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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Marqueteiro Republicano esbraveja: “perdemos porque os brancos ficaram em casa!”



Os Republicanos estão mais perdidos do que ragabola na zaratumba. Até agora não conseguiram entender a derrota para Obama em uma eleição onde consideravam a vitória como líquida e certa. As justificativas foram várias. Razões econômicas, dizem uns. Foi o voto demográfico, dizem outros. Foi o furacão! Foi traição! Foi a propaganda dos SuperPACs! O marqueteiro Dick Morris, em texto distribuído hoje, foi taxativo: “Os brancos ficaram em casa e reelegeram Obama”. Diz ele: “Não é o fato de que os negros, latinos e mulheres solteiras compareceram em números recordes à votação. A questão é que os brancos não compareceram”. E cita números: enquanto a soma de negros e latinos foi 2 milhões a mais do que em 2008, os brancos foram 7 milhões a menos. Ele lamenta que isso aconteceu principalmente entre os idosos, que tiveram apenas 16% de comparecimento.
Dick Morris também cita o furacão Sandy que, além de tudo, teria impedido a realização de pesquisas confiáveis. Segundo ele, Romney estava liderando antes do Sandy, mas foi surpreendido pela famosa foto do governador Republicano Chris Christie ao lado de Obama. O texto fica mais engraçado quando ele usa isso para explicar porque errou suas previsões de vitória para Romney: “Sabem por que errei? Porque sou um pesquisador, não um meteorologista”. E não para por aí. Explica a ausência dos brancos pela incapacidade da campanha de Romney e seus SuperPACs de responder aos ataques de Obama.  “Os consultores republicanos estavam tão enamorados dos anúncios negativos que não consideraram o impacto da mídia de refutação e sua capacidade de desencadear uma forte reação ao adversário. A sua doutrina de sempre atacar – herança dos generais franceses e britânicos da Primeira Guerra – não permite refutações, apenas novas ações negativas. E nós pagamos o preço”.
Aqui entre nós, eles, que são brancos, que se entendam...

sábado, 17 de novembro de 2012

ROMNEY PISA NA BOLA MAIS UMA VEZ E REPUBLICANOS DIZEM PARA ELE CAIR FORA.


Mitt Romney ganhou fama por seus comentários desastrosos, o mais famoso por ter afirmado que 47% viviam às custas do estado. Ele voltou à carga ao tentar explicar su...
a derrota. Disse que Obama venceu por causa do seu plano de saúde e outros ”presentinhos” que deu para negros, hispânicos e outros grupos de simpatizantes. Os republicanos mais tradicionais e menos conservadores (se é que isso é possível...) reagiram imediatamente: “Romney pode cair fora, que ninguém vai lamentar”, disse Ed Rogers, estrategista Republicano.
É isso aí. Não basta perder feio – é preciso não fazer feio na hora das justificativas. Leia reportagem do Washington Post.

domingo, 11 de novembro de 2012

Afinal, por que Obama venceu?


Dick Morris, amigo e consultor de Bill Clinton, (mas, antes de tudo, um consultor de marketing político/eleitoral Republicano), distribuiu nessa sexta-feira um artigo com o título de “A campanha não fez diferença” (The Campaign Made No Difference), onde afirma que “os meses e meses de campanha, as centenas de milhões de dólares em comerciais de TV, o vaivém dos candidatos e os intensos esforços de ambos os lados na conquista de votos fizeram pouca ou nenhuma diferença nos resultados eleitorais de 2012”(The months and months of campaigning, the hundreds of millions of TV advertising, the incessant travel schedules of the candidates, and the vigorous efforts of both sides to get their vote out made little or no difference in the outcome of the Election of 2012). Para ele – que um dia antes da eleição chegou a prever a vitória de Romney por 325 delegados contra 213 de Obama –, foram os eventos que fizeram a diferença: foram os debates, as convenções, o ataque ao consulado americano em Benghazi, a economia, os dados sobre emprego, etc. que influenciaram a votação em todos os 50 estados. Para ele, nem a mídia paga, nem a campanha in-person nos estados indefinidos, nem o ground game (microtargeting) massivo, contribuíram para nada. Os números não se alteraram por isso, e Dick Morris tira duas conclusões principais:
1 – a TV está perdendo impacto, principalmente na corrida presidencial. Os eleitores não estão vendo TV como antigamente e os que ainda veem passam por cima dos comerciais.
2 – o voto demográfico é a nova regra americana. Você vota baseado em quem você é, não em onde você vive ou em como cada campanha trabalhou cada caso específico. O que importa é que 93% dos negros, 70% dos latinos, 60% dos jovens (menos de 30) e 62% das pessoas solteiras votaram em Obama, enquanto os casais brancos com mais de 30 anos votaram em Romney.
No lado vencedor, há aspectos mais consistentes em consideração. Dave Axelrod (principal estrategista de Obama) declarou que a equipe Obama reinventou a campanha com novas ferramentas e que desde o começo eles tinham um “game plan” que trataram de executar. Segundo ele, a campanha essencialmente construiu a união em torno de Obama desmembrando a América em vários grupos raciais e de gênero e pondo questões que os convenceram a ir às urnas.
David Plouffe, um dos consultores seniors da campanha de Obama, disse nessa quinta-feira que o microtargeting não poderia ser copiado automaticamente para outro candidato Democrata, porque ele foi feito principalmente pelo apelo particular que Obama exerce sobre os eleitores progressistas.
Há verdade em tudo isso. O fato é que o marketing eleitoral adquiriu novas ferramentas e sofisticação que dão mais valor e mais precisão ao seu desempenho. O voto demográfico – que sempre existiu – ganhou contorno e apelos mais definidos. O microtargeting – que na verdade está nas origens das campanhas eleitorais – pode agora equiparar-se ou mesmo superar a grande mídia. Mas nada disso pode ser tratado mecanicamente ou sectariamente. Não se pode dizer, por exemplo, que agora a economia não tem mais importância, o que importa é o voto demográfico. Esses novos conceitos e essas novas ferramentas chegaram para somar, não para excluir. Sua importância está em aumentar a precisão do marketing. Obama venceu porque sua equipe percebeu isso bem melhor.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O SuperPAC de Obama


Os SuperPAC são Comitês de Ação Política sem limites. Eles podem arrecadar o que bem entendem para apoiar aliados ou destruir adversários políticos. Ganharam destaque muito especial graças à campanha milionária que os Republicanos colocaram no ar. Segundo levantamento do Washington Post, só no mês de janeiro, os  SuperPAC pró-Republicanos arrecadaram 22,1 milhões de dólares – contra apenas 60 mil dólares dos pró-Obama. Apesar de milionária, a campanha Republicana é literalmente primária. Primeiro por ser autofágica – uma verdadeira aula sobre o que realmente significa “fogo amigo”. Depois por ter caído na armadilha da crise econômico-financeira montada por Obama. Esqueceram o que significa ter “a máquina na mão” e acreditaram que Obama ficaria de mãos atadas. Primeiro, ele tratou de colocar boa parte do abacaxi do desemprego na conta dos Republicanos (os impasses que eles, ingenuamente, provocaram no Congresso foram decisivos).  Depois, fez o oposto do que estão fazendo os europeus, com sua fórmula recessiva de enfrentar a crise. Obama investiu na recuperação do setor produtivo, está trazendo empregos de volta, fortalecendo o mercado interno. Por último, temos que considerar que ele lidera a melhor equipe de marketing político do momento. Cada passo que dá, seja no cenário internacional, seja na vida pessoal, é meticulosamente calculado. Veja por exemplo o comercial da Chrysler com Clint Eastwood no intervalo do SuperBowl – garanto que tem dedo da equipe. Ou os exemplos das “canjas” que Obama deu, primeiro cantando Al Green e depois, a pedido de Buddy Guy e Mick Jaegger, cantando no show da Casa Branca reunindo vários artistas. Tem dinheiro que pague isso? Enquanto os Republicanos gastam milhões para se destroçar, Obama amplia espaço rumo à re-eleição simplesmente cantarolando “Sweet Home Chicago”. Aliás, foi essa mesma música que a Banda de Dan Aykroyd e John Belushi apresenta no filme “Blues Brothers” para arrecadar o dinheiro que os irmãos Jake e Elwood Blues precisam para investir em um orfanato. Isso é ou não é mais forte do que os SuperPAC Republicanos?

Blues Brother cantando "Sweet Home Chicago":

sábado, 29 de outubro de 2011

Dos líderes latinos, Dilma tem a melhor avaliação


Apesar de ainda ser relativamente pouco conhecida, Dilma teve nota muito boa entre os líderes dos países latinoamericanos (mais EUA e Espanha), perdendo por muito pouco para o não-latino Barack Obama. Seu governo também está muito bem avaliado, atrás apenas do colombiano.
Essa é a conclusão da pesquisa realizada com 20,2 mil pessoas, entre 15 de julho e 16 de agosto, em 18 países latinos, e que foi divulgada na sexta-feira, dia 28, pela ONG Latinobarómetro, que ainda declara que Lula “es quizá el ejemplo más notable de esa nueva América Latina”.
(clique na imagem para ampliar)

domingo, 23 de outubro de 2011

Barbárie


Na quinta, estava dirigindo e – como faço sempre – ouvindo a CBN, quando me tornei testemunha de verdadeira barbárie relacionada à questão líbia. A âncora Lucia Hippolito chamou Sérgio Besserman e apresentou, como destaque do dia, a possível captura de Kadafi. Nada mais apropriado, já que era o que se discutia na mídia internacional. Infelizmente, o que se ouviu em seguida foi uma sucessão de barbaridades, despropósitos, mau gosto, algo difícil de acreditar que estivesse sendo perpetrado por duas figuras relevantes em nosso mundo informativo, político e cultural. Lucia Hippolito começou ridicularizando Kadafi por conta de suas roupas extravagantes (como se essa fosse a maior de suas extravagâncias!). Mas essa bobagem não foi nada, diante do que veio a seguir. Besserman mostrou-se indignado sabem com o quê? Não admitia que Kadafi (que, segundo ele, já deveria saber há meses que seria derrotado) não tivesse se entregado há mais tempo para evitar tantas mortes na Líbia!!! Dá pra acreditar? As cenas que correm o mundo revelando os detalhes da morte de Kadafi será que respondem a Besserman? Lucia Hippolito sugeriu que ele, Kadafi, deveria ter-se matado. Besserman concordou, lembrando o suicídio de Allende!!! Lucia Hippolito diz que Kadafi deveria ter-se queimado em praça pública, se lançado do alto de algum lugar – e isso tudo dito aos risos. Afinal de contas, segundo eles, Kadafi somente fez o mal...
Como pode a CBN permitir algo assim? Por mais que Kadafi tenha tido ações extremamente condenáveis (como ajudar os Estados Unidos na tortura de presos políticos), ele também teve papel positivo para seu povo. Evitou a sangria das riquezas do petróleo que, antes, jorravam para o exterior, combateu o analfabetismo, fortaleceu e projetou o seu país no continente e no mundo. Independente disso, não se combate a barbárie com mais barbárie. A dupla de jornalistas deveria mirar-se no exemplo de Dilma que, opondo-se ao oportunismo belicoso de Obama e outros dirigentes ocidentais, demonstrou serenidade e visão de estadista, ao afirmar que “não é possível comemorar a morte de qualquer líder” e concluir que “não se faz apedrejamento moral de ninguém”.
Acredito que Lucia Hippolito e Sérgio Besserman sejam bem intencionados, por isso sugiro lerem a coluna de hoje, no Globo e na Folha, de Elio Gaspari, que lembra cena semelhante ocorrida em 1961 com o líder congolês Patrice Lumumba "amarrado, apanhando antes de ser fuzilado por compatriotas rebelados”. Na verdade, mais uma barbárie patrocinada por “civilizados” ocidentais, orientados pelo onipresente CIA.

Abaixo, o trecho da coluna de Elio Gaspari e depois texto do jornal mexicano La Jornada do dia 21.
Muamar Al Clinton
O vídeo dos minutos finais de Muamar Kadafi, ensanguentado e cambaleante, ecoa o filme de 1961 que mostrou o primeiro- ministro congolês Patrice Lumumba amarrado, apanhando antes de ser fuzilado por compatriotas rebelados. Em 1975 uma comissão do Senado americano mostrou que a CIA trabalhava para matá-lo. Em 2002, o governo da Bélgica assumiu a “responsabilidade moral” pela sua participação no crime e pediu desculpas ao povo congolês. O comboio em que estava o Kadafi foi atacado por aviões americanos e franceses. Hillary Clinton disse, dias antes, que esperava a morte de Kadafi para “breve”. Os vídeos “Lumumba seized, returned to Leopoldville” e “L’assassinat de Patrice Lumumba” estão no YouTube.
Kadafi y la hipocresía de Occidente
El asesinato de Muammar Kadafi, perpetrado ayer en su natal Sirte, marca el triunfo definitivo de la revuelta que empezó en Libia hace ocho meses y que fue desvirtuada, poco después de su inicio, por una masiva intervención militar de las potencias occidentales en la nación norafricana. Lo que habría sido una insurrección popular democratizadora fue convertida en una incursión de saqueo neocolonial, alentada por la ambición de Estados Unidos y Europa ante los enormes recursos energéticos del territorio sirio, en un nuevo mercado de armamento y, presumiblemente, en una vasta oportunidad para los negocios de "reconstrucción", a la manera de los realizados tras la invasión y destrucción de Irak, cuyos contratos beneficiaron a las empresas y consultoras del entorno del ex presidente George W. Bush. Por otra parte, está por verse si el heterogéneo Consejo Nacional de Transición (CNT) es capaz de reconstruir Libia, de gobernar con moderación, legalidad y soberanía, así como de emprender cambios reales en el país. En otro sentido, la exhibición del cadáver del antiguo hombre fuerte de Libia en los medios occidentales, así como la omisión de que su muerte y la de muchos de sus hombres cercanos fueron homicidios injustificables, exhibe una vez más la doble moral de las democracias occidentales, las cuales siguen haciendo redituables negocios con sátrapas del mundo árabe no menos impresentables que Kadafi, como los monarcas de Marruecos, Arabia Saudita y los emiratos petroleros del Golfo Pérsico. Asimismo, al festejar el suceso, Estados Unidos y Europa omiten el hecho de que, hasta hace menos de un año, Kadafi era recibido con cordialidad extrema por Barack Obama, José Luis Rodríguez Zapatero, Nicolas Sarkozy y Silvio Berlusconi, y que hay señalamientos sobre el financiamiento de las campañas políticas de los dos últimos por parte del régimen depuesto. Con tales antecedentes, es claro que el fin de la era de Kadafi en la intervenida nación del Magreb no necesariamente representa un paso hacia la democracia, la paz y el desarrollo en Libia. Por lo pronto, el asesinato del gobernante es una expresión de barbarie y de hipocresía.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Pesquisa Mitofsky: o continente e seus dirigentes


Saiu mais uma avaliação dos presidentes dos países americanos feita por Consulta Mitofsky, instituto mexicano de pesquisas. A curiosidade maior está no último lugar ocupado por Piñera, do Chile, com 27%, bem distante dos 83% que Bachelet tinha quando deixou o governo. Certa surpresa na avaliação excelente de Rafael Caldera, do Equador, com 75%. A avaliação média de Dilma (49%), abaixo de Cristina Kirchner (50%), também surpreende e destoa da avaliação super positiva apresentada pela pesquisa CNI / Ibope da semana passada, com 71% de aprovação. Mas tem explicação: a pesquisa Mitofsky foi feita nos dias (agosto) dos escândalos de corrupção no Turismo – com a PF pondo algemas em altas personalidades do governo – e no dia da derrota do Brasil para a Alemanha. A avaliação baixa de Obama (42,7%) não surpreende.
Veja abaixo; clique na imagem para ampliar.


terça-feira, 13 de setembro de 2011

It’s the unemployment, stupid!


Obama herdou o pior dos mundos possíveis para um presidente americano. O país todo-poderoso no centro de uma crise econômica internacional, recessão, conflitos armados pipocando por toda parte, e pior ainda – a autoestima da população em queda livre. A descrença com o presidente – e os políticos de um modo geral – atingiu níveis altíssimos, e a reeleição do fenômeno eleitoral Barack Obama entrou em área de alto risco. Afinal, como satisfazer os milhões de novos (e futuros) desempregados de uma sociedade que aparentava ser imune às desgraças do mundo moderno?
Mas parece que Obama encontrou o rumo para dar a volta por cima na próxima eleição. É verdade que está sendo favorecido pelo fato de o Partido Republicano não contar ainda com nenhum nome eleitoralmente forte nem com respostas para a crise que eles mesmos, os republicanos, criaram, com seu neoliberalismo extremado e sua geopolítica troglodita. Já é possível perceber que Obama coloca de volta nos braços da oposição o fardo econômico que carrega desde que assumiu o governo. Usou a discussão sobre o teto do endividamento público para demonstrar que os republicanos estão sendo intransigentes em questões econômicas por motivos puramente eleitoreiros. Aproveitou o pânico generalizado com o rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos, com a crise europeia e com os índices recordes de pobreza (15,1%) e de desemprego (9,6%) para fortalecer suas propostas de recuperação da economia. E finalmente apresentou um plano mais ousado de combate ao desemprego, colocando os republicanos em uma saia justa: ou eles apoiam o plano – e com isso ajudam Obama; ou eles não apoiam – e com isso assumem o ônus de não combaterem o desemprego e igualmente ajudam Obama. Consegue dessa forma que a crise tenha nome (desemprego) e sobrenome (republicanos). A melhor equação para a reeleição.

sábado, 13 de agosto de 2011

Dave Axelrod: o mundo está de pernas pro ar – isso ajuda a reeleição de Obama


Entrevista com Dave Axelrod, o principal estrategista de Barack Obama.
Blog do Gadelha: O Presidente Obama não conseguiu diálogo com o Congresso, o acordo do teto do endividamento americano foi um fiasco, a Standard&Poors rebaixou a nota dos Estados Unidos, a Europa entrou em crise, o eleitorado americano está raivoso – você acha que Obama vai perder a eleição?
Dave Axelrod: De forma alguma. Eu diria que, ao contrário do que se imagina, as chances de vitória são bem maiores hoje do que há um mês.
Blog do Gadelha: Explique essa mágica, que vai contra todas as análises.
Dave Axelrod: Não tem mágica. Você sabe, a gente trabalha com muita pesquisa, informação e, acima de tudo, sensibilidade para compreender o eleitor.
Blog do Gadelha: Ok, então explique sem mágica.
Dave Axelrod: Talvez você não acredite, mas nós planejamos a crise com o Congresso...
Blog do Gadelha: Uau! Essa é forte!
Dave Axelrod: ... e ele reagiu exatamente dentro do esperado. Principalmente entre os republicanos...
Blog do Gadelha: O Tea Party inclusive?
Dave Axelrod: Claro, são os mais previsíveis. O que víamos é que, apesar do pontaço que fizemos com a captura de Bin Laden, a crise econômica, com taxa de desemprego alta e resistente, tinha tudo para nos esmagar. É aquela velha história do “é a economia, estúpido!”, e nós não somos estúpidos. Calculamos que a oposição, meio perdida, bateria unicamente nessa tecla, exaustivamente, podendo até nos derrotar, se não reagíssemos.
Blog do Gadelha: Eles não têm nome forte para concorrer, estão divididos até a alma...
Dave Axelrod: É verdade, mas não podíamos correr risco. Resolvemos atraí-los para a armadilha que armavam contra nós. Eles pretendiam carimbar em nossas testas a responsabilidade exclusiva pela crise econômica, pelo drama de milhões de trabalhadores que perderam o emprego. Sabemos que o governo democrata herdou a crise de Bush. Mas a população não quer saber disso. Bush já está distante, a responsabilidade é do governo atual. Ou melhor, era. Hoje, no mínimo passou a ser dividida com a oposição, e, ano que vem, a responsabilidade pela tentativa de afundamento do país passará a ser creditada unicamente a ela. Ao expormos publicamente a intransigência dos republicanos – mais ainda do Tea Party –, deixamos bem definido quem é quem no jogo político, quem está realmente interessado no progresso e no bem-estar da nação e quem quer apenas ser do contra, com objetivos eleitoreiros.
Blog do Gadelha: E por que isso não foi feito em dezembro, como sugeriu Paul Krugman? Ele disse textualmente: “(Obama) poderia e deveria ter demandado um aumento do teto do endividamento em dezembro passado. Quando indagado por que não fez, ele respondeu ter certeza de que os republicanos agiriam de forma responsável. Que aposta”.
Dave Axelrod: Entendemos a ansiedade de Paul Krugman. Mas o jogo político é muito pesado. Precisávamos dar maior dramaticidade à intransigência dos republicanos, levar a questão a pontos extremos para melhor percepção de quem é quem.
Blog do Gadelha: Isso não foi muito arriscado? Não terá sido isso que levou a S&P a rebaixar a nota de crédito dos Estados Unidos de “AAA” para “AA+”?
Dave Axelrod: Foi um risco calculado. Mas, com relação à S&P, na minha opinião, eles foram muito irresponsáveis. Ninguém em sã consciência pode achar que os Estados Unidos não são “AAA”. A melhor prova disso foi a reação do mercado correndo em busca de dólares. O pior é que essa história toda prejudicou a Europa, que ficou com a credibilidade mais abalada. Ainda assim, a S&P acabou por facilitar nosso plano, porque amplificou a dramaticidade. Ela ajudou a colocar o mundo de pernas pro ar, e ao mesmo tempo ajudou o eleitor a ver mais claramente a importância de reeleger nosso Presidente.
Blog do Gadelha: Está tudo muito bonito, mas não esqueça que a popularidade de Obama caiu...
Dave Axelrod: Sem dúvida. Já contávamos com isso. Mas por incrível que pareça, o Presidente Obama agora tem mais condições de agir.
Blog do Gadelha: Será? Não é o que pensa Krugman, que diz que os republicanos agora poderão impor novas crises, com a certeza de que Obama voltará a entregar os pontos.
Dave Axelrod: Essa foi uma análise precipitada. Mais do que criticar o Presidente, a opinião pública condena a classe política – particularmente os políticos da oposição – por sua irresponsabilidade persistente. O Presidente Obama terá mais desenvoltura para tomar as medidas necessárias para recuperar a economia, iniciar a retomada do desenvolvimento e trazer de volta os empregos perdidos. Nossos maiores adversários em 2012 não serão os republicanos. Teremos que voltar a conquistar os votos dos desiludidos com a política. Só venceremos – como em 2008 – com a redução da abstenção. E é isso que vai acontecer, porque o eleitor tomará consciência de que Obama é a única esperança. Essa vitória está nas mãos de cada um de nós, no sonho de todo o povo – e o nosso povo sabe concretizar os seus sonhos.
Nota. É evidente que se trata de uma entrevista fictícia. Foi a forma que encontrei para dizer o que penso do imbroglio americano na questão do “acordo” sobre o teto do endividamento. Mas o pensamento de Paul Krugman foi pinçado de seu artigo publicado dia 31 de julho, no NYT, e traduzido pelo Globo de 2 de agosto.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O enigma sino-americano


Tenho um amigo que costuma dizer que no futuro não teremos nem G-5, nem G-7, nem G-8, nem G-20 – “o mundo caminha para o G-2”, diz, referindo-se à concentração de poder entre China e Estados Unidos, trazendo à tona uma alternativa de mundo bipolar de triste memória. Mas, olhando o cenário da economia mundial e observando os laços indissolúveis das economias da China e dos Estados Unidos, prefiro dizer que infelizmente já vivemos uma espécie de G-1, onde os dois países praticamente viraram uma “unidade” e ao resto do mundo só resta rezar para que isso não conduza o Planeta Terra à bancarrota. Os dois gigantes não podem mais agir independentes um do outro, porque o risco de catástrofe é muito grande. Praticam um jogo de alto risco em que um não pode fazer uma jogada que seja inteiramente enigmática e deixe o outro sem saída. Vejamos algumas das notícias recentes sobre as dificuldades na economia americana:
  • Se o Congresso americano forçar o Governo Obama (indo contra a própria Constituição) a dar um calote monumental, o seu maior credor (e o portanto maior prejudicado), com 1,15 trilhão de dólares em títulos do Tesouro americano, é exatamente a China. Outros grandes credores são: Japão (882,3 bilhões), Reino Unido (272,1 bilhões), exportadores de petróleo (211,9), Brasil (187 bilhões), bancos no Caribe (169 bilhões), Taiwan (155 bilhões), Rússia (151 bilhões), Hong Kong (135 bilhões) e Suíça (107 bilhões) – todos bem abaixo do total chinês. A situação indefinida já levou o Governo Chinês a aconselhar os Estados Unidos a tomarem juízo. Afinal, o calote é ruim para todo mundo (até para os Republicanos...)
  • Anteontem, o presidente do FED, Ben Berbanke, falou de um novo estímulo à economia (seria o terceiro afrouxamento quantitativo). As bolsas ocidentais reagiram positivamente, prevendo maior aquecimento, mas a China chiou forte. Isso significaria também enfraquecimento do dólar (olha as reservas chinesas aí de novo...) e, pior, aumento dos preços das commodities, petróleo à frente. A China, como importadora gigantesca, seria enormemente prejudicada, não apenas pelos custos de importação como pelas dificuldades de exportação, inflação, etc. A sua reação contrária foi ainda mais forte (leia o artigo “Possible US QE3 sparks concerns”, de Hu Yuanyuan e Chen Jia, no China Daily). Ontem, Berbanke meio que desdisse o que falara na véspera, deu a entender que não haveria novos estímulos à economia. Resultado: as bolsas ocidentais caíram e as de Xangai e Hong Kong subiram.
Esse sobe-desce enigmático da relação entre China e Estados Unidos não interessa a ninguém. Seja G-20, seja G-2, seja G-1, o entendimento tem que ser único. E tem que ser global - se é que isso é possível...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Percepções: Palocci, Obama, Battisti, bombeiros e Humala

Em política, mais do que em qualquer outro aspecto da vida, não basta ser – tem que ser percebido que é. Foi o que aconteceu com Palocci. Não bastou provar que não há nada concreto contra o seu enriquecimento súbito, nada demonstra que foi ilícito. Mas, se pretende ser percebido como íntegro, o homem público não pode deixar transparecer enriquecimento malvisto – por mais honesto que tenha sido. O erro de Palocci foi esquecer essa regra. A oposição está mais interessada nas percepções do que nas comprovações, é o que lhe resta para crescer. Como teria dito Lula, Palocci saiu na hora certa.
Obama ganhou admiração do eleitor americano quando mostrou que sabe falar grosso no combate ao terrorismo. Invadiu o Paquistão, matou bin Laden, sequestrou e desapareceu com seu corpo – e seus índices de aprovação dispararam. Agora precisa ser percebido como aquele que também fala grosso na economia.
Sobre Battisti, a Itália e Gilmar Mendes podem dizer o que bem entenderem – mas o caso é político, e foi com essa visão que Lula corretamente agiu. Mas a guerra de percepções continua.
Os bombeiros do Rio (e provavelmente do mundo inteiro) sempre foram percebidos como heróis. Além de combatentes do fogo, a partir do Governo Brizola, passaram a atuar no atendimento de emergência para acidentes. E no Governo Sérgio Cabral sua ação se ampliou, com os bombeiros agindo como auxiliares da saúde, muitas vezes substituindo com vantagem os profissionais tradicionais da saúde. Infelizmente, esse novo papel causou fissuras internas (“brancos” x “vermelhos”), inclusive em questões salariais. A insatisfação cresceu e uma espécie de movimento sindical-fundamentalista (evangélico) ganhou força. Com a votação da PEC 300 em perspectiva e a decisão de radicalizar diante de impasses, os bombeiros ganharam as ruas. Provocaram uma situação de confronto irreversível e, ao contrário do que normalmente ocorre nessas situações, conservaram a simpatia pública. O Governo não teve alternativa a não ser cumprir a lei. Mas agora está enfrentando uma difícil guerra de percepções, que pode se ampliar nacionalmente.
Humala confirmou a previsão deste Blog. Reagiu na reta final e superou a adversária, Filha de Fujimori, em uma guerra de percepções bastante complexa. Agora, eleito, enfrenta o terceiro turno dessa guerra, a luta contra os neoliberais que buscam inviabilizar o seu governo associando-o a Hugo Chávez. Como antídoto inicial, Humala escolheu o Brasil de Lula e Dilma como primeiro país a ser visitado.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Certidão de Nascimento de Obama: transformando limão em limonada



Que a turma do David Axelrod (marqueteiro do Obama) é ótima a gente já sabe há muito tempo. Fizeram mais uma. Como vimos recentemente, Obama sofreu com a história de que talvez não fosse americano de nascimento. Foi preciso passar pelo ridículo de ter que apresentar publicamente a sua certidão de nascimento para deixar tudo em pratos limpos. Mesmo assim, começaram a circular dúvidas sobre a autenticidade da certidão. Aí, como disse Julianna Smoot, da coordenação da campanha da reeleição, "já que não conseguimos nos livrar dessa coisa, vamos nos divertir com ela". E criaram a "Caneca made in USA". Na caneca, uma foto do Obama e a reprodução de sua certidão de nascimento. Não é ótima ideia? Ah, sim, custa 15 dólares. Se preferir a camiseta, são 25 dólares. Eles são de morte - além de se divertir, estão ganhando dinheiro com a certidão de nascimento...

Obama sinalizou acesso a água aos palestinos; agora tem que ajudar a concretizar


No seu pronunciamento, hoje, sobre o Oriente Médio, Barack Obama nega o seu próprio veto, feito em 18 de fevereiro deste ano, contra um projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU, apresentado pelos países árabes, condenando Israel, por promover a construção de assentamentos em territórios palestinos. O texto reafirmava que todas as atividades israelenses relacionadas aos assentamentos nos Territórios Palestinos Ocupados, inclusive em Jerusalém Oriental, seriam ilegais e constituiriam grande obstáculo para alcançar-se a paz com base na solução dos dois Estados – Israel e Palestina. Ora, Obama defendeu hoje o retorno às fronteiras de antes da Guerra dos Seis Dias de 1967 – exatamente a essência do projeto do CS. Foi um passo gigantesco, em direção a um Oriente Médio de paz e prosperidade. Para os palestinos, significa em primeiro lugar a formação do estado palestino. Além disso, o retorno do poder sobre Jerusalém Oriental. Mais ainda: significa o retorno ao acesso às águas do Rio Jordão, sob domínio absoluto de Israel e proibidas para os palestinos. Em abril de 2009, postei aqui : “As principais fontes de água na região são a bacia do rio Jordão (incluindo o alto Jordão e seus tributários), o mar da Galiléia, o rio Yarmuk e o baixo Jordão, além de 2 grandes sistemas de aquíferos, o aquífero da Montanha (totalmente sob o solo da Cisjordânia, com uma pequena porção sob o Estado de Israel), o aquífero de Basin e o aquífero Costeiro que se estende por quase toda faixa litorânea israelense até Gaza (Ana Echevenguá). Os reservatórios subterrâneos são 80% explorados por Israel e o sistema do rio Jordão (que divide a Palestina da Jordânia) não tem acesso permitido a palestinos. A distribuição justa das terras da região implica, em primeiro lugar, distribuição justa das águas. E nisso Israel não cede uma gota”.
Obviamente Obama está em busca de recuperar prestígio junto aos países muçulmanos, e se ele conseguir os dois Estados – Israel e Palestina – com fronteiras de 1967, terá realizado façanha monumental, capaz de ganhar beijinho até dos talibãs. Diga-se de passagem que Obama só pôde tomar essa decisão por causa da morte de bin Laden. Até aquele momento, ele não tinha credibilidade com relação à sua capacidade de enfrentamento. Era considerado frágil e qualquer concessão ao mundo árabe/muçulmano seria considerada covardia e tiraria milhões de votos em 2012. Com a caça a bin Laden, Obama retomou o posto de grande líder e pode falar mais grosso com a direita israelense. Se isso se concretiza (mais alguma recuperação da economia), sua reeleição é líquida e certa.

Obama no Oriente Médio: Israel ou não Israel, eis a questão

Obama vai fazer pronunciamento sobre o Oriente Médio ainda hoje. Um tema espinhoso, mas necessário. O apoio aos Estados Unidos, na região, tem caído vertiginosamente. Melhorou um pouco com a eleição de Obama, mas já voltou a cair. A intensificação da guerra no Afeganistão, as revoltas árabes e a morte de bin Laden são pontos negativos. Obama responde com mais grana e com sinais de que pode sair do Afeganistão (decisão que conta também com apoio interno, principalmente depois da ação anti-bin Laden). E há quem fale que ele pode defender o retorno de Israel às fronteiras pré-67 – o que me parece muito difícil, mas seria o que mais fortemente lhe garantiria apoio no mundo árabe/muçulmano, porque praticamente garantiria a formação do estado palestino. Israel é a mais forte ponta-de-lança dos Estados Unidos na região, além de dominar corações e mentes de milhões de eleitores americanos. É verdade que tem perdido fôlego, principalmente para os adversários Irã, Hamas e Hesbolá, mas ainda é forte o suficiente para impedir atos mais ousados vindos de Obama.
Seja como for, o próximo pronunciamento de Obama com certeza vai ser feito com um olho no calendário eleitoral e outro em pesquisas como a feita pelo Pew Research Center’s Global Attitudes Project, entre 21 de março e 26 de abril, em 7 importantes países de influência muçulmana – Egito, Indonésia, Jordânia, Líbano, Paquistão, Território Palestino e Turquia. Seus índices sobre a imagem americana são muito preocupantes. No Paquistão, por exemplo, onde os “Navy Seals” entraram sem pedir licença e mataram Bin Laden, ele conta com 10% de “confiança” contra 65% de “desconfiança”. Obama terá que fazer oferta muito alta para conquistar corações muçulmanos – sem poder entregar a cabeça israelense de bandeja...
(veja a pesquisa PEW clicando aqui)

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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Obama - Marco Zero ou Nota Zero?



(No vídeo acima, trecho da excelente entrevista de Chalmers Johnson para Jorge Pontual, do Milênio, em junho de 2010)
Ok, Obama acaba de transformar-se em herói americano, líder ousado e inteligente. Com isso, ganhou pontos valiosos nos índices de aprovação popular, deu um grande passo rumo à reeleição. Mas os pontos que ele ganhou em casa perdeu em dobro fora de casa. Não há como justificar a invasão de um país soberano, ainda mais para eliminar seja quem for. Não há como justificar o assassinato de uma pessoa indefesa. Não como justificar a tortura. Não há como justificar o sequestro do corpo e o encobertamento de provas. Assim como não há como justificar a invasão do Iraque e a carnificina na Líbia. Os Estados Unidos protegem-se, mas lançam a humanidade de volta à lei da selva. Os cartazes de “vivo ou morto” do seu faroeste não podem ser fixados nos quatro cantos do mundo. Na matança de “seus terroristas”, dão um show de arrogância. Não é assim é que teremos um mundo melhor, mais seguro, livre do terrorismo. Obama corre o risco de ganhar a reeleição, e perder o Paquistão para a China. Corre o risco de voltar a ser ovacionado em casa, e receber chuva de ovos além-fronteiras. Seria o momento certo (se não fosse a eleição de 2012) para compreender, como disse o historiador e ex-CIA Chalmers Johnson, que "uma nação pode ser um império ou uma democracia – mas não pode ser os dois”.  O grande presidente americano precisa aprender que o que é bom para os Estados Unidos não é obrigatoriamente bom para o mundo.

Muito bom o artigo de Ricardo Melo, hoje na Folha:

Licença para matar
Ricardo Melo


Não será do dia para a noite que se terá acesso ao que realmente ocorreu no esconderijo do terrorista Osama bin Laden. Mas até a imprensa americana, que desde a Guerra do Golfo trocou o jornalismo pela "embedagem" ao governo, desconfiou do anúncio hollywoodiano da Casa Branca, versão democrata das "armas de destruição em massa" da era Bush.
Os lances épicos da violenta troca de tiros, da mulher usada como escudo, da resistência feroz deram lugar a um enredo bem mais prosaico. Provavelmente houve uma execução, e ponto. Tal descrição não comporta nenhum juízo de valor.
Bin Laden e quem se engaja no terrorismo e no fanatismo religioso têm consciência que o risco de morrer faz parte do (mau) negócio. O prontuário de crimes do chefe da Al Qaeda apontava para este final.
Mas incomoda, para dizer o menos, aceitar como natural a baboseira de Obama e dos europeus, para os quais a "justiça foi feita".
Como assim? Os EUA invadem um país, fuzilam um inimigo sem julgamento, jogam o corpo do sujeito no mar e estamos conversados. Tudo isso depois de se valerem de "técnicas coercitivas de interrogatório", eufemismo para tortura com afogamentos. E ainda vem a ONU, candidamente, dizer que "é preciso investigar" se o direito internacional foi desrespeitado.
A lógica política da operação Geronimo é a mesma que preside a intervenção seletiva nos conflitos na África e no Oriente Médio. Gaddafi, o ex-amigo, agora é inimigo, então chumbo nele e na família. Já na Síria não é bem assim, tampouco no Iêmen e na Arábia Saudita -azar de quem nasceu rebelde por ali. Mais uma vez, os EUA tratam o planeta como quintal, e usam a ONU de plateia para as "rambolices".
Que Obama, um político comum, comemore o ganho de popularidade às vésperas da batalha pela reeleição, é compreensível. Já o resto do mundo dito civilizado assistir a tudo com tamanha complacência apenas sinaliza o que está por vir.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Bin Laden decide a reeleição de Obama


Com a morte de Osama Bin Laden, ficou praticamente impossível derrotar Obama em 2012. A existência – contra tudo e contra todos – do líder da Al Qaeda simbolizava fraqueza dos Estados Unidos, a maior máquina de guerra do mundo. Encontrá-lo e matá-lo lavou a alma do povo americano – que comemora nas ruas como se fosse a vitória de uma grande guerra – e traz de volta o símbolo de poder ao país que andava meio combalido. Ainda afasta de Obama a imagem de vacilão que os Republicanos tentavam fixar.
Sua morte prova ainda duas coisas: 1) não se pode acreditar em tudo que se vê – todo mundo via um Bin Laden maltrapilho, carregando uma espingarda velha nas montanhas do Afeganistão, mas ele vivia em mansão perto de Islamabad, capital do Paquistão; 2) Obama sem dúvida sabe usar a inteligência bem melhor do que Bush.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Obama sentiu o golpe e teve que apresentar a Certidão de Nascimento


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Esse negócio de percepção pode ser fatal em uma eleição. Veja o que acontece nos States: alguém espertamente inventou que Obama não teria nascido em solo americano e isso virou uma onda negativa para a campanha Democrata. Inicialmente, Obama recusou-se a discutir o assunto e a provar documentalmente o seu local de nascimento. Fez certo, procurando com isso desacreditar o diz-que-me-diz. Mas não foi suficiente, a percepção (fundamentada em grande preconceito) de que ele não era all-american ganhou corpo. A estratégia da fofoca começou a dar certo e a incomodar a campanha de Obama. O jeito foi tornar pública a Certidão. Os Republicanos agora terão que encontrar outro boato...

terça-feira, 26 de abril de 2011

Obama vai vencer em 2012, apesar de vacilar em Guantánamo e de outras bobagens que fez



Recebi um “e-mail convocação” da Campanha Obama 2012 com um vídeo do Coordenador Jim Messina. É mais uma peça brilhante de marketing político. No vídeo anterior, tínhamos pessoas comuns falando sobre a reeleição de Obama e as possibilidades de votar nele em 2012, o trabalho de formiguinha para conquistar novos eleitores. O slogan é genial, “It begins with us” (“Começa com a gente” – ou, forçando um pouco, “Começa com Os Estados Unidos”). Nesse novo vídeo, Jim Messina fala diretamente para o cabo eleitoral (e/ou contribuinte) em potencial. Fala de estratégia, da missão de cada um, mostra mapas eleitorais, a conquista do voto um a um e mostra o que deverá ser o principal confronto de focos em 2012: enquanto os Republicanos deverão focar sua campanha em Obama, os Democratas deverão focar no povo. No incentivo direto pela inclusão de novos cabos eleitorais (e/ou doadores), o slogan “I’m in” (“Tô dentro” ou “ Tô nessa”), passo importante para a vitória. Que deverá contar também com uma reviravolta na economia – mais empregos, crescimento, retomada de uma liderança forte nacionalmente e internacionalmente.
Contra Obama, as promessas não cumpridas, a derrota de 2010, que o deixou refém de um Congresso com maioria Republicana, o enfraquecimento no cenário internacional, com perda de qualidade entre aliados, uma imagem algo titubeante, sem passar liderança forte. Mas com o apoio de uma economia recuperada, o eleitor americano poderá concluir que, apesar dos pesares, Obama é opção infinitamente superior a qualquer Republicano.
Em tempo: destaque, no vídeo, para o merchandising da Apple nessa pré-campanha presidencial...

terça-feira, 29 de março de 2011

Pesquisa Mitofsky: Dilma está melhor do que Obama

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O Consulta Mitofsky, instituto mexicano de pesquisa, faz avaliações frequentes dos governos de 20 países americanos – Norte, Sul e Centro. Na última vez que divulguei aqui no Blog, em outubro do ano passado (veja aqui), Lula liderava com 78%. O Mitofsky acaba de fazer nova rodada e Dilma não está em primeiro lugar, claro, mas tem 50% de aprovação – ou, como observa o instituto, “superior a los obtenidos por Luiz Inácio Lula da Silva al inicio de sus dos mandatos en 2003 y 2007”. (veja aqui)
Dilma realmente tem surpreendido. Soube ser “a candidata de Lula” e agora está sabendo ser “perfeita complementar de Lula”, conquistando as parcelas da classe média e da mídia que sempre foram hostis a Lula (que continua garantindo para seu governo apoio das faixas mais populares). Ninguém em sã consciência poderia esperar que Dilma obtivesse os mesmo índices do final do governo passado. A não ser, talvez, Cesar Maia, que na semana passada tentou provar que seria negativo o seu índice de 47% de “ótimo/bom” na avaliação de 3 meses do Datafolha. Ele chegou a afirmar que “em geral, a avaliação de um governo é maior que a intenção de voto em campanha, pois nessa intervém a ação de seus concorrentes”. Nas eleições pós-ditadura isso só ocorreu (ver quadro abaixo) no caso de Collor (26% de intenção de voto no primeiro turno), em uma eleição atípica, com 21 candidatos. Collor teve 36% de “ótimo/bom” na avaliação Datafolha de início de Governo. Depois disso, todos os eleitos tiveram avaliação de início de governo inferior à intenção de voto – sendo que todos eles (incluindo Collor e Itamar) apresentaram índices de avaliação abaixo de Dilma. Não podemos esquecer ainda que as piores avaliações foram de Fernando Henrique. Contra tudo e contra todos, Dilma está com avaliação excelente. Ela bem que poderia ter contado o segredo para Obama...

quinta-feira, 24 de março de 2011

Hipocrisias nos céus da Líbia


Que essas decisões das potências ocidentais via-Conselho de Segurança da ONU estão repletas de hipocrisia ninguém tem mais dúvidas – exceto a grande mídia brasileira... Mas quem também afirma isso é Leslie H. Belb, ex-colunista do New York Times e presidente emérito do Council on Foreign Relations. Essa semana Leslie H. Belb escreveu um artigo no site The Daily Beast, “The Horrible Libya Hypocrisies”, onde começa dizendo que “não há nada como uma crise da política externa, real ou imaginada, para inflamar o pior entre os líderes mundiais e entre os especialistas em política externa”.
Outros trechos:
  • A crise fabricada na Líbia é um primeiro exemplo. Nenhum estado estrangeiro tem interesses vitais em jogo na Líbia. Os acontecimentos nesse lugar estranho e isolado têm pouca influência sobre o resto do tumultuado Oriente Médio. Também não pode ser descartado que há horrores humanitários muito, muito piores em outros lugares. No entanto, os intervencionistas humanitários neoconservadores e liberais dos EUA forçaram mais um presidente dos EUA a agir como se fosse o contrário.
  • Quando essa dupla terrível começa a cuspir palavras como "massacre" e "genocídio", a mídia fica louca.
  • O motivo pela qual nem o presidente Obama nem seus parceiros da Grã-Bretanha e da França podem apresentar um objetivo coerente para a Líbia é que nenhum deles tem qualquer interesse central no que vai acontecer lá. (...) Todos eles foram simplesmente levados por sua própria retórica.
  • O drama começa quando os líderes e pensadores são seduzidos pela sensação de que devem fazer o bem. Às vezes, eles ignoram os assassinatos, mesmo quando as mortes chegam a centenas de milhares (como em Ruanda) ou milhões (como no Congo). Outras vezes, o número de mortes está em centenas ou algo assim, como na Líbia – mas o cara que está fazendo a matança é alguém que eles têm boas razões para não gostar, e aí decidem fazer o bem e detê-lo. (Texto completo aqui.)

Paricularmente, mesmo concordando inteiramente com a hipocrisia das declarações dos líderes ocidentais e do noticiário, acredito que eles tiveram motivos mais fortes do que o amor à própria retórica. Sarkozy tem óbvios interesses eleitorais, louco para um fato grandioso capaz de levantá-lo nas pesquisas. Obama idem, e pior: tem que lutar contra o lobby da guerra, contra os Republicanos e contras os gaviões da infiel Hillary Clinton empoleirados dentro do próprio partido Democrata.