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quinta-feira, 8 de maio de 2008

Dossiê do Cartão: a questão é saber se Fernando Henrique também ajudou a vazar

A Globo conseguiu brilhantemente tirar do ar o sucesso do depoimento de Dilma Roussef. No lugar entrou o assessor que teria repassado os dados sobre os gastos do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso para o Senador Álvaro Dias (PSDB). Daí, essas informações - que eram tidas como sigilosas - teriam voado até a Folha, que tratou de publicá-las. OK, vamos dizer que tenha sido exatamente assim. A questão principal agora é saber por que Álvaro Dias decidiu pelo vazamento, já que ele é (ou supomos que seja) aliado de Fernando Henrique. O objetivo (considerando-se o resultado) parece ter sido o de comprometer o Governo Lula, dando a impressão de que ele chantageava a Oposição. Ao mesmo tempo, o vazamento daria a desculpa necessária para a divulgação completa dos dados sigilosos. No final, o tiro saiu pela culatra. Mas resta uma grande dúvida: Álvaro Dias teria feito tudo isso sem consultar Fernando Henrique? Se foi assim, será que ele teria algum interesse em prejudicar o seu líder maior? Se, ao contrário, ele agiu em sintonia com Fernando Henrique, o que podemos concluir - que o ex-Presidente é apenas mais um politicozinho que transita com naturalidade nesse mundinho sórdido? Tomara que não, em nome de alguma dignidade no meio político brasileiro.

Oposição, atônita, lança Dilma Rousseff candidata à Presidência da República

Finalmente a Oposição conseguiu o que queria: perder-se completamente. E não adianta dizer que isso foi obra exclusiva do Senador Agripino Maia. Na verdade, a Oposição tem trabalhado uníssona em caminhar para o abismo. A CPI dos Cartões, por exemplo, é toda ela um tiro no pé, que serviu, desde os primeiros passos, para projetar o nome de Dilma. Nem mesmo Fernando Henrique Cardoso está mais interessado no assunto (que pena, logo agora que sabemos que dados sobre ex-presidente não são sigilosos). A Oposição, que estava se escondendo, dando graças a Deus a distração da mídia que corria célere atrás do caso Isabela, dos travecos do Ronaldinho e dos campeonatos de futebol, agora vai ter encontrar um caminho até as próximas eleições municipais. As eleições presidenciais eles já entregaram a Dilma.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Diasgate: ao contrário de Dilma, o Senador Álvaro Dias parece que não tem o que fazer

Hoje mesmo alguém me perguntou qualquer coisa sobre essa tal de CPI do Cartão e respondi que estava igual à Ministra Dilma Roussef - "tenho mais o que fazer!" Mas no final do dia ouvi os berros da jornalista da sala ao lado: "Esse Álvaro Dias não tem mesmo o que fazer! Foi ele que armou tudo! Agora ele está acabado!" Ela berrou mais algumas coisas que prefiro não repetir aqui. Mas compreendi muito bem o que ela quis dizer. Na falta de coisa melhor para fazer como oposicionistas, esses políticos de maus hábitos tramam mil e uma maneiras de desconstruir o Governo Lula. Não conseguem nada, claro. E com suas tramas só conseguem se afastar cada vez da única coisa que poderia derrubar Lula: o apoio do povo. Ajudar o país e conquistar votos, isso eles não sabem fazer.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

CPIs estão fazendo mal à democracia

Toda Oposição faz oposição, claro. É para isso que existem e é assim que funciona a democracia. São representantes de pensamentos e interesses opostos à conduta da maioria que ocupa o Governo. É através desses conflitos que a democracia se fortalece e afirma a qualidade do ser humano – afinal, como mais ou menos diria Parmênides, o caminho do ser humano é o caminho do ser e não ser ao mesmo tempo. Tudo muito bem, muito bonito, mas como é que funciona mesmo? A Oposição, naturalmente, quer abandonar o papel que tem. Ela não se restringe a fazer valer seu pensamento mantendo-se na oposição. Ela quer, com todo direito, trocar de lugar, e é aí que as coisas acabam se complicando um pouco. Primeiro, porque nem sempre a simples troca significa renovação e avanço (mas faz parte do jogo). Segundo, porque o grupo que faz o papel de Oposição costuma fixar-se muito mais no troca-troca do que em opor pensamentos e ações capazes de contribuir para uma sociedade melhor. Vejamos o exemplo das CPIs, que em princípio seriam excelente instrumento de fiscalização, de investigação e de aperfeiçoamento dos governos. Elas acabaram se transformando apenas em palanque eleitoral. Mais do que para investigar e fiscalizar, os políticos usam as CPIs para ganhar visibilidade e uma percepção positiva com fins eleitorais. Em função disso, qualquer coisa justifica uma CPI escandalosa. Reforma política? Quem vai perder tempo com isso? Mais importante é saber por que o Ministro dos Esportes gastou 8 reais com tapioca. Não digo que não se deva investigar e condenar o mau uso de cartões corporativos ou o que seja. Mas não se pode é transtornar a vida pública durante meses com fins meramente eleitoreiros. Dá pena ver tanta gente bem formada (e bem remunerada) entregue ao dia-a-dia de uma política menor. Tanto para propor, tanto para investigar, tanto para fazer, e os partidos em busca de escândalos para poder crescer em ano de eleições. Esses políticos deveriam ter um pouco mais de respeito com a democracia.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Sem mensalão, sem recessão e sem apagão, Oposição apela para o cartão

Às vezes sinto uma espécie de pena desses combativos militantes da Oposição. Eles não conseguem emplacar nada na vida. O mensalão, o grande momento que eles viveram, não pôde se transformar em vitória eleitoral. Pior: contribuiu para desgastar as CPIs e a imagem de todos os políticos - inclusive os que militam em suas hostes. Passaram a apostar em um baixo crescimento econômico do país, pediram ALCA, berraram para que o Brasil deixasse de ser BRIC, mobilizaram toda a imprensa contra a política econômica vigente - e o Brasil acabou transformando-se em exemplo para o mundo. Depois lançaram seus holofotes sobre o atraso nas chuvas e juraram que estávamos prestes a viver um apagão, nos moldes daquele patrocinado pelo Governo Fernando Henrique. As ações preventivas do Governo garantiram tranqüilidade durante a seca e a chegada da chuva funcionou literalmente como uma ducha de água fria nas pretensões oposicionistas. Quando tudo já tinha ido por águas abaixo, surgiram as compras malucas do cartão corporativo do Governo. Era o copo d'água que a Oposição esperava para fazer sua tempestade. Mas foram com tanta sede ao pote que não perceberam que o feitiço pode virar contra o feiticeiro. Ao mesmo tempo em que o Governo agia com rapidez e transparência, foram surgindo comparações que mostram o telhado de vidro da Oposição. No Governo Fernando Henrique, por exemplo, não havia a mínima transparência sobre o uso do cartão corporativo e o abuso poderá ter sido imenso. No Governo de São Paulo, tucano, descobriu-se que no ano passado o uso do cartão corporativo alcançou um valor cerca de 50% superior ao da União! Pior: quase a metade foi em saque, o que dificulta a transparência do uso. Apesar disso, a Oposição ainda sonha em obter dividendos de uma CPI do Cartão. Mas acho que ela vai acabar recebendo cartão vermelho...