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sábado, 16 de fevereiro de 2013

Sinal dos tempos: a Igreja Católica vai acabar




Não sou contra as religiões, por princípio. Elas têm importante função de dar certa racionalidade ao irracional. Mas às vezes elas se tornam mais irracionais do que as irracionalidades que fazem parte de sua origem. Vejam a Igreja Católica, esse gigante medieval que não sabe mais o que fazer para sobreviver aos novos tempos. Conseguiu sobreviver à Reforma, mas dificilmente conseguirá aos tempos da internet. Ratzinger, um sobrevivente da Escuridão, arregou e saiu atirando. Os que vão sucedê-lo terão o desafio hercúleo de dar sobrevida a essa entidade trapalhona que procura ditar o destino a mais de um bilhão de seguidores em todo o planeta. Como explicar que o objeto luminoso que cruzou ontem os céus da Rússia não é produto da ira divina, mas apenas um entre milhares de objetos que chegam diariamente a nosso planeta? Como explicar que o homossexual pode ser tão católico quanto o hétero? Como aceitar que os pobres católicos das periferias de cada país, de cada cidade, possam ter tanta relevância quantos os engalanados de Roma? Nesse mundo da instantaneidade e da universalização da informação, a igreja que nasceu com a pretensão da universalidade (católico, na sua origem grega, significa universal) tem dificuldade em se manter de pé diante dos terabytes de informação nova. Evidentemente há boas cabeças pensantes tentando evitar o que parece inevitável, como a desse teólogo brasileiro, Mário França, que tem entrevista hoje no Globo. Leitura agradável. Aproveito para pôr também o link (enviado pelo Blog do Mello) de entrevista antiga de Leonardo Boff feita para a Caros Amigos em 98.

‘A Igreja muda ou acaba’, diz teólogo brasileiro
Mário França crê que o modelo atual da Santa Sé trai a origem da fé católica
Transição. Bento XVI caminha após sua audiência no Vaticano na quarta-feira: seu sucessor vai herdar uma série de desafios e problemas que o Papa atual não conseguiu resolver, desde escândalos na Igreja a disputas internas por poder na Cúria de Roma 
Por onze anos, Mário França, 76, fez parte da Comissão Teológica do Vaticano, onde conquistou o respeito do então cardeal Joseph Ratzinger. Hoje, professor da PUC-Rio e autor de obras sobre a teologia, defende uma nova Igreja, longe da hierarquia e das ortodoxias de Roma, e com espaço para gays e padres casados. 
O GLOBO: Como a Igreja vai sobreviver ?
Mário França: Chegou um momento em que a Igreja, só com os oficiais, padres, bispos e Papa, não aguenta mais. Esta estrutura foi uma traição à Igreja primitiva, em que todo mundo participava e tinha direitos iguais de participação. Todos são iguais, não tem homem, mulher, judeu, gentio ou escravo e senhor. Depois a Igreja erigiu uma estrutura monárquica, um pouco copiada de Roma. Foi consequência da chegada dos príncipes, que começaram a nomear parentes para tomar conta das muitas propriedades da Igreja. Era preciso estruturar ou tudo ia ficar na mão de famílias poderosas, nobres. Para evitar isso, o laicado foi afastado do poder da Igreja - o laicado não era o povão, eram estes príncipes que estavam cada vez incomodando mais. Passou o tempo e a Igreja ficou identificada por seus bispos, padres etc. É errado, né? Todo cristão, todo católico, tem o direito de formar um grupo, com o qual a hierarquia não pode se meter. A Igreja do futuro vai ser predominantemente leiga ou então não vai aguentar.
O Grupo de diversidade católica, que reúne gays, é um exemplo do que o senhor está dizendo?
Mário França: Exatamente. É um grupo de pessoas que são assim. A Igreja não pode excluir, tem de atender todo mundo. É uma maneira de a Igreja mostrar sua abertura. A consciência histórica é lenta. Teve um tempo que os missionários se perguntavam se tinham que batizar ou não os negros da África, por que não sabiam se eram animais ou gente. Muita coisa que achamos normal hoje, daqui a 50 anos será considerada intolerável. Os laicos vão obrigar a Igreja a criar um espaço de debate público, que não existe. A qualquer problema, corre-se para o bispo.
Mas as mudanças têm sido lentíssimas.
Mário França: Não se mexe da noite para o dia com 1,2 bilhão de pessoas. Não se podem criar traumas, as pessoas têm mentalidades muito diversas e, como diz o Rubens César Fernandes, do Viva Rio, o importante é que a gente mantenha todo esse pessoal dentro da Arca de Noé. Os sociólogos dizem que tudo pode mudar, menos o religioso, porque o ser humano tem necessidade de segurar alguma coisa. A gente percebe que isto não tem sentido. O sagrado também é construído através de uma linguagem e de práticas.
Esta posição está afastando muita gente.
Mário França: É, há paróquias que viraram agências de fornecer sacramento, isto está condenado. Tem de ter o sentido missionário. É o que se está tentando fazer agora. Mas é lento. Quando eu fui da Comissão Teológica do Vaticano, não tinha nenhuma mulher, agora já tem quatro. Não há dúvidas de que o fim do celibato já deveria ter acontecido, Paulo VI era a favor disso - mas uma coisa destas vai mudar a estrutura.
A questão da contracepção também está mais do que na hora de ser enfrentada.
Mário França: São questões morais que têm se ser mudadas, mas é uma coisa lenta. No papado de João Paulo VI, o cardeal de Bruxelas disse: na minha arquidiocese é permitido camisinha - ele estava com um problema seríssimo de explosão de Aids entre trabalhadores imigrados. Resolveu assumir e disse: aqui é preciso usar camisinha. O Vaticano não disse uma palavra.
A Igreja não vem conseguindo acompanhar as mudanças sociais?
Mário França: São rapidíssimas. Na PUC, a mudança de uma geração para a outra se dava em 20 anos, depois passou para 10, agora com dois ou três anos, você já vê aluno do quarto ano que não consegue entender o calouro. É uma sucessão vertiginosa que não conseguimos mais acompanhar, que provoca um curto-circuito na cultura.
Quem é o mais progressista entre os candidatos a Papa?
Mário França: Os cardeais terão de fazer um perfil de uma pessoa que entenda o mundo e saiba enfrentar esses desafios todos. Tem de ter boa formação pastoral e intelectual, capaz de se cercar de pessoas competentes. Tem um candidato de Honduras, Luis Alfonso Santos, que é uma pessoa muito possível de dar um bom Papa. Sabe línguas, é sensível, mora no país mais pobre da América Central: é uma pessoa que marca pela inteligência. Tem Luiz Antonio Tagle, um filipino progressista também, mas ele é muito novo. Tem 55 anos. Mas eu duvido que queiram colocar um cardeal de 50 anos, pois ele ficaria 30 anos. A turma não quer isso não. Cardeal Ravasi, encarregado da Cultura, também é muito aberto.
Resumindo: o senhor diz que a Igreja tem de mudar?
Mário França: Já está mudando. Ou muda ou acaba. É um momento sério da sociedade, faltam líderes. Onde estão os Churchill, De Gaulle, Adenauer? Não tem mais, está faltando líder. Na Igreja também, e os problemas são muito grandes. As religiões têm um papel muito forte no mundo de hoje, e a Igreja tem de ser uma 
reserva ética, apesar dos mal feitos da cúpula.

domingo, 31 de outubro de 2010

Segundo turno: derrota do obscurantismo


Tem uma coisa que valeu a pena ter o segundo turno: o obscurantismo teve que mostrar sua cara com todas as nuances – se é que as trevas têm meio-tom...
Veio aborto, veio casamento gay, veio a mídia, veio o Papa e tudo que é preconceito tentando derrotar os avanços do Novo Brasil. Pegaram pesado, usaram todas as baixarias possíveis e imagináveis. Felizmente esse Novo Brasil pôde contar com sistema de vacinação, igualmente poderoso, chamado Lula. A sua presença no segundo turno criou nova dinâmica na campanha. As ruas voltaram a ser vibrantes, e até o Horário Eleitoral Gratuito petista teve condições de se redimir. O Brasil volta a ganhar luz e Dilma caminha com força para a vitória.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Esse papo do Papa não agradou nem à Mônica...


O Papa não é pop, mas é esperto. Resolveu pegar carona no sucesso de Lula e do Brasil para também se projetar no cenário internacional. Alguém tem dúvida de que dar pitaco na eleição brasileira significa garantia de projeção imediata? O Papa também procurou com seu discurso do aborto desviar a Igreja Católica das manchetes da pedofilia e dos escândalos financeiros para buscar uma agenda de “defesa da vida”. Ao mesmo tempo Bento 16 tratou de dar uma força à sua turma ultraconservadora na luta com os evangélicos pentecostais para saber quem é mais medieval. O Papa sabe muito bem que seu discurso eleitoral não vai alterar uma vírgula o resultado do dia 31. O que ele quer é se dar bem, não importa quem vença. Se ele quisesse interferir pra valer no resultado, teria apontado diretamente para o papo da Mônica. Cruz credo!

quinta-feira, 19 de março de 2009

Impeachment para o Papa

Esse Papa Bento XVI provou que não passa de uma anomalia da humanidade. Sua declaração de que a distribuição de camisinhas pode até agravar o problema da AIDS é uma aberração da natureza. Os católicos do mundo inteiro devem aliar-se a todas as outras religiões e também a ateus para exigir o impeachment de Bento XVI. Depois do impeachment, camisinha de força nele!

terça-feira, 10 de março de 2009

Quem lava a roupa do Papa?

Não existe nada mais machista do que a Igreja Católica, toda construída sobre a pedra do preconceito. E esse artigo publicado no fim de semana no L'Osservatore Romano (jornal do Vaticano) é mais uma prova disso. “O que no século XX fez mais para liberar as mulheres ocidentais?”, pergunta o artigo, que dá a resposta no próprio título: “A máquina de lavar e a liberação das mulheres — ponha detergente, feche a tampa e relaxe”. Trata-se de um artigo-absurdo que "conta a história da máquina de lavar, desde um modelo rudimentar de 1767 na Alemanha até os equipamentos ultra modernos da atualidade" (O Globo) que foi assinado por uma mulher! No mesmo L'Osservatore Romano do dia 8 de março (Dia Internacional da Mulher), Lucetta Scaraffia tenta disfarçar a roupa suja da Igreja Católica com o artigo "Uguaglianza nella differenza - La Chiesa e la rivoluzione femminile" onde mostra que a Igreja Católica, baseada em Adão e Eva, defende a "igualdade na diferença" e considera essa diferença como dono di Dio all'umanità. Realmente, não há esperança para essa Igreja Católica. Só restará ao Papa ter que lavar sua própria roupa...

quinta-feira, 24 de maio de 2007

A manchete da semana

Sem dúvida essa é a manchete mais irônica dos últimos tempos. A Folha Universal, que pertence à Igreja Universal, dona também da Rede Record, acusa a TV Globo de ter virado igreja eletrônica! Era exatamente essa a acusação que sempre se fez à Rede Record... Para ser fiel à verdade, as duas acusações fazem sentido. Mas a acusação que se faz à Globo, no momento, faz mais sentido. A cobertura que a Globo deu à viagem do Papa foi vexaminosa, uma vergonha. E a Folha Universal busca apoiar sua acusação a partir de reportagens na "mídia especializada em televisão" que "condenou a postura da Globo". A reportagem abre dizendo que "a visita do papa Bento XVI reforçou uma antiga suspeita dos brasileiros: a Rede Globo de Televisão usa sua programação, de maneira explícita, para beneficiar a Igreja Católica e prejudicar igrejas evangélicas". A Folha Universal cita o site FolhaOnline para lembrar que “todas as manhãs de domingo, há quase 40 anos, a Globo transmite a ‘Santa Missa’. Trata-se do mais antigo programa da rede – está no ar desde 4 de fevereiro de 1968”. O jornal reclama da eterna perseguição da Globo aos evangélicos (que chegaram a ser tratados como membros de seita durante a visita do Papa) e, para humilhar, reproduz pesquisa do portal UOL onde a Rede Record foi apontada como "a emissora que realizou a cobertura mais isenta da visita do papa ao Brasil. (...) "A emissora recebeu 50,5% dos 6.616 votos computados. Em seguida, veio a Rede Bandeirantes, com 28,9% da preferência. A Rede TV teve 11,1% dos votos. A Globo, acusada de ser a emissora oficial da Igreja Católica, teve só 9,5%". A Folha Universal continua suas matérias de capa com uma charge sobre esporte, reportagens sobre "quebra de patente", "mais transportes às escolas", "cobradores de ônibus", "impetigo" e "desvantagens do penhor". Nada mais ligado a religião, tentando conquistar corações e mentes sem radicalismos. É a nova cara do grupo, que já faz tempo procura limpar a Record da marca negativa de "igreja eletrônica". Revela a evolução de seita para religião, mostrando mais organização e uma estratégia mais poderosa de conquista de fiéis. É mais uma etapa da guerra entre essas duas ongs gigantes da comunicação, a Rede Universal-Record e a Rede Católica-Globo.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Habemus Papo III: Jesus - sua cruz e seu marketing

O site Marketing e Fé Católica, que conheço de longas datas e já fiz referência aqui no Blog, tem uma monografia (não sei quem é o autor) bem interessante com o tema "Igreja como empresa". Em vez de falar sobre o texto, vou reproduzir trechos, bem apropriados nesse momento de exacerbação do marketing religioso:
Como diz o rabino Henry Sobel, presidente do Rabinato da Congregação Israelita Paulista, “O progresso da ciência vai intensificar as crenças. Quanto mais rápidas forem as transformações da sociedade, mais as pessoas precisarão de um apoio, que pode estar na religiosidade”.
Sobreviverão as religiões que adaptarem-se a essas mudanças, principalmente no âmbito das novas tecnologias de comunicação, administração e Marketing.
É um Deus (personagem de Luiz Fernando Veríssimo) que conhece e faz uso de novas tecnologias, como a televisão, o e-mail (buscando de volta um pouco da vanguarda comunicacional que sempre pertenceu à religião).
e mostrar dados também de outras religiões que, ao contrário da católica, desenvolveram-se utilizando dos conceitos já desenvolvidos pelo marketing, coisa que Jesus e os apóstolos faziam sem cursos ou livre concorrência.
Em sua passagem meteórica pela terra, Jesus, o fundador da empresa cristã, utilizou muito bem as ferramentas de comunicação disponíveis, como analisa Kater Filho, consultor de marketing utilizado por instituições católicas.Para falar às multidões, ele subia às montanhas e usava o eco de sua voz para que um maior número de pessoas pudesse ouvi-la. Também escolhia o local em que praticaria os milagres. Fazia suas curas estrategicamente em cidades onde havia uma grande fluxo de viajantes. As pessoas que iam até as cidades para trocar produtos ou participar de festas voltavam para suas regiões levavam a notícia de que a boa nova estava acontecendo.
Sabia despertar em seus colaboradores ou discípulos o ardor missionário, ou, como diriam os homens de marketing de hoje, sabia motivar seus colaboradores para que fossem “por todo o mundo e pregassem o Evangelho a toda criatura”. De forma simples, introduziu o conceito do Marketing boca a boca, presente nas diversas religiões até hoje. (...) Ele fez um reposicionamento do Divino no mercado, adotando uma nova estratégia de marketing.
“O americano Rodney Stark (...) explica o fenômeno do crescimento vertiginoso do cristianismo, que passou de 1.000 devotos no ano 40 para mais de 30 milhões três séculos depois. De acordo com Stark, uma epidemia, provavelmente de varíola, que matou um terço da população do Império Romano por volta do ano 165, foi a tábua de salvação do cristianismo.
Possuíam, como possuem ainda, um logotipo tão bom quanto simples: a cruz, que diz tudo, e é muito fácil de ser reproduzido, sendo facilmente identificável por qualquer cultura. A Igreja criou um dos primeiros veículos de comunicação de massa da história, que é o sino, em uma época em não havia sequer um megafone. Os padres, nomeados pelos discípulos, mandavam erguer torres e criavam códigos. Três badaladas rápidas significavam que o padre estava chamando para uma reunião religiosa, ou a missa. Badaladas lentas avisavam as mortes. Essa comunicação se estendia por um raio de vários quilômetros. Os primeiros outdoors foram as torres das igrejas. Quando se entrava em uma cidade, o que se via primeiro era a torre, que virava um ponto de referência para a população.
Segundo Kater Filho, a confissão funcionava como uma ótima pesquisa qualitativa. O padre conhecia os problemas e os anseios dos seus fiéis e oferecia soluções durante as missas dos domingos, com passagens retiradas do Evangelho.
"Além de fazer uma peregrinação missionária original , criando vínculos em cidades importantes, ele soube escolher pessoas para multiplicar seu trabalho", afirma o teólogo Fernando Altemeyer Júnior (referindo-se a São Paulo). "Se fosse nos dias de hoje, ele usaria a internet."
João Paulo II pode ser considerado um dos grandes marketeiros do nosso século, como afirma Kater Filho: “O gesto de chegar a um país e beijar o solo, que inicialmente deve ter sido espontâneo, foi uma grande jogada de marketing".

Habemus Papo II: o aborto e a escolha de Sofia

A elevação do tom na discussão sobre o aborto foi altamente planejado pela Igreja. Não bastava a criação do santo brasileiro - que serve para motivar os atuais fiéis e impedir sua fuga para outras religiões. O santo recém criado acrescenta pouco em novas conquistas. Era preciso algo mais forte e com profunda inserção política, algo polêmico e ecumênico. A discussão sobre o aborto cabia como uma luva. O surgimento inesperado, com um tom elevado além do normal, parece obviamente extemporâneo. Mas pôde ser bem incorporado à viagem papal, conferindo-lhe mais conteúdo. É um dogma mais forte do que o celibato dos padres ou o sexo somente após o casamento. Mais: mobiliza todas as religiões. Mais ainda: é um tema de paixões, de "ame ou odeie", sem grandes espaços para justificativas racionais convincentes. Recolocando esse dogma em questão, a Igreja Católica reforça seu posicionamento como verdadeira Guardiã da Verdade, aquela que conhece o verdadeiro caminho da salvação. Para fazer o jogo e entrar na discussão, quero dizer que eu, pessoalmente, como Lula, sou contra o aborto. Mas por outro lado acho que a realidade é bem mais complexa do que apregoam as vãs filosofias dessas religiões, com suas visôes simplistas e dogmáticas. Ao ameçar com o fogo do inferno a mulher que pratica o aborto e o cirurgião que a auxilia, a Igreja está lançando seus fiéis, na maioria pobres, num beco sem saída. Como, apenas como exemplo, tapar os olhos para os 10 milhões de crianças que morrem anualmente antes de atingirem 5 anos de idade? Nesse mundo de matança, como evitar os sofrimentos de mães e pais impotentes na busca de uma vida digna para seus filhos? Entre fazer um aborto e conduzir o recém-nascido para um mundo de sofrimento e morte prematura, qual a escolha certa, menos cruel? É uma "escolha de Sofia", onde não há escolha certa - só existe a exigência de escolher.

Habemus Papo I: a mídia a serviço da Igreja

É fabulosa a cobertura da mídia brasileira dada à vinda do Papa Bento XVI. É uma cobertura ao mesmo tempo ampla e detalhista. Todos os veículos de comunicação estão envolvidos na transmissão de todos os detalhes da visita. Do motorista do "papamóvel" ao "primeiro contato do Papa com o solo brasileiro através do pé esquerdo". É o resultado de um esforço monumental de marketing da Igreja Católica, que precisava retomar o pé da situação religiosa no Brasil. Tudo foi minimamente calculado, desde o Papa Bento XVI ficar hospedado no mosteiro de São Bento até o lançamento do primeiro santo brasileiro (não sei bem o nome dele). Tudo para que a fé católica volte a crescer (ou pelo menos pare de cair...) no coração do povo brasileiro, retomando o espaço conquistado pelos adversários evangélicos. Fala-se muito nos milhões que a Igreja teria gasto nessa viagem. Mas não se fala ainda dos milhões de reais em espaço (gratuito) garantido na mídia.

sábado, 7 de abril de 2007

Parabéns pro Papa

Esse Papa finalmente fez alguma coisa para se aplaudir. A carta que ele enviou ao aitolá Khamenei pedindo que os solsados ingleses fossem soltos a tempo de passar a Páscoa com as suas famílias acertou na mosca. O aitolá Khamenei é a maior autoridade iraniana, é o Líder Supremo desde a morte do aitolá Khomeini, em 1989. É ele que "indica o presidente do Poder Judiciário, os membros do poderoso Conselho dos Guardiães, os comandantes das Forças Armadas e os responsáveis pelos serviços de rádio e televisão. O líder só pode ser derrubado pela Assembléia dos Especialistas - um colegiado formado por 96 religiosos islâmicos, eleitos a cada oito anos com a única função de julgar o desempenho do Líder Supremo. Ele também tem o poder de confirmar o presidente do país, escolhido pela população através de eleições diretas. O presidente, por sua vez, controla o Poder Executivo e tem a função de fazer a Constituição ser respeitada. Na prática, no entanto, eles tem os seus poderes limitados pelo Líder Supremo e por vários órgãos colegiados que são controlados pelos conservadores" (BBC Brasil) O pedido do Papa, prontamente atendido, caiu como uma luva para que o Irã, através do seu presidente, Mahmoud Ahmadinejad, pudesse humilhar o governo de Toni Blair. Esperamos que o Papa, agora, tenha condições de uma contribuição mais ampla pela paz na região.