CONSIDERAÇÕES SOBRE A CRISE NA SÍRIA E SUA DINÂMICA!
1. Uma intervenção militar ocidental na Síria traria o risco muito provável de uma enorme convulsão no Oriente Médio, pois o regime de Bachar el-Assad conta com os apoios do Irã e do Hezbollah libanês. Isso explica a prudência das grandes potências ocidentais no tratamento da crise síria e seu hesitante anúncio de possíveis sanções. Os EUA estão incomodados com a violenta repressão dos movimentos populares de protesto na Síria. Porém, não foram além de uma declaração de Obama, no sentido de que a repressão exercida pelo regime sírio era “intolerável”. Essa atitude pode ser explicada também pela possibilidade de uma atitude mais dura contra o regime de al-Assad provocar reações destemperadas contra Israel de parte dos aliados da Síria. A proteção do Estado de Israel é uma pedra fundamental da política norte-americana no Oriente Médio.
2. A Turquia está também bastante preocupada com o desenvolvimento da crise síria. Além do Irã, é o único grande país da região que mantém um relacionamento político e econômico mais estreito com a Síria. Erdogan procurava até agora estabelecer os contatos mais cordiais e produtivos com AL-Assad. Israel encara a Síria como um país inimigo. Jamais se assinou um acordo de paz entre ambos. As colinas de Golan, pertencentes à Síria, estão ocupadas desde 1967 por Israel, que as anexou a seu território em 1981. Apesar disso, Israel considera com um fator de estabilidade o regime ditatorial liderado por Bachar Al-Assad, preferindo-o a uma situação de caos capaz de levar às mais descontroladas aventuras.
3. Na Síria, ainda não se chegou a um estado de guerra civil, como o da Líbia. Não há bolsões de resistência organizada contra al-Assad, mas reações pontuais reprimidas de maneira brutal, cristalizadas ao sul da Síria, em torno de Deraa, que se estão estendendo a outras regiões do país nos últimos dias. Os EUA e certas potências da Europa Ocidental não têm contatos regulares com a oposição síria. Contudo, há potências regionais que mantém relações de cooperação com essa oposição. Os extremistas sunitas (salafistas), bastante ativos nos movimentos de contestação ao regime de al-Assad, são ajudados pela Arábia Saudita e por famílias libanesas.
4. O Irã tem evidentes simpatias para com o atual Governo sírio, mas não parece estar envolvido na repressão aos movimentos populares de contestação. O regime de AL-Assad parece plenamente capaz de organizar essa repressão. Mas a aliança entre o Irã e a Síria, existente há mais de 30 anos, é um fator importante nas estratégias diplomáticas norte-americanas e europeias.
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sexta-feira, 29 de abril de 2011
Potências ocidentais cada vez mais encalacradas no Oriente Médio
Boas as considerações postadas hoje por Cesar Maia em seu Ex-Blog sobre a atual crise síria:
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segunda-feira, 31 de maio de 2010
Obama, fale agora ou cale-se para sempre!
Essa matança que (mais uma vez...) Israel acaba de executar não pode ser respondida com silêncio. A nação mais poderosa do mundo (e principal apoiadora de Israel) tem condições de dar um basta! a essa crise interminável no Oriente Médio. A região clama por paz, e o povo palestino - tanto quanto o povo de Israel - merece sobreviver. Não dá mais para manter essa política de satanizar Ahmadinejad e fechar os olhos para as atrocidades israelenses.
O Presidente Obama tem a responsabilidade (não apenas diante do povo americano, mas de todo o mundo) de pôr freio nesses desmandos. É sua oportunidade de entrar para a história - ou ficar lembrado apenas como mais um embushte.
O Presidente Obama tem a responsabilidade (não apenas diante do povo americano, mas de todo o mundo) de pôr freio nesses desmandos. É sua oportunidade de entrar para a história - ou ficar lembrado apenas como mais um embushte.
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sexta-feira, 12 de março de 2010
Jornal israelense chama Lula de “profeta do diálogo”
Enquanto a imprensa local, comprometida com o projeto oposicionista, critica Lula por aproximar-se do Irã e por tentar meter-se na questão de árabes e judeus, o jornal Haaretz de hoje faz reportagem sobre a ação de Lula com o título “Phophet of dialog”. A reportagem, de certo modo, dá boas-vindas a esse novo player na busca da paz no Oriente Médio e dá exemplos de diálogos “impossíveis” dentro do próprio Brasil. Cita o Saara, no Rio de Janeiro, onde árabes e judeus convivem lado a lado, na mais perfeita harmonia. Cita também o comercial do Banco Itaú, onde dois meninos, um árabe e outro judeu, encontram o diálogo através da camisa da Seleção Brasileira. E o jornal ainda dá um exemplo simpático do que é o “profeta do diálogo”: no início da entrevista, diante do impasse sobre qual dos jornalistas (dois israelenses e um árabe) presentes faria a primeira pergunta, Lula resolveu o problema na base do par ou ímpar. (Deve ser a mania da eleição plebiscitária...)
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009
A viagem de Ahmadinejad e os negócios da paz
Não entendo porque tanto estardalhaço contra essa viagem de Ahmadinejad pela América Latina. Ou melhor, entendo, mas o exagero é muito grande. Ele faz simplesmente o que deve fazer como dirigente de um país com a riqueza energética e a importância do Irã: busca parcerias comerciais e estratégicas. E o Brasil deve evitar essa aproximação? Claro que não. Há interesses comuns não apenas no setor de energia, mas também na agricultura e até mesmo na regulação do sistema financeiro. O Brasil deve evitar Ahmadinejad por causa dos conflitos no Oriente Médio? Ao contrário, não apenas devemos nos aproximar como ir além, tentar contribuir para uma solução. O Irã quer acabar com Israel? Pode apostar que a recíproca é verdadeira (e o que se faz na Palestina comprova isso). Ahmadinejad comete o absurdo de negar o Holocausto? Comete, sim, é verdade.Não é uma posição isolada, mas, sim, de uma corrente de pensamento da qual ele faz parte. Poderemos falar sobre muitos pontos de atraso na cultura do Irã ou de Israel, como contra as mulheres, por exemplo. Mas o importante é compreendermos que a paz não se constrói pensando apenas em uma das partes. Até recentemente, a paz era estabelecida a partir da força Israel-EUA. Os árabes ganharam mais poder (graças ao petróleo), o Hesbolá mostrou do que é capaz militarmente, o Hamas idem, a invasão do Iraque foi uma tragédia americana e o Irã, do alto de suas reservas petrolíferas, resolveu falar de igual para igual com os adversários. A energia nuclear e as armas nucleares – antes restritas a Israel – passaram a ser uma alternativa para o lado muçulmano. Cabe ao Brasil, como país que se projeta no cenário internacional, não se deixar levar pelos fluxos interesseiros dos meios de comunicação. Podemos fazer bons acordos comerciais e políticos com ambas as partes, e também, quem sabe, contribuir com uma gota de paz para aquele deserto regado a ódio.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
O maior uso do dinheiro público para campanha eleitoral
Esse encontro que Bush promoveu em Annapolis, nos Estados Unidos, foi um verdadeiro derrame de dinheiro público, aparentemente com o intuito único de tentar fortalecer os Republicanos nas próximas eleições presidenciais americanas. Dezenas de chefes de estado mobilizados e um grande aparato da mídia - pra quê? Um Bush enfraquecido, um premier israelense sob intensa pressão interna reunidos com líderes muçulmanos divididos. Até a Palestina, possivelmente a maior interessada em que tudo desse certo, foi ao encontro cheia de dúvidas. Todo mundo está cansado de saber que a paz não é o objetivo de Bush, e o Iraque sente isso na própria carne. Então, pra que tudo isso? Talvez o tiro tenha saído pela culatra e Bush fique ainda mais enfraquecido. Foi dinheiro (público) jogado fora. Enquanto isso, estamos dia a dia mais distantes de um mundo de paz...
quarta-feira, 27 de junho de 2007
Bye-bye, Blair
Tony Blair está deixando o comando político da Inglaterra. Poderia sair com o título do político que mudou o país para um rumo progressista. Infelizmente leva na mudança o título de que mandou seus soldados para a guerra infame de Bush. Pior: título de subserviente a Bush. Tomara que tenha melhor sorte como negociador da ONU e da União Européia nas questões de Oriente Médio. Ou melhor: que o mundo tenha melhor sorte...
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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
Bush piscou para a paz
Depois de muitos anos de intransigência, o Governo Bush deu um passo em direção a um "diálogo de alto nível com o Irã e a Síria", informa a Reuters. Parece que os sucessivos insucessos na opção pelo confronto e a pressão da maioria Democrata no Congresso e dos aliados sauditas abriram os teimosos olhos bushianos. A estratégia da diplomacia ganhou força, tendo como exemplo o sucesso nas conversas com a Coréia do Norte sobre as usinas nucleares. O Governo Bush percebeu também que não havia como estabelecer a paz no Iraque, na Palestina e em Israel sem a participação dos países vizinhos. "Em um movimento surpreendente, a Secretária de Estado Condoleezza Rice aproveitou um depoimento no Senado para anunciar a participação de duas conferências sobre como estabilizar o Iraque. A primeira conferência, no próximo dia 10, em Bagdá, será de trabalho. E a segunda, envolvendo ministros, deverá ser no começo de abril, provavelmente em Istambul". A Síria já confirmou a participação e o Irã está analisando o convite. Tomara que esse namoro vá longe.
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