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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Obama - Marco Zero ou Nota Zero?



(No vídeo acima, trecho da excelente entrevista de Chalmers Johnson para Jorge Pontual, do Milênio, em junho de 2010)
Ok, Obama acaba de transformar-se em herói americano, líder ousado e inteligente. Com isso, ganhou pontos valiosos nos índices de aprovação popular, deu um grande passo rumo à reeleição. Mas os pontos que ele ganhou em casa perdeu em dobro fora de casa. Não há como justificar a invasão de um país soberano, ainda mais para eliminar seja quem for. Não há como justificar o assassinato de uma pessoa indefesa. Não como justificar a tortura. Não há como justificar o sequestro do corpo e o encobertamento de provas. Assim como não há como justificar a invasão do Iraque e a carnificina na Líbia. Os Estados Unidos protegem-se, mas lançam a humanidade de volta à lei da selva. Os cartazes de “vivo ou morto” do seu faroeste não podem ser fixados nos quatro cantos do mundo. Na matança de “seus terroristas”, dão um show de arrogância. Não é assim é que teremos um mundo melhor, mais seguro, livre do terrorismo. Obama corre o risco de ganhar a reeleição, e perder o Paquistão para a China. Corre o risco de voltar a ser ovacionado em casa, e receber chuva de ovos além-fronteiras. Seria o momento certo (se não fosse a eleição de 2012) para compreender, como disse o historiador e ex-CIA Chalmers Johnson, que "uma nação pode ser um império ou uma democracia – mas não pode ser os dois”.  O grande presidente americano precisa aprender que o que é bom para os Estados Unidos não é obrigatoriamente bom para o mundo.

Muito bom o artigo de Ricardo Melo, hoje na Folha:

Licença para matar
Ricardo Melo


Não será do dia para a noite que se terá acesso ao que realmente ocorreu no esconderijo do terrorista Osama bin Laden. Mas até a imprensa americana, que desde a Guerra do Golfo trocou o jornalismo pela "embedagem" ao governo, desconfiou do anúncio hollywoodiano da Casa Branca, versão democrata das "armas de destruição em massa" da era Bush.
Os lances épicos da violenta troca de tiros, da mulher usada como escudo, da resistência feroz deram lugar a um enredo bem mais prosaico. Provavelmente houve uma execução, e ponto. Tal descrição não comporta nenhum juízo de valor.
Bin Laden e quem se engaja no terrorismo e no fanatismo religioso têm consciência que o risco de morrer faz parte do (mau) negócio. O prontuário de crimes do chefe da Al Qaeda apontava para este final.
Mas incomoda, para dizer o menos, aceitar como natural a baboseira de Obama e dos europeus, para os quais a "justiça foi feita".
Como assim? Os EUA invadem um país, fuzilam um inimigo sem julgamento, jogam o corpo do sujeito no mar e estamos conversados. Tudo isso depois de se valerem de "técnicas coercitivas de interrogatório", eufemismo para tortura com afogamentos. E ainda vem a ONU, candidamente, dizer que "é preciso investigar" se o direito internacional foi desrespeitado.
A lógica política da operação Geronimo é a mesma que preside a intervenção seletiva nos conflitos na África e no Oriente Médio. Gaddafi, o ex-amigo, agora é inimigo, então chumbo nele e na família. Já na Síria não é bem assim, tampouco no Iêmen e na Arábia Saudita -azar de quem nasceu rebelde por ali. Mais uma vez, os EUA tratam o planeta como quintal, e usam a ONU de plateia para as "rambolices".
Que Obama, um político comum, comemore o ganho de popularidade às vésperas da batalha pela reeleição, é compreensível. Já o resto do mundo dito civilizado assistir a tudo com tamanha complacência apenas sinaliza o que está por vir.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Este Blog apóia a indignação do Movimento Sapato Nele

Karim Kadim / AP A sapatada em Bush não resolve os problemas do país, mas em boa parte lava a alma do povo iraquiano.

sábado, 19 de julho de 2008

Crise com o Irã: para felicidade geral do mundo, Bush amarelou

O jornal El País de hoje dá destaque à notícia de que os Estados Unidos enviaram "a su 'número tres' al encuentro UE-Irán". É um gesto que valoriza a opção da diplomacia para resolver o litígio com o Irã por causa da questão nuclear. De fato, o Governo Bush estava chegando a um perigoso ponto de não-retorno, quase provocando mais uma guerra, com resultados imprevisíveis para a humanidade. E não adianta jogar a culpa no "radicalismo islâmico". Quem mais contribuiu para o fortalecimento do Irã a ponto de possibilitar o enfrentamento à maior potência do mundo foi exatamente o Governo Bush. Ao provocar a alta vertiginosa do preço do petróleo, ele conseguiu enriquecer países produtores não aliados (o Irã é 4º maior produtor, o 4º maior exportador, o 2º em reservas - e é apenas o 15º em consumo) e ao mesmo tempo lançar os países aliados em grave crise provocada pelo custo da energia. Os Estados Unidos e a União Européia bem que tentaram o blefe das sanções contra o Irã por causa da usina nuclear. Mas o resultado foi zero. Hoje o Irã tem fortes acordos no comércio de petróleo com países como Malásia, Síria, Venezuela, China e muitos outros - o que evidencia que a capacidade americana de influenciar na política global de energia está diminuindo. Enquanto isso, o Irã prepara-se para a autosuficiência em gasolina (hoje, importa 1/3 de sua necessidades), para exportar gás para a Índia ("Gasoduto da Paz") e, quem sabe, também para a Europa. Hoje é um país com todas as condições de falar grosso nas mesas de negociação. Como diz Robert Bryce em seu artigo "Iran Rising", para o site Counterpunch, "o Irã pode ter sido o grande vitorioso dessa guerra do Iraque".

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Glória e vergonha no resgate de Ingrid

Em primeiro, tudo leva a crer que foi uma operação brilhante a realizada para o resgate da Senadora Ingrid Betancourt que estava em poder das FARC. É verdade que isso só foi possível porque as FARC realmente estão em declínio, mas mesmo assim foi uma excelente operação. A vergonha está por conta do oportunismo eleitoreiro de Bush, McCain & Co. Resolveram se aproveitar do sofrimento alheio para tentar ganhar uns votinhos na eleição de novembro. Claro que foi tudo muito bem combinado, nos mínimos detalhes. A viagem de McCain à Colômbia foi marcada em função do resgate. Sua chegada e sua partida foram sincronizadas para associá-lo a uma operação vitoriosa. Acima de tudo isso demonstra o pouco valor que dão às vidas humanas. Se fosse o contrário, não estariam matando tanta gente no Iraque e no Afeganistão. Felizmente, em 2009 estarão afastados do cenário mundial.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Bush e Uribe, presidentes enganadores

Bush, dos Estados Unidos, e Uribe, da Colômbia, poderão entrar para a história como dois dos presidentes mais enganadores do mundo. As enganações de Bush, amplamente conhecidas, estão sendo detalhadas no livro "What Happened: Inside the Bush White House and Washington's Culture of Deception" ("O Que Aconteceu: Dentro da Casa Branca de Bush e a Cultura de Desilusão de Washington"), escrito por seu ex-porta-voz, Scott McClellan, com quem trabalhava desde os tempos do governo texano. Diz McClellan que quando aproximava-se a guerra do Iraque a Casa Branca decidiu deixar de lado a franqueza e a honestidade e que numa época de permanente campanha eleitoral passou a "manipular as fontes de opinião pública em benefício do presidente". O aliado de Bush e Presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, não fica atrás. O Congresso colombiano vive grave crise política, com escândalo que mantém na prisão pelo menos 32 congressistas e com investigação de outros 30 por suas ligações com os esquadrões de paramilitares da direita - aliados de Uribe. Como se isso não bastasse, a ex-deputada Yidis Martínez, que está presa, confessou que recebeu suborno para apoiar a reeleição de Uribe. Graças a isso, ela "mudou de opinião", na última hora e deu um voto decisivo para alterar a Constituição a favor da reeleição. Não entendo como presidentes desse nível se acham com moral para criticar Chávez, Fidel, ou qualquer outro líder de prestígio. O que esperamos agora é que eles saiam para sempre de nossa história, levando junto o seu estilo enganador de ser. Leia mais em El País.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Eleições britânicas e o problema dos "sucessores"

Todo político, quando se afasta do poder, quer fazer o seu sucessor. Mas de preferência que seja um sucessor sem condições de obter sucesso independente do "padrinho". Mesmo porque, muitas vezes, esse "padrinho" tem planos de voltar ao poder e não pode ser atrapalhado pelo sucesso do "apadrinhado". Quando o "apadrinhado" tenta ganhar vôo próprio, ofuscando o seu "padrinho", costumamos testemunhar batalhas políticas sanguinárias. O sucessor bom é o sucessor sem brilho, raciocinam os grande líderes políticos. O Brasil está cheio de exemplos desse tipo, mas isso acontece no mundo inteiro. Esse premier britânico, Gordon Brown, o "escolhido" de Tony Blair, é um grande exemplo. Sem carisma algum, Brown teve que suceder o "padrinho" super carismático levando a tiracolo a herança maldita da Guerra do Iraque e da crise econômica (diga-se de passagem que ele era o responsável pela política econômica britânica desde o Governo Blair). O resultado disso foi traduzido pelas eleições municipais desta quinta-feira. O seu Partido Trabalhista está tendo os piores resultados dos últimos 40 anos, com risco humilhante de ficar atrás até dos Liberais-Democratas. Com mais de dois terços das urnas apuradas, os Trabalhistas já tinham perdido 184 cadeiras (enquanto os Conservadores ganhavam 166 e os os Liberais-democratas ganhavam 17). Esse presente britânico que Tony Blair deixou deve ser primo próximo do presente de grego...

quarta-feira, 9 de abril de 2008

The day after Bush: exército americano abandona o Iraque... Blackwater invade.

Dois terços dos americanos são contra a presença do seu exército no Iraque, que só traz mortes para os seus jovens. Obviamente essa pressão da opinião pública está pesando na escolha do presidente que substituirá Bush, e os atuais pré-candidatos estão tendo que deixar bem clara a sua posição sobre a presença americana no Iraque. Os dois Democratas, Barack Obama e Hillary Clinton, já se colocaram a favor da retirada; o Republicano John McCain defende apoio mais forte ao Governo Iraquiano. Mas o que tudo indica é que, qualquer um dos três que vença, o que se está planejando é uma superprodução hollywoodiana, onde tudo é fake. Sairão as tropas oficiais, entrarão as tropas mercenárias (que no momento já têm o mesmo tamanho no Iraque). Quem denuncia isso são Naomi Klein ("The Shock Doctrine: The Rise of Disaster Capitalism") e Jeremy Scahill ("Blackwater: The Rise of the World’s Most Powerful Mercenary Army"). Eles dizem também que a situação com os mercenários pode ficar muito pior, porque eles trabalham em segredo, sem contabilizar baixas ou ações e estão melhor equipados. Além disso, há o fato de que pela primeira vez (se não me engano) as empresas de mercenários estão contribuindo mais para os Democratas do que para os Republicanos. Jeremy Scahill esteve esses dias em entrevista no Milênio da GloboNews (para quem não assistiu, o vídeo estará disponível no site a partir do dia 14) fazendo a denúncia. E reproduzo aqui o artigo feito pela dupla que tirei do site Vermelho:
Naomi Klein e Jeremy Scahill: Obama, Hillary e a guerra
Os ativistas contra a guerra devem mudar suas táticas eleitorais. Nem Hillary nem Obama têm realmente um plano para finalizar a ocupação do Iraque, mas isso os obrigaria a mudar sua posição. "E?" foi a resposta de Dick Cheney quando lhe perguntaram na semana passada sobre o fato de que a opinião pública esteja esmagadoramente contra a guerra no Iraque. "É lógico que não se pode levar em consideração essas pesquisas", disse. Dias depois, sua atitude em relação ao número de soldados americanos mortos no Iraque ter chegado a 4 mil, mostrou o mesmo grau de simpatia. Eles "colocaram o uniforme de forma voluntária", disse o vice-presidente à ABC News. Esse espesso muro de indiferença ajuda a explicar o paradoxo no qual nos encontramos, diante do acampamento anti-guerra nos EUA 5 anos depois da ocupação do Iraque: o sentimento contra a guerra é o mais forte jamais vivido, mas nosso movimento parece que está minguando. Cerca de 64% dos americanos respondem aos pesquisadores que se opõem à guerra, mas ninguém diria isso diante do magro número de participantes das últimas concentrações ou noites de vigília. Quando se pergunta porque não expressam suas opiniões contra a guerra por meio do movimento anti-belicista, muitos dizem que, sinceramente, perderam a fé no poder dos protestos. Muitos marcharam contra a guerra antes de seu início, marcharam no primeiro, segundo e terceiro aniversário... e, mesmo assim, 5 anos depois, os líderes dos EUA levantam os ombros e respondem um "E?" Por isso é que este é o momento para que o movimento anti-belicista mude suas táticas. Deveríamos dirigir nossas energias para onde se pode ter mais impacto: os principais candidatos democratas. Muitos argumentam outras coisas. Dizem que, se queremos acabar com a guerra, deveriamos simplesmente eleger um candidato que não seja John McCain e ajudá-lo a vencer: já nos ocuparemos dos detalhes uma vez que os republicanos estejam desalojados do número 1.600 da avenida Pennsylvania (endereço da Casa branca, em Washington, nota da redação) Algumas das vozes antibelicistas mais proeminentes — do MoveOn.org até o Nation, a revista para a qual nós dois escrevemos — elegeram este caminho, e assim têm dado seu apoio à campanha de Obama. Isso é um erro estratégico muito sério. É durante uma campanha fortemente disputada que as forças contra a guerra podem ter o poder de mudar de fato a política americana. Tão logo elegermos alguém, estaremos fadados a cumprir o papel de simples coadjuvantes. E quando se trata de Iraque, há pouco que aclamar. Se dermos uma olhada na retórica que tem ocorrido até o momento, fica claro que nem Barack Obama nem Hillary Clinton têm realmente planejado terminar a ocupação. Entretanto, podemos forçar os dois a mudarem suas posições, graças a uma batalha nas primárias singularmente extensa. Apesar das petições a Hillary para que se retire em novembro da "unidade", é um fato que Hillary e Obama estão todavia plenamente na liça, lutando ferozmente por cada voto, o que dá ao movimento contra a guerra a melhor posição para exercer pressão. E nossa pressão é fatalmente necessária. Pela primeira vez em 14 anos, os fabricantes de armamentos estão doando mais aos democratas que aos republicanos. Os democratas receberam 52% das doações políticas dessa fase eleitoral, feitas pela indústria da defesa — muito superior aos 32% de 1996. Esse dinheiro está encaminhado a modelar a política externa e, por agora, parece que foi gasto muito bem. Enquanto que, tanto Hillary como Obama denunciam com muita paixão a guerra, ambos têm planos bem detalhados para continuá-la. Os dois reconhecem que pretendem manter a enorme Zona Verde, incluída a monstruosa embaixada dos EUA, e manter o controle americano do aeroporto de Bagdá. Teriam acantonada no país uma "força de choque" dedicada a operações de contra-terrorismo, assim como pessoal de treinamento para os militares iraquianos. além dessas forças militares dos EUA, o exército de diplomatas da Zona Verde necessitará medidas de segurança fortemente armadas, que atualmente são realizadas pela Blackwater e outras empresas de segurança privada. Neste momento há tantos mercenários quanto soldados mantendo a ocupação, desse modo esses planos poderiam implicar dezenas de milhares de membros de pessoal americano, entrincheirados indefinidamente. Com um grande contraste em relação a essa ocupação reduzida, chega a mensagem inequívoca de centenas de soldados que serviram no Iraque e no Afeganistão. A associação Irak Veterans Against the War (Veteranos do Iraque Contra a Guerra), que no início de março levaram a cabo as sessões de Winter Soldier, em Silver Spring, Maryland — baseadas na investigação Winter Soldier de 1971, na qual os veteranos relataram as atrocidades dos EUA no Vietnã — não dão seu apoio a nenhum candidato ou partido Em troca pedem uma retirada imediata e incondicional de todos os soldados e mercenários americanos. Quando isso veio de alguns ativistas pacifistas, a postura do "fora já" foi chamada de ingênua. É mais difícil ignorá-la quando vem direto de centenas de soldados que serviram — e seguem servindo — no fronte. Os candidatos sabem que muito da paixão que alimenta suas campanhas provém do desejo de muitos democratas da base de terminar com essa desastrosa guerra. Mas o crucial é que os candidatos já deram mostras de serem vulneráveis à pressão do acampamento pela paz. Quando a revista Nation revelou que nenhum dos candidatos dava seu apoio à legislação que impedisse o uso da Blacwater e outras companhias de segurança privada no Iraque, Hillary mudou de rumo. Se converteu em lider política dos EUA mais importante que apoiava a proibição — remetendo respeito também a Obama, que se opôs à guerra desde o princípio. É exatamente aí onde queremos que estejam os candidatos: superando-se um ao outro para demonstrar em que medidam podem ser levados a sério ou de acabar com a guerra. Esse tipo de batalha tem o poder de emular os eleitores a romper o cinismo que ameaça ambas as campanhas. Recordemos que, ao contrário da atual administração Bush, esses candidatos necessitam o apoio desses dois terços de americanos que se opõem à guerra no Iraque. Se a opinião se transforma em ação, eles não estarão em condições de emitir um "E?"

segunda-feira, 17 de março de 2008

Contagem regressiva no Iraque: 10,...

Segundo o site Iraq Coalition Casualties, já morreram 3.990 soldados americanos. Faltam apenas 10 para completar 4.000. É uma contagem macabra e realmente regressiva essa que Bush impôs ao mundo. E os números absurdos não páram aí. Segundo o Iraq Body Count, falta pouco para se chegar a 90.000 civis mortos pela violência no Iraque. Deve ser com essa contagem que Bush dorme tranqüilo.

Invasão de Bush no Iraque: sem comentários

Peguei essa nota no Plantão Globo de hoje, reproduzindo notícia da BBC:
Cinco anos depois, situação no Iraque 'é desesperadora'
Plantão/Publicada em 17/03/2008 às 07h23m BBC
Em uma situação "desesperadora", milhões de iraquianos vivem sem acesso a água tratada, saneamento básico ou atendimento à saúde, cinco anos após a invasão americana de 2003, afirmam nesta segunda-feira dois relatórios divulgados por organizações internacionais. Segundo a Cruz Vermelha, que descreveu a situação humanitária no Iraque como "uma das mais críticas do mundo", famílias iraquianas gastam até um terço de sua receita mensal de pouco mais de R$ 250 apenas para comprar água limpa.Dois em cada três iraquianos não têm acesso a água potável, completou um segundo relatório divulgado pela Anistia Internacional.De acordo com a Anistia, cerca de oito milhões de iraquianos - quase um terço da população de 27 milhões de habitantes - precisam de ajuda humanitária para viver.Os relatórios são divulgados na semana em que se completam cinco anos da invasão do Iraque, na madrugada de 19 para 20 de março de 2003. "Para as pessoas que precisam de água limpa, que precisam de acesso à saúde, a situação está pior do que nunca. Foram décadas de guerras e sanções, o que significa que não houve investimentos suficientes no sistema de saúde e em saneamento", disse à BBC o porta-voz da Cruz Vermelha em Washington Michael Khambatta. Ainda de acordo com a Cruz Vermelha, hospitais iraquianos se ressentem da falta de profissionais e medicamentos, e oferecem apenas 30 mil leitos, menos da metade dos 80 mil necessários. Direitos humanos. O relatório da Cruz Vermelha é complementado por outro, da Anistia Internacional, que avalia como "desesperadora" a situação humanitária no país em guerra. "Milhares de pessoas foram mortas ou incapacitadas, e comunidades que antes viviam em harmonia foram precipitadas para o conflito aberto. Para muitas mulheres, agora sob risco de ataque por militantes religiosos, as condições até deterioraram em comparação com o período de Saddam Hussein", disse o relatório. De acordo com o relatório, mesmo na relativamente tranqüila região do Curdistão, no norte do Iraque, a melhoria econômica não foi acompanhada de mais respeito pelos direitos humanos. "Prisões arbitrárias, detenções e torturas continuam a ser registradas mesmo nas províncias do Curdistão", afirmou o diretor da Anistia Internacional para Oriente Médio e África, Malcolm Smart. "O governo de Saddam Hussein era sinônimo de abuso de direitos humanos, mas sua substituição não representou nenhum alívio para o povo iraquiano." Segundo o relatório, o número de mortos desde o início do conflito permanece incerto. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que até junho de 2006 as mortes chegavam até 150 mil. Naquele ano, 35 mil pessoas morreram, afirmou a Anistia, citando a ONU. Apesar disso, os Estados Unidos afirmam que a segurança no Iraque está melhorando. As taxas de violência têm caído em até 60% desde junho do ano passado - embora o próprio comandante das tropas americanas no país, general David Petraeus, ressalte a volatilidade da situação. Visita surpresa. Nesta segunda-feira, o general deve se encontrar com o vice-presidente americano, Dick Cheney, que chegou em Bagdá para uma visita surpresa. O vice-presidente americano, que dá início a um giro de dez dias pelo Oriente Médio, deve se encontrar com o primeiro-ministro iraquiano, Nouri Maliki, e outros políticos iraquianos. Depois Cheney visitará Omã, Arábia Saudita, Israel, Cisjordânia e Turquia. É a terceira visita dele ao Iraque, onde atuam 160 mil soldados americanos. Quase 4 mil já morreram desde o início do conflito.

terça-feira, 4 de março de 2008

Crise Colômbia-Venezuela: guerra subterrânea na América do Sul

A empresa World-Check, segundo o Plantão Globo, teria denunciado o envio ilegal de armas do Brasil para a Venezuela. Acho difícil que esse "ilegal" seja "oficial". Mas não acho impossível que armas ilegais passem por nossas fronteiras, assim como passam por fronteiras americanas, européias, asiáticas e até pelas fronteiras da pequena Faixa de Gaza, apesar de todo o cerco israelense. Mas o que mais estranho é um texto postado hoje no site da World-Check, que parecer estar feliz da vida porque o governo colombiano confirmou tintim por tintim o que ela dizia sobre a relação entre a Venezuela e as FARC. Diz parte do texto: "Now the senior police officer in Colombia has released information gleaned from materials seized from the possessions of the FARC second-in-command and heir apparent, and this intelligence confirms and validates the data which has appeared in the World-Check articles from the past two years. We excerpt some of the more important facts now confirmed beyond a doubt by the FARC's own documents". Não sei, não. Pode ser que seja exatamente assim. Mas fiquei com a sensação que esses documentos apreendidos podem ser cópias dos relatórios da World-Check. Será que estou delirando? Talvez nem tanto. Afinal, onde há abundância de água e petróleo, há cobiça e crises fabricadas. Palestina e Iraque são bons exemplos.

Eleição americana: tudo pode acontecer

Está difícil prever quem vence as primárias e os caucuses Democratas de hoje em Ohio, Texas, Vermont e Rhode Island. Há alguns dias, todos tinham certeza que seria dia de Hillary Clinton vencer. Hoje, a única certeza é a dúvida sobre quem será o vencedor. Pior: pode até haver uma vitória acachapante sem que as pesquisas percebam. A dinâmica das primárias americanas agora é outra e nem mesmo o mais experiente dos analistas políticos tem condições de fazer previsões. O eleitorado é outro, inteiramente novo, comparado com outras eleições. A própria situação dos Estados Unidos diante do mundo e do futuro é outra, trazendo outras questões e outros desafios para seus dirigentes. Como enfrentar a crise econômica? Como resolver o imbroglio do Iraque? Como reconquistar o respeito e o orgulho de ser americano diante da comunidade internacional? Mesmo questões antigas como imigração, saúde, aborto, etc., ganham cara nova e novas exigências. O momento é crucial para os dois candidatos -e talvez continue assim por mais tempo.

domingo, 2 de março de 2008

Ahmadinejad estende a mão para Talabani e humilha Bush

As tropas de Bush já podem voltar pra casa, depois da humilhação que estão recebendo esses dias. O Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, considerado, junto com Bin Laden, o inimigo nº 1 de Bush, o principal representante do chamado "eixo do mal", acaba de pisar em solo iraquiano, apesar da presença de mais de 200.000 soldados americanos (públicos e privados). E ele fez pior. Segundo o correspondente da BBC em Bagdá Hugh Sykes (reportagem escrita antes da chegada tranqüila de Ahmadinejad), além de um marco político, a visita de Ahmadinejad ao Iraque também será um desafio à segurança.
O Aeroporto Internacional de Bagdá, onde ele deve chegar, fica ao lado de uma base militar americana e os americanos controlam o espaço aéreo. Líderes que visitam o Iraque geralmente embarcam em um helicóptero que faz o trajeto entre o aeroporto até a Zona Verde, em Bagdá. Mas o presidente iraniano não deverá usar este recurso, fazendo a viagem de carro até o centro da capital iraquiana, num percurso onde ocorrem emboscadas e ataques. Ahmadinejad também não deve ir até a Zona Verde, onde está o grande prédio da embaixada americana no Iraque e vários escritórios do governo iraquiano. Os veículos que querem entrar nesta área fortificada precisam passar por postos de segurança e checagem americanos.
O site em inglês da BBC acrescenta: "There, he was warmly greeted by Mr Talabani as he walked down a red carpet past an honour guard".

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

São loucos esses americanos: destróem o Iraque e depois transformam em Blog...

O New York Times lançou hoje o "Bagdad Bureau", um blog sobre Bagdá e seus arredores, uma visão de quem está lá dentro - mas, sem dúvida, a visão de alguém que sempre esteve lá fora. O vídeo da cidade é bom de ver. Mas é cruel pensar que qualquer sucesso que esse blog faça estará na razão (!) direta das barbaridades de Bush e sua turma. Aliás, é sempre bom lembrar, ontem o Iraq Coalition Casualties contabilizou 3.973 soldados americanos mortos desde a invasão.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Bush pede ajuda para resolver os estragos que fez

O tal discurso do Estado da União nos Estados Unidos ocorre uma vez por ano e é sempre celebrado como um ponto máximo no relacionamento do Presidente com o Congresso e todo o povo americano. O discurso de Bush de ontem poderia ser considerado um ponto mínimo. Na essência, pediu ajuda ao Congresso para consertar o estrago que ele fez na economia do país (recebeu as contas com superávit e está devolvendo com déficit e possivelmente com recessão) e tentou dizer que a situação no Iraque está melhorando, sem dizer desde quando (dentro de duas ou três semanas o número de soldados mortos deve chegar a 4.000!). Provavelmente vai rechear o repertório de "discursos inesquecíveis" do programa de David Letterman. Deplorável.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Austrália não se afina mais com Bush e resolve tocar em outra banda

Google O novo primeiro ministro trabalhista Kevin Rudd mudou inteiramente o ritmo do governo na Austrália. A sua primeira nota dissonante foi a indicação para ministro do meio ambiente do ex-líder da banda de rock Midnight Oil (punk-hard rock, dissolvida em 2002) e ativista ambientalista, Peter Garrett. Dentro desse clima, Rudd apóia o Tratado de Kioto, que é abominado por Bush. Sem nem ainda ter tomado posse (foi eleito sábado), ele se prepara também para retirar os soldados australianos que estão a serviço dos Estados Unidos na guerra suja do Iraque. Isso prova que Bush está cada vez mais desafinado com o mundo.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

US$ 1.500.000.000.000,00: preço das guerras americanas

Você consegue imaginar o significado de um trilhão e meio? Imagine a velocidade de um segundo, e saiba que um dia compõe-se de 86.400 segundos; um ano, 31.536.000 segundos; 2007 anos, 63.292.752.000 segundos... Para chegarmos a um trilhão e meio de segundos seriam necessários mais de 47.565 anos! Pois bem, em poucos anos o governo americano já conseguiu gastar a incrível cifra de US$ 1.500.000.000.000,00 com as guerras do Afeganistão e do Iraque. US$ 1.500.000.000.000,00 para matar e morrer! Segundo o Iraq Coalition Casualties, até anteontem, já morreram 3.860 soldados americanos no Iraque. Isso sem contar soldados de outras nacionalidades, sem contar os iraquianos e afegãos civis e militares, sem contar milhares e milhares de feridos. O estudo feito por congressistas do Partido Democrata e divulgado pelo Washington Post (Ver também BBC) resolveu estimar, além dos custos óbvios com armas e deslocamento de soldados, os chamados custos ocultos da guerra, como "a alta nos preços do petróleo, os gastos com o tratamento de militares feridos e os juros pagos nos empréstimos tomados para custear as guerras". A conclusão é de que o custo total corresponde a 20 mil dólares "cobrados" de cada família americana. Apesar de ser bem amplo, o estudo ainda está longe de apontar o custo social completo disso tudo.

terça-feira, 10 de julho de 2007

AIE: Petróleo em crise em 5 anos

Todos nós estamos carecas de saber que o fim do petróleo está próximo. Mas acontece que esse fim está cada vez mais próximo e a crise que isso vai provocar está ainda mais perto, logo ali, dobrando a esquina. A AIE - Agência Internacional do Petróleo advertiu nesse domingo que "em cinco anos o mundo terá que enfrentar um momento crucial do petróleo". Isso provocará aumentos dos preços e maior dependência do mundo ocidental com relação ao cartel da OPEC - Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Os suprimentos de petróleo em áeas tradicionais, como o Mar do Norte ou México, estão caindo mais rápido do que se esperava, ao mesmo tempo que os novos projetos estão tendo atrasos. Enquanto isso, o consumo aumenta sem parar. Lawrence Eagles, chefe da divisão de mercado petrolífero da AIE, declarou a Javier Blas, do Financial Times: “O único jeito de equilibrar o mercado será aumentar os preços e reduzir a demanda". Mas os preços têm subido muito e a demanda não cai. Antes da Invasão do Iraque, por exemplo, o barril do Brent estava a 30 dólares; hoje está a mais de 76 dólares. Por outro lado, a demanda deve crescer a 2,2% ao ano, atingindo 95,8 milhões de barris diários em 2012. Acrescentemos a tudo isso os problemas ambientais, com aquecimento global e tudo mais. O resultado é bem desanimador. E reforça a luta por energias limpas e de fontes renováveis. A defesa do biocombustível e do etanol, dessa forma, além de interessar comercialmente ao Brasil, torna-se essencial e urgente pelo bem da humanidade. Leia também o artigo "O mundo tem duas crises de energia, mas nenhuma resposta concreta", de Gideon Rachman, no Financial Times.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Bye-bye, Blair

Mudança no 10 Downing Street / FT Tony Blair está deixando o comando político da Inglaterra. Poderia sair com o título do político que mudou o país para um rumo progressista. Infelizmente leva na mudança o título de que mandou seus soldados para a guerra infame de Bush. Pior: título de subserviente a Bush. Tomara que tenha melhor sorte como negociador da ONU e da União Européia nas questões de Oriente Médio. Ou melhor: que o mundo tenha melhor sorte...