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domingo, 11 de novembro de 2012
Afinal, por que Obama venceu?
Dick Morris, amigo e consultor de Bill Clinton, (mas, antes de tudo, um consultor de marketing político/eleitoral Republicano), distribuiu nessa sexta-feira um artigo com o título de “A campanha não fez diferença” (The Campaign Made No Difference), onde afirma que “os meses e meses de campanha, as centenas de milhões de dólares em comerciais de TV, o vaivém dos candidatos e os intensos esforços de ambos os lados na conquista de votos fizeram pouca ou nenhuma diferença nos resultados eleitorais de 2012”(The months and months of campaigning, the hundreds of millions of TV advertising, the incessant travel schedules of the candidates, and the vigorous efforts of both sides to get their vote out made little or no difference in the outcome of the Election of 2012). Para ele – que um dia antes da eleição chegou a prever a vitória de Romney por 325 delegados contra 213 de Obama –, foram os eventos que fizeram a diferença: foram os debates, as convenções, o ataque ao consulado americano em Benghazi, a economia, os dados sobre emprego, etc. que influenciaram a votação em todos os 50 estados. Para ele, nem a mídia paga, nem a campanha in-person nos estados indefinidos, nem o ground game (microtargeting) massivo, contribuíram para nada. Os números não se alteraram por isso, e Dick Morris tira duas conclusões principais:
1 – a TV está perdendo impacto, principalmente na corrida presidencial. Os eleitores não estão vendo TV como antigamente e os que ainda veem passam por cima dos comerciais.
2 – o voto demográfico é a nova regra americana. Você vota baseado em quem você é, não em onde você vive ou em como cada campanha trabalhou cada caso específico. O que importa é que 93% dos negros, 70% dos latinos, 60% dos jovens (menos de 30) e 62% das pessoas solteiras votaram em Obama, enquanto os casais brancos com mais de 30 anos votaram em Romney.
No lado vencedor, há aspectos mais consistentes em consideração. Dave Axelrod (principal estrategista de Obama) declarou que a equipe Obama reinventou a campanha com novas ferramentas e que desde o começo eles tinham um “game plan” que trataram de executar. Segundo ele, a campanha essencialmente construiu a união em torno de Obama desmembrando a América em vários grupos raciais e de gênero e pondo questões que os convenceram a ir às urnas.
David Plouffe, um dos consultores seniors da campanha de Obama, disse nessa quinta-feira que o microtargeting não poderia ser copiado automaticamente para outro candidato Democrata, porque ele foi feito principalmente pelo apelo particular que Obama exerce sobre os eleitores progressistas.
Há verdade em tudo isso. O fato é que o marketing eleitoral adquiriu novas ferramentas e sofisticação que dão mais valor e mais precisão ao seu desempenho. O voto demográfico – que sempre existiu – ganhou contorno e apelos mais definidos. O microtargeting – que na verdade está nas origens das campanhas eleitorais – pode agora equiparar-se ou mesmo superar a grande mídia. Mas nada disso pode ser tratado mecanicamente ou sectariamente. Não se pode dizer, por exemplo, que agora a economia não tem mais importância, o que importa é o voto demográfico. Esses novos conceitos e essas novas ferramentas chegaram para somar, não para excluir. Sua importância está em aumentar a precisão do marketing. Obama venceu porque sua equipe percebeu isso bem melhor.
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Eleições americanas: no final, Obama saiu vitorioso
Todo mundo sabe que Obama foi o grande derrotado nas eleições de 2 de novembro. Mas pouco se disse da movimentação vitoriosa de Obama nos últimos dias, que evitou um desastre maior para os Democratas. Curiosamente, fiquei sabendo através do mailing de um dos seus adversários mais ferozes, Dick Morris, estrategista Republicano (embora tenha sido consultor de Clinton). Baseado em pesquisa pós-eleitoral do Instituto Zogby, Morris concluiu que “os esforços de Obama funcionaram”. Diz a pesquisa que entre as pessoas que decidiram o voto na última semana pré-eleitoral (ou seja, que receberam a influência dos esforços finais de Obama), 57% votaram nos Democratas e 31% votaram nos Republicanos. Os que decidiram com antecedência votaram 53% nos Republicanos e 44% nos Democratas. Para infelicidade dos Democratas, apenas 8% dos eleitores deixaram para decidir o voto no final. E mais: 46% votaram com antecedência.
Outros dados da pesquisa:
• 15% dos solteiros decidiram no final e votaram 64% nos Democratas.
• 14% com ganho anual abaixo de 25 mil dólares decidiram no final e votaram nos Democratas na base de 59% a 36%.
• 20% dos eleitores entre 18 e 29 anos decidiram no final e votaram nos Democratas na base de 56% a 37%.
Os Democratas novamente dominaram entre os mais jovens – mas esses também foram poucos na hora de votar. A pesquisa apresenta outras curiosidades eleitorais desse tipo (clique aqui). Mas o que realmente se destaca foi o sucesso da maratona final de Obama, capaz de derrubar previsões bem pessimistas – inclusive de Dick Morris.
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sábado, 5 de junho de 2010
“It’s Lula, stupid!”, diria James Carville
Há um ano atrás, em debate na PUC do Rio, o marqueteiro Chico Santarrita em certo momento especulou (mais ou menos) sobre o futuro tema da campanha de Dilma, como se fosse uma questão ainda a ser pesquisada. Não me contive e disse: “O tema já existe – é Lula”.
Hoje, na Folha, Cesar Maia escreve bom artigo sobre marketing político, “Razões do voto e medo”, onde basicamente fala sobre a necessidade de as pesquisas qualitativas determinarem as associações entre atributos e razões de voto. Bom artigo. Ele critica a “visão quantitativa” que predomina na maioria das pesquisas qualitativas, expõe, com clareza, que não basta identificar as boas qualidades atribuídas a um candidato, mas também se essas qualidades são suficientes para motivar o voto. Lembra a frase famosa do estrategista James Carville, durante a campanha de Clinton contra Bush Pai, em 92, quando identificou o que realmente estava motivando o voto: “It´s the economy, stupid!”
A falha de Cesar Maia (compreensível) está na sua conclusão de que esse estudo sobre a razão do voto “já deveria ter sido feito pelas campanhas”. A campanha de Dilma já fez o estudo: “É Lula, Oposição!”
Veja o texto completo:
Razões do voto e medo
As pesquisas eleitorais são reiterativas sobre intenção de voto e deveriam servir para que as equipes de campanha avaliassem as razões - positivas e negativas - que levam os eleitores a decidir votar. Não é um processo simples. Essas perguntas não são óbvias. A pesquisa qualitativa - de muito difícil avaliação - é quase sempre tratada com a mesma ótica da pesquisa quantitativa. Os institutos que as fazem querem tirar conclusões sobre probabilidade de voto e destacar uma ou outra expressão a ser usada pela campanha ou respondida. Uma utilidade seria preparar perguntas para as pesquisas quantitativas e, com esta combinação, tirar conclusões. Mas há outra questão ainda mais complexa. Se o eleitor atribui a um candidato qualidades maiores que as do outro, deve-se perguntar se é esta uma razão de voto. O Datafolha listou atributos e pediu que o eleitor indicasse o candidato que mais se aproxima deles. Destacou o candidato da oposição como o mais experiente, inteligente, realizador, preparado para ser presidente, próximo aos ricos... Já na candidata do governo, destacou ajudar os pobres e as mulheres, embora entre as mulheres ela perca na intenção de voto. E 18% dizem que a candidata verde defenderá os pobres, embora tenha quase a metade disso em intenção de voto. O eleitor tende a fazer o voto útil e, mesmo que priorize esse atributo, tende a não transformar isso em voto se ela não tiver chance. Esses pontos são importantes, mas não necessariamente decidem o voto. As equipes de campanha devem analisar qual é a agenda vencedora no imaginário do eleitor. Um caso clássico é o da primeira eleição de Clinton a presidente. Numa lista de 40 questões, Clinton só vencia em uma: a economia. Sua equipe de campanha a testou como razão de voto e surpreendeu-se com a correlação. A partir daí, nas reuniões com os multiplicadores de campanha, Carville (coordenador de comunicação) gritava: "É a economia, estúpido!". E foi. A razão de voto pode ser positiva ou negativa. As ruas funcionam como uma pesquisa qualitativa. Uma mesma expressão usada em três pontos completamente diferentes de uma cidade quase sempre significa que dezenas de milhares de pessoas pensam da mesma maneira. Em seguida, deve-se avaliar se é razão de voto e então incluir em uma pesquisa quantitativa. É esse estudo (que já deveria ter sido feito pelas campanhas) de investigação das duas ou três razões de voto que construirá a agenda a ser priorizada na comunicação via mídia e, principalmente, na comunicação direta, nas ruas e reuniões, de forma a acelerar os fluxos de "opinamento" - a favor de si e contra o adversário.
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Finalmente acendeu uma luz na Oposição: Cesar Maia descobre que só existe Lula para 2010
No Ex-Blog de hoje, Cesar Maia (DEM) reproduz seu artigo de sábado na Folha com análise das eleições 2010, onde, logo no título, entrega o ouro: “AGENDA DE LULA EM 2010 É LULA!”. Começa o texto tentando minimizar a capacidade de transferência de votos de Lula. Depois, usando como tema o duelo de agendas, toma o exemplo da eleição de Obama para mostrar que só no final Obama pôde vencer com a imposição da agenda econômica diante da crise financeira. Cita a agenda de “ética pública e modernidade econômica” de Collor, e as agendas econômicas de Fernando Henrique e Bill Clinton. Tudo certo. E 2010? Diz Cesar Maia: “Pelo jeito, a campanha do governo já tem a sua agenda: Lula. Todo o resto (PAC, Bolsa Família, saída da crise...) será miragem. Lula é uma agenda forte e vencedora? Pode ser. Mas agenda se disputa na batalha eleitoral. Se essa agenda for o debate da campanha, ela/ele ganha. Cabe à oposição impor a sua. Mas, para isso, precisa ter agenda. Por enquanto, nem candidato tem. E a agenda precisa ser personalizada pelo ator que caiba nesse papel”. Cesar Maia está certo quando diz que a agenda será “Lula”. Mas está erradíssimo quando separa “Lula” de “PAC, Bolsa Família e saída da crise”. “Lula” é a tradução de tudo isso e muito mais. É autoestima da população mais pobre. É autoestima do povo brasileiro no cenário mundial. É “estar de bem com a vida”. Onde encontrar um décimo de tudo isso nos outros candidatos, sem apoio de Lula? É na escuridão dessa dúvida que a Oposição amarga o seu apagão. Veja o texto completo:
A agenda
O culto à personalidade chegou ao Brasil com pompas e circunstâncias. A elevada autoestima de Lula, exibindo-se todos os dias, por qualquer razão, terá o seu momento de apoteose com a exibição do filme "Lula, o Filho do Brasil".
A distribuição para 800 salas de exibição, sindicatos e associações será suplementada e multiplicada pelos ambulantes. A sensação que passa é que há interesse para que seja assim. Os desdobramentos políticos se darão em duas direções: a "enanização" do papel de sua candidata e a campanha presidencial de 2010. Não é tão simples supor que sua acomodação no marsúpio lulista a levará à Presidência. A mercadologia eleitoral mostra que a transferência de votos se dá com mais facilidade quando o perfil do receptor se aproxima do perfil do emissor. A exaustiva insistência na origem retirante de Lula não o identifica com sua candidata. Isso pode causar desconfiança.
Mas a questão central é a agenda eleitoral. Se há algum consenso entre os especialistas é que a disputa entre os candidatos para impor sua agenda é um fator decisivo em campanhas. Um caso recente é o da eleição de Obama.
O folclore pós-eleitoral deu à internet um papel decisivo. Não houve isso. A curva das pesquisas até 60 dias antes da eleição mostrava McCain à frente, cristalizando uma pequena, mas sustentável, diferença. A agenda bushiana de McCain se impunha: melhor as guerras no Iraque e no Afeganistão que o terror em casa. Naquele momento, naufragou o Lehman Brothers, as Bolsas despencaram, as demissões começaram e a fragilidade do sistema financeiro expôs as suas vísceras.
A agenda foi invertida e passou a ser a crise e o emprego. As curvas das pesquisas se cruzaram e Obama desfilou até a vitória final. Em 1989, Collor impôs a sua agenda: ética pública e modernidade econômica ("marajás" e "carros-carroças"). A força da agenda lançou a imagem de seus adversários de maior peso parlamentar e tempo de TV ao passado e a votações desprezíveis. Em 1998, a campanha de FHC travestiu a crise econômica de insegurança aportada pela chapa Lula-Brizola e impôs a agenda. Bill Clinton, em 1992, impôs sua agenda ("é a economia, estúpido").
Pelo jeito, a campanha do governo já tem a sua agenda: Lula. Todo o resto (PAC, Bolsa Família, saída da crise...) será miragem.
Lula é uma agenda forte e vencedora? Pode ser. Mas agenda se disputa na batalha eleitoral. Se essa agenda for o debate da campanha, ela/ele ganha. Cabe à oposição impor a sua. Mas, para isso, precisa ter agenda. Por enquanto, nem candidato tem. E a agenda precisa ser personalizada pelo ator que caiba nesse papel.
A agenda
O culto à personalidade chegou ao Brasil com pompas e circunstâncias. A elevada autoestima de Lula, exibindo-se todos os dias, por qualquer razão, terá o seu momento de apoteose com a exibição do filme "Lula, o Filho do Brasil".
A distribuição para 800 salas de exibição, sindicatos e associações será suplementada e multiplicada pelos ambulantes. A sensação que passa é que há interesse para que seja assim. Os desdobramentos políticos se darão em duas direções: a "enanização" do papel de sua candidata e a campanha presidencial de 2010. Não é tão simples supor que sua acomodação no marsúpio lulista a levará à Presidência. A mercadologia eleitoral mostra que a transferência de votos se dá com mais facilidade quando o perfil do receptor se aproxima do perfil do emissor. A exaustiva insistência na origem retirante de Lula não o identifica com sua candidata. Isso pode causar desconfiança.
Mas a questão central é a agenda eleitoral. Se há algum consenso entre os especialistas é que a disputa entre os candidatos para impor sua agenda é um fator decisivo em campanhas. Um caso recente é o da eleição de Obama.
O folclore pós-eleitoral deu à internet um papel decisivo. Não houve isso. A curva das pesquisas até 60 dias antes da eleição mostrava McCain à frente, cristalizando uma pequena, mas sustentável, diferença. A agenda bushiana de McCain se impunha: melhor as guerras no Iraque e no Afeganistão que o terror em casa. Naquele momento, naufragou o Lehman Brothers, as Bolsas despencaram, as demissões começaram e a fragilidade do sistema financeiro expôs as suas vísceras.
A agenda foi invertida e passou a ser a crise e o emprego. As curvas das pesquisas se cruzaram e Obama desfilou até a vitória final. Em 1989, Collor impôs a sua agenda: ética pública e modernidade econômica ("marajás" e "carros-carroças"). A força da agenda lançou a imagem de seus adversários de maior peso parlamentar e tempo de TV ao passado e a votações desprezíveis. Em 1998, a campanha de FHC travestiu a crise econômica de insegurança aportada pela chapa Lula-Brizola e impôs a agenda. Bill Clinton, em 1992, impôs sua agenda ("é a economia, estúpido").
Pelo jeito, a campanha do governo já tem a sua agenda: Lula. Todo o resto (PAC, Bolsa Família, saída da crise...) será miragem.
Lula é uma agenda forte e vencedora? Pode ser. Mas agenda se disputa na batalha eleitoral. Se essa agenda for o debate da campanha, ela/ele ganha. Cabe à oposição impor a sua. Mas, para isso, precisa ter agenda. Por enquanto, nem candidato tem. E a agenda precisa ser personalizada pelo ator que caiba nesse papel.
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quarta-feira, 17 de junho de 2009
Eleição no Irã: “Não é a economia, estúpido!”
A célebre frase de James Carville, consultor de marketing de Bill Clinton na campanha presidencial de 92 ("É a economia, estúpido!") não se aplica ao Irã. Vi alguns analistas dizerem que o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad teria dificuldades para se reeleger por conta da má fase da economia. Até o comentarista do Manhattan Connection, Ricardo Amorim, que achava que a vitória de Ahmadinejad seria tranquilíssima, passou a duvidar. Ledo engano. Não consideraram que o Irã não é exatamente o espelho de uma democracia americana. O poder religioso existe de fato e tem apoio amplo. Antes da revolução islâmica, fui vizinho durante alguns dias, em univerdade inglesa, de estudantes iranianos trotskistas – e depois fiquei sabendo que até boa parte deles aderiu ao aiatolá Khomeini. Não acredito que tenha havido uma fraude gigantesca responsável pela vitória de Ahmadinejad. Acredito, sim, que houve uma intervenção profunda dos aiatolás no processo eleitoral, mobilizando a população e apoiando a situação. Há, evidentemente, negociações em curso entre Estados Unidos e Irã, e uma alteração no comando poderia enfraquecer o lado iraniano. É isso que também explica a cautela de Obama, evitando acompanhar a gritaria da mídia internacional na acusação de fraude. Seria o caso de dizer agora: “É a geopolítica, estúpido!”
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segunda-feira, 1 de junho de 2009
César Maia se rende a Lula
A principal atividade de César Maia nos últimos anos tem sido combater Lula e sua popularidade. Lançou um arsenal infindável de teorias políticas e econômicas para provar que o Governo Lula acabaria fracassando, que a aprovação popular despencaria, que a Oposição, logo, logo, conquistaria o lugar ao sol. Mas, mais uma vez, a realidade vai além da imaginação. A popularidade de Lula bate recordes, a economia brasileira está bem diante da crise (até virou referência internacional) e a candidata apoiada por Lula cresce sem parar nas pesquisas. Na sua coluna de sábado na Folha, César Maia se pergunta “por que razão a máxima (‘é a economia estúpido’) de Carville, assessor de Clinton na época, que relaciona a economia à política, não atingiu Lula?” Mergulha em números econômicos e de pesquisas na tentativa de encontrar resposta, mas continua atônito. “Passando à lógica política, talvez os discursos de Lula o situem como um protetor. Isso explicaria até números piores e sua avaliação. O mais provável é que os números estejam certos e que os primeiros meses de desemprego estejam protegidos pela indenização, FGTS, seguro-desemprego e a esperança. Mas não explicam a avaliação crescente de Lula no Rio”, conclui César Maia visivelmente desorientado. Hoje, no seu Ex-Blog, analisando a Pesquisa Datafolha ele admite: “Este Ex-Blog questionou em fevereiro a capacidade de Lula transferir votos a um personagem antípoda ao seu. Hoje deixa aquela afirmação em processo de re-avaliação”. Veja parte do Ex-Blog aqui:
A CRISE ECONÔMICA AINDA NÃO AFETOU A APROVAÇÃO DE LULA!
Trechos da coluna de Cesar Maia, na Folha de SP, da semana passada.
1. A pesquisa GPP -maio- ERJ, mostrou níveis de aprovação de Lula que nunca antes no RJ se havia visto. A avaliação –ótimo+bom- de Lula na Capital-RJ não chegava a 50%. Agora, no Estado 65%, na Capital 59%, na Baixada 74%, no Interior Industrial 72% e no Interior Rural 65%. As avaliações do governador permanecem entre 30% e 35%, apesar de feéricas campanhas publicitárias na TV, colagem em Lula e a boa vontade da imprensa local.
2. Lá se vão oito meses da crise econômica. O Brasil, neste período, ficou entre os países com dados mais acentuados de queda na indústria, no PIB e no comércio exterior. Por que razão a máxima (“é a economia estúpido”) de Carville, assessor de Clinton na época, que relaciona a economia à política, não atingiu Lula? O indicador mais óbvio seria o desemprego. A pesquisa mensal de emprego do IBGE pode ajudar.
3. Compare a PME de abril, de 2008 e de 2009 para as Regiões Metropolitanas agregadas. Pessoas em Idade Ativa 1,2%. Pessoas Economicamente Ativas (PEA) 0,6% e as Não Economicamente Ativas (PNAE) 2%. Em seguida, abram-se os elementos negativos da PNEA. As pessoas que gostariam e estavam dispostas a trabalhar diminuíram percentualmente de 12,2% para 12%. As marginalmente ligadas a PEA, cresceram de 4,6% a 5,2%. As desalentadas diminuíram de 0,1% a 0%.
4. A Taxa de Desocupação cresceu de 8,5% para 8,9%, mas, paradoxalmente o percentual de pessoas subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas caiu de 3,4% a 3%. Vale dizer: a Taxa Efetiva de Desocupação, somando o desemprego aberto com o emprego precário, ficou estável em 11,9%.
5. Questionar os números vis a vis a crise é infantil depois de tantos anos. Os trabalhadores metropolitanos irem para o interior? A lógica é o inverso. É provável que o Bolsa Família tenha reduzido a migração e isso ajudaria a explicar os números. Passando à lógica política, talvez os discursos de Lula o situem como um protetor. Isso explicaria até números piores e sua avaliação. O mais provável é que os números estejam certos e que os primeiros meses de desemprego estejam protegidos pela indenização, FGTS, seguro-desemprego e a esperança. Mas não explicam a avaliação crescente de Lula no Rio.
NOTAS SOBRE A PESQUISA DATA-FOLHA-BRASIL!
1. A avaliação de Lula ter voltado a crescer (agora 69% de ótimo+bom) confirma os dados sobre sua avaliação (GPP), no Rio-Capital, apresentados no sábado na coluna de Cesar Maia na Folha de SP. E da mesma forma que a crise econômica não o afetou, apesar de ter se intensificado. Data-Folha mostra as seguintes respostas entre março e maio de 2009: a) a situação do país vai melhorar de 31% para 41%. b) O desemprego vai aumentar, cai de 59% para 43%. c) Inflação vai aumentar cai de 48% para 36%.
2. Os que estão de acordo com um terceiro mandato passam de 34% para 63%. Atenção! A campanha que Lula faz todos os dias aumenta a sua capacidade de transferir votos. Lula (na induzida) tem 47% das intenções de voto e Serra 25%, caindo 13 pontos. Essa é uma boa e má notícia. Boa porque define um piso para Serra. Má porque ele ainda pode perder 1/3 de suas intenções de voto se Lula mantiver capacidade de transferi-los.
3. Lula tem na espontânea 27% ou 57% da induzida. Serra tem 5% ou 13% da induzida sem Lula. Dilma tem 4% (e com Lula marcado), ou 25% de seus 16%.
4. Sem SP (supondo diferença aqui pró-Serra de 40 pontos), o resultado seria Serra 32% e Dilma 20%.
5. Este Ex-Blog questionou em fevereiro a capacidade de Lula transferir votos a um personagem antípoda ao seu. Hoje deixa aquela afirmação em processo de re-avaliação.
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segunda-feira, 2 de março de 2009
Fernando Henrique, um marqueteiro envergonhado
Todos nós sabemos que a Oposição vive momentos difíceis, sem discurso, sem encontrar o caminho de ao mesmo tempo se opor a Lula e ter resultados eleitorais positivos. Fernando Henrique Cardoso, por seu passado de Sorbonne e de Presidente da República, acha-se (com alguma razão, claro) no direito e no dever de apontar a direção certa para a Oposição, ser o seu marqueteiro-mor. O seu artigo “O gesto e a palavra” publicado ontem no Globo e Estadão é um verdadeiro guia de marketing político – embora meio às avessas e bastante envergonhado. Antes, tentando mostrar que é um intelectual acima de qualquer populismo suspeito, ele cita momentos memoráveis de Churchill, Roosevelt e até Vargas, quando a palavra (em época de rádio, sem o poder da TV) teria mais valor do que imagens ou gestos: “Quando me recordo do “sangue, suor e lágrimas” dito por Churchill ao tornar-se primeiro-ministro em plena guerra contra o nazismo, do discurso em Fulton quando disse que uma ‘Cortina de Ferro descia sobre a Europa’, ou de vários pronunciamentos de Roosevelt como o de posse em plena Depressão, célebre pela frase ‘nada há a temer, exceto o próprio medo’ ou ainda de Getúlio Vargas no estádio do Vasco da Gama apelando aos trabalhadores, e comparo com a retórica atual, há um abismo a separá-los”. À margem das desculpas intelectuais, Fernando Henrique reconhece que há “algo de encantatório no modo pelo qual a política do gesto sem palavras (ou nos quais as palavras contam menos do que a forma) funciona substituindo o discurso tradicional”. Tentando resolver "o enigma da mensagem política", ele afirma que a Oposição precisa “inventar uma maneira de comunicar a indignação e as críticas que toque na alma das pessoas”. Fernando Henrique ainda esclarece que não está “dizendo que a comunicação política se resolve pela supressão do discurso analítico”. Mas conclui afirmando que programa político “só mobiliza a sociedade quando é vivido por intermédio do desempenho de personagens que tratam como próprias as questões sentidas pelo povo”. Na verdade, o texto marqueteiro de Fernando Henrique Cardoso trata de seu enigma político pessoal. Subir ou não subir em jegue? Comer ou não comer buchada? Ser ou não ser Sorbonne? Reportagem da Veja de 16 de setembro de 1998 mostra bem esse dilema:Nas pesquisas qualitativas de Fernando Henrique, Nizan detectou que os eleitores viam o presidente como um homem distante dos dilemas do povo. Para corrigir, pediu a ele que desse mais entrevistas, num linguajar simples, e, em vez de falar que "os pescadores terão incentivos", deveria dizer que "você, pescador, terá incentivos". Recomendou que não fizesse o que não lhe é natural, como comer buchada de bode ou subir em lombo de jegue, coisas que FHC fez no passado. Por fim, copiou a campanha americana. Em 1992, o partido de Clinton tinha a mesma imagem de frieza com o povo e seu slogan foi feito sob medida: To put people first. Nizan só traduziu: colocou nas vinhetas da campanha: "Gente em primeiro lugar".Vivendo atônito em um mundo onde uma imagem fala mais do que mil palavras, Fernando Henrique vai endoidar de vez quando concluir que a palavra "Lula" vale mais do que um bilhão de pixels...
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Vergonha sem fim: Oriente Médio
Faça "paz" ou faça guerra, testemunhamos o massacre do povo palestino. Nos períodos de "paz", o massacre é principalmente pelo racionamento de água; nos períodos de guerra, o massacre é pelo fogo indiscriminado das bombas israelenses. Já escrevi aqui (Como Israel destrói mais: com bombas ou com o racionamento de água?):
A região palestina conta com 3 principais fontes de água – o Rio Jordão (aquele de Jesus e João Batista, que vai do Mar Morto ao Galileu), o Aqüífero (espécie de rio subterrâneo) da Montanha (na chamada “Margem Ocidental”) e o Aqüífero Litorâneo (na Faixa de Gaza). Antes da famosa Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel só detinha 3% da Bacia do Rio Jordão, apesar de já ter construído uma complexa infraestrutura de canais, estações, reservatórios e aquedutos que desviava 75% do Jordão para o usufruto israelense. Depois de 1967, Israel passou a ter controle total. A Síria e a Jordânia ainda têm direito a algum uso, mas os palestinos são proibidos de beber das águas do Rio Jordão. Têm que se virar com os aqüíferos e seus caminhões-pipa. Mesmo assim, apenas 19% da água estão disponíveis para os palestinos... O grupo de direitos humanos chamado “Se eles soubessem” (If They Knew) descreve mais problemas: “Na Margem Ocidental (região a oeste do Rio Jordão, encampada por Israel), cerca de 50 poços e 200 cisternas foram destruídos ou separados de seus proprietários pelo Muro construído na área – que também precisou da destruição de outros 25 poços e cisternas, além de 35 km de aquedutos somente na sua construção. Ao considerar Gaza e Margem Ocidental como duas coisas independentes, Israel também proíbe que os palestinos gazeanos utilizem a água do Aqüífero da Montanha e tratem de sobreviver com o Aqüífero Litorâneo e seus 90% de água não-potável! Pior: os palestinos não têm outra escolha a não ser beber essa água não-potável, que se degrada ainda mais. Seguindo as cotas israelenses, os palestinos da Margem Ocidental têm direito a 70 litros de água por pessoa/dia e os da Faixa de Gaza têm direito a apenas 13 litros, enquanto o mínimo humanamente concebível é de 100 litros, de acordo com a Organização Mundial de Saúde! As conseqüências são óbvias. Desespero, doenças, destruição lenta e sofrida de todo um povo. É como se estivessem planejando uma espécie de “lavagem étnica”.Quanto ao atual bombardeio, prefiro transcrever o texto de Robert Fisk, colunista do Independent, que o Globo publica hoje:
Líderes mentem e civis morrem
Estamos tão acostumados a ver carnificinas no Oriente Médio que não ligamos mais.
Não está claro quantos dos mortos em Gaza são civis, mas a resposta do governo Bush, sem mencionar a pusilânime reação do premier britânico Gordon Brown, reafirma para os árabes o que eles sabem há décadas: o Ocidente está sempre do lado de Israel.
Como de costume, o banho de sangue foi culpa dos árabes que, como todos sabem, só entendem o uso da força.
Desde 1948, ouvimos dos israelenses e dos nacionalistas árabes e depois árabes muçulmanos a lengalenga de que Jerusalém será “libertada”. E sempre Bush pai e depois o filho, Bill Clinton, Tony Blair ou Gordon Brown chamam os dois lados e pedem moderação, como se ambos tivessem caças F-18, tanques Merkava e artilharia pesada. Os foguetes caseiros do Hamas mataram apenas 20 israelenses em oito anos. Mas num único dia a Força Aérea de Israel matou quase 300 palestinos, e apenas como parte de uma operação.
Sim, o Hamas provocou a ira de Israel, assim como Israel provocou a do Hamas. E o que isso quer dizer? O Hamas lança foguetes em Israel e Israel joga bombas no Hamas. Entendeu? Pedimos pela segurança de Israel, mas ignoramos o desproporcional massacre realizado por Israel.
No fim de semana tivemos 298 palestinos mortos para um israelense. Em 2006, a proporção era de 10 libaneses mortos para cada israelense que perdia a vida. Este fim de semana foi marcado pela inflação do número de mortos. O maior desde a guerra de 1973? Desde a Guerra dos Seis Dias, de 1967? De Suez, em 1956? Da Guerra de Independência de 1948? É um obsceno e nojento jogo que Ehud Barak, o ministro da Defesa de Israel, inconscientemente admitiu quando falou este fim de semana na Fox: “Nossa intenção é mudar totalmente as regras do jogo”, disse Barak.
Vários dos mortos do fim de semana pareciam ser do Hamas.
Mas o que isso resolverá? O Hamas dirá: “Oh, esse ataque foi impressionante e nós reconheceremos o Estado de Israel, entraremos na linha, renunciaremos às armas e rezaremos para sermos levados prisioneiros e trancafiados indefinidamente, e daremos apoio a um novo ‘processo de paz’ promovido pelos EUA no Oriente Médio!” Será que é isso mesmo que os israelenses e os americanos pensam que o Hamas fará? Vamos relembrar o cinismo do Hamas, o cinismo de todos os grupos armados islâmicos.
A necessidade de produzir mártires muçulmanos é crucial para eles e Israel os está criando.
A lição que Israel pensa estar dando não é a lição que o Hamas está aprendendo. O Hamas precisa da violência para enfatizar a opressão dos palestinos e conta com Israel para providenciar isso. Basta lançar uns foguetes em Israel e Israel lhes faz esse favor.
E nem sequer uma lamentação de Tony Blair, o enviado de paz para o Oriente Médio que nunca esteve em Gaza na atual encarnação. Nem uma palavra. Mas nós ouvimos o habitual discurso de Israel. O general Yaakov Amidror, ex-diretor da “divisão de pesquisa e avaliação” do Exército, anunciou que “nenhum país no mundo permitiria que seus cidadãos fossem feitos de alvos para foguetes sem tomar medidas vigorosas para defendê-los”. Exato.
Mas quando o Exército Republicano Irlandês (IRA) lançava foguetes na Irlanda do Norte, quando suas guerrilhas vinham da Irlanda para atacar delegacias de polícia e protestantes, o Reino Unido usou a Força Aérea para bombardear a república irlandesa? A Força Aérea britânica por acaso atacou igrejas e delegacias e matou de uma só vez 300 pessoas para ensinar à Irlanda uma lição? Não, o Reino Unido não fez isso. Não fez porque o mundo veria um ataque assim como uma ação criminosa. Não queríamos nos rebaixar ao nível do IRA.
Sim, Israel tem o direito à segurança. Mas esses banhos de sangue não lhe trarão segurança. Nem desde 1948 trouxeram algum tipo de proteção para Israel. Os israelenses bombardearam o Líbano milhares de vezes desde 1975 e isso não eliminou o terrorismo. Então o que foi o fim de semana? Os israelenses ameaçam fazer ataques por terra. O Hamas espera por outra batalha. Os políticos do Ocidente encolhem-se covardemente. E em algum lugar do Oriente numa caverna? Num porão? Numa montanha? Bem, em algum lugar, um muito conhecido homem de turbante sorri.
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Aviso aos navegantes: não existe nenhum Gadelha como contribuinte da Fundação de Bill Clinton
São 2.992 páginas, com mais de 200.000 contribuintes. O valor total é entre 75 e 165 milhões de dólares. Trata-se da lista dos doadores da William (Bill) J. Clinton Foundation. Alguns nomes mais conhecidos: Arábia Saudita, Austrália, República Dominicana (entre 10 e 25 milhões de dólares), Brunei, Kwait, Omã e Qatar (mais de 1 milhão de dólares cada). Outro Bill famoso, o Gates, também está na faixa dos 10 a 25 milhões de dólares como doador. Tudo bem, cada um doa o que quiser. Mas isso pode ser um problema para a futura Secretária de Estado Hillary Clinton. Todo mundo está de olho na lista e o Washington Post (que publica a lista completa) está pedindo a todos os leitores que enviem comentários sobre os doadores que conhecem. Eles publicarão no seu blog investigativo – doa a quem doer... (Leia mais aqui.)
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terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Dick Morris e o cinismo americano diante da crise
Dick Morris foi consultor político, primeiro dos Republicanos, depois dos Clinton. Durante muito tempo fez a cabeça de Bill Clinton como presidente, depois caiu em desgraça. Fez campanha aberta contra Hillary. Na sua coluna do dia 15, "The Impending Collapse of our Enemies" (mais ou menos, a queda iminente dos nossos inimigos), ele começa declarando que a "Depressão (...) nos deixa, digamos. deprimidos. Mas existem boas notícias vinda do mundo inteiro. Nossos inimigos estão entrando em colapso graças à queda dos preços do gás e do petróleo". Ele cita como inimigos a OPEP, Irã, Chávez, Putin e o terrorismo islâmico. Ele não se refere nem uma única vez à tragédia mundial causada pela política maléfica do seu Presidente Bush. Se eles estão conseguindo enfraquecer os inimigos deles, o resto do mundo que se dane - é esse o pensamento de Dick Morris. É a atitude típica de um representante do Império, como diria Chávez. Felizmente, acreditamos que Obama não pensará dessa maneira quando assumir a presidência. Texto completo no blog.
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Acho que Lula usou o cartão corporativo para comprar a Oposição...
Não tem outra explicação: a Oposição está a serviço de Lula. Não vejo de outro modo e todos têm de concordar comigo. A Oposição bate, esperneia, usa a mídia, inventa, rebola... e o que acontece? A aprovação de Lula e seu governo cresce sem parar, bate recordes. Só não entendo é como o Ricardo Noblat tem a coragem de afirmar em sua coluna, hoje, que o PSDB é pule de dez para a sucessão de Lula, em 2010. Será que é trocadilho? Pule de 10 quer dizer 10%? Tudo bem que, lá nos Estados Unidos, o Dick Morris, ex-marqueteiro de Bill Clinton, chegou a afirmar com toda a convicção que Hillary Clinton seria a indicada do Partido Democrata. Mas isso foi em 2004 e ele agora pede desculpas pelo engano. Talvez seja o caso de nossa mídia e nossa Oposição também começarem a refletir sobre seus erros... ou reconhecerem que também foram compradas pelo Governo!
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domingo, 27 de janeiro de 2008
Eleição americana: retorno histórico
Boa a coluna de Mauro Santayana hoje, no Jornal do Brasil, sobre as eleições americanas. Reproduzo na íntegra:
ELEIÇÕES HISTÓRICAS. Repetindo hábito antigo, o New York Times declarou apoio à indicação da senadora Hillary Clinton, candidata democrata à Presidência dos Estados Unidos, e à do republicano John McCain, seu provável adversário no pleito de novembro. A simpatia maior é para com a senhora Clinton, por sua postura ideológica, bem mais nítida do que a do senador pelo Arizona - mesmo porque o jornal sempre optou pelos democratas no poder. Todas as eleições, em qualquer país, acarretam riscos. O povo vota corretamente, de acordo com as informações recebidas e o discurso do candidato. Vitorioso, o candidato desaparece, para dar lugar ao poderoso. Nós, brasileiros, temos boa experiência disso. Raramente (Juscelino foi um caso positivo) o presidente cumpre a plataforma eleitoral. Em nossa memória recente há certo caçador de marajás. A experiência nacional dos Estados Unidos é caso único na História. As circunstâncias prepararam as 13 colônias da Nova Inglaterra para que alguns homens prudentes fundassem a mais democrática e a mais poderosa república dos tempos modernos. O que os distinguiu foi o conhecimento do pensamento antigo e da História Política, e a capacidade de pactuar-se em nome de sua comunidade. As doutrinas britânicas, deles mais próximas, os levaram de Locke e Hobbes aos romanos e gregos, passando pelos escolásticos e pelo inigualável renascentista Maquiavel, mas não os distanciaram dos iluministas franceses e alemães. Sua inquietação autonomista foi contemporânea ao processo revolucionário francês. Com Lafayette e seu corpo expedicionário que lutou contra os ingleses na América, Luís XVI ajudara a independência dos Estados Unidos, mas não se tratava de apoio do monarca à futura república e, sim, de manobra lateral contra os britânicos, seus adversários históricos na Europa. Como a virtude não caminha sem a companhia do vício - conforme a afirmação paradoxal de Chesterton - o que era sonho da construção de uma sociedade solidária e feliz se viu comprometido, desde o início, pela arrogante presunção de domínio. Entre os dois sentimentos antagônicos, os Estados Unidos têm percorrido os últimos 232 anos. Os fundadores da República se preocuparam em construir sistema constitucional que pudesse servir à alternância de homens e idéias no poder, mas preservasse a unidade nacional. Graças a essa precaução inteligente, o sistema funcionou bem durante dois séculos. As garantias constitucionais não foram violadas, embora sofressem restrições durante a Guerra da Secessão, quando os Estados do Sul quiseram manter a liberdade de escravizar. Mas, nos últimos decênios, sobretudo a partir da eleição de Nixon, os princípios dos pais fundadores passaram a ser esquecidos. Os homens de negócios e as figuras populares substituíram os políticos de formação humanística (advogados em sua maioria), no governo da União. Podemos dizer que, com a eleição de Nixon, o sistema começou a perder estrada, e, a partir de Reagan, perdeu sua orientação cardeal. Com todos os problemas pessoais, Bill Clinton foi o que mais se aproximou da linha anterior, ao realizar um governo mais próximo do povo, o que agora credencia sua mulher à disputa. No pronunciamento editorial, o New York Times não teme ficar contra o senador Barack Obama: para o jornal, a senhora Clinton é intelectualmente superior a seu oponente. Não porque ele seja mestiço, mas, simplesmente, porque parece menos capacitado para ocupar o cargo. O jornal ainda comenta o fato de que é a primeira vez que um "afro-americano" e uma senhora disputam o mais alto cargo público nos Estados Unidos. Mas adverte que a firstness não é, em si mesma, razão para a escolha. Os Estados Unidos se encontram no pior momento de sua História, desde a Guerra Civil de 1860 a 1865. Acossada economicamente pela China e outros países emergentes, a grande nação dispõe de potencialidade para recuperar-se de seus desacertos internacionais, e restaurar a confiança daqueles que a admiravam. Para isso, sem embargo, o governo terá que abandonar a aliança republicana com os empreiteiros do mercado da guerra, e buscar, sob os democratas, a antiga integração política com o povo. Para os americanos - e para todos - seria bom que eles voltassem às velhas virtudes e abandonassem a arrogância, exacerbada pela presença de certos homens de negócios na direção do Estado, e o afastamento dos intelectuais humanistas. Uma coisa era a presença de Chester Bowles ao lado de Roosevelt e Truman, outra a de Karl Rove junto a Bush. É difícil retornar na História, mas talvez fosse possível aos norte-americanos reinventar a democracia de massas do tempo de Andrew Jackson - o grande presidente que enfrentou os banqueiros e os venceu.
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sábado, 19 de janeiro de 2008
"It´s the economy, stupid!"
"È a economia, idiota!" Essa frase, dita por James Carville, marqueteiro de Bill Clinton, dirigindo-se a Bush Pai, está mais atual do que nunca, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Nos Estados Unidos, repete o momento econômido-político-eleitoral - dessa vez contra os Republicanos de Bush Filho. Aqui no Brasil, funciona no sentido inverso, porque pode ser dirigida à mídia e à oposição em geral. Talvez fosse o caso de nossos políticos raivosamente oposicionistas passarem a se dedicar a ler jornais e revistas internacionais, como "The Christian Science Monitor, "The Economist" ou "Financial Times". Poderão, quem sabe, entender que políticas sociais, bem feitas, não podem ser reduzidas a "populismo". Poderão entender a importância do fortalecimento do mercado interno e nunca mais ter saudades dos tempos da ditadura e seu slogan "exportar é o que importa" (o publicitário que foi autor dela - ou talvez simplesmente utilizava nos anúncios - morria de vergonha). "É a economia, oposição!"
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terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Eleição americana: Obama vence hoje, mas a final será dia 5 de fevereiro
Todas as pesquisas indicam que hoje vai dar Barack Obama na eleição primária de New Hampshire pela indicação do Partido Democrata para seu candidato à Presidência dos Estados Unidos. Depois haverá o caucus de Nevada (19/jan, 33 delegados) e a primária da Carolina do Sul (26/jan, 54 delegados). Michigan (15/jan) e Flórida (29/jan) mudaram as datas das primárias sem autorização da direção nacional do Partido Democrata e foram punidos, não terão direito a delegados. Depois disso vem a super terça-feira do dia 5 de fevereiro. Vai ser um verdadeiro carnaval de 22 estados (além dos Democratas no exterior) elegendo 2.075 delegados (entre os Republicanos, serão 21 estados elegendo 1.081 delegados). Ainda teremos 15 primárias e caucuses, sendo o último em Porto Rico, que vai eleger 56 delegados no dia 7 de junho. Mas acredito que no dia 5 de fevereiro já saberemos quem será o indicado. Aparentemente, o grande derrotado é o ex-Presidente Bill Clinton.
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Caucus de Iowa: a sabedoria Clinton
Mesmo sendo a grande derrotada, a terceira colocada Hillary Clinton (com as maiores chances, ainda, de ser a indicada do Partido Democrata) está fazendo um discurso bem inteligente (acompanhada do marido Bill Clinton), parabenizando tanto Obama quanto Edwards (pode escolher um dos dois para Vice) e dizendo que foi uma grande vitória Democrata, porque o eleitor está apoiando a mensagem de mudança (Seu tema é "Ready for change. Ready to lead.").
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