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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Colômbia X Venezuela: Lula aplicou golpe preciso em Hillary, antes que ela metesse os pés pelas mãos


Vamos combinar o seguinte – interessa muitíssimo aos Estados Unidos fincar os pés definitivamente na região amazônica, e a Colômbia, ultimamente, tem sido o melhor caminho. Com a justificativa do combate ao narcotráfico, os Estados Unidos transformaram a Colômbia no terceiro maior destino de suas verbas entre todos os países do mundo. Com a presença longa e em grande extensão dos homens das FARC, encontraram outra boa desculpa para impor suas bases militares próximas às fronteiras com o Brasil. O estilo verborrágico de Chávez também serviu de desculpa e Uribe foi um aliado de mão-cheia.
Quando tudo indicava que a Colômbia poderia se transformar em uma espécie 51º estado americano (exageros à parte...), a diplomacia brasileira entrou em campo, através de Lula, para defender nossos interesses geopolíticos.
A capacidade política de Lula permitiu fazer os países vizinhos compreenderem que era importante abandonarem o papel de meros pretextos para se transformarem em atores soberanos de uma nova América Latina. Como assinala o editorial do jornal mexicano La Jornada, Lula “indicó que cuanto más pronto se establezca la armonía entre Caracas y Bogotá, ‘más van a ganar los pueblos’ de ambas naciones, y convocó a un acercamiento entre el mandatario venezolano Hugo Chávez y el presidente electo de Colombia, Juan Manuel Santos, a quien pidió ‘ejercer su mandato y negociar para alcanzar la paz’". Segundo a agência EFE, “O embaixador colombiano em Buenos Aires, Álvaro García Jiménez, disse neste domingo que a intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ‘foi fundamental’ em busca de uma solução ao conflito entre a Colômbia e a Venezuela”. O editorial do La Jornada ainda conclui que “ante las posturas expresadas por Lula, es claro que Brasil desempeña, hoy día, un papel lúcido y constructivo en la solución de tensiones en el ámbito diplomático. La condición de interlocutor central y creíble que ha adquirido el gobernante brasileño coloca a su país en la posición de incidir positivamente en conflictos diversos que se desarrollan dentro y fuera del continente, y cabe esperar que lo consiga”.
Lula e a diplomacia do novo Brasil deram grande passo para uma nova América Latina, unida, pacifista, disposta a resolver seus problemas sociais para avançar com altivez no cenário mundial. O estilo Hillary perdeu esse round e, se continuarmos com o pé firme nesse caminho, perderá de vez essa batalha geopolítica.

Eleições 2010: Cesar Maia entrega os pontos


O Ex-Blog de hoje, escrito por Cesar Maia (DEM), poderia se chamar "Desisto". Com o pretexto de criticar a letargia das campanhas presidenciais em geral, ele demonstra o desespero que tomou conta da Oposição por sua total incapacidade de oferecer ao povo brasileiro um futuro melhor do que o presente lulista. Ao contrário, a Oposição só tem a oferecer a imagem de FHC no retrovisor. O único entusiasmo de Cesar Maia é com sua própria candidatura ao Senado pelo Rio de Janeiro, que tem grandes chances de vitória - embora comece a ser ameaçada por Lindberg (PT). Leia o Ex-Blog:

A CAMPANHA MAIS FRIA DA HISTÓRIA!
                   
1. Por onde se circula - capitais, municípios metropolitanos e interiores- não se consegue ver nenhuma iniciativa das campanhas presidenciais. A exceção se dá quando um candidato se apresenta -fisicamente- num local. E apenas por aquelas duas horas. E é essa a avaliação por todo o país. E que não se culpe a imprensa, pois essa tem feito força para animar a campanha, excedendo-se na divulgação de propostas e de conflitos.
2. Falta experiência eleitoral à candidata do governo, é verdade. Mas sobra no da oposição. E quando se pensava que a alternativa ambiental viria com alguma "verdade inconveniente", o que se vê é um bom comportamento que beira a uma espécie de 'saudades do governo'. O debate da Band foi apenas a apoteose da falta de brilho e de consistência.
3. As candidaturas favoritas fazem suas campanhas como se a instância presidencial estivesse completamente separada da política regional. Nem informação - reclamam as "bases" de ambos os lados- se tem. Isso, num país continental, em que por mais que os candidatos andem, não chegarão - diretamente - a 0,5% dos eleitores. E, por isso mesmo, precisam mobilizar suas "bases" para que estas deem capilaridade à campanha. A animação que se tentou com as Farc sequer passou pelo crivo de uma pesquisa que diria que as Farc não existem no imaginário do eleitor médio. Quem existe é Chávez.
4. Essa letargia pode até interessar a candidatura do governo, mas a sensação que se tem é que ocorre menos por estratégia que por falta de talento. E a oposição vive enjaulada numa tentativa de explicar ações do atual governo pelas ações do governo anterior. Só que, as ações do governo anterior - quando percebidas positivamente - se referem a 12 anos atrás. Ou seja, quem tem hoje 25 anos, tinha na época 13 anos, e quem tinha 70 anos, tem hoje 82. O que passa é que vai tudo bem e, se vai bem, para que mudar, comentava uma dona de casa num município do interior do Estado do Rio, semana passada.
5. O debate na Band foi a expressão desse quadro. Se os atores tivessem recebido um script para representar uma campanha insípida e inodora, não poderiam ter se saído melhor. O destaque foi nostálgico: como eram animados os anos 50, poderia se dizer do candidato da poli-oposição, que ainda ironizou os demais, batizando-os, num 'revival' de Brizola. E 'coerentemente' se debateu o tema saúde em torno dos mutirões de cirurgia -ou seja- daquilo que não foi feito pela rede e se tenta corrigir depois.
6. Lembre-se que, faltando 50 dias para as eleições, o eleitor já começa a transformar sua intenção inicial de voto em decisão final. Quem usa a audiência do debate como justificativa para torná-lo inócuo, se esquece da cobertura da imprensa, que por três dias abriu todos os espaços -escritos, ouvidos e vistos- para tratar do tema. A audiência pós-debate foi, assim, muito grande. E já veio com as conclusões: foi um não debate.
7. Agora, todos se concentram nos programas e comerciais na TV como se a criatividade dos publicitários pudesse transformar a realidade e produzir o milagre de mudar os  produtos pela substituição da embalagem. A pré-campanha, como dizia Paul Lazarsfeld nos anos 40, é o momento da fotografia (de seu tempo), impregnando a imagem no celulóide. E a campanha é a revelação dessa imagem impregnada. Se não há pré-campanha, dizia ele, não há campanha.
8. Se os presidenciáveis pensam que a campanha é na TV, como não houve pré-campanha, a atenção estará voltada para as pesquisas, com cada um torcendo por elas, como se pudessem ser o retrato do que não fizeram.  E se popularidade do presidente fosse a pedra de toque, o presidente do Chile hoje não seria Piñera e Churchill não teria perdido a eleição 3 meses depois de terminada a segunda guerra.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Glória e vergonha no resgate de Ingrid

Em primeiro, tudo leva a crer que foi uma operação brilhante a realizada para o resgate da Senadora Ingrid Betancourt que estava em poder das FARC. É verdade que isso só foi possível porque as FARC realmente estão em declínio, mas mesmo assim foi uma excelente operação. A vergonha está por conta do oportunismo eleitoreiro de Bush, McCain & Co. Resolveram se aproveitar do sofrimento alheio para tentar ganhar uns votinhos na eleição de novembro. Claro que foi tudo muito bem combinado, nos mínimos detalhes. A viagem de McCain à Colômbia foi marcada em função do resgate. Sua chegada e sua partida foram sincronizadas para associá-lo a uma operação vitoriosa. Acima de tudo isso demonstra o pouco valor que dão às vidas humanas. Se fosse o contrário, não estariam matando tanta gente no Iraque e no Afeganistão. Felizmente, em 2009 estarão afastados do cenário mundial.

terça-feira, 4 de março de 2008

Crise Colômbia-Venezuela: guerra subterrânea na América do Sul

A empresa World-Check, segundo o Plantão Globo, teria denunciado o envio ilegal de armas do Brasil para a Venezuela. Acho difícil que esse "ilegal" seja "oficial". Mas não acho impossível que armas ilegais passem por nossas fronteiras, assim como passam por fronteiras americanas, européias, asiáticas e até pelas fronteiras da pequena Faixa de Gaza, apesar de todo o cerco israelense. Mas o que mais estranho é um texto postado hoje no site da World-Check, que parecer estar feliz da vida porque o governo colombiano confirmou tintim por tintim o que ela dizia sobre a relação entre a Venezuela e as FARC. Diz parte do texto: "Now the senior police officer in Colombia has released information gleaned from materials seized from the possessions of the FARC second-in-command and heir apparent, and this intelligence confirms and validates the data which has appeared in the World-Check articles from the past two years. We excerpt some of the more important facts now confirmed beyond a doubt by the FARC's own documents". Não sei, não. Pode ser que seja exatamente assim. Mas fiquei com a sensação que esses documentos apreendidos podem ser cópias dos relatórios da World-Check. Será que estou delirando? Talvez nem tanto. Afinal, onde há abundância de água e petróleo, há cobiça e crises fabricadas. Palestina e Iraque são bons exemplos.

"A diplomacia colombiana está acéfala", dizem analistas colombianos

O jornal colombiano El Espectador de hoje pergunta "¿En dónde está la Cancillería?" E continua perguntando "¿Por qué fue el Ministro de Defensa el que salió a anunciar que la operación militar para capturar a Raúl Reyes y otros guerrilleros se realizó en territorio ecuatoriano? ¿Por qué Colombia aceptó semejante hecho mediante un comunicado y no utilizó los canales diplomáticos disponibles para manejar estos temas? ¿Por qué cuando Ecuador expresa su molestia sale el Canciller a reconocer que sí se había violado la soberanía de Ecuador, pese a que en un primer comunicado se negara la violación del espacio aéreo o territorial del vecino país? ¿En qué momento el Ministerio de Relaciones Exteriores pone a sus embajadores a trabajar para evitar la escalada diplomática a la que estamos llegando? ¿Es ahora el director de la Policía, el general Óscar Naranjo, el encargado de manejar las relaciones internacionales a punta de las revelaciones del computador? ¿Dónde está el ministro Fernando Araújo?" A conclusão do jornal, citando analista, é clara: "La Cancillería colombiana está acéfala”. Pelo lado brasileiro, ao contrário, muita precisão. O Departamento do Itamaraty responsável pela América do Sul não contava com tantas emoções, mas a resposta está sendo boa. Ao contrário do que pretendem os tucanos de Míriam Leitão, o Brasil não tem que criticar o Equador. A violação das leis internacionais até agora comprovada foi feita pela Colômbia - e é esse país que precisa, no mínimo, pedir desculpas. Esse é sem dúvida o primeiro passo para se retomar um clima de paz. O resto é apenas antichavizmo desenfreado.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Qual o maior "espetáculo midiático"do momento?

A mídia está tratando a libertação das reféns das FARC basicamente como um "espetáculo midiático" de Hugo Chávez (com reassalva a Cony, que fez boa análise, em sua tertúlia matinal com Artur Xexéo e Heródoto Barbero na CBN, opondo-se ao preconceito dos outros convivas). Claro que houve o espetáculo. Mas com uma boa causa muito bem inserida no contexto. Bem diferente do espetáculo midiático patrocinado no momento por Bush em seu passeio pelo Oriente Médio. Com o objetivo de deslocar a atenção da mídia que estava voltada para as prévias eleitorais (destaque para Obama e os Clinton) e para a crise econômica, ele se deslocou para Israel e Palestina para fazer exatamente... ninguém sabe o quê. Mas ninguém tratou isso como "espetáculo midiático" de Bush - mesmo tratando-se do maior de todos.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Quem ganhou e quem perdeu com a novela na selva colombiana?

Todos têm muito a ganhar com a libertação das reféns colombianas. Em primeiro lugar, ganharam as reféns e suas famílias. Chávez também saiu ganhando, porque mostrou seriedade, apesar do seu estilo espalhafatoso. As FARC também ganharam, demonstrando que pretendem negociações e atingir um novo estágio político. Até o Governo Uribe saiu ganhando, porque jogaram no seu colo a possibilidade de um novo patamar de relacionamento com as FARC. Então, quem perdeu? Talvez Bush, que viu as coisas saírem do seu controle. Palmas para o sucesso da missão humanitária. Veja o vídeo da chegada.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Chávez: "Não contavam com minha astúcia..."

A dupla Uribe-Bush acaba de receber duro golpe político. Graças à sua incompetência na oposição irracional a Hugo Chávez, conseguiram tirá-lo da condição de simples negociador junto às Farc e transformá-lo em comandante de uma grande operação humanitária de alcance internacional. Era tudo que o presidente colombiano, Alvaro Uribe, não queria. Ao tentar roubar a cena de Chávez desautorizando-o nas negociações com as Farc, Uribe só fez projetá-lo ainda mais. A pressão interna (principalmente por parte das famílias dos colombianos seqüestrados) pró-Chávez aumentou e os guerrilheiros aproveitaram o momento para reforçarem imagem positiva de seu movimento junto à opinião pública internacional. Uribe agiu certo em ceder e aceitar a ação pirotécnica no meio da selva. Caso contrário, era bem capaz que povo colombiano quisesse trocá-lo por Chávez...