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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Fernando Henrique quer avançar com um passo à frente e dois pra trás.




Fernando Henrique é esperto. Bem formado e informado, usa as palavras astutamente na busca de vender o seu pássaro, digo, o seu peixe. No artigo que publicou domingo, “Inovar na política”, tenta convencer que inovar significa retroceder ao passado tucano. Aponta suas penas em várias direções, na esperança de provar que os tucanos não voam para trás. E nesse afã acaba, com todo o respeito, cometendo algumas papagaiadas.
Diz que “na última década renasceu no Brasil a ilusão de que tudo seria feito e ‘salvo’ pelo Estado”. Quem afirmou algo assim?
Está cabendo ao Estado fazer o que é preciso fazer e que não era feito (ou não era bem feito) nem pelo Estado nem pelo não-Estado. Alguém tinha que fazer. E os governos dos últimos 12 anos fizeram o possível e o impossível para preencher lacunas deixadas. Conseguiram alguns sucessos importantes. Por exemplo, quando Fernando Henrique deixou o governo, o analfabetismo era 11,9% – em 2013 (os dados da última administração publicados pelo Globo no dia 1º são praticamente todos de 2013) tinha caído para 8,5%. A mortalidade infantil era de 26,04% – caiu para 15,02%. A população com acesso à rede de esgoto era 44% – subiu para 55,9%. A inflação estava em 12,53% – caiu para 6,38%. A taxa de desemprego, 9,1% – caiu para 6,5%. O PIB per capita era R$ 8.382,24 – subiu para R$ 24.065,00. O investimento estrangeiro direto era de US$ 16,6 bilhões – subiu para US$ 60 bilhões. O salário mínimo era de 200 reais – chegou ao final de 2014 a 724 reais (em 2015 já está em 788 reais). Isso sem falar do Minha Casa Minha Vida, que antes não existia nada similar. Você vai perguntar agora – e o crescimento econômico? Realmente o crescimento econômico sobre o PIB está longe do desejado – era de 2,7% em 2002 e a previsão para 2014 é de 0,14%. E houve outros problemas sérios. Corrupção e reação neoliberal muito forte (no Brasil e no mundo). Mas nada justifica bater asas rumo ao passado, a não ser a decisão pura e simples de aninhar-se na ideologia tucana. Nesse ponto, Fernando Henrique manda um dos seus tijolaços (perdão, Brizola; desculpa, Fernando Brito) para acariciar o neoliberalismo: “Quem sabe superaremos o primitivismo político de considerar como 'neoliberal' tudo o que é necessário fazer para que as finanças públicas e a administração funcionem bem, respeitando suas possibilidades reais, mais ou menos elásticas conforme as circunstâncias, mas nunca infinitas, propiciando um clima favorável para que as pessoas, as organizações e as empresas possam expandir suas potencialidades”. Ora, Fernando Henrique, não tergiverse. A questão é de foco. Hoje, o foco está direcionado ao campo social, uma busca incessante para atender em primeiro lugar à população mais pobre. Já o “mercado”, por pior que esteja, vai bem, obrigado. Não precisa exatamente ser focado. Ao contrário, deveria apoiar (desculpe a ingenuidade...) o enfoque predominante. O seu governo baixou a crista, tirou o sapato, diante do Consenso de Washington, o laissez-faire econômico que levou à crise de 2008. Fica até engraçado quando lemos: “Sendo progressista, portanto, 'de esquerda', desejo que se consiga alcançar ‘consensos’ (aspas minhas) que melhorem o sistema político partidário, dando-lhe certa coerência ideológica”. Que Fernando Henrique me desculpe, mas não há consenso em considerá-lo “progressista” e/ou “de esquerda”. No passado remoto, pode ser; mais recentemente, o passado condena. Quando apresenta propostas para a reforma política, até que inicialmente parece estar no caminho certo: “Para dar passos iniciais bastam três emendas à Constituição: voltar a aprovar a 'cláusula de barreira' (...); proibir as coligações entre partidos nas eleições proporcionais; e vedar o uso de marketing político nas TVs. A TV seria usada apenas para debates entre candidatos ou para suas falas diretas à audiência”. Aqui, no final, há certo despreparo, já que tanto “debates entre candidatos” quanto “falas diretas à audiência” são também partes do marketing político. Para controlar os altos custos de campanhas (e torná-las mais democráticas) basta o fim do financiamento empresarial . Os partidos terão com isso que reduzir radicalmente seus custos de produção (a veiculação já é gratuita, ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, que é paga e com efeitos negativos para a democracia).
Logo em seguida, Fernando Henrique defende o voto distrital, hoje criticado em países que adotam (vale consultar o Fair Vote americano). Mas todo o seu blábláblá tem o objetivo único de tentar vender para o seu bando tucano a diferença que ele faz entre o PSDB e o PT. Tenta parecer agradável, quando diz que os dois partidos são “primos”. Mas logo em seguida enche o texto de bicadas. Segundo ele, o PSDB seria mais contemporâneo, porque “reconhece explicitamente a necessidade de dar ao mercado o papel que lhe corresponde nas sociedades contemporâneas, da mesma forma que não atribui ao Estado todas as virtudes”. Ora, isso o PT também faz. A questão é, primeiro, definir exatamente que papel do mercado é esse e, segundo, não atribuir ao mercado todas as virtudes. Com os pés firmes no chão, fico com a certeza de que voar é com os pássaros. Mas voar pra trás é com os tucanos de Fernando Henrique.

domingo, 23 de novembro de 2014

O próximo passo


Governar não é a arte do impossível – mais do que qualquer outra coisa é simplesmente a arte do possível. Dilma está (aparentemente) demonstrando isso, principalmente nesse início de segundo mandato. Não dá para governar enfrentando os donos do capital/comunicação e sair impune. A campanha eleitoral recente deixou isso bem claro. E Dilma começa essa nova fase dando mostras de que entendeu o recado. Sem um Congresso confiável e a corrupção entranhada no país inteiro não há como bater no peito e declarar “ganhei a eleição e fim de papo”. Ganhou-se apenas uma eleição, não uma revolução. E mesmo nas revoluções é preciso saber dar um passo atrás e dois à frente. É difícil engolir a fazendeira Kátia Abreu como possível Ministra da Agricultura. Ou os representantes do mercado assumindo a direção de nossa economia. Mas esse é o momento para as esquerdas saberem se unir e ganhar força para novas conquistas e, como primeiro passo, mobilizar o país por uma reforma política profunda. Talvez isso possa compensar o desânimo de pessoas como Janio de Freitas em (mais um de seus excelentes artigos) “O primeiro passo”, publicado neste domingo, na Folha.
O primeiro passo
Janio de Freitas
Folha, 23/11/2014

A escolha de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, vista de fora, é uma decisão política, não econômica. Faz supor uma escolha de Dilma Rousseff por temor da voracidade com que os conservadores ambicionam a retomada do Poder perdido. Presenteia-os, parece, na suposição de aplacá-los.
De fora, ainda não há como saber –e muito menos crer– de algum entendimento prévio sobre linha de política econômica que possa tornar a escolha mais inteligível. Seja como for, coerente com o sentido da campanha de Dilma, não é.
A escolha não tem coerência nem com o momento em que é feita. Na manhã mesma em que fez uma reunião para definir a escolha, liberada não oficialmente à tarde, o caderno "mercado2" da Folha apresentava como manchete: "Desemprego recua em outubro e atinge 4,7%; renda bate recorde". A seção "Economia" do "Globo", com uma nota na primeira página, também dava como manchete: "Emprego em alta, renda recorde".
Aos dois jornais não faltaram, claro, o "mas" e o "apesar de". Ainda assim, das manchetes pode-se entender que a economia esteja mais para o massacrado Guido Mantega do que para o Joaquim Levy que bem poderia ser ministro em um governo de Aécio Neves.
O histórico de Joaquim Levy não deixa dúvida sobre o seu conservadorismo, posto em prática evidente ao menos desde que foi secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento no governo Fernando Henrique. Conservadorismo confirmado no governo Lula, quando foi um dos inspiradores da política econômica que consagrou Antonio Palocci nos setores do domínio financeiro. E conservadorismo consolidado como secretário do Tesouro, quando Levy foi o ponto de resistência a gastos e outras medidas de linha social pretendidas no governo Lula.
Caso o histórico não baste, o presente garante: se não fosse adepto de concepções do conservadorismo neoliberal, Joaquim Levy não seria diretor do Bradesco. O que prova não se tratar, até agora, de pessoa incoerente.
Também sem comunicação oficial quando escrevo, a apontada indicação da senadora Kátia Abreu para a Agricultura sugere, ou confirma, uma disposição incomum de Dilma Rousseff para incrementar problemas com as correntes não conservadoras. A senadora exerce com muita competência a liderança do agronegócio e dos grandes proprietários de terra. Mas nem todos os interesses que defende coincidem com o que deveriam ser objetivos do governo, de todo governo.
Dilma Rousseff entra no segundo mandato devendo muito para reparar os desempenhos deploráveis do seu governo em três capítulos da desgraça nacional: o problema indígena, sem as demarcações territoriais devidas e com o genocídio em progressão; a questão fundiária em geral, com imensos territórios tomados e explorados; e, ainda e sempre, a reforma agrária, pendente de correções e de avanços. Três assuntos em que o responsável pela Agricultura tem deveres e poderes muito grandes. Três assuntos em que os interesses representados pela senadora Kátia Abreu conflitam, em todos os sentidos desta palavra, com as vítimas e com as obrigações e as dívidas administrativas e sociais do governo Dilma.
O primeiro movimento para o novo governo parece feito em marcha a ré.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

ÓDIO X DIÁLOGO - O TERCEIRO TURNO SÓ COMEÇOU...





Neste domingo, dois sociólogos saídos da velha esquerda, ocuparam páginas opostas do Globo. Na página par, Fernando Henrique, um antigo estudioso da ciência política, particularmente do marxismo, escreveu “Diálogo ou novas imposturas?”, onde procurou manter o clima belicoso das eleições presidenciais, com fortes ataques ao governo e ao PT particularmente. Na página ímpar, Moreira Franco, ex-dirigente da AP (Ação Popular), movimento político associado à igreja que ganhou mais destaque na oposição ao golpe de 64, dá entrevista com o título de “É grave levar para a disputa política a divisão do país”. Os textos atendem muito a que cada um se propõe, tentando escolher o foco ideal para os próximos movimentos políticos, principalmente no âmbito do Congresso.
Fernando Henrique, ex-Presidente e tucano-mor do mundo político, fez o discurso da valorização da beligerância eleitoral (a exemplo do que fez Aloysio Nunes no Senado). Começa pelo título e, logo no segundo parágrafo, escreve que “é bom retomar logo a ofensiva na agenda e nos debates políticos”. E em seguida “não se pode aceitar passivamente que a 'desconstrução' do adversário, a propaganda negativa à custa de calúnias e deturpações de fatos, seja instrumento da luta democrática”. Misturou duas coisas (“desconstrução” e “calúnias/deturpações de fatos”) como se fossem uma coisa só. Mas certamente é daqueles que pensa que quando sou eu que faço, é “desconstrução”; quando é o adversário, trata-se de “calúnia”. No afã de manter a tensão pós-eleitoral, atrapalhou-se com pesquisas e o segmento mais rico do eleitorado. Disse ele:
“A propaganda incentivada pela liderança maior do PT inventou uma batalha dos “pobres contra os ricos”. Eu não sabia que metade do eleitorado brasileiro, que votou em Aécio, é composta por ricos... É difícil acreditar na boa-fé do argumento quando se sabe que 70% dos eleitores do candidato do PSDB, segundo o Datafolha, compunham-se de pessoas que ganham até três salários mínimos. A propaganda falaciosa, no caso, não está defendendo uma classe da exploração de outra, mas enganando uma parte do eleitorado em benefício dos seus autores”.
Além de se enganar com percentagens e segmentos, quem está tentando enganar é Fernando Henrique. Como calcula-se em apenas 7% a classe alta no Brasil, é claro que ninguém pensou em dizer que entre os 51 milhões de eleitores do Aécio a maioria é de classe alta. Aécio foi o candidato dos mais ricos porque defendeu propostas mais afinadas com os segmentos mais ricos da sociedade. Essa é a verdade que a campanha petista propagou e que ficou demonstrada com o resultado da eleição dando a Dilma a maioria dos votos dos segmentos de menor renda e a Aécio a maioria dos votos dos segmentos de renda mais alta (segundo pesquisa Datafolha divulgada na véspera do segundo turno). Quem é que “deturpa os fatos”, Fernando Henrique?
Moreira Franco fez o discurso do diálogo. Começou por declarar que “não existe nada mais grave na história da humanidade do que você levar para a disputa política a divisão do país”. Tomou essa posição em defesa não apenas do governo de que faz parte (Ministro da Aviação Civil), como – principalmente – em defesa dos interesses do seu partido, o PMDB, o segundo em deputados federais e o maior partido de “centro” do país. À medida que o “diálogo” vier para o âmbito do Congresso, o PMDB terá mais força como fiel da balança, ampliando seu poder de fogo.
Enquanto, através de Fernando Henrique, o PSDB procura firmar-se como porta-voz da oposição dentro do Congresso (e ao mesmo tempo manter de prontidão o vasto eleitorado oposicionista que conseguiu arrebanhar nesta eleição), o PMDB, através do discurso do diálogo com o Congresso no centro de referência, procura preservar o poder de conduzir os destinos do país através do controle da maioria parlamentar. A bem da verdade, nenhuma dessas posições interessa ao país. O maior recado dessa eleição foi o da necessidade de reforma política. E a principal batalha desse "terceiro turno" deverá ser pela mobilização da sociedade em defesa de uma reforma política profunda, independente, realmente popular. Isso não pode ser deixado nas mãos de quem tem o maior interesse em deixar tudo como está.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Os dois perderam: a não-virtude está no meio

(clique para ampliar)
Não importa quem vai vencer, Dilma ou Aécio (parece que é mesmo Dilma), os dois já perderam. Qualquer que seja o vencedor no dia 26, vai entrar derrotado no próximo Congresso. Basta comparar os deputados eleitos deste ano com os que vão encerrar esta legislatura. Até hoje, o PT com seus aliados mais à esquerda, mais o PMDB, mais o PSOL, formavam 195 deputados. Passaram a formar 170. O PSDB com seus aliados mais à direita, mais o seu novo aliado PSB, formavam 136 deputados. Passaram a formar 147. Seja à esquerda ou à direita, são alianças feitas, digamos, no atacado. O “centrão”, ou aquelas siglas que flutuam pra lá ou pra cá, em alianças feitas, digamos, no varejo, passou de 182 para 196. São esses 196 que, no final das contas, vão segurar a bengala do governo na travessia cega da governabilidade. O que nos apontam mais uma vez esses resultados? A necessidade urgente de reforma política. Não adianta mais ficar remoendo essa história. Como bem frisou o Presidente do TSE, José Antonio Dias Toffoli, no seu artigo de sábado na Folha (A quarta maior democracia do mundo), “os resultados das eleições para a Câmara dos Deputados, onde 28 partidos obtiveram assentos, são preocupantes. Revelam séria fragmentação política e desfavorecem a governabilidade. Os partidos de menor expressão, pelo acesso aos recursos do fundo partidário e ao tempo de propaganda no rádio e na TV, ficam sujeitos a se colocar a serviço de projetos políticos de agremiações mais robustas”. Toffoli faz algumas sugestões, como “o fim das coligações partidárias para as eleições proporcionais (cairia de 28 para 22 o número de partidos na Câmara) e a instituição de cláusula de barreira com a necessária imposição de limites para partidos que não obtenham percentual mínimo de votos, mas que observe os princípios constitucionais do pluralismo político e garanta a expressão das minorias”. Sugere também a “redução do tempo de campanha de 90 para 45 dias e duas semanas para o segundo turno” e ainda reduzir “o tempo da propaganda gratuita de seis para três semanas”. Finalmente critica firmemente as “doações de empresas para partidos e candidatos, o que é uma contradição, já que a cidadania e o voto não são exercidos por empresas, mas por cidadãos”. E propõe fixar “limites de gastos e de doações por pessoas físicas, (...) estimulando-se a reaproximação entre partidos, candidatos e eleitores. É o que chamo de financiamento democrático das eleições: o financiamento privado de partidos e candidatos, com limites isonômicos, pelos próprios eleitores”. Sugestões excelentes. Podemos acrescentar a ampliação do financiamento público de campanha e medidas que possam fortalecer ainda mais os partidos políticos (voto em lista?).
Urge, repito, a necessidade de uma reforma política profunda. Mas não podemos esperar que isso caia do céu ou aconteça espontaneamente a partir desse Congresso que acabamos de eleger. Os parlamentares não vão querer legislar contra seus interesses mesquinhos. A sociedade tem que rugir. Tem que ir paras as ruas. Tem que forçar Governo e Congresso a transformarem esse modo de fazer de política. Tem que conquistar uma virtude que não seja algo perdido no meio de nada, mas que represente os interesses da maioria. A virtude tem que estar sempre no meio do povo.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Lula e a reforma política

A equipe do www.mobilizacaobr.com.br gravou essa boa entrevista de Lula sobre a reforma política:

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Mexicanos são contra re-eleição de parlamentares

O Consulta Mitofsky, do México, fez uma pesquisa em dezembro (tracking mensal) sobre se os mexicanos seriam ou não favoráveis à re-eleição de parlamentares. 80% disseram não. É a resposta à proposta de reforma política de Calderón permitindo "re-eleição imediata e até por 12 anos de deputados, deputados federais e senadores". Os perredistas (do PRD, Partido de la Revolución Democrática, de esquerda) são os que mais rejeitam a ideia, na proporção de 6:1. Veja o texto da Consulta Mitofsky:
REELECIÓN DE DIPUTADOS: MEDIDA POCO POPULAR
24/01/2010
Dentro de la propuesta de reformas políticas planteadas por el presidente Calderón en diciembre pasado, una de las más controversiales es la iniciativa de permitir la reelección inmediata y hasta por 12 años de diputados locales, diputados federales y senadores.
Los resultados a la pregunta sobre la posibilidad de la reelección aplicada en nuestro tracking mensual del mes de diciembre, indican que prácticamente 8 de cada 10 ciudadanos mexicanos rechazan la idea.
Algunos datos interesantes sobre el nivel de aprobación a la reelección de diputados son:

* Los mexicanos con mayor escolaridad tienden a estar más de acuerdo con la reelección.
* La región central del país aprueba con más fuerza la reelección; y el bajío es donde menos se considera como buena la idea.
* Los perredistas y los ciudadanos independientes rechazan en una proporción de 6 a 1 la reelección legislativa.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Reforma política já!

Não adianta. Entra ano, sai ano, e o noticiário de escândalos não sai da pauta. E será assim por todo o sempre, não adianta culpar A, B ou C. O nosso sistema político/eleitoral é que de fato favorece – diria melhor, exige! – a corrupção. Para alterar esse ambiente desfavorável a um mundo político saudável, precisamos, no mínimo, fidelidade partidária de fato, voto em lista, financiamento público de campanha. Mas como aprovar isso no Congresso? Impossível. Convocação de Assembléia específica? Seria ideal, mas difícil de acontecer. Sem mobilização da sociedade, nada acontecerá. Tudo continuará acabando em p... anetone.

domingo, 11 de outubro de 2009

Reforma política: mãe de quem mesmo?

Não li o livro “Brasil pós-crise”, coordenado pelos economistas Fábio Giambiagi e Otávio Barros, com textos tanto de nomes ligados ao Governo Lula quanto ao Governo Fernando Henrique. Li a coluna de Merval Pereira de hoje no Globo, comentando alguns de seus aspectos e destacando como ponto central “um grupo de capítulos sobre as diversas reformas estruturais que precisariam ser feitas pelo futuro governo, mas que dependem de uma delas, a reforma política, considerada “a mãe” de todas as reformas, mais complexa e delicada, que pode colocar a perder o clima político que permitiria a aprovação das demais”. Na coluna é citado particularmente o artigo do economista Alexandre Marinis, da Consultoria Mosaico, que buscaria o “timing de uma verdadeira reforma política”. Mas Merval toca em dois pontos do artigo que, a meu ver, são no mínimo discutíveis. O primeiro diz respeito à “concentração de poderes nas mãos do presidente da República, gerando um hiperpresidencialismo de fato, um fenômeno não apenas brasileiro, mas que se espalha pela América Latina”. Se isso existe, é responsabilidade em primeiro lugar da Constituição (que não foi escrita por um Presidente da República) e em segundo lugar de parlamentares (e até de partidos) que negociam seus votos como se negocia banana nas feiras livres. Esse “fenômeno”, aliás, é observado não apenas no Brasil ou na América Latina – mas é mais intenso onde os partidos são fracos. Poderia dizer que com a lógica do nosso sistema político, ao contrário do que sustenta Marinis, o Executivo jamais terá poder para levar adiante reformas sem a “negociação” com parlamentares – que talvez sejam, de fato, os que concentram poder nas mãos. O segundo ponto diz respeito à afirmação de que estando “a maioria eleitoral nas regiões Sul e Sudeste, os presidentes quase sempre saem dessas regiões, com raras exceções como a eleição de Collor, que Marinis considera uma anomalia”. Já mostrei aqui que, ao contrário do que diz o artigo, a maioria eleitoral está nas regiões Nordeste e Sudeste e os presidentes e seus vices sempre saem daí, desde o fim da ditadura. A Câmara dos Deputados reflete essa maioria. O Senado sim, formado por 3 representantes de cada um dos estados mais o Distrito Federal, reflete a maioria federativa do Norte-Nordeste-Centro Oeste - e se mostra muito mais conservador. Concordo com o pessimismo de Marinis sobre uma reforma política que vá contra os interesses desse Congresso que detém a chave do poder perpétuo. E concordo com Merval Pereira que Alexandre Marinis sonha quando fala de uma Constituinte específica independente e transformadora. Afinal, caso fosse convocada, ela poderia estar profundamente dependente da nossa mídia conservadora.

domingo, 10 de maio de 2009

Pela reforma de comentários políticos

Vamos colocar claro uma coisa: nós somos representados no Senado, na Câmara, nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras de Vereadores, por partidos políticos, não por indivíduos. Se não fosse assim, para que, então, constituir partidos? Resolvi tocar nesse assunto porque a reforma política anda sendo tratada na mídia de forma meio boba. Hoje, em sua coluna, Elio Gaspari investe ferozmente contra a possibilidade de aprovação do “voto em lista” alegando que “pelo sistema de lista, o voto é canalizado para um panelão partidário e são eleitos os candidatos arrolados pela panelinha da burocracia da sigla”. Qual a novidade? A burocracia é da essência dos partidos, com lista ou sem lista. E, aqui pra nós, adivinha por quem são arrolados os candidatos nesse sistema sem lista? Isso mesmo, pelo que o Elio Gaspari chama de “panelinha da burocracia”. Então quer dizer que tanto faz? Não é bem assim. O sistema atual viabiliza muito mais facilmente o político que entra no jogo apenas por interesses próprios, totalmente desvinculado dos interesses comuns. Muito mais facilmente permite as siglas de aluguel. Cria ambiente mais do que propício aos mensalões e outras artimanhas semelhantes. O voto de lista fortalece os partidos e contribui para mais organização, disciplina e para melhor representação de um grupo de eleitores com afinidades ideológicas ou políticas. É bom que se lembre que o voto em lista já é praticado no Brasil em várias situações, como eleições sindicais, de clubes, de direções partidárias, e é também utilizada em outros países, inclusive (de certo modo) nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Não significa o saneamento da política brasileira. Mas com certeza é um avanço. Da mesma forma que será um avanço a aprovação do financiamento público de campanha. O pequeno exemplo que temos já em vigor há alguns anos, o Horário Eleitoral Gratuito, é bastante positivo e deve ser ampliado. No último "Fatos e Versões", a apresentadora, Cristiana Lobo, tentou falar de outro assunto também muito mal abordado, que é o caso de suplentes de senadores que acabam assumindo o posto de Senador sem terem recebido voto para isso. As pessoas acham um absurdo votar em alguém para Senador e, no caso de algum impedimento (morte, doença, cassação, licença, ou seja o que for), ter que ver o seu suplente assumir o seu lugar. Dizem que ele não recebeu voto para isso. Mas esquecem que se trata de uma eleição majoritária, assim como são as eleições para Presidente, Governador ou Prefeito. E não vejo ninguém reclamar dos Vices assumirem no caso de impedimento de Presidente, Governador ou Prefeito. O suplente de Senador é como se fosse um Vice. Precisamos, é verdade, melhorar a qualidade de nossos políticos e de nossa política. Mas isso não se faz com pequenez política.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Tudo como dantes no quartel d' Abrantes

Adaptação de imagens do Google Reforma política rejeitada. Não é surpresa. O Elói, comunista dos velhos tempos, dizia outro dia: "Cobra não morde o próprio rabo". É uma pena para o mundo político. É uma pena para a população. A maioria dos nossos políticos parece preferir conviver com os escândalos permanentes, o desprezo da opinião pública, o descompasso com o país e o mundo moderno. 20 dias atrás, um pré-candidato a Prefeito me consultou sobre a reformar política, se eu achava que seria aprovada ou não. Respondi que, infelizmente, não. Ele me perguntou "por que infelizmente?", já que para a candidatura dele é melhor ficar como está. Respondi que é dever de todos nós lutarmos por partidos mais fortes, mais resistentes às ameaças de corrupção, com voto em lista fechada, ampliação do financiamento público de campanha (não ficar apenas no Horário Eleitoral Gratuito, como costumo lembrar) e garantia de fidelidade partidária. Infelizmente, como já disse, teremos que continuar convivendo com esse modo menor de fazer política.

terça-feira, 26 de junho de 2007

O povo quer fidelidade

A Pesquisa CNT Sensus (18 a 22 de junho, 2000 entrevistas, margem de erro +/- 3%) divulgada nesta terça-feira, demonstra o óbvio: é fundamental o fortalecimento dos partidos com a "fidelidade partidária". A população não aprova "financiamento público de campanha" nem "alteração do sistema de votação". Mas isso, com certeza, é porque não está devidamente informada.

Lista fechada favorece PT, PMDB e PSDB

A Pesquisa CNT Sensus (18 a 22 de junho, 2000 entrevistas, margem de erro +/- 3%) divulgada nesta terça-feira, mostra que, no caso de adoção do "sistema de votação em Lista Fechada do Partido Político ao invés do Candidato", PT, PMDB e PSDB têm a preferência das pessoas. Dos que declararam o partido de sua preferência, eles têm, respectivamente, 37,54%, 17,54% e 13,5%.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

A semana do Congresso continua folclórica com esse ritmo maluco do Bumba-meu-Boi

Aldemir Martins / Google Como descreve a Wikipédia, "Bumba-meu-Boi é uma dança do folclore popular brasileiro, com personagens humanos, animais e fantásticos, que gira em torno da morte e ressurreição de um boi. (...) O Bumba-meu-Boi toma aspectos semelhantes aos de uma tragicomédia, considerando a estrutura de seus personagens alegóricos, encenações contextuais e a reprodução dos conflitos e desenlaces de forma alegre e carnavalesca". Dependendo da região do Brasil, ganha nomes diferentes. Em Alagoas é Bumba-meu-Boi mesmo, mas em outras regiões pode se chamar Boi-Bumbá, Pavulagem, Boi Calemba, Bumbá, Boi de Reis, Boi Surubim, Boi Zumbi, Boi Janeiro, Boi Estrela do Mar, Dromedário, Mulinha-de-Ouro, Boi de Mourão, Boi de Mamão, Bumba, Folguedo do Boi, Boi-de-Reis, Bumba, Boizinho, Boi Mamão, Boi de Jacá ou Dança do Boi. (Terra Brasileira) Não temos informação sobre a existência do Bumba-meu-Boi em Goiás ou Brasília. Mas a partir de agora parece que vai se firmar no folclore local. Enquanto alguns políticos insistem em transformar a política em puro folclore, a reforma política torna-se cada vez mais necessária. Com voto em lista, financiamento público de campanha e fidelidade partidária. Estou dando uma boiada para que essa briga pela reforma comece logo - e sem folclore.

terça-feira, 19 de junho de 2007

A reforma do "faz de conta"

Os políticos brasileiros parece que gostam da imagem negativa que o povo tem deles. Essa "reforma política" é um exemplo. Eles estão fazendo tudo para que ela não reforme nada - e que prevaleçam as vantagens pessoais sobre o interesse público. O que estão fazendo para "fazer de conta" que estão reformando nossa política é qualquer coisa do outro mundo. Inventaram o "voto 2/3 em lista fechada, 1/3 em lista aberta"! Inventaram o voto duplo, em lista fechada e em lista aberta - que, na prática, é um zero à esquerda. E continuam inventando, fazendo de conta que defendem os interesses de seus eleitores. O PSDB, que defendia o voto em lista fechada, abriu mão de seus princípios, porque ficou com medo de, com isso, fazer com que seus adversários PMDB e DEM (ex-PFL) ganhassem vantagens financeiras (através do financiamento público) na disputa presidencial de 2010. O PT, que sempre defendeu o fortalecimento partidário, mostrou que não é mais o mesmo e amoleceu com suas dissidências internas. Os fisiológicos, evidentemente, comemoram a preservação desse mundo da fantasia alimentado a escândalos. Enquanto esse "políticos" divertem-se com suas fantasias, o povo tem que enfrentar a dura realidade.