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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Xô, Roliúdi!


Gostei do Lula ter considerado algumas peças do Horário Eleitoral muito “hollywoodianas”, como escreve a Folha. Não quero desmerecer João Santana e sua equipe – mas está na cara que alguém estava pisando na bola, e quem me acompanha já me viu criticando (e também elogiando) o Programa Eleitoral da Dilma. Hoje, na hora do almoço, deu para perceber como melhorou a edição petista do Debate da Rede TV!. Ficou mais dinâmico, mais didático, bem superior à edição feita pelo pessoal do Serra (que estava um tédio!), algo completamente diferente da edição do Debate da Band. Se continuarmos avançando assim, a “caravana rolidei” chega fácil ao ponto mais alto do podium.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Dilma ganhou o debate, mas perdeu a versão do debate no Horário Eleitoral


Inacreditável o que a campanha da Dilma conseguiu fazer com a versão do Debate da Band. Perdeu feio para a versão feita pela campanha do Serra. Algumas comparações:
Serra: apresentadora bem água com açúcar, em clima ameno, cor de rosa, falando manso.
Dilma: três apresentadores, jovens, classe média, em plano mais fechado, fundo depressivo, alternando as falas, agitados.
Serra: títulos que separam os temas dos debates usados como peças de propaganda. Por exemplo: “Contra as privatizações do PT”.
Dilma: títulos que separam os temas dos debates usados burocraticamente, como índices de fichários. Por exemplo: “Privatizações”.
Serra: cenas do Debate alternadas com reportagens dentro do tema.
Dilma: cenas do Debate sem interrupções, áridas, dando mais duração àquele fundo horroroso.
Versão Serra: Debate leve e eficiente.
Versão Dilma: Debate pesado, negativo.
Não valeu a pena o superesforço da campanha Dilma para apresentar a versão do Debate no Horário da tarde, porque perdeu na disputa de versões. A campanha Serra teve mais tempo, inclusive para mudanças de última hora depois de assistir à versão de Dilma.
Um desastre. Por favor, ponham o Lula de volta, dialogando com Dilma, em um programa mais emocionante, mais verdadeiro, mais motivador. Vocês sabem fazer isso.

Bater ou não bater, eis a questão


Já citei várias vezes minha regra de ouro, “quem está na frente não olha pra trás”. E é assim mesmo que deve ser em disputa eleitoral. Olhar pra frente, avançar, insistir nas propostas vencedoras, mostrar clima de vitória, sem precisar perder tempo em tentar atingir quem está atrás. Mas, atenção, “não olhar pra trás” não significa parar para descansar e calçar sapato alto. Isso o eleitor não perdoa. Como também não perdoa aquele líder que, evitando bater em quem está perdendo, demonstre medo, fraqueza, despreparo. E era isso que estava acontecendo na campanha Dilma. Um marasmo completo, por puro medo. Serra avançava facilmente, parecia até vitorioso.  No debate de ontem, na Band, Dilma recolocou os pingos nos ii. Partiu pro ataque, demonstrou que não tem rabo preso nem teme a baixaria dos boatos, pegou o adversário de caça arriada. O eleitor precisava sentir isso. E a militância mais ainda. Estava todo mundo acuado, com medo não sei de quê. Com o debate, o militante ganhou novo ânimo, motivação para ir à luta. Partir para o ataque foi decisivo para vencer o segundo turno.  A Oposição nitidamente sentiu o golpe. Serra e Guerra (êê, duplinha!), reconhecendo a surpresa, apressaram-se em rotular Dilma de “agressiva”, como sendo algo negativo. A Folha publica que também o coordenador de comunicação da campanha de Serra, Luiz Gonzalez, teria dito que “Dilma fez um debate para a militância, não para o eleitorado” e teria se sentido“surpreso pela estratégia de Dilma, mas apostou que isso provocará queda, a exemplo do que aconteceu com Alckmin em 2006”. Mas essa situação é bem diferente. Alckmin, em 2006, partiu para o ataque na base do desespero, contra um Lula que liderava com tranquilidade. Agora, bem ao contrário, Dilma não está no desespero. Lidera a disputa e apenas reage às baixarias da Oposição e ao marasmo de sua campanha. Falou para o militante e também para o eleitor. Ponto pra Dilma.
Aproveito ainda para me opor a essa história de que é preciso tirar Lula de cena para mostrar que a candidata tem voo próprio. Claro que não se deve saturar a campanha com Lula. Mas ele é a principal referência do país, um ícone importantíssimo que não pode ser largado sem mais nem menos. É claro que devemos mostrar o que temos de melhor, e é possível fazer isso sem anular a personalidade e a performance de Dilma. Chega de ver chifre em cabeça de cavalo.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Debates 2010: laranjas engolem verdes


Tudo começou com o primeiro debate da Band. O psolista octagenário Plínio de Arruda Sampaio demonstrou firmeza nas ideias e juventude na disposição. E surpreendeu. Não por ter atacado Serra e Dilma, mas surpreendeu principalmente por seus ataques mortíferos à verde Marina. Tratá-la como ecocapitalista foi impressionante. Agradou em cheio a faixa jovem classe média.
No debate de ontem, novamente os verdes foram alvo fácil. O candidato psolista ao Governo do Rio, Jefferson Moura, foi impiedoso com todos os adversários, mas principalmente estraçalhou o superverde Gabeira. Marcou-o brilhantemente como “Ex-Gabeira” (aliás, funciona também como bela associação ao “Ex-Blog” de Cesar Maia), deixando-o mais nocauteado do que já estava.
Esses laranjas psolistas não são vermelhos. Mas com certeza são bem mais maduros do que os verdes.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Eleições 2010: Cesar Maia entrega os pontos


O Ex-Blog de hoje, escrito por Cesar Maia (DEM), poderia se chamar "Desisto". Com o pretexto de criticar a letargia das campanhas presidenciais em geral, ele demonstra o desespero que tomou conta da Oposição por sua total incapacidade de oferecer ao povo brasileiro um futuro melhor do que o presente lulista. Ao contrário, a Oposição só tem a oferecer a imagem de FHC no retrovisor. O único entusiasmo de Cesar Maia é com sua própria candidatura ao Senado pelo Rio de Janeiro, que tem grandes chances de vitória - embora comece a ser ameaçada por Lindberg (PT). Leia o Ex-Blog:

A CAMPANHA MAIS FRIA DA HISTÓRIA!
                   
1. Por onde se circula - capitais, municípios metropolitanos e interiores- não se consegue ver nenhuma iniciativa das campanhas presidenciais. A exceção se dá quando um candidato se apresenta -fisicamente- num local. E apenas por aquelas duas horas. E é essa a avaliação por todo o país. E que não se culpe a imprensa, pois essa tem feito força para animar a campanha, excedendo-se na divulgação de propostas e de conflitos.
2. Falta experiência eleitoral à candidata do governo, é verdade. Mas sobra no da oposição. E quando se pensava que a alternativa ambiental viria com alguma "verdade inconveniente", o que se vê é um bom comportamento que beira a uma espécie de 'saudades do governo'. O debate da Band foi apenas a apoteose da falta de brilho e de consistência.
3. As candidaturas favoritas fazem suas campanhas como se a instância presidencial estivesse completamente separada da política regional. Nem informação - reclamam as "bases" de ambos os lados- se tem. Isso, num país continental, em que por mais que os candidatos andem, não chegarão - diretamente - a 0,5% dos eleitores. E, por isso mesmo, precisam mobilizar suas "bases" para que estas deem capilaridade à campanha. A animação que se tentou com as Farc sequer passou pelo crivo de uma pesquisa que diria que as Farc não existem no imaginário do eleitor médio. Quem existe é Chávez.
4. Essa letargia pode até interessar a candidatura do governo, mas a sensação que se tem é que ocorre menos por estratégia que por falta de talento. E a oposição vive enjaulada numa tentativa de explicar ações do atual governo pelas ações do governo anterior. Só que, as ações do governo anterior - quando percebidas positivamente - se referem a 12 anos atrás. Ou seja, quem tem hoje 25 anos, tinha na época 13 anos, e quem tinha 70 anos, tem hoje 82. O que passa é que vai tudo bem e, se vai bem, para que mudar, comentava uma dona de casa num município do interior do Estado do Rio, semana passada.
5. O debate na Band foi a expressão desse quadro. Se os atores tivessem recebido um script para representar uma campanha insípida e inodora, não poderiam ter se saído melhor. O destaque foi nostálgico: como eram animados os anos 50, poderia se dizer do candidato da poli-oposição, que ainda ironizou os demais, batizando-os, num 'revival' de Brizola. E 'coerentemente' se debateu o tema saúde em torno dos mutirões de cirurgia -ou seja- daquilo que não foi feito pela rede e se tenta corrigir depois.
6. Lembre-se que, faltando 50 dias para as eleições, o eleitor já começa a transformar sua intenção inicial de voto em decisão final. Quem usa a audiência do debate como justificativa para torná-lo inócuo, se esquece da cobertura da imprensa, que por três dias abriu todos os espaços -escritos, ouvidos e vistos- para tratar do tema. A audiência pós-debate foi, assim, muito grande. E já veio com as conclusões: foi um não debate.
7. Agora, todos se concentram nos programas e comerciais na TV como se a criatividade dos publicitários pudesse transformar a realidade e produzir o milagre de mudar os  produtos pela substituição da embalagem. A pré-campanha, como dizia Paul Lazarsfeld nos anos 40, é o momento da fotografia (de seu tempo), impregnando a imagem no celulóide. E a campanha é a revelação dessa imagem impregnada. Se não há pré-campanha, dizia ele, não há campanha.
8. Se os presidenciáveis pensam que a campanha é na TV, como não houve pré-campanha, a atenção estará voltada para as pesquisas, com cada um torcendo por elas, como se pudessem ser o retrato do que não fizeram.  E se popularidade do presidente fosse a pedra de toque, o presidente do Chile hoje não seria Piñera e Churchill não teria perdido a eleição 3 meses depois de terminada a segunda guerra.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Por que Dilma venceu o debate.


Primeiro é bom esclarecer que em um debate àquela hora, com 3% de audiência, é difícil alguém perder. Esses debates servem mais como aquecimento de campanha, material para jornais do dia seguinte e material para ser usado (quando permitido) no Horário Eleitoral – esse, sim, um debate de grande audiência.
Ontem, quem mais perdeu, se é possível dizer assim, foi Marina, com eleitorado que dorme mais tarde e que tinha enorme expectativa em relação a seu desempenho. O que se viu foi uma candidata literalmente verde, que (estranhamente) não parava de saltitar, de rosto caído (os óculos jogavam os olhos ainda mais pra baixo), fraca no que disse a maior parte do tempo.
O candidato psolista Plínio não tinha nada a perder – nem a ganhar.
Serra, que teve desempenho dentro do esperado por sua experiência, perdeu. Perdeu porque não conseguiu derrotar Dilma (que está 10 pontos à sua frente!) e ainda usou uma tática que deu realce à candidata petista. Preocupado em não se opor a Lula (com seus 80% de aprovação) Serra, sempre que atacou o atual governo, fez questão de dizer que esse era o governo de Dilma. Errou. Primeiro porque trata-se de um governo bem avaliado (mesmo entre os que estavam acordados assistindo o debate) e isso acabou servindo como um qualificador de Dilma. Segundo porque, com suas perguntas e ataques, deu oportunidade para Dilma demonstrar que tem capacidade administrativa e que dispõe de todas as informações sobre a “máquina Brasil”. Serra só ganhou entre quem já era eleitor dele.
Dilma teve início titubeante – como era esperado. Mas rapidinho deu a volta por cima, porque todos falavam de temas que ela dominava. Tomou pé da situação e logo começou a falar tranquilamente sobre tudo e sobre todos. Seu ponto alto foi não ter se pendurado em Lula. Ao contrário do que todos imaginavam, deixou para citá-lo mais para o final. Favorecida pelo erro de Serra em referir-se ao governo como sendo dela, passou a imagem de que também está no comando. Teve a tranquilidade de quem lidera as pesquisas. Teve maior exposição durante o debate e sua grande virtude foi ter neutralizado as manchetes dos jornais de hoje.
A maior confirmação da vitória de Dilma foi Cesar Maia tuitando hoje: “Eta debatezinho de nada. Nem forma nem conteúdo. Sobrou pouco”. O pânico da Oposição deve aumentar.