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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Eleição americana: o superdelegado posto em questão
O sistema de prévias eleitorais americano está xeque, pelo menos entre os Democratas. Barack Obama, que vence Hillary Clinton no número de "delegados eleitos", questiona o papel dos "superdelegados". Obviamente Hillary Clinton, que precisa dos "superdelegados" para vencer no número total de delegados, defende a importância do seu papel atual. “Se Obama insistir em se posicionar contra o papel histórico dos "superdelegados", eu irei em busca do apoio do Senador Kennedy e do Senador Kerry”, ironizou a candidata (CNN Political Ticker). Acontece que os "superdelegados" são escolhidos entre os Democratas que são membros do Congresso, governadores, membros do comitê nacional do partido e grandes lideranças, como ex-presidentes e ex-vice presidentes. O Senador Ted Kennedy e o Senador John Kerry (aliados de peso de Barack Obama), é claro, são "superdelegados". No confuso sistema americano, o "superdelegado" não é obrigado a indicar a sua preferência por este ou aquele candidato. Da mesma forma, o "delegado eleito" (que, em pequena parte, é escolhido pela máquina partidária regional) não está atado ao compromisso de votar no candidato que obteve votos que o fizeram "delegado" (por causa disso, o candidato tem direito de checar a lista dos "delegados eleitos" e eliminar aqueles em que não confia). É difícil imaginar qualquer mudança no sistema. Ao colocar a questão em foco, o que Barack Obama pretende, acredito, é deixar os "superdelegados" em posição incômoda para o caso de pretenderem votar contra a vontade dos eleitores Democratas. É uma situação que só serviria para fortalecer o candidato Republicano, porque poderia frustrar o eleitorado Democrata. Nota: os Republicanos têm outra nomenclatura - são simplesmente os "delegados compromissados" (pledged) e os "não-compromissados" (unpledged), que podem ser eleitos e escolhidos. Entre os "unpledged", há uma minoria reservada para a alta hierarquia partidária, que forma o grupo conhecido por RNC (Comitê Nacional Republicano). Mais detalhes no site da CNN.
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sábado, 26 de maio de 2007
Sexo, política e corrupção
Luiz Macedo, dono da MPM, durante 17 anos a maior agência de propaganda do país e que durante muito tempo deteve as principais contas governamentais, costumava dizer: "Quando sexo e política se misturam, as coisas se complicam". Pura verdade. Quem não se lembra de Chappaquidick, que acabou com as pretensões presidenciais de Ted Kennedy? Ou do Príncipe Charles? Ou dos outros escândalos, com ingredientes político-sexuais tipicamente britânicos? Não esqueço também a queda do poderoso congressista americano, Wilbur Mills, envolvido com uma bombshell argentina, Annabel Battistela, que até me inspirou um poema, "Anna who?" (ver no sidebar). No passado brasileiro não muito distante tivemos a baixaria de Collor contra Lula. Tem os caos mais recentes das orgias brasilienses. Essa mistura de sexo e política tem sido assim, complicada, no mundo inteiro. E quando se acrescenta corrupção, a mistura fica ainda mais explosiva. É isso que estamos vivendo no momento. Uma mistura explosiva, partindo da Operação Navalha (na Carne...) e chegando às páginas escandalosas da revista Veja. É um cenário com os mais importantes atores da nossa política, envolvidos em uma trama de final imprevisível. Houve excessos da Polícia Federal? Talvez, e isso realmente deve ser evitado, principalmente se conduzir a um estado policialesco. Houve invasão de privacidade? Houve, sim, e isso deve ser evitado - desde que essa privacidade não envolva bens públicos. O fato é que vivemos uma situação delicada, de fragilização de nossas instituições, que merece muita atenção. É necessário ir fundo nas investigações, mas, ao mesmo tempo, não podemos acreditar que a solução se completa dessa maneira. A corrupção precisa ser combatida pelas raízes, é necessária a criação de mecanismos que não permitam que ela se oxigenize. Não podemos cair no conto dos "éticos de palanque", mas é claro que precisamos de um choque de ética na administração pública, se queremos preservar a democracia representativa. Quanto aos escândalos político-sexuais... esses não acabarão nunca!
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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
Iraque: coalizão de um Bush só
Toni Blair decidiu tirar 1.600 soldados, dos 7.100 que mantém no Iraque. Bush e sua Secretária de Estado, Condoleezza Rice, tentam provar que isso não é nada demais, mas a verdade é que se trata de um duro golpe na política bushiana para o mundo. Nenhum dos seus aliados está tendo apoio da opinião pública para um alinhamento automático aos Estados Unidos. Já morreram 3.405 soldados no Iraque (veja a tabela) e ninguém vislumbra números menores. O Senador Ted Kennedy lembrou que "16 países retiraram suas tropas do Iraque ou as reduziram de forma expressiva" (O Globo / BBC Brasil). A Espanha já retirou todos os seus soldados, a Dinamarca e a Lituânia também começam a cair fora. Na Itália, o governo de centro-esquerda de Romano Prodi acaba de cair porque insistia em manter 2.000 soldados italianos na guerra americana dentro do Afeganistão (BBC Brasil). Esse quadro fotalece cada vez mais a oposição do Partido Democrata que, com grande apoio da opinião pública americana, faz tudo para largar a política sanguinária estabelecida no Iraque.
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