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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Quase abortaram a esperança

Vamos deixar bem claro: Marina teve os votos que teve pela combinação do “fundamentalismo” evangélico com parte da classe média conservadora, anti-Lula, mas que andava decepcionada com Serra. Em certa banda evangélica, as ações submarinas foram profundas e eficazes – “Dilma mata criancinhas”, “Dilma é gay, defende casamento homossexual”, e outras barbaridades de que ouvi falar. Essa foi a baixaria que deu certo, porque contaminou boa parte do povão. O tucanato imediatamente largou de mão as bobagens “marqueteiras” baseadas na “Receita” e na “Erenice” para investir nessa vertente. Isso também serviu de suporte para a classe média envergonhada, que viu uma oportunidade para pôr a cara de fora e ter algum ganho com isso. Nesse sentido, o discurso "desincha vida" de Marina teve grande valor como alternativa ao clima de baixarias imposto pelos tucanos. Questões de ordem ambiental ou social passaram ao largo. Os verdes conseguiram dar sobrevida ao tucanato paulista e obviamente vão cobrar caro pelo apoio do segundo turno – embora eu ache que, independente do apoio formal verde, Dilma vencerá fácil no segundo turno. Por mais que a cúpula do PV pense o contrário, o verde-esperança é mais forte do que o verde-tucano.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Debates 2010: laranjas engolem verdes


Tudo começou com o primeiro debate da Band. O psolista octagenário Plínio de Arruda Sampaio demonstrou firmeza nas ideias e juventude na disposição. E surpreendeu. Não por ter atacado Serra e Dilma, mas surpreendeu principalmente por seus ataques mortíferos à verde Marina. Tratá-la como ecocapitalista foi impressionante. Agradou em cheio a faixa jovem classe média.
No debate de ontem, novamente os verdes foram alvo fácil. O candidato psolista ao Governo do Rio, Jefferson Moura, foi impiedoso com todos os adversários, mas principalmente estraçalhou o superverde Gabeira. Marcou-o brilhantemente como “Ex-Gabeira” (aliás, funciona também como bela associação ao “Ex-Blog” de Cesar Maia), deixando-o mais nocauteado do que já estava.
Esses laranjas psolistas não são vermelhos. Mas com certeza são bem mais maduros do que os verdes.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Marina, seca

A fala de Marina, que ocupou quase o tempo inteiro do Programa do PV exibido ontem, foi plana, seca, dificilmente terá conquistado um único voto. Cesar Maia, no seu Ex-Blog de hoje, comenta: “O que faltou no programa de ontem da Marina? Emoção. Fala de momentos significativos de sua vida, como se estivesse contando um filme. Mas o programa acerta no alvo ao buscar contatos imediatos de primeiro grau com a juventude". Concordamos bastante. Ontem mesmo twittei: "Programa do PV, Marina: uma vida tão emocionante apresentada sem um pingo de emoção. Que pena".

sábado, 29 de agosto de 2009

PV, um PMDB nanico?

É muito comum ouvirmos que o PMDB é um partido oportunista, mais interessado em tirar casquinha do poder a qualquer custo do que arriscar a ter uma proposta própria. Há quem diga, por essa sua atuação no Congresso, que é o partido que de fato detém o poder no Brasil. No pólo oposto das percepções partidárias estariam partidos como o PV, uma espécie de queridinho da mídia e das classes médias dos grandes centros urbanos. Seria o partido das grandes propostas ecológicas, com repercussão internacional, o partido de quem pensa em um futuro melhor para toda a humanidade. Mas será isso mesmo? No Uol Notícias-Política de hoje, sábado, Maurício Savarese escreve uma reportagem, “Raro na oposição, PV se alia até a ‘motosserra de ouro’ para governar”, que deixa dúvidas, ou melhor, deixa certezas de que as coisas não são bem assim. Pelo menos aqui no Brasil. De acordo com um levantamento do UOL Notícias o PV “faz parte da base governista na ampla maioria dos Estados brasileiros. A legenda esteve ao lado até do governador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), premiado pela ONG ambientalista Greenpeace com o ‘Motosserra de Ouro’ há quatro anos”. O partido não elegeu nenhum governador em 2006. Mas nos últimos anos “só não auxiliou as coalizões governistas de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Tocantins, Pernambuco e Sergipe”. Apoia Lula e Serra. Apoia o governo petista do Acre e o governo democratas do Distrito Federal. O PV declara, como um de seus “Princípios”, que “não se aprisiona na estreita polarização esquerda versus direita. Situa-se à frente”. Talvez as palavras do seu Presidente Nacional, o vereador por São Paulo José Luiz Penna, esclareçam melhor: "Não somos muito oposição nem muito governo em lugar nenhum. Somos um partido aberto a quem quiser construir um programa novo. É como dizíamos: não estamos à esquerda nem à direita. Estamos à frente". Mas o cientista político David Fleischer, professor da Universidade de Brasília (UnB), é mais explícito: "O PV é um partido fisiológico, tem muito pouco a ver com o PV alemão ou o PV francês, que são mais coesos. Esses optam por ficar fora do poder se for necessário e são mais próximos da esquerda desencantada com as experiências de comunismo na Europa e na China. Não sei se a entrada da Marina Silva vai ajudar a refundar o partido de verdade, mas é fato que há muito a ser mudado se quiserem fazer um partido sério. Hoje é um partido de pequenos líderes regionais com um poder bastante limitado", afirmou. É neste partido que a Senadora Marina Silva, ex-petista que é tida como ambientalista radical, está se filiando neste domingo. Mas como ser radical no Partido do Vaivém?

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Bases americanas na Colômbia: Gabeira considera essa discussão um “carnaval”

No seu artigo na Folha de hoje (“Bola dividida”), Fernando Gabeira faz observação sobre a questão das drogas na América Latina e aproveita para colocar, meio de contrabando, sua posição sobre a discussão das bases americanas em nossas fronteiras. Diz ele: “Uma conferência interamericana sobre política de drogas seria mais produtiva do que todo esse carnaval sobre tropa americana”. Discutir uma política sobre drogas é altamente importante, claro. Mas por que tanto descaso para a preocupante presença militar americana bem aqui ao lado? Será que Gabeira pensa em mudar de partido outra vez? Porque no Programa do PV está escrito, quando trata de Defesa Nacional, que “embora não se perfilem como prováveis conflitos com países vizinhos nem distantes tais hipóteses nunca podem ser totalmente descartadas”. Será que isso não é pra valer? Não é “carnaval” essa discussão, Deputado Fernando Gabeira. A questão é que a nação mais poderosa do mundo está querendo pôr os pés de seus “Blackwater boys” na Amazônia. Os Estados Unidos querem policiar (para dizer o mínimo) essa monumental fonte de energia que fica principalmente em nosso país. Eles também estão de olho no pré-sal. E isso é natural – estão se preparando para garantir a energia do futuro. Nós é que não podemos pensar que isso é pura fantasia. A discussão sobre as bases tem uma preocupação nacionalista (bem positiva), ecológica e de sobrevivência. Não pode deixar de ser feita nem pode ser tratada como se fosse mero adereço. Que é isso, (ex?) companheiro? Não me venha atravessar na avenida logo agora.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Marina Silva saiu mesmo?

Não queria tratar desse assunto, que já considero superado. Mas tenho ainda duas questões a tratar no desligamento de Marina Silva do PT. A primeira considera o perfil da Senadora e a sua longa trajetória de lutas antes e depois de filiar-se ao PT. De lá para cá, Marina com certeza não mudou de ideais. Seu pensamento aprimorou-se, aprofundou-se, ganhou dimensões globais, mas os ideais permanecem iguais. Essa Marina não se desligou do seu PT ideal – desligou-se do PT real, um partido, apesar de tudo, mais chegado a ela do que os partidos da Oposição. Não é à toa que Ricardo Berzoini, Presidente Nacional do PT, fez questão de declarar que o partido não pretende cobrar a vaga de Senadora. Além de não ter conflitos de fundo com Marina, o PT vê na provável candidata à Presidência uma aliada de peso. Ele talvez tenha concluído que a entrada em cena de sua candidatura talvez possa prejudicar bem mais a Oposição. A outra questão trata da compreensão do pragmatismo, que é intrínseca à própria questão da política. É com pragmatismo que a política pode garantir ação contra o imobilismo dogmático (recusa absoluta ao pragmatismo) ou oportunista (pragmatismo extremado). Garantir a dose certa (se é que existe) de pragmatismo é fazer a boa política. Marina saiu do PT porque não aceitou o que seria excesso de pragmatismo do PT. Mas, com algo de contraditório, está exigindo, antes de se filiar, um certo pragmatismo do PV. Pelo menos é o que podemos concluir com as declarações do Vice-Presidente da Executiva Nacional do PV, Alfredo Sirkis, sobre a inclusão nos estatutos do partido de uma "cláusula de consciência", que permitirá aos filiados se absterem em relação a posições do partido que possam contrariar convicções religiosas. Terá sido uma decisão tomada unicamente em função de Marina Silva, que é evangélica. Mas nenhum partido, por princípio, pode ter cláusulas que individualizem as decisões partidárias. É um pragmatismo que leva à própria negação do conceito de partido. Por tudo isso pergunto - afinal, para onde saiu Marina Silva?