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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Debates 2010: laranjas engolem verdes


Tudo começou com o primeiro debate da Band. O psolista octagenário Plínio de Arruda Sampaio demonstrou firmeza nas ideias e juventude na disposição. E surpreendeu. Não por ter atacado Serra e Dilma, mas surpreendeu principalmente por seus ataques mortíferos à verde Marina. Tratá-la como ecocapitalista foi impressionante. Agradou em cheio a faixa jovem classe média.
No debate de ontem, novamente os verdes foram alvo fácil. O candidato psolista ao Governo do Rio, Jefferson Moura, foi impiedoso com todos os adversários, mas principalmente estraçalhou o superverde Gabeira. Marcou-o brilhantemente como “Ex-Gabeira” (aliás, funciona também como bela associação ao “Ex-Blog” de Cesar Maia), deixando-o mais nocauteado do que já estava.
Esses laranjas psolistas não são vermelhos. Mas com certeza são bem mais maduros do que os verdes.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Nova pesquisa UP no Rio mostra liderança de Sérgio Cabral e ainda aponta possibilidade de vitória no primeiro turno


O Blog do Garotinho divulgou hoje pesquisa do Instituto UP (Ulrich Pesquisa) com 2.000 entrevistas, com 2,2 pontos percentuais de margem máxima de erro, que teria sido realizada entre os dias 20 e 22 de maio – não encontrei seu registro no T.R.E.
A pesquisa, em contraste com a divulgada pelo Ibope (onde antes trabalhava o Herich, dono do Instituto UP), apontaria Sérgio Cabral (37%) com apenas 12 pontos à frente de Garotinho (25%) e 22 pontos à frente de Gabeira (15%).
No Ibope, Sérgio Cabral aparece com 43% contra 33% na soma de Garotinho (21%) e Gabeira (12%). Sérgio Cabral teria 57% dos votos válidos, configurando vitória no primeiro turno, mesmo com a margem máxima de erro de 3,4% (812 entrevistas).
No UP, Sérgio Cabral aparece com menos de 48% dos votos válidos, mas podendo ter mais de 50% dentro da margem de erro, o que também configuraria possibilidade de vitória já no primeiro turno.
A grande diferença entre as duas pesquisas está nas intenções de voto para Sérgio Cabral.
NOTA: a pesquisa foi registrada, sim, no dia 28/05, sob nº36013/2010.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Gabeira lança o Plano “B” - de bye-bye…


Para o candidato verde ao Governo do Rio, 2012 falou mais forte do que 2010. Gabeira já sabia que não tinha chance de se eleger Governador. Sabia também que sua candidata à Presidência, Marina, era apenas um faz de conta em termos nacionais. O que estava motivando a manter-se candidato era o suposto sucesso de Marina na cidade do Rio (que lhe ajudaria no futuro) e o excelente acordo com Serra que, na hipótese de vitória tucana, poderia lhe garantir ótima sobrevida. Havia de negativo a companhia de Cesar Maia, que poderia lhe tirar muitos votos – principalmente na sua campanha para Prefeito em 2012. Mas Gabeira imaginava que o saldo seria positivo.
Refeitas as contas, no entanto, o político verde percebeu que 2+2 não chegavam a 43 (Verde), nem mesmo a 45 (PSDB) – no máximo chegariam a 25 (DEM)... Ou seja, poderia ajudar Cesar Maia (DEM) a se eleger Senador, não contribuiria em nada para que Serra (PSDB) parasse de descer a ladeira, não conseguiria ele próprio se eleger e, pior, prejudicaria seu futuro político. Foi aí que ele inventou o Plano B – bye-bye candidatura ao Governo, bye-bye Cesar Maia e até mesmo bye-bye Serra. Gabeira trata de garantir seu cargo de Deputado Federal e preservar sua imagem para as eleições municipais de 2012.
Esse é o quadro, que também garante a re-eleição de Sérgio Cabral praticamente por W.O. Mas, quem sabe, pode ser ainda que Gabeira se entregue às tentações de um Plano R – de Renegociação...

terça-feira, 6 de abril de 2010

Cesar Maia trata Gabeira e Marina como descartáveis


Muito bom o texto de Cesar Maia sobre o imbroglio eleitoral no Rio de Janeiro. De um lado demonstra a confusão em que vive a oposição por toda parte. De outro, mostra Cesar Maia dando aula de esperteza política no verde Gabeira e sua turma. Reproduzo aqui, com destaques em negrito que acrescentei e com alguns comentários também em negrito.

O "IMBRÓGLIO ELEITORAL" NO ESTADO DO RIO!

1. Em ano de eleição, cada vez que surge um conflito entre políticos ou entre partidos, o que está, de verdade, por trás dos fatos são os votos. No caso do Estado do Rio, há um complicador adicional: a candidatura de Marina da Silva. Em 2006, Heloisa Helena teve 6% dos votos no Brasil e 14% no Rio. Então é natural que os candidatos que apóiam Marina Silva queiram potencializá-la no Rio. Até porque, o elemento vinculante pelo número deve agregar legenda aos deputados.
2. Por isso, além do espaço que foi conquistado por razões de alternativa política local, com a candidatura a governador, querem ampliar esse espaço fazendo aparecer o número de Marina mais vezes na TV. Por isso, o interesse em lançar candidato a Senador e obter algum tempo dos partidos associados na campanha de governador. Excluindo os compreensíveis problemas político-hepáticos, é esta a questão central.
“Problemas político-hepáticos” é demais!
3. Em 2009, quando se configurava compulsoriamente uma campanha presidencial em dois turnos, a afirmação de uma candidatura a governador no Estado do Rio apoiada pelos partidos da base de Serra (PSDB-DEM-PPS) era um dado importante para tirar espaço da candidata presidencial do PT. Mas o quadro mudou. A eleição se tornou polarizada, eliminou a possibilidade de inclusão de Ciro Gomes e Marina, com toda a generosidade da imprensa, continuou patinando no mesmo patamar.
4. Dessa forma, criou-se um quadro que a eleição presidencial pode ser decidida no primeiro turno, bastando para tal, que um candidato supere o outro pela votação de Marina. Observando 2006, isso é possível, na medida em que se projeta, no final de agosto depois da entrada da TV, o mesmo emagrecimento que ocorreu com Heloisa Helena. E esta, estava na época, com níveis bem mais altos do que estará Marina em 2010.
5. Assim sendo, o entorno de Serra, respeitando os avanços que já se tinham feito no Estado do Rio, com seus três partidos em relação à candidatura a governador de interesse de Marina, passou a reavaliar, para dentro, esse quadro. A conclusão óbvia é que não vale a pena mais estimular a candidatura de Marina no Estado do Rio, pois Serra pode ganhar no primeiro turno. E se deixou o barco flutuar.
Em outras palavras, perceberam que Marina, além de não crescer nas pesquisas, tira voto de Serra, por ter um eleitorado em potencial com perfil semelhante ao do tucano. Aliás, como falei aqui em postagens de agosto do ano passado (por exemplo, “Marina Silva, fatos e versões” e “Lula andou lendo este Blog”).
6. Paradoxalmente, quem resolveu esticar a corda, exigindo ruptura da coligação para ganhar mais tempo de TV no Senado, foram os que apóiam Marina. Durante 8 meses a mesma cantilena deles na imprensa, pedindo a exclusão do DEM. Os partidos da base de Serra se mantiveram silentes. Esse comportamento foi entendido, ingenuamente, pelos apoiadores de Marina, que havia campo para avançarem. E assim o fizeram declarando que excluiriam o DEM da coligação, usando os argumentos mais esdrúxulos contra um candidato que co-lidera as pesquisas ao Senado e que abre entre os eleitores de renda mais alta.
7. O resultado é que, precipitado pelos que apóiam Marina, se reabriu a possibilidade de se rever a decisão anterior e com isso se reabrir a discussão sobre a candidatura a governador, passando-se a usar o numero 45 nela. É possível que isso leve a eleição estadual para ser decidida em primeiro turno, o que seria algo razoável, pois não se teria eleição estadual no RJ no segundo turno. São essas as questões em discussão atrás das cortinas, e o que vem a público são vozes emanadas de lá e desconectadas do conjunto.
Cesar Maia coloca em dúvida a necessidade de apoio à candidatura de Gabeira a Governador (já que será mais rentável ter um candidato com o número 45 (o mesmo de Serra) do que o número 43 dos verdes, que seria apenas desperdício de tempo). Ao mesmo tempo, reconhece que Sérgio Cabral deve mesmo vencer – e para Serra talvez seja melhor que ele vença no primeiro turno, porque poderia reduzir a participação do PMDB fluminense na hipótese de segundo turno.

Gabeira e Cesar Maia, qual a diferença?


Foi-se o tempo em que se podia pensar em traçar linha divisória bem nítida entre os perfis do Deputado Fernando Gabeira (PV) e do ex-Prefeito Cesar Maia (DEM). Aliás, os dois são extremamente parecidos em suas trajetórias da esquerda para a direita.
Cesar Maia começou na esquerda estudantil como militante do PCB. Com o golpe militar, foi pro exílio no Chile e na volta entrou no PDT de Brizola. Depois, PMDB, PFL, PTB, e PFL novamente, que agora se chama DEM.
Gabeira, como militante do MR-8, fez parte da luta armada contra o golpe militar. Foi pro exílio e na volta entrou no PT, depois PV, PT novamente e PV novamente.
Cesar Maia deu sua guinada para a direita quando largou Brizola. Gabeira demorou mais na viagem, fez um estágio ecológico (com destaque para a maconha) e depois usou o ex-Deputado Severino Cavalcanti como trampolim para alcançar os apetitosos votos conservadores com um discurso ético bem ao estilo de Cesar “Lacerda” Maia.
Unidos pelo discurso, trataram de se opor ao Governo Lula e, na esfera do Estado do Rio, ao Governo Sérgio Cabral. Foi assim que se lançaram candidatos a Governador (Gabeira) e a Senador (Cesar), em uma grande aliança de apoio ao tucano Serra (que inclui ainda a “alternativa” Marina). Tudo bem lógico. Mas parece que toda essa lógica desandou com as águas de março. Trazendo pesquisas debaixo do braço, Gabeira, depois de elogios ao neo-aliado, decidiu alegar que a aproximação de Cesar Maia afasta 17% de seus eleitores. E por incrível que pareça ele tem alguma razão.
O voto conservador de Gabeira tem tonalidade Zona Sul, mais festiva do que a Zona Norte, que tipifica o voto conservador de Cesar Maia (que, além disso, conquistou também largas fatias de voto popular). Como todo esse imbroglio acontece unicamente na Capital – que é onde Gabeira tem voto – podemos concluir que esses olhos verdes estão mirando apenas 2012, quando acontecerão as eleições municipais.
Diferenças profundas não existem mais – unidos pela esquerda no passado, os dois estão cada vez mais firmes na curva para a direita.

domingo, 28 de março de 2010

Vox Populi, RJ: Marina lidera na rejeição, menos na Capital


(Clique no gráfico para ampliar)

Pesquisa quantitativa realizada pelo Instituto Vox Populi no estado do Rio de Janeiro, entre os dias 20 e 22 de março de 2010, com 1.000 entrevistas, margem de erro máxima de 3,1 pontos percentuais.

Marina surpreende por liderar a rejeição. Talvez por causa do desconhecimento, principalmente no Interior. Na Capital, o apoio de Gabeira junto à classe média da Zona Sul reduz a rejeição.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Vox Populi, RJ: Sérgio Cabral vence no primeiro turno para o Governo do Estado


Pesquisa quantitativa realizada pelo Instituto Vox Populi no estado do Rio de Janeiro, entre os dias 20 e 22 de março de 2010, com 1.000 entrevistas, margem de erro máxima de 3,1 pontos percentuais. Clique nos gráficos para ampliar.

A diferença de Sérgio Cabral (PMDB) para seus adversários Garotinho (PR) e Gabeira (PV) é muito grande e lhe daria (se esse fosse o resultado eleitoral) vitória no primeiro turno.
A vantagem de Sérgio Cabral pode ser percebida em todas as regiões, Capital (36%) e Interior (39%).

sábado, 16 de janeiro de 2010

Eleições 2010, RJ: oposição conservadora faz aliança pensando em armação no Horário Eleitoral Gratuito

A coluna de Dora Kramer no Estadão de hoje falando dos acertos entre o tucano José Serra e o demo Cesar Maia (“Serra foi a Cesar”) revela que “o que se pensa (para viabilizar a aliança de PSDB, PV, PPS e DEM tendo dois candidatos a presidente) é em reservar parte do programa para que o vice do PSDB peça votos para José Serra. Nos outros atos de campanha, Gabeira terá material de Marina e os demais integrantes da coligação distribuirão propaganda de Serra”. Não me parece que a lei eleitoral permita isso. No tempo reservado ao candidato a governador, o candidato a presidente pode entrar pedindo voto para o candidato a governador. O candidato a governador (ou vice) pode pedir voto para o candidato a presidente no tempo reservado ao candidato a presidente. Ou será que vai mudar tudo? Não acredito. Ou é armação ou é capaz da Marina virar mesmo vice de Serra. Essa oposição anda perdida até no meio dos achados...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Marina, pelo jeito, preferiu "endireitar" a máquina

Ao decidir “preparar a máquina para a campanha”, a Senadora Marina Silva, pré-candidata à Presidência pelo PV,aparentemente fez mais do que iniciar um checkup no Instituto do Coração, da Universidade de São Paulo. Ela tratou de desobstruir os canais com a oposição mais à direita. Suas conversas com Serra (PSDB) contribuíram para a aliança carioca em torno do “tucano-verde” Fernando Gabeira como candidato único da oposição conservadora ao Governo do Rio. Com isso, seus canais mais à esquerda com o PSOL ganharam obstruções. O que é ruim para Serra, que contava com esses votos em Marina para tirar alguns votinhos de Dilma (PT) – que, por sua vez, pode ficar mais perto de vencer no primeiro turno. Gabeira – que atualmente tem um terço das intenções de voto de Sérgio Cabral – ganhará alguns minutos importantes no horário da TV, mais não poderá contar muito com os votos de esquerda que o ajudaram a crescer tanto na disputa pela Prefeitura do Rio em 2008. Nem poderá contar com o tucano-rei da Baixada, Zito, hoje muito mais chegado a apoiar a re-eleição de Sérgio Cabral (PMDB) – que ainda poderá vencer no primeiro turno. O voo dado por Marina não deve levá-la longe. Além disso, ao preferir ouvir o canto gralhado tucano, ela se esqueceu de que lado sempre bateu seu coração.
Revejam a pesquisa que publiquei para a disputa para Governador do Rio e também para Presidente (somente no Estado do Rio de Janeiro). Clique nos gráficos para ampliar.


 


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Datafolha aponta vitória de Sérgio Cabral no primeiro turno

A Pesquisa Datafolha divulgada hoje mostra o que mais ou menos eu tenho dito aqui no Blog: Sérgio Cabral (PMDB) poderá vencer no primeiro turno, por falta de oposição forte. A pesquisa tem cenários com Gabeira (PV) e com Lindberg (PT), mas deixei de lado, porque os dois não devem ser candidatos (além disso, pouco alterariam no final). Considerando o cenário com Sérgio Cabral, Garotinho e Cesar Maia, os votos válidos do atual governador seriam mais que 50%. Veja os gráficos:






quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Gabeira x Battisti: mistério na blogosfera


O site congressoemfoco de hoje reproduz notícia de 18 de março de 2007, quando Gabeira, em seu Blog, teria feito uma postagem com “Battisti merece nosso apoio” (ver o texto abaixo). Mas quando se clica no link blog, abrimos o Blog do Gabeira com a mensagem “Error 404 - Not Found”. Indo ao Blog do Gabeira, no dia 18 de março de 2007, encontramos a postagem “Um segundo júri”, com texto (ver abaixo) completamente diferente do apresentado pelo congressoemfoco. Estranho, muito estranho. Com a palavra, o Deputado Gabeira, para explicar o que houve. (Leiam os textos abaixo antes que desapareçam na blogosfera).

Gabeira: “Battisti merece nosso apoio”
O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) afirmou hoje em seu blog que quer apoiar o italiano Cesare Battisti, preso na manhã deste domingo pela Polícia Federal em Copacabana. Battisti estava foragido havia 26 anos e é apontado como ex-terrorista de extrema-esquerda.
“Battisti merece nosso apoio, conforme já o demos a outros italianos presos em nosso país”, afirmou o parlamentar.
Battisti foi um dos chefes da organização de extrema-esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), ligada às Brigadas Vermelhas. Ele foi preso em 1979, fugiu em 1981 e foi julgado à revelia, sendo condenado pela Justiça italiana à prisão perpétua em 1993, por ter matado quatro pessoas, entre 1978 e 1979.
Battisti sempre negou envolvimento nos crimes.
Confira a íntegra do texto de Gabeira
"Foi preso no Rio o escritor italiano Cesare Battisti, que passou anos de exílio em Paris. Battisti vive um pesadelo, pois os anos de conflito na Itália continuam. O país não resolveu, como o nosso, deixar cicatrizar as feridas dos anos 60.
Ele recebeu asilo político no período de Miterrand e , depois, nos anos Chirac este asilo lhe foi anulado. Caso raro na justiça européia.
Publicando seus livros quase que anualmente, Battisti é um homem dedicado ao seu trabalho intelectual. Políticos como François Hollande já lhe deram apoio.
Battisti merece nosso apoio, conforme já o demos a outros italianos presos em nosso país. Este caso é diferente pela sua repercussão internacional,
Começo a trabalhar. Acompanhem pelo blog".


Um segundo juri

A prisão de Cesare Battisti no Brasil coloca uma série de problemas. A primeira reação das pessoas é tratá-lo como terrorista e compará-lo a Fernandinho Beira-Mar, conforme algumas mensagens. No entanto, esta certeza deveria ser um pouco relativizada.
Há dois livros chaves para se entender o assunto. Um em defesa de Battisti, escrito por Fred Vargas, que mostra as imperfeições do processo. Outro livro, Generation Battisti, fala da importância simbólica do seu caso para todos os sobreviventes das lutas dos anos 60.
Tudo que estamos pedindo é que a justiça brasileira aborde a complexidade do tema e não tome medidas apressadas. No momento, François Bayrou, candidato do centro à presidência, afirmou que Battisti merece um segundo júri.
Isto foi um grande problema na França. Condenado à prisão perpétua, por uma legislação especial, não tinha chance de ver sua situação revista num contexto mais democrático. Além disso, na França circularam muitas críticas ao processo, sobretudo por apontar crimes atribuídos a ele em cidades diferentes, praticamente ao mesmo tempo.
Respeitamos todas as posições. No entanto, o debate seria melhor se houvesse um pouco mais de informação sobre o caso Battisti e para isto o Google é um bom ajudante.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Eleições 2010 no Rio: César Maia faz a análise dos seus sonhos

No seu Ex-Blog de hoje, César Maia faz uma análise do “Quadro Eleitoral no Estado Rio” e, como sempre, dá um tom aparentemente científico, mas que deixa muito a desejar – exatamente porque trata-se apenas de objeto do seu desejo. Ele tenta provar que haverá segundo turno na eleição para Governador do Rio – o que pode até acontecer, mas não pelos motivos que ele alega. Começa dizendo que “nenhum candidato alcançará os 30%”, o que contradiz algumas pesquisas que apontam Sérgio Cabral, dependendo do cenário, até mesmo com mais de 40%. O Instituto Mapear, conforme já publiquei aqui, coloca Cabral com 36% (em cenário com Gabeira 13%, Garotinho 16% e Wagner Montes 19%) e 47% (em cenário com César Maia 5% e Garotinho 19%). César Maia compara a situação de 2010 com o resultado do primeiro turno de 2006, quando “Cabral teve 37% dos votos e Denise Frossard 22%”, e ele mesmo reconhece que naquela eleição “o quadro era mais forte e diversificado que o atual, com Crivella, Eduardo Paes, Wladimir Palmeira, Lupi, além de Cabral e Frossard” (dá pra entender a contradição?). Adiante ele afirma que “30% de Cabral devem ser seu teto em campanha”, baseado em que a candidatura de Gabeira (que não deverá ser candidato...) será mais poderosa do que o “quadro mais forte” de 2006. Ele volta a falar na candidatura de Lindberg (que está fora de questão) como mais um complicador na vida de Sérgio Cabral e inventa mil e uma situações que lhe agradam. Não lhe passa pela cabeça, por exemplo, que Denise Frossard pode até mesmo apoiar a re-eleição de Cabral e que Garotinho pode desistir da candidatura, quando perceber que pode ser que não haja segundo turno. César Maia deve lembrar muito bem do velho slogan de Gabeira (É só querer) e sabe que isso não dá certo. Veja seu texto completo:
QUADRO ELEITORAL NO ESTADO DO RIO!
1. A cada dia fica mais claro que a eleição para governador do Estado do Rio terá um garantido segundo turno, e que nenhum candidato alcançará os 30%. Use-se como referência a eleição para governador de 2006. No primeiro turno, Cabral teve 37% dos votos e Denise Frossard 22%. O quadro era mais forte e diversificado que o atual, com Crivella, Eduardo Paes, Wladimir Palmeira, Lupi, além de Cabral e Frossard.
2. Frossard venceu Cabral na Capital e em Niterói, com quase 30%, Cabral ficou próximo. É evidente que uma candidatura a governador como a de Gabeira, alcançará resultado ainda mais expressivo na Capital e em Niterói. Hoje, nenhuma pesquisa lhe dá menos que 35% nessas duas cidades, que representam mais de 45% do eleitorado.
3. Cabral vem se equilibrando com um pouco menos de 30% nas pesquisas informadas. Isso, com uma imprensa -digamos- extremamente paciente e com todo o palanque de Lula que se arma no ERJ a cada 15 dias. Com a campanha em ação, os espaços de seus adversários serão muito maiores para a crítica, seja pela própria cobertura da imprensa (mesmo que com candidato preferencial), seja pelo acesso a TV e Rádio, publicidade gráfica e em carros de som, além da mobilidade pessoal aberta. Sendo assim, esses quase 30% de Cabral devem ser seu teto em campanha.
4. Garotinho, chamado pela esfera federal para ser outro palanque para Dilma, já ultrapassa os 15% e vence Cabral nos segmentos de menor renda e nível de instrução. Lindbergh, na medida em que comprove que sua candidatura agrega a Dilma (independente de quem perca), espalhará ainda mais o voto, com as intenções de voto já registradas na Baixada. 5. Com isso, teríamos um quadro de 4 candidatos, onde as possibilidades do segundo turno serão uma análise combinatória de quatro, dois a dois. Com esse quadro, quem alcançar 25% estará certamente no segundo turno.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Gabeira não gosta de Brasília, mas reconhece que é difícil vencer no Rio

O Deputado Fernando Gabeira (PV) deu uma entrevista interessante a Ana Paula Grabois, do Valor Econômico. Ele se diz "cansado de Brasília", onde cumpre o quarto mandato consecutivo na Câmara Federal. “O ambiente do Planalto Central, onde apenas se respira política, não é um atrativo para Gabeira. Acha até monótono”, escreve Ana Paula. É natural portanto que sonhe com um cargo que o mantenha no Rio de Janeiro. Pressionado pelos aliados tucanos, bem que pensou em candidatar-se a Governador em 2010. Mas ele vê o atual Governador Sérgio Cabral como candidato "muito forte", por isso prefere examinar melhor - porque não quer levar seus eleitores “a uma nova derrota", diz o deputado. Em outras palavras, Gabeira deve tentar voltar à Brasília que ele acha monótona como Senador ou Deputado Federal...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Para que lado pende a cruz de Gabeira?

Gabeira escreve hoje, na Folha de São Paulo, um artigo ("Futuro do Senado") em que pretende analisar a crise que se implantou por aquelas bandas. Ele não aprofunda a discussão, claro. No final diz que "a transparência em si apenas revela e intensifica a crise" (o que soa estranho) e pergunta "Como desatar esse nó num jogo tenso, com tantas denúncias?". Ele responde: "Para que seja vencida, é preciso uma ação articulada, ainda que levada pela minoria. Numa batalha dessa dimensão, quase ninguém sairá ileso. (...) A tarefa existe. Não há santos? Que a realizem os pecadores". Depois de ter se tranformado em herói ético, Gabeira emaranhou-se no "caso das passagens" e no "caso da namorada". Como agora aparentemente ele pretende candidatar-se ao Senado pelo Rio de Janeiro, a questão que fica é se ele se apresentará como santo ou pecador.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Humor: Gabeira pra lá de Caxias

Gabeira escreve hoje na Folha um artigo (“Pra lá de Teerã”) criticando o Brasil por “não-crítica” ao Irã. Tudo bem, está no papel e no direito dele. Quer embarcar na gritaria geral contra Ahmadinejad, aproveitando a onda onde surfa o seu eleitorado. Com isso, ele marca sua posição anti-Lula e tenta limpar a barra depois do caso das passagens. O engraçado está em sua frase, quase no final, combatendo a política externa brasileira. Diz ele que “alinhar-se aos setores mais conservadores (...) é qualquer coisa pra lá de Teerã”. Logo ele que fala! Na sua campanha para Prefeito do Rio aliou-se ao que há de mais conservador, indo do lacerdismo de César Maia ao polêmico Prefeito Zito, de Caxias. É o caso de se perguntar: que barato é esse, Gabeira?

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Caso Gabeira: Blog do Mello fez o que a grande mídia não fez - entrevistou Severino Cavalcanti...

Onde estão nossas grandes escolas de jornalismo? O que faz o Jornal Nacional, nosso baluarte do telejornalismo? Algo está errado, porque um dos grandes acontecimentos de 2006 (2 de setembro) foi a fala de Gabeira no plenário da Câmara, de dedo em riste, acusando e ameaçando o então Deputado Federal e Presidente da Câmara Severino Cavalcanti. Foi a partir daí que Fernando Gabeira cresceu junto ao eleitorado lacerdista como paladino da "ética". Com o escorregão "ético" de Gabeira, seria absolutamente natural entrevistar a sua vítima, Severino Cavalcanti, para saber sua opinião a respeito. Ninguém fez isso, exceto o Blog do Mello, que simplesmente ligou e falou com o atual Prefeito de João Alfredo, em Pernambuco. Leia trechos aqui e vá ao Blog do Mello para ouvir a entrevista.
Severino Cavalcanti fala:
Sabe o que acontece? Eu não gosto de pisar em ninguém que está por baixo. Ele agora está sendo humilhado por ele mesmo. Eu vou preferir deixar passar a pose dele, ele repor o dinheiro que recebeu... É melhor eu não declarar nada agora não.
(...) Isso aí você pode até dizer com relação a Gabeira, dizer que eu disse que ele não tem autoridade pra criticar ninguém. Porque até hoje eu estou...não tive nada... quando eu era presidente da Câmara, nunca dei passagem pra ninguém não. As passagens minhas quem gastava era eu, porque eu usava as passagens pra visitar minhas bases. Eu estava aqui: todo final de semana eu vinha pra Pernambuco. Ele que era o paladino, não podia nunca fazer isso, se mandar para a Europa...
EM TEMPO: Na busca do vídeo "Fernando Gabeira x Severino Cavalcanti" dentro do site global temos a seguinte mensagem:
Conteúdo Indisponível. Este vídeo não pertence mais ao catálogo do Globovídeos. Aproveite os mais de 500 novos vídeos cadastrados todos os dias.

O perigo da percepção: você compraria uma passagem usada deste homem?

imagem gabeiracom O político Fernando Gabeira não se tornou nem melhor nem pior depois dessa história das passagens aéreas. Ele continua sendo o mesmo Gabeira que era jornalista, que se tornou "guerrilheiro" de esquerda, que foi exilado, que voltou verde, com novas propostas comportamentais, usando tanguinha e defendendo o uso da maconha, que se candidatou com essas bandeiras, primeiro pelo PV e depois pelo PT, que foi eleito com votos mínimos, que depois levantou a bandeira da "ética", deu uma guinada mais à direita, aliou-se à Oposição, passou a ser eleito com votos máximos e, na última eleição para Prefeito do Rio, surpreendeu e que, por pouco, pouco, muito pouco mesmo, não foi eleito. O que mudou então? Acontece que as bandeiras são intocáveis. A bandeira que dá mais votos é também a que mais tira quando é contrariada. Com a bandeira da "ética", Gabeira tinha conquistado corações e mentes dos lacerdistas do Rio de Janeiro. Ele já era considerado pule de 10 para uma das vagas ao Senado em 2010, e havia até quem considerasse que seria um bom candidato a Governador (um risco muito grande de ficar sem cargo, principalmente para um político que já beira os 70). Hoje já existem no mínimo fortes dúvidas entre os moralistas lacerdistas. Há quem seja categórico em afirmar que ele agora só garante a eleição de Deputado. Talvez sim, talvez não. Depende muito de suas próximas ações, se serão convincentes ou não. Ele fez bem em não querer aparecer no noticiário (ontem o Jornal Nacional finalmente colocou seu nome em pauta, mas parece que ele não quis gravar entrevista). Seu texto de hoje no blog é bom, promete luta, mostra que ele entrou em parafuso, mas tenta se recuperar ("Pela primeira vez, acordo otimista para ir a Câmara. Acho que há condições de superar esta crise das passagens aéreas"). O problema é que as percepções não costumam ficar apenas arranhadas. Elas são o que são, ou deixam de ser. Não dá para fazer uma simples maquiagem. É preciso reconstruir a imagem. São necessários outros ritos de passagem.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

A passagem de Gabeira pelo Jornal Nacional

Aparentemente o Deputado Federal Fernando Gabeira não fez reserva ou perdeu o vôo. Apesar de tanto o GloboOn quanto os Em Cima da Hora da GloboNews terem colocado o seu nome na lista de passageiros parlamentares beneficiados pela farra das passagens, o Jornal Nacional decolou sem levá-lo na reportagem. Com isso o JN comete pecado tão (ou mais) grave quanto os dos parlamentares. Quando interessou promover Gabeira utilizando os seus “discursos éticos” contra Severino Cavalcanti e também contra o Governo Federal, o telejornalão global foi pródigo em textos e imagens. Agora que seu protegido contraria os próprios discursos, ele aperta o cinto da informação e providencia pára-quedas salvadores para Gabeira. Não quero aqui colocar o dedo na ferida dos tucanos-verdes. Mas o que o Jornal Nacional fez – como costuma repetir minha filha de oito anos – não é justo. A ANAC (Agência Nacional de Alta Comunicação) tem que intervir.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Gabeira já está em campanha para 2010

Na primeira página de hoje da Folha da Manhã, principal jornal de Campos dos Goytacazes, RJ, reportagem sobre encontro entre Gabeira e Luiz José de Souza, coordenador do CRD - Centro de Referência da Dengue de Campos - o único existente no Brasil. No mesmo dia do encontro, ele publicou artigo na Folha de São Paulo sobre o tema, e já pensa em um CRD para a cidade do Rio de Janeiro. Obviamente, Gabeira está pegando carona nas asas do mosquito da dengue para iniciar a decolagem de sua candidatura em 2010, seja para Senador, seja para Governador. Os outros candidatos devem se preparar para a possível febre "gabeirite"...

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O debate de César Maia

Por causa do trabalho, nem lembrei dos debates. Consegui ver os dois últimos blocos do debate entre Eduardo Paes e Fernando Gabeira pela Prefeitura do Rio (onde eu estava não foi possível ver o debate em outras cidades). Ao meu lado, um eleitor do Gabeira, profissional de comunicação. Devo confessar que esperava um massacre do Gabeira em Eduardo Paes e fiquei surpreso com o que vi. E hoje, quando li o Ex-Blog de César Maia analisando o debate, ri muito. César Maia é mestre em dar um tom doutoral às suas opiniões, mesmo que elas estejam bem distantes da realidade. Claro que só vi a parte final e não posso dizer se Eduardo Paes foi muito agressivo na parte inicial. Mas o que vi não passou "a agressividade e a tensão de Paes" como escreve César Maia. Muito ao contrário, Eduardo Paes passou segurança. Diz o Ex-Blog: "A comunicação na TV é imagem. A imagem na TV exige uma voz escandida, pautada, serena. A fala rápida, a voz mais alta, denotam insegurança. E as agressões reiteradas e o deboche, em vez de serem engraçados, como ele pensa, chocam quem o vê em sua casa". Pois bem, concordo com isso e cheguei a conclusões opostas. O ar blasé de Gabeira e um tom permanentemente irônico fizeram mal à sua participação. Pareceu que ele, Gabeira, estava o tempo todo procurando demonstrar superioridade, fazendo pouco do oponente. A fala mais pausada fazia parecer que estava tentando arrumar o pensamento, buscando a informação certa que não sabia onde encontrar. Pareceu-me despreparado. Aliás, um trecho do Ex-Blog explica um pouco: “A insistência de Paes de aparecer como síndico passa para quem vê ser candidato a prefeito de um pequeno município. As ironias com Gabeira reforçam a imagem de Gabeira de candidato com dimensão a prefeito de uma cidade global”. Isso mesmo. Para o eleitor que já vai votar em Gabeira, da Zona Sul, é assim que funciona – mas não traz nenhum voto. Para o eleitor indeciso, da Zona Oeste e de outras regiões carentes, para os “suburbanos” de Gabeira, o que vale é o conhecimento imediato, o feijão-com-arroz do dia-a-dia da cidade. Nisso, Eduardo Paes ganhou muito. Mostrou-se antenado com a cidade real. A citação contínua do apoio de César Maia a Gabeira pode até não ter contribuído para tirar votos na Zona Sul, mas serviu para envergonhar o voto carioquista em Gabeira. Por fim, quero comentar o olhar dos debatedores e mais uma vez discordar de César Maia. Se é verdade que não necessário em um debate o olhar permanentemente fixo na câmera, é verdade também que, ontem, Gabeira simplesmente ignorou o eleitor-telespectador. Enfim, não tenho a menor dúvida de que Eduardo Paes venceu o debate. Não voto no Rio, portanto ele não corre o risco de ganhar um voto a mais. Mas o eleitor do Gabeira (e que não gosta do Eduardo Paes) que estava ao meu lado balançou.