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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Ex-ministra americana acha que Suprema Corte errou na decisão sobre as eleições de 2000


Declaração da aposentada da Suprema Corte da Justiça Sandra Day O’Connor sobre a decisão tomada a favor da legalidade dos votos da Flórida que decidiram a eleição de Bush contra Al Gore, em 2000: “Talvez a gente devesse ter dito ‘Estamos fora, e tchau’. As autoridades da Flórida não fizeram um bom trabalho e meio que bagunçaram tudo” (“Maybe the court should have said, ‘We’re not going to take it, goodbye’. It turned out the election authorities in Florida hadn’t done a real good job there and kind of messed it up.”). Essa declaração foi feita ao Chicago Tribune e reproduzida pelo Washington Post. É bom lembrar que a decisão a favor de Bush no Supremo foi apertada, 5x4. Tudo girava em torno das recontagens de votos, que acabou sendo feita em uma parcela reduzida das cédulas. (Parece que o que é bom para os Estados Unidos não é bom para a Venezuela. Apesar disso, Chávez reconheceu o governo Bush...)
Talvez fosse o caso do nosso STF escutar Sandra Day O’Connor, antes de tomar suas decisões tão discutíveis.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O que a Oposição deve fazer com o Horário Eleitoral Gratuito



Não é fácil chegar ao Horário Eleitoral amargando 16 pontos atrás da líder (Vox Populi). Pior: sabendo que Dilma tem mais de 54% dos votos válidos, enquanto a soma de todos os outros, consequentemente, não chega a 46%.
O programa de Serra foi muito bom. Contato direto com o povo, falando direto pra câmera razoavelmente bem, batendo com insistência na sua principal tecla, a da saúde, jingle bom, bem criativo na utilização do nome de Lula. Melhor à noite do que de dia.
O programa de Dilma foi melhor, claro. Passou muito bem o sentimento de Brasil, passou grandiosidade, um país melhor de se viver, a continuidade de Lula. Apresentou Dilma não apenas herdeira de Lula, mas como sua principal parceira na condução do governo. Emocionou, mostrou números, mas cometeu um pecado: excesso de efeitos visuais. É bom mostrar um Brasil grandioso, mas é bom também botar o pé no chão. O pobre, como diz Joãozinho Trinta, gosta de luxo. Mas não gosta de firulas. Preferi o programa diurno.
O programa de Marina, é preciso que se diga Uma Verdade Inconveniente, estava horroroso. Nem Al Gore faria pior.
Para a Oposição, de um modo geral, só existe um jeito de ter sucesso no Horário Eleitoral: tirar Lula da História.
Os outros
É muito emocionante ver o Plínio de Arruda Sampaio, 80 anos, firme na luta.
Também sempre me emociono ouvindo a Internacional. Lembro daquele Congresso da CUT em São Bernardo, acho que no estúdio da Vera Cruz, 5 mil trabalhadores, num frio danado, alguns de sandália havaiana, enrolados em cobertores, cantando em alto e bom som.
Já o Ei, ei, mael, esse é o Enéas dos novos tempos.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Al Gore: valeu o Nobel?

Estou aqui no Interior, na casa da sogra, e ela diz sobre meus ombros: "falou inglês, eu não confio!" Mas prefiro dar um voto de confiança a Al Gore. Primeiro, porque mal ou bem ele representa oposição ao truculento Bush. Segundo porque ele demonstrou empenho em sua jornada de defesa da paz ambiental. Terceiro, ele merece uma compensação por aquela garfada que lhe deram na eleição contra Bush.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

A verdade do jornalista, a verdade do publicitário

Hoje ouvi a correspondente da CBN na França falando sobre o Festival do Filme Publicitário de Cannes. Um festival bem interessante, bom pra badalar. Ela comentava sobre a fraca participação brasileira deste ano e, em certo momento, citou palestra de Al Gore para a platéia de "profissionais hábeis em ocultar verdades inconvenientes". Como jornalista e publicitário, sinto-me à vontade para comentar o conceito emitido pela jornalista sobre os publicitários. Na verdade, publicitário não oculta a verdade. Para ele, o que importa é o briefing recebido pelo marketing do seu cliente, obviamente orientando-o a valorizar os aspectos positivos do produto, da instituição ou do candidato. Na maioria das vezes ele nem mesmo tem conhecimento de "verdades inconvenientes". Durante muitos anos fiz campanhas de cigarros sem ter noção exata das suas "verdades inconvenientes" (aliás, eu costumava fumar mais de dois maços de cigarros por dia...). Talvez o advogado tenha a função de ocultar "verdades inconvenientes" em defesa de seus clientes, mas não cabe ao publicitário essa função (talvez mais apropriada, em comunicação, ao marketing). Também o jornalista está longe de ter a função de ocultar "verdades inconvenientes". Sua função é exatamente a de mostrar os diversos lados da verdade. E é exatamente aí onde reside o maior perigo, porque é muito comum vermos coberturas jornalísticas apresentando apenas as verdades que interessam ao veículo de comunicação, seja por interesses comerciais, seja por questões ideológicas. Eu diria que a publicidade, quando oculta "verdades inconvenientes", na grande maioria das vezes, está se mostrando alienada. Já o jornalismo, quando oculta "verdades inconvenientes", pode estar sendo alienada, ingênua, mas pode também estar agindo deliberadamente em defesa de suas conveniências. A verdade verdadeira é que os bons profissionais, sérios, honestos, dedicados, sejam de publicidade ou de jornalismo, sentem-se no mínimo desconfortáveis, quando percebem que ocultaram "verdades inconvenientes".

sábado, 3 de fevereiro de 2007

A questão ambiental ajudou Bush a derrotar Al Gore

Google
Na eleições de 2000, Al Gore tinha tudo para ser eleito Presidente dos Estados Unidos com relativa facilidade. Era o Vice-Presidente de um governo bem avaliado, tinha o apoio do Presidente Clinton e mostrava ser melhor preparado do que Bush, o candidato Republicano. (É verdade que Al Gore teve mais votos, mas a fraude e o complexo e ultrapassado sistema de votação americano passaram o bastão para Bush.) Em certa altura da corrida eleitoral, os estrategistas do candidato Rebublicano estavam meio perdidos na conceituação da campanha, já que Bush era inferior em todos os quesitos, menos preparado em tudo. Restou aos estrategistas a diferenciação pelo caráter. Parece estranho para nós, mas eles descobriram na "firmeza do que dizia" o ponto positivo de Bush. Uma das pièces de resistance da campanha republicana foi exatamente em cima da questão do meio ambiente. Al Gore tinha (e tem) uma visão muito mais progressista, realista e simpática sobre a questão, enquanto Bush sempre foi a personificação da destruição do meio ambiente. Mas os estrategistas de Bush fizeram um comercial onde apresentavam as idéias de um e de outro, ao mesmo tempo em que mostravam imagens das fazendas que os dois candidatos tinham. Nas propriedades de Al Gore havia quase 30 atentados ao meio ambiente, nas propriedades de Bush não havia nenhum. Bush demonstrou que tinha "caráter", "falava com seriedade" e venceu. Mas o mundo, como ficou demonstrado, perdeu...