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quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Acidente da TAM: fim das dúvidas

Finalmente a mídia chega a uma certeza: ainda é (no mínimo) cedo para se dizer com segurança qual foi a causa principal do acidente com o Airbus da TAM. A mídia ainda vai tentar conviver muito tempo com o tema. Explorando o acidente de forma mórbida e cruel (como fez o Globo de hoje, com a manchete de 1ª página: "Não dá, não dá. Ai, meu Deus"); tentando encontrar um ângulo novo do acidente (como faz a maioria: Folha, "Falha ocorreu 2 segundos antes do pouso"; O Dia, "Airbus da TAM bateu em potência máxima"); voltando-se para a questão política (como faz o Estado de Minas, "CPI confunde mais do que explica o acidente"). A caixa preta não trouxe a resposta que se esperava - trouxe apenas gritos sem sussurros para enriquecerem certo jornalismo marrom. CPI e especialistas ainda povoarão o noticiário por algum tempo. Nelson Jobim encontrará algum meio de ocupar espaço. O caso Renan volta a ganhar corpo. Os ataques a Lula sofrerão um pouco do efeito reverso. Só vai ficar faltando alguém ter a coragem de fazer a principal manchete: "O culpado não foi o grooving".

quinta-feira, 1 de março de 2007

A manchete de hoje do Jornal do Brasil é vergonhosa

O Senado decidiu ontem adiar por 45 dias a votação sobre a proposta de redução da maioridade penal de 16 anos para 18 anos de idade. Pessoalmente acho uma atitude correta. É uma questão muita delicada, que merece boa discussão e que não pode ser decidida afoitadamente, sob o efeito de fortes emoções. É claro que isso não pode significar (como bem se preocupa o Jornal do Brasil) em lançar para o limbo decisões importantes na área de segurança que precisam de certa urgência. Até aí, acho que há um a acordo geral. O que não pode é um veículo de comunicação com a responsabilidade e a tradição do Jornal do Brasil utilizar recursos da imprensa marrom para vender mais jornal. O título "Até o próximo João Hélio" a rigor não tem nenhuma relação com a questão da redução da maioridade penal. Esse crime bárbaro foi praticado por quatro adultos que tinham um menor na sua companhia. A redução da maioridade penal não contribuiria em nada para evitar esse crime (e nenhum outro, na minha opinião) e a utilização desse recurso "jornalístico" é um a apelação de baixíssimo nível. É preciso mais respeito ao sentimento dilacerado da população. Seja não deixando de tomar decisões importantes que garantam segurança pública, seja não explorando esse sentimento na venda de jornais.