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quarta-feira, 15 de junho de 2011
EUA x Paquistão: nova batalha entre “aliados”
O Paquistão acaba de prender 30 informantes que ajudaram os Estados Unidos a localizar bin Laden (leia reportagem no NYT). Foi apenas mais uma etapa do distanciamento cada vez maior entre Estados Unidos e Paquistão – onde também se envolvem Afeganistão, Índia, China e, last but not least, Irã. Os Estados Unidos precisam do Paquistão para derrotar o Talibã, controlar o Afeganistão e fechar o cerco ao Irã – além de marcar posição mais sólida junto à China. Mas encontram dificuldades que vão desde questões religiosas (talibãs e paquistaneses são predominantemente sunitas) até a forte oposição entre Paquistão e Índia – país que se aproxima dos interesses americanos. A China, evidentemente, procura proteger seus interesses geopolíticos e busca laços ainda mais fortes com o Paquistão. A Índia, de olhos abertos e bombas em punho, busca fortalecer os laços com os Estados Unidos sem acirrar os ânimos regionais. É sob esse céu nada estrelado que correm soltas as batalhas tipicamente “spy versus spy” entre Estados Unidos e Paquistão. Aguardemos a próxima traição.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Dilma na China: sem interrogações
No nome “Dilma”, a sílaba “dil” não tem correspondente em chinês (talvez a coisa mais próxima seja um tom baixo de “ti”). Resta apenas a sílaba “ma”, correspondente ao tom neutro do “ma” chinês, que significa “interrogação”, “partícula interrogativa”. Mas nem mesmo essa interrogação está chegando com Dilma à China, já que os jornais locais referem-se apenas a “Roussef” (罗塞芙, que ainda não consegui traduzir “ao pé da letra”...).
O importante nisso tudo é que não há dúvidas nessa viagem. Evidentemente, a relação Brasil-China é estratégica. Fortalece o BRICS e o G-20, além de ajudar Brasil e China separadamente. Para nós é indispensável certa equidistância dos dois principais polos internacionais. Não nos interessa afastamento dos Estados Unidos, mas não podemos voltar ao alinhamento automático que nos imobilizou por décadas. Da mesma forma, queremos nos relacionar com a China de igual para igual, de forma equilibrada e pragmática, buscando o que é melhor para nossos interesses – e isso já está bem definido.
Para os chineses, é importante um contraponto à aproximação que os Estados Unidos fazem a seus vizinhos asiáticos, principalmente Índia; para nós, é importante quebrar resistências ao ingresso no Conselho de Segurança. A China precisa muito de nossas fontes de energia; nós precisamos de tecnologia e investimento em infraestrutura. E ambos estamos interessados no fim da guerra cambial: mesmo considerando que a China foi um dos principais promotores dessa “guerra” (com a desvalorização artificial do yuan), o atual fluxo de capital (bastante especulativo) associado à flutuação dos preços das commodities pode enfraquecer as economias BRICS e pressionar pela inflação.
Se tudo correr bem, Dilma não apenas ficará sem a interrogação do nome – trará também uma exclamação de vitória na bagagem.
sábado, 26 de maio de 2007
Relatório do Pentágono sobre a China parece obra de humor
Segundo o jornal O Globo, "o Departamento de Defesa dos Estados Unidos divulgou ontem um relatório anual em que demonstra estar muito preocupado com o que chama de crescente poderio militar da China. Segundo o documento, entregue ontem ao Congresso e à Casa Branca, Pequim aumentou a quantidade de mísseis balísticos de longo alcance, capazes de atingir qualquer lugar do território americano. (...) A estratégia militar chinesa, segundo o relatório O poderio militar da China, já deixou as tradicionais dimensões terrestre, aérea e marítima e “concentra suas forças em campos de batalha mais modernos, como o ciberespaço”. Até aí, tudo bem. É natural essa preocupação e é mais do que natural que o Pentágono investigue e analise os poderios militares espalhados pelo planeta. Mas o mais interessante foi a acusação que o relatório faz à China de manter uma política de “de falta de transparência sobre suas despesas militares". Vem cá, isso é piada ou é assim mesmo que se faz estratégia militar? O inimigo vem e diz: "Olha, pretendo produzir 30 bombas para atingir a sua Região Norte, daqui a 4 meses - tudo bem?" Aí o outro responde: "Certo, mas quero construir 33 mísseis para atingir a sua Região Sul, ok?" Fala sério! Qual o país que é transparente em seus gastos militares? A Venezuela? O Iraque? Os Estados Unidos? A Rússia? Israel? Talvez só mesmo o Irã...
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terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
A China demorou, mas falou do próprio feito.
Jornais do mundo inteiro apressaram-se em noticiar o texto praticamente aprovado feito pela China sobre a desnuclearização da Coréia do Norte. Eu só não conseguia encontrar nada em jornais da China e da Coréia do Norte... Finalmente, hoje, quase amanhã, o Diário do Povo On Line (versão em inglês) falou mais sobre o grande avanço. Mas ele foi além da questão da garantia de apoio internacional energético à Coréia do Norte em troca da suspensão de suas atividades nucleares. Fala, por exemplo, que, de acordo com comunicado da "conversação dos seis" (China, CN, EUA, CS, Japão e Rússia) "os Estados Unidos devem começar a parar de tratar a Coréia do Norte como estado defensor do terrorismo e como inimigo, nas relações comerciais internacionais". Essa terceira fase do quinto round da "conversação dos seis" foi concluída em Pequim depois de 6 dias de trabalho árduo - e valeu a pena.
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