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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Morreu o Décio






Foto de Arnaldo Alves,
publicada no Globo

Quando li o seu Teoria da da Guerrilha Artística, acho que foi em 65 ou 66, no Correio da Manhã, se não me engano, minha cabeça revirou. Fiquei fascinado e ao mesmo tempo sem entender bem aquilo. Em 67, em Brasília, quando conheci o poeta Hugo Mund Jr., falamos muito sobre Décio Pignatari e sobre poesia concreta. Criei meu primeiro poema concreto, “Comunicação”, que publiquei no jornal da Universidade. Depois vieram “Blow up, Blow down”, “Olho por olho” e muitos outros, sempre com Décio e os irmãos Campos como principal referência. Já em São Paulo, em 68/69, quando estava na Veja, a presença da poesia concreta foi muito grande. Fizemos boas matérias mostrando o que havia de concreto no tropicalismo, que chegamos a chamar de movimento tropiconcreto. Lembro de uma vez entrevistando o Décio em seu apartamento nas Perdizes, ele falando da superioridade de Caetano sobre Chico como poeta, comparando Resnais e Godard e também mostrando com orgulho um pedaço de grade velha, enferrujada, que tinha na parede, com destaque, como se fosse uma grande obra de arte. Era um pedaço do túmulo do Mallarmé, que ele arrancou de lembrança durante viagem à Europa. Deve ter decidido devolver ao dono...
Uma perda imensa.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O incerto drummondiano


ÁPORO

Um inseto cava
cava sem alarme
perfurando a terra
sem achar escape.

Que fazer, exausto,
em país bloqueado
enlace de noite
raiz e minério?

Eis que o labirinto
(oh razão mistério)
presto se desata:

em verde, sozinha,
antieuclidiana
uma orquídea forma-se.


Pensei em reproduzir um cartão que Drummond me enviou parabenizando por meu primeiro livro, Onomatopoemas, mas não está aqui comigo. De qualquer maneira, a melhor homenagem que se pode fazer nesses 110 anos do seu nascimento é reproduzir um de seus poemas. Escolhi o soneto Áporo (inseto himenóptero, da família dos cavadores; problema difícil ou impossível de resolver; planta das orquídeas), pouco conhecido, mas que Décio Pignatari considerou “uma das peças de poesia mais perfeitas e mais criativas, em âmbito internacional e dentro da tradição do verso pós Mallarmé” (Um Inseto semiótico, em Contracomunicação, Ed. Perspectiva, 1971). A análise feita por Décio Pignatari por sua vez é brilhante, escavando o soneto e expondo suas entranhas. Ele ainda lembra que Áporo surgiu em A Rosa do Povo, 1945, “ano da agonia do nazifascismo e do Estado Novo (‘em país bloqueado’), ano da soltura de Luís Carlos Prestes (‘presto se desata’...) ano de todas as auroras”.

domingo, 25 de outubro de 2009

Concreto: Décio Pignatari

Minha poesia é concreta. E fiquei muito feliz em voltar a assistir Décio Pignatari . 82 anos, pensamento de vanguarda. Mas se apresenta como jurássico.