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domingo, 30 de setembro de 2007
O negócio do etanol americano está fazendo água
O boom do etanol nos Estados Unidos está perdendo gás. Para se ter uma idéia do que isso significa, de maio para cá o preço do etanol caiu 30%. A gente sempre soube que esse álcool feito de milho não é um bom negócio, mas eles conseguiram torná-lo pior. A correria para iniciar a produção não teve correspondente na distribuição. Houve uma overdose de destilarias, e o consumo é pífio. Para desespero do setor, enquanto o preço do etanol cai, o preço do milho sobe. A coisa deve pegar fogo em janeiro, quando começam as convenções para escolha dos candidatos à Presidência - e começam exatamente em Iowa, o principal estado produtor de milho. Leia mais na reportagem de Clifford Kraus, para o New York Times.
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Cachaça com dendê - tudo a ver
Não estou entendendo o alvoroço em torno da promoção da cachaça brasileira que Lula fez na Jamaica. Nada mais natural que ele tenha feito isso. Afinal, o assunto era álcool (etanol). A Jamaica está usando tecnologia brasileira para a produção do álcool de cana, e está se preparando também para grande produção de álcool a partir do dendê. Tudo a ver. É a Bahia chegando ao Caribe! Q.E.D... Leia reportagem no Jamaica Gleaner.
quinta-feira, 12 de julho de 2007
A Oposição precisa de Renan
O caso Renan - com seus bois, sua jornalista, seu lobbysta, sua cerveja, seja lá o que for - caiu como um presente dos deuses no colo da Oposição. Os políticos oposicionistas não sabiam o que fazer para ganhar destaque na corrida pela simpatia do eleitorado, principalmente a classe média bem conservadora. Nada parece incomodar os índices de aprovação do Governo Lula, nem mesmo o tão paparicado "apagão aéreo". Lula do 2º mandato tem a seu favor, além da Bolsa-Família, os índices de crescimento, o etanol e os biocombustíveis em geral, o governo americano, a União Européia, o Grupo dos 20, as ações na segurança, o PAN 2007, o Governo do Rio, o não-Governo de São Paulo, Aécio, o Nordeste, etc, etc, etc. Eis que surge o escorregão de Renan, um forte aliado de Lula - e a Oposição tratou imediatamente de aproveitar a oportunidade. Estava indo tudo bem, mas ontem ficaram sem ação, quando Renan desistiu de presidir o Congresso, anulando o seu discurso e tirando os seus holofotes. Hoje voltaram à carga, com a decisão de Renan de só convocar a mesa do Senado para a próxima terça-feiça. Foi um verdadeiro "Deus nos acuda". Está todo mundo batendo o pezinho, dizendo que não participa mais das sessões do Senado presididas pelo... Presidente do Senado. O desespero é maior porque todos sabem que o início do PAN 2007 vai tirar a atenção do malabarismo diário que se faz na arena (epa!) parlamentar. Ninguém sabe mais o que inventar para subir no pódio do apoio popular. Enquanto isso o povaréu, de boca fechada para não entrar mosquito da dengue, vai tocando sua boiada. Ê, boi...
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Renam Calheiros
terça-feira, 19 de junho de 2007
Acredite se quiser: para exportar álcool hidratado para os Estados Unidos é preciso primeiro tirar a água!
A história é a seguinte: os países do Caribe têm um acordo comercial com os Estados Unidos que isenta as exportações de álcool para o mercado norte-americano de uma tarifa de importação cobrada de outras origens. " Mas para gozar do benefício, o produto normalmente enviado do Brasil passa por um reprocessamento (desidratação) para ingressar nos EUA", diz a reportagem da Reuters. Quer dizer: o álcool sai daqui hidratado, é desidratado no Caribe e enviado para os Estados Unidos, onde novamente é hidratado. A conclusão mais óbvia é que eles só querem taxar a água - e por isso empresa desidratadora caribenha virou um grande negócio. Ils sont fous ces américains!
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Sérgio Thompson-Flores
sábado, 31 de março de 2007
Americanos trocam soja e algodão por milho
O jornal inglês Financial Times traz reportagem sobre a corrida americana rumo ao milho, graças ao crescimento na produção de etanol (ou álcool combustível), deixando de lado outros produtos agrícolas. Segundo o jornal, "a troca massiva pode resultar na maior safra de milho de todos os tempos, afetando as indústrias agrícolas dos Estados Unidos e de todo o mundo". Os produtos mais afetados são a soja e também o algodão, cuja plantação nos Estados Unidos já caiu a seu nível mais baixo desde 1989. Os preços subirão e os ganhos com o milho aumentarão. Os produtores brasileiros e argentinos sofrerão pressão para aumentar a produção de soja - que, entre nós, disputará terreno com a cana de açúcar. Mas tudo isso dependerá ainda, segundo analistas, dos efeitos do La Niña, o fenômeno climático que poderá provocar fortes chuvas no período do plantio. O jornal acrescenta que essa corrida desenfreada rumo ao milho traz para foco o debate "alimento versus combustível", em um momento em que a demanda global por alimento está crescendo. Isso significa que, apesar de termos que seguir avante nosso política de produção de combustível a partir de fontes renováveis, não devemos estar inteiramente surdos às advertências de Fidel e Chávez.
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sexta-feira, 16 de março de 2007
Barack Obama elogia o álcool brasileiro, mas protege o milho americano
O presidenciável democrata americano Barack Obama disse à BBC que ''o Brasil fez um excelente trabalho em estimular a sua indústria de combustíveis alternativos''. Mas ao mesmo tempo alertou: os Estados Unidos não podem trocar a dependência que têm do petróleo pela dependência do álcool (etanol) brasileiro; o que os Estados Unidos têm que fazer é seguir o exemplo brasileiro e estimular a produção do seu próprio combustível limpo a partir do milho. É bom que se esclareça que Obama é contra reduzir a taxação do álcool brasileiro. Ele é senador pelos Estado de Illinois, um dos maiores produtores de milho e de etanol dos Estados Unidos. Leia mais no site da BBC.
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sábado, 10 de março de 2007
Encontro de Lula e Bush alcançou o "Ponto L"
Bush não esperava muita coisa de sua visita ao Brasil, porque está muito mais fazendo política anti-Chávez e anti-Mercosul. É verdade que a defesa do etanol e das energias alternativas, renováveis, faz bem ao seu marketing político interno, mas tudo ficava por aí mesmo. Quem se saiu bem nessa história foram o Itamaraty e o Presidente Lula. Tomados de surpresa pela decisão do périplo bushiano, conseguiram tranformar um limão azedo em gostoso caldo de cana. Bush foi surpreendido. Primeiro, por ter tido a política de subsídios americana rotulada de "nefasta", pelo próprio Lula. Foi surpreendido também pela tecnologia brasileira com relação ao álcool, que desconhecia, e teve que reconhecer o desconhecimento geral nos Estados Unidos sobre os carros "flex". Foi surpreendido ainda pela desenvoltura de Lula, que cobrou mais decisão no destravamento da "Rodada de Doha" e ainda disse claramente para Bush parar com essa história de "ajuda" e passasse a investir na América Latina. (Afinal, não somos apenas "repúblicas de bananas"; yes, nós temos bananas, canas, marmelos e todas as condições para trabalharmos uma nova matriz energética.) Mas o que o Brasil ganhou de verdade com a passagem maluca de Bush por essas bandas foi o marketing em dimensão internacional do nosso álcool e a projeção que o país conquistou como interlocutor de respeito. É por isso que podemos dizer que, mais do que alcançar o "Ponto G" (que poderia ser de "George"), o encontrou alcançou o "Ponto L", de Lula.
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