Mostrando postagens com marcador Erik Prince. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Erik Prince. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

TRUMP E AS DÍVIDAS DE CAMPANHA


Em 20 de maio de 2007, postei aqui neste Blog (que retomo hoje, depois de 6 meses) que os Estados Unidos tinham dobrado a participação de mercenários em sua invasão do Iraque. E usei principalmente dados de uma reportagem, na Folha, de Sérgio Dávila ("Mercenários no Iraque se igualam a EUA"). Mostrava que o número de mercenários (eufemisticamente tratados como "soldados privados") americanos já tinha quase se igualado ao número de soldados oficiais (algo entre 100 mil e 130 mil para mercenários e 145 mil para "soldados oficiais"). Com uma diferença bem importante: os mercenários eram melhor equipados e recebiam salário maior do que o da tropa oficial. Segundo a Democrata Jan Schakowsky, da Comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, 40% da verba destinada ao Iraque pelo contribuinte americano ia parar nas mãos de empresas de segurança privada. O soldado mercenário trabalhando numa área perigosa ganhava por dia o mesmo que um soldado de faixa média do exército americano ganhava em um ano. E por que tudo isso? Por que terceirizar a política externa dessa forma, como alertava o documentarista Nick Bicanic, autor de "Shadow Company" (A companhia fantasma)? Sem dúvida alguma, havia a necessidade de "pagar a dívida de campanha". A empresa de segurança privada Blackwater (a maior de todas, criada pelo religioso Erik Prince e ligada a Republicanos), por exemplo, foi um dos maiores doadores da campanha de Bush.
Quando leio hoje as notícias alucinadas de Trump defendendo a retomada de uma corrida armamentista, não posso pensar em outra coisa: está tratando de pagar dívida de campanha.
Alguém talvez ainda pense que nos Estados Unidos não tem disso - mas, na minha opinião, trata-se de um dos esquemas mais corruptos que existem. E isso torna-se cada vez mais evidente quando o financiamento das campanhas é privado, e não público. Acho que falei em algum momento que, quando entrevistei o consultor político Jeff Greenfield, em 1974 (Nova York), perguntei o que ele mudaria no sistema eleitoral, ele respondeu: o dinheiro. Já naquela época, defendia tempo eleitoral gratuito na TV (pelo menos isso, nós temos), financiamento público geral e campanhas menores. Essas contribuições privadas monumentais nunca são de graça. Ficam cada vez maiores e os "contribuintes" buscam retorno imediato (embora de forma velada). Trump foi muito rápido em inventar tensões internacionais. Aparentemente, ele não busca uma guerra real, como fez Bush. Seria apenas uma gigantesca corrida armamentista que daria tranquilamente para pagar as contribuições. Mas o risco é muito grande. Como também contribui fortemente para aumentar o risco que corre a democracia americana, como bem alertou Paul Krugman.
Hoje, li o texto de uma palestra de Ronaldo Fiani que traz uma visão geopolítica bem interessante que poderia justificar esses movimentos trumpianos. Trarei para cá amanhã.

domingo, 23 de setembro de 2007

Blackwater é considerada grupo terrorista no Iraque

A Blackwater, a maior das empresas de segurança responsáveis por cerca de 130 mil homens em ação no Iraque, está sendo considerada grupo terrorista. É assim que ela é tratada nos relatórios dos ministérios iraquianos do Interior, de Segurança Nacional e de Defesa: "o assassinato a sangue frio de cidadãos praticado pela Blackwater em Nisour é considerado como ação terrorista contra civis assim como qualquer outro ato terrorista", diz a reportagem de James Glanz e Sabrina Tavernise no New York Times de hoje. O lógico seria o Governo Bush passar a combater a Blackwater tanto quanto combate Bin Laden. A questão é que ela foi criada pelo religioso ligado a Republicanos Erik Prince, um dos maiores doadores da campanha de Bush...

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Estados Unidos sofrem sua maior derrota no Iraque: a Blackwtaer está sendo suspensa no país

A notícia mais surpreendente de hoje (O Globo) diz que "o governo iraquiano suspendeu ontem as atividades no país de uma das mais poderosas companhias de segurança privadas americanas, a Blackwater, que garantia, entre outros serviços, a proteção da Embaixada dos Estados Unidos. O motivo, segundo Bagdá, foi um incidente envolvendo seguranças de empresa e que terminou com a morte de oito iraquianos". Como já escrevemos neste Blog em maio, a Blackwater é a maior dessas empresas de segurança americana no Iraque que atuam quase como fornecedoras de mercenários. Já são cerca de 130 mil homens nessa condição de "exército paralelo" e a Blackwater, a maior de todas, foi criada há dez anos por religioso ligado a republicanos, Erik Prince, um dos maiores doadores da campanha de Bush. Jeremy Scahill, autor de "Blackwater - The Rise of the World's Most Powerful Mercenary Army" (Ascensão do Exército Mercenário mais Poderoso do Mundo, Nation Books), defende que a empresa é a Guarda Pretoriana da Era Bush). O pior é a falta de regras para o controle dos mercenários. "Diferentemente dos soldados, que respondem ao código de conduta do Pentágono, os 'privados" se encontram numa zona juridicamente cinzenta". Se a Blackwater fose expulsa do Iraque, seria bem capaz de Bush decidir aumentar a participação de soldados "oficiais"...

domingo, 20 de maio de 2007

Mercenários dobram a participação militar americana no Iraque

A Folha traz hoje uma reportagem de Sérgio Dávila ("Mercenários no Iraque se igualam a EUA") que é de arrepiar. Mostra que o contingente de "soldados privados", mais bem equipado e com salário maior, já é quase tão grande quanto a tropa oficial. "Soldados privados" é o termo usado para se referir aos homens empregados em ação de guerra, a maioria em atividades ligadas a segurança e defesa. Se você tratá-los por "mercenários" não estará errando. Eles já são entre 100 mil e 130 mil atuando no Iraque que se somam aos cerca de 145 mil "soldados oficiais". "Estima-se que US$0,40 de cada dólar destinado ao Iraque pelo contribuinte americano pare nas mãos de uma empresa de segurança privada", disse a democrata Jan Schakowsky, da Comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes. Várias empresas beneficiam-se disso, como a Blackwater (a maior de todas, criada há dez anos por religioso ligado a republicanos, Erik Prince, um dos maiores doadores da campanha de Bush; Jeremy Scahill, autor de "Blackwater - The Rise of the World's Most Powerful Mercenary Army" (Ascensão do Exército Mercenário mais Poderoso do Mundo, Nation Books), defende que a empresa é a Guarda Pretoriana da Era Bush) e a USIS (subdivisão do Carlyle Group, que já teve Bush pai e filho no conselho). O pior é a falta de regras para o controle dos mercenários. "Diferentemente dos soldados, que respondem ao código de conduta do Pentágono, os 'privados" se encontram numa zona juridicamente cinzenta". Até 2007, eram regulados por uma Ordem 17, que determina que "os privados devem ser imunes ao processo legal iraquiano em relação às ações realizadas por eles enquanto a serviço de empresas". Resultado: em quatro anos de guerra, só dois mercenários em ação no Iraque foram levados à Justiça nos EUA, um condenado por matar um civil, outro acusado de ter pornografia infantil no computador. Agora, por iniciativa do senador republicano Lindsay Graham, foi aprovada lei que subordina os mercenários às mesmas regras seguidas pelos militares, desde que quando a serviço do Pentágono (o problema é que a maioria tem contrato com o Departamento de Estado...). Em geral, os "privados" ganham mais do que os "oficiais" - seja onde estiver, na protegida Zona Verde ou no fronte, o soldado norte-americano médio recebe entre US$ 28 mil e US$ 40 mil por ano; um "privado" trabalhando numa área perigosa pode receber a mesma quantia em apenas um dia. Isso tudo aponta para outro perigo: a terceirização da política externa americana, como alertou em entrevista telefônica à Folha o documentarista Nick Bicanic, autor de "Shadow Company" (A companhia fantasma). Com empresas tão poderosas e fora de controle, qualquer iniciativa do presidente americano em defesa de ações bélicas passa a ser inteiramente discutível. E não estamos falando do presidente de uma republiqueta qualquer. Trata-se do país mais poderoso do planeta, capaz de mudar os destinos da humanidade e que, assustadoramente, pode ficar à mercê de empresas fornedoras de "soldados privados". Perto disso, conviver com a violência do Rio ou de São Paulo parece brincadeira...