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sábado, 16 de fevereiro de 2013

Sinal dos tempos: a Igreja Católica vai acabar




Não sou contra as religiões, por princípio. Elas têm importante função de dar certa racionalidade ao irracional. Mas às vezes elas se tornam mais irracionais do que as irracionalidades que fazem parte de sua origem. Vejam a Igreja Católica, esse gigante medieval que não sabe mais o que fazer para sobreviver aos novos tempos. Conseguiu sobreviver à Reforma, mas dificilmente conseguirá aos tempos da internet. Ratzinger, um sobrevivente da Escuridão, arregou e saiu atirando. Os que vão sucedê-lo terão o desafio hercúleo de dar sobrevida a essa entidade trapalhona que procura ditar o destino a mais de um bilhão de seguidores em todo o planeta. Como explicar que o objeto luminoso que cruzou ontem os céus da Rússia não é produto da ira divina, mas apenas um entre milhares de objetos que chegam diariamente a nosso planeta? Como explicar que o homossexual pode ser tão católico quanto o hétero? Como aceitar que os pobres católicos das periferias de cada país, de cada cidade, possam ter tanta relevância quantos os engalanados de Roma? Nesse mundo da instantaneidade e da universalização da informação, a igreja que nasceu com a pretensão da universalidade (católico, na sua origem grega, significa universal) tem dificuldade em se manter de pé diante dos terabytes de informação nova. Evidentemente há boas cabeças pensantes tentando evitar o que parece inevitável, como a desse teólogo brasileiro, Mário França, que tem entrevista hoje no Globo. Leitura agradável. Aproveito para pôr também o link (enviado pelo Blog do Mello) de entrevista antiga de Leonardo Boff feita para a Caros Amigos em 98.

‘A Igreja muda ou acaba’, diz teólogo brasileiro
Mário França crê que o modelo atual da Santa Sé trai a origem da fé católica
Transição. Bento XVI caminha após sua audiência no Vaticano na quarta-feira: seu sucessor vai herdar uma série de desafios e problemas que o Papa atual não conseguiu resolver, desde escândalos na Igreja a disputas internas por poder na Cúria de Roma 
Por onze anos, Mário França, 76, fez parte da Comissão Teológica do Vaticano, onde conquistou o respeito do então cardeal Joseph Ratzinger. Hoje, professor da PUC-Rio e autor de obras sobre a teologia, defende uma nova Igreja, longe da hierarquia e das ortodoxias de Roma, e com espaço para gays e padres casados. 
O GLOBO: Como a Igreja vai sobreviver ?
Mário França: Chegou um momento em que a Igreja, só com os oficiais, padres, bispos e Papa, não aguenta mais. Esta estrutura foi uma traição à Igreja primitiva, em que todo mundo participava e tinha direitos iguais de participação. Todos são iguais, não tem homem, mulher, judeu, gentio ou escravo e senhor. Depois a Igreja erigiu uma estrutura monárquica, um pouco copiada de Roma. Foi consequência da chegada dos príncipes, que começaram a nomear parentes para tomar conta das muitas propriedades da Igreja. Era preciso estruturar ou tudo ia ficar na mão de famílias poderosas, nobres. Para evitar isso, o laicado foi afastado do poder da Igreja - o laicado não era o povão, eram estes príncipes que estavam cada vez incomodando mais. Passou o tempo e a Igreja ficou identificada por seus bispos, padres etc. É errado, né? Todo cristão, todo católico, tem o direito de formar um grupo, com o qual a hierarquia não pode se meter. A Igreja do futuro vai ser predominantemente leiga ou então não vai aguentar.
O Grupo de diversidade católica, que reúne gays, é um exemplo do que o senhor está dizendo?
Mário França: Exatamente. É um grupo de pessoas que são assim. A Igreja não pode excluir, tem de atender todo mundo. É uma maneira de a Igreja mostrar sua abertura. A consciência histórica é lenta. Teve um tempo que os missionários se perguntavam se tinham que batizar ou não os negros da África, por que não sabiam se eram animais ou gente. Muita coisa que achamos normal hoje, daqui a 50 anos será considerada intolerável. Os laicos vão obrigar a Igreja a criar um espaço de debate público, que não existe. A qualquer problema, corre-se para o bispo.
Mas as mudanças têm sido lentíssimas.
Mário França: Não se mexe da noite para o dia com 1,2 bilhão de pessoas. Não se podem criar traumas, as pessoas têm mentalidades muito diversas e, como diz o Rubens César Fernandes, do Viva Rio, o importante é que a gente mantenha todo esse pessoal dentro da Arca de Noé. Os sociólogos dizem que tudo pode mudar, menos o religioso, porque o ser humano tem necessidade de segurar alguma coisa. A gente percebe que isto não tem sentido. O sagrado também é construído através de uma linguagem e de práticas.
Esta posição está afastando muita gente.
Mário França: É, há paróquias que viraram agências de fornecer sacramento, isto está condenado. Tem de ter o sentido missionário. É o que se está tentando fazer agora. Mas é lento. Quando eu fui da Comissão Teológica do Vaticano, não tinha nenhuma mulher, agora já tem quatro. Não há dúvidas de que o fim do celibato já deveria ter acontecido, Paulo VI era a favor disso - mas uma coisa destas vai mudar a estrutura.
A questão da contracepção também está mais do que na hora de ser enfrentada.
Mário França: São questões morais que têm se ser mudadas, mas é uma coisa lenta. No papado de João Paulo VI, o cardeal de Bruxelas disse: na minha arquidiocese é permitido camisinha - ele estava com um problema seríssimo de explosão de Aids entre trabalhadores imigrados. Resolveu assumir e disse: aqui é preciso usar camisinha. O Vaticano não disse uma palavra.
A Igreja não vem conseguindo acompanhar as mudanças sociais?
Mário França: São rapidíssimas. Na PUC, a mudança de uma geração para a outra se dava em 20 anos, depois passou para 10, agora com dois ou três anos, você já vê aluno do quarto ano que não consegue entender o calouro. É uma sucessão vertiginosa que não conseguimos mais acompanhar, que provoca um curto-circuito na cultura.
Quem é o mais progressista entre os candidatos a Papa?
Mário França: Os cardeais terão de fazer um perfil de uma pessoa que entenda o mundo e saiba enfrentar esses desafios todos. Tem de ter boa formação pastoral e intelectual, capaz de se cercar de pessoas competentes. Tem um candidato de Honduras, Luis Alfonso Santos, que é uma pessoa muito possível de dar um bom Papa. Sabe línguas, é sensível, mora no país mais pobre da América Central: é uma pessoa que marca pela inteligência. Tem Luiz Antonio Tagle, um filipino progressista também, mas ele é muito novo. Tem 55 anos. Mas eu duvido que queiram colocar um cardeal de 50 anos, pois ele ficaria 30 anos. A turma não quer isso não. Cardeal Ravasi, encarregado da Cultura, também é muito aberto.
Resumindo: o senhor diz que a Igreja tem de mudar?
Mário França: Já está mudando. Ou muda ou acaba. É um momento sério da sociedade, faltam líderes. Onde estão os Churchill, De Gaulle, Adenauer? Não tem mais, está faltando líder. Na Igreja também, e os problemas são muito grandes. As religiões têm um papel muito forte no mundo de hoje, e a Igreja tem de ser uma 
reserva ética, apesar dos mal feitos da cúpula.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Tocando na chuva

Resolvi postar esse vídeo por pura inveja do Blog do Mello. Vi lá, achei bem simpático e imitei. Não é novidade, mas vale. Rain Choir, Perpetuum Jazzile

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Caso Gabeira: Blog do Mello fez o que a grande mídia não fez - entrevistou Severino Cavalcanti...

Onde estão nossas grandes escolas de jornalismo? O que faz o Jornal Nacional, nosso baluarte do telejornalismo? Algo está errado, porque um dos grandes acontecimentos de 2006 (2 de setembro) foi a fala de Gabeira no plenário da Câmara, de dedo em riste, acusando e ameaçando o então Deputado Federal e Presidente da Câmara Severino Cavalcanti. Foi a partir daí que Fernando Gabeira cresceu junto ao eleitorado lacerdista como paladino da "ética". Com o escorregão "ético" de Gabeira, seria absolutamente natural entrevistar a sua vítima, Severino Cavalcanti, para saber sua opinião a respeito. Ninguém fez isso, exceto o Blog do Mello, que simplesmente ligou e falou com o atual Prefeito de João Alfredo, em Pernambuco. Leia trechos aqui e vá ao Blog do Mello para ouvir a entrevista.
Severino Cavalcanti fala:
Sabe o que acontece? Eu não gosto de pisar em ninguém que está por baixo. Ele agora está sendo humilhado por ele mesmo. Eu vou preferir deixar passar a pose dele, ele repor o dinheiro que recebeu... É melhor eu não declarar nada agora não.
(...) Isso aí você pode até dizer com relação a Gabeira, dizer que eu disse que ele não tem autoridade pra criticar ninguém. Porque até hoje eu estou...não tive nada... quando eu era presidente da Câmara, nunca dei passagem pra ninguém não. As passagens minhas quem gastava era eu, porque eu usava as passagens pra visitar minhas bases. Eu estava aqui: todo final de semana eu vinha pra Pernambuco. Ele que era o paladino, não podia nunca fazer isso, se mandar para a Europa...
EM TEMPO: Na busca do vídeo "Fernando Gabeira x Severino Cavalcanti" dentro do site global temos a seguinte mensagem:
Conteúdo Indisponível. Este vídeo não pertence mais ao catálogo do Globovídeos. Aproveite os mais de 500 novos vídeos cadastrados todos os dias.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A crise com humor

Vi no Blog do Mello e resolvi repetir aqui. Traz a mais interessante definição de subprime. Para quem pretende uma explicação, digamos, séria dos subprimes derivativos, outro vídeo mais abaixo. Prefiro o primeiro.
Agora, o subprime "sério"

quarta-feira, 19 de março de 2008

Alô, IG, não me venha com conversa fiada

Alguém deve explicações sobre o que aconteceu com o Conversada Afiada, Blog do Paulo Henrique Amorim. O Mino fez sua última postagem do seu Blog pendurado no IG. O Mello está boicotando tudo que é IG e está até renunciando à possibilidade de ganhar o iBest. E a jornalista da sala ao lado, que sempre morreu de amores pelo Paulo Henrique, soluça com raiva pelos cantos: "Ig!Ig!Ig!" Estou com eles e quero me associar a esses protestos!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Que mal César Maia fez à mídia?

Na minha opinião, César Maia (DEM, ex-PFL) é um político incansável, apaixonado pelo que faz. Mas ao mesmo tempo tenho a sesação que ele cansou de administrar a cidade do Rio de Janeiro (o Blog do Mello costuma tratá-lo como "ex-prefeito ainda em exercício"). Depois de 16 anos de envolvimento direto ou indireto com a cidade, ele se mostra, no mínimo, mais descuidado com a ordem urbana. É isso que sinto. Ou será que isso é apenas influência da mídia local? As Organizações Globo estão em campanha intensa contra sua administração. Na maioria das vezes parece até que eles têm razão no que divulgam, mas algumas vezes parece que estão com pirraça (se é que existe isso em política...). Obviamente, em começo de ano eleitoral, quando César Maia procura loucamente emplacar seu sucessor, essas reportagens têm efeito devastador. E ninguém entende direito porquê. Hoje, em seu Ex-Blog, de forma muito velada, ele parece que tenta mostrar o motivo (ou um dos motivos) da campanha contra. A propósito da recente reportagem do Globo mostrando os custos descabidos da Cidade Música (menina dos olhos do Prefeito e que será inaugurada nas vésperas da eleição), César Maia faz comparações entre os gastos de publicidade dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo e também das prefeituras do Rio e de São Paulo. De 2005 para cá, a Prefeitura do Rio não gastou um centavo com publicidade. Diz ele que economizou mais de 600 milhões de reais - o que daria para pagar uma vez e meia a Cidade da Música. Será que com isso César Maia está insinuando que não "compra" mais a mídia? Vejam o seu texto:
A LCR, EMM, MBM, HS, RBF, LM, VF, ACA e MR; GASTOS EM PUBLICIDADE NOS JORNAIS, RÁDIOS E TVs!
1. Se tomarmos os grandes estados e cidades como Estado do Rio, de S. Paulo, Prefeituras como de SP e BH, etc... Os gastos com publicidade empenhados por ano oscilam entre 60 milhões de reais e mais de 100 milhões de reais. Vamos usar como média 80 milhões de reais por ano. O governo federal é difícil somar, pois há gastos de publicidade do governo e das estatais, há promoções e patrocínios que também são propaganda. Mas por ano, no mínimo dos mínimos, com todos os fatores de segurança, alcançam por ano uns 2 bilhões de reais.
2. A Prefeitura do Rio nos anos da atual administração, primeiro e segundo governos, gastou muito pouco: uns 2 milhões por ano. Na terceira administração, que começou em janeiro de 2005, decidiu não gastar mais um tostão. Nem agencia de publicidade tem. Se compararmos com aquela media de 80 milhões empenhados por ano, que num período de governo alcançam 320 milhões de reais, no atual terceiro governo da Prefeitura do Rio, foram economizados 320 milhões de reais. Se tomarmos estas duas administrações seguidas, lembrando que na primeira de 2001 a 2004 foram gastos 2 milhões por ano ou 8 milhões nos 4 anos, teremos 8 milhões + zero = 8 milhões de reais.
3. Analisando os 320 milhões por governo daquelas administrações que aplicam em publicidade, teremos que elas aplicam 640 milhões de reais de 2001 a 2008. A prefeitura do Rio, não aplica mais nada em publicidade e de 2001 a 2004 foram só 8 milhões de reais. Ou seja, a prefeitura do Rio economizou, comparando com aqueles governos estaduais e municipais, 640 - 8 ou 632 milhões de reais neste período.
4. Deu para pagar a Cidade da Musica toda e ainda sobraram uns 200 milhões de reais para outras obras.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

iBest: declaração de voto

Votei no Blog do Mello para o Prêmio iBest (blog, política). Em primeiro lugar porque é o melhor blog de indignação. Além disso, é um guerreiro solitário e dedicado, sem estrutura apropriada, sem apoio. Sério e coerente. E também porque é meu amigo. (brincadeira...)

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Por que não continua falando, Chávez?

Quero confessar que às vezes acho o Hugo Chávez muito chato. Mas a bem da verdade o papel dele não é ser simpático a quem quer que seja. Ele tem mais é que ser chato em defesa do povo venezuelano. Por isso, entendo a irritação dos espanhóis com os ataques desconcertantes que Chávez fez a personagens importantes de seu país. Mas acho que Chávez estava no papel dele, principalmente considerando que o governo espanhol teria apoiado a tentativa de golpe contra ele. E muito pior do que a "chatice" de Chávez é a agressão permanente e maciça que se faz ao seu governo. A "grande imprensa" daqui e de boa parte do mundo, que se acha acima de qualquer suspeita (!!!) e guardiã das "verdades" da democracia, resolveu satanizar o "chavismo" e, por conta disso, consegue simplesmente ser insuportável. Sobre esse tema, sugiro a leitura da postagem "Democracia e ditadura na Venezuela e no Brasil" feita hoje no Blog do Mello.

domingo, 19 de agosto de 2007

Deu no Blog do Altino Machado que deu no Blog do Josias

Li a notícia primeiro no Blog do Mello, e como ex-morador de Rio Branco (Acre), onde escrevi meus primeiros poemas e cheguei a editar dois jornais estudantis, não poderia deixar de protestar contra o que fizeram contra o blogueiro do Acre Altino Machado. Saiba mais:

Atentado ao bom senso infelicita blogueiro do Acre "O repórter Altino Machado conduz o blog mais conceituado do Estado do Acre. Em fevereiro de 2007, publicou em seu recanto virtual a foto ao lado. Mostra um jovem “cavalgando” a estátua do poeta Juvenal Antunes, assentada no centro histórico de Rio Branco. O “jóquei” de estátua já havia divulgado, ele próprio, a foto de sua proeza no sítio de relacionamento Orkut, aberto à visitação de 67 milhões de usuários em todo o mundo. Mas foi a republicação feita por Altino, cujo blog costuma receber entre 800 e 900 acessos diários, que incomodou a família do “cavaleiro” de escultura. Acionado, o Ministério Público foi à Justiça contra Altino. E uma juíza do Acre ameaça impor, veja você, uma multa ao repórter. De resto, quer obrigá-lo a excluir de seu blog a famigerada fotografia. Alega-se que a imagem do “Jóquei”, por menor de idade, não poderia ter sido exposta. Nenhuma palavra sobre a divulgação prévia no Orkut. Nenhuma menção ao fato de que, naquela comunidade virtual, o “cavaleiro” intrépido apresentava-se como maior, de 18 anos. Nenhuma reprimenda ao comportamento, digamos, atípico do mancebo. Por ora, a pendenga rendeu uma audiência desagradável ao repórter Altino e uma superexposição do “montador” de estátuas. A imagem corre a blogsfera. Até Glória Peres fez menção ao episódio em seu sítio, “De tudo um pouco”. Deve-se à novelista a recente "ressurreição" do poeta Juvenal Antunes, incluído no rol de personagens da mini-série "Amazônia", exibida recentemente pela Globo. Em consequência do rebuliço, o blog de Altino, alvo da tentativa de censura, teve o número de visitas tonificado: os acessos agora passam de 3.000. Como se vê, a falta de bom senso não enxerga nenhum tipo de fronteira. Manifesta-se em todo país, de Sul a Norte". ◙ Josias de Souza é colunista da Folha de S. Paulo. Clique aqui para acessar o blog dele.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Para TAM, o lucro está em primeiro lugar

Deu no Blog do Mello:
Hoje, sétimo dia após o acidente com o Airbus 320 da TAM, publicamos os sete mandamentos, que são a base da filosofia da empresa.
Estão lá no site da empresa os sete mandamentos da TAM. Veja a lista, reproduzida abaixo, e repare bem qual é o primeiro e mais importante.
1º - Nada substitui o lucro 2º - Em busca do ótimo não se faz o bom 3º - Mais importante que o cliente é a segurança 4º - A maneira mais fácil de ganhar dinheiro é parar de perder 5º - Pense muito antes de agir 6º - A humildade é fundamental 7º - Quem não tem inteligência para criar tem que ter coragem para copiar
Precisa falar mais alguma coisa?

sexta-feira, 15 de junho de 2007

O tico tico no fubá da mídia golpista, segundo o Blog do Mello

O Blog do Mello está apresentando uma versão do clássico "TicoTico no Fubá", de Zequinha de Abreu. Por enquanto ele apresentou apenas a letra. Promete uma versão com letra e música:
O Tico tico no fubá da mídia golpista (Zequinha de Abreu / Antonio Mello) Eu manipulo cá, eu manipulo lá Eu manipulo pro governo derrubar O Lula cai aqui, o Hugo Chávez lá E a minha grana corrigida vai voltar Aí omito aqui, aí aumento lá Distorço tudo pra melhor manipular O Lula cai aqui, o Hugo Chávez lá E essa raça vai voltar pro seu lugar Deus me defenda dos governos compañeros Estão querendo dividir o meu dinheiro Bolsa Família virou tudo de pernas pro ar O pobre já não reconhece o seu lugar Filho de pobre agora vive na escola E a Polícia Federal da minha cola não descola Sei que esse operário de gravata Acabou me transformando num burguês de passeata Eu manipulo cá, eu manipulo lá...

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Por que votar no Cristo?

Nunca achei o Cristo uma grande maravilha. Maravilha, pra mim, é o Corcovado, a montanha onde fica o Cristo, ponto culminante da cidade do Rio de Janeiro. A visão que se tem dela (de qualquer canto da cidade) e a visão que, lá do alto, se tem da cidade são deslumbrantes. Maravilhas são o Dedo de Deus, em Guapimirim (RJ), o Encontro das Águas (Amazonas), a cidade de Brasília, a cidade do Rio de Janeiro, além de muitos outros locais, alguns que conheço só de foto. Por isso, não me entusiasmei muito pela campanha específica do Cristo. Mas despertei por duas coisas: o significado que tem para o país a eleição do Cristo e a possibilidade concreta de sua eleição. Realmente o fato do Cristo ser listado como uma das 7 Maravilhas do Mundo Moderno pode contribuir para o nosso turismo - não apenas do Rio, mas de todo o país. E turismo, todos sabem, pode significar desenvolvimento e melhor qualidade de vida. Por isso, entrei na campanha e aproveito para copiar as dicas do Blog do Mello: é importante lembrar que não se vota em apenas uma maravilha, mas em sete. Portanto, cuidado. Não basta votar no Cristo, é preciso NÃO VOTAR em nenhuma das que estão disputando diretamente. Portanto, deve-se votar no Cristo e em uma das que estão atrás - que, no momento, são essas: Hagia Sophia, Kiyomizu Temple, Kremlin / St. Basil, Neuschwanstein Castle, Sydney Opera House e Timbuktu.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Bye-Bye, Papa: retrato em 3x4 das dificuldades da Igreja Católica

Hoje mais cedo estava andando e falando no celular com o Mello (Blog do Mello), quando dei de cara com a cena que reproduzo aí em cima. A jornalista da sala ao lado caminhava também e quase teve um troço. Berrava coisas assim: "Umf! Umf! Zifío...", não entendi nada. Desliguei e fotografei para o Blog. Trata-se de uma unidade da Igreja Universal do Reino de Deus (leia-se Bispo Macedo, Bispo Crivella, Rede Record) que não se sente satisfeita com a quantidade de fiéis que atravessam seus portais e decidiu ir pra rua, disputar fiéis com as mesmas armas dos pais de santo. Na tenda montada na calçada está escrito "Tenda do Pai das Luzes". E na tabuleta próxima temos a "oferta": "Consultas grátis! Na tenda do PAI das luzes". Essa foi a grande jogada dos pentecostais: deixaram de lado o "racionalismo" (se é que se pode falar nisso...) ou formalismo ou burocracia ou conservadorismo dos evangélicos tradicionais e buscaram técnicas de comunicação mais populares junto aos "terreiros", pais de santo, macumbeiros, etc. Não largaram inteiramente a Bíblia que serve de ajuda para garantir certa organicidade à coisa toda. E partiram para um marketing cada vez mais agressivo, roubando fiéis de quem estivesse pela frente, principalmente da Igreja Católica, de quem a Igreja Universal roubou até o nome, já que "católica" significa "universal". Essa é a diferença: enquanto os católicos chegam com um Papa branco, europeu, falando com muito sotaque, muita filosofia, pouca sabedoria e um santo de última hora, os pentecostais montam suas tendas dos milagres à maneira do nosso povo moreno e vão ganhando terreno, fiéis e muito dinheiro. Mais que uma religião, eles construíram uma rentável ong de comunicação.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Apesar da reportagem do Globo, é preciso investir muito mais na recuperação do menor infrator

O Globo de hoje traz reportagem com direito a chamada na primeira página intitulada "Menor infrator custa 28 vezes mais que aluno". Usando dados divulgados em 2006 pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o jornal mostra que o custo mensal de um menor infrator no Brasil é de 4.400 reais po mês, o equivalente ao que se gasta para manter uma classe de 28 alunos no ensino público fundamental. Em nenhum momento fala que, além de "casa, comida, roupa lavada", médico, dentista, psicólogo e segurança, as unidades de internação têm escolas e oficinas de trabalho. O tom da reportagem soa condenatória a "gastos" tão elevados. Há inclusive uma citação da subsecretária de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, vinculada à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Carmem Silveira de Oliveira, aproveitando "o alto custo da internação de menores infratores para argumentar que o aumento da punição aos jovens infratores não é garantia para a redução da violência urbana". Há nisso tudo um erro básico de se opor o investimento em educação ao investimento na recuperação do menor infrator. Não há oposição, a equação é outra: quanto menos se investir em educação, mais vai ser necessário investir na recuperação do menor infrator; quanto menos se investir na recuperação do menor infrator, mais vai ser necessário investir em segurañça pública e em presídios. Em vez de defender a redução dos "gastos", as autoridades responsáveis devem procurar investir mais e melhor na recuperação do menor. Com uma estrutura apropriada, certamente obteremos resultados melhores. Um bom exemplo é o de uma jovem de 17 anos (já é mãe...) que, mesmo internada em uma unidade de recuperação do Rio de Janeiro, conseguiu estudar e acaba de ser aprovada no vestibular de Direito. Um simples exemplo como esse vale mais do que mil reportagens sanguinárias como as que tomam conta da mídia diariamente. (Leia também "A morte e a outra morte do menino João (o caso Veja)", postagem sobre esse tema no Blog do Mello .)