentes com política externa responsável, dedicados a defender nossas fronteiras e lutar pela harmonia internacional ou que prefiram terceirizar a política externa, lutando pelos interesses de indústrias armamentistas e pondo em risco a humanidade (como ocorre no Iraque, por exemplo)? Por tudo isso, precisamos de muito mais do que "operações navalha". Além de combater eficazmente (como parece que está sendo feito pela Polícia Federal) a corrupção, temos que desenvolver armas capazes de evitá-la. As reformas políticas são importantíssimas nesse sentido. Mas elas têm que ser pra valer, capazes de dar o rumo certo a nossos representantes, capazes de incluir mecanismos anti-corrupção. E nessa busca de novos valores anti-corrupção, temos que entender, acima de tudo, que a democracia está por um fio - e infelizmente ainda não foi inventado nada melhor para substituí-la.