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quinta-feira, 25 de abril de 2013

O homem de uma cara




Ninguém se iluda: Eduardo Campos não tem duas caras. Tem uma cara só – da oposição, cada vez mais conservadora. Esse papo de “base aliada crítica” é puro oportunismo. Oportunismo bem feito, diga-se de passagem. Quer fazer oposição sem perder as benesses do poder. Quer mostrar para o “mercado” e para a classe média conservadora do “sul maravilha” que bate no governo Dilma, ao mesmo tempo em que tenta vender ao povo nordestino a imagem de que sempre esteve ao lado de Lula. Tentar mostrar duas caras é o melhor que pode fazer para crescer nas pesquisas. Mas a verdade é que essa moeda tem uma face só – e isso o povo inteiro já sabe.
Mais um bom artigo de Janio de Freitas, hoje, na Folha.

ALIADO E OPOSITOR
Janio de Freitas

 Aspirante à sucessão presidencial e governador pernambucano, Eduardo Campos apresentará hoje na TV, se não mudar na última hora o programa gravado, sua lista do que considera os erros desastrosos de Dilma Rousseff. Pelos quais, no entanto, ele é corresponsável.
Se o PSB, conduzido por Eduardo Campos, se fez sócio dos êxitos do governo federal, não tem como fugir da condição de sócio do que sejam os erros e insucessos do governo em que tem até ministério e integra a "base aliada" no Congresso. Não há conversa farsesca que anule essa obviedade.
Eduardo Campos não faz crítica, como diz. Poderia e talvez devesse fazê-la se, como caberia mesmo a um aliado, examinasse a natureza do erro, como e por que ocorre. A mera atribuição de erro ou insucesso não é crítica, é oposição. "O Brasil caminha para a crise", como já disse Eduardo Campos a empresários do Sul, é uma advertência grave demais, sobretudo partindo do governador de Estado com a importância de Pernambuco, para que passe sem a exposição de embasamento sério, seja convincente ou não.
Do joguinho de aliado e opositor, de sugar proveito dos dois lados, o que resulta é simples: embuste como aliado e embuste como oposição, ou, vá lá, "crítico".
A mesma evidência ressalta deste ridículo: "Nós não temos um projeto de poder, nós temos um projeto de país". Até em nome do pudor alheio, se não puder ser do próprio, quem deixa lá o seu governo e sai pelo país em óbvia pré-campanha pelo poder - na qual ainda não ofereceu nem uma só ideia nova para o país - deve apresentar um engodo melhorzinho.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

O vice-versa de Serra e Campos




Esse novo partido, o MD, nascido da fusão do PPS e do PMN - mas com focinho tucano -, é o elo da aliança de José Serra (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). Com 13 deputados federais, 58 estaduais, 147 prefeitos, 2.527 vereadores e a permissão para atrair insatisfeitos com outras siglas, o MD poderá servir, em primeiro lugar, como instrumento de chantagem de Serra contra o PSDB. Ameaçando mudar de partido, ele teria mais cacife para ser escolhido candidato ou a Presidente ou a Governador de São Paulo pelos tucanos. Difícil, muito difícil, praticamente impossível.
Por outro lado, o MD poderia ser o partido alternativo para Serra candidatar-se tanto a Presidente quanto a Governador de São Paulo. Difícil? Nem tanto. Principalmente contando-se com uma aliança com o PSB de Eduardo Campos. Em São Paulo seria praticamente natural. Para a Presidência, poderia ser em um hipotético segundo turno.
2018 é mais uma face dessa aliança. Ou desaliança, já que Serra e Campos poderão se chocar na disputa pela liderança das oposições. Ou não. Poderiam fortalecer ainda mais a aliança para um segundo turno ou, quem sabe, poderiam um ser vice do outro. Será? Quase impossível.
Há muitos vices e muitas versões nesse vaivém partidário. A face verdadeira dessa questão é a economia. A oposição inteira aposta no fracasso da política econômica de Dilma. É uma aposta baseada principalmente em desejo (é sintomático que os investidores locais tenham apostado em alta maior para a taxa Selic, enquanto os estrangeiros apostavam em menor, como ocorreu nessa última alta). Com a aprovação recorde que vive Dilma, basta a economia se manter como está para que ela vença as eleições de 2014 no primeiro turno. Com o cenário de um crescimento razoável, inflação sob controle e aumento da oferta de emprego, à oposição só resta treinar para 2018. Sem chances de vice-versa.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O pouso tucano



Em 5 de novembro de 2010, fiz aqui no Blog o post "Cid apoia Aécio: qual é a do PSB?", que reproduzo mais abaixo. Falava sobre a aproximação entre tucanos e pessebistas, na época representados principalmente pelos irmãos Gomes. Hoje a história se repete, dessa vez com o governador Eduardo Campos, de Pernambuco, encabeçando os pessebistas e com uma grande vantagem sob suas asas - a desintegração tucana. Eduardo Campos hoje é um nome mais forte do que Aécio e representa, sozinho, a força nordestina (que vai tentar tirar um pouco de Lula) mais a classe média conservadora do Sul-maravilha que busca um novo ninho para seus tucanos. Claro que Eduardo Campos conhece suas limitações. Seu partido ainda é pequeno e dificilmente terá condições de vencer a aliança Lula-Dilma-PMDB em 2014. Mas ele pretende crescer no Congresso, tentar mais governos estaduais e aposta no desgaste petista-peemedebista nas eleições seguintes. Vai procurar ser a força nova da política brasileira. Embora saiba que só poderá levantar voo se contar com as asas das forças mais atrasadas...

Cid apoia Aécio: qual é a do PSB?
Este Blog já falou, ainda no ano passado, se não me engano, sobre a aproximação entre o tucano Aécio e o pessebista Ciro Gomes. Seria a possibilidade de um eixo de força política, ligando Minas e o Nordeste e formando o núcleo de uma nova oposição de centro-direita. A fala de Cid Gomes, Governador do Ceará, apoiando Aécio para a Presidência do Senado pode ser o primeiro salto nessa direção. Mas pode também restringir-se a uma questão de voos internos do partido, marcando a rinha entre Eduardo Campos, Governador de Pernambuco, e os irmãos Gomes. Ou ainda pode ser apenas um pouco de chantagem para que o partido se aninhe melhor sob as asas do Governo Dilma. Mais provavelmente, significa um pouco de tudo isso. Seja como for, daqui pra frente, o PSB será outro. O partido saiu bastante fortalecido dessa eleição e vai bater asas em todas as direções na busca de mais espaço nos céus da política. Isso até que alguém resolva cortar suas asinhas de tucano...

sábado, 16 de abril de 2011

Eleições: o que é que chega primeiro, 2012 ou 2014?


Ontem, na inauguração da sede do PMDB fluminense, um dos assuntos preferenciais nas conversas paralelas era a candidatura do Vice Pezão para a sucessão do Governador Sérgio Cabral em 2014. Teve gente que jurava ter ouvido Lula declarar (brincando, claro): “Se você se candidatar, Pezão, quero ser seu Vice!”
Mas se é verdade que 2014 começa a entrar na pauta, 2012 já está acelerado. Os prefeitos (principalmente os que vão para a reeleição) tratam de embelezar suas cidades e espalhar obra por toda a parte. Os pré-candidatos de oposição buscam apoios, preparam pesquisas e já pensam em marqueteiros. E tem milhares de pessoas que não sonham com outra coisa que não seja a candidatura a Vereador. O zelador do meu prédio é um desses, que puxa assunto todo santo dia. Ontem, me viu e foi logo perguntando: “É verdade que o PCdoB é o partido que elege com menos votos?” Respondi com outra pergunta: “E você por acaso é comunista?”
Até Garotinho (PR-RJ), que pensa unicamente em política desde os tempos em que era Bebezinho e que acaba de ser eleito Deputado Federal, parece que está procurando mudar o domicílio eleitoral para outro município do Rio de Janeiro onde possa se eleger Prefeito. Ao mesmo tempo lança sua filha, a Deputada Estadual Clarissa Garotinho (PR-RJ), para a prefeitura da Capital. Pior: na mesma chapa do Deputado Federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), filho do eterno arquirrival Cesar Maia (DEM-RJ). Teve um amigo (que não pertence a qualquer partido) que observou: “Parece a história do sapo transportando o escorpião na travessia do rio. Só falta decidir quem é o sapo e quem é o escorpião...”
E por falar em Cesar Maia, ele parece que está chateadíssimo com o estrago feito por Kassab  e seu PSD (que significa Partido do Serra e da Dilma, diz o Jorge Bastos Moreno...) e anda fazendo mil análises eleitorais. Às vezes muito boas, como o os dois textos que divulgou sobre os votos “Zona Sul” (classe média) do Rio, que reproduzo abaixo.
(Em tempo: as eleições presidenciais também já estão em pauta, mas essa é uma preocupação oposicionista para 2018...)

COMO VOTA A ZONA SUL DO RIO! COMO VOTOU EM 2010!
Cesar Maia

1. O voto da Zona Sul do Rio é quase sempre diferente da média da cidade, e quase sempre é muito diferente do voto das Zonas Norte e Oeste do Rio. Assim é desde os anos 30. Nos anos 50, a Zona Sul votou em Lacerda e as Zonas Nortes e Oeste em Lutero Vargas. Em 1960, garantiu a vitória de Carlos Lacerda contra Sergio Magalhães. Negrão de Lima venceu na cidade toda, menos na Zona Sul. O mesmo em relação a Brizola. Em 1992, a Zona Sul levou Cesar Maia ao segundo turno e à vitória. Em 2006, Denise Frossard ganhou de Cabral na Zona Sul. Em 2006, para deputado, Gabeira venceu na Zona Sul, mas perdeu para Rodrigo Maia nas Zonas Oeste e Norte. Em 2008, Gabeira venceu na Zona Sul. Em 2010, Chico Alencar venceu na Zona Sul e Garotinho nas Zonas Oeste e Norte. Da mesma forma nas presidenciais de 1989, 1994 e 1998.
2. Em 2010 não foi diferente. Dilma foi a grande vencedora para presidente em toda a cidade: menos na Zona Sul. Nesta, ela chegou em terceiro lugar. Serra venceu com 150.072 votos, Marina teve 139.392 e Dilma 137.692. Para governador, embora Cabral tivesse vencido também na Zona Sul, aqui foi a sua menor diferença. Ele teve 216.550 votos, Gabeira 167.962 e Peregrino 8.062.
3. No Senado esteve a maior diferença em 2010. Pela Zona Sul, venceriam Lindbergh com 162.919 e Cesar Maia com 124.401. As demais posições também seriam invertidas. Crivella, segundo na cidade, chegou em sexto lugar na Zona Sul, com 84.723 votos, perdendo para Temer, Cerqueira e Picciani. Picciani, que foi terceiro na cidade, na Zona Sul seria quinto, perdendo para Temer e Cerqueira. Picciani teve 91.804 votos, Temer 96.174 e Cerqueira 93.755.
4. Em outras grandes cidades no Brasil e no Mundo, o voto da classe média de maior nível de renda e instrução influencia a votação da cidade. Não que isso signifique a mesma ordem dos candidatos em todos os bairros. Certamente não. Mas aproxima. O que diferencia a situação do Rio é que a votação na Zona Sul do Rio é a inversão das demais regiões, especialmente da Zona Oeste. A eleição de 2004, quando o prefeito reeleito venceu em 96 das 97 zonas eleitorais da cidade, foi uma exceção à regra.

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2010: DEPUTADOS FEDERAIS E ESTADUAIS MAIS VOTADOS NA ZONA SUL DO RIO!Cesar Maia

1. Os dois mais votados para Deputado Federal na Zona Sul foram: Chico Alencar com 43.676 votos e Molon com 22.396 votos.
2. Os dois mais votados para Deputado Estadual na Zona Sul foram: Marcelo Freixo 37.994 votos e Wagner Montes 27.306 votos.
3. Curiosamente, o deputado federal - choque de ordem - foi o décimo segundo mais votado da Zona Sul, com 6.476 votos.
4. Conheça os 15 deputados - federais e estaduais - mais votados na Zona Sul em 2010.


(clique para ampliar)